EUA: Centros de pesquisa deixam de atrair cientistas estrangeiros

Cortes e restrições de Trump ameaçam fazer país perder a liderança histórica em ciência

Por James Glanz – O Globo/The New York Times – 31/05/2025 

Por décadas, Bangalore, na Índia, tem sido um berço de talentos científicos, enviando doutores recém-formados para todo o mundo para realizar pesquisas inovadoras. Em um ano comum, muitos deles miram laboratórios nos Estados Unidos.

— Queremos que nossos alunos façam coisas incríveis — diz Raj Ladher, professor do Centro Nacional de Ciências Biológicas em Bangalore.

Mas este não é um ano comum. Quando o professor Ladher perguntou recentemente a cerca de 30 formandos da cidade sobre seus planos, apenas um tinha emprego garantido nos Estados Unidos. Para muitos outros, a turbulência política em Washington secou as oportunidades de trabalho naquele que ele chama de “o melhor ecossistema de pesquisa do mundo”. Alguns decidiram levar suas habilidades para outros países, como Áustria, Japão e Austrália, enquanto outros optaram por permanecer na Índia.

À medida que o governo de Donald Trump avança para negar vistos, expulsar estudantes estrangeiros e cortar recursos para pesquisa, cientistas nos Estados Unidos estão cada vez mais alarmados. A supremacia global que os EUA há muito desfrutam nas áreas de saúde, biologia, ciências físicas e outras, alertam eles, pode estar chegando ao fim.

— Se as coisas continuarem assim, a ciência americana será arruinada. Se não for possível trabalhar com cientistas de fora dos EUA, o tipo de pesquisa que faço será inviável — disse David W. Hogg, professor de física e ciência de dados da Universidade de Nova York, que trabalha em estreita colaboração com astrônomos e outros especialistas ao redor do mundo.

Os cortes em pesquisa e as ações para reduzir a presença de estudantes estrangeiros avançaram em ritmo acelerado sob a administração Trump. O governo chegou ao ponto de tentar bloquear totalmente o acesso de estudantes internacionais à Universidade de Harvard, e mais de US$ 3 bilhões em bolsas de pesquisa para a instituição foram cancelados ou suspensos.

Na Universidade Johns Hopkins, um dos centros de excelência em pesquisa científica, autoridades anunciaram a demissão de mais de 2.000 pessoas após perderem US$ 800 milhões em verbas governamentais. Uma análise do The New York Times revelou que a Fundação Nacional de Ciências dos EUA, principal agência de fomento em ciências físicas do mundo, tem concedido financiamento a novos projetos no ritmo mais lento desde pelo menos 1990.

Não se trata apenas da perda de poder ou prestígio da comunidade científica americana. Dirk Brockmann, professor de biologia e física na Alemanha, alertou que as implicações são bem mais amplas. A aceitação do risco e os saltos aparentemente “malucos” de inspiração, profundamente enraizados na cultura americana, disse ele, ajudaram a criar um ambiente de pesquisa sem igual. O resultado tem sido décadas de inovação, crescimento econômico e avanços militares.

— Existe algo muito profundo na cultura que a torna especial. É quase um ingrediente mágico — afirmou Brockmann, que já lecionou na Universidade Northwestern.

Cientistas acreditam que parte do talento internacional que há muito impulsiona a ciência nos EUA pode acabar migrando para outros países. Muitos governos estrangeiros — da França à Austrália — também começaram a cortejar abertamente os cientistas americanos.

Mas, como os Estados Unidos lideram o campo há tanto tempo, há grande preocupação de que a pesquisa científica global seja prejudicada.

— Para muitas áreas, os EUA são absolutamente o parceiro essencial — disse Wim Leemans, diretor da divisão de aceleradores do centro de pesquisa DESY, na Alemanha, e professor da Universidade de Hamburgo.

Leemans, que tem cidadanias americana e belga e passou 34 anos nos Estados Unidos, afirmou que, em áreas como pesquisa médica e monitoramento climático, o resto do mundo teria grande dificuldade em compensar a perda da liderança americana.

Fronteiras fechadas

Houve um tempo em que o governo dos EUA reconhecia e valorizava seu papel na comunidade científica internacional.

Em 1945, o conselheiro científico presidencial Vannevar Bush apresentou um plano decisivo para a ciência no país no pós-Segunda Guerra Mundial. Chamado “Science, the Endless Frontier” (Ciência, a Fronteira Infinita), o documento argumentava que o país ganharia mais ao compartilhar informações — incluindo a acolhida de cientistas estrangeiros, mesmo que pudessem partir no futuro — do que tentando proteger descobertas que acabariam sendo feitas em outros lugares de qualquer forma.

Esse plano ajudou a impulsionar a supremacia científica americana no pós-guerra, segundo Cole Donovan, assessor internacional de tecnologia da Casa Branca durante o governo Biden. Grande parte do poder e influência dos EUA deriva da supremacia em ciência e tecnologia, disse ele.

Agora, os EUA estão retirando o tapete de boas-vindas.

Brockmann, que estuda sistemas complexos na Universidade Técnica de Dresden, planejava retornar à Northwestern para apresentar uma palestra principal em junho. Seria parte de uma viagem em família aos Estados Unidos; seus filhos já haviam morado em Evanston, Illinois, onde ele lecionou de 2008 a 2013.

Ele cancelou a palestra após o Ministério das Relações Exteriores da Alemanha emitir novas orientações sobre viagens aos EUA, após a detenção de turistas alemães na fronteira americana.

— Esse alerta foi um tipo de sinal para mim. Não me sinto seguro — frisou ele.

Liderança chinesa

Donovan disse que ainda é cedo para saber se a Europa ou a China, por exemplo, podem assumir a liderança internacional em ciência. Ladher, de Bangalore, afirmou que até o momento a Europa tem preenchido parte do vazio na contratação de seus graduados.

— A Áustria se tornou um destino muito procurado por muitos dos nossos estudantes — disse ele.

Em Bangalore, uma doutoranda prestes a defender sua tese sobre sinalização celular e câncer disse que há uma percepção generalizada na Índia de que os laboratórios americanos dificilmente contratarão muitos estudantes estrangeiros este ano. Isso levou muitos de seus colegas a buscarem oportunidades em outros países, contou a estudante, que preferiu não se identificar porque ainda planeja se candidatar a posições nos EUA e não quer prejudicar suas chances.

A comunidade científica americana, disse ela, sempre foi altamente respeitada no exterior.

— É triste ver o heroi caindo do pedestal — concluiu.

EUA: Centros de pesquisa deixam de atrair cientistas estrangeiros

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Saiba as três áreas que não devem ser ocupadas pela Inteligência Artificial, segundo Bill Gates

Magnata e cofundador da Microsoft falou sobre a nova era tecnológica e alertou que em dez anos o ser humano será dispensável em muitas tarefas, exceto três

Por O Globo/La Nacion — 03/06/2025 

O desenvolvimento da Inteligência Artificial (IA) cresceu exponencialmente nos últimos anos e, especificamente em 2024, seu impacto na comunidade provou ser inovador. Além de um simples texto gerado pelo ChatGPT, esse tipo de inovação veio para ficar e se expandir para todas as áreas de trabalho, como medicina e agricultura, com exceção de três, nas quais Bill Gates previu que os humanos não podem ser substituídos.

Em entrevista a Jimmy Fallon no The Tonight Show Starring, em março deste ano, o fundador da Microsoft falou sobre a profunda transformação pela qual a humanidade está passando, caminhando para uma nova era em que ela não será mais indispensável em muitas áreas. Por isso, ele incentivou todos a se especializarem em três carreiras, em particular aquelas que, em sua opinião, dificilmente serão preenchidas pela IA.

Os humanos não serão substituídos pela IA nestas três profissões:

Biologia

Como Gates explicou, a Inteligência Artificial tem a capacidade de processar grandes volumes de dados e apoiar a tomada de decisões. No entanto, carece de pensamento crítico ou capacidade analítica em contextos da vida real. Sua percepção se baseia em informações comparativas publicadas por pessoas, mas carece de rigor científico e técnico próprio.

Por isso, ele enfatizou: “Os biólogos desempenham um papel fundamental no desenvolvimento humano e nas descobertas médicas. Mesmo com a ajuda da IA, formular hipóteses e alcançar avanços conceituais continua sendo uma tarefa profundamente humana.”

Simplificando, a descoberta científica requer a mente humana e a intuição. Essa tecnologia não “pensa” criativamente nem se adapta à realidade do mundo. A IA pode sugerir teorias, mas são os cientistas que conduzem os testes, questionam seus métodos e avaliam os riscos.

