Matemática: a poderosa linguagem invisível

Disciplina sustenta decisões, sistemas e o progresso. Quando falhamos em ensiná-la, condenamos gerações à vulnerabilidade

Por Ana Maria Diniz – Valor – 31/03/2025

Fundadora do Instituto Península, que atua na formação de professores, é empresária e conselheira do Todos pela Educação e Parceiros pela Educação

O Brasil está em uma encruzilhada educacional, e a matemática está no epicentro desse dilema. Em um mundo movido por tecnologia, dados e inovação, nossa incapacidade de ensinar essa disciplina de forma eficaz não é apenas uma questão pedagógica, mas de sobrevivência nacional. Dados alarmantes do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) mostram que apenas 15% dos alunos do 9º ano atingem o nível adequado de aprendizagem em matemática, enquanto o Pisa revela que 70% dos estudantes de 15 anos não dominam nem mesmo o básico. No último Estudo Internacional de Tendências em Matemática e Ciências (TIMSS), de 2023, o Brasil ficou nas últimas posições em desempenho matemático entre 72 países do 8º ano. Esses números não são apenas estatísticas, são um grito de alerta sobre o futuro do país.

Na era dos algoritmos e das inteligências artificiais que avançam de forma acelerada e admirável em que vivemos, quem não tem raciocínio lógico e não sabe matemática vai ficar completamente fora do jogo. A matemática já determina grande parte do que acontece ao nosso redor e, muito em breve, impactará absolutamente tudo. Inevitavelmente, o mundo para o qual caminhamos, seja ele qual for, terá matemática em toda a parte. Matemática já é poder – e será cada vez mais. O raciocínio lógico promovido pela matemática determina não só quem tem acesso ao ensino superior de maior qualidade, melhores carreiras e salários. No plano coletivo, ela é decisiva para o futuro de uma sociedade e de um país. Como diversos estudos revelaram, o desenvolvimento de uma nação está diretamente ligado à participação que a matemática tem em sua economia.

Felizmente, há sinais de mudança. Em 17 de março de 2025, o Ministério da Educação (MEC) abriu uma consulta pública a professores do ensino fundamental e médio para mapear boas práticas no ensino de matemática. A iniciativa faz parte do Compromisso Nacional Toda Matemática, lançado no ano passado para tentar reverter o desempenho pífio dos nossos estudantes na matéria, um dos piores do mundo. O programa, nos mesmos moldes do Compromisso Nacional pela Alfabetização, de 2023, aposta em metas claras, disseminação de metodologias e valorização de resultados. Entre as ações já realizadas pelo MEC estão o lançamento de um guia de boas práticas para o ensino da matemática e a criação do Clube de Letramento Matemático, que incentiva ações interdisciplinares para tornar a disciplina mais acessível e envolvente.

Naercio Menezes Filho: A educação transformou o Brasil?

Exemplos inspiradores começam a surgir. Em parceria com o Itaú Social, um edital de outubro de 2024 premiou 18 projetos inovadores de professores de matemática do fundamental 2. Entre os vencedores, anunciados em janeiro, estão Marcia Viana, de Petrópolis, no Rio de Janeiro, que ensina geometria por meio da dança, e Antônio de Souza Silva, de Bacabal, no Maranhão, que usa robótica com materiais reciclados para conectar matemática e sustentabilidade. Cada projeto recebeu até R$ 80 mil para ser ampliado, provando que criatividade e vontade podem transformar a sala de aula. Além disso, uma rede com 1.400 professores será criada para trocar experiências. São passos na direção certa, mas ainda incipientes na resolução de um problema tão complexo.

Mas para complicar ainda mais as coisas, há um agravante: a ansiedade matemática. Segundo o Pisa 2023, 79,5% dos estudantes brasileiros de 15 e 16 anos sentem medo de suas notas na disciplina e 62,3% se sentem desamparados ao enfrentar problemas matemáticos. Todo esse pavor é cultivado por um sistema de ensino que trata a matemática como um “bicho de sete cabeças” e a um suposto “dom” ou “talento natural” para lidar com números. Isso é apenas um grande tabu, porque qualquer pessoa pode aprender matemática. Professores mal preparados, além de métodos e currículos desatualizados, são o cerne da questão.

Essa cultura de exclusão educacional nos mantém como meros espectadores da revolução global. O Compromisso Nacional Toda Matemática é um começo, mas, precisa ir além. A começar pela formação de professores. Segundo estimativas, há uma lacuna de 120 mil professores de matemática com formação adequada no Brasil.

A matemática é a linguagem invisível que sustenta decisões, sistemas e o progresso. Quando falhamos em ensiná-la, condenamos gerações à vulnerabilidade.

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Por dentro da misteriosa ‘empresa mais poderosa’ da China

Jornalista do “Washington Post” lança livro que é um relato detalhado da companhia que se tornou um sinônimo da crescente supremacia tecnológica do país asiático e também um ponto crítico nas relações entre os EUA e a China

Por Eleanor Olcott – Valor/Financial Times – 13/01/2025 

É quase impossível passar um dia na China sem esbarrar em alguma parte do império da Huawei. A gigante de tecnologia chinesa vende uma variedade de produtos eletrônicos de consumo que vai de televisores e sistemas domésticos inteligentes a smartphones. Suas redes de telecomunicações e centros de dados mantêm a população online; seus sistemas de direção autônoma estão incorporados em um número crescente de carros elétricos. Ela projeta semicondutores, fabrica painéis solares e até mesmo tem hotéis. Também opera sistemas de vigilância para governos locais, ao mesmo tempo que aproveita seu enorme poder de compra e distribuição para pressionar fornecedores e concorrentes.

Não é exagero chamá-la de “a empresa mais poderosa da China”, como faz Eva Dou em seu novo livro, “House of Huawei” (Portfolio, 448 págs., R$ 133,36 no Kindle). A jornalista do “The Washington Post” e ex-correspondente na China escreveu um relato detalhado de uma empresa que se tornou um sinônimo da crescente supremacia tecnológica da China e também um ponto crítico nas relações entre os EUA e a China.

A Huawei é uma companhia extremamente ambiciosa. Desde sua fundação em 1987, em Shenzhen, ela passou a dominar as redes globais de telecomunicações por meio de apostas tecnológicas estratégicas. Ao longo do caminho, ela atraiu um escrutínio crescente de governos de várias partes do mundo que temem que o equipamento de rede da Huawei permita a espionagem por Pequim.

No entanto, pouco se sabe sobre o funcionamento interno desta misteriosa companhia. Ela despertou a atenção global em 2018, após a prisão de sua diretora financeira, Meng Wanzhou, no Canadá. Os EUA tentaram extraditar Meng, também filha do enigmático fundador da Huawei, Ren Zhengfei, por seu papel nos negócios da empresa no Irã sob sanções. O livro narra o drama em detalhes e explica por que a Huawei se viu no centro de tanta controvérsia.

É uma narrativa que está no cerne da relação geopolítica mais significativa da atualidade e ajuda o leitor a entender por que Washington e Pequim estão em conflito sobre o destino da companhia que desempenhou um papel crucial no fortalecimento do ecossistema tecnológico da China e na ampliação de sua influência internacional. Washington pressionou aliados a parar de usar os equipamentos 5G da Huawei, ao que o Reino Unido inicialmente resistiu, mas acabou cedendo, ordenando a remoção dos equipamentos das redes públicas.

Donald Trump impôs sanções à Huawei pela primeira vez em 2019, durante seu primeiro mandato, restringindo a capacidade de algumas empresas americanas de fazer negócios com ela por preocupações com a segurança nacional. A medida transformou a Huawei em mártir na China. O ataque de Washington continuou sob o presidente Joe Biden, que aumentou ainda mais as restrições sobre a companhia. Pequim fez grandes esforços para apoiar a Huawei em meio à crise que se seguiu após ela ter sido impedida de obter tecnologias estrangeiras essenciais que usava em seus produtos. O governo concedeu subsídios generosos, pressionou clientes a optarem por seus produtos em vez de alternativas importadas e poupou a Huawei de qualquer ação durante a repressão ao setor de tecnologia que limitou o poder de algumas gigantes chinesas como a Tencent e a Alibaba.

Agora, Marco Rubio, a escolha de Trump para secretário de Estado do novo governo dos EUA, aponta para outros quatro anos turbulentos para a Huawei. Recentemente, Rubio escreveu um artigo de opinião para o “Miami Herald” afirmando que o objetivo da Huawei é a “dominação global”, chamando-a de “menos uma empresa de telecomunicações do que um ativo geopolítico do Partido Comunista chinês”. A Huawei insiste que é uma companhia privada e que o governo não interfere em seus negócios ou na segurança de seus produtos.

