Minerais críticos podem ser novo pré-sal, diz estudo

Estudo aponta cenário de produção de até US$ 15,6 bi ao ano, com impacto em vários Estados

Por Giordanna Neves — Valor – 17/12/2025 

Os minerais críticos têm potencial para se tornar o novo pré-sal do Brasil. Mesmo em cenários conservadores e com apenas 27% das reservas conhecidas já prospectadas, o valor bruto de produção dessas cadeias – que consiste no valor total da produção a preços de mercado, calculado antes de descontar custos e insumos – pode alcançar US$ 15,6 bilhões anuais até 2030. O volume representa alta de 187% em relação a 2024, impulsionada pela transição energética global. A escala dessa oportunidade remete ao impacto do pré-sal. A exploração de petróleo em águas profundas revelou mais de 50 bilhões de barris equivalentes e gerou mais de US$ 40 bilhões por ano em produção bruta, além de estruturar uma cadeia nacional sofisticada de engenharia, equipamentos e serviços.

Os cálculos integram estudo elaborado a pedido do Valor pelo professor de economia da Universidade de Brasília (UnB) Jorge Arbache e pelo pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Rafael Leão. Com base nesses resultados, os autores afirmam que o Brasil passa a deter poder de barganha relevante ao concentrar reservas estratégicas disputadas por Estados Unidos, Europa e China, o que abre espaço para negociar agregação de valor no país.

O Brasil ocupa hoje uma posição paradoxal no contexto geopolítico dos minerais críticos da transição energética: é grande detentor de reservas, mas pequeno produtor, o que resulta no desperdício de um enorme potencial econômico em termos de renda, industrialização e tecnologia. Essa lacuna – típica de países que não convertem vantagem comparativa em vantagem competitiva – é justamente onde reside o principal potencial econômico mensurável para as próximas décadas.

Segundo os pesquisadores, o país já mostrou ser capaz de romper esse tipo de armadilha. O pré-sal é a referência histórica mais clara de como a exploração de recursos naturais pode impulsionar diversificação produtiva, sofisticação industrial e ganhos econômicos de escala. Na visão dos autores, os minerais críticos têm potencial para desempenhar papel semelhante, em um contexto em que a transição energética acelera a demanda global por esses insumos. Veículos elétricos, por exemplo, consomem cerca de cinco vezes mais minerais do que os modelos a combustão, de acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA).

“Se o Brasil repetir o que o pré-sal fez para o petróleo, porém, agora com maior distribuição territorial e maior sofisticação tecnológica, o país poderá: multiplicar exportações; criar novos clusters industriais (Minas Gerais-Goiás-Bahia, Piauí-Ceará, Pará-Amapá); elevar produtividade; atrair pesquisa e desenvolvimento internacionais; gerar receitas públicas perenes pelo pagamento de royalties; e criar uma indústria verde integrada ao comércio global. Mesmo em cenários conservadores, o valor econômico é significativo”, enfatizam.

Brasil tem potencial de estabilizar o fornecimento global de matérias-primas nos próximos anos

Para mensurar o potencial econômico dos minerais críticos, os autores construíram três cenários conservadores, a partir de dados do Anuário Mineral Brasileiro da Agência Nacional de Mineração (ANM), parâmetros médios de preços internacionais e domésticos e padrões globais de processamento e agregação de valor.

As estimativas consideram o valor bruto da produção mineral, e não o valor adicionado, e levam em conta o tamanho das reservas já mapeadas, o subaproveitamento atual – evidenciado pela lacuna entre reservas e produção efetiva -, o impacto da expansão da produção e comparações históricas com o pré-sal. Hoje, apenas cerca de 27% do território brasileiro foi adequadamente prospectado. Esse é um dado que sugerem, por exemplo, amplo espaço para novas descobertas e explica o porquê os cenários traçados são considerados conservadores.

No cenário “padrão-mundo” estimado no estudo, os pesquisadores consideram que a produção brasileira se equipara à velocidade média global observada entre 2017 e 2023, mas o país permanece concentrado na extração, sem capacidade relevante de refino e processamento, mantendo um perfil essencialmente exportador de commodities minerais. Nesse cenário, o valor da produção mineral beneficiada de cobre, grafita, manganês, níquel, terras raras e lítio cresce 4,6% ao ano, até 2030, alcançando US$ 7,1 bilhões, ante US$ 5,4 bilhões em 2024, o que representa alta de 31% (a um câmbio médio de R$ 5,5 por dólar).

O cenário “padrão-transição energética” incorpora projeções mais aceleradas de crescimento da demanda global por esses minerais no período de 2024 a 2030, conforme aponta a IEA. Ou seja, esse cenário pressupõe um fluxo mais intenso de investimentos em expansão da capacidade extrativa, mas sem avanço relevante no refino. Neste caso, mesmo restrito ao elo minerador, o valor da produção beneficiada de cobre, grafita, manganês, níquel, terras raras e lítio cresce 9,2% ao ano, até 2030, alcançando US$ 9,2 bilhões, aumento de 69% em relação ao patamar de 2024.

Já o cenário “padrão-industrialização das vantagens comparativas” combina forte expansão da capacidade extrativa com a internalização de etapas básicas de refino e processamento mineral. Nessa simulação, o Brasil é capaz de processar metade da produção beneficiada, produzindo matérias-primas metalúrgicas e químicas, como cátodos de cobre e níquel, manganês eletrolítico, hidróxido de lítio grau bateria e óxidos de terras raras. Nesse caso, o valor da produção combinada dos minerais concentrados e dos minerais processados e refinados cresceria 19,2% ao ano até 2030, alcançando US$ 15,6 bilhões em 2030, salto de 187% comparado ao valor da produção mineral beneficiada de 2024.

Além do impacto na produção mineral, a consolidação das cadeias de minerais críticos teria efeitos macroeconômicos relevantes, elevando o Produto Interno Bruto (PIB) potencial, gerando exportações adicionais e ampliando de forma significativa as receitas públicas federais, estaduais e municipais, mesmo em cenários conservadores.

Diferentemente do pré-sal, concentrado geograficamente, as províncias de minerais críticos estão espalhadas por diversos Estados. Isso tende a gerar um choque de desenvolvimento descentralizado, com ganhos para municípios do interior por meio de royalties e investimentos em infraestrutura, saúde e educação. A expansão do setor pode ainda viabilizar cadeias metalúrgicas e químicas, além da produção de componentes avançados para energia eólica, solar, armazenamento e baterias, reduzindo a dependência da exportação de minérios brutos e elevando a produtividade e a capacidade de inovação do país.

Segundo os autores, projeções de mercado indicam que a oferta global desses minerais deve se tornar insuficiente já em meados da próxima década. Isso abre espaço para que o Brasil, com mais investimentos, ajude a estabilizar o fornecimento global de matérias-primas, componentes e, eventualmente, produtos finais essenciais para a transição energética.

Para o físico e ambientalista Délcio Rodrigues, diretor-executivo do Instituto ClimaInfo, é essencial que o país aproveite suas reservas de minérios críticos para reduzir a desigualdade. “Como a extração de petróleo, a mineração é concentradora de renda e, em suas operações no Brasil, as condições de trabalho e a remuneração dos trabalhadores são muito precárias, salvo raras exceções. Não será com um boom nas exportações de minérios que reverteremos esta situação. Para isso, precisaremos de políticas públicas, investimento em pesquisa e desenvolvimento, direcionamento político e salvaguardas socioambientais”, diz.

Segundo ele, o combate à desigualdade e o cuidado com o meio ambiente têm que determinar o rumo do mercado de minerais críticos. “Sem isso, quem ganhará, mais uma vez, será um punhado de investidores, e quem perderá serão as populações atingidas pelos impactos da mineração, as nossas águas e a nossa biodiversidade”, acrescentou.