Programação

Os desenvolvedores de software são essenciais para construir, supervisionar e adaptar os próprios sistemas de IA que estão transformando outros setores. Embora essa tecnologia possa funcionar mais rápido do que um programador júnior, ela pode cometer erros e falhas durante a implementação. Portanto, a análise e a coordenação humana prévias são essenciais.

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A IA segue padrões, mas não consegue criar sistemas complexos e escaláveis ​​como os humanos. Ela não consegue entender a experiência do usuário, a visão do produto ou as necessidades do negócio.

“Ela pode apoiar o desenvolvimento de software e a criação de sistemas complexos ou inovadores, mas ainda exigirá conhecimento humano e adaptabilidade”, disse o magnata.

Energia

Profissionais de energia são essenciais para atender às “necessidades imprevisíveis de um clima global em mudança”. Esta é uma área que não pode ser totalmente controlada pela Inteligência Artificial devido às decisões delicadas envolvidas: desde a gestão de usinas nucleares até redes elétricas e represas.

Pode haver riscos na forma como gerencia o fluxo e a demanda, e falta pensamento crítico em relação às necessidades da população. Embora seja útil para analisar dados, as políticas e decisões devem permanecer em mãos humanas. Em tom de brincadeira, Gates acrescentou que há uma disciplina que a IA provavelmente nunca conseguirá substituir: os esportes.

“Sabe, assim como o beisebol, não vamos querer assistir computadores jogando beisebol”, disse ele. “Haverá coisas que guardaremos para nós mesmos.”

Embora o futuro seja incerto e muitos empregos possam desaparecer, Gates permaneceu otimista. Ele afirmou que o uso da IA ​​em áreas estratégicas como medicina, educação e agricultura poderia melhorar a qualidade de vida humana. De acordo com sua visão, uma grande parte dos empregos será transformada ou substituída por essa ferramenta inovadora nos próximos dez anos.

Saiba as três áreas que não devem ser ocupadas pela Inteligência Artificial, segundo Bill Gates

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O que é o paradoxo da escolha, que nos deixa descontentes mesmo quando tomamos decisões

Quanto mais opções, mais difícil é escolher, e o resultado da nossa escolha nunca é satisfatório

Oliver Serrano León – Folha – 1º.jun.2025 

The Conversation*

Alguma vez você demorou mais para escolher um filme ou uma série em uma plataforma de streaming do que para assisti-lo? Ou, mesmo depois de pesquisar muito para comprar algo online, ficou com dúvidas se tinha feito a melhor escolha?

Em uma sociedade com tantas possibilidades, escolher algo se tornou uma fonte de ansiedade: o que a princípio parecia uma vantagem pode acabar sendo um fardo.

A psicologia define isso como “o paradoxo da escolha”: quanto mais opções temos, mais difícil é escolher, e menos satisfeitos ficamos com a decisão.

Esse fenômeno foi descrito pelo psicólogo Barry Schwartz. Ele defendia que o excesso de liberdade pode ter efeitos adversos sobre o nosso bem-estar. Em vez de nos deixar mais felizes, uma abundância de opções tende a nos bloquear, frustrar e provocar a sensação de que poderíamos ter escolhido melhor.

Quando a escolha vira um problema

Um estudo de Sheena Iyengar e Mark Lepper demonstrou que os consumidores eram menos propensos a comprar geleias quando expostos a uma variedade de 24 sabores do que quando a variedade era de apenas seis. A quantidade de opções não apenas dificulta a decisão, como também reduz a satisfação com o que foi escolhido.

Esse padrão não se limita ao consumo. Ele também é observado em decisões importantes, desde a escolha de cursos até relações pessoais. Em contextos universitários e profissionais, o excesso de opções pode gerar uma sensação de paralisia, dúvidas constantes e medo de errar.

Dois estilos para a tomada de decisões

Os maximisers (ou maximizadores, na tradução livre para o português) são mais propensos a remoer ou se arrepender de decisões tomadas – Getty Images via BBC

A psicologia identificou diferentes estilos de enfrentamento diante da tomada de decisões. Entre eles, os dois perfis mais estudados são os maximizers (ou maximizadores, na tradução livre para o português) e os satisficers (satisfatores).

Essa distinção foi formalizada em um estudo publicado no Journal of Personality and Social Psychology (Jornal de Personalidade e Psicologia Social, na tradução livre para o inglês).

Maximizers: em busca da opção perfeita

As pessoas com um estilo maximizador tendem a buscar sempre a melhor opção possível. Avaliam muitas alternativas, comparam exaustivamente, pesquisam a fundo e adiam decisões em busca da escolha ideal.

Embora esse comportamento pareça racional ou ambicioso, na prática está frequentemente associado a impactos negativos no bem-estar emocional.

O estudo citado mostrou que os maximizadores:

  • Sentem mais ansiedade e estresse durante o processo de tomada de decisão;
  • São mais suscetíveis e remoer e se arrepender da decisão que fizeram;
  • Apresentam níveis mais baixos de satisfação com as decisões que tomam, inclusive quando o resultado é bom.

Além disso, outros estudos têm associado esse perfil a sintomas depressivos, especialmente quando as decisões são tomadas em contextos completamente incertos.

Satisficers: quando o “suficientemente bom” é suficiente

Em contraste, o estilo satisfator se baseia em escolher uma opção que atenda a critérios pessoais mínimos ou razoáveis, sem necessidade de compará-la com todas as outras disponíveis.

Essas pessoas não buscam o perfeito, mas algo que se alinhe às suas necessidades e valores.

Segundo o estudo citado, os satisfatores:

  • Decidem mais rápido;
  • Sentem menos arrependimento;
  • Se sentem mais satisfeitos com suas escolhas;
  • Têm mais estabilidade emocional após tomar decisões.

O estilo satisfator não deve ser confundido com conformismo. Trata-se de uma abordagem mais funcional e adaptativa. Como mostram outros estudos, essas pessoas tendem a preservar recursos cognitivos e emocionais, o que as ajuda a lidar melhor com a incerteza e a reduzir a fadiga na hora de tomar decisões.

A diferença entre os perfis influencia não apenas como uma decisão é tomada, mas também como se vive o processo e as consequências da escolha.

O estilo maximizador pode ser útil em contextos técnicos ou decisões de alto risco, mas a sua aplicação constante na vida diária–onde muitas vezes não existe uma opção claramente melhor – pode prejudicar o bem-estar psicológico de forma significativa.

Por outro lado, adotar uma atitude de satisfator permite tomar decisões com mais tranquilidade, assumindo que nenhuma será perfeita, mas muitas podem ser válidas.

Em tempos de abundância de opções, essa abordagem parece mais emocionalmente sustentável.

Onde está a armadilha?

O paradoxo da escolha se manifesta em múltiplos aspectos da vida cotidiana:

  • Streaming e lazer digital: o menu interminável de séries, filmes e músicas pode provocar fadiga e reduzir o prazer;
  • Compras online: milhares de opções para um mesmo produto pode gerar confusão, dúvidas e arrependimento posterior;
  • Relações interpessoais: a ilusão de infinitas possibilidades em aplicativos de namoro pode dificultar o compromisso e aumentar a insatisfação;
  • Escolhas profissionais ou acadêmicas: a grande variedade de caminhos possíveis gera indecisão, medo de errar e bloqueio psicológico.

Consequências psicológicas do excesso de opções

Escolher entre muitas alternativas exige recursos cognitivos e emocionais. Quanto maior número de opções, maior a probabilidade de experimentar ansiedade, dúvidas persistentes, arrependimento posterior à decisão, diminuição do prazer com a escolha e fadiga mental.

Além disso, em contextos de pressão social ou exigência elevada, essa dificuldade se agrava. A sensação de que “tudo depende de uma escolha correta” pode levar ao estresse crônico ou até à evitação das decisões.

O fenômeno da fadiga de decisória também é reconhecido no âmbito clínico. Alguns estudos mostram que o esforço mental acumulado ao tomar muitas decisões reduz a capacidade de autocontrole e aumenta a vulnerabilidade ao estresse.

Como se proteger? Estratégias para escolher melhor

Na psicologia aplicada, diversas estratégias têm sido propostas para reduzir o impacto negativo da abundância de opções. Algumas delas são:

  • Reduzir voluntariamente o número de alternativas: criar filtros prévios ajuda a focar a atenção a acelerar o processo de tomada de decisões;
  • Aceitar a imperfeição: entender que toda escolha implica renúncias e que não existe opção perfeita ajuda a decidir com menos carga emocional;
  • Decidir com base em valores pessoais: priorizar critérios próprios, e não expectativas externas ou modismos, aumenta a satisfação com a decisão tomada;
  • Praticar a autocompaixão: ser menos duro com você mesmo após tomar uma decisão reduz o arrependimento e o desconforto emocional;
  • Automatizar decisões menores: definir padrões para escolhas rotineiras (roupa, café da manhã) pode liberar energia mental para o que realmente importa.

