‘Temos orgulho disso’: como as gigantes da tecnologia estão em processo avançado de militarização

Em uma grande mudança, o Google, a OpenAI, a Meta e os investidores — muitos dos quais já haviam renunciado ao envolvimento em guerras — abraçaram o complexo industrial militar

Por Sheera Frenkel – Estadão/The New York Times – 07/08/2025

Em uma cerimônia realizada em junho, na Base Conjunta Myer-Henderson Hall, em Arlington, Virgínia, quatro executivos atuais e ex-executivos da Meta, OpenAI e Palantir se alinharam no palco para fazer um juramento de apoiar e defender os Estados Unidos.

O exército dos EUA acabara de criar uma unidade de inovação técnica para os executivos, que estavam vestidos com uniformes de combate e botas. No evento, eles foram nomeados tenentes-coronéis da nova unidade, o Destacamento 201, que assessorará o exército em novas tecnologias para possíveis combates.

“Precisamos desesperadamente do que eles fazem de melhor”, disse o secretário do exército, Daniel Driscoll, sobre os executivos de tecnologia, que desde então passaram por um treinamento básico. “É um eufemismo dizer o quanto somos gratos por eles estarem assumindo esse risco de vir e tentar construir isso conosco.”

As forças armadas não estão apenas cortejando as empresas de tecnologia do Vale do Silício. Na era do presidente Trump, elas conseguiram recrutá-las com sucesso.

Para você

Nos últimos dois anos, os líderes e investidores do Vale do Silício — muitos dos quais já haviam renunciado ao envolvimento com armas e guerras — mergulharam de cabeça no complexo industrial militar. Meta, Google e OpenAI, que antes tinham em suas políticas corporativas cláusulas proibindo o uso de inteligência artificial (IA) em armas, removeram tais cláusulas. A OpenAI está criando tecnologia antirrobôs, enquanto a Meta está fabricando óculos de realidade virtual para treinar soldados para a batalha.

Ao mesmo tempo, startups de armas e defesa estão decolando. A Andreessen Horowitz, uma empresa de investimento, disse em 2023 que investiria US$ 500 milhões em tecnologia de defesa e outras empresas que ajudariam os Estados Unidos a “avançar”. A Y Combinator, incubadora de startups conhecida por criar empresas como Airbnb e DoorDash, financiou sua primeira startup de defesa em agosto de 2024. Os investimentos em empresas relacionadas à defesa aumentaram 33% no ano passado, chegando a US$ 31 bilhões, de acordo com a McKinsey.

A mudança faz parte de uma grande transformação cultural no Vale do Silício. Há uma década, as empresas de tecnologia ostentavam lemas como “conectando o mundo” e “não faça o mal” e prometiam que sua tecnologia não seria usada para fins militares. Trabalhar com o governo dos Estados Unidos era tão impopular que os contratos de software e computação em nuvem com o Departamento de Defesa alimentavam protestos dos funcionários de tecnologia.

Agora, “a maré mudou”, disse Andrew Bosworth, diretor de tecnologia da Meta e um dos novos tenentes-coronéis do Destacamento 201, em uma conferência de tecnologia em São Francisco, em junho. “Há uma base patriótica muito mais forte do que as pessoas imaginam no Vale do Silício.” Ele deve cumprir alguns dias de serviço na reserva do exército a cada ano.

A militarização da capital tecnológica do país foi impulsionada por um clima político em mudança, pela competição com a China pela liderança tecnológica e pelas guerras na Ucrânia e em Gaza, onde drones e sistemas de armas apoiados por inteligência artificial se tornaram cruciais nas batalhas. Essas guerras levaram o Pentágono a começar a modernizar o arsenal de armas dos Estados Unidos, uma medida que Trump apoiou.

Em abril, Trump emitiu uma ordem executiva exigindo que as Forças Armadas atualizassem o sistema que utilizam para adquirir novas tecnologias. Seu projeto de lei de política interna alocou um valor recorde de US$ 1 trilhão para a defesa em 2026, incluindo tecnologias como drones autônomos. Executivos do Vale do Silício e investidores estão de olho nessa bonança.