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A expansão da infraestrutura

O investimento continua crescendo na infraestrutura, transformando o Brasil pelo lado da oferta

Por Joaquim Levy – Valor – 18/12/2025

Joaquim Levy foi ministro da Fazenda e diretor-gerente do Banco Mundial e é diretor de Estratégia Econômica e Relações com Mercado do Banco Safra

O ano de 2025 trouxe algumas boas notícias para a economia brasileira, além da apreciação cambial e da queda da inflação que a acompanhou. Na infraestrutura, o investimento continua crescendo, transformando o Brasil pelo lado da oferta. Novas técnicas no setor agro também vão abrindo oportunidades para o Brasil e aumentando a sustentabilidade do setor. O investimento é essencial para aumentar a produtividade média da mão de obra, mesmo que essa varie bastante entre setores.

Com a ajuda da infraestrutura, o investimento total (formação bruta de capital) vem crescendo mais que o consumo desde 2024, devendo se manter assim em 2026, acompanhando as exportações nessa toada de serem puxadores do crescimento do PIB.

O Livro azul da Abdib indica que o investimento total em infraestrutura em 2025 deve alcançar R$ 280 bilhões (2,6% do PIB), dos quais R$ 235 bilhões sob responsabilidade do setor privado. O desembolso do setor privado a preços constantes cresceu 6% em relação a 2024, enquanto que o do setor público caiu 11%. Além disso, há uma expectativa de vultosos investimentos à frente — no setor de rodovias, os leilões até finais de 2025 representam a contratação de mais de R$ 200 bilhões em obras nos próximos anos, mais ou menos três vezes os R$ 76 bilhões investidos em rodovias e logística em 2025. Há a expectativa de outros 13 leilões de rodovias federais em 2026 e oito ferroviários, como concessão ou autorização, em alguns casos com apoio do governo, como se fossem parcerias público privadas. Isso poderia gerar investimentos anuais de até 0,5% do PIB nessa década e começo da próxima.

A formação bruta de capital vem crescendo mais que o consumo desde 2024, devendo se manter assim em 2026

O investimento no saneamento tem crescido de maneira exponencial, mais que dobrando em relação à média 2010-2020, com salto de 50% de 2021 a 2023 e outros 50% de lá para cá. Aí também a participação do setor privado tem sido decisiva, aumentando 1000% em relação à média das décadas anteriores. O contraponto tem se dado nas telecomunicações e na geração elétrica. Nas telecomunicações, as inovações para o consumidor individual têm sido moderadas, tornando a difusão do 5G menos rápida do que se podia esperar.

Na eletricidade ainda se digere o crescimento da geração distribuída, enquanto o marco regulatório não dá mais incentivo ao uso da geração hídrica como uma bateria natural para todo o sistema. Com isso, o aproveitamento da energia eólica tem sido intermitente e a sinalização para os investimentos menos persuasiva. Esse quadro deve mudar com a demanda de energia para o processamento de dados que vai se concretizando. Recentemente, houve anúncios importantes no Nordeste, com implicações favoráveis à retomada de produção de usinas eólicas no Brasil, além de possibilidade de criação de centros de processamento na região Sudeste. Essa retomada terá um efeito multiplicador para a indústria de transformação, que também começa a se beneficiar das expectativas de baterias e outros equipamentos elétricos.

Há inúmeras formas de armazenar energia ao redor do mundo, algumas incipientes, mas promissoras. Aplicáveis ao Brasil, pode-se destacar as hidrelétricas reversíveis, nas quais a água é bombeada para reservatórios durante o período de baixa demanda de eletricidade, e liberada para geração nos momentos de maior demanda. Número significativo de possíveis locais para esses reservatórios já foi mapeado. Também há a bateria térmica, ou seja, blocos que são aquecidos quando a energia elétrica é barata e resfriados quando a energia fica cara, assim ajudando a gerar vapor para turbinas elétricas. Maior foco no desenvolvimento dessas e outras alternativas de baixo custo para armazenamento por horas, dias, semanas, junto com avanços no despacho mais dinâmico da energia, pode aumentar a confiabilidade do sistema com impacto de custo relativamente barato.

Na agricultura também tem havido transformações com impacto no crescimento potencial do PIB brasileiro. A produção de biocombustíveis no Brasil não tende a colocar a segurança alimentar em risco, ao contrário do que é sugerido em alguns círculos, inclusive de ambientalistas. Em alguns casos, ela ajuda a aumentar a oferta de alimentos e a melhorar a sustentabilidade da produção. No caso do etanol de milho (e eventualmente do trigo), cuja produção se dá geralmente como uma segunda safra no ano, ela aumenta a rentabilidade da terra, e facilita a sua cobertura por maior tempo, diminuindo a erosão e emissões de gases de efeito de estufa.

Com o etanol, a safrinha vem aumentando e, extraída a parte “energética” do grão, também a produção de proteína. Isso vem mudando a produção de carne no Brasil, estimulando o confinamento e a maior produtividade, especialmente do gado bovino. Isso é parte do salto de produção que permitiu a produção brasileira superar pela primeira vez a americana, e com ganhos ambientais. Mais confinamento libera pasto que pode ser readequado para a produção de grãos, diminui a idade de abate, diminuindo as emissões de metano por quilo de carne produzida, e promove o reaproveitamento dos resíduos animais na produção de fertilizantes. O etanol tem estimulado também a armazenagem com o volume dos silos passando de 70 milhões de toneladas (Mt) para 120 Mt nos últimos 10 anos, enquanto a estocagem total disponível para grãos passou de 160 Mt para mais de 230Mt.

Claro, ainda há déficits de infraestrutura em todos esses setores, apesar da tendência positiva. Assim como há grandes demandas de financiamento, para os quais o crédito direcionado ainda tem papel relevante, apesar do extraordinário crescimento dos mercados de capital. Os quais, junto ao crédito, refletem a expansão de outro tipo de infraestrutura, a financeira. Nesse caso, o IBGE informa que após quase uma década de lado, o PIB do setor financeiro — ou seja, a oferta desses serviços — cresceu quase 15% nos três últimos anos, com atenuação apenas recentemente, quando, como observa o Banco Central, a concessão líquida de crédito se contraiu em consonância com os objetivos da política monetária.

Joaquim Levy é diretor de Estratégia Econômica e Relações com Mercado do Banco Safra. Foi ministro da Fazenda e diretor gerente do Banco Mundial.

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Biológicos devem se destacar entre as startups do agro em 2026

De acordo com especialistas, as climatechs também tendem a se sobressair entre as inovações do setor em 2026

Por Marcos Fantin— Valor – 16/12/2025

O mercado de startups de biológicos já está bastante aquecido no Brasil, avaliam especialistas

O mercado de startups de biológicos já está bastante aquecido no Brasil, avaliam especialistas — Foto: CrofpLife/Divulgação

Os produtos biológicos, que ganham cada vez mais espaço no Brasil, devem ser o destaque entre as inovações do agronegócio em 2026, avaliam especialistas em tecnologia e em empreendedorismo no setor.

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Como exportador global relevante de vários produtos agropecuários, o Brasil tem visto a exigência por sustentabilidade aumentar ano após ano, o que abriu espaço para a adoção de bioinsumos e produtos biológicos dentro das fazendas, avalia Aurélio Favarin, analista de inovação aberta da Embrapa e editor técnico do Radar Agtech Brasil. “As tecnologias biológicas são eficazes, e o trabalho da Embrapa comprova isso”, diz.

De acordo com Favarin, o mercado de startups de biológicos já está bastante aquecido no Brasil. “Notamos que empresas tradicionais do agro migraram para atuar com biológicos, comprando startups para se posicionar no mercado”, observa.