Escolher menos, viver mais

Em um contexto cultural que associa liberdade com quantidade, pode parecer contraditório que reduzir opções aumente o nosso bem-estar. Contudo, inúmeros estudos confirmam: o excesso de alternativas gera fadiga e frustração.

Adotar uma tomada de decisão mais simples, mais conectada com o pessoal e menos centrada em encontrar o “perfeito” pode ajudar a melhorar a saúde mental e a qualidade de vida. Nesse sentido, escolher menos não é se conformar, mas decidir com mais sentido.

*Oliver Serrano León é diretor e professor do Mestrado em Psicologia Geral em Saúde da UEC (Universidade Europeia de Canarias).

*Este artigo foi publicado no The Conversation e reproduzido sob licença da Creative Commons. Clique aqui para ler a versão original em espanhol.

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O mercado de crimes e o ensaio da guerra

Crimes cibernéticos custarão ao mundo US$ 10,5 trilhões em 2025. Isso é cerca de metade do PIB chinês e um terço do americano

Por Felipe Buchbinder – Valor – 12/05/2025

No meu tempo não era tão fácil cometer um crime. Era preciso talento para forjar um documento e apenas um verdadeiro hacker conseguia derrubar um site para extorquir o dono. Foram-se os tempos.

Os criminosos de hoje têm tudo de mão beijada: invadir um site para roubar-lhe os dados, simular a voz do filho para exigir resgate dos pais, ou fazer um avatar de um falecido para se passar por ele em uma prova de vida – tudo isso pode ser comprado nos mercados de Fraud as a Service (FaaS) e Cybercrime as a Service (CaaS). O crime foi democratizado e está ao alcance de todos que podem pagar por ele.

Longe de serem meros trocados de moleques no sótão de um sobrado abandonado, os crimes cibernéticos custarão ao mundo US$ 10,5 trilhões em 2025, diz o Fórum Econômico Mundial. Isso é cerca de metade do PIB chinês e um terço do americano. Se os crimes cibernéticos fossem um país, seriam a terceira maior economia do mundo.

Fotos, senhas, deep fakes e kits que permitem até mesmo um leigo em tecnologia invadir um site: tudo isso está à venda. Vamos ser claros sobre o que isso significa. Sabe aquela foto que você tira segurando o RG para identificar-se no app do banco? Aquela entrevista com um agente do governo para prova de vida? Aquela mensagem de voz da sua mãe ou o reconhecimento facial na escola do seu filho? Pois bem. Existe um mercado em que tudo isso pode ser comprado. Vimos um exemplo disso quando o CFO de uma multinacional britânica solicitou a um empregado sediado em Hong Kong que fizesse uma transferência de US$ 25 milhões. O empregado cumpriu o que lhe foi pedido. Nem percebeu que o CFO e todos os demais presentes na reunião eram pessoas falsas, geradas por IA.

Agora, vamos jogar um jogo. Prove-me que você é você. Não vale usar documentos, fotos, voz ou vídeos, já que tudo isso pode ser falsificado com excelente precisão. Como você me prova que é realmente o João, titular da conta bancária 1234, dono da casa 5 na rua Seis e pai desta criança que te acompanha no aeroporto? Como ficam as seguradoras, se uma IA é capaz de transformar a foto de um carro zero na foto do mesmo carro amassado? Como fica o sistema financeiro, que vê nas práticas de Know Your Customer (KYC) os alicerces dos sistemas de prevenção à fraude, à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo? Se não podemos confiar no que vemos ou ouvimos, como fica a sociedade?

Pois é. É por isso que o CaaS não é um joguete de moleques, mas um campeonato de países. As mesmas competências utilizadas para o crime podem ser utilizadas para a espionagem e para a guerra. O mesmo grupo que, em tempos de paz, invade o site de um banco para roubar dados sigilosos pode, em tempos de guerra, derrubar a eletricidade de um país (como ocorreu com a Ucrânia já em 2015) ou invadir os sistemas da empresa de água e, sem alarde, pouco a pouco envenenar a população. Em 2024, por exemplo, o serviço secreto americano alertou que China e Irã haviam conseguido hackear a Casa Branca. Isso levou alguns funcionários do governo Joe Biden a intensificarem a comunicação via um aplicativo não oficial, no qual o compartilhamento de informações sigilosas não era autorizado pelo governo e em que, no governo Trump, um repórter que não deveria estar no grupo teve acesso a planos de guerra.

Guerra. Se seus tambores rufam longe da terra onde canta o sabiá, os crimes cibernéticos gorjeiam bem perto de nós. Segundo o instituto Data Senado, do Senado Federal, os golpes digitais vitimaram cerca de 24% dos brasileiros com mais de 16 anos entre junho de 2023 e de 2024: 40,85 milhões de pessoas perderam dinheiro em função de algum crime cibernético, como clonagem de cartão, fraude na internet ou invasão de contas bancárias.

Além disso, o Brasil já foi palco de ataques de grande escala, como a invasão ao site do STJ em 2020, ou o sequestro de dados do Ministério da Saúde que derrubou o Conecte SUS, em 2021. Em 2022, o TCU identificou que cerca de 75% das organizações públicas não possuem políticas de backup e, dentre as que possuem, 66% não usam criptografia. Em relatório, o TCU classificou a cibersegurança como uma vulnerabilidade de alto risco na administração pública brasileira, motivando a promulgação da Política Nacional de Cibersegurança (PNCiber) em 2023.

Políticas são necessárias, mas não são suficientes. Para o Brasil enfrentar os criminosos do mundo cibernético, é crucial que domine dois grupos de tecnologia.

O primeiro grupo reúne as tecnologias que alicerçam os sistemas de identificação do cidadão, a exemplo do Aadhaar, que coleta dados biométricos de 99,9% da população adulta da Índia e media seus acessos a toda sorte de serviços públicos e privados. No Brasil, dispomos desde 2022 da Carteira de Identidade Nacional (CIN), que traz validação biométrica e QR Code digital.

O segundo grupo (este, o mais importante) são as tecnologias da Inteligência Artificial (IA). Hábil em detectar padrões suspeitos e capaz de se adaptar a táticas inimigas em contínua mudança, a IA é uma ferramenta indispensável para se combater a infinita criatividade das mentes criminosas – que, diga-se de passagem, também se valem da IA para cometer crimes cada vez mais sofisticados.

Neste sentido, o uso de IAs proprietárias de outros países é uma faca de dois gumes. Por um lado, há que se aprender com a tecnologia que é de ponta. Por outro, usar essas IAs significa entregar nossos dados (potencialmente estratégicos) para que empresas que mal conhecemos os utilizem como quiserem. O argumento foi pauta de um artigo recente na Forbes e não faltam exemplos de empresas que concordam: Amazon, Apple, Citigroup, Deutsche Bank, JPMorgan Chase, Samsung, Verizon e Walmart, todas restringiram (em maior ou menor grau) o uso de IAs para seus funcionários, temendo o vazamento de informações confidenciais.

Vários motivos já foram dados para desenvolver uma indústria de IA brasileira: desenvolver o Brasil social e economicamente, endereçar a questão da fuga de cérebros, reduzir a nossa dependência dos outros países em uma geopolítica cada vez mais individualista, colocar nossa matriz energética limpa à serviço do enfrentamento às mudanças climáticas… este é mais um: proteger-nos de crimes que, outrora sofisticados, agora já são commodities.

Felipe Buchbinder é professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), doutor em Administração pela FGV, mestre em Inteligência Artificial pela Duke University, nos Estados Unidos, e membro da Rede de Inteligência Artificial e Tecnologias Quânticas.

* As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor

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Quer ser relevante? Prepare-se para influenciar as IAs

Se há dois anos o que reinava eram as buscas feitas no Google, o que importa são os resultados de ChatGPT, Claude, Gemini, DeepSeek

Ronaldo Lemos – Folha – 1º.jun.2025 

Existe um novo desejo global: aparecer nos resultados das conversas e pesquisas feitas no ChatGPT, Claude, Gemini, DeepSeek e assim por diante. Em outras palavras, virar influenciador de IA. Esse desejo tem raízes e repercussões profundas.

Se no mundo que existia há dois anos o que reinava eram as buscas feitas no Google, um novo mundo nasce agora. Nele o que importa são os resultados da inteligência artificial.

Ficar no topo das buscas do Google valia (e ainda vale) milhões. Por causa disso toda uma indústria surgiu para influenciar o algoritmo da empresa para colocar o nome de marcas, produtos, pessoas e ideologias no topo. Ela ficou conhecida como SEO (Search Engine Optimization).

