Como a Tesla, de Elon Musk, plantou na China as sementes de sua própria queda

Instalação de fábrica em Xangai foi fundamental para salvar montadora americana de crise, mas também ajudou a impulsionar a indústria chinesa de carros elétricos

Por O Globo/The New York Times – 10/04/2024 

Quando o bilionário americano Elon Musk instalou na China uma fábrica da Tesla, a fabricante de carros elétricos controlada por ele, fez uma aposta que garantiu à empresa peças e componentes mais baratos e operários qualificados, mas, ao mesmo tempo, pode ter criado a maior ameaça ao futuro de seus negócios, ou seja, a indústria chinesa de veículos elétricos.

A aposta salvou a Tesla. Da crise que vivia em meados dos anos 2010, a companhia se tornou a montadora mais valiosa do mundo após as cotações de suas ações dispararem, fazendo de Musk um dos homens mais ricos do planeta, conta a edição desta terça-feira, dia 9, do podcast The Daily, do jornal The New York Times.

Alguns anos antes de apresentar os primeiros carros produzidos na fábrica da China, com a Tesla à beira do fracasso, Musk havia apostado no gigante asiático em busca de peças baratas e trabalhadores capazes. Nos primeiros anos de atividade, a montadora americana enfrentava atrasos no desenvolvimento dos carros e desconfiança de investidores.

A China, por sua vez, precisava da Tesla como uma âncora para impulsionar sua incipiente indústria de veículos elétricos. Para os líderes chineses, uma fábrica da Tesla em solo doméstico era um prêmio.

Inicialmente, Musk parecia ter a vantagem na relação, garantindo concessões da China que raramente eram oferecidas a empresários estrangeiros, mas a Tesla agora está cada vez mais em apuros, perdendo sua vantagem sobre os concorrentes chineses no próprio mercado que ajudou a criar.

A mudança de direção da Tesla na China também amarrou Musk a Pequim de uma maneira que está sendo examinada pelas autoridades dos EUA.

Entrevistas com ex-funcionários da Tesla, diplomatas e técnicos de governo feitas pelo The New York Times revelam como Musk construiu uma relação simbiótica incomum com Pequim, lucrando com a generosidade do governo chinês enquanto recebia subsídios nos EUA.

Enquanto Musk explorava a construção da fábrica em Xangai, os líderes chineses concordaram com uma mudança crucial na política de regulamentações nacionais de emissões de gases do efeito estufa (GEE), após uma pressão política da Tesla que não foi relatada anteriormente.

Essa mudança beneficiou diretamente a montadora americana, trazendo centenas de milhões de dólares em lucros estimados à medida que a produção na China decolava, descobriu o The New York Times.

Musk também obteve acesso incomum a líderes de alto escalão do governo chinês. Ele trabalhou em estreita colaboração com o primeiro-ministro Li Qiang, quando ele era um importante oficial de Xangai. A fábrica chinesa da Tesla foi construída em velocidade recorde e sem um parceiro local, um feito inédito para uma empresa automobilística estrangeira na China.

O bilionário, que já insinuou que os trabalhadores americanos são preguiçosos, aproveitou a unidade chinesa para fugir de problemas com legislações trabalhistas.

Em Fremont, na Califórnia, a primeira fábrica da Tesla enfrentou problemas com autoridades e sindicatos por causa de questões trabalhistas. Na China, após a morte de um trabalhador da Tesla em Xangai no ano passado, um relatório citando lacunas de segurança foi retirado do ar.

Além disso, Musk obteve a política de emissões de GEEs. Modelada a partir de um programa da Califórnia que tem sido um benefício para a Tesla, a política concede créditos aos fabricantes de automóveis por produzir carros limpos – o Sistema de Negociação de Emissões (ETS, na sigla em inglês) da Califórnia, um dos maiores do mundo, rendeu à Tesla, de 2008 a 2023, US$ 3,7 bilhões, segundo o gabinete do governador local.

Para pressionar pela mudança regulatória, a Tesla se aliou a ambientalistas da Califórnia, que estavam tentando limpar os céus poluídos da China e viam na exportação do modelo de ETS a confirmação de seu sucesso. A China introduziu o seu ETS em 2017.

Todo esse movimento ajudou a tornar a Tesla a empresa de automóveis mais valiosa do mundo, mas o sucesso da montadora americana por lá também forçou as marcas locais a inovar.

A China está agora produzindo carros elétricos baratos, mas bem feitos, enquanto o líder chinês Xi Jinping visa transformar o país em uma “potência automobilística”.

Fabricantes de automóveis chineses como BYD e SAIC estão avançando na Europa, ameaçando fabricantes estabelecidos como Volkswagen, Renault e Stellantis – dona das marcas Fiat, Peugeot, Citröen e Jeep. As montadoras americanas, como Ford e General Motors (GM), também estão correndo para acompanhar o ritmo.

— Há “antes da Tesla e depois da Tesla” — disse Michael Dunne, consultor automotivo e ex-executivo da General Motors na Ásia, sobre o efeito da empresa na indústria chinesa. — A Tesla foi a faz-tudo.

Musk agora está andando na corda bamba. Ele soou o alarme sobre os rivais da China, mesmo permanecendo dependente do mercado e da cadeia de suprimentos chineses e repetindo os pontos de vista geopolíticos de Pequim.

O bilionário alertou em janeiro que, a menos que as marcas automobilísticas chinesas fossem bloqueadas por barreiras comerciais, elas “praticamente demoliriam a maioria das outras empresas automobilísticas do mundo”. O preço das ações da Tesla despencou após vendas lentas na China, fazendo Musk perder o título de homem mais rico do mundo.

A montadora americana está tão enraizada na China que Musk não pode se desvincular facilmente, caso queira. Os carros da Tesla custam significativamente menos para serem fabricados em Xangai do que em outros lugares, uma economia-chave quando a empresa está em uma guerra de preços com seus concorrentes.

No Congresso americano, os legisladores estão estudando seus laços com a China e como ele equilibra a Tesla com seus outros empreendimentos. A SpaceX, outra empresa que ele possui, tem contratos lucrativos com as forças armadas dos EUA e detém quase total controle da internet via satélite do mundo através de sua rede Starlink.

Musk também é dono da plataforma de mídia social X, anteriormente Twitter, que a China usou para campanhas de desinformação.

— Elon Musk tem uma exposição financeira profunda à China, incluindo sua fábrica em Xangai — disse o senador Mark Warner, democrata da Virgínia, que preside o Comitê de Inteligência do Senado.

Na China, não está claro se o governo tentou exercer pressão sobre Musk, mas as autoridades locais têm alavancas que poderiam puxar. No ano passado, várias localidades chinesas proibiram carros da Tesla em áreas sensíveis, levando a empresa a enfatizar que todos os dados chineses são mantidos localmente.

Em fevereiro, depois que o Departamento de Comércio dos EUA anunciou uma investigação sobre a retenção de dados pelos veículos elétricos chineses, o Global Times, um jornal do Partido Comunista da China, alertou que os consumidores chineses poderiam retaliar contra a Tesla.

Tesla, SpaceX e Musk não responderam a uma lista detalhada de perguntas do The New York Times. Durante um evento do jornal em novembro, Musk disse que “todas as empresas automobilísticas” dependem em parte do mercado chinês. Ele também descartou preocupações sobre SpaceX e Starlink, dizendo que não operam na China e que suas empresas não devem ser confundidas.

Por outro lado, em uma conversa online com dois membros do Congresso americano em julho do ano passado, ele foi mais direto. O bilionário reconheceu ter “alguns interesses pessoais” na China e se descreveu como “um pouco pró-China”.

https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2024/04/10/como-a-tesla-plantou-na-china-as-sementes-de-sua-propria-queda.ghtml

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Sprint final – A corrida contra as mudanças climáticas 

A corrida contra as mudanças climáticas chega à reta final, e os países querem triplicar os investimentos em energias renováveis. Nesse esforço trilionário, o Brasil tem tudo para receber parte considerável dos recursos — principalmente se fizer a lição de casa

Rodrigo Caetano – Exame – 25 de janeiro de 2024 

Em 2015, o mundo investiu 1,3 trilhão de dólares em energia fóssil e pouco mais de 1 trilhão de dólares em fontes renováveis, de acordo com dados da Agência Internacional de Energia (IEA). Naquele ano, em dezembro, ao final da 21a Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas, a COP21, os quase 200 países-membros assinaram um compromisso para conter as emissões de gases de efeito estufa e combater o aquecimento global, que ficou mundialmente conhecido como Acordo de Paris, em alusão ao local de realização da COP. Nunca mais os investimentos em energia fóssil superaram os investimentos em energia renovável.

Desde o Acordo de Paris, o mundo passou pelo Brexit, na Europa; pela eleição de Donald Trump, nos Estados Unidos; Jair Bolsonaro assumiu o comando da maior democracia latino-americana e priorizou uma agenda de desmonte de estruturas ambientais; houve uma pandemia, que bagunçou a economia e a logística mundiais; e o russo Vladimir Putin, contrariado em seus interesses, lançou uma ofensiva contra a Ucrânia, levando os europeus a reviverem o medo da guerra após quase 80 anos. Em todos esses episódios, a transição energética foi colocada em dúvida, e a pergunta “seria o fim dos esforços para conter as mudanças climáticas?” se fez presente em cada ano de campanha por uma economia de baixo carbono. Nada disso, no entanto, abalou a onda de renovação energética. No ano passado, o volume de investimentos foi de 1,7 trilhão de dólares em renováveis, ante pouco mais de 1 trilhão de dólares em fósseis, também de acordo com a IEA.

Os cães ladram, e a caravana passa, diria o colunista social Ibrahim Sued. Mas há um pequeno detalhe nesse frenesi de transição para uma economia sem petróleo que faz todo esse comprometimento financeiro parecer uma enorme construção de castelos de areia nas praias artificiais de Balneário Camboriú: o ritmo é insuficiente para fazer o mundo cumprir as metas estabelecidas no Acordo de Paris. “O que está acontecendo é muito simples do ponto de vista científico”, explica o cientista climático Paulo Artaxo, um dos mais citados pelo mundo. “Não é mais possível estabilizar a temperatura em 2 graus Celsius; com as emissões que temos hoje, o planeta vai se aquecer entre 2,5 e 3 graus; e, para a maior parte dos países do Acordo de Paris, a meta de ser ‘net zero’ não é alcançável.”

Na corrida pela descarbonização global, a cada volta a equipe renovável tira um pouquinho da diferença da equipe fóssil, porém a distância segue enorme e o desempenho do oponente, ainda que não evolua, permanece praticamente estável. Os investimentos em petróleo, carvão e derivados, exceto pelos dois anos mais agudos da pandemia (2020-2021), nunca são menores do que 1 trilhão de dólares. A esperança de um sprint final nessa maratona que possa alterar o resultado, agora, recai sobre um novo acordo firmado em uma COP, desta vez na 28a edição da conferência, realizada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. O documento final da COP28 traz, pela primeira vez em quase três décadas, menção aos combustíveis fósseis — e não são elogiosas. Os países-membros concordaram em estabelecer um plano faseado de saída dos combustíveis fósseis, além de triplicar o volume de geração de energia renovável até o final desta década. O acordo foi considerado histórico.