“Proteger as democracias é importante”, disse Raj Shah, sócio-gerente da Shield Capital, uma empresa de investimento em São Francisco que investe em tecnologia de defesa e segurança. “Existem autoritários malvados por aí que não acreditam em fronteiras.”

Mas alguns executivos e engenheiros da área de tecnologia estão lutando contra os possíveis danos dessa mudança. Depois de criarem drones autônomos e armas com inteligência artificial para as forças armadas, eles terão pouco controle sobre como a tecnologia será utilizada. Isso gerou debates sobre se mais pessoas serão mortas por essas armas avançadas do que pelas tradicionais, disseram três engenheiros do Google e da Meta.

“Essas empresas do Vale do Silício são hipercompetitivas e, em sua busca por entrar nesses setores de defesa, não há muito tempo para parar e pensar”, disse Margaret O’Mara, historiadora de tecnologia da Universidade de Washington.

Enraizado na defesa

A militarização do Vale do Silício é, em muitos aspectos, um retorno às raízes da região.

Antes de se tornar um epicentro tecnológico, a área era uma região bucólica de pomares. Na década de 1950, o Departamento de Defesa começou a investir em empresas de tecnologia na região, com o objetivo de competir com as vantagens tecnológicas da Rússia na Guerra Fria. Isso fez do governo federal o primeiro grande apoiador do Vale do Silício.

A Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa, uma divisão do Departamento de Defesa, mais tarde incubou tecnologias — como a internet — que se tornaram a base para as maiores empresas do Vale do Silício. Em 1998, os estudantes de pós-graduação de Stanford, Sergey Brin e Larry Page receberam financiamento da Darpa e de outras agências governamentais para criar o Google.

Mas, no final da década de 1990 e na década de 2000, as empresas de tecnologia voltaram-se para a tecnologia de consumo, como o comércio eletrônico e as redes sociais. Elas se apresentavam como benéficas e democratizadoras da tecnologia para as massas, atraindo uma força de trabalho amplamente liberal que se opunha a trabalhar com o establishment de defesa.

Em 2018, mais de 4 mil funcionários do Google protestaram contra um contrato do Pentágono chamado Projeto Maven, que teria usado a inteligência artificial da empresa para analisar imagens de vigilância de drones. Em uma carta aos executivos, os funcionários disseram que o Google “não deveria estar no negócio da guerra”.

O Google logo disse que não renovaria o contrato com o Pentágono e desistiu da disputa por um contrato de computação em nuvem de US$ 10 bilhões, chamado JEDI, para o Departamento de Defesa.

Naquele ano, o Google publicou princípios orientadores para futuros projetos de IA, proibindo o uso da IA em “armas ou outras tecnologias cujo objetivo principal ou implementação seja causar ou facilitar diretamente danos às pessoas”. Outras empresas seguiram o exemplo com compromissos semelhantes.

Houve exceções. Alex Karp, CEO da Palantir, uma empresa de análise de dados tecnológicos fundada em 2003, estava tão entusiasmado com a ideia de o Vale do Silício assumir um papel mais importante na defesa que processou o exército em 2016 para obrigá-lo a considerar a compra do software da Palantir. A Palantir alegou que o exército não estava considerando opções comerciais para suas necessidades.

A Palantir ganhou o processo. Outras empresas de tecnologia forneceram ao Departamento de Defesa software e computação em nuvem, entre outros serviços.

Em 2015, o secretário de Defesa, Ashton Carter, visitou o Vale do Silício para inaugurar a Unidade de Inovação de Defesa, um programa militar emblemático para acelerar a adoção de tecnologia avançada. Mas as startups disseram que o processo burocrático para assinar acordos com o Pentágono tornava o programa insustentável.

“Não éramos tão ágeis quanto as pessoas com quem queríamos nos conectar gostariam que fôssemos”, reconheceu Carter em uma conferência de tecnologia, em 2016.