Esse lucrativo negócio se espalhou pelo planeta, abrangendo agências de publicidade, consultores e também agentes maliciosos, incluindo governos e redes de desinformação. O objetivo era um só: fazer a mensagem do cliente chegar no topo das buscas.

Só que atualmente há fluxo migratório intenso das buscas para a inteligência artificial. Muita gente diminuiu radicalmente o uso do Google e passou a perguntar tudo para a IA. As experiências são diferentes. Uma sessão de busca dura algo como 50 segundos e usa em média quatro palavras. Uma sessão com a IA dura de 6 a 8 minutos e usa em média 23 palavras, de acordo com dados publicados por Andreessen Horowitz.

Para aparecer nesses resultados surge agora uma outra indústria: o GEO (Generative Engine Optimization). O objetivo é construir “relevância” para uma marca, pessoa ou ideia para a inteligência artificial, fazendo com que ela seja citada pelas IAs. Considerando que a Apple e outras empresas planejam trocar em breve os motores de busca do iOS para inteligência artificial, ter relevância dentro da IA daqui para frente vai virar questão de vida ou morte para muita gente.

Estamos vivendo na prática mais uma vez a frase de Marshall McLuhan. Quando mudam os meios, tudo muda. A começar pela mensagem. Por conta disso, profissionais de marketing, empresas de mídia, políticos e influenciadores estão justamente fazendo essa pergunta: como influenciar a IA para continuar sendo relevante nesse novo mundo?

Algumas respostas estão começando a aparecer. Por exemplo, aparecer na mídia tradicional (como os jornais) é uma excelente forma de construir autoridade para as IAs. As inteligências artificiais, ao menos hoje, enxergam conteúdo jornalístico de marcas com reputação (alô, Folha!) como altamente relevantes, o que propicia que seja citado nos resultados.

O desdobramento disso é que o mundo do jornalismo está se dividindo entre os veículos que permitem que seu conteúdo seja usado para treinar IA e os que não permitem (ao menos, não sem pagamento). Isso vai ser curioso. A relevância de um veículo cujo conteúdo integra as IAs será diferente daqueles que não integram. Dá para imaginar um futuro em que entrevistados e fontes prefiram falar apenas para veículos que integram inteligências artificiais, em detrimento dos demais. Um cruzamento entre Marshall McLuhan e as distopias de Aldous Huxley.

Já era – Eficácia dos links patrocinados

Já é – SEO, otimização para mecanismos de busca

Já vem – GEO, otimização para mecanismos generativos (IAs)

Quer ser relevante? Prepare-se para influenciar as IAs – 01/06/2025 – Ronaldo Lemos – Folha

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Brasil tem a única mina de terras raras capaz de competir com a China; o problema para os EUA é que a China chegou primeiro

Viny Mathias – msn – Maio 2025

Em outubro do ano passado, os Estados Unidos estavam aumentando seus investimentos em minas brasileiras capazes de suprir o fornecimento de terras raras e minerais críticos que a Ásia domina com mão de ferro. Naquela época, Donald Trump era apenas um candidato presidencial, e o comércio global (da China e dos Estados Unidos em particular) continuava a mesma monotonia de antes. O que aconteceu alguns meses depois já sabemos, e quando os EUA chegaram na “sua” mina aqui no Brasil, eles encontraram uma surpresa.

Uma mina única

A mina Serra Verde, localizada no estado de Goiás, é atualmente a única produtora ativa fora da China que extrai terras raras pesadas de argila iônica, um tipo de depósito mais fácil de processar do que rocha dura porque não requer britagem. Esses minerais, essenciais para a fabricação de ímãs permanentes usados ​​em veículos elétricos e turbinas eólicas, fizeram desta mina um componente-chave da estratégia MSP liderada pelos Estados Unidos.

Com o início da produção comercial e o anúncio em outubro de uma rodada de financiamento de US$ 150 milhões dos EUA, com contribuições da Denham Capital, Energy and Minerals Group e Vision Blue, Serra Verde começou a se posicionar como um ator crucial na corrida para reduzir a dependência ocidental da China. De acordo com o Financial Times, o CEO, Thras Moraitis, enfatizou na época que esses fundos permitiriam à empresa atingir escala para competir economicamente em um mercado distorcido pelos baixos custos de produção chineses. Mas havia um problema.

O paradoxo e o domínio chinês

Brasil tem a única mina de terras raras capaz de competir com a China; o problema para os EUA é que a China chegou primeiro

Brasil tem a única mina de terras raras capaz de competir com a China; o problema para os EUA é que a China chegou primeiro

(Imagem: Serra Verde/Reprodução)

Meses depois dessa operação, no coração do município brasileiro de Minaçu, antiga região de mineração de amianto no centro do país, já foi aberta uma enorme mina que contém, segundo especialistas, uma possível solução para o problema urgente que o Ocidente enfrenta: o acesso às terras raras pesadas, os minerais estratégicos essenciais para a fabricação de todo tipo de tecnologias críticas.

A mina Serra Verde, apoiada principalmente por capital americano (e, em menor grau, britânico), é atualmente a única fora da Ásia que produz quantidades significativas de algumas das terras raras mais difíceis de obter. No entanto, o potencial geopolítico desta operação ficou imediatamente ligado a um paradoxo estrutural: toda a sua produção já está contratualmente comprometida… com a China, o único país com capacidade técnica e industrial para separar e processar os elementos pesados ​​extraídos deste solo argiloso.

Monopólio de Pequim

O caso de Serra Verde não é uma anomalia, mas sim o reflexo de uma hegemonia cuidadosamente cultivada. A China domina não apenas a extração, mas especialmente o processamento dos 17 elementos de terras raras conhecidos, essenciais para as indústrias automotiva, aeroespacial, eletrônica e militar. Embora esses elementos sejam abundantes na crosta terrestre, sua separação é técnica e economicamente complexa, e durante décadas o Ocidente relegou essa tarefa à China.

No caso particular das terras raras pesadas, que incluem elementos como disprósio e térbio, a China detém virtualmente um monopólio global de separação e refino. A situação é tal que, mesmo quando os países ocidentais descobrem depósitos viáveis, como Serra Verde, eles não têm a infraestrutura e o conhecimento industrial para processá-los. A China, graças ao planejamento de longo prazo, agora se encontra em uma posição imbatível, mesmo em meio às crescentes tensões comerciais. O acordo deles com quase todas as minas vem de longa data, pois é uma parte fundamental do processo de exploração dessas terras.

Um bloqueio crítico

O interesse pelo Brasil como fornecedor alternativo não é novo, mas é urgente. Desde que a China interrompeu suas exportações de terras raras para o Japão em 2010 devido a uma disputa territorial, o mundo se conscientizou de sua vulnerabilidade nessa área. Como citamos, a Denham Capital, empresa de investimentos privados sediada em Boston, foi uma das primeiras a apostar no Brasil naquele mesmo ano, ao financiar o projeto Serra Verde.

Entretanto, durante os oito anos seguintes, o projeto teve dificuldades para decolar devido a uma deficiência fundamental: fora da China, ninguém conseguia refinar os materiais que a mina extrairia. Assim, quando finalmente foi inaugurada, depois de quatorze anos de trabalho e daquele investimento adicional de US$ 150 milhões em outubro, a mina já havia paradoxalmente vendido sua produção para a China até pelo menos 2027. Ao The New York Times, Thras Moraitis admitiu que, embora todos queiram seus minerais agora, não há nada que possam fazer: os contratos estão assinados e os materiais já têm um destino seguro.

Resposta a longo prazo

Além disso, Serra Verde não é o único exemplo dessa dependência. A MP Materials, outra empresa apoiada pelo governo dos EUA, extrai e separa terras raras leves na Califórnia, mas, até recentemente, vendia 80% de sua produção para a China, pois também não conseguia processar os elementos pesados. O New York Times informou que uma usina financiada pelo Pentágono está atualmente em construção no mesmo estado e poderá realizar o mesmo trabalho no futuro, assim como outros projetos em andamento na França e na Estônia.

No entanto, todas essas iniciativas levarão anos para se materializar. Mesmo se concluído dentro do cronograma, o acesso a novos depósitos de terras raras pesadas permanecerá muito limitado. A própria Serra Verde espera produzir apenas algumas centenas de toneladas desses minerais essenciais até 2027, o que, se concretizado, dobraria a oferta fora da Ásia. O restante do fornecimento internacional atualmente vem de fontes marginais, como carvão e subprodutos de urânio, o que mais uma vez ressalta a urgência do problema.