Dirceu Ferreira Júnior, sócio-líder da PwC Agtech Innovation também destaca a área de bioinsumos. Segundo ele, o Brasil é o país com mais empresas de biológicos no mundo.

Com um olhar próximo às startups que operam dentro do espaço da PwC, o especialista afirma que o setor tem experimentado um surgimento até “fora do normal” de empresas iniciantes de bioinsumos, e que naturalmente não há espaço para todas. “Isso gera movimentos de fusões e aquisições, com empresas sendo absorvidas ou compradas, o que é normal”.

Outro destaque entre as inovações no próximo ano devem ser as startups ligadas à mitigação de risco climático — as chamadas “climate techs”. O termômetro da PwC, que conecta grandes empresas e startups, indica que devem ganhar força em 2026.

Segundo Ferreira, existem investimentos robustos acontecendo nas startups com serviços voltados ao clima, “porque é um problema real que se agrava ano após ano e afeta o mundo inteiro, especialmente o agronegócio, que depende de algo que não controla”, afirma o especialista.

Favarin, da Embrapa, concorda: “Tudo que melhore previsibilidade e controle de produção terá espaço no mercado, que se preocupa cada vez mais com isso [clima]”.

Ainda que seja um setor mais conservador e que demore mais a adotar inovações, a pecuária também deve ser alvo de novidades em 2026. Para Antonio Chaker, fundador do Instituto Inttegra e especialista em tecnologia e gestão, a tecnificação dos currais é iminente.

“O pecuarista não quer mais montar no cavalo, ele quer montar em um quadriciclo”, diz.

Para o especialista, a proximidade das novas gerações de pecuaristas com tecnologias como inteligência artificial, sensorização, drones e maquinários com tecnologias embarcadas, é a grande mudança que pode melhorar a produtividade e a rentabilidade das fazendas de gado.

Segundo Chaker, os pecuaristas sucessores se mostram menos satisfeitos com os baixos desempenhos do que as antigas gerações. “Não há tanto apego emocional com a área de sua fazenda como o pai e o avô, são mais pragmáticos com o resultado, e até menos presentes na fazenda”, exemplifica.

Além disso, as novas gerações são mais entusiastas de sistemas de gestão remotas das propriedade por não passarem todo o tempo nas fazendas.

Chaker também afirma que o acesso a tecnologias tem promovido transformações entre os técnicos agropecuários. Mas destaca um desafio para 2026: falta de mão de obra qualificada. “As fazendas têm que estar preparadas para receber as novas gerações de pecuaristas, e o produtor tem reclamado muito do apagão na mão de obra”, acrescenta.

Para Caroline Badra, vice-presidente e sócia da FESA Group com foco em agronegócio, a mão de obra qualificada para operar novas ferramentas não cresce no mesmo compasso das próprias tecnologias disponíveis para operação. Segundo ela, o futuro do agro depende menos de máquinas e mais da qualidade das pessoas que estão por trás delas. “O bom profissional que sabe utilizá-las tem lugar garantido. Os que pararem no tempo e não souberem, vão ficar para trás”

Biológicos devem se destacar entre as startups do agro em 2026

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Por que perdoar faz bem ao coração

Perdoar não muda o que foi vivido. Mas muda o peso com que você atravessa o que vem. É uma forma de cuidado silenciosa

Receita de Médico

Um debate sobre pesquisas, tratamentos e sintomas.

Por Stephanie Rizk – O Globo – 15/12/2025 Deixe ir

Deixe ir — Foto: Freepik

Todo fim de ano tem suas luzes, seus rituais, suas mesas cheias. Mas, entre uma decoração e outra, existe sempre um espaço que ninguém comenta. É o espaço das dores guardadas. Mágoas que ficaram presas no peito, conversas que nunca aconteceram, nomes que evitamos pronunciar. Às vezes, o que pesa não é o que vivemos, mas o que seguimos carregando. Há histórias que encerramos por fora, mas continuam abertas por dentro.

Falar em perdão nessa época pode soar piegas. Só que, quando olhamos com atenção, o perdão não é um gesto abstrato ou espiritualizado demais. Ele mexe com o corpo inteiro. A ciência mostra que guardar ressentimento mantém o organismo em alerta, como se estivéssemos sempre prontos para um ataque que não chega. O coração acelera, a pressão sobe, músculos se contraem. O cérebro ativa regiões ligadas ao medo e à ameaça. A mágoa crônica transforma o corpo em território de tensão. E ninguém merece atravessar mais um ano assim, vivendo como se cada lembrança dolorosa fosse um campo minado.

O contrário também é verdadeiro. Estudos mostram que perdoar reduz a reatividade ao estresse. O coração desacelera. A respiração se solta. A mente para de rodar o mesmo filme doloroso em looping. É como se alguém abrisse uma janela dentro da gente e deixasse entrar ar novo depois de anos respirando num quarto fechado. Não se trata de esquecer, muito menos de aprovar o que aconteceu. Trata-se de não permitir que a ferida continue definindo o que somos. De impedir que o passado crie raízes onde já não deveria morar.

Perdoar exige coragem. E existe mais de um tipo de coragem. Há o perdão decisório, quando você escolhe não se vingar, não perpetuar o ciclo. É uma decisão racional. Mas existe o perdão emocional, bem mais profundo, quando a raiva vai perdendo espaço, quando o coração para de endurecer só para conseguir sobreviver. É esse segundo tipo que transforma vidas. Libera energia, abre espaço para esperança, devolve leveza a quem andava pesado demais. É como ajustar um ritmo interno que estava fora do compasso.

A mágoa, quando amadurece, vira ruminação. A cabeça repete a mesma cena incontáveis vezes, ensaia diálogos imaginários, revive dores antigas, sempre com o desfecho que gostaríamos de ter dito, feito ou ouvido. A ciência chama isso de ruminar. Todo mundo já fez. Mas poucos percebem o quanto esse hábito consome. Quando trabalhamos o perdão, a ruminação diminui. A mente finalmente descansa. É como se o coração pudesse voltar ao seu eixo natural, menos acelerado, menos vigilante, menos cansado de vigiar feridas antigas.

E talvez o aspecto mais bonito do perdão seja o que os psicólogos chamam de reumanização. Depois de uma grande ofensa, o outro vira vilão. E nós viramos vítimas. Só que o perdão devolve nuances ao mundo. Ele devolve profundidade a quem parecia plano. Permite enxergar a humanidade que existe até em quem nos feriu. E devolve a nós a capacidade de não sermos definidos por um único capítulo da vida. Não é sobre voltar a conviver. É sobre não permitir que o passado dite quem somos no presente.

Dezembro chega para lembrar que nenhum ano é só conquista ou fracasso. Todo ano é também feito de cicatrizes. E algumas delas já poderiam ter parado de sangrar. Por isso, este é um convite. Olhe para a sua lista invisível de nomes que ainda doem. Talvez haja uma conversa a ser retomada. Talvez haja um silêncio que precisa ser aceito. Talvez a pessoa que você mais precise perdoar seja você mesmo.

Perdoar não muda o que foi vivido. Mas muda o peso com que você atravessa o que vem. É uma forma de cuidado que trabalha em silêncio, mas transforma tudo ao redor. Ao escolher perdoar, você devolve ao corpo a chance de descansar, à mente a chance de respirar, à vida a chance de seguir com menos resistência interna. É, no fim das contas, um presente que você se oferece.

Por que perdoar faz bem ao coração

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CEO da Nvidia diz que adoção de IA será gradual — mas, quando acontecer, faremos roupas para robôs

CEO da companhia mais valiosa do mundo não vê salto repentino nas demissões causadas por IA, mas defende que tecnologia transformará o mercado de trabalho de forma radical

Por Marco Quiroz-Gutierrez – Estadão/Fortune – 06/12/2025

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, não prevê um salto repentino nas demissões causadas por IA. Mas isso não significa que a tecnologia não vá transformar radicalmente o mercado de trabalho — ou até criar funções completamente novas, como alfaiates de robôs.