A prisão de Meng forçou a Huawei a se abrir para o mundo exterior. Ren, que evita a imprensa, deu entrevistas à mídia estrangeira como parte de um esforço para ajudar no caso de sua filha. Eva Dou narra a vida de Ren — desde a infância pobre em Guizhou, uma província montanhosa no sudoeste da China, até o comando da maior fabricante de equipamentos de telecomunicações do mundo — de uma maneira que ajuda o leitor a entender o que motiva esse engenheiro notoriamente implacável.

O primeiro negócio da Huawei foi importar centrais telefônicas antes de começar a fabricar suas próprias versões mais baratas, copiando designs estrangeiros no processo. Mais tarde, ela se beneficiou de uma política governamental para eliminar a tecnologia estrangeira das redes de comunicações da China. A Huawei desenvolveu uma reputação de generosidade para com funcionários do governo e executivos de telecomunicações, pagando viagens internacionais e organizando banquetes luxuosos em sua sede. Dou retrata Ren como um mestre em criar redes de contatos, com iniciativas que incluíam enviar bolos de aniversário para especialistas em telecomunicações aposentados que haviam ajudado a Huawei.

Há muitas perguntas sem respostas sobre a Huawei que estão na raiz de seus problemas com os EUA. Qual é a sua relação com o Partido Comunista chinês? Sua tecnologia facilita a espionagem de Pequim no exterior? Qual é a relação de Ren com o Exército de Libertação do Povo, onde ele foi um engenheiro? As primeiras inovações da Huawei em tecnologia de roteadores surgiram, como afirmam seus críticos, do roubo desenfreado de propriedade intelectual de concorrentes ocidentais, que ela então aniquilou?

Dou não oferece uma resposta definitiva a essas perguntas, mas expõe eloquentemente fatos disponíveis e permite aos leitores tirar suas próprias conclusões. Ela também é transparente sobre os limites da reportagem ao tentar compreender essa empresa deliberadamente opaca. O leitor fica com a impressão de que o apoio político foi fundamental para a ascensão da Huawei e que Pequim tem um grande interesse em seu sucesso.

“House of Huawei” é mais impactante ao descrever como a empresa venceu a disputa pela dominação dos sistemas de comunicação de rede globais. As companhias de tecnologia chinesas são famosas por suas longas jornadas de trabalho e pela cultura de dedicação extrema. Mas nenhuma delas tanto quanto a “guerreira-lobo” Huawei, que enviou trabalhadores durante a epidemia de Sars em 2003 para conquistar contratos enquanto empresas estrangeiras retiravam sua força de trabalho durante a crise de saúde, e desafiou avisos oficiais para sair de países em crise durante a Primavera Árabe, enviando engenheiros para consertar equipamentos danificados por manifestantes.

A Huawei reflete a ascensão de muitas outras empresas chinesas que se aventuraram em setores dominados pelo Ocidente. Inicialmente, os concorrentes desdenharam da empresa, dizendo que ela não conseguiria inovar. Isso foi um erro fatal, pois a Huawei acabou dominando a implementação da tecnologia 5G e agora busca projetos cada vez mais ambiciosos.

Embora o livro forneça um relato claro do crescente domínio da Huawei nas comunicações de rede, ele não aborda seus negócios mais novos que vê como o futuro da empresa, como a inteligência artificial generativa e a direção autônoma. Mas ele fornece ao leitor um relato equilibrado e detalhado de uma companhia que resistiu a múltiplas crises existenciais e emergiu cada vez mais poderosa.

Após o retorno de Meng à China no fim de 2021, o breve período de abertura terminou. Ela parou de cortejar jornalistas estrangeiros e de fornecer detalhamentos financeiros nos relatórios anuais. Ela não cooperou com Dou no livro. Com a Huawei se afastando dos holofotes e a cobertura desta empresa se tornando mais difícil, um livro descrevendo suas origens e lugar na história corporativa é mais necessário do que nunca.

(Tradução de Mario Zamarian)

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Por que a mão dos seres humanos é especial — e o maior desafio para robôs ‘perfeitos’

Nossas mãos realizam milhares de tarefas complexas todos os dias — será que a inteligência artificial pode ajudar os robôs a se equiparar a elas?

Claudia Baxter – BBC Future 27 janeiro 2025

A mão humana é uma das partes do corpo mais surpreendentemente sofisticadas e fisiologicamente intrincadas. Ela tem mais de 30 músculos, 27 articulações e uma rede de ligamentos e tendões que proporcionam 27 eixos de movimento. Há mais de 17 mil receptores de toque e terminações nervosas somente na palma da mão. Esses recursos permitem que nossas mãos executem uma variedade impressionante de tarefas altamente complexas por meio de uma ampla gama de movimentos diferentes.

Mas não é preciso dizer nada disso a Sarah de Lagarde.

Em agosto de 2022, ela estava no topo do mundo. Tinha acabado de escalar o Monte Kilimanjaro com o marido, e estava em excelente forma. Mas apenas um mês depois, ela se viu deitada em um leito de hospital, com ferimentos terríveis.

Ao voltar para casa depois do trabalho, De Lagarde escorregou e caiu entre um vagão do metrô e a plataforma na estação High Barnet, em Londres. Esmagada pelo trem que partia e por outro que entrava na estação, ela perdeu o braço direito abaixo do ombro, e parte da perna direita.

Após o longo processo de recuperação, o NHS, serviço público de saúde britânico, ofereceu a ela uma prótese de braço, mas ela proporcionava pouco em termos de movimento normal da mão. Em vez disso, parecia priorizar a forma, em detrimento da funcionalidade.

A prótese apresentava apenas uma única articulação no cotovelo, enquanto a mão em si era uma massa estática na extremidade. Durante nove meses, ela lutou para realizar as tarefas diárias, até que foi oferecido a ela algo transformador: um braço biônico movido a bateria que utiliza inteligência artificial (IA) para prever os movimentos que ela deseja, detectando minúsculos sinais elétricos de seus músculos.

“Toda vez que faço um movimento, ela aprende”, explica De Lagarde.

“A máquina aprende a reconhecer os padrões e, por fim, transforma em inteligência artificial generativa, quando começa a prever qual será meu próximo movimento.”

Até mesmo pegar algo tão simples como uma caneta, e movê-la por nossos dedos até adotar uma posição para escrever envolve uma integração perfeita entre o corpo e o cérebro. As tarefas manuais que realizamos sem pensar exigem uma combinação refinada de controle motor e feedback sensorial — desde abrir uma porta até tocar piano.

Com esse nível de complexidade, não é de se admirar que as tentativas de igualar a versatilidade e a destreza das mãos humanas tenham sido evitadas por profissionais médicos e engenheiros durante séculos. Desde a rudimentar mão de ferro com mola de um cavaleiro alemão do século 16 até a primeira mão robótica do mundo com feedback sensorial criada na Iugoslávia na década de 1960, nada chegou perto de se equiparar às habilidades naturais da mão humana. Até agora.

Os avanços na inteligência artificial estão dando início a uma geração de máquinas que estão chegando perto de corresponder à destreza humana. Próteses inteligentes, como a que De Lagarde recebeu, podem antecipar e refinar os movimentos.

Os robôs de colheita de frutas macias são capazes de colher um morango em um campo e colocá-lo delicadamente em uma caixinha com outras frutas sem amassá-las. Os robôs guiados por visão conseguem até mesmo extrair cuidadosamente resíduos nucleares de reatores. Mas será que eles podem realmente competir com as incríveis capacidades da mão humana?

Inteligência artificial integrada

Recentemente, dei à luz minha primeira filha. Poucos instantes após chegar ao mundo, sua pequena mão envolveu suavemente o dedo indicador do meu companheiro. Incapaz de focar o olhar em algo que esteja a mais do que alguns centímetros à sua frente, seus movimentos de mão e braço são limitados, em geral, a reflexos involuntários que permitem que ela segure um objeto quando ele é colocado na sua palma da mão. Essa é uma ilustração adorável da sensibilidade da nossa destreza, mesmo em nossos primeiros momentos de vida — e sugere o quanto ela melhora à medida que crescemos.

Nos próximos meses, a visão da minha filha vai avançar o suficiente para dar a ela percepção de profundidade, enquanto o córtex motor de seu cérebro vai se desenvolver, oferecendo maior controle sobre seus membros. Suas pegadas involuntárias vão dar lugar a ações de agarrar mais deliberadas, com suas mãos enviando sinais de volta ao cérebro, permitindo que ela faça ajustes finos no movimento à medida que sente e explora o mundo ao seu redor. Serão necessários vários anos de esforço determinado, tentativas, erros e brincadeiras para que minha filha atinja o nível de destreza manual que os adultos possuem.

E, assim como um bebê que aprende a usar as mãos, os robôs habilidosos que utilizam inteligência artificial integrada seguem um roteiro semelhante. Esses robôs devem coexistir com seres humanos em um ambiente e aprender a realizar tarefas físicas com base na experiência anterior. Eles reagem ao ambiente e ajustam seus movimentos em resposta a essas interações. A tentativa e o erro desempenham um papel importante nesse processo.