Investimentos recordes

Há poucas dúvidas sobre a chegada de um tsunami de investimentos em renováveis. A projeção da IEA é que, nos próximos cinco anos, se instale mais capacidade de geração limpa do que a soma de todos os anos desde a construção da primeira geradora comercial de energia renovável, há mais de 100 anos. Antes mesmo da conclusão da COP28, a agência já previa um acréscimo de 2,5 vezes na capacidade global, pouco abaixo da meta estabelecida em Dubai. Duas fontes, especificamente, dominarão 95% desse volume: solar e eólica. Neste ano, as duas já devem ultrapassar a hidrelétrica globalmente (no Brasil, ainda não). Em 2025, o carvão perderá, depois de mais de um século, o posto de maior fonte de energia global para as renováveis. As usinas solares e eólicas superarão as nucleares em entrega no ano seguinte, e, em 2028, 42% de toda eletricidade no mundo virá de fontes limpas, de acordo com as estimativas da Agência Internacional de Energia.

Em termos de investimentos, os cálculos variam muito. Há alguns anos que diferentes previsões estabelecem uma necessidade anual de investimentos para fazer a transição energética num intervalo entre 1 trilhão e 7 trilhões de dólares anuais. De concreto, com base nos dados do ano passado e nos cenários mais realistas, pode-se esperar um patamar mínimo de 2 trilhões de dólares para os próximos anos, sendo o Brasil o destino de uma décima parte disso. O governo brasileiro espera um volume considerável de investimentos, e tem recebido sinais de que é para ficar otimista. Mas negociar a entrada de tamanho volume de dinheiro é uma tarefa cheia de riscos, e os perigos, como se sabe, moram nos detalhes.

“A maioria dos países assinou um compromisso de descarbonização, e ninguém faz uma coisa dessas com a intenção de não cumprir”, disse à EXAME, durante a COP28, Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, que esteve em Dubai representando a Abag, associação ligada ao agronegócio. “O problema é que não há um modelo ou uma entidade capaz de organizar esses esforços, então cada país faz do seu jeito. Isso gera o risco de transformar algo positivo para o planeta e para a economia em motivo para o estabelecimento de barreiras comerciais, que às vezes são necessárias; e às vezes, não.”

Nessa geopolítica da transição, os grupos de afinidades vão sendo formados, e o Brasil, por uma série de motivos, é um jogador cobiçado. Em meados de janeiro, Helaina Matza, coordenadora especial do programa de parcerias em infraestrutura dos Estados Unidos (PGI), esteve no Brasil para uma série de encontros com empresas, investidores e governo — além de uma conversa com a EXAME. Sua missão é preparar o cenário para a entrada de dinheiro privado, majoritariamente, no setor de infraestrutura brasileiro, com grande enfoque em energia. “O Brasil tem grandes vantagens competitivas em se tratando de energia renovável”, disse Matza.

Essas vantagens são de ordem natural, pelo país concentrar algumas das melhores áreas de vento e de sol do planeta para a produção de energia limpa; e de ordem econômica. A diplomata americana ressalta que, embora a exportação de energia seja um negócio interessantíssimo do ponto de vista do investidor, a capacidade interna de absorver parte relevante da produção é um aspecto central na definição do volume de recursos que serão alocados em cada região. Nesse ponto, o país tem a seu favor a indústria siderúrgica e a mineradora. Se o mundo quiser realmente cumprir as metas do Acordo de Paris, ou pelo menos chegar perto delas, terá de atacar os maiores poluidores, ou seja, a chamada “velha economia”.

No plano americano também está contemplada a evolução social das regiões investidas. Matza ressalta que o modelo a ser construído envolve as lideranças dos dois países e tem por objetivo facilitar o investimento privado, o que significa, numa generalização grosseira, reduzir riscos. Nesse sentido, a participação governamental se dará em três elementos da equação: juros subsidiados, capital a fundo perdido e políticas públicas. Os dois primeiros atuam diretamente no apetite de risco do investidor, e buscam potencializar os aportes. O terceiro visa direcionar esforços regulatórios e aplicar recursos públicos para infraestruturas de base, cuja ausência pode até não inviabilizar o sucesso comercial do empreendimento, mas limita o benefício econômico e social disponibilizado à população. Basicamente, é garantir que os projetos considerem o impacto nas comunidades locais e promovam o desenvolvimento sustentável.

Para algumas regiões brasileiras, esse posicionamento é música para os ouvidos. Em especial, o Nordeste. Há uma oportunidade, nessa transição energética, para o país corrigir injustiças históricas e reduzir gaps de desenvolvimento entre estados. Em se tratando de energias renováveis, o maior potencial de geração está concentrado em áreas mais pobres, como no Ceará. O estado vive, atualmente, uma euforia pela expectativa da chegada de bilhões em investimentos, graças a características naturais que sempre foram um entrave para o desenvolvimento: o excesso de vento, que prejudica a pesca, e o excesso de sol, que inviabiliza a agricultura. Elmano de Freitas, governador do Ceará, esteve na COP28 para vender o projeto de um polo de produção de hidrogênio verde, em fase avançada de implementação no Porto de Pecém.

O hidrogênio verde, no caso, é uma espécie de novo petróleo produzido a partir da quebra das moléculas da água com o uso de energia limpa. As propriedades do hidrogênio como combustível são conhecidas há muito tempo, porém sua produção exige uma quantidade descomunal de eletricidade, o que até pouco tempo atrás só era viável com o uso de fontes não renováveis. O barateamento da geração limpa, em especial a eólica, tornou possível a produção em escala de uma versão carbono neutro do combustível, hoje a maior aposta para substituir o petróleo em indústrias poluentes, como as de transporte pesado, mineração, siderurgia etc. Elmano de Freitas se gaba de ter, em seu litoral, “talvez a melhor condição para produção de energia de vento do mundo”. “Pelos estudos a que tive acesso, o nosso hidrogênio verde será produzido a um custo equivalente a 30% do que é produzido lá fora”, disse Freitas à EXAME.

Esse potencial chamou a atenção de europeus, que já se estabeleceram no estado. O Porto de Rotterdam, na Holanda, comprou uma participação relevante no Porto de Pecém, com o intuito de fazer dois hubs para hidrogênio verde, um de exportação, em terras brasileiras, e outro de importação, em terras holandesas. A ambição é ter o maior polo de combustível limpo da Europa, e abastecer todo o continente. Segundo o governo cearense, já foram comprometidos, por diversas empresas, 17 bilhões de dólares em projetos no porto. O tsunami está chegando.


Créditos

Rodrigo Caetano

Editor ESG

Trabalhou como repórter e editor nas principais publicações de negócios do país. Venceu os prêmios Petrobras e Citi Journalistic Excellence. Atualmente, lidera a editoria ESG da Exame e apresenta o podcast ESG de A a Z.

https://exame.com/revista-exame/sprint-final

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Supercomunicadores, o que está por trás desse superpoder?

Cientistas já realizaram todo o tipo de experimento a fim de entender por que umas pessoas são melhores do que outras nessa ciência que também é uma arte

Por Isabel Clemente – Valor – 04/04/2024 

Carioca, é formada em Jornalismo pela PUC-Rio e mestre em Escrita Criativa pela Royal Holloway, University of London

Você certamente conhece alguém com uma habilidade acima da média para estabelecer laços. Se estiver na dúvida, pense naquela amiga para quem você telefonaria a fim de desabafar porque sairá da conversa se sentindo melhor. Lembre daquele amigo que, incapaz de lhe dar um conselho que preste, fará você rir do problema pelo menos. Lembre de trocas de ideias das quais você saiu se sentindo inteligente. Resgate memórias de pessoas que se interessaram por sua história ainda que em breves encontros. Todas, em maior ou menor grau, te fizeram sentir importante.

O sentimento bom resulta da empatia. E empatia, essa facilidade para criar conexões emocionais, é o que torna umas pessoas melhores do que outras na arte de comunicar.

No recém-lançado “Supercommunicators: How to Unlock the Secret Language of Connection” (que eu traduziria assim: Supercomunicadores: Como acessar a linguagem secreta da conexão), o jornalista Charles Duhigg mergulha na neurociência e em diversas histórias para entender e revelar o papel dos vínculos que criamos para comunicar melhor.

Diversas pesquisas nos últimos anos vêm revelando o que acontece com as pessoas quando elas se entendem. Há uma sincronia de ondas cerebrais, batimentos cardíacos e até de frequência respiratória.

Ainda que você não tenha participado de nenhum estudo, já deve ter experimentado o arrepio de cantar em uníssono com uma multidão num show qualquer. Já deve ter entoado hinos ou gritos de guerra da arquibancada para torcer por seu time. A gente acha que tudo é vibração. E é mesmo. Em menor escala, é o que acontece na mente de pessoas num ambiente propício a trocas e conversas verdadeiras. É o que acontece na mente de pessoas que assistem ao mesmo filme e ouvem a mesma história, como já contei aqui.

Os supercomunicadores, Duhigg explica, conseguem atingir esse alinhamento de corações e mentes quando em contato com alguém ou grupo. “Essas pessoas são os amigos que todo mundo liga atrás de conselho; os colegas escolhidos para posições de liderança ou sempre bem-vindos nas conversas porque elas ficam mais divertidas com a participação deles”, escreve. “E tem algo sobre simultaneidade neural que nos ajuda a escutar mais de perto e a falar de forma mais clara”. E aqui entra a parte que interessa a todo mundo porque isso tem a ver com comunicar, o verbo que pauta nossa interação com o mundo.

A fim de entender por que umas pessoas são melhores do que outras nessa ciência que também é uma arte, cientistas já realizaram todo tipo de experimento. Num deles, conforme consta do livro, voluntários foram convidados a assistir a filmes curtos sem pé nem cabeça. Ou eram clipes tirados do meio de filmes, em idiomas estrangeiros, às vezes sem som ou legendas. Nenhuma explicação dada. O cérebro de todo mundo estava sendo monitorado e as reações foram disparatadas. Depois, separados em grupos, os voluntários deveriam debater sobre o que viram, tentando encontrar o enredo por trás das cenas complicadas. Havia atração sexual entre dois homens de determinada cena? Tinha uma pessoa irritada com a outra num outro clipe? Essa história termina bem ou mal? Ao assistirem aos mesmos clipes de novo, os participantes enfim apresentaram ondas cerebrais mais similares, como se a conversa tivesse alinhado os cérebros. Mas havia grupos com pessoas mais sintonizadas entre si do que outros.

Os pesquisadores descobriram que os grupos com lideranças fortes, que tomavam a iniciativa de puxar a conversa, definindo papéis e o rumo do debate, apresentaram as maiores discrepâncias. Na verdade, o grupo com o maior índice de sincronização contava com algumas pessoas especiais. Elas falavam pouco, mas faziam muitas perguntas. Eram rápidas em admitir as próprias falhas e riam de si mesmas e das piadas alheias. Não se destacavam por serem falantes demais ou mais espertas, mas, quando falavam, eram ouvidas.

De alguma forma, essas pessoas facilitavam a fala dos outros, ajustando suas emoções às emoções do grupo, num sinal de respeito instintivo e, o mais interessante, quase invisível para os demais participantes da experiência. Essas características foram identificadas no perfil dos supercomunicadores.