Segundo Huang, os empregos mais resistentes ao avanço da inteligência artificial serão aqueles que envolvem mais do que tarefas repetitivas. “Se o seu trabalho é só picar legumes, a Cuisinart vai te substituir”, afirmou.

Por outro lado, algumas profissões, como a de radiologista, podem estar relativamente seguras, porque não se resumem a tirar ou analisar imagens, mas sim interpretar esses exames para diagnosticar doenças.

“Estudar a imagem é apenas uma etapa dentro do trabalho de diagnóstico”, explicou.

Huang reconheceu que alguns empregos de fato vão desaparecer, embora evite o tom mais alarmista de figuras como Geoffrey Hinton, o “padrinho da IA”, e Dario Amodei, CEO da Anthropic — ambos já previram desemprego em massa com o avanço das ferramentas de IA.

Ainda assim, o mercado dominado por IA que Huang imagina também pode criar novos cargos. Entre eles, ele citou a possível demanda por técnicos responsáveis por construir e manter futuros assistentes robóticos — e até indústrias completamente novas.

“Você vai ter roupas para robôs, uma indústria inteira disso — não é? Porque eu quero que o meu robô seja diferente do seu”, disse Huang. “Então vai existir toda uma indústria de vestuário para robôs.”

A ideia de robôs inteligentes ocupando postos de trabalho antes exercidos por humanos pode parecer ficção científica, mas algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo já tentam torná-la realidade.

O CEO da Tesla, Elon Musk, fez do robô Optimus um pilar central da estratégia futura da companhia. No mês passado, Musk previu que o dinheiro deixará de existir e o trabalho será opcional dentro de 10 a 20 anos graças a uma força de trabalho totalmente robótica.

A IA também avança tão rapidamente que já tem potencial para substituir milhões de empregos. Segundo um relatório do MIT publicado no mês passado, a tecnologia consegue realizar tarefas equivalentes a cerca de 12% dos empregos nos Estados Unidos. Isso representa aproximadamente 151 milhões de trabalhadores, que ganham coletivamente mais de US$ 1 trilhão — tudo potencialmente impactado pela automação.

Mesmo o possível novo emprego de “estilista de roupas para robôs”, imaginado por Huang, pode não durar muito. Ao ser questionado por Rogan se os próprios robôs poderiam produzir roupas para outros robôs, Huang respondeu: “Eventualmente. E aí vai surgir outra coisa.”

CEO da Nvidia diz que adoção de IA será gradual — mas, quando acontecer, faremos roupas para robôs – Estadão

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Funcionários estão confusos se podem ou não usar IA

Empresas são instruídas a definir políticas claras, detalhando quais ferramentas podem ser usadas e como

Por Emma Jacobs – Valor/Financial Times – 24/11/2025

Alguns empregadores são claros sobre a inteligência artificial (IA). Oferecem bonificações aos funcionários que a usam com regularidade e alertam sobre possíveis medidas se a usam de forma indevida. Outros não definem nem as diretrizes mínimas, deixando muitos funcionários confusos sobre como usar a tecnologia.

A opacidade em torno das políticas vem fazendo com que funcionários usem contas pessoais de IA generativa em segredo ou descubram que, inadvertidamente, infringiram as regras. O problema se origina nos primórdios da tecnologia, quando as empresas “diziam enfaticamente às pessoas para não usar IA, por medo de vazamento de dados privados”, diz Joshua Wöhle, CEO da Mindstone, uma plataforma on-line que oferece treinamento de IA. “Isso teve um grande impacto nas pessoas, que ficaram com medo de usá-la.”

Mesmo agora que os empregadores vêm avalizando o uso da IA no local de trabalho, “a ressaca [ainda] dura”, acrescenta. O resultado é que há “pessoas que não a usam de forma alguma”. “Ou aquelas que o fazem, usam uma conta privada”. O problema, alerta Wöhle, é “dramaticamente maior” do que muitos executivos pensam.

Jason Ross, sócio da área trabalhista na banca de advocacia americana Wood Smith Henning & Berman, diz ter sido contatado por gerentes “profundamente preocupados” com a “negligência proposital ou meramente não intencional” de funcionários que desconhecem os riscos e as diretrizes da empresa. A queixa mais comum dos empregadores é quanto a funcionários que usam ferramentas de IA sem “revisão apropriada”.

No setor jurídico, têm surgido casos que violam decisões de tribunais sobre a necessidade de revelar o uso da IA, o que resulta em “embaraços para o escritório e advogados, sanções e danos à reputação”, diz Ross. “Também pode haver graves consequências disciplinares para o advogado implicado, incluindo a perda de emprego”.

Líderes empresariais vêm sendo instruídos a definir políticas claras. Em geral, essas políticas abordam questões como a “confidencialidade, riscos de parcialismo e discriminação, necessidade de envolvimento e revisão humanos e questões de privacidade e segurança de dados”, diz a chefe da área trabalhista no Reino Unido do escritório de advocacia Linklaters, Sinead Casey. Elas também devem deixar claro quais ferramentas de IA são permitidas, se o funcionário deve informar aos gestores quando usa ferramentas para realizar tarefas e deixar explícito que uma violação pode levar a medidas disciplinares, incluindo a demissão.

As empresas também deveriam ter funcionários treinados que deem exemplos de casos de uso e respondam a perguntas sobre as políticas, à medida que a tecnologia e as aplicações vão evoluindo.

A cultura é crucial para incentivar a divulgação do uso de IA generativa, diz Wöhle. “A IA é algo a celebrar ou a esconder? As pessoas se sentem orgulhosas de usá-la para obter um resultado? Ou as pessoas a escondem porque temem parecer que estão trapaceando? Se não estiver claro para as pessoas se elas vão ser celebradas ou censuradas por isso, então um cenário levará a uma melhor adoção e [divulgação], o outro não.”

Este ano, pesquisa global da KPMG e Universidade de Melbourne com 48.340 profissionais revelou que 44% infringem políticas e diretrizes das organizações sobre IA e 61% escondem o uso de ferramentas de IA no trabalho, com mais da metade apresentando conteúdo gerado por IA como se fosse próprio. “Precisamos ser positivos e fazer com que as pessoas sintam que podem experimentar”, diz o chefe da área de trabalho e IA da KPMG, Niale Cleobury.”

Na pesquisa Digital Consumer Trends, da Deloitte, 19% disseram que suas empresas não tinham política ou orientação sobre IA generativa e 14% não sabiam se suas empresas tinham uma política.

Algumas empresas criaram bonificações para incentivar o uso aberto e apropriado da IA. Uma delas passou a oferecer bônus de US$ 10 mil ao funcionário que criasse mais “prompts” de qualidade ou para quem usasse a IA de forma mais inovadora, escolhido por votação dos colegas. “O envolvimento está nas alturas”, diz Wöhle.

Em abril, a banca de advocacia Shoosmiths criou uma bonificação de 1 milhão de libras esterlinas para distribuir entre os funcionários se eles atingissem a meta de 1 milhão de prompts ao longo do ano. Os funcionários podem usar o Copilot da Microsoft para resumir e revisar documentos, assim como para fazer avaliações de desempenho, mas estão proibidos de recorrer à IA para quaisquer pesquisas jurídicas específicas. “Ele não foi treinado para ser advogado”, diz Tony Randle, sócio do escritório.