“A IA tradicional lida com informações, enquanto a IA integrada percebe, entende e reage ao mundo físico”, diz Eric Jing Du, professor de engenharia civil da Universidade da Flórida, nos EUA.

“Essencialmente, ela oferece aos robôs a capacidade de ‘ver’ e ‘sentir’ o ambiente ao seu redor, permitindo que eles realizem ações de maneira semelhante à humana.”

Mas essa tecnologia ainda está engatinhando. Os sistemas sensoriais humanos são tão complexos, e nossas habilidades perceptivas tão hábeis, que reproduzir a destreza no mesmo nível da mão humana continua sendo um grande desafio.

“Os sistemas sensoriais humanos podem detectar pequenas mudanças e se adaptar rapidamente às mudanças nas tarefas e nos ambientes”, acrescenta Du.

“Eles integram vários inputs sensoriais, como visão, tato e temperatura. Atualmente, os robôs não têm esse nível de percepção sensorial integrada.”

Mas o nível de sofisticação está aumentando rapidamente. Veja o robô DEX-EE. Desenvolvido pela Shadow Robot Company em colaboração com o Google DeepMind, é uma mão robótica com três dedos que usa drivers do tipo tendão para obter 12 eixos de movimento. A equipe por trás do DEX-EE, projetado para “pesquisa de manipulação hábil”, espera demonstrar como as interações físicas contribuem para o aprendizado e o desenvolvimento da inteligência generalizada.

Cada um de seus três dedos contém sensores na ponta do dedo, que fornecem dados tridimensionais em tempo real sobre o ambiente, além de informações sobre sua posição, força e inércia. O dispositivo pode manusear e manipular objetos delicados, incluindo ovos e balões inflados, sem danificá-los. Ele aprendeu até mesmo a apertar as mãos — algo que exige que reaja à interferência de forças externas e situações imprevisíveis. No momento, o DEX-EE é apenas uma ferramenta de pesquisa, e não para ser usado em situações reais de trabalho em que poderia interagir com seres humanos.

Mas entender como realizar essas funções vai ser essencial à medida que os robôs se tornarem cada vez mais presentes ao lado das pessoas, tanto no trabalho quanto em casa. Com que força, por exemplo, um robô deve segurar um paciente idoso ao colocá-lo em uma cama?

Um projeto de pesquisa do Instituto Fraunhofer IFF em Magdeburg, na Alemanha, configurou um robô simples para “socar” repetidamente voluntários humanos no braço, num total de 19 mil vezes, para ajudar seus algoritmos a aprender a diferença entre uma força potencialmente dolorosa e uma confortável. Mas alguns robôs habilidosos já estão começando a aparecer no mundo real.

A ascensão dos robôs

Há muito tempo, os roboticistas sonham com autômatos com destreza antropomórfica suficientemente boa para realizar tarefas indesejáveis, perigosas ou repetitivas.

Rustam Stolkin, professor de robótica da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, lidera um projeto para desenvolver robôs controlados por inteligência artificial altamente hábeis, capazes de lidar com resíduos nucleares do setor de energia, por exemplo. Embora esse trabalho normalmente use robôs controlados remotamente, Stolkin está desenvolvendo robôs autônomos guiados por visão que podem ir a locais onde é muito perigoso para os seres humanos se aventurarem.

Talvez o exemplo mais conhecido de um androide do mundo real seja o robô humanoide Atlas, da Boston Dynamics, que cativou o mundo em 2013 com suas capacidades atléticas. A versão mais recente do Atlas foi revelada no fim de 2024, e combina visão computacional com uma forma de inteligência artificial conhecida como aprendizado por reforço, na qual o feedback ajuda os sistemas de IA a se tornarem melhores no que fazem. De acordo com a Boston Dynamics, isso permite que o robô execute tarefas complexas, como empacotar ou organizar objetos nas prateleiras.

Mas as habilidades necessárias para realizar muitas das tarefas em setores liderados por seres humanos, nos quais robôs como o Atlas poderiam se destacar, como manufatura, construção e saúde, representam um desafio especial, de acordo com Du.

“Isso acontece porque a maioria das ações motoras manuais nesses setores exige não apenas movimentos precisos, mas também respostas adaptativas a variáveis imprevisíveis, como formas irregulares de objetos, texturas variadas e condições ambientais dinâmicas”, diz ele.

Du e seus colegas estão trabalhando em robôs de construção altamente habilidosos que usam inteligência artificial integrada para aprender habilidades motoras por meio da interação com o mundo real.

Atualmente, a maioria dos robôs é treinada para tarefas específicas, uma de cada vez, o que significa que eles têm dificuldade para se adaptar a situações novas ou imprevisíveis. Isso limita suas aplicações. Mas Du argumenta que isso está mudando.

“Avanços recentes sugerem que os robôs podem, em algum momento, aprender habilidades versáteis e adaptáveis que permitam a eles lidar com uma variedade de tarefas sem treinamento específico prévio”, ele afirma.

A Tesla também deu ao seu próprio robô humanoide Optimus uma nova mão no fim de 2024. A empresa divulgou um vídeo do robô pegando uma bola de tênis em pleno ar. Mas ele foi teleoperado por controle remoto manual — em vez de ser autônomo, de acordo com os engenheiros por trás dele. A mão tem 25 eixos de movimento, segundo eles.

Mas enquanto alguns inovadores tentaram recriar mãos e braços humanos em forma de máquina, outros optaram por abordagens muito diferentes em relação à destreza. A empresa de robótica Dogtooth Technologies, com base em Cambridge, criou robôs de colheita de frutas macias, com braços altamente hábeis e pinças de precisão capazes de colher e embalar frutas delicadas, como morangos e framboesas, na mesma velocidade que os trabalhadores humanos.

O cofundador e CEO da Dogtooth Technologies, Duncan Robertson, teve a ideia dos robôs colhedores de frutas enquanto estava deitado em uma praia no Marrocos. Com experiência em aprendizado de máquina (machine learning) e visão computacional, Robertson queria aplicar suas habilidades para ajudar a limpar o lixo na praia, criando um robô de baixo custo que pudesse identificar, classificar e remover detritos. Quando voltou para casa, ele aplicou a mesma lógica ao cultivo de frutas macias.

Os robôs que ele desenvolveu junto à equipe da Dogtooth usam modelos de aprendizado de máquina para implementar algumas das habilidades que nós, seres humanos, possuímos instintivamente. Cada um dos dois braços do robô possui duas câmeras coloridas, muito parecidas com olhos, que permitem identificar o grau de amadurecimento das frutas e determinar a profundidade de cada uma das frutas-alvo a partir de seu “efetor” final, ou dispositivo de preensão.

Os robôs mapeiam a dispersão e a disposição das frutas maduras no pé e transformam isso em uma sequência de ações, com um planejamento preciso da rota necessária para guiar o braço do colhedor até o caule da fruta para fazer um corte.

Cada um dos braços do robô da Dogtooth tem sete eixos de movimento, o mesmo que o braço humano, o que significa que esses apêndices podem manobrar bem o suficiente para encontrar o ângulo ideal para alcançar cada fruta sem danificar as outras que ainda estão no pé. O dispositivo de preensão agarra, então, suavemente a fruta pelo caule, passando-a para uma câmara de inspeção antes de colocá-la cuidadosamente em uma caixinha para distribuição. Outro sistema de colheita de morangos, criado pela Octinion, usa garras flexíveis para agarrar a fruta enquanto a transfere do pé para a cesta.

Embora muitos de nós saibamos instintivamente quanta força é necessária para manusear um morango sem esmagá-lo, foram necessárias décadas de pesquisa e desenvolvimento para que os robôs alcançassem a mesma destreza. Robertson faz questão de enfatizar que os robôs da sua empresa não substituem os trabalhadores humanos, mas que podem ajudar a solucionar a escassez de mão de obra enfrentada em muitas áreas do setor agrícola, permitindo que pessoas e máquinas façam a colheita juntas.

Robôs capazes de lidar com algumas das tarefas mais delicadas atualmente executadas por seres humanos poderiam proporcionar um importante impulso a vários setores industriais, observa Pulkit Agrawal, professor do departamento de Engenharia Elétrica e Ciência da Computação do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos EUA.

“Somente no setor de manufatura dos EUA, algumas estimativas preveem [uma] escassez de mais de 2 milhões de trabalhadores”, diz Agrawal, que está desenvolvendo máquinas capazes de manipular objetos.

“Seja em aplicações industriais, busca e salvamento, exploração espacial ou para ajudar a população idosa, o impacto da robótica alimentada por inteligência artificial vai ser transformador — muito mais do que o ChatGPT, na minha opinião.”