Assim, a consolidação da China como potência indiscutível neste setor não parece ser fruto do acaso, mas sim fruto de uma visão industrial sustentada ao longo de décadas. Enquanto os Estados Unidos e seus aliados estão apenas começando a reagir à gravidade da situação, Pequim construiu não apenas a capacidade técnica, mas também a cadeia de suprimentos e os laços contratuais que garantem seu controle.

Moraitis disse ao New York Times que simplesmente temos que reconhecer o óbvio: o planejamento estratégico da nação asiática tem sido notavelmente eficaz, e competir será tremendamente difícil. Enquanto isso, as terras raras que poderiam sustentar a autonomia tecnológica do Ocidente continuam sua jornada para o leste, reforçando uma dependência que se torna mais difícil de reverter a cada tonelada extraída do solo brasileiro.

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O que é ‘vibe coding’, nova tendência no mundo da programação que é impulsionada por IA

Técnica que usa linguagem natural para gerar código cresce com ferramentas de IA e facilita na hora que criar sites e apps

Por Alice Labate – Estadão – 18/05/2025

Criar um site, um jogo ou até um aplicativo sem saber como escrever uma única linha de código já é possível. O movimento que permite isso se chama “vibe coding” e ganhou força em 2024 com impulso da inteligência artificial (IA) generativa — a ideia é que a programação é feita a partir da “vibe” do projeto, ou seja, a partir daquilo que o produto ou solução pede com comandos em linguagem natural. Por exemplo: “faça um app que controle minhas tarefas do dia” em códigos funcionais.

Com a popularização de ferramentas de IA como Lovable e Replit, voltadas para programação em linguagem natural, o vibe coding passou de curiosidade para método comum entre profissionais e amadores. Este ano, uma em cada quatro startups aceleradas pela Y Combinator afirmou que até 95% de seu código foi gerado por IA, em práticas alinhadas ao vibe coding, de acordo com a Ardor, empresa global de serviços analíticos.

“O vibe coding utiliza inteligência artificial para transformar descrições em linguagem natural, como português ou inglês, em código funcional”, explica Jhonata Emerick, CEO da Datarisk e doutor em inteligência artificial pela Universidade de São Paulo (USP). “O programador atua como um diretor criativo”.

A base do vibe coding está em modelos de linguagem como ChatGPT, Claude e outras IAs capazes de entender linguagem humana e convertê-la em código. Ao contrário da programação tradicional, em que o desenvolvedor dita a lógica linha por linha, o vibe coder descreve objetivos e a IA entrega sugestões de código, que podem ser testadas e ajustadas conforme necessário.

Fabrício Carraro, gerente de programas da Alura, escola online de tecnologia, explica que o termo “vibe coding” explodiu mesmo em fevereiro deste ano, por conta de um post de Andrej Karpathy, ex-diretor da Tesla e da OpenAI. “Ele descreveu essa nova maneira de programar, em que você meio que ‘vai codando na vibe‘, usando linguagem natural, até mesmo por voz, para que modelos como Gemini, ChatGPT, Claude etc. gerem o código, sem se prender tanto aos detalhes manuais da codificação. A ideia é que a IA se torne uma parceira tão eficiente que você esquece que o código em si existe, focando mais no resultado”.

O perfil de quem adota o método é variado. De um lado, desenvolvedores experientes usam as ferramentas para acelerar tarefas rotineiras. Do outro, profissionais de outras áreas veem no vibe coding uma forma rápida de testar ideias.

É o caso de Marcell Almeida, CEO da escola de cursos PM3. “Eu até sei um pouco de programação, mas não sou bom nisso. Com o vibe coding, consigo pedir o que quero em linguagem natural e a IA me entrega algo próximo”, diz. Desde 2024, ele usa a abordagem para criar protótipos e provas de conceito. “Antes, algo podia levar meses. Agora, em semanas, consigo testar com usuários. Não serve para escalar, mas é ótimo para validar ideias rapidamente”.

Leonardo Zeferino, diretor de IA e vibe coding da OneBrain, empresa desenvolvedora de softwares, também vê um avanço relevante na forma como produtos digitais são criados. “Sempre teve uma necessidade muito grande de ter desenvolvedores superespecialistas para fazer aplicações, produtos digitais. A partir de agora, a gente vê cada vez mais pessoas não técnicas desenvolvendo seus próprios aplicativos”, diz.

Segundo ele, o vibe coding não apenas democratiza o desenvolvimento, como também oferece um salto de produtividade. “Hoje, você pode simplesmente escrever um prompt, como no ChatGPT, dizendo que quer um app igual ao Instagram, e a IA cria tudo sem precisar escrever ou arrastar componentes”.

Vantagens e desvantagens do ‘vibe coding’

O principal atrativo do vibe coding é a baixa barreira de entrada. Sem exigir conhecimento prévio em linguagens como Python ou JavaScript, ele permite que pessoas com boas ideias mas pouca bagagem técnica desenvolvam soluções funcionais. “Ele reduz a barreira técnica inicial, eliminando a necessidade de dominar sintaxe ou conceitos complexos de imediato”, explica Emerick.

Outro ponto positivo é o foco na criatividade. Em vez de se concentrar em detalhes técnicos, o programador atua de forma mais conceitual, definindo objetivos e validando protótipos rapidamente. “Você pode simplesmente dizer ‘crie um site que mostre a previsão do tempo para São Paulo’ e a IA desenvolve todo o código necessário, enquanto você foca em refinar e melhorar o resultado”, diz o CEO da Datarisk.

Por outro lado, a falta de entendimento do código gerado pode trazer riscos. Bugs ocultos, problemas de segurança ou soluções que não funcionam são preocupações recorrentes entre profissionais. “Dependendo exclusivamente do vibe coding, o usuário pode deixar de aprender fundamentos importantes”, aponta Raul Ikeda, professor do Insper e cientista da computação.

Além disso, o excesso de confiança na IA pode levar à produção de projetos pouco sustentáveis ou difíceis de manter a longo prazo. “É preciso sempre revisar e entender, minimamente, o que está sendo entregue pela máquina”, diz Emerick. Segundo o especialista, a prática funciona melhor como complemento, não substituto, da formação técnica.

Qual é a diferença entre ‘vibe coding’ e ‘no-code’?

A ideia de vibe coding após outro movimento que prometia baixa exigência técnica em programação ganhar terreno, especialmente na pandemia: o no-code (ou low code). Apesar de terem pontos em comum, no entanto, são duas abordagens diferentes. O no-code se baseia em interfaces visuais, com blocos e elementos arrastáveis, permitindo a criação de sistemas simples sem codificação. Já o vibe coding exige interações em linguagem natural e gera código real, editável, personalizável e com maior complexidade.

“O no code utiliza interfaces visuais para criar aplicativos, limitando-se a templates e funcionalidades pré-definidas. Já o vibe coding permite gerar código completo, como Python ou JavaScript, a partir de comandos em linguagem natural”, resume Emerick.

Leonardo Zeferino, que começou com no-code em 2016 e criou um app chamado Coffeely usando essa técnica, vê o vibe coding como uma evolução. “O no-code é como arrastar componentes e definir ações sem escrever código. Já o vibe coding é você escrever um prompt e a IA cria tudo automaticamente”, explica, “É muito mais fácil e abre uma grande porta cheia de oportunidades”.

Raul Ikeda reforça: “No vibe coding, a pessoa descreve o que quer e a IA interpreta. Pode ser alguém sem noção de programação dizendo ‘quero um aplicativo que me ajude no meu negócio’, e a IA entrega algo funcional, com explicações sobre como implantar o produto”.

De forma prática, isso significa que o vibe coding permite maior controle. Um site feito com vibe coding pode incluir scripts personalizados, integração com APIs externas (ou seja, conexões com serviços de fora do site, como mapas, sistemas de pagamento ou previsão do tempo) e comportamentos específicos, o que seria inviável com plataformas no-code tradicionais.

Futuro do ‘vibe coding’

Nos próximos anos, o vibe coding deve se tornar mais comum e estável. Isso significa que a prática de programar com ajuda de IA, descrevendo o que se quer em linguagem natural, em vez de escrever cada linha de código, tende a se firmar como uma forma legítima e produtiva de desenvolvimento de software.

Com o avanço da tecnologia, especialistas explicam que modelos de IA, como o ChatGPT ou Claude, ficarão ainda mais sofisticados, gerando códigos melhores, mais seguros e com menos erros. Ao mesmo tempo, será cada vez mais necessário que as empresas adotem práticas de auditoria e validação, ou seja, rotinas para checar se os códigos gerados pela IA realmente funcionam bem, são seguros e atendem às necessidades. Isso será essencial principalmente quando a IA for usada para criar sistemas mais complexos.