Consciente de que o uso responsável de IA se estende à preocupação ambiental, a Shoosmiths proíbe os funcionários de usar a tecnologia para produzir imagens. “A geração de imagens por IA consome dez vezes mais energia do que uma produção de palavras. Não queremos que as pessoas queimem energia dessa forma.” (Tradução de Sabino Ahumada)

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Qual é o seu diferencial? Repensando a expertise na era da IA

Com a IA tornando o conhecimento amplamente acessível, líderes precisam repensar hierarquias e funções e focar nas habilidades de julgamento e síntese que permanecem exclusivamente humanas

Ravikiran Kalluri – MIT Sloan Review – 7 de novembro de 2025

Um CEO recentemente me fez uma pergunta que tem tirado o sono de muitos executivos: “Se meu analista júnior pode gerar, com o apoio da IA, os mesmos insights que meu estrategista sênior, por que devo continuar pagando pela senioridade do segundo?”

Não é exagero dizer que estamos testemunhando uma democratização sem precedentes do conhecimento. Informações que antes permaneciam trancadas em bancos de dados especializados, relatórios de consultoria e mentes de especialistas agora estão instantaneamente disponíveis a qualquer pessoa com acesso a ferramentas de IA. Um fundador de startup na Indonésia pode aplicar estruturas estratégicas que antes exigiam consultores da McKinsey. Um enfermeiro em uma zona rural do Kansas pode sintetizar pesquisas médicas com a precisão de um especialista da Mayo Clinic.

Esta não é apenas mais uma onda de automação – é uma reestruturação profunda da própria natureza do conhecimento. As organizações que não compreenderem essa virada correm dois riscos: pagar caro por saberes obsoletos e subestimar as capacidades humanas que continuam sendo insubstituíveis.

O paradoxo do conhecimento abundante

Quando o conhecimento se torna uma commodity, seu valor deixa de estar no conteúdo e passa a residir no contexto. É nessa mudança que se revelam três transformações críticas.

  • Das respostas às perguntas: a IA é brilhante em oferecer respostas abrangentes – mas apenas para as perguntas que já sabemos formular. O verdadeiro valor humano, portanto, passa a residir na capacidade de descobrir as perguntas ainda não feitas e perceber que existem territórios de incerteza invisíveis aos dados. Um estrategista experiente enxerga não apenas os padrões do seu setor, mas também as suposições ocultas e os espaços em branco — zonas que nenhum modelo de IA ainda conseguiu mapear.
  • Da informação ao julgamento: a IA pode sintetizar volumes imensos de informação em segundos, mas não compreende o peso das consequências. Quando um sistema recomenda reestruturar a cadeia de suprimentos ou entrar em um novo mercado, a responsabilidade permanece integralmente humana. Essa distância entre inteligência e responsabilidade é o que preserva o papel insubstituível do julgamento. Líderes não são pagos por acessar dados – e sim por decidir quando as apostas são altas e os resultados, incertos.
  • Do conhecimento estático ao conhecimento dinâmico: a gestão tradicional tratava o conhecimento como um ativo fixo, armazenado em repositórios. A IA, porém, transforma esse paradigma ao gerar conhecimento em tempo real, moldado pelo contexto, pelo usuário e pelo momento. Cada prompt cria um artefato único, ajustado a uma necessidade específica. Essa passagem do conhecimento estático ao dinâmico redefine o próprio significado de “expertise” dentro das organizações.

A armadilha da terceirização cognitiva

A popularização de ferramentas de IA como o ChatGPT traz um risco sutil, porém profundo: a atrofia cognitiva. Já testemunhamos esse padrão antes. O GPS reduziu nossa memória espacial; as calculadoras, nossa agilidade com números. Mas essas eram competências delimitadas. O que está em jogo agora é maior: corremos o risco de terceirizar o próprio ato de pensar.

Uma pesquisa da Universidade de Toronto descobriu que o uso de sistemas generativos de IA reduz a capacidade dos humanos de pensar criativamente, resultando em ideias mais homogêneas e menos verdadeiramente inovadoras. Outros estudos mostraram que as ferramentas GenAI reduzem o esforço percebido necessário para tarefas de pensamento crítico, com os trabalhadores confiando cada vez mais na IA para decisões rotineiras. Isso levanta preocupações sobre o declínio cognitivo de longo prazo e a diminuição da capacidade de resolução de problemas.

Mais preocupante é a homogeneização do pensamento. Quando milhões de pessoas fazem perguntas semelhantes e recebem respostas semelhantes geradas por IA, corremos o risco de convergência intelectual – um nivelamento por baixo do pensamento diversificado e caótico que impulsiona a inovação. Três alunos da minha turma enviaram recentemente propostas de arquitetura geradas por IA quase idênticas para seus projetos. Eficiente? Sim. Criativo? Não.

A nova vantagem competitiva: meta-expertise

Em vez de tornar a experiência humana obsoleta, a IA está elevando o que significa experiência. Um estudo da IESE Business School que analisou anúncios de emprego nos Estados Unidos, entre 2010 e 2022, descobriu que, para cada ponto percentual de aumento na adoção de IA em uma empresa, houve um aumento de 2,5% a 7,5% na demanda por funções de gestão, com descrições enfatizando o julgamento e as habilidades cognitivas e interpessoais. Os profissionais mais valiosos estão desenvolvendo o que chamo de “meta-expertise”. Essa é a capacidade de orquestrar o conhecimento de vários sistemas de IA, validar saídas e sintetizar informações entre domínios. E requer três recursos distintos que a IA não é capaz de replicar.

1. Síntese criativa: embora a IA seja incomparável no reconhecimento de padrões dentro dos dados existentes, a inovação genuinamente transformadora nasce da conexão entre ideias aparentemente desconexas. Quando um pesquisador farmacêutico identifica paralelos entre as asas de uma borboleta e mecanismos de entrega de medicamentos, ou quando um arquiteto aplica princípios de improvisação do jazz ao planejamento de edifícios inteligentes, o que está em jogo não é processamento, mas imaginação – uma forma de cognição exclusivamente humana.

2. Sabedoria contextual: a compreensão intuitiva que os humanos desenvolvem ao longo de anos de experiência ainda resiste à codificação. O gestor de fábrica que percebe anomalias antes mesmo dos sensores, ou o diretor de vendas que capta as preocupações não verbalizadas de um cliente, opera a partir de uma sabedoria contextual – um tipo de inteligência que transcende padrões de dados e depende de percepção, empatia e timing.

3. Navegação ética: à medida que a IA assume tarefas analíticas, a vantagem humana desloca-se para o campo do julgamento ético, da sensibilidade cultural e da gestão de stakeholders. Essas não são competências acessórias, mas o núcleo da liderança em tempos de disrupção. Decidir sob pressão, equilibrar interesses conflitantes e sustentar princípios diante da ambiguidade são funções que nenhuma máquina pode simular de forma legítima.

Talento e princípios de aprendizagem para se repensar

As organizações estão começando a fazer mudanças estruturais para obter valor da IA, com empresas maiores liderando o caminho no redesenho de fluxos de trabalho e colocando líderes seniores em funções críticas de governança de IA, conforme relata a McKinsey.

Sendo assim, os líderes devem repensar suas estratégias de talentos em torno de três princípios.

1. Redefina as hierarquias de funções

As hierarquias tradicionais baseadas no acesso à informação estão rapidamente se tornando obsoletas. À medida que a IA se consolida como um ativo estratégico, empresas de diversos setores – de serviços profissionais, como Accenture, Cognizant e EY, a gigantes de tecnologia – estão redesenhando suas estruturas organizacionais. O fenômeno, que alguns observadores já chamam de “grande achatamento”, traduz-se na eliminação de camadas intermediárias de gestão e na ampliação das funções existentes por meio de sistemas de IA.

A lógica é simples: automatizar tarefas rotineiras que antes demandavam profissionais e gestores de nível operacional, liberando o tempo e o foco das lideranças seniores para atividades estratégicas de maior valor. Nesse novo contexto, o diferencial do estrategista sênior não está mais em dominar frameworks — e sim em saber quando aplicá-los, como adaptá-los e, sobretudo, quando abandoná-los em favor de um pensamento genuinamente humano e criativo.