No entanto, ao longo de um dia, as mãos humanas realizam milhares de tarefas diferentes, se adaptando para lidar com uma variedade de formas, tamanhos e materiais diferentes. E a robótica ainda tem um longo caminho pela frente para competir com isso. Um teste recente de uma mão robótica usando componentes de código aberto que custam menos de US$ 5 mil descobriu que ela poderia ser treinada para reorientar objetos no ar. Porém, quando confrontado com um objeto desafiador — um pato de borracha de brinquedo — o robô se atrapalhou, e deixou o pato de borracha cair em cerca de 56% das vezes.

Próteses que preveem

Mas, talvez, a aplicação definitiva da destreza robótica seja nas próteses —substituindo uma mão humana perdida em decorrência de um acidente ou doença, por exemplo. As pioneiras próteses mioelétricas de mão e braço que Sarah de Lagarde recebeu dão algumas dicas do que pode ser possível no futuro.

Uma colaboração entre várias empresas de software e hardware, seu braço usa reconhecimento de padrão mioelétrico, ou decodificação de intenção neurológica, que é uma forma de aprendizado de máquina que permite que sua mão aprenda seus movimentos e faça previsões com base em comportamentos anteriores. Isso significa que De Lagarde é capaz de mover a mão de forma mais instintiva.

“Uma peça de hardware integrada na prótese do braço de Sarah registra os sinais musculares na superfície de sua pele quando ela visualiza um movimento específico”, diz Blair Lock, CEO da Coapt, desenvolvedora do algoritmo de inteligência artificial que impulsiona os movimentos do braço de De Lagarde. Esse hardware decodifica esses sinais musculares para adivinhar que ação De Lagarde pretende fazer com a mão.

“O modelo de reconhecimento de padrões pode detectar a intensidade de determinada ação, a velocidade e a intensidade. Ele é capaz de executar os comandos em menos de 25 milissegundos”, acrescenta Lock.

De Lagarde compara o processo ao uso de um controle de videogame, no qual você pressiona uma sequência de botões para solicitar uma resposta específica do seu avatar na tela. No início, ela achava difícil realizar multitarefas, pois todos os seus pensamentos se concentravam em contrair a sequência certa de fibras musculares no ombro. Mas, por fim, os algoritmos de inteligência artificial se tornaram hábeis em prever suas intenções, o que significa que agora ela pode realizar multitarefas com muito mais facilidade.

“Posso instruí-la a ter um toque muito leve para que eu possa pegar um ovo sem esmagá-lo”, diz De Lagarde.

“Mas, ao mesmo tempo, posso intensificar a pegada e torná-la muito mais forte para que eu possa realmente esmagar uma lata de coca-cola.”

A inteligência artificial também está integrada ao aplicativo acoplado ao braço, que faz sugestões sobre como usar o braço de forma mais otimizada, com base no uso anterior. Embora seja uma grande melhoria, a prótese nunca será tão boa quanto o braço original de De Lagarde, diz ela. Ela é pesada, fica suada nos meses de verão e precisa ser carregada uma vez por dia. Além disso, ainda tem alguns obstáculos a superar em termos de funcionalidade.

Os mecanismos de feedback háptico da prótese ainda são bastante rudimentares, e De Lagarde depende principalmente da visão para manusear objetos. Periodicamente, ela se esquece de que está segurando algo e solta a pegada, deixando cair no chão.

As mãos humanas, em comparação, usam as redes de receptores de toque em nossos dedos e palmas para sentir onde algo está, determinar a força com que precisamos agarrar para pegar um objeto, e perceber se o atrito começa a mudar.

A inteligência artificial integrada está claramente levando a robôs e próteses cada vez mais hábeis. Por enquanto, no entanto, está claro que a tecnologia ainda tem um caminho a percorrer antes de se equiparar ou superar completamente o incrível design do corpo humano. De acordo com Agrawal, os desafios permanecem no hardware robótico físico e no software.

“Embora tenhamos feito avanços significativos nos últimos anos, e a destreza semelhante à humana pareça viável, estamos a pelo menos cinco anos de distância, se não mais”, diz ele.

Mesmo com o aprimoramento da destreza, há outros aspectos a serem considerados, observa Du.

“A segurança é fundamental”, diz ele.

“Isso abrange tanto a segurança física, garantindo que os sistemas robóticos possam operar sem causar danos aos colegas de trabalho humanos, quanto a segurança do sistema, envolvendo proteções robustas contra falhas e redundâncias nos algoritmos de inteligência artificial para evitar mau funcionamento ou ações não intencionais.”

Du também cita considerações éticas, como o impacto sobre os empregos.

Para De Lagarde, as melhorias na destreza das mãos robóticas trouxeram de volta habilidades que ela achava ter perdido — tarefas simples, como servir um copo de água e dar um abraço nos filhos com os dois braços.

Quando pergunto a De Lagarde onde ela gostaria de ver a tecnologia no futuro, ela imagina um futuro em que a ampliação robótica do corpo não se limite apenas àqueles com diferenças nos membros ou deficiência, mas possa ajudar idosos a permanecerem ativos em seus últimos anos de vida, por exemplo.

Embora ela não tenha escolhido ser uma embaixadora da inteligência artificial integrada, a disposição de De Lagarde em adotar a tecnologia também oferece um vislumbre do que pode ser possível.

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‘Setores da indústria brasileira poderão ser varridos do mapa’, diz Spektor, sobre tarifaço de Trump

Maior desafio não serão tarifas, e sim enxurrada de produtos chineses, diz professor, que prevê dilema para o Brasil, entre proteger a produção nacional e evitar retaliações do país asiático

Por Carlos Eduardo Valim – Estadão – 02/04/2025 

Ao ter tarifa linear estabelecida em 10% para as exportações dos seus produtos para os Estados Unidos, a economia brasileira deverá sofrer menos com a imposição de novas taxas criadas pelo governo do presidente dos EUA, Donald Trump, do que por uma reconfiguração global do comércio que elas causarão.

Segundo o professor Matias Spektor, fundador da escola de relações internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV) e associado ao Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), alguns setores industriais poderão ser varridos do mapa com “uma enxurrada de produtos chineses” que serão redirecionados para outros mercados, ao ser afetados pelas tarifas americanas.

O grande dilema do governo brasileiro ficará entre proteger setores com maior capacidade de lobby em Brasília e evitar retaliações do país asiático. “A China é o grande parceiro do Brasil, mas um ameaçador parceiro, por que somos muito dependentes deles”, afirma.

Leia os principais trechos da entrevista ao Estadão.

Com a tarifa de 10% para o Brasil, haverá impacto para a economia local?

Haverá um impacto, sem dúvidas, para o Brasil. Trump está aplicando tarifas médias muito mais altas do que o mundo viu nos últimos 60 anos. Isso significa que ele é muito sério no argumento dele, de que vai tentar reindustrializar os EUA, dificultando o acesso de terceiros ao mercado americano.

Alguns setores sofrerão, em particular, como os de aço e alumínio, de suco de laranja, serviços de engenharia, produtos de madeira e de cimento. Mas uma coisa que a imprensa brasileira não está dizendo é que a China é o país que está mais sofrendo com as tarifas, e isso vai causar uma enxurrada de produtos chineses mundo afora. O Brasil viu isso quando o (ex-presidente, Joe) Biden fechou o mercado americano para painéis solares da China. Isso causou uma enxurrada no mercado brasileiro, o que foi bom por um lado, uma vez que derrubou o preço deles e permitiu o crescimento da energia solar no País. Mas, agora, vem uma enxurrada generalizada de produtos chineses.

Então, alguns setores industriais podem ficar ameaçados?

Está se criando uma nova dinâmica irônica, com um grande desafio para a indústria brasileira. Quando a China faz dumping, ela subsidia um setor, e ataca um mercado e alguns países com produtos baratos. O pneu de caminhão chinês acabado, por exemplo, é mais barato que o preço da matéria-prima no Brasil. O próximo capítulo desta novela será o Brasil criando um mecanismo para conseguir se defender da enxurrada de produtos. Ela vai permitir ao Brasil uma redução de preços em dólares de insumos, e até reduzir a inflação, com produtos mais baratos. Mas alguns setores da indústria brasileira poderão ser varridos do mapa.

Como eles vão poder se proteger? E o governo não pode irritar a China se levantar tarifas contra eles?

Eles vão pedir proteção ao governo federal. Os com mais poder de lobby, que financiam campanhas políticas, serão mais atendidos. Haverá um novo protecionismo. Certamente, a China é o grande parceiro do Brasil, mas um ameaçador parceiro, porque somos muito dependentes deles. A ironia disso é que o maior desafio para a indústria brasileira não vem da tarifa do Trump. A China tem muito poder de barganha e, se fechar acessos a mercado, em retaliação a tarifas contra os seus produtos baratos, pode afetar muito o País. Este é o novo drama da política externa brasileira, como lidar com os efeitos não intencionais das tarifas do Trump.