Procuro ler e aprender sobre comunicação não só por ser jornalista e viver disso, mas por saber que também tenho limitações nesse campo. Falhei com gente que amo e me senti incompreendida por quem, eu acreditava, jamais falharia comigo.

Duhigg explica que, muitas vezes, os conflitos nascem do simples fato de as pessoas entabularem diálogos em modos diferentes: uma quer desabafar, a outra está em busca de soluções. Uma queria abraço e a outra veio com conselhos não solicitados. A intenção é boa. O resultado, desastroso.

Outro comportamento típico que pode pôr tudo a perder numa conversa é a tentativa de controle. “Num conflito, seu instinto é tentar controlar qualquer coisa que você puder. Se eu conseguir que você enxergue os fatos, você vai concordar comigo. Se eu conseguir que você ouça meus argumentos, então vai ficar tudo bem”, disse Duhigg em conversa com Matt Abrahams no podcast Think Fast, Talk Smart. Dizer para alguém, por exemplo, que ela não precisa ficar chateada com o que quer que a esteja chateando é uma tentativa de controlar as emoções alheias. “Isso é tóxico, e quando as pessoas tentam controlar umas as outras, a conversa acaba.”

Muito mais efetivo – e sábio, eu diria – é controlar o que está a nosso alcance, sugere Duhigg. Pedir um tempo para responder. Sugerir momento melhor para falar. E limitar as fronteiras da conversa para um casal, por exemplo, não começar a discutir sobre a louça suja e terminar reclamando da sogra e de outras coisas que não estavam no início da conversa.

Os supercomunicadores, sugere o autor, escutam atentamente o que é dito e não dito, fazem as perguntas certas, reconhecem e espelham o humor alheio e são transparentes quanto aos próprios sentimentos. Dizendo assim, parece fácil. Mas é difícil à beça. “Tudo isso ao mesmo tempo pode ser até impossível”, escreve.

O caminho é longo, o aprendizado, difícil, mas não resta dúvida quanto ao papel das emoções na arte de comunicar com eficiência. As emoções amplificam as informações para o cérebro, argumenta a neurocientista Carla Tieppo, professora e pesquisadora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Funcionam quase como uma bola de cristal.

“A emoção é uma função que nos permite ver o que está por vir”, disse Tieppo, no recém-lançado podcast Revolução de Afetos. Da mesma forma que o olfato nos dá pistas de quem passou por um lugar ou está para chegar, compara. Por isso as histórias ganham cada vez mais atenção de quem já entendeu o quanto precisa se conectar com sua audiência a fim de transmitir suas mensagens. Lista de fatos e sequência de dados sozinhos não fazem milagres. Emoção faz.

https://valor.globo.com/opiniao/isabel-clemente/coluna/supercomunicadores-o-que-esta-por-tras-desse-superpoder.ghtml

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Os medicamentos para perda de peso poderiam conquistar o mundo?

Os cientistas estão descobrindo que os medicamentos anti-obesidade também podem ajudar muitas outras doenças

The Economist – (Tradução Google Tradutor) Mar 30th 2024

O monstro Gila é um lagarto venenoso norte-americano que mede cerca de 50 centímetros e ostenta uma pelagem distinta de escamas pretas e laranja. Este réptil letárgico, que vive principalmente no subsolo e come apenas três a quatro vezes por ano, é a inspiração improvável para um dos maiores sucessos de bilheteria da indústria farmacêutica: uma nova geração de medicamentos para perda de peso que deixa pacientes – e investidores – em frenesi. Originalmente feitos para diabetes, há cada vez mais evidências de que eles também trazem benefícios em doenças do coração, rins, fígado e muito mais.

Desde o final da década de 1980, os cientistas acreditavam que um hormônio intestinal chamado peptídeo-1 semelhante ao glucagon (GLP-1), que é secretado pelos intestinos após uma refeição, poderia ajudar a tratar o diabetes. O GLP-1 aumenta a produção de insulina (um hormônio que reduz os níveis de açúcar no sangue) e reduz a produção de glucagon (que aumenta os níveis de açúcar no sangue). Mas o GLP-1 é decomposto pelas enzimas do corpo muito rapidamente, por isso permanece por apenas alguns minutos. Portanto, se fosse usado como medicamento, os pacientes teriam enfrentado a perspectiva indesejável de precisar de injeções de GLP-1 a cada hora.

Em 1990, John Eng, pesquisador do Veterans Affairs Medical Center, no Bronx, descobriu que a exendina-4, um hormônio encontrado no veneno do monstro de Gila, era semelhante ao GLP-1 humano. Crucialmente, a exendina-4 libertada após uma das raras refeições do monstro é mais resistente à degradação enzimática do que o GLP-1, permanecendo no seu corpo durante horas. Demorou mais de uma década até que a exenatida, uma versão sintética do hormônio do lagarto, criada pela Eli Lilly, uma gigante farmacêutica americana, e pela Amylin Pharmaceuticals, uma empresa de biotecnologia, fosse aprovada para tratar diabetes nos Estados Unidos. Este avanço estimulou outras empresas a desenvolver medicamentos GLP-1 mais eficazes e duradouros como opção de tratamento para diabetes, além das injeções de insulina.

Os cientistas também sabiam que o GLP-1 tinha outro efeito secundário: retardava a taxa de “esvaziamento gástrico”, o que permite que os alimentos permaneçam no estômago durante mais tempo e suprime o apetite. Mas os potenciais benefícios da perda de peso não foram levados a sério no início. Foi apenas em 2021 que a Novo Nordisk, uma empresa dinamarquesa, apresentou dados de um ensaio clínico em que pacientes com excesso de peso ou obesos receberam uma dose semanal do seu medicamento para diabetes à base de GLP-1, a semaglutida, que era então comercializado sob o nome Ozempic, por 68 semanas. Os resultados foram dramáticos – os participantes perderam 15% do peso corporal, em média.

Lucros gordos

Os medicamentos que imitam o hormônio GLP-1 tornaram-se então sucessos de bilheteria. Com quase metade da população mundial a ser obesa ou com excesso de peso até 2030, de acordo com a Federação Mundial da Obesidade, a procura por estes medicamentos está a aumentar – a Bloomberg, um fornecedor de dados, estima que estes medicamentos atingirão 80 mil milhões de dólares em vendas anuais até lá. . Prevê-se que o mercado cresça 26% ao ano nos próximos cinco anos, em comparação com 16% ao ano para medicamentos oncológicos e 4% ao ano para medicamentos imunológicos, as outras duas maiores áreas.

Até o momento, apenas três medicamentos GLP-1 foram aprovados para tratar indivíduos obesos ou com sobrepeso: liraglutida e semaglutida, desenvolvidas pela Novo; e tirzepatida, da Lilly. Mas o mercado já atraiu uma onda de concorrentes (ver gráfico 1). A Bloomberg rastreia cerca de 100 aspirantes a medicamentos em fase de desenvolvimento. A maioria das novas terapias espera superar a semaglutida e a tirzepatida, elaborando medicamentos que sejam mais fáceis de tomar, causem menos efeitos colaterais ou resultem em uma perda de peso mais eficaz (ver gráfico 2).

Uma questão é a conveniência. Tanto a semaglutida quanto a tirzepatida são injeções que precisam ser tomadas semanalmente. Interrompa a dose e a maior parte do peso retorna dentro de um ano. A Amgen, uma grande empresa americana de biotecnologia, está desenvolvendo um medicamento anti-obesidade que depende de doses uma vez por mês e espera que os efeitos da perda de peso durem mesmo após o término do tratamento. AMG133 ativa receptores para GLP-1 enquanto bloqueia receptores do polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose (GIP), um hormônio secretado no intestino delgado em resposta à ingestão de alimentos que estimula a produção de insulina e glucagon. A empresa está agora a realizar ensaios clínicos para descobrir se os pacientes podem, ao longo do tempo, ser gradualmente desmamados para doses mais pequenas.

Mudar das injeções para os comprimidos também tornaria os medicamentos muito mais toleráveis para aqueles que não gostam de agulhas. A Novo está trabalhando em uma versão oral de semaglutida que funciona tão bem quanto suas injeções. Mas a pílula requer 20 vezes a quantidade do princípio ativo da injeção e deve ser tomada diariamente. Com a escassez de semaglutida, a Novo teve que adiar o lançamento da versão oral. A Lilly também tem uma pílula diária que tem como alvo os receptores de GLP-1, chamada orforglipron, em ensaios clínicos em estágio final.

Outra desvantagem dos medicamentos à base de GLP-1 são as náuseas e vómitos que frequentemente acompanham a sua utilização. A Zealand Pharma, uma empresa dinamarquesa de biotecnologia, está a desenvolver um medicamento baseado numa hormona diferente chamada amilina, produzida no pâncreas juntamente com a insulina em resposta à ingestão de alimentos. Mas, ao contrário do GLP-1, que suprime o apetite, a amilina induz saciedade ou sensação de saciedade após uma refeição.

Adam Steensberg, chefe da Zelândia, diz que na maioria das pessoas um hormônio, a leptina, é liberado do tecido adiposo, sinalizando ao cérebro que o corpo está cheio. Indivíduos obesos são insensíveis a esse hormônio. Estudos clínicos demonstraram que os análogos da amilina podem tornar as pessoas novamente sensíveis à leptina, ajudando-as a parar de comer mais cedo. Sentir-se saciado, em vez de diminuir o apetite, também pode reduzir a sensação de náusea. Steensberg diz que os resultados dos ensaios em fase inicial sugerem que o seu medicamento poderia conseguir uma perda de peso semelhante à dos medicamentos GLP-1, mas com menos náuseas e vómitos.

Além das incômodas injeções e das náuseas, uma preocupação maior é que os pacientes que tomam esses medicamentos não apenas perdem gordura, mas também perdem massa muscular magra. Alguns pacientes perdem quase 40% do seu peso corporal em massa magra, uma séria preocupação para os pacientes mais velhos. Para contrariar esta situação, as empresas estão a testar, juntamente com os medicamentos GLP-1, medicamentos originalmente concebidos para tratar a atrofia muscular.

A Regeneron, uma empresa farmacêutica americana, está testando medicamentos que bloqueiam a miostatina e a activina, proteínas que inibem o crescimento muscular no corpo. Tomada com semaglutida, a combinação pode aumentar a qualidade da perda de peso, preservando a massa muscular magra. Da mesma forma, a BioAge, uma empresa de biotecnologia com sede na Califórnia, está testando um medicamento que pode ser tomado junto com a tirzepatida da Lilly. A droga, chamada azelaprag, imita a apelina, um hormônio secretado após o exercício que atua no músculo esquelético, no coração e no sistema nervoso central para regular o metabolismo e promover a regeneração muscular. Em ratos obesos, a combinação levou a uma maior perda de peso em comparação com a tirzepatida isoladamente, preservando ao mesmo tempo o tecido corporal magro.

Os medicamentos para emagrecer não servem apenas para perder peso. Como a obesidade está associada a mais de 200 problemas de saúde, incluindo acidentes vasculares cerebrais, problemas renais e esteatose hepática, os medicamentos GLP-1 estão a revelar-se úteis em muitas outras áreas da medicina.

Um ensaio clínico recente da Novo, que durou cinco anos e envolveu mais de 17.500 participantes, descobriu que a semaglutida reduziu em 20% o risco de problemas cardíacos graves, como ataques cardíacos, derrames ou morte por doença cardíaca. Novo acredita que os benefícios cardíacos do tratamento não se devem apenas à perda de peso, porque a redução do risco de problemas cardiovasculares ocorreu precocemente, antes que os pacientes perdessem peso. Em Março, a semaglutida foi aprovada pela Food and Drug Administration dos EUA para reduzir o risco de doenças cardíacas em pessoas obesas ou com excesso de peso, sendo a primeira vez que um medicamento para perder peso foi aprovado para este fim. Os resultados de outro ensaio clínico demonstraram que a semaglutida reduziu o risco de eventos relacionados com doenças renais em 24% em pacientes com diabetes tipo 2.

Outro medicamento para perda de peso, a survodutida, que está sendo desenvolvido pela Boehringer Ingelheim, uma empresa farmacêutica alemã, e pela Zelândia, mostrou resultados promissores no tratamento de uma doença hepática grave chamada esteatohepatite associada à disfunção metabólica (MASH). Isso é causado pelo acúmulo de excesso de gordura no fígado e pode levar ao câncer de fígado ou à insuficiência hepática.

Num ensaio recente com 295 pacientes, 83% deles observaram uma melhoria significativa na sua condição quando tratados com survodutida, em comparação com 18% daqueles que receberam placebo. A survodutida tem como alvo os receptores de GLP-1 e glucagon. Waheed Jamal, da Boehringer Ingelheim, afirma que há evidências de que o glucagon decompõe mais gordura no fígado em comparação com o GLP-1 e reduz a fibrose (acúmulo excessivo de tecido cicatricial no fígado).

O intestino encontra o cérebro

Embora se tenha dado muita atenção à ação destes medicamentos na melhoria da saúde metabólica, os cientistas estão agora a descobrir que estes medicamentos também interagem com o cérebro e o sistema imunitário, interagindo com os receptores de GLP-1 no cérebro. Daniel Drucker, pesquisador de diabetes do Hospital Mount Sinai, em Toronto, descobriu que em camundongos que sofrem de inflamação extensa em todo o corpo, os medicamentos GLP-1 reduziram a doença, mas apenas quando os receptores no cérebro não estavam bloqueados. Quando os receptores cerebrais dos ratos foram bloqueados ou deletados geneticamente, as propriedades anti-inflamatórias dos medicamentos foram perdidas. Isto sugere que os medicamentos GLP-1 controlam a inflamação agindo nas células cerebrais.

Para alguns, isto sugere que estes medicamentos podem ser úteis no tratamento de doenças cerebrais caracterizadas por inflamação, como a doença de Alzheimer e a doença de Parkinson. Desde 2021, a Novo vem conduzindo um ensaio clínico envolvendo mais de 1.800 pacientes para testar se a semaglutida ajuda pacientes nos estágios iniciais da doença de Alzheimer. Espera-se que este estudo seja concluído até 2026.

Drucker vê as qualidades anti-inflamatórias dos medicamentos GLP-1 como a chave para a sua versatilidade. Ele observa que, além do Alzheimer e do Parkinson, a inflamação crônica é um fator de muitas complicações para pessoas com diabetes tipo 2 e obesidade, e afeta órgãos como rins, coração, vasos sanguíneos e fígado. Se estes medicamentos eventualmente ajudarem no tratamento destas condições, o Drucker acredita que as suas propriedades redutoras da inflamação poderão explicar parte do seu sucesso.

Os efeitos supressores do apetite destas drogas também aumentaram o interesse na sua capacidade de reduzir os desejos de forma mais geral. Pesquisadores na Dinamarca investigaram o efeito dos medicamentos GLP-1 em 130 pessoas com transtorno por uso de álcool. Eles não encontraram nenhuma diferença geral no consumo subsequente de álcool entre os pacientes que usaram os medicamentos (juntamente com a terapia) em comparação com aqueles que receberam placebo. No entanto, um subconjunto de pacientes obesos que tomavam os medicamentos acabou bebendo menos álcool. Os investigadores também analisaram a actividade cerebral dos pacientes quando lhes foram mostradas imagens de bebidas alcoólicas – para aqueles nos grupos de placebo, os centros de recompensa dos seus cérebros iluminaram-se; para pacientes que tomavam medicamentos GLP-1, a atividade nas áreas do cérebro associadas à recompensa e ao vício foi atenuada, indicando um efeito cerebral direto. Os investigadores estão agora a explorar se as drogas podem ter um impacto na forma como as pessoas usam outras substâncias viciantes, como o tabaco ou a marijuana.

Todas essas descobertas ainda são iniciais. O desenvolvimento de novos medicamentos é caro e demorado. Existem taxas de falha acentuadas. Os sucessos no laboratório podem não funcionar com as pessoas e os resultados em pequenos grupos podem não ser reproduzidos em grupos maiores. Mas com o potencial para tratar muitas doenças muito além da obesidade e da diabetes, a esperança em torno dos novos medicamentos só aumentará. ■

https://www.economist.com/science-and-technology/2024/03/30/could-weight-loss-drugs-eat-the-world

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‘Brasil será nossa joia da coroa fora da Noruega’, diz executivo da petroleira Equinor

Philippe Mathieu, vice-presidente de Exploração e Produção Internacional da companhia diz que mercado brasileiro está no centro da estratégia da empresa, que deve gerar cem mil postos de trabalho com projetos em óleo e gás

Por Janaina Lage — O Globo – 06/04/2024 

Primeira operadora internacional de um campo do pré-sal, o de Bacalhau, a norueguesa Equinor se prepara para mudar o patamar de sua operação no Brasil. O projeto na Bacia de Santos começa a produzir no ano que vem. Em outra frente, a empresa aposta no mercado de gás com o Campo de Raia, na Bacia de Campos, que vai responder por 15% da demanda no país.

Juntos, os dois projetos devem responder por cem mil empregos, entre diretos e indiretos. Além disso, a empresa fará, na próxima semana, uma cerimônia de inauguração do projeto de Mendubim, no Rio Grande do Norte, o segundo de energia solar no país.

Segundo Philippe Mathieu, vice-presidente de Exploração e Produção Internacional da Equinor, o investimento não é à toa. A petroleira acaba de passar por uma revisão de portfólio. Saiu de países como Nigéria e Azerbaijão e está aumentando investimentos nos mercados de maior potencial, como o Brasil. “O Brasil não é só óleo e gás para nós, mas um dos poucos países em que atuamos onde estamos desenvolvendo a gama completa de nossa estratégia, um portfólio de energia.” A empresa tem operações principalmente nos EUA e no Reino Unido, além de projetos em outros países, como Angola e Argentina.

Leia a seguir trechos da entrevista:

Qual é o peso do Brasil na produção de petróleo da Equinor?

Se você considerar a produção atual de petróleo, a da Noruega soma 1,2 milhão de barris por dia. A área internacional tem 700 mil barris. E para 2030 vamos produzir 800 mil. O interessante é que vamos aumentar a produção em 15%, mas o fluxo de caixa vai aumentar em 50%.

A razão para isso é que estamos elevando o patamar do portfólio, saindo de países com ativos mais maduros e incluindo projetos de nova geração. O Brasil é muito importante, provavelmente um dos países onde vamos ter maior crescimento do nosso negócio. Descrevo o Brasil como a joia da coroa do nosso portfólio internacional fora da Noruega, uma joia que está em construção. Temos uma boa colaboração com a Petrobras no Campo de Roncador, operamos o Campo de Peregrino. Bacalhau (no pré-sal da Bacia de Santos) está sendo construído, começa a produzir em 2025, e Raia (de gás) entra em operação em 2028.

Qual será o cenário quando os projetos começarem a operar?

Quando tivermos os projetos em operação, o Brasil será o mais importante no nosso portfólio internacional, quando começarmos a produzir em Raia, em 2028.

A razão pela qual escolhemos fazer esses investimentos foi pela estabilidade regulatória, o fato de ter uma indústria que pode apoiar as operações. Estamos falando de offshore em águas profundas, que é o que sabemos fazer. E Raia vai contribuir para prover gás ao Brasil, com 15% da demanda do país. Além de ajudar a desenvolver o mercado de gás no Brasil, impulsionando a indústria.

Bacalhau é o primeiro projeto do pré-sal que tem um operador estrangeiro. Como tem sido a experiência?

Estamos trazendo a experiência com o que já fizemos na Noruega. Temos a colaboração com a Petrobras em Roncador e estamos descobrindo os desafios operacionais. Tem sido uma jornada: trazer o conhecimento da Noruega e adaptar ao contexto brasileiro.

Quantos empregos esses projetos vão criar?

Bacalhau e Raia vão criar 50 mil vagas cada.

Projeto de Mendubim, no Rio Grande do Norte, o segundo da empresa de energia solar no país — Foto: Divulgação Scatec Projeto de Mendubim, no Rio Grande do Norte, o segundo da empresa de energia solar no país — Foto: Divulgação Scatec

E quais são as perspectivas de contratação aqui?

O mercado está aquecido. Esperamos que, por nossa estratégia, a forma como fazemos negócios, sejamos um empregador atraente para quem queira estar conosco. Medimos performance não só sobre o que você entrega, mas como entrega. Isso reforça a importância da cultura e dos valores da empresa.

Estão concluindo a montagem de módulos do FPSO de Bacalhau em Cingapura. Como veem o cenário para o setor naval aqui?

Vemos a possibilidade de desenvolver parte dos contratos de fornecimento aqui, é parte do compromisso de conteúdo local. Mas, como reflexão, seria interessante pensar não só na construção de novas plataformas, FPSOs, mas no descomissionamento (desmobilização quando chega ao fim da vida útil) de instalações offshore. Isso representa um mercado que está crescendo, é algo que está sendo discutido na Noruega com fornecedores, e é oportunidade de negócios.

Mesmo com esses projetos em curso, ainda há interesse em participar de leilões aqui?

Sim, é justo dizer que temos muito para administrar no momento. Nosso foco principal é conciliar os campos de Peregrino, Roncador, Bacalhau e Raia. Mas é um jogo de longo prazo, então a resposta é sim.

Nos últimos anos, as grandes petroleiras diziam ter a ambição de se tornar empresas de energia. Esse discurso parece ter perdido força. O que explica a mudança de direção?

É o que temos visto nos últimos anos. Isso foi provocado pelo começo da guerra na Ucrânia, que teve sérias repercussões na Europa. Sem o gás russo no mercado, houve aumento do preço do gás e da energia. De repente, a preocupação em torno da energia não era em impacto climático, mas em segurança energética e preço viável.

Isso provocou uma abordagem mais balanceada, no sentido do que é necessário para a transição do sistema global de energia. O que se traduziu em algumas mudanças na estratégia das empresas. Saíram de “estamos focados em lidar com questões climáticas, investir em renováveis e talvez reduzir óleo e gás no portfólio” para algo como “vamos focar um pouco mais em óleo e gás e reduzir um pouco as ambições em fontes renováveis.” Vimos a área de renováveis ser afetada por inflação, quebra na cadeia de suprimentos e aumento de custos em geral, o que tornou os projetos mais desafiadores.

Mudaram de estratégia?

Não mudamos. Seguimos com a crença de que precisamos contribuir para a transição energética. Desde o início tentamos criar equilíbrio, uma linha clara de onde queremos ir e nos ajustar à realidade do mercado. A estratégia segue a mesma, o foco é gerar valor.

O que temos tido é flexibilidade. Há alguns anos, nosso foco era mais em eólica offshore, mas, com a crise, vimos que estava desafiador encontrar projetos atraentes, temos sido mais cautelosos e enfatizado renováveis onshore (em terra). O Brasil se encaixa nisso. Temos um projeto solar, Apodi, e vamos inaugurar outro semana que vem, Mendubim, no Rio Grande do Norte. O futuro é sobre transição energética.

https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2024/04/06/brasil-sera-nossa-joia-da-coroa-fora-da-noruega-diz-executivo-da-petroleira-equinor.ghtml

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Um plano para reduzir os preços dos medicamentos pode ameaçar o boom tecnológico dos Estados Unidos

Quarenta anos atrás, a Kendall Square em Cambridge, Massachusetts, estava repleta de armazéns abandonados e fábricas de baixa tecnologia em extinção. Hoje, é indiscutivelmente o centro do setor global de biotecnologia.

by Lita Nelsen – MIT Technology Review – abril 1, 2024

Durante meus 30 anos no Escritório de Licenciamento de Tecnologia do MIT, testemunhei essa transformação em primeira mão e sei que não foi por acaso. Grande parte dela foi resultado direto da Lei Bayh-Dole, uma lei bipartidária aprovada pelo Congresso em 1980.

A reforma permitiu que universidades de classe mundial, como o MIT e Harvard, ambos a poucos quilômetros da Kendall Square, mantivessem os direitos de patente e licenciamento sobre as descobertas feitas por seus cientistas, mesmo quando os fundos federais pagavam pela pesquisa, como acontecia em quase todos os laboratórios. Essas descobertas, por sua vez, ajudaram um número significativo de startups de biotecnologia em toda a área de Boston a serem lançadas e crescerem.

Antes da Bayh-Dole, o governo mantinha esses direitos de patente e licenciamento. No entanto, embora os órgãos federais, como os Institutos Nacionais de Saúde, financiassem pesadamente a pesquisa científica básica nas universidades, eles estavam mal equipados para encontrar empresas do setor privado interessadas em licenciar e desenvolver descobertas promissoras, mas ainda incipientes. Isso porque, preocupados com acusações de favoritismo, os órgãos governamentais estavam dispostos a conceder apenas licenças não exclusivas a empresas para desenvolver tecnologias patenteadas.

Poucas empresas estavam dispostas a licenciar tecnologia em uma base não exclusiva. Isso porque as licenças não exclusivas abriam a possibilidade de uma startup gastar muitos milhões de dólares no desenvolvimento de um produto para, em seguida, o governo licenciar novamente a patente para uma empresa rival.

Como resultado, muitas descobertas financiadas pelo contribuinte nunca foram transformadas em produtos reais. Antes da lei, menos de 5% das cerca de 28 mil patentes detidas pelo governo federal haviam sido licenciadas para desenvolvimento por empresas privadas.

Os legisladores bipartidários por trás da Bayh-Dole entenderam que esses incentivos desalinhados estavam impedindo o progresso científico e tecnológico e prejudicando o crescimento econômico e a criação de empregos. Eles mudaram as regras para que as patentes não fossem mais automaticamente para o governo federal. Em vez disso, as universidades e escolas de medicina poderiam manter suas patentes e gerenciar o licenciamento por conta própria.

Em resposta, as instituições de pesquisa investiram pesadamente em escritórios como o que eu dirigia no MIT, dedicados à transferência de tecnologia da academia para empresas do setor privado.

Hoje, universidades e instituições de pesquisa sem fins lucrativos transferem milhares de descobertas a cada ano, resultando em inovações em todos os tipos de campos técnicos. Milhares de empresas — muitas vezes fundadas pelos pesquisadores que fizeram as descobertas em questão — licenciaram patentes decorrentes de pesquisas financiadas pelo governo federal. Esse sistema de transferência de tecnologia ajudou a criar milhões de empregos.

O algoritmo de busca do Google, por exemplo, foi desenvolvido por Sergey Brin e Larry Page com a ajuda de subsídios federais quando ainda eram estudantes de doutorado em Stanford. Eles fundaram o Google, licenciaram seu algoritmo patenteado pelo escritório de transferência de tecnologia da escola e criaram uma das empresas mais valiosas do mundo.

No total, a lei provocou um renascimento da inovação nacional que continua até hoje. Em 2002, a The Economist a chamou de “possivelmente, a legislação mais transformadora promulgada nos Estados Unidos no último meio século”. Eu a considero tão vital que, depois que me aposentei, entrei para o conselho consultivo de uma organização dedicada a celebrá-la e protegê-la.

Mas a eficácia da Lei Bayh-Dole está agora seriamente ameaçada por um projeto de estrutura que o governo Biden está finalizando após um período de comentários públicos que durou meses e foi concluído em 6 de fevereiro.

Em uma tentativa de controlar os preços dos medicamentos nos EUA, a proposta do governo se baseia em uma disposição obscura da Bayh-Dole que permite que o governo “entre” e licencie novamente patentes. Em outras palavras, o governo poderia retirar o direito de patente licenciado exclusivamente de uma empresa e concedê-lo a uma concorrente.

A disposição foi criada para permitir que o governo intervenha se uma empresa não conseguir comercializar uma descoberta financiada por ele, e disponibilizá-la ao público em um prazo razoável. Mas a Casa Branca agora está propondo que a cláusula seja usada para controlar os custos cada vez mais altos dos produtos farmacêuticos, licenciando novamente patentes de medicamentos de marca, se eles não forem oferecidos a um preço “razoável”.

Superficialmente, isso pode parecer uma boa ideia — os EUA têm alguns dos preços de medicamentos mais altos do mundo, e muitos dos que salvam vidas não estão disponíveis para pacientes que não podem pagar por eles. Mas tentar controlar os preços dos medicamentos por meio da cláusula de march-in será, em grande medida, ineficaz. Muitos medicamentos são protegidos separadamente por outras patentes privadas, registradas por empresas farmacêuticas e de biotecnologia mais tarde no processo de desenvolvimento, de modo que licenciar novamente apenas uma patente em estágio inicial, pouco ajudará a gerar alternativas genéricas. Ao mesmo tempo, essa política poderia ter um enorme efeito inibidor no início do processo de desenvolvimento de medicamentos, quando as empresas licenciam a patente inicial das universidades e instituições de pesquisa.

Se o governo Biden finalizar a minuta da estrutura do march-in como está redigida atualmente, permitirá que o governo federal ignore os acordos de licenciamento entre universidades e empresas privadas sempre que quiser, com base em critérios atualmente desconhecidos e potencialmente subjetivos, como o que constitui um preço “razoável”. Isso tornaria o desenvolvimento de novas tecnologias muito mais arriscado. As grandes empresas teriam motivos de sobra para desistir e os investidores em empresas iniciantes — que são os principais responsáveis por levar a tecnologia universitária ao mercado — ficariam igualmente relutantes em investir nessas empresas.

Qualquer patente associada a dólares federais provavelmente se tornaria tóxica da noite para o dia, já que até mesmo um centavo de financiamento do contribuinte tornaria o produto resultante elegível para a concorrência com base no preço.

Além disso, embora a estrutura preliminar tenha sido anunciada como uma política de “precificação de medicamentos”, ela não faz distinção entre as descobertas universitárias em ciências da vida e aquelas em qualquer outro campo de alta tecnologia. Como resultado, o investimento em setores impulsionados pela propriedade intelectual (da biotecnologia ao aeroespacial e à energia alternativa) cairia drasticamente. O progresso tecnológico ficaria estagnado. E o sistema de transferência de tecnologia estabelecido pela Lei Bayh-Dole seria rapidamente interrompido.

A menos que o governo retire sua proposta, os Estados Unidos voltarão à época em que as descobertas mais promissoras apoiadas pelo governo federal nunca saíam dos laboratórios das universidades. Muito menos invenções baseadas em pesquisas avançadas serão patenteadas, e centros de inovação como o que eu vi crescer não terão chance de criar raízes.

Lita Nelsen entrou para o Escritório de Licenciamento de Tecnologia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts em 1986 e foi diretora de 1992 a 2016. Ela é membro do conselho consultivo da Bayh-Dole Coalition, um grupo de organizações e indivíduos comprometidos em celebrar e proteger a Lei Bayh-Dole, além de informar os formuladores de políticas e o público sobre seus benefícios.

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|A inteligência artificial já começou a mudar a área da saúde; veja como

Ganhos de eficiência na gestão, na produtividade dos profissionais de saúde e na recuperação dos pacientes devem se intensificar à medida que a tecnologia evolua

Por Alexandre Chiavegatto Filho – Estadão – 03/04/2024 

Poucas tecnologias na história tiveram um impacto tão rápido quanto a inteligência artificial (IA). Esse conjunto de técnicas, que há apenas uma década era considerada pela maioria das pessoas como ficção científica, hoje já orienta o que vemos nas redes sociais, a publicidade que recebemos online, a nossa rota de transito, as séries que assistimos, entre muitas outras aplicações.

A IA já começou até mesmo a revolucionar a saúde, que é a área mais regulada e mais avessa a mudanças de todas. Essas características são uma marca da saúde por bons motivos, já que se trata da área mais consequente de todas e que, por isso, precisa ser muito cuidadosa e responsável na adoção de novas tecnologias.

Apesar de a IA ainda estar na sua infância, o seu desenvolvimento recente já tem sido suficiente para ter um impacto positivo na saúde, principalmente em três grandes áreas: aumento da eficiência da gestão hospitalar, diminuição das burocracias para os profissionais de saúde e auxílio em melhores decisões de diagnóstico e prognóstico dos pacientes.

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Um relatório publicado pela revista The Economist, identificou algumas das principais aplicações de IA que já começaram a aparecer na saúde. Entre as muitas novidades recentes, foi mencionado que a análise de tomografias cerebrais por algoritmos desenvolvidos pela Universidade de Oxford triplicou o número de pessoas que alcançaram independência funcional após um acidente vascular cerebral (AVC).

Além disso, em Nova York, o uso de IA permitiu que as varreduras de câncer se tornassem muito mais rápidas e baratas. Em relação à gestão hospitalar, o desenvolvimento de um centro de comando que utiliza 20 aplicativos de IA permitiu que o Hospital Geral de Tampa tivesse um ganho de eficiência de US$ 40 milhões.

Esses ganhos de eficiência na gestão, na produtividade dos profissionais de saúde e na recuperação dos pacientes devem se intensificar à medida que a IA continue ganhando maturidade. Segundo o influente periódico britânico, por mais que esses avanços iniciais tenham ocorrido em países ricos, o maior impacto da IA será na saúde dos países em desenvolvimento, principalmente por ampliar o potencial de uso de dispositivos simples, como o estetoscópio e o prontuário eletrônico.

Não existe motivo para que a IA não transforme a saúde, da mesma forma que tem transformado a educação, o trabalho e o lazer das pessoas. Se os seres humanos conseguem realizar uma tarefa, os algoritmos também conseguirão e com melhor qualidade, principalmente à medida que a coleta de dados (o famoso big data) se intensifique em todas as áreas.

Por causa das suas características intrínsecas, a saúde será a última área a ser profundamente transformada pela IA. É preciso garantir que essa revolução seja responsável e gradual. Assim, o seu impacto será muito mais duradouro.

Opinião por Alexandre Chiavegatto Filho

Professor Livre Docente de inteligência artificial na Faculdade de Saúde Pública da USP

https://www.estadao.com.br/link/alexandre-chiavegatto-filho/a-inteligencia-artificial-ja-comecou-a-mudar-a-area-da-saude-veja-como

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Preço despenca e painéis solares são usados até como cercas na Europa

Em alta, oferta global de painéis para energia solar atingirá 1.100 gigawatts neste ano, três vezes a previsão de demanda

Kenza Bryan Lukanyo Mnyanda Amanda Chu Londres e Nova York (EUA) | Folha/Financial Times – 2.abr.2024

Os painéis solares se tornaram tão baratos que estão sendo usados para construir cercas de jardim na Holanda e na Alemanha, à medida que um “boom” na produção chinesa satura o mercado global.

Os painéis capturam menos luz quando usados como cercas em vez de nos telhados, mas o processo economiza nos custos de instalação, de acordo com analistas e postagens em redes sociais feitas por famílias.

“Isso é resultado dos painéis solares ficarem tão baratos que estamos simplesmente os colocando em todos os lugares”, disse Jenny Chase, principal analista solar da BloombergNEF. “Uma vez que o custo de instalação — mão de obra, andaimes — é a maior parte do custo de um sistema no telhado, pode fazer sentido.”

“Por que construir uma cerca quando você pode simplesmente instalar um monte de painéis solares, mesmo que não estejam alinhados exatamente com o sol?” diz Martin Brough, chefe de pesquisa climática no BNP Paribas Exane. “Onde os painéis são incrivelmente baratos, as restrições acabam se tornando os custos de instalação e os locais… Você adquire um pouco da mentalidade do faça você mesmo.”

O fornecimento global de painéis solares atingirá 1.100 gigawatts até o final deste ano, ou três vezes a previsão atual de demanda, estima a Agência Internacional de Energia.

Um excesso de fabricação na China está impulsionando essa tendência.

Ao mesmo tempo, as instalações se tornaram mais caras, principalmente devido ao aumento da mão de obra, e a espera para os painéis serem conectados às redes elétricas está testando a paciência da indústria e dos proprietários. Problemas de capacidade de rede afetam a maioria dos países e não podem ser resolvidos rapidamente.

A Longi Green Energy Technology, um dos maiores produtores de painéis do mundo, disse recentemente que demitiu milhares de trabalhadores, pois o excesso de oferta fez com que os fabricantes chineses se retirassem.

Na Europa, executivos estão alertando para problemas iminentes em um setor que tem sido assolado por perdas de empregos, falências e fechamentos nos últimos meses.

A Comissão Europeia diz que se comprometerá a “avaliar todas as evidências de práticas injustas alegadas” e melhorar o acesso dos fabricantes de painéis solares aos fundos da UE, de acordo com um plano preliminar visto pelo Financial Times. Mas isso provavelmente não vai satisfazer a indústria.

Alessandro Barin, diretor executivo da FuturaSun da Itália, que fabrica painéis na China para vender na Europa, disse que caixas estavam paradas em portos e armazéns mesmo após o fechamento de uma fábrica que estendeu a pausa na produção do feriado do ano novo lunar para três semanas, em vez de uma semana normal.

Preços

Um painel solar custava 11 centavos de dólar/watt no final de março, apenas metade do preço que estava no mesmo período do ano passado, de acordo com a BloombergNEF, e é esperado que caia ainda mais em uma “corrida para o fundo” à medida que os fabricantes competem para se livrar do excesso de oferta.

Abaixo de uma “linha vermelha” de 15 centavos/watt, não seria possível para a empresa investir seriamente na fabricação europeia, disse Barin. “Você não vai fazer isso com uma margem pequena e louca que não vai pagar por nada.”

Sem mais apoio da UE, uma fábrica que Barin pretende abrir perto de Veneza será um produtor de “megawatts” pequeno em vez de um produtor globalmente significativo de “gigawatts”, disse ele.

O Conselho Europeu de Fabricantes de Energia Solar alertou em fevereiro que os fabricantes de painéis da Europa em breve começariam a fechar se nenhuma assistência de emergência fosse fornecida.

A fabricante francesa de painéis solares Systovi disse que está procurando compradores, citando “uma aceleração repentina no dumping chinês”. A empresa de energia francesa EDF disse ao FT que sua produtora de painéis solares, Photowatt, “enfrenta dificuldades para encontrar equilíbrio econômico”.=

Leia mais

Isso segue o fechamento pelo grupo REC na Noruega em novembro de sua fábrica de produção de polissilício, um material bruto chave em painéis solares, e a Meyer Burger Technology da Suíça dizendo que fecharia uma fábrica de painéis solares na Alemanha, uma das maiores da Europa, e concentraria esforços nos EUA.

Mesmo nos EUA, onde os fabricantes de peças de energia solar têm acesso a subsídios sob o “Inflation Reduction Act” de US$ 369 bilhões, a indústria local está em declínio. As importações do sudeste asiático, de onde os EUA obtêm a maior parte de seus painéis solares, são vendidas com desconto em relação aos feitos nos EUA, mesmo levando em conta as tarifas.

Isso cria dificuldades para empresas, incluindo a Cubic PV, apoiada por Bill Gates, que em fevereiro cancelou planos de construir uma fábrica de 8GW anunciada logo após a assinatura do IRA em 2022, citando um “colapso dramático” nos preços.

“O clima é sombrio… Não cria condições para o sucesso dos fabricantes domésticos, especialmente nessa frágil fase inicial de crescimento”, disse Danielle Merfeld, diretora de tecnologia da Hanwha Q-Cells, um dos maiores fabricantes de peças solares nos EUA.

Falando em uma fábrica solar na Geórgia na quarta-feira, a secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, pressionou a China a parar de inundar o mercado com exportações baratas de tecnologia verde.

Mas Sumant Sinha, diretor executivo da ReNew, um dos principais fornecedores indianos de energia eólica e solar, reclamou que os próprios auxílios estatais dos EUA para a energia solar estão prejudicando as ambições da Índia de se apresentar como produtora de painéis solares de baixo custo e uma alternativa à dependência de importações chinesas.

“Esse enorme subsídio é o melhor investimento para o mundo como um todo? Não é, mas está acontecendo porque os EUA querem criar seus próprios empregos… globalmente, a mudança climática está sendo feita refém.”

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Para alguns observadores da indústria e defensores da mudança climática, incluindo a Agência Internacional de Energia, os problemas de excesso de oferta são uma consequência das boas notícias do notável boom solar que veio em resposta ao aperto energético causado pelo corte no fornecimento de gás russo devido à guerra na Ucrânia.

O aumento nos preços da energia provou ser um incentivo para os lares instalarem painéis para economizar nas contas e vender eletricidade verde de volta à rede.

Ian Rippin, diretor executivo da MCS, que realiza verificações de qualidade em instalações solares no Reino Unido, disse que as altas e baixas da “montanha-russa solar” da indústria são impulsionadas pelo apoio inconsistente do governo por meio de reembolsos ou subsídios, e pela volubilidade dos clientes domésticos em relação ao custo da instalação

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2024/04/preco-despenca-e-paineis-solares-sao-usados-ate-como-cercas-na-europa.shtml

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Vinte anos passam rápido!

Paulo Milet (*)  

Spoiler: o texto é otimista em relação ao futuro. Portanto a turma do (… sim, mas…) ou do (… o mundo vai se acabar!…) não precisa nem ler, porque vai se decepcionar!

Analisando tendências para os próximos anos, e comparando com o que aconteceu nos últimos 20/25 anos, duas grandes tendências (sem necessidade de muito aprofundamento) vão acontecer e estão “bem” encaminhadas.

Primeiro, o aparente “envelhecimento” da população. As pessoas estão vivendo mais e as crianças estão nascendo menos. Por volta de 2045/2050 a população mundial vai estar perto de 10 bilhões de habitantes e tendendo a estabilização. A partir desse momento, a tendencia é de uma melhoria contínua para todos.

O destaque é que esse envelhecimento se dá com mais saúde e, com os avanços da tecnologia, as pessoas (“idosos”?) permanecem ativos e produtivos por mais tempo. Então devemos ajustar e mudar critérios para calcular a PIA (população em idade ativa) que hoje vai de 15 a ridículos 65 anos! E encarar essa estabilização de modo positivo.

Certamente teremos que rever os cálculos e critérios de aposentadorias, não mais simplesmente por idade, mas também por capacidade de nos mantermos produtivos.

Segundo: “conectividade e tecnologia”. Tudo conectado com tudo. Todos com todos. Seja com IoT (internet das coisas), internet, sensores por todo o corpo (e dentro dele).  Com capacidade de análise, leitura, comunicação, cálculo, movimentação e operação, extremamente ampliados com a IA (Inteligência Artificial), Realidade Vitual (RV) e Ampliada (RA), nano e bio tecnologias, impressão 3D, tokenização, drones e tudo isso com muito mais velocidade (6G, 7G, 8G…).

Agora é só somar! População estável e tecnologia ampla geram uma produtividade crescente! Isso significa muito mais produção, bens e serviços para um mesmo universo. Significa melhoria de renda e de consumo per capita. Mais alimentos, mais energia, mais moradias, mais saúde. Isso vai se acelerar bastante nos próximos 15 anos.

Emprego x trabalho. Trabalhar de qualquer lugar, para uma empresa do país A, atendendo clientes dos países B, C e D com produtos de E, F e H. A geografia perde importância. Deslocamentos diminuem. Fronteiras físicas entre municípios, estados e países perdem significado.

Governo, segurança, sistemas de gestão, moeda digital, agilidade do judiciário e legislativo e integração internacional serão demandas urgentes. Quem não fizer, fica para trás.

Comunicação, transporte e logística nas cidades cada vez mais inteligentes, humanas e sustentáveis, com deslocamentos reduzidos (Ver Cidades 15 minutos).

Agro-negócio produzindo mais, com mais qualidade, sem desperdício e com sustentabilidade. Alimentando todo o planeta. Hortas urbanas economizando deslocamentos e aproveitando resíduos.

Água limpa e saneamento, evitando doenças e melhorando saúde.

A Educação (ou melhor, o Aprendizado), afinal, se dará totalmente no modo LifeLong Learning. Em qualquer lugar, a qualquer momento, personalizada, focada, permanente, em qualquer idade, juntando métodos de micro learning, adaptive learning, mastery learning, eficaz e agradável, baseada em RVA (Reconhecimento, Validação e Acreditação. Ver UIL /UNESCO).

Como a Educação é transversal significa, como consequência, uma melhoria geral também em diversidade, inclusão, igualdade de oportunidades, menos desperdício, menos poluição, mais conservação e sustentabilidade.

A “personalização” não vai atingir apenas a Educação. A saúde, a alimentação, os serviços públicos, a logística e a habitação também serão cada vez mais “feitas para o freguês” com sistemas baseados em IA.

Desde os seus primórdios, na década de 50 do século passado, a Tecnologia de Informação, o Processamento de Dados, a Informática tem o objetivo de otimização de processos, com a eliminação ou diminuição de intermediários, sejam máquinas ou pessoas.

Isso vai explodir nos próximos anos com toda a certeza! Não precisamos ter medo.

Não? E os empregos? Ora, já passamos por isso na revolução industrial. O Resultado? Cargas horarias de 12 ou mais horas por dia reduzidas para 8 ou menos horas por dia. Isso vai se repetir. Se vamos produzir tudo que a população e o planeta precisam com menos horas de trabalho, OBA! Vamos reduzir essa carga e dedicar à atividades novas ou renovadas. (Sugestão: Leia UTOPIA de Thomas Morus)

Quer pensar (ou sonhar) mais um pouco? Pense nas possibilidades de cruzamento das 20 Áreas de Aplicação com as 10 Tecnologias do quadro acima. Tudo já em andamento…

Vários dos objetivos e tendencias listadas estão nos ODS da ONU para 2030 e certamente ainda não serão integralmente alcançados, mas para 2040 as chances são muito melhores e maiores, com objetivos que podem ser ainda mais ambiciosos, vide proposições do G20 do ano passado na India e que serão ampliadas esse ano no Rio de Janeiro.

Tudo o que está descrito acima são tendências que já estão em andamento (fora o que ainda será inventado) e eu só listei as consequências óbvias e naturais.

Isso vai dar certo?

Além dos aspectos éticos e de regulamentação, basta que nós, habitantes do planeta, à esquerda ou à direita, não atrapalhemos e deixarmos de querer “cancelar” uns aos outros.

(*) Paulo Milet é consultor e palestrante em gestão, Inovação e EaD, Presidente do Comitê de Educação do Instituto Coalizão, Diretor da RIOSOFT e TIRIO, formado em Matemática/ UnB, com pós em Administração Pública  pela FGV e CEO da ESCHOLA.COM  e Coordenador do Projeto ARANDULAND, um metaverso com sustentabilidade.

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The Economist: Inteligência artificial pode ajudar países de baixa renda a superarem a pobreza

No melhor cenário, a tecnologia poderia ajudar populações inteiras a ter mais saúde, educação melhor e mais informação

Por Estadão/The Economist – 04/02/2024 

Vinte e cinco anos atrás, este repórter contratava um serviço de telefonia celular no Congo. Cada dia de uso custava o equivalente ao que um cidadão local ganhava em vários meses. O aparelho era pesado como um tijolo e pouco útil. Praticamente ninguém no Congo tinha um, exceto por ministros do gabinete de governo ou magnatas, então não havia muita gente para ligar. Naqueles dias, telefones móveis não tinham surtido nenhuma diferença detectável na vida de quase ninguém nos países mais pobres do mundo.

Hoje, muitos agricultores têm celulares: o número de conexões cresceu 5 mil vezes enquanto a população dobrou. Dispositivos móveis transformaram vidas em todo o mundo em desenvolvimento, especialmente à medida que cada vez mais de seus habitantes se conectam à internet. As 4 bilhões de pessoas que vivem em países de renda baixa ou média-baixa têm vastamente mais acesso a informação, conversam por chat diariamente com amigos em lugares distantes e usam seus telefones como cartões bancários mesmo quando não têm contas em bancos.

A inteligência artificial (IA) será capaz de ocasionar mudanças similarmente dramáticas? Há três razões principais para otimismo. Primeiro, a tecnologia está melhorando rapidamente. Segundo, também tem potencial de se disseminar rapidamente. Como costuma ocorrer com tecnologias novas, os países ricos se beneficiarão primeiro. Mas se o alto custo de treinar modelos de IA cair, o gasto para fornecer a tecnologia para os pobres poderia ser mínimo. Eles não precisarão de um dispositivo novo, apenas dos smartphones que muitos já possuem.

A terceira razão é que países em desenvolvimento têm escassez estarrecedora de trabalhadores qualificados: nem de perto há professores, médicos, engenheiros ou administradores o suficiente. A inteligência artificial poderia aliviar essa falta não substituindo os trabalhadores existentes, mas ajudando-os a tornar-se mais produtivos, argumenta Daniel Björkegren, da Universidade Columbia, o que, por sua vez, pode fazer aumentar os níveis gerais de saúde e educação. Apesar da IA também poder eliminar alguns empregos, o FMI prevê que os mercados de trabalho em países mais pobres serão menos perturbados que os ricos. Outra possibilidade tentadora é que a IA possa ajudar a fornecer dados detalhados e em tempo real sobre lugares pobres e assim colaborar em todas as maneiras de desenvolvimento do trabalho.

Comecemos com a educação. Um aluno subsaariano típico passa seis anos na escola, mas retém apenas o equivalente a três anos de aprendizado, estimou em 2015 Wolfgang Lutz, do Centro Wittgenstein, em Viena. Um estudante japonês passa 14 anos na escola e absorve o equivalente a 16 anos de educação. Usando uma metodologia diferente, o Banco Mundial também constata que a educação é espetacularmente pior em países pobres em comparação com os ricos.

O empreendedor queniano Tonee Ndungu crê que a inteligência artificial pode ajudar a suprir esse lapso. Ele desenvolveu aplicativos que espera lançar este ano. Um deles, chamado Somanasi (“Aprenda comigo”), é feito para crianças, permite a estudantes questionar um chatbot falante a respeito de temas relacionados ao currículo escolar queniano. The Economist perguntou, “Como tirar uma porcentagem de uma fração?”, o chatbot ofereceu um exemplo trabalhado passo a passo.

Aprendizado de máquina

Um chatbot é capaz de dar atenção exclusiva para cada criança, a qualquer hora do dia, e nunca fica cansado (contanto que a bateria do seu telefone esteja carregada). E também pode ser adaptado para culturas locais. “Eu só vi um açaí com 30 anos”, afirma Ndungu. “Então nós dizemos que ‘A é de animal’.” O serviço também pode ser adaptado para diferentes estilos de aprendizado. Pode ilustrar uma divisão dizendo para as crianças quebrarem um lápis pela metade e repetir a tarefa. Dependendo das diferentes maneiras que os alunos respondem, a inteligência artificial é capaz de constatar se sua abordagem está ou não funcionando e afinar precisamente a maneira que interage com eles. Algumas crianças querem mais números; outras gostam de histórias. O chatbot se adapta.

Ele ainda não é capaz de corrigir lição de casa. Mas a Kytabu, a empresa de Ndungu, também oferece um aplicativo para professores chamado Hodari (“Valente”) que alivia a carga de trabalho elaborando planos de aulas passo a passo. O aplicativo ajuda os professores a acompanhar o que os alunos entendem fazendo cada um deles responder perguntas em um smartphone. Um telefone por sala de aula é suficiente, afirma ele.

Até onde The Economist pôde perceber ao mexer nos aplicativos em um café com boa rede Wi-Fi, ambos funcionam bem. Mas a comprovação virá — e os bugs serão reparados — quando mais pessoas os usarem em salas de aulas e lares. No começo eles serão distribuídos gratuitamente; Ndungu espera eventualmente cobrar por extensões. Quanto mais crianças se registrarem, mais barato será fornecer o serviço. Se meio milhão assinarem, Ndungu prevê que o custo por criança cairia de U$ 3,50 ao mês (fora o telefone) para cerca de US$ 0,15.

Boas notas

Muitos empreendedores perseguem projetos similares, com frequência usando modelos de código aberto desenvolvidos em países ricos e às vezes com ajuda de entidades sem fins lucrativos como a Fundação Gates. O custo de fazer a inteligência artificial aprender novas línguas parece baixo. A IA já é usada para escrever livros infantis em línguas anteriormente obscuras demais para chamar a atenção das editoras comerciais.

A necessidade é gritante. Países em desenvolvimento têm pouquíssimos professores, muitos sem mestrado no currículo. Um estudo de 2015 (usando dados de até 2007) constatou que quatro quintos dos professores de matemática do 6.º ano na América do Sul não entendiam os conceitos que deveriam lecionar. Cerca de 90% das crianças de 10 anos na África Subsaariana não conseguem ler um texto simples.

Björkegren aponta para estudos recentes sugerindo que grandes ganhos são possíveis mesmo com tecnologias básicas. Um deles analisou uma abordagem segundo a qual escolas contratam professores modestamente qualificados e lhes dão “roteiros” detalhados para as aulas, por meio de tablets. O economista ganhador do Nobel Michael Kremer e outros pesquisadores estudaram 10 mil alunos escolarizados dessa maneira no Quênia, em instituições de ensino administradas pela Bridge International Academies, uma cadeia de escolas privadas que oferece educação a preços baixos. Eles constataram que, depois de em média dois anos, os alunos da Bridge tinham se graduado em quase um ano extra de currículo em comparação com os estudantes das escolas normais. Outro estudo, realizado na Índia, constatou que instrução personalizada e computadorizada é especialmente útil para alunos muito atrasados.

Aplicações na saúde

Usar inteligência artificial em assistência de saúde é mais arriscado. Se um chatbot educacional erra, um aluno pode ir mal em uma prova; se um chatbot médico alucina, um paciente pode morrer. Não obstante, os otimistas veem grande potencial. Alguns kits médicos dotados de IA já são usados amplamente em países ricos e começam a ser aplicados em lugares mais pobres. Exemplos incluem dispositivos de ultrassom capazes de interpretar escaneamentos e um sistema de detecção de tuberculose em raios-x de tórax. Traduções precisas realizadas por IA também podem facilitar que pacientes e trabalhadores da área da saúde no sul global explorem o conhecimento médico mundial.

Mesmo ferramentas imperfeitas de inteligência artificial melhoram sistemas de assistência de saúde no mundo em desenvolvimento, cujas falhas causam mais de 8 milhões de mortes anualmente, segundo uma estimativa. Em um estudo que envolveu nove países pobres e de renda média conduzido por Todd Lewis, de Harvard, e outros pesquisadores, 2 mil trabalhadores recém-graduados de atenção primária à saúde foram observados lidando com pacientes de clínicas. Eles realizaram tarefas corretas e essenciais exigidas por diretrizes clínicas em apenas 50% dos atendimentos.

Para habitantes de regiões remotas, mesmo uma clínica abaixo dos padrões pode ser distante ou cara demais. Muitos apelam para medicinas tradicionais, muitas delas inúteis ou prejudiciais. Curandeiros sul-africanos às vezes fazem incisões em pacientes para esfregar um pó tóxico impregnado de mercúrio, por exemplo. Ferramentas de inteligência artificial não precisam ser infalíveis para ser melhores que isso.

Uma equipe da Universidade de São Paulo (USP) está treinando uma inteligência artificial para responder dúvidas médicas. O objetivo é dar uma ferramenta para trabalhadores de atenção primária à saúde no Brasil, que às vezes têm pouco treinamento. Os pesquisadores estão usando uma base de dados de diretrizes cínicas do Ministério da Saúde brasileiro; em vez de toda a internet, que é útil para dicas de curandeirismos vodu. Antes de ser amplamente empregada, a IA tem de ser testada, ajustada e testada outra vez. Atualmente, quando fazemos perguntas precisas e técnicas, como, “Ivermectina é eficaz na prevenção de covid-19?”, seu índice de acerto é “muito, muito alto”, afirma Francisco Barbosa, um dos membros da equipe. O problema aparece quando lhe fazemos perguntas vagas, como humanos costumam fazer. Se dizemos, “Eu caí na rua. Como posso chegar a uma farmácia?”, a IA, que pode não saber onde estamos, pode dar conselhos péssimos.

A inteligência artificial terá de melhorar, e seus usuários terão de aprender como utilizá-la da melhor maneira, afirma Barbosa. Ele está confiante do que ocorrerá: “É clichê (dizer isto), mas a IA está mudando tudo”. Equipar um novo hospital custa milhões de dólares. Treinar um novo médico leva anos. Se a IA ajudar trabalhadores de assistência primária à saúde remunerados com salários baixos a tratar pacientes com sucesso, permitindo-os prescindir da necessidade de ir a um hospital, o Brasil poderá manter sua população mais saudável sem gastar mais.

Se a IA ajudar trabalhadores de assistência primária à saúde remunerados com salários baixos a tratar pacientes com sucesso, permitindo-os prescindir da necessidade de ir a um hospital, o Brasil poderá manter sua população mais saudável sem gastar mais

O Brasil tem um médico para cada 467 habitantes; o Quênia tem um para cada 4.425. A inteligência artificial poderia ajudar, afirma Daphne Ngunjiri, da Access Afya, uma empresa queniana que opera a plataforma virtual de assistência de saúde mDaktari, com 29 mil clientes. Por uma pequena mensalidade, os usuários podem pedir aconselhamento quando não se sentem bem.

Manipulando a máquina

A mDaktari adicionou um chatbot dotado de inteligência artificial ao sistema para um grupo de teste com 380 usuários. Ele registra suas demandas, processa os prompts para levantar mais informação e apresenta essa informação, juntamente com uma resposta sugerida, para um profissional de saúde, com frequência um enfermeiro. O profissional lê o material e, se o conselho for válido, o aprova e devolve para o cliente, com frequência encaminhando-o para uma farmácia ou uma clínica. Há, portanto, um humano no ciclo para vigiar e evitar erros, mas a inteligência artificial faz o trabalho que consome tempo reunindo informações a respeito de sintomas, o que possibilita ao enfermeiro lidar com mais pacientes. Se necessário, o enfermeiro pode telefonar para o paciente. Para relatar problemas de saúde constrangedores, como doenças sexualmente transmissíveis, alguns pacientes preferem conversar com um chatbot — que nunca os julga.

Virginia, uma cliente moradora de uma favela de Nairóbi, cuja família subsiste com trabalhos informais e uma horta no quintal, afirma que a mDaktari é simples e útil. Um dia ela se sentiu mal, consultou o aplicativo e foi orientada a tomar medicamentos que acabaram com a infecção no trato urinário que acabou detectada. “Eu posso até entrar em contato (com um enfermeiro) pelo meu telefone e conseguir (uma) resposta”, afirma ela.

Várias empresas estão testando dispositivos dotados de inteligência artificial para observar como os equipamentos funcionam em regiões pobres. A Philips, uma empresa holandesa, tem um programa-piloto no Quênia para um ultrassom portátil equipado com uma IA capaz de interpretar as imagens produzidas pelo dispositivo. Isso ajuda a solucionar um problema comum: muitas mulheres grávidas e especialistas em leitura de escâneres insuficientes.

Sadiki Jira trabalha como parteiro em um posto de saúde no Quênia que serve a aproximadamente 30 mil pessoas mas não conta com nenhum médico. Ele relatou o caso de uma paciente grávida cujo bebê tinha morrido dentro do útero, dois anos atrás. A mulher não percebeu nada de errado por várias semanas e só buscou ajuda quando começou a sangrar. Jira a encaminhou para um hospital, mas era tarde demais: ela morreu.

Jira usa agora um escâner dotado de inteligência artificial. Qualquer parteiro consegue, com treinamento mínimo, esfregar o dispositivo Philips na barriga de uma mulher grávida. A IA revela informações vitais, como a idade gestacional do feto, se ele está em apresentação pélvica e se a quantidade de líquido amniótico é adequada. “É fácil de usar”, afirma Jira.

A Philips planeja oferecer o dispositivo com inteligência artificial por US$ 1 ou US$ 2 ao dia em países pobres. Os maiores obstáculos para sua distribuição são regulatórios, afirma Matthijs Wassink, da Philips. Governos permitirão que doulas manipulem um processo que anteriormente exigia profissionais mais qualificados? O que acontecerá em lugares como a Índia, onde as regulações são especialmente rígidas em razão do temor de que as pessoas usem aparelhos de ultrassom para identificar fetos femininos e abortar?

O problema dos dados

Lugares mais pobres coletam menos dados. Quarenta e nove países estão há mais de 15 anos sem realizar censos rurais; 13 não realizaram censos genéricos nesse período. Números oficiais, quando existem, tendem a ser elogiosos a governos. Por exemplo, um estudo comparou estimativas oficiais a respeito de quanto milho estava sendo cultivado em pequenas fazendas na Etiópia, em Malawi e na Nigéria com resultados de pesquisas meticulosas (mas raras) nos lares. Os números oficiais eram muito mais rosáceos.

Imagens de satélite e aprendizado de máquina poderiam melhorar a qualidade e a pontualidade de dados nos países em desenvolvimento, argumentam Marshall Burke, da Universidade Stanford, e seus coautores de um artigo recente na revista Science. Cerca de 2,5 bilhões de pessoas vivem em lares que dependem de pequenas parcelas de terra. Até recentemente, era difícil medir a produção dessas propriedades: fotos de satélite não tinham definição suficiente e os dados eram difíceis de interpretar. Mas colocando inteligência artificial para trabalhar sobre novas imagens de vegetação, de alta resolução, Burke e David Lobell, também de Stanford, conseguiram mensurar rendimentos de safras tão precisamente quanto as pesquisas, mas com mais rapidez e menos custos. Isso poderia permitir análises frequentes e detalhadas de práticas agrícolas. Quanto fertilizante é necessário naquela colina? Que sementes funcionam melhor naquele vale? Esse tipo de conhecimento seria capaz de transformar modos de vida rurais, preveem os autores.

Da mesma forma que previsões meteorológicas melhores. A empresa americana Atmo afirma que suas previsões do tempo com uso de inteligência artificial são até 100 vezes mais detalhadas e 2 vezes mais acuradas que os boletins meteorológicos convencionais, porque a IA processa dados muito mais rapidamente. E isso também é barato. “Um segredo sujo da meteorologia (…) é que existem desigualdades imensas”, afirmou o diretor da Atmo, Alex Levy. Os boletins são menos detalhados e menos confiáveis em países pobres. “Os lugares (com) clima mais extremo também têm as piores previsões, (portanto) é mais provável eles serem pegos de surpresa e não conseguirem se preparar adequadamente.” O serviço da Atmo está sendo usado em Uganda e logo poderá ser aplicado nas Filipinas.

Censos são raridade em países pobres porque custam caro e tendem a ser manipulados. Na Nigéria, o dinheiro que cada Estado recebe do governo central é ligado à sua população — o que incentiva os Estados à fraude. Em 1991, em um formulário de censo com espaço para até nove moradores em cada residência, alguns Estados relataram exatamente nove em todos. Quando os resultados do censo de 2006 foram publicados, o governador de Lagos, Bola Tinubu, declarou furiosamente que sua população era o dobro da contagem oficial. A Nigéria não teve nenhum outro censo desde então. O novo presidente — por acaso, o próprio Tinubu — promete realizar um em 2024.

A inteligência artificial é capaz de gerar estimativas mais frequentes e mais detalhadas a respeito de quantas pessoas vivem em cada lugar — assim como sobre sua condição econômica. Luzes acesas à noite com frequência são usadas como referência de atividade econômica. Neal Jean, de Stanford, e outros pesquisadores tiraram fotos de dia e de noite de favelas na África e treinaram uma rede neural convolucional (uma forma de aprendizagem de máquina) para prever, a partir de imagens feitas durante o dia, quanta luz haveria durante a noite. Em outras palavras, a IA aprendeu a reconhecer quais edifícios, infraestruturas e outros indicadores tendem a apontar para atividade econômica. Ela foi capaz de prever 55-75% da variação de recursos entre os lares.

Esse tipo de informação poderia ajudar governos e entidades de caridade a avaliar melhor efeitos de esforços de ajuda a necessitados; poderia também ajudar empresas a entender mercados. Pesquisadores estão testando avidamente essas técnicas, mas os governos parecem lentos em adotá-las, lamenta Burke. Ele atribui isso em parte “aos potenciais benefícios para alguns formuladores de políticas de não ter determinados resultados mensurados”.

A inteligência artificial também poderia ajudar as pessoas a lidar com a burocracia que sufoca a produtividade em tantos países pobres. Registrar uma propriedade leva 200 vezes mais tempo no Haiti do que no rico Catar, de acordo com o Banco Mundial. E se a IA, que é imune ao tédio, fosse capaz de preencher formulários acuradamente o suficiente para poupar os humanos da tarefa? Em setembro, a Índia lançou um chatbot que permite a agricultores analfabetos tirar dúvidas oralmente a respeito de formulários para obtenção de ajuda econômica. Cerca de 500 mil testaram o sistema no primeiro dia.

Campo altamente minado

A inteligência artificial também apresenta riscos para países pobres. Eles geralmente são menos democráticos que os ricos, então muitos governos adotarão ferramentas de vigilância com IA lançadas pela China para monitorar e controlar seus povos. Países pobres são menos estáveis, então pode ser mais provável que deepfakes incendiários desvirtuem sua política ou desencadeiem violência. Agências reguladoras subfinanciadas e inexperientes podem ter dificuldades em impor salvaguardas apropriadas contra possíveis abusos.

E há grandes obstáculos para acionar inteligência artificial no mundo em desenvolvimento. O acesso à internet terá de melhorar. Alguns países se beneficiarão mais rapidamente que outros. A Índia tem 790 milhões de usuários de dispositivos móveis com banda larga, além de um sistema universal de identificação digital e um sistema de pagamentos em tempo real superbarato, notam Nandan Nilekani e Tanuj Bhojwani, dois diretores de empresas de tecnologia, na revista Finance & Development. Isso, argumentam eles, “coloca o país numa posição favorável para se tornar o maior usuário de IA até o fim desta década”.

A enorme incerteza a respeito de quão poderosa a tecnologia eventualmente se provará persiste. Mas o potencial benefício é grande o suficiente para produzir um tremor de empolgação. No melhor cenário, a inteligência artificial poderia ajudar populações inteiras a ter mais saúde, educação melhor e mais informação. Com o tempo, pode ajudá-las a superar a pobreza. / TRADUÇÃO DE GUILHERME RUSSO

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