Por exemplo, a EY comprometeu US$ 1,4 bilhão para uma transformação de IA que descreve como “centrada no ser humano”. A empresa está redefinindo suas funções internas e lançando extensos programas de qualificação para seus 400.000 funcionários. O treinamento fornece letramento básico em IA para todos os funcionários e avançado para líderes. Com a plataforma EY.ai, a empresa busca democratizar o acesso à inteligência artificial, reduzir lacunas de habilidades e reformular as funções de trabalho — não apenas automatizando tarefas, mas elevando o valor cognitivo de cada função.

No lado da tecnologia, a Amazon também avança na horizontalização e está removendo algumas camadas intermediárias de gestão de sua estrutura. O CEO Andy Jassy quer horizontalizar a organização, diminuir a burocracia e aproximar a tomada de decisões das linhas de frente enquanto usa a IA para automatizar tarefas.

2. Invista na soberania cognitiva

As organizações devem preservar e fortalecer deliberadamente as capacidades de pensamento humano. Embora os casos documentados de “zonas livres de IA” permaneçam escassos na prática, pesquisas sobre o declínio cognitivo devido ao uso excessivo da IA sugerem que pode ser uma escolha valiosa.

As empresas devem considerar movimentos prospectivos, como:

  • Exigir que as propostas estratégicas incluam partes desenvolvidas por meio de análise humana.
  • Implementar “sessões de pensamento humano”, em que as equipes resolvem problemas sem a ajuda da IA.
  • Inserir deliberadamente algum grau de incerteza em certos processos organizacionais, como compras, para testar a aptidão cognitiva dos funcionários.

Da mesma forma que o treinamento físico estimula a memória muscular, esses exercícios podem ajudar os funcionários a manterem as capacidades cognitivas que diferenciam a inteligência humana – aquelas que a IA ainda não é capaz de replicar.

3. Desenvolva recursos de orquestração de IA

As ofertas de trabalho para funções de operações de IA aumentaram 230% nos últimos meses, com empresas buscando profissionais que possam projetar fluxos de trabalho inteiros que integrem IA e recursos humanos. Algumas dessas novas funções são chamadas de “líder de operações de IA”, “orquestrador de IA” ou “engenheiro de orquestração de agentes”. Espera-se que os profissionais contratados preencham essas novas funções atuando como pontes entre a criatividade humana e a inteligência da máquina.

No entanto, contratar talentos com experiência em IA é apenas parte da solução. Como qualquer CIO atestará, o verdadeiro desafio está em descobrir como integrar ferramentas de IA em fluxos de trabalho humanos. Navegar com sucesso nessa complexidade exigirá profissionais com sólida experiência contextual em tecnologia e domínios de negócio.

No entanto, contratar talentos com experiência em IA é apenas parte da equação. Como qualquer CIO reconhece, o verdadeiro desafio está em integrar essas ferramentas de forma orgânica aos fluxos de trabalho humanos. Navegar nessa complexidade exigirá profissionais com sólida compreensão tanto da tecnologia quanto dos domínios de negócio – capazes de equilibrar o uso da IA com o julgamento humano. Afinal, o valor não está em adicionar IA indiscriminadamente, mas em saber quando ela realmente amplia – e quando ela distorce – a contribuição humana.

4. Repense os programas de aprendizagem

Essa transformação no trabalho do conhecimento desafia os modelos tradicionais de educação e desenvolvimento profissional. Se a IA pode sintetizar em segundos o que antes exigia anos de especialização, por que ainda precisamos de cursos avançados?

A resposta está no propósito mais profundo da educação superior: formar mentes capazes de criar conhecimento — não apenas consumi-lo. Universidades e centros de formação ensinam como os campos constroem verdades, testam hipóteses e desafiam paradigmas. Essa meta-habilidade a se tornará mais crítica para os humanos à medida que a informação se tornar onipresente.

Para acompanhar essa mudança, as organizações precisarão redesenhar seus programas de aprendizado corporativo, priorizando três grupos de competências fundamentais.

  • Avaliação crítica: profissionais de ensino para avaliar os resultados da IA, identificar vieses e reconhecer limitações.
  • Aplicação criativa: desenvolver habilidades para tratar problemas de novas maneiras e fazer conexões entre domínios.
  • Raciocínio ético: construir capacidade de julgamento moral e equilíbrio entre stakeholders.

O caminho a seguir: expansão cuidadosa

Estudos recentes descobriram que as tecnologias de IA generativa podem superar os CEOs humanos em tarefas estratégicas orientadas por dados, mas falham ao lidar com questões imprevisíveis e inéditas. Isso mostra a promessa e as limitações da IA: LLMs são excepcionais no reconhecimento e otimização de padrões, mas incapazes de navegar pela incerteza ou assumir a responsabilidade pelos resultados.

E aí há a questão da inovação. Uma pesquisa realizada no Google identificou a segurança psicológica, e não as habilidades técnicas, como a maior distinção entre equipes inovadoras e não inovadoras. Isso sugere que, à medida que a IA lida com mais trabalho técnico, os elementos humanos de confiança, criatividade e colaboração se tornam ainda mais vitais para o sucesso.

As organizações que vão prosperar são aquelas que não apostam inteiramente na IA ou as que preservam teimosamente as abordagens tradicionais. O sucesso está no uso cuidadoso da IA para reconhecer padrões, sintetizar dados e gerar opções, deixando os saltos criativos, decisões éticas e opções de responsabilidade para os humanos.

Para os líderes, isso requer escolhas deliberadas sobre soberania cognitiva. A conveniência do acesso a respostas instantâneas de IA não deve eliminar a luta criativa do pensamento humano. Às vezes, a decisão mais estratégica é aceitar o desconforto da incerteza, em vez de consultar imediatamente uma ferramenta de IA.

Ações concretas que os líderes devem tomar

Se você é um líder que está de acordo com o plano acima, quais ações devem estar na lista de tarefas imediatas e de longo prazo para sua equipe?

Além disso, como você pode saber se a expansão do uso da IA está sendo gerido adequadamente por seus colegas ou se um problema está se formando? Aqui estão algumas etapas a serem planejadas e sinais de alerta a serem monitorados:

Passos imediatos

  • Audite as funções atuais para identificar onde o aumento da IA versus o julgamento humano por si só agrega valor.
  • Crie práticas propositais que preservem as capacidades de pensamento humano.
  • Estabeleça linhas claras de ação que mantenham a responsabilidade humana pelas decisões assistidas por IA.

Estratégias de longo prazo

  • Redesenhe os planos de carreira em torno do desenvolvimento de meta-expertise, em vez do acúmulo de informações.
  • Crie equipes multifuncionais que combinam orquestração de IA com experiência de domínio funcional.
  • Invista em programas de aprendizagem contínua focados na síntese criativa e no raciocínio ético.

Sinais de alerta a serem monitorados

  • Aumento da homogeneidade nas propostas criativas.
  • Confiar demais na IA para decisões rotineiras sem revisão humana.
  • Ver a capacidade dos funcionários de trabalhar sem assistência de IA diminuir.
  • Perder o know-how próprio da organização à medida que os funcionários param de desenvolver conhecimentos profundos.

A coragem de permanecer humano

À medida que os recursos de IA se expandem, a vantagem competitiva final pode ser a coragem de permanecer cognitivamente soberano. Isso significa preservar e cultivar deliberadamente capacidades exclusivamente humanas, mesmo quando terceirizá-las soaria mais eficiente em determinados momentos.