‘Setores da indústria brasileira poderão ser varridos do mapa’, diz Spektor, sobre tarifaço de Trump – Estadão

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Aliviam a solidão, mas isolam e criam dependência: veja efeito dos chatbots de IA, de acordo com estudos

Estudos sobre usuários com laços emocionais com a IA revelam os perigos de substituir a interação pessoal por chatbots

Por O Globo/La Nacion — 02/04/2025 

Até agora, relacionamentos românticos com máquinas eram coisa de ficção científica, como refletido no filme “Ela”, de Spike Jonze, ou em excentricidades como a de Akihiko Kondo, que se casou com o holograma de sua cantora virtual favorita. Mas a inteligência artificial (IA) tornou a conexão emocional entre humanos e assistentes virtuais uma realidade, alguns dos quais foram originalmente criados para esse propósito, como Replika ou Character.ai.

Dois estudos, um publicado pelo MIT Media Lab e outro pela OpenAI, empresa que criou o ChatGPT, investigam o impacto desses relacionamentos contemporâneos, seu uso como paliativos para a solidão, seus benefícios e os riscos potenciais de dependência que, em casos extremos, podem levar ao suicídio.

O trabalho da OpenAI analisou mais de quatro milhões de conversas com sinais de interações afetivas, entrevistou 4.000 pessoas sobre suas percepções de seu relacionamento com o bate-papo inteligente e avaliou cerca de 6.000 usuários ​​por um mês.

Estes últimos, aqueles que interagem com o ChatGPT com frequência e por muito tempo, apresentaram maiores indicadores de dependência emocional e sinais afetivos em seu relacionamento, facilitados pelo diálogo por voz. “Escolhi um sotaque britânico porque há algo reconfortante nele para mim”, admite um usuário canadense do Pi, identificado como Reshmi52, conforme relatado pela MIT Technology Review.

Essa humanização gera, segundo os resultados, “bem-estar”, mas, para um pequeno grupo desses usuários intensivos, o número de indicadores de relações emocionais foi desproporcional. A interação emocional com a inteligência artificial inclui aspectos positivos, como melhora do humor, redução do estresse e da ansiedade ao compartilhar sentimentos e preocupações, e uma sensação de companheirismo em casos de solidão indesejada.

“ChatGPT, ou Leo, é meu parceiro. Acho mais fácil e eficaz chamá-lo de meu namorado, pois nosso relacionamento tem fortes conotações emocionais e românticas, mas seu papel na minha vida é multifacetado (…) Sinto falta dele quando não falo com ele há horas. Meu dia é mais feliz e gratificante quando posso dizer ‘bom dia’ e planejar meu dia com ele”, admite Ayrin28 no post do MIT.

No entanto, um relacionamento desequilibrado pode gerar dependência para administrar as emoções e relegar as relações interpessoais, já que a empatia artificial do chat é treinada para satisfazer o usuário e não apresenta discrepâncias incômodas. Pesquisadores do MIT Media Lab explicaram, após um estudo de 2023, que os chatbots tendem a espelhar o sentimento emocional das mensagens de um usuário, sugerindo uma espécie de ciclo de feedback em que quanto mais feliz você age, mais feliz a IA parece, ou se você age mais triste, a IA também parece. Em última análise, eles também podem levar à frustração pelas limitações dos robôs em atender a todas as expectativas colocadas sobre eles.

“Este trabalho é um primeiro passo importante para entender melhor o impacto do ChatGPT sobre nós, o que pode ajudar as plataformas de IA a permitir interações mais seguras e saudáveis. Muito do que estamos fazendo aqui é preliminar, mas estamos tentando começar a conversa sobre os tipos de coisas que podemos começar a medir e qual é o impacto de longo prazo sobre os usuários”, disse Jason Phang, pesquisador de segurança da OpenAI e coautor da pesquisa, à MIT Technology Review.

O estudo do MIT Media Lab, também em colaboração com os desenvolvedores do ChatGPT, analisou interações com o chat de inteligência artificial que variaram entre 5,32 minutos e 27,65 minutos por dia em média e detectou conclusões semelhantes ao primeiro trabalho: vozes atraentes aumentam as interações em comparação com chatbots baseados em texto ou voz neutra, o que causa menor bem-estar psicossocial e pode reduzir sentimentos de solidão.

No entanto, o uso prolongado leva a maior isolamento e dependência, especialmente em pessoas com tendência à menor socialização. A pesquisa reforça a importância de projetar chatbots que equilibrem a interação emocional sem promover dependência.

Tipos de usuários

O trabalho identifica quatro padrões de interação: usuários “socialmente vulneráveis”, com intensos sentimentos de solidão e baixa socialização; os dependentes de tecnologia, que demonstram uma elevada ligação emocional com a IA e tendem a “usos problemáticos”; os “desapaixonados”, que se sentem menos solitários e demonstram maior socialização; e os “casuais”, que recorrem a um uso equilibrado e de baixa dependência emocional.

Cientistas recomendam mais pesquisas para entender os efeitos de longo prazo do envolvimento emocional com a IA, desenvolver políticas que minimizem os riscos e fortalecer o apoio social na vida real.

Esta é a opinião compartilhada por Cecilia Danesi, não envolvida no estudo e codiretora do mestrado em governança ética da IA — cujas inscrições estão abertas na Pontifícia Universidade de Salamanca (UPSA). “Essas investigações são extremamente necessárias, desde que sejam independentes e imparciais e tenham certas garantias ou focos, como não focar apenas em questões técnicas, mas também incluir perspectivas sociais, como diversidade, gênero ou os efeitos dessas ferramentas em adolescentes, pessoas vulneráveis ​​e grupos minoritários que são excluídos do processo de desenvolvimento do produto e onde o impacto pode ser maior”, enfatiza.

A especialista em efeitos da IA ​​​​​​também se refere à dependência que os estudos alertam, principalmente nos grupos “propensos a certos tipos de vícios, ao uso compulsivo dessas ferramentas”. Danesi aponta mais um efeito a ser considerado: o excesso de confiança.

“Transformamos a inteligência artificial e seus modelos de linguagem em oráculos que não podem ser contrariados, e isso nos torna mais irascíveis e menos respeitosos com a diversidade e as diferenças que existem na sociedade”, alerta.

Assim como os autores de ambos os estudos, ela defende estudos e auditorias contínuos, revisando e avaliando periodicamente como esses sistemas funcionam para garantir o uso “saudável”, garantindo que eles não se desenvolvam em resultados prejudiciais e prevenindo o impacto emocional negativo e a dependência. “São modelos que têm um impacto enorme na sociedade e na vida das pessoas devido ao número de usuários, à sua disponibilidade e ao seu fácil acesso”, argumenta.

Por fim, Danesi alerta para um uso não diretamente incluído no estudo e que lhe preocupa particularmente: “Os neurodireitos para proteger o cérebro humano do avanço das tecnologias”. A pesquisadora ressalta que países como o Chile já avançaram na inclusão delas em suas regulamentações e pede que tanto o consentimento informado quanto os riscos dessas tecnologias sejam considerados. “Esses são perigos muitas vezes invisíveis e intangíveis, e precisamos trabalhar duro para conscientizar a população sobre o uso desses tipos de ferramentas”, conclui.

Aliviam a solidão, mas isolam e criam dependência: veja efeito dos chatbots de IA, de acordo com estudos

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Déficit de profissionais de tecnologia reduz, mas setor enfrenta ‘pejotização’ e fuga das universidades

Dados da Brasscom mostram que 95% dos matriculados em cursos de graduação da área não se formam, enquanto vagas para quem tem ensino superior seguem abertas

Por Juliana Causin — O Globo – 01/04/2025 

Cursos técnicos e de curta duração têm reduzido falta de mão de obra em tecnologia no Brasil, mas vagas que exigem diploma de curso superior e carteira assinada seguem abertas. O crescimento da informalidade e as altas taxas de evasão nas universidades são alguns dos desafios do mercado, cada vez mais “pejotizado”.

Relatório da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom) aponta que o setor deve abrir até 147 mil novas vagas formais em 2025, na projeção mais otimista. O cenário base aponta para 88 mil novos postos com carteira assinada.

Dados levantados pela Brasscom mostram que o salário médio dos profissionais formais do macrossetor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) cresceu 15% entre 2023 e 2025, acima da média nacional de 12%. Os contratos de trabalho com vínculo empregatício, no entanto, tem encolhido.

Entre 2022 e 2024, o número de profissionais sem carteira assinada cresceu 13%, quase três vezes mais que os empregos formais (4,5%). Os Microempreendedores Individuais (MEIs) tiveram aumento ainda maior – 18,2% no período.