“Esperamos ver ferramentas de IA mais inteligentes, adaptação aos estilos dos usuários e até integração em plataformas educacionais como Codecademy ou Coursera”, diz Emerick. Ele também prevê o surgimento de profissões inéditas: “engenheiros de prompt” e auditores de IA estarão entre os novos papéis desse ecossistema.

A tendência é que o vibe coding se torne parte natural do processo de desenvolvimento de software, especialmente em projetos de menor risco, como páginas institucionais, ferramentas de automação simples ou protótipos.

Para Marcell Almeida o vibe coding deve se tornar um conhecimento essencial no mercado. “A linguagem natural é só mais uma forma de programar, do jeito que a gente está acostumado a falar como ser humano. E eu vejo isso de duas formas”, afirma, “A primeira é que existe muito ruído, principalmente nas redes sociais. Muita gente dizendo que isso vai substituir empregos, mas eu não enxergo assim. Na verdade, quem não souber usar essas ferramentas é que pode ficar para trás. Vai virar o novo básico, como buscar no Google. Hoje, você espera que todo mundo saiba fazer uma busca, e com o vibe coding será igual”.

A segunda ótica, segundo Marcell, é que o método amplia a capacidade de criação. “Agora, conseguimos desenvolver mais coisas, mais rápido, e tocar vários projetos em paralelo. Claro, ainda existe a limitação da escala, não dá para escalar uma solução feita com vibe coding com a mesma facilidade. Mas, para prototipar, validar uma ideia ou criar uma prova de conceito, é excelente”.

“Se antes um conceito levava um ou dois meses para ser testado com usuários, agora é possível fazer isso em algumas semanas. Isso traz muita eficiência para as empresas”, conclui. Para ele, o vibe coding veio para ficar.

O que é ‘vibe coding’, nova tendência no mundo da programação que é impulsionada por IA – Estadão

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Geração ‘prateada’ deve responder por 35% do consumo em 2044

Com envelhecimento da população brasileira, saúde ganha espaço no orçamento, enquanto educação e recreação e cultura perdem, projeta estudo

Por Lucianne Carneiro — Valor – 20/05/2025 

O retrato de um envelhecimento da população mais rápido que o estimado anteriormente – visível graças ao Censo Demográfico 2022 – renovou as atenções para a economia prateada e seu potencial. Esse é um conceito que faz alusão aos cabelos grisalhos, característica ligada à população mais velha. Existem diferentes critérios para se chegar a esse perfil: há quem considere a população de 50 anos ou mais, enquanto outros colocam o piso como 60 ou 65 anos. Agora, um estudo detalhado da empresa de pesquisa, tendência e inovação Data8, especializada no mercado de longevidade, coloca em números a dimensão que esse segmento pode alcançar.

Os brasileiros acima de 50 anos devem ampliar sua participação no consumo das famílias de 24% em 2024 para 35% em 2044. Em valores absolutos, esse número passará de R$ 1,8 trilhão para R$ 3,8 trilhões em igual período de comparação, em preços de 2024, mostra o trabalho “Mercado prateado: consumo dos brasileiros 50+ & projeções”, antecipado com exclusividade ao Valor.

“Muito se fala sobre o potencial do mercado prateado no Brasil, mas até agora não tínhamos o número mágico. Os dados permitem entender o tamanho desse mercado e uma visão do impacto na economia”, diz Lívia Hollerbach, consultora do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para o tema na América Latina e uma das coordenadoras da pesquisa.

Estudiosos destacam a importância de se medir a dimensão da economia prateada. A questão, dizem, foi incluída nos debates político, econômico e empresarial nos últimos anos, mas segue com visões distorcidas e sem a proporção devida. A população de 50 anos ou mais ganha espaço no consumo e nas despesas, mas é também provedora das famílias.

Essa característica se reforça em contexto de mercado de trabalho marcado por precarização, a despeito do avanço do setor formal. Outro aspecto ainda pouco discutido, dizem especialistas, é a diversidade dos 50+. As diferentes faixas etárias desse público têm características e perfis diversos, que devem ser levados em conta por políticas públicas e estratégias de negócios do setor privado.

“Crianças consomem menos que adultos e idosos. A renda das pessoas cresce com educação, que tende a avançar com a idade. E o retorno dessa formação vai avançando com o tempo, tende a vir depois dos 50 anos. A mudança demográfica muda também o consumo”, afirma o demógrafo e professor aposentado da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence), José Eustáquio Diniz Alves.

Pelos dados da Organização das Nações Unidas (ONU), a população brasileira acima dos 50 anos saltou de 9,1% em 1950 para 15,1% em 2000 e já era de 27,9% em 2024. As projeções são de que o grupo represente 43,2% da população em 2050 e ultrapasse os 50% em 2078.

“Temos cada vez mais idosos na população, mas eles continuam sendo vistos principalmente pelo lado das despesas. Só que temos mais e mais famílias que dependem da renda dos idosos para compor o orçamento familiar”, diz a professora da ESPM Gisela Castro, ao citar o conceito de idoso provedor, difundido pela pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Ana Amélia Camarano. “Os idosos consomem não só para eles próprios, mas contribuem muito para o orçamento, uma coisa que o mercado vê pouco”, completa Castro.

Neste novo contexto demográfico, Hollerbach, uma das coordenadoras da pesquisa, defende a visão da população de 50+ e 60+ como “sujeitos ativos da economia” e “pilares financeiros das famílias”. O estudo da Data8 traz estimativas do tamanho do mercado prateado e também detalha a parcela de produtos e serviços de diferentes grupos de despesas no orçamento doméstico, de acordo as diversas faixas etárias do grupo de 50+, além de recortes por grandes regiões e por classes de renda.

Se entre prateados mais jovens (50 a 54 anos) a assistência à saúde representa 11% dos gastos mensais, a parcela avança para 21% entre os 80+. A habitação também é despesa que aumenta com a evolução das faixas: 26% no primeiro grupo (50-54) e 30% (75-79) e 29% (80+).

O transporte responde, por sua vez, por 18% do orçamento no primeiro grupo, fatia que cai para 10% no segundo grupo, fatia que cai para 10% no segundo grupo. A parcela gasta em vestuário também recua – de 6% no grupo de 50 a 54 anos para 4% naquele de 80 anos ou mais. A participação de recreação e cultura no orçamento cai de 2% para 1%, na comparação entre as duas faixas etárias. “Existe potencial produtivo do idoso, que deve ser aproveitado. Mas, a partir dos 80 anos, pesa a questão da saúde. É uma fase com maior incidência de doenças, que exige mais cuidados e modifica a estrutura de consumo dos idosos”, nota Alves.

Mesmo entre quem não tem doenças, os gastos com saúde aumentam a partir dos 50 anos, mas isso se acentua na chamada quarta idade ou velhice profunda, diz Castro, da ESPM, ao se referir aos idosos com mais de 85 anos.

A saúde é o setor com maior potencial de mudanças, avalia o professor de Marketing da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV Eaesp) Benjamin Rosenthal. Na saúde, a chance de expansão de negócios vai além de tratamentos médicos e passa por transformações no estilo de vida: “O impacto passa por diferentes indústrias, desde academias, inclui alimentação, redução de consumo de processados e bebidas alcóolicas, com menos quantidade e mais qualidade”, diz Rosenthal.

No caso de vestuário e recreação e cultura, a parcela maior no orçamento entre os mais jovens dos 50+ está ligada a uma vida mais ativa e ao maior envolvimento no mercado de trabalho. “Esse perfil puxa esse tipo de gasto”, diz Castro.

O trabalho também projeta a demanda para setores da economia brasileira em dez anos para a população como um todo, sob influência de maior presença de pessoas mais velhas: saúde ganha espaço no orçamento, enquanto educação e recreação e cultura perdem. A estimativa é que a assistência à saúde amplie a fatia no orçamento de 9,55% em 2024 para 10,01% em 2034. A educação recua de 1,51% para 1,45%, respectivamente.

Apesar das variações aparentemente pequenas, explica o economista Pedro Hércules, responsável técnico pelo trabalho, os números apontam as tendências para os próximos anos e permitem avaliar o impacto do envelhecimento da população na economia.

Neste estudo, a Data8 usou a mesma metodologia aplicada em trabalho feito em parceria com o BID para Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile. No Brasil, a base para a estrutura dos gastos é a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os dados da pesquisa, diz José Eustáquio Diniz Alves, permitem dimensionar a necessidade e a importância de cada setor para políticas públicas e para iniciativas e negócios do setor privado.