O desafio para os líderes não é determinar se a experiência humana ainda importa na era da IA. É decidir se suas organizações conseguirão cultivar, de forma intencional, as capacidades que nenhum algoritmo pode replicar: a responsabilidade que pesa sobre decisões complexas, a centelha da criatividade e a sabedoria de identificar quais perguntas não podem (e não devem) ser delegadas às máquinas.

As empresas que enfrentarem esse desafio com sucesso não sobreviverão apenas à revolução da IA. Elas definirão como é a inovação centrada no ser humano em uma era de inteligência onipresente.

Ravikiran Kalluri

Ravikiran Kalluri é professor na Northeastern University.

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“A maior parte de seus amigos no futuro será IA”: provocação de Zuckerberg faz sentido na prática?

GUYNEVER MAROPO – Fast Company Brasil – 25-06-2025 

Mark Zuckerberg afirmou recentemente que, no futuro, a maioria dos amigos das pessoas será formada por Inteligências Artificiais. A declaração reflete uma tendência crescente de vínculos emocionais com tecnologias conversacionais, como os chats de IA, que vêm ocupando espaços antes reservados a relações humanas.

Segundo a pesquisa da TalkInc, um em cada dez brasileiros já utiliza chats de IA para desabafar, buscar conselhos ou simplesmente conversar. Essas plataformas prometem conexões empáticas e respostas personalizadas, sem julgamentos ou oposição, o que atrai usuários em busca de conforto emocional.

O uso de assistentes virtuais, como o aplicativo Replica, mostra como a tecnologia tem se tornado uma companhia constante. Esses sistemas oferecem planos pagos com interações mais sofisticadas, incluindo elogios, apoio emocional e escuta afetiva calibrada. A proposta não envolve apenas design emocional, mas também a exploração de fragilidades humanas.

O conceito de “uncanny valley“, ou vale da estranheza, explica parte da inquietação causada por esses vínculos. Trata-se da sensação desconfortável diante de algo artificial que se assemelha demais ao humano, mas sem ser de fato real. A experiência se intensifica à medida que o afeto é mediado por sistemas que respondem e aprendem com as vulnerabilidades dos usuários.

Plataformas digitais transformam carência emocional em produto. O vínculo não se dá apenas com o chatbot, mas com a própria empresa que fornece a sensação de intimidade sob demanda. A previsibilidade dessas interações, longe de ser um defeito, torna-se um atrativo.

O que parece estranho à primeira vista revela-se funcional. As relações artificiais aliviam, organizam e consolam. Em um mundo cada vez mais solitário, o vínculo pode não ser apenas uma exceção, mas o novo padrão. Por isso, Mark Zuckerberg aposta no avanço dos amigos e conselheiros de IA como parte do futuro das conexões humanas.

Com informações de Camila de Lira em reportagem da Fast Company


SOBRE A AUTORA

Jornalista, pós-graduando em Marketing Digital, com experiência em jornalismo digital e impresso, além de produção e captação de conte… saiba mais

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Engenheiros brasileiros criam transporte revolucionário para a Amazônia

Hora do Povo – 07/12/2025

Embarcação aproveita o efeito solo e atinge 150 Km/h

Três engenheiros oriundos do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) se inspiraram num experimento soviético e criaram uma startup. Apoiados pela FINEP, eles desenvolveram um veículo de efeito solo (que voa sobre as águas) para o transporte amazônico

Uma empresa localizada em São José dos Campos, em São Paulo, criada em 2020 por três jovens engenheiros brasileiros, está revolucionando a concepção de logística de transporte na região amazônica. Nascida por inspiração do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a Aeroriver, uma startup de engenharia, criou uma embarcação de efeito solo, que navega a uma altura de dois metros da água e atinge uma velocidade de 150 km/h.

Veículo atinge alta velocidade acima da água

DO ITA PARA A AMAZÔNIA

Três engenheiros nascidos na Amazônia, Lucas Guimarães Souza, Felipe Araújo Bortolete e Túlio Silva, resolveram unir seus conhecimentos para tentar ajudar a resolver problemas de sua região. Felipe, mestre em engenharia aeronáutica do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), contou que junto com os amigos tentou entender quais eram os principais problemas da Amazônia e como os seus conhecimentos poderiam ajudar a resolvê-los.

Equipe vem crescendo e projeta primeira aeronave para 2026

Eles concluíram que o principal problema da região amazônica era a logística de transporte. A Amazônia é uma região gigantesca, com muitas florestas e rios e que não conta com estradas suficientes para garantir uma boa logística de transporte.

As viagens são feitas por barco e são lentas. Só para se ter uma ideia, de Manaus a Parentins são 10 horas de lancha. O veículo criado por eles fará a mesma viagem em apenas 3 horas. Tanto passageiros como cargas e atividades da área de saúde e salvamento poderão se beneficiar desta nova tecnologia. A embarcação terá capacidade para dez passageiros e dois tripulantes.

EFEITO AERODINÂMICO

Eles acharam que poderiam oferecer uma alternativa de transporte mais eficiente para a região. Daí surgiu a ideia dos engenheiros de criar a empresa Aeroriver e o “barco voador”, usando as vantagens do efeito aerodinâmico chamado efeito solo, que eleva a velocidade do veículo.

Esta iniciativa dos brasileiros mostra que, quando a tecnologia está a serviço da solução de problemas econômicos e sociais do país, ela se torna um bem de valor inestimável para o conjunto da sociedade. O apoio governamental a esse tipo de iniciativa é decisivo para que o país se desenvolva de forma mais acelerada e a inovação traga benefícios concretos para a sociedade.

Lucas explica o projeto

APOIO DA FINEP

Os engenheiros receberam o apoio financeiro da FINEP, órgão de fomento do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, e subvenção econômica da Suframa, da Amazônia. Com este apoio, eles deram início ao projeto que visa nada mais do que, segundo Lucas Guimarães, tornar a Aeroriver uma das maiores empresas de “efeito solo” do mundo.

Lucas explica que o veículo de efeito solo não é um hidroavião ou um avião anfíbio. É um tipo de aeronave/embarcação que voa muito perto da superfície (água ou terra), aproveitando um fenômeno aerodinâmico chamado efeito solo, que reduz o arrasto e aumenta a sustentação, tornando-o 40% mais eficiente em velocidade e consumo de combustível do que se ele estivesse voando mais alto.

INSPIRAÇÃO NO ECRANOPLANO

Ideia inspirada no Ecranoplano soviético

O projeto criado por eles se inspirou num veículo muito maior, o Ecranoplano, uma embarcação inventada pelo engenheiro naval soviético Alexeev Rostislav Evgenievich nos anos 50. Eles detectaram que as suas principais características era o que eles necessitavam para resolver o problema da logística de transporte na Amazônia. Em 2024 o projeto recebeu investimentos do governo para acelerar o desenvolvimento da ideia dos pesquisadores.

Cabine de comando da aeronave aquática

POUSO E DECOLAGEM NA ÁGUA

Os engenheiros explicaram também que o Volitan – nome do veículo – é um tipo de veículo que tem mais facilidade em obter a regulamentação para poder trafegar. Isso porque, além de voar em baixa altitude, ele faz pouso e decolagem na água. Portanto a regulamentação é de uma embarcação e não de uma aeronave. Além disso, por decolar e pousar na água, não há necessidade de trem de pouso. “Ele possui um casco normal para navegação”, explica Felipe.

Maquete do projeto

Os três engenheiros já se conheciam desde os tempos de cursos de engenharia, dois deles do ITA, e já participavam de projetos de P&D. Felipe conta que conheceu Lucas durante o curso e participavam de um mesmo projeto de Aerodesign, o objetivo desse projeto era construir um avião para competir numa disputa nacional que ocorria anualmente em São José dos Campos. Hoje eles realizam um sonho de criar uma tecnologia disrruptiva para o transporte na região amazônica.

Engenheiros brasileiros criam transporte revolucionário para a Amazônia

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Alunos estão trocando livros por resumos de IA. Quem paga o preço?