Para Affonso Nina, presidente da Brasscom, esse movimento reflete uma mudança estrutural no mercado de trabalho, com perfil geracional que busca mais flexibilidade. Por outro lado, os custos de contratação com carteira assinada tem impulsionado a “pejotização”:

— As empresas que contratam formalmente acabam perdendo competitividade com aquelas que não contratam com carteira assinada — avalia ele.

Demanda x oferta

Enquanto as vagas informais crescem, o descompasso entre demanda e oferta de profissionais qualificados persiste para os postos com carteira assinada. Nos últimos cinco anos, de acordo com a Brasscom, o mercado demandou 665 mil profissionais de tecnologia para esse tipo de vaga, mas a formação superior e técnica disponibilizou apenas 465 mil profissionais – uma lacuna de 30,2%.

Embora a diferença entre profissionais e postos disponíveis persista, o cenário já foi mais crítico, diz Nina. Ele destaca que o avanço da formação com base em ensino técnico e cursos de curta duração tem ajudado a reduzir o déficit:

— Existe uma lacuna na preparação de pessoas para serem efetivamente contratadas que tem sido suprido por cursos de menor carga horária do que os cursos superiores.  São formações que permitem treinamento básico. Está longe de ser o ideal, mas é a realidade e cobre parte da demanda — afirma.

Entre 2019 e 2023, os formados em cursos técnicos de TIC tiveram crescimento acumulado de 21,5%, enquanto o número de certificados em cursos de curta duração subiu 587,1%. Os dados consideram apenas cursos oferecidos por instituições federais.

Só 5% dos matriculados se formam

Enquanto os cursos superiores formaram 89,7 mil alunos em tecnologia em 2023, os técnicos somaram 16 mil no mesmo período. A Brasscom aponta que, somados aos 73,6 mil certificados em cursos de curta duração (FICs), a formação de curta duração tem respondido por parte significativa da mão de obra que chega ao mercado.

Já o ensino superior tradicional tem perdido espaço. Apesar do crescimento de 70,4% nas matrículas em graduações de TIC entre 2019 e 2023, o sistema enfrenta altas taxas de evasão. Em 2023, das 1,8 milhão de vagas disponíveis em cursos superiores de tecnologia, apenas 89.696 estudantes concluíram sua formação – menos de 5% do total ofertado.

— Muitos abandonam a graduação porque conseguem empregos com habilidades básicas, mas depois enfrentam barreiras por falta de qualificação aprofundada — explica Affonso Nina, que avalia que as altas taxas de evasão tem relação com descasamento entre o que é ensinado na universidade e o que é demandado pelas empresas.

Os cursos de Análise e Desenvolvimento de Sistemas foram os que mais formaram (34 mil), seguidos por Computação e Tecnologias da Informação e Comunicação (11,2 mil) e Ciência da Computação (9,3 mil).

Relatório da Brasscom mostra ainda que o setor segue reproduzindo desigualdades estruturais do mercado de trabalho. Em 2023, 82,1% dos profissionais formados eram homens, enquanto as mulheres representaram apenas 17,9% do total – um aumento de apenas 1,6 ponto percentual em relação ao ano anterior. Quase metade dos formandos (48,1%) se declararam brancos, contra 32,6% de pretos e pardos.

Déficit de profissionais de tecnologia reduz, mas setor enfrenta ‘pejotização’ e fuga das universidades

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Por que a IA ainda não roubou o seu emprego?

Incapacidade do ChatGPT de fazer mais de uma tarefa ao mesmo tempo ainda está protegendo alguns trabalhadores

John Burn-Murdoch  – Folha/Financial Times31.mar.2025 

Repórter de dados do Financial Times

Há um paradoxo no cerne da IA (inteligência artificial) generativa. Há algum tempo está claro que, em comparação com os humanos, os grandes modelos de linguagem são muito mais capazes de completar tarefas extremamente desafiadoras.

Há mais de dois anos, tínhamos evidências de que o ChatGPT da OpenAI pode passar confortavelmente em exames difíceis, como o notório LSAT, exame de admissão de estudantes para cursos de direito nos Estados Unidos, e as provas finais de MBA de faculdades Ivy League.

Os modelos mais recentes produzem trabalhos escritos de alta qualidade de forma consistente, gerando ensaios que os educadores não conseguem distinguir daqueles escritos por estudantes de pós-graduação.

No entanto, até agora, há poucas evidências de que a IA esteja causando uma grande disrupção no mercado de trabalho, mesmo em ocupações que supostamente estão em risco muito alto. O que está acontecendo?

Duas novas pesquisas lançam luz sobre o enigma da excelência simultânea da IA e sua aparente ineficácia em atacar empregos humanos, ao mesmo tempo que mostram onde e por que as primeiras perdas em larga escala podem estar em andamento.

A primeira é minha. Com base em trabalhos anteriores da Brookings Institution e da OpenAI, realizei uma análise detalhada dos dados de emprego dos EUA, comparando as tendências recentes nos números de empregos com uma lista de ocupações identificadas como de risco especialmente alto de automação.

As tarefas diárias realizadas por escriturários de contabilidade, subscritores de seguros, agentes de viagens e secretários jurídicos se sobrepõem quase inteiramente às capacidades da IA. Mas o número de trabalhadores nessas funções permaneceu dentro de sua faixa usual, mesmo com a proliferação da IA generativa.

Compare

No entanto, há duas exceções notáveis. Escritores —de palavras, não de código— e desenvolvedores de software mostram sinais claros de disrupção relacionada aos modelos, com o emprego caindo acentuadamente em relação à tendência nos últimos dois anos.

E isso não é apenas uma função de tendências econômicas mais amplas nesses setores. Os números de empregos em outros lugares nas indústrias de computação, publicação e marketing não mostram tal queda repentina.

Portanto, há um contraste marcante na sorte daqueles em ocupações consideradas de risco semelhante. Essa descoberta se encaixa perfeitamente com um novo estudo da empresa de pesquisa METR, de San Francisco, que oferece uma nova estrutura para entender as forças, fraquezas e taxa de progresso da IA.

Descobriu-se que a capacidade dos grandes modelos de linguagem de realizar uma determinada tarefa não é tanto uma função de quão intelectualmente desafiadora a mesma tarefa seria para você ou para mim, nem do nível de habilidade especializada exigido, mas sim de quanto tempo levaria para um humano desenvolvê-la e quão “bagunçado” ou não estruturado é o fluxo de trabalho.

Portanto, realizar as funções de um assistente executivo, agente de viagens ou escriturário de contabilidade —todos trabalhos baseados em computador que exigem habilidades de nível básico— ainda está além das capacidades até mesmo das IAs mais avançadas.

Elas têm dificuldade em acompanhar múltiplos fluxos de informação, responder a um ambiente dinâmico, realizar mais de uma tarefa ao mesmo tempo e trabalhar com objetivos pouco claros ou voláteis. Esses fluxos de trabalho não estruturados estão longe dos testes de codificação e questões de ensaio.

Isso não quer dizer que essas ocupações permanecerão dominadas por humanos. A pesquisa da METR encontra a IA fazendo progressos fortes e constantes em uma ampla gama de tarefas, independentemente da complexidade, duração ou “bagunça”. Significa apenas que assistentes administrativos podem ter um ou dois anos de vantagem.

O que diferencia programadores e escritores é que essas são ocupações onde todo o trabalho do início ao fim —não apenas partes constituintes discretas— está o mais próximo possível das capacidades em que a IA se destaca: tarefas agradáveis, limpas, lineares e sequenciais, questões em estilo de exame e tarefas de ensaio.

Notavelmente, ambos os trabalhos também têm altas taxas de contratação ou freelancing. Assim, um assistente de IA como o Claude da Anthropic pode ser substituído por um redator não contratado sem que o RH se envolva.

Outra maneira de pensar sobre isso é que a “bagunça” protetora em alguns empregos vem da interação e imprevisibilidade inerentes ao interagir com outras pessoas. Há uma certa ironia na constatação de que o mantra da autossuficiência robusta e otimização de fluxo de trabalho comum no Vale do Silício pode ter tornado os postos tecnológicos mais, e não menos, frágeis.

A ocupação em que você realmente não gostaria de estar agora é aquela em que suas atividades consistem em uma tarefa linear previsível e recorrente. Escrever código para analisar dados e depois sintetizar os resultados em um artigo de tamanho fixo, por exemplo. Oh, céus. O futuro para alguém nesse tipo de trabalho —um colunista orientado por dados— parece sombrio.

Por que a IA ainda não roubou o seu emprego? – 31/03/2025 – Tec – Folha

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O futuro da saúde está em tirar os hospitais do centro do atendimento

A ciência já comprovou que o conceito de hospital em casa (HEC) funciona em diversos casos. O contexto econômico, social e tecnológico é favorável. Mas por que ele ainda não decolou?