Orgulho em se envolver

Depois que as guerras na Ucrânia e em Gaza trouxeram drones autônomos e software de reconhecimento facial para os campos de batalha, os engenheiros e executivos do Vale do Silício disseram que perceberam que não era mais uma teoria que a próxima guerra seria vencida pelos militares com as tecnologias mais avançadas.

O clima político também mudou, com alguns executivos e investidores apoiando abertamente visões e candidatos de direita. A competição com a China pela superioridade tecnológica levou muitos técnicos a se inclinarem mais para o governo dos EUA como aliado.

A Palantir se tornou um modelo para outras empresas de tecnologia. Com contratos com o governo e as forças armadas dos EUA para software que organiza e analisa dados, o valor de mercado da empresa disparou para mais de US$ 375 bilhões este mês, mais do que a capitalização de mercado combinada de empreiteiras de defesa tradicionais como Lockheed Martin, Northrop Grumman e General Dynamics.

Em uma carta aos acionistas, em maio, Karp disse que os críticos antes rejeitavam o interesse da Palantir em “armar os Estados Unidos da América”, mas que “alguns no Vale do Silício agora mudaram de opinião e começaram a seguir nosso exemplo”.

A Palantir não respondeu a um pedido de comentário.

Outras empresas do Vale do Silício também se voltaram para a defesa. Em ja]neiro de 2024, a OpenAI, fabricante do ChatGPT, excluiu de sua página de política a linguagem que proibia o uso de sua tecnologia para “desenvolvimento de armas” e “militares e guerra”. Em dezembro daquele ano, a empresa anunciou um acordo com a Anduril, uma startup de tecnologia de defesa, para construir sistemas de IA antirrobôs.

Solicitada a comentar, uma porta-voz da OpenAI apontou para uma conversa em abril entre Sam Altman, CEO da empresa, e o general Paul M. Nakasone, membro do conselho da OpenAI e ex-chefe da Agência de Segurança Nacional.

“Temos que nos envolver em áreas de segurança nacional, temos orgulho disso e realmente queremos fazer isso”, disse Altman, acrescentando que a OpenAI ajudaria a desenvolver IA quando estivesse “apoiando os EUA e nossos aliados a defender os valores democráticos em todo o mundo e a nos manter seguros”.

(O New York Times processou a OpenAI e sua parceira, a Microsoft, por violação de direitos autorais de conteúdo noticioso. Ambas as empresas negaram qualquer irregularidade.)

No ano passado, a Meta alterou suas políticas para permitir que suas tecnologias de IA fossem utilizadas para fins militares. Em maio, a empresa anunciou uma parceria com a Anduril para desenvolver dispositivos de realidade virtual para treinar soldados. Na época, Bosworth afirmou que “a segurança nacional dos Estados Unidos se beneficia enormemente com a indústria americana dando vida a essas tecnologias”.

Em fevereiro, o Google anunciou que também estava descartando sua proibição autoimposta do uso de IA em armas. Em uma postagem no blog, a empresa disse que havia “uma competição global pela liderança em IA em um cenário geopolítico cada vez mais complexo. Acreditamos que as democracias devem liderar o desenvolvimento da IA”.

O Google e a Meta se recusaram a comentar.

Um dos beneficiários dessa mudança é a Anduril, fundada em 2017 por Palmer Luckey, um empreendedor de tecnologia que desenvolveu o headset de realidade virtual, o Oculus. A Anduril, que projeta armas com suporte de IA, assinou um contrato de US$ 642 milhões para tecnologia antirdrone com o Corpo de Fuzileiros Navais, em março, e um contrato de US$ 250 milhões para avançar a tecnologia de defesa aérea para o Departamento de Defesa, em outubro.

Em junho, a Anduril anunciou que havia levantado US$ 2,5 bilhões em novos financiamentos, com uma avaliação de US$ 30,5 bilhões. A empresa se recusou a comentar.