“O governo sozinho não consegue lidar com o desafio da longevidade. A ideia é que a pesquisa ajude a gerar mobilização entre diversos atores, como governos, empresas e empreendedores. É preciso enfrentar os desafios, mas também aproveitar as oportunidades. A ideia é que se possa alavancar esse ecossistema prateado”, defende Lívia Hollerbach.

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A fábrica secreta dos EUA que expõe contradição em planos de Trump

Faisal Islam – BBC News – 23 maio 2025

Entre os cactos do deserto do Arizona, nos arredores de Phoenix, está surgindo um complexo extraordinário de edifícios que vai moldar o futuro da economia global e do mundo.

É a construção de uma fábrica para os semicondutores mais avançados do mundo — que, em algum momento, vai produzir em massa os chips mais avançados do mundo. Este trabalho está sendo realizado nos Estados Unidos pela primeira vez, e a empresa taiwanesa responsável promete investir ainda mais bilhões aqui, em uma iniciativa que visa evitar a ameaça de tarifas sobre chips importados.

Na minha opinião, esta é a fábrica mais importante do mundo, e está sendo construída por uma empresa da qual você talvez não tenha ouvido falar: a TSMC, Taiwan Semiconductor Manufacturing Company. Ela produz 90% dos semicondutores avançados do mundo.

Até agora, todos eles eram fabricados na ilha de Taiwan, que fica a 160 quilômetros a leste da China continental. O chip da Apple no seu iPhone, os chips da Nvidia que alimentam suas consultas do ChatGPT, os chips em seu laptop ou rede de computadores, todos são fabricados pela TSMC.

Sua unidade “Fab 21”, no Arizona, é fortemente vigiada. Papel em branco ou dispositivos pessoais não são permitidos por precaução, para evitar o vazamento de informações confidenciais. Ela abriga algumas das propriedades intelectuais mais importantes do mundo, e o processo de fabricação destes chips é um dos mais complexos e intensivos da manufatura global.

Eles guardam bem os segredos que se encontram em seu interior. Clientes importantes, como a Apple e a Nvidia, confiam nesta companhia para proteger seus designs para futuros produtos.

Mas depois de meses de solicitações, a TSMC permitiu que a BBC desse uma espiada na transferência parcial do que alguns argumentam ser a fabricação mais crítica, cara, complexa e importante do mundo.

Garota-propaganda da política de Trump

O presidente americano, Donald Trump, certamente parece pensar assim. Ele menciona com frequência a fábrica quando tem uma oportunidade. “A TSMC é a maior que existe”, ele afirmou. “Perdemos gradualmente o negócio de chips, e agora está quase exclusivamente em Taiwan. Eles roubaram de nós.” Este é um dos refrões frequentes do republicano.

A recente decisão da TSMC de expandir seus investimentos nos EUA em mais US$ 100 bilhões é algo que Trump atribui às suas ameaças de tarifas sobre Taiwan e o negócio global de semicondutores.

A expansão da fábrica no Arizona, anunciada em março, é, segundo ele, efeito das suas políticas econômicas — em especial, o incentivo a empresas estrangeiras para transferirem fábricas para os EUA a fim de evitar tarifas pesadas.

A China também está observando atentamente os acontecimentos. A proeza de Taiwan na fabricação de chips faz parte do que seu governo chama de “Escudo de Silício“, contra uma invasão um tanto temida. Embora a estratégia original fosse tornar Taiwan indispensável nesta área de tecnologia essencial, as dificuldades na cadeia de suprimentos durante a pandemia de covid-19 mudaram a dinâmica, uma vez que confiar em um único país parecia ser um risco maior.

A China reivindica Taiwan, que tem governo próprio, como seu território, mas Taiwan se considera independente da China continental.

Portanto, muitas correntes da economia mundial, da tecnologia de ponta e da geopolítica fluem por esta fábrica — e nela reside a contradição essencial da política econômica e diplomática de Trump.

Ele vê esta fábrica como um exemplo do America First (“EUA em primeiro lugar”, em tradução livre) e da preservação da superioridade econômica e militar sobre a China. No entanto, a fabricação destes milagres modernos em miniatura, na vanguarda da física e da química, depende inerentemente de uma combinação das melhores tecnologias de todo o mundo.

O ambiente mais limpo do planeta

Greg Jackson, um dos gerentes do complexo, me leva em um carrinho de golfe. As fábricas são praticamente uma cópia fiel das instalações da TSMC em Taiwan, onde ele recebeu treinamento. “Eu diria que essas instalações são provavelmente algumas das mais avançadas e complexas do mundo”, diz ele.

“É uma dicotomia e tanto. Você tem chips muito, muito pequenos, com estruturas muito pequenas, e é preciso uma instalação enorme com toda a infraestrutura para poder fabricá-los… A complexidade e a quantidade de sistemas necessários são impressionantes.”

Dentro do “Gowning Building”, os trabalhadores vestem roupas de proteção antes de atravessar uma ponte que supostamente gera o ambiente mais limpo da Terra, a fim de proteger a produção destes extraordinários transistores microscópicos que criam os microchips que são o alicerce de tudo.

O engenheiro Konstantinos Ninios me mostra algumas das primeiras produções da TSMC Arizona: um wafer de silício com o que é conhecido como “chips de 4 nanômetros”.

“Este é o wafer mais avançado dos EUA atualmente”, ele explica. “[Ele] contém cerca de 10 a 14 trilhões de transistores… Todo o processo envolve de 3 mil a 4 mil etapas.”

Se você pudesse, de alguma forma, encolher seu corpo na mesma escala e entrar no wafer, ele diz que as muitas camadas diferentes se pareceriam com ruas e arranha-céus muito altos.

Manipulação de átomos

A TSMC foi fundada a pedido do governo taiwanês em 1987, quando o executivo do setor de chips Morris Chang foi orientado a abrir o negócio. A ideia era se tornar uma instalação dedicada a microchips, fabricando designs de outras empresas. O sucesso foi estrondoso.

O que impulsiona o avanço da tecnologia é a miniaturização dos menores recursos dos chips. Atualmente, seu tamanho é medido em bilionésimos de metro ou nanômetros. Este avanço permitiu que os telefones celulares se tornassem smartphones, e agora está definindo o ritmo para a implantação em massa da inteligência artificial.

Isso requer um custo e uma complexidade incríveis por meio do uso de “luz ultravioleta (UV) extrema”. Ela é usada para gravar os intrincados pilares da nossa existência moderna em um processo chamado “litografia”.

A dependência mundial da TSMC é baseada em máquinas altamente especializadas do tamanho de um ônibus, que, por sua vez, são fornecidas quase que totalmente por uma empresa holandesa chamada ASML, inclusive no Arizona.

Estas máquinas disparam luz ultravioleta dezenas de milhares de vezes por meio de gotas de estanho fundido, o que gera um plasma, que é então refratado por uma série de espelhos especializados.

O processo quase totalmente automatizado para cada wafer de silício é repetido milhares de vezes em camadas ao longo de meses, até que o wafer de US$ 1 milhão para chips de silício de 4 nm (cada nanômetro corresponde à bilonésima parte de um metro) seja formado.

“Imagine uma partícula ou uma partícula de poeira caindo nisso”, diz Ninios. “Os transistores não vão funcionar. Portanto, tudo isso aqui é mais limpo do que o centro cirúrgico de um hospital.”

Cautela em Taiwan

Taiwan não tem acesso especial às matérias-primas — mas tem o know-how para permanecer anos à frente de outras empresas no intrincado processo de produção destes alicerces atômicos da vida moderna.

Alguns membros do governo taiwanês são cautelosos em relação à expansão da fronteira desta tecnologia para fora da ilha. Trump não perdeu tempo em afirmar que a decisão da empresa de levar seu mais alto nível de tecnologia para os EUA se deveu às suas políticas econômicas.

Ele disse que isso não teria acontecido sem o poder das tarifas planejadas sobre Taiwan e semicondutores. As pessoas com quem conversei na TSMC foram diplomáticas em relação a esta afirmação.

Grande parte disso já estava planejado e subsidiado pela Lei de Chips do ex-presidente dos EUA, Joe Biden.

Na entrada do prédio, há fotos que mostram a visita de Biden em 2022, com o canteiro de obras coberto de estrelas e listras, e uma faixa em que se lê: “Um futuro Made in EUA”.

“A cadeia de suprimentos de semicondutores é global”, diz Rose Castanares, presidente da TSMC Arizona. “Não há um único país neste momento que seja capaz de fazer tudo, desde produtos químicos até fabricação de wafers e embalagens, e por isso é muito difícil desfazer tudo isso tão rápido.”

Cadeias de suprimentos ‘não vermelhas’ para deter a China

Quanto à cadeia de suprimentos de semicondutores, as tarifas não vão ajudar. A cadeia de suprimentos se estende por todo o mundo. Sejam os wafers de silício do Japão, as máquinas da Holanda ou os espelhos da Alemanha, são necessários todos os tipos de materiais do mundo todo. Agora, eles podem enfrentar taxas de importação.