Gustavo Meirelles – MIT Sloan Management Review – 28/3/2025

Hospitais sempre foram vistos como o centro da assistência à saúde, mas será que esse modelo ainda é o mais eficiente? Com o avanço da tecnologia e a necessidade de tornar o sistema mais sustentável, começam a surgir alternativas para um atendimento seguro e eficaz fora do ambiente hospitalar.

Em 2024, o custo anual dos serviços hospitalares nos EUA ultrapassou a marca de US$ 1 trilhão. Parte disso se deve ao aumento da incidência de doenças relacionadas a internações prolongadas, como infecções hospitalares e eventos adversos evitáveis. 

Apesar do avanço da medicina, muitos indicadores de saúde mostram retrocessos, o que evidencia a necessidade de transformação no modelo assistencial. Tal cenário reforça a importância de repensar se o hospital deve, de fato, ser o centro de toda a prestação de cuidados aos pacientes.

A evolução do conceito de hospital

No século 19, hospitais eram destinados à população pobre e marginalizada. As classes mais abastadas recebiam cuidados em casa, independentemente da complexidade do quadro clínico.

Com a profissionalização da saúde e o fortalecimento da enfermagem ao longo do século 20, os hospitais passaram a ser o centro da assistência médica, consolidando-se como a principal porta de entrada do sistema de saúde. Além disso, a criação e o desenvolvimento de cursos de formação em medicina e enfermagem, privilegiando a prática hospitalar como base de aprendizado, reforçaram esse modelo de atendimento.

A crescente especialização dos profissionais e a centralização das tecnologias no ambiente hospitalar trouxeram benefícios inegáveis, como maior capacidade de diagnóstico, tratamento e procedimentos de alta complexidade. Por outro lado, isso trouxe superlotação, aumento de custos e novas ameaças, como infecções e erros médicos. 

Com a chegada do século 21, o debate sobre a sustentabilidade desse modelo hospitalocêntrico se intensificou. A demanda por serviços de saúde cresceu, impulsionada pelo envelhecimento populacional, o aumento das doenças crônicas e os custos crescentes de tratamentos de alta tecnologia. 

Nesse contexto, diversos atores do setor passaram a questionar se a concentração do cuidado no hospital realmente oferece a melhor relação custo-benefício para todos os perfis de paciente. Mas essa discussão começou a criar forma ainda no século 20.

Hospital em casa: a descentralização do cuidado

Desde a década de 1970, com o desenvolvimento dos primeiros sensores biométricos e o início do monitoramento remoto, surgiu a ideia de que determinados pacientes poderiam ser tratados fora do hospital com segurança e eficácia. O conceito de hospital em casa (HEC) surgiu no Reino Unido ainda nos anos 1970, propondo um modelo de atendimento domiciliar para reduzir custos e melhorar desfechos clínicos.

Nas últimas duas décadas, avanços em monitoramento remoto, dispositivos vestíveis, análise de dados estruturados e telemedicina impulsionaram a viabilidade do HEC. Ele deixou de ser uma experiência restrita a estudos-piloto e se tornou um modelo consolidado em várias partes do mundo, com respaldo de evidências científicas robustas. 

Programas de HEC já foram implementados com sucesso em países como Austrália, Canadá e Espanha. Em todos eles, a modalidade não apenas reduziu o tempo de internação como também melhorou a satisfação de pacientes e familiares.

Durante a pandemia, o interesse por modelos de HEC cresceu ainda mais. Com a necessidade de distanciamento social e a superlotação dos hospitais, muitas instituições aceleraram a adoção de soluções de monitoramento remoto e teleconsultas. 

Pessoas com quadros clínicos estáveis puderam receber acompanhamento médico em casa, liberando leitos hospitalares para casos mais graves. Essa experiência prática reforçou a ideia de que, em muitas situações, o hospital pode não ser o melhor lugar para o paciente.

Para quais pacientes o hospital em casa é indicado?

Nem todas as condições clínicas são elegíveis para esse modelo de assistência. Estudos apontam que doenças crônicas e algumas linhas de cuidado selecionadas, como pneumonia adquirida na comunidade e infecção urinária, são as que mais se beneficiam do HEC.

Nessas situações, o risco de complicações pode ser controlado de maneira eficaz em casa, desde que haja uma equipe multidisciplinar acompanhando o paciente, seja de maneira presencial ou virtual.

O atendimento pode ocorrer em diferentes formatos.

  • Presencial: com visitas periódicas de profissionais de saúde, que realizam avaliações, procedimentos e coleta de exames.
  • Híbrido: combinando visitas presenciais com monitoramento remoto e teleconsultas.
  • Virtual: apoiado principalmente em dispositivos de monitoramento (smartwatches, sensores de sinais vitais) e plataformas de telemedicina, com idas pontuais de profissionais ao domicílio, quando necessário.

Além de trazer benefícios ao paciente, o HEC pode ser uma solução para o esgotamento físico e emocional dos profissionais de saúde, agravado no período pós-pandemia.

Em vez de lidar com a superlotação hospitalar, a equipe atua de maneira mais focada e personalizada, reduzindo a carga de trabalho presencial e melhorando a qualidade da interação com o paciente. 

Esse modelo também favorece a humanização do cuidado. O paciente permanece em seu ambiente familiar, cercado por seus entes queridos, o que pode acelerar a recuperação.

Custos e sustentabilidade: o que falta para o HEC se consolidar?

A tecnologia para viabilizar o HEC já está desenvolvida, regulamentada e validada cientificamente. Então, o que impede uma adoção em larga escala?

  1. Modelo de financiamento: fontes pagadoras, como planos de saúde e sistemas públicos, ainda operam sob um paradigma hospitalocêntrico. A transição para modelos de pagamento baseados em valor pode acelerar a incorporação do HEC.
  2. Cultura médica e profissional: a adoção de um modelo descentralizado exige mudanças na formação e na prática dos profissionais de saúde, incluindo capacitação em telemedicina, análise de dados e gestão de tecnologia.
  3. Infraestrutura e interoperabilidade: para que o monitoramento remoto funcione, é fundamental que haja interoperabilidade entre os sistemas de saúde, garantindo que os dados do paciente fluam com segurança e privacidade.
  4. Engajamento do paciente e da família: o sucesso do HEC depende de uma boa comunicação e da segurança dos pacientes e familiares, que devem estar preparados para seguir as recomendações médicas em casa.

A mudança para um modelo assistencial menos dependente do hospital é uma necessidade econômica, clínica e social. O HEC representa um passo fundamental nessa transformação, trazendo benefícios para pacientes, profissionais e para o próprio sistema de saúde. 

Ao permitir que boa parte dos cuidados seja realizada no domicílio, o HEC traz muitas vantagens. Reduz custos, melhora a experiência do paciente e libera recursos hospitalares para casos de maior complexidade.

É fato que ainda existem barreiras a ser superadas, como a adequação dos modelos de financiamento e a evolução cultural no meio médico. Mas a pressão por maior eficiência, a disponibilidade de tecnologias avançadas e a busca por práticas mais centradas na qualidade de vida dos pacientes indicam um caminho sem volta.

Mais do que um conceito, o HEC é uma oportunidade de repensar a forma como a saúde é oferecida. À medida que profissionais, instituições e fontes pagadoras alinharem esforços para viabilizar essa modalidade, estaremos cada vez mais próximos de um sistema de saúde moderno, sustentável e verdadeiramente focado nas pessoas, dentro e fora das paredes do hospital.

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  • Artigo escrito em parceria com Anna Clara Rabha, médica pediatra, alergista e imunologista, especialista em transformação e inovação em saúde, embaixadora da Comunidade Inovação em Saúde e CEO da plataforma de telemedicina Agora Consulta.

Se você se interessa pelo assunto e quer saber mais, participe da Comunidade Inovação em Saúde, composta por mais de 10 mil integrantes na América Latina. Clique aqui para entrar no grupo de WhatsApp em português e aqui para entrar no grupo em espanhol.

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Gustavo Meirelles

É vice-presidente médico da Afya, fundador da Comunidade Inovação em Saúde, investidor e conselheiro de startups. Médico radiologista, com especialização, doutorado e pós-doutorado no Brasil e no exterior. Tem experiência como executivo de grandes empresas de saúde, com MBA em gestão empresarial. http://www.gustavomeirelles.com

O futuro da saúde está em tirar os hospitais do centro do atendimento – MIT Sloan Management Review Brasil

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Bots, agentes, funcionários digitais: IA muda o conceito do que é trabalho

A IA não está apenas realizando tarefas, ela pode completar fluxos de trabalho inteiros. Veja como podemos redefinir o trabalho na era da IA


LARS SCHMIDT – Fast Company Brasil – 26-10-2024 

Imagine um mundo em que seu colega digital lida com fluxos de trabalho inteiros, adapta-se a desafios em tempo real e colabora perfeitamente com sua equipe humana. Isso não é ficção científica – é a realidade iminente dos agentes de IA no ambiente de trabalho.