A adesão à defesa foi marcada pelo alistamento de quatro executivos da área de tecnologia na nova unidade do exército em junho. Eles eram Bosworth, da Meta, o diretor de tecnologia da Palantir, Shyam Sankar, o diretor de produtos da OpenAI, Kevin Weil, e Bob McGrew, consultor do Thinking Machines Lab e ex-diretor de pesquisa da OpenAI. O exército havia ligado para Sankar sobre a unidade e ele recomendou os outros executivos, disse um porta-voz do exército.

‘Um ciclo de hype’

Quando Billy Thalheimer participou de uma sessão na incubadora de startups, Y Combinator, no Vale do Silício, em 2021, ele se viu como um desajustado.

Como CEO da Regent, uma empresa que constrói planadores marítimos elétricos para fins militares e outros, ele disse ter percebido “um verdadeiro estigma contra a tecnologia de defesa”. Outras startups da Y Combinator promoviam projetos de criptografia, lembra Thalheimer.

Agora, existem centenas de startups focadas em tecnologia de defesa, disse ele. “É claro que estamos em um ciclo de hype”, afirmou.

Desde 2023, a Regent arrecadou mais de US$ 100 milhões de investidores, incluindo Mark Cuban e Peter Thiel. Em março, a empresa fechou um contrato de US$ 15 milhões com o Corpo de Fuzileiros Navais e está construindo uma fábrica em Rhode Island.

Em Hayward, Califórnia, a produção aumentou na fábrica da Skydio, uma empresa de drones autônomos. Em junho, a startup assinou um contrato de US$ 74 milhões com o Departamento de Estado para fornecer drones para o combate global ao narcotráfico e para a aplicação da lei.

Adam Bry, que fundou a Skydio em 2014, disse que houve uma grande mudança na rapidez com que os militares estão atendendo à necessidade de novas tecnologias. Levou três anos para assinar seu primeiro contrato para fornecer drones ao exército, mas um novo contrato este ano para continuar fornecendo drones ao exército levou menos de um mês.

“Pela primeira vez, estamos vendo um senso real de urgência”, disse Bry. A Skydio, que arrecadou US$ 230 milhões, tem mais de 800 funcionários.

A relação mais próxima do Vale do Silício com o setor de defesa ficou em março, quando centenas de pessoas se reuniram em Washington para uma cúpula organizada pela Andreessen Horowitz. A empresa destacou seu programa “American Dynamism”, que inclui investimentos em empresas de defesa.

“Investir em tecnologia de defesa é necessário e urgente”, disse David Ulevitch, sócio geral da Andreessen Horowitz, em um comunicado. “A superioridade tecnológica é um requisito para uma democracia forte.”

O palestrante convidado foi o vice-presidente JD Vance, que já investiu na Anduril anteriormente.

“Não devemos ter medo de novas tecnologias produtivas; na verdade, devemos procurar dominá-las”, disse Vance. “É certamente isso que este governo quer alcançar.”

‘Temos orgulho disso’: como as gigantes da tecnologia estão em processo avançado de militarização – Estadão

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Quanta água o ChatGPT ‘bebe’ para responder sua pergunta?

Data centers se multiplicam no Brasil e cientistas tentam estimar impacto

Camilla Veras Mota – Folha – 10.ago.2025  

São Paulo | BBC

As fotos que você posta nas redes, o filme que vê no streaming, a aposta nos sites de bets, tudo isso é processado em um data center, um centro de armazenamento de dados que funciona como uma espécie de “cérebro” da internet.

E que é também um ávido consumidor de energia.

“Eles funcionam como um computador gigante de alta performance”, ilustra Juliano Covas, gerente comercial e de engenharia para o segmento de data centers da América Latina da Corning Optical Communications.

Com corredores cheios de armários de ferros com pilhas de servidores, os data centers demandam muita eletricidade, usada tanto pelas máquinas em si quanto pelo sistema de refrigeração que funciona sem parar para impedir que elas superaqueçam.

Hoje há 162 data centers espalhados pelo país, conforme estimativas da Associação Brasileira de Data Centers (não há dados públicos oficiais), com capacidade instalada em torno de 750MW e 800MW.