Dito isso, o CEO da TSMC foi rápido ao confirmar a expansão da unidade nos EUA em um evento com Trump na Casa Branca. Nas últimas semanas, a elite tecnológica dos EUA — de Tim Cook, da Apple, a Jensen Huang, da Nvidia — tem se revezado para dizer ao mundo que a TSMC Arizona agora vai produzir muitos dos chips em seus produtos nos EUA.

O setor global de chips é bastante sensível ao ciclo econômico, mas sua tecnologia de ponta desfruta de margens bastante saudáveis, o que poderia amortecer algumas destas tarifas planejadas.

Há muitas entrelinhas geopolíticas aqui. A fábrica está no centro da estratégia dos EUA para obter supremacia tecnológica, na área de inteligência artificial e econômica sobre a China.

Tanto o governo Biden quanto Trump desenvolveram políticas para tentar limitar o acesso chinês à tecnologia de semicondutores de ponta — desde a proibição das exportações para a China das máquinas da ASML até a nova legislação para proibir o uso de chips de inteligência artificial da Huawei em softwares ou tecnologia dos EUA em qualquer lugar do mundo.

O presidente de Taiwan, Lai Ching-te, pediu nesta semana que democracias como o Japão e os EUA desenvolvam cadeias de suprimentos “não vermelhas” para conter a China.

No entanto, nem todo mundo está convencido de que esta estratégia está funcionando. Os tecnólogos chineses têm sido eficazes em contornar as proibições para desenvolver tecnologia local competitiva. E Bill Gates observou esta semana que essas políticas “forçaram os chineses, em termos de fabricação de chips e tudo o mais, a avançar a toda velocidade”.

Trump quer que a TSMC Arizona se torne a pedra fundamental da sua era áurea americana. Mas a história da empresa até o momento talvez seja a expressão máxima do sucesso da globalização moderna.

Portanto, por enquanto, trata-se de uma batalha pela supremacia tecnológica e econômica global, na qual a tecnologia industrial de Taiwan, parte da qual está sendo transferida para o deserto do Arizona, é o ativo essencial

A fábrica secreta dos EUA que expõe contradição em planos de Trump – BBC News Brasil

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A nova regra do jogo: carreiras mais longas, ambientes mais diversos

O futuro do trabalho não será mais sobre juventude ou experiência, mas sobre convivência, troca e complementaridade entre gerações


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MÓRRIS LITVAK – Fast Company Brasil – 12-05-2025 

À medida que vivemos mais, nossas trajetórias profissionais se expandem – e as empresas precisam acompanhar essa mudança, repensando cultura, gestão e inclusão geracional.

Não é mais novidade que estamos vivendo mais. Mas o que nem todo mundo percebe é o impacto profundo que isso tem nas nossas vidas profissionais. Se antes a carreira se concentrava em 30 ou 35 anos, hoje ela pode durar 50 anos ou mais. E isso muda tudo.

Estamos diante de uma nova regra do jogo: as carreiras estão mais longas, o mercado mais diverso em idades e os modelos antigos de gestão simplesmente não dão conta dessa complexidade. Quem não entender isso corre o risco de perder relevância, produtividade e inovação.

Segundo o IBGE, em 2030, o Brasil terá mais pessoas acima dos 60 anos do que crianças até 14. Ou seja, o “país jovem” já não é realidade. E o mercado de trabalho precisa se adaptar.

O FIM DO MODELO LINEAR

Por décadas, seguimos um modelo profissional quase automático: estudar, trabalhar, aposentar. Tudo em linha reta. Mas essa linha está se esticando – e se curvando.

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Hoje, vemos pessoas de 50, 60, 70 anos querendo (e podendo) continuar ativas. Seja empreendendo, mudando de área ou buscando novos aprendizados. Ao mesmo tempo, vemos jovens entrando no mercado com a expectativa de mudar de rota várias vezes.

A carreira deixou de ser linear. Tornou-se cíclica, fluida e mais longa. E isso exige um novo olhar das empresas.

A GERAÇÃO DA TRAVESSIA

Entre os que mais sentem essa mudança estão as pessoas que hoje têm entre 40 e 55 anos. Elas cresceram ouvindo que o sucesso era conquistar estabilidade o mais cedo possível, mas agora vivem uma realidade que exige flexibilidade, reinvenção e atualização constante.

Essa geração está no meio do caminho: viu o mundo analógico virar digital, o emprego vitalício se transformar em múltiplas carreiras e o tempo de contribuição virar tempo de transição. Por isso, também é uma geração com grande potencial de protagonismo – se tiver o suporte certo.

QUATRO GERAÇÕES (OU MAIS) NO MESMO TIME: DESAFIO OU OPORTUNIDADE?

Nunca tivemos tantas gerações convivendo ao mesmo tempo nos ambientes de trabalho. E isso pode ser um caos ou uma potência.

O desafio está em lidar com diferentes ritmos, repertórios e estilos de comunicação. Mas a oportunidade está em combinar experiências: a ousadia dos mais jovens com a visão estratégica dos mais velhos, a fluência digital com a sabedoria analógica.

Um estudo da McKinsey mostra que times diversos – incluindo diversidade etária – têm até 35% mais chances de superar seus concorrentes em performance. Incluir todas as idades é também uma decisão de negócios.

EXEMPLOS QUE INSPIRAM

Felizmente, já existem empresas que estão entendendo essa mudança. Grandes corporações como Assaí, L’Oréal Brasil, TIM, Livelo, Eurofarma e Banco BMG têm desenvolvido programas de contratação, capacitação e retenção de talentos 50+, inclusive com metas afirmativas e programas intergeracionais (veja aqui sobre o selo Age Friendly Employer).

Na Maturi, temos acompanhado de perto esse movimento, com iniciativas que mostram que é possível – e necessário – mudar a mentalidade do RH para incluir o tempo como dimensão da diversidade. E os resultados vão além dos números: há ganhos reais em cultura, inovação e reputação. Veja mais cases de sucesso aqui.

LIFELONG LEARNING: A CHAVE PARA O NOVO MUNDO DO TRABALHO

Uma das principais ferramentas para navegar nessa nova era é o aprendizado contínuo. O chamado lifelong learning precisa deixar de ser tendência para virar prática real.

E aqui, novamente, todas as idades importam: jovens aprendem a se desenvolver com mais consistência, enquanto os mais velhos podem se reinventar, dominar novas tecnologias e manter sua relevância no mercado. Educação ao longo da vida não é luxo, é condição básica para carreiras mais longas.

O QUE PRECISA MUDAR NAS EMPRESAS

Para acompanhar essa transformação, as empresas precisam ajustar três pilares:

NUNCA TIVEMOS TANTAS GERAÇÕES CONVIVENDO AO MESMO TEMPO NOS AMBIENTES DE TRABALHO.

– Cultura: abandonar o etarismo disfarçado de “fit cultural” e valorizar o protagonismo em todas as fases da vida.

– Gestão de pessoas: rever programas de carreira, sucessão, desenvolvimento e até benefícios para abranger ciclos mais longos e rotas menos previsíveis.

– Ambiência: criar espaços (físicos e simbólicos) onde todas as idades se sintam pertencentes, com escuta, respeito e oportunidades reais. Ou seja, promover a integração geracional de forma ativa.

A revolução da longevidade já começou, e ela não diz respeito apenas aos 50+, mas a todos nós. Porque todos, cedo ou tarde, vamos envelhecer. E queremos continuar tendo valor, oportunidades e espaço.

Se as carreiras estão mais longas, os ambientes também precisam se tornar mais generosos.

Mais diversos.

Mais preparados para essa nova era.

O futuro do trabalho não será mais sobre juventude ou experiência, mas sobre convivência, troca e complementaridade entre gerações. E esse futuro já começou.


SOBRE O AUTOR

Mórris Litvak é fundador e CEO da Maturi, plataforma líder no Brasil para profissionais 50+. Engenheiro de Software pela FIAP, com pós-graduação em Gestão da Inovação Social pelo Amani Institute, é um empreendedor social dedicado a promover a diversidade etária nas empresas. Inspirado pela história de sua avó, passou a estudar longevidade, criando a Maturi para conectar profissionais experientes a empresas inovadoras. Mórris também leciona em cursos de pós-graduação em gerontologia nos Hospitais Albert Einstein e Sírio Libanês, e no curso de Diversidade da Escola de Negócios da Aberje.

A nova regra do jogo: carreiras mais longas, ambientes mais diversos | Fast Company Brasil

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