Há décadas, os hábitos de leitura estão em queda – mas a inteligência artificial generativa está agravando ainda mais o problema

NAOMI S. BARON – Fast Company Brasil – 20-08-2025

Uma tempestade perfeita se aproxima quando o assunto é leitura.

A inteligência artificial surgiu em um momento em que crianças e adultos já vinham dedicando cada vez menos tempo aos livros.

Como linguista, estudo como a tecnologia influencia a maneira como lemos, escrevemos e pensamos.

Isso inclui o impacto da IA, que vem transformando radicalmente a forma como nos relacionamos com os livros e outros tipos de texto – seja para realizar tarefas escolares, fazer pesquisas ou ler por prazer. Minha preocupação é que a inteligência artificial esteja acelerando uma mudança que já vinha acontecendo: a perda do valor da leitura como experiência essencialmente humana.

TUDO, MENOS LIVROS

As habilidades de escrita da IA têm chamado muita atenção. Mas só agora professores e pesquisadores começam a discutir sua capacidade de “ler” grandes volumes de informação e, a partir disso, gerar resumos, análises e comparações de livros, artigos e ensaios.

Hoje, em vez de ler um livro inteiro, muitos alunos recorrem a resumos feitos por IA sobre a trama e os principais temas abordados. Essa facilidade – que reduz a motivação para ler por conta própria – foi justamente o que me levou a escrever um livro sobre os prós e contras de deixar a inteligência artificial “ler por você”.

Claro, atalhos de leitura não são novidade. Livretos com resumos de obras literárias existem desde os anos 1950. Séculos antes, a Royal Society de Londres já publicava resumos dos artigos científicos em seu periódico “Philosophical Transactions”. Na metade do século 20, eles se tornaram parte inseparável da produção acadêmica.

A internet ampliou ainda mais essas alternativas. O Blinkist, por exemplo, é um aplicativo que transforma livros de não ficção em resumos de 15 minutos, tanto em áudio quanto em texto.

FERRAMENTAS COMO O BOOKSAI OFERECEM RESUMOS E ANÁLISES QUE ANTES ERAM FEITOS POR PESSOAS

Mas a IA generativa levou esses atalhos a outro nível. Ferramentas como o BooksAI oferecem resumos e análises que antes eram feitos por pessoas. Já o BookAI.chat convida o usuário a “conversar” com os livros. Em ambos os casos, ler a obra completa deixa de ser necessário.

Se um aluno precisa comparar “As Aventuras de Huckleberry Finn”, de Mark Twain, com “O Apanhador no Campo de Centeio”, de J. D. Salinger, os resumos ajudam até certo ponto. Mas ainda caberia a ele construir a análise. Agora, com modelos como o NotebookLM, do Google, a IA lê, compara e até sugere perguntas para discussão em sala de aula.

O problema é que isso nos tira um dos maiores benefícios de ler: o amadurecimento pessoal que vem de acompanhar, ainda que indiretamente, os dilemas do protagonista.

Na pesquisa acadêmica, ocorre algo semelhante. Ferramentas como SciSpace, Elicit e Consensus combinam mecanismos de busca com IA para entregar artigos resumidos e conectados entre si, reduzindo drasticamente o tempo gasto em revisões bibliográficas. O site ScienceDirect AI, da Elsevier, chega a anunciar: “Adeus tempo de leitura desperdiçado. Olá, relevância”.

Isso pode parecer muito prático, mas o que se perde é justamente o exercício de julgar por conta própria o que é relevante e de criar conexões entre ideias.

UM MUNDO QUE LÊ CADA VEZ MENOS

Mesmo antes da IA generativa, o hábito da leitura já estava em queda – tanto na escola quanto no lazer.

Nos EUA, a Avaliação Nacional do Progresso Educacional mostrou que, em 1984, 53% dos alunos do quarto ano liam por diversão quase todos os dias. Em 2022, esse número caiu para 39%. Entre os alunos do oitavo ano, a queda foi de 35% em 1984 para 14% em 2023. 

No Reino Unido, uma pesquisa da National Literacy Trust em 2024 revelou que apenas um em cada três jovens de oito a 18 anos afirmou gostar de ler no tempo livre – quase nove pontos percentuais a menos em relação ao ano anterior.

Entre adolescentes, a tendência é a mesma. Em 2018, uma pesquisa com 600 mil estudantes de 15 anos em 79 países mostrou que 49% só liam quando eram obrigados – contra 36% uma década antes.

No ensino superior, esse quadro se repete. Muitos professores têm reduzido as leituras obrigatórias porque os alunos simplesmente se recusam a ler. Em uma pesquisa que conduzi com a especialista Anne Mangen, constatamos essa tendência.

Um episódio relatado pelo comentarista cultural David Brooks ilustra bem a situação:

“Perguntei a um grupo de alunos, no último dia de curso em uma universidade de prestígio, qual livro havia mudado suas vidas nos últimos quatro anos. O silêncio foi constrangedor. Até que um estudante respondeu: ‘você precisa entender, nós não lemos assim. Só lemos o suficiente para passar na disciplina’.”

E entre adultos? Apenas 54% dos norte-americanos leram pelo menos um livro em 2023, segundo o YouGov. Na Coreia do Sul, a taxa foi de 43%, bem abaixo dos 87% registrados em 1994. No Reino Unido, a Reading Agency apontou uma queda semelhante: em 2024, 35% disseram ser “ex-leitores” – pessoas que costumavam ler com frequência, mas pararam. Entre eles, 26% afirmaram ter trocado os livros pelas redes sociais.

O termo “ex-leitor” pode se aplicar a qualquer um que tenha deixado de priorizar os livros – seja por desinteresse, pelo excesso de tempo online ou por terceirizar a leitura para a IA.

O QUE SE PERDE QUANDO SE DEIXA DE LER

Por que ler, afinal? 

Os motivos são inúmeros: prazer, redução de estresse, aprendizado, crescimento pessoal.

Estudos mostram uma correlação entre a leitura e o desenvolvimento cerebral infantil, felicidade, longevidade e até desaceleração do declínio cognitivo.

Esse último ponto é especialmente importante em uma época em que tanta gente delega à inteligência artificial tarefas que exigem raciocínio – processo conhecido como “terceirização cognitiva”. Pesquisas mostram que, quanto mais alguém depende da IA para realizar tarefas, menos acredita estar usando a própria capacidade de pensar. 

Um estudo utilizando eletroencefalograma chegou a identificar padrões diferentes de conectividade cerebral entre pessoas que escreveram um ensaio com ajuda da IA e aquelas que escreveram sozinhas.

QUANTO MAIS ALGUÉM DEPENDE DA IA PARA REALIZAR TAREFAS, MENOS ACREDITA ESTAR USANDO A PRÓPRIA CAPACIDADE DE PENSAR

Ainda é cedo para saber quais serão os efeitos da inteligência artificial sobre a nossa capacidade de pensar de forma independente no longo prazo. Até agora, a maior parte das pesquisas tem focado no uso da IA para escrita e tarefas em geral, não especificamente na leitura. Mas, se deixarmos de praticar a leitura, a análise e a interpretação, corremos o risco de enfraquecer – ou até perder – essas habilidades.

E não é só a cognição que está em jogo. Também perdemos o que torna a leitura prazerosa: encontrar uma fala marcante, apreciar uma frase bem construída, criar laços com um personagem.

A promessa de eficiência que a IA oferece é tentadora. Mas pode nos privar dos benefícios da leitura.

Naomi S. Baron é professora de linguística da American University.
Este artigo foi republicado do “The Conversation” sob licença Creative Commons. Leia o artigo original.

Alunos estão trocando livros por resumos de IA. Quem paga o preço? | Fast Company Brasil

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