Algo dessa magnitude, para efeito de comparação, é semelhante ao consumo de energia de uma cidade de cerca de dois milhões de habitantes, conforme estimativas feitas por técnicos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) a pedido da reportagem.

Com a popularização do uso da inteligência artificial, contudo, a expansão prevista para a próxima década deve multiplicar esse número em mais de 20 vezes.

Nessa escala, o segmento de data centers pode se tornar estratégico — foi inclusive mencionado nesta semana pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como setor que pode ser explorado em conjunto com os Estados Unidos em meio à negociação do tarifaço americano.

Haddad justificou dizendo que o Brasil possui grande oferta de energia pra manter esses centros de processamento de dados funcionando.

De acordo com os números do Ministério de Minas e Energia, a demanda por energia por data centers no Brasil deve chegar a 17.716 MW em 2038, estimativa feita com base nos pedidos de acesso à rede de energia do país enviados pelas empresas à pasta.

Um desses pedidos, que recebeu recentemente o aval do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), é um megaempreendimento de 300 MW, com investimento previsto de R$ 50 bilhões, que deve ser erguido na região do porto do Pecém, no Ceará, para abrigar um data center que estaria gerando interesse em grandes empresas de tecnologia como a chinesa ByteDance, dona do TikTok, conforme noticiou a agência Reuters.

À reportagem, o TikTok afirmou que não se manifestaria sobre o assunto.

A Casa dos Ventos, responsável pelo projeto, disse que o início da construção está previsto para o segundo semestre de 2025 e que a expectativa é que o complexo entre em operação em 2027.

‘DATA CENTERS SÃO CAIXAS PRETAS’

Usando a mesma analogia do consumo de eletricidade por habitante (que não é uma comparação perfeita, mas serve para dar dimensão da magnitude), a demanda por energia projetada para os data centers em 2038 equivaleria à de uma cidade de 43 milhões de habitantes, quase quatro vezes a população da cidade de São Paulo (11,5 milhões, conforme o Censo 2022).

Mas o que isso significa — qual vai ser o impacto desse crescimento?

Via de regra, qualquer aumento na produção de energia elétrica, ainda que renovável, gera algum tipo de impacto ambiental, que pode inclusive afetar negativamente as populações que vivem próximo às usinas (leia mais abaixo).

No caso dos data centers, os especialistas ouvidos pela BBC News Brasil apontaram que hoje é difícil fazer essa estimativa com precisão, especialmente com a disseminação da inteligência artificial.

Data centers que têm a capacidade de treinar, implementar e disponibilizar aplicações e serviços de IA são equipados com circuitos eletrônicos com chips de alto desempenho (como o H100 da Nvidia) que consomem muito mais energia do que os tradicionais.

O quanto mais, contudo, hoje ainda é difícil dizer. Cientistas que têm se dedicado a tentar estimar o consumo de energia — e o impacto ambiental como um todo — afirmam que a quantidade de informações compartilhadas pelas empresas de tecnologia e operadores de data centers não é suficiente para fazer um cálculo acurado.

Não se sabe, por exemplo, em que capacidade os data centers operam — se consomem algo perto de toda a energia que a infraestrutura dispõe ou muito menos que isso.

Outro dado considerado importante que não é compartilhado pelas empresas é qual percentual dos servidores é usado para treinar os modelos e para a operação de fato dos chatbots, a chamada “inferência”, processo usado para gerar o texto de resposta.

Ou ainda quais data centers são usados para esse tipo de serviço.

“Os data centers são caixas pretas”, diz Alex de Vries, fundador do Digiconomist, projeto que há uma década estuda as consequências não-intencionais das tendências digitais.

“Nós estamos conversando por Zoom agora e eu não faço ideia em que parte do mundo estão os servidores que estão processando a chamada”, ilustra o economista, que mora nos arredores de Amsterdam e pesquisa o consumo de energia e o impacto ambiental da IA como parte do doutorado na Vrije