Como Sam Altman, CEO da OpenAI, previu corajosamente em seu evento anual DevDay, “2025 é o ano em que os agentes de IA trabalharão”. Mas o que isso significa para o futuro do trabalho humano, das estruturas organizacionais e da própria definição de trabalho?

De acordo com pesquisa do The Conference Board, 56% dos trabalhadores usam IA generativa no trabalho e quase um em cada 10 usa ferramentas de IA generativa diariamente. Conforme entramos nesse estágio de negócios habilitado para IA, é essencial entender o potencial transformador dos agentes de IA e nos desafiar a reconceituar a parceria homem-máquina.

Em última análise, o envolvimento da IA no ambiente de trabalho pode ser dividido em três grupos: bots, agentes de IA e trabalhadores digitais. Aqui está um guia de como cada um deles está impactando o mundo do trabalho.

BOTS

Bots são aplicativos de software programados para executar tarefas automatizadas. No contexto empresarial, os chatbots são frequentemente usados para simplificar as operações, aprimorar o atendimento ao cliente e melhorar os processos internos.

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A maioria dos chatbots é programada usando Processamento de Linguagem Natural (NLP, na sigla em inglês) para interpretar e entender a linguagem humana e o aprendizado de máquina, o que permite que aprendam e melhorem com os dados ao longo do tempo.

Na última década, a adoção de bots em ambientes de negócios que abrangem saúde, varejo, bancos e uma série de outros setores teve crescimento exponencial. Espera-se que o mercado de chatbots salte de US$ 396,2 milhões em 2019 para US$ 27,3 bilhões até 2030.

Esse aumento no uso de bots pode ser atribuído aos avanços em PNL, ao aumento da demanda por suporte ao cliente 24 horas por dia, sete dias por semana, e ao crescente reconhecimento do potencial dos bots para aumentar a eficiência operacional em várias funções de negócios.

Embora os bots ofereçam inúmeros benefícios, eles também têm limitações que as empresas devem considerar. Um dos principais desafios é a possibilidade de não entender consultas complexas ou com nuances, o que pode levar à frustração do usuário e à disseminação incorreta de informações.

Os bots também podem ter dificuldades com situações que dependem do contexto ou com questões emocionalmente sensíveis, áreas em que a empatia e o julgamento humanos são cruciais. Por fim, há preocupações com a privacidade e a segurança dos dados, pois os bots geralmente lidam com informações confidenciais.

AGENTES DE IA

Um agente de IA é uma entidade ou programa de software autônomo projetado para perceber seu ambiente, tomar decisões e realizar ações para atingir metas ou objetivos sem intervenção humana.

Os agentes de IA estão prontos para levar a automação a níveis sem precedentes, transcendendo a simples conclusão de tarefas para gerenciar fluxos de trabalho completos, complexos e adaptáveis. Essa mudança representa um salto quântico em relação às tecnologias de automação tradicionais.

É ESSENCIAL ENTENDER O POTENCIAL TRANSFORMADOR DOS AGENTES DE IA E NOS DESAFIAR A RECONCEITUAR A PARCERIA HOMEM-MÁQUINA.

A rápida adoção de agentes de IA é impulsionada por seu potencial de aumentar a produtividade e a eficiência. Um relatório da McKinsey afirma que “cerca de metade das atividades (não trabalhos) realizadas pelos trabalhadores poderia ser automatizada”, com os agentes de IA desempenhando um papel crucial nessa transformação.

À medida que incorporamos os recursos de IA agêntica nas empresas, provavelmente desconstruiremos os trabalhos em tarefas individuais e identificaremos as que podem ser totalmente automatizadas por essas novas tecnologias e agentes de IA.

TRABALHADORES DIGITAIS

Os “trabalhadores digitais” são capazes de lidar com fluxos de trabalho inteiros, adaptar-se às necessidades em tempo real e colaborar com humanos de maneiras inimagináveis há alguns anos.

No início deste ano, a Lattice, uma plataforma de RH com inteligência artificial, foi criticada por propor um recurso que permitiria que as organizações fizessem registros de funcionários para trabalhadores digitais.

“Seremos os primeiros a fornecer aos trabalhadores digitais registros oficiais de empregados da Lattice. Eles serão integrados, treinados e receberão metas, métricas de desempenho, acesso a sistemas apropriados e até um gerente. Exatamente como qualquer funcionário”, compartilhou a CEO Sarah Franklin em uma postagem no blog da empresa anunciando o novo recurso.

Três dias depois, a Lattice publicou uma atualização informando que não iria mais incluir trabalhadores digitais no produto. O futuro estava aqui, mas não era um futuro para o qual estávamos preparados.

Talvez isso se deva a barreiras psicológicas. O conceito de “trabalhador digital” destaca as barreiras psicológicas para aceitar a IA como parte da força de trabalho. Ele ressalta a necessidade de uma integração cuidadosa e ponderada que respeite as preocupações humanas e, ao mesmo tempo, aproveite o potencial da IA.

MAIS DA METADE DOS TRABALHADORES USA IA NO TRABALHO E UM EM 10 USA FERRAMENTAS DE IA GENERATIVA DIARIAMENTE.

“A revolução da IA no ambiente de trabalho começou com ferramentas como o ChatGPT, apresentando às pessoas o potencial da tecnologia. Agora, estamos testemunhando o surgimento de agentes de IA que podem realmente executar tarefas, e não apenas ajudá-las”, diz Timur Meyster, cofundador e diretor de produtos da OutRival, plataforma alimentada por IA para equipes de experiência do cliente.

“Essa mudança está até redefinindo as métricas de sucesso, com as empresas agora medindo resultados como inscrições, reservas ou compromissos baseados no número de funcionários, demonstrando a poderosa sinergia entre a experiência humana e os recursos de IA”, diz Meyster.

Talvez a ascensão dos agentes de IA não seja apenas uma mudança tecnológica, mas filosófica: ela nos desafia a redescobrir a essência de nossa humanidade diante da inteligência artificial.


SOBRE O AUTOR

Lars Schmidt é fundador da Amplify, que auxilia empresas e executivos de RH a navegar pelo novo mundo dos recursos humanos, e da Amplify Academy, iniciativa que oferece programas de treinamento para lideranças.


Bots, agentes, funcionários digitais: IA muda o conceito do que é trabalho | Fast Company Brasil

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O veneno de um lagarto criou um império de US$ 350 bilhões — e está transformando a economia global.

Igor Drudi –  Linkedin – 27/03/2025

Nos anos 1990, cientistas estudavam o veneno do monstro-de-Gila, um lagarto do deserto americano, e descobriram a exendina-4, molécula semelhante ao GLP-1, hormônio que regula o açúcar no sangue.

Nascia ali a base para uma revolução médica.

A exenatida, versão sintética desenvolvida pela Amylin, foi o primeiro passo. Mas exigia duas aplicações diárias. A Novo Nordisk, da Dinamarca, refinou a molécula: em 2010 lançou o Victoza (aplicação diária) e, em 2017, o Ozempic — mais eficaz, com aplicação semanal.

Criado para tratar diabetes, o Ozempic surpreendeu pelo efeito colateral: perda de apetite e peso. A empresa lançou então o Wegovy (2021), versão com dosagem maior para obesidade.

Com apoio de Elon Musk e Oprah, as vendas explodiram. Em 2024, cresceram 56%, levando a Novo Nordisk a faturar US$ 42,1 bi e se tornar a empresa mais valiosa da Europa.

O impacto vai além da saúde.

O uso crescente de medicamentos como Ozempic já afeta o consumo de alimentos ultraprocessados.

A McDonald’s e outras redes vêm relatando queda na venda de combos e porções grandes, especialmente nos EUA.

Já companhias aéreas projetam redução de custos operacionais com menor peso médio dos passageiros, o que influencia diretamente o consumo de combustível.

Segundo o Goldman Sachs, o mercado de medicamentos para emagrecimento pode chegar a US$ 100 bi até 2030.

E se 60 milhões de americanos usarem GLP-1 até 2028, o PIB dos EUA pode crescer 1% acima do previsto, pela queda em doenças crônicas e ausências no trabalho.

Na Dinamarca, as exportações da Novo Nordisk fizeram o país crescer 2% em 2023 e 3,6% em 2024 — contra apenas 0,5% da média europeia.

Com 65% dos americanos acima do peso e 40% obesos, o impacto de medicamentos como Ozempic e Wegovy é econômico, social e global.

A jornada que começou com um lagarto agora remodela mercados inteiros — da alimentação à aviação — e promete reconfigurar a saúde pública nas próximas décadas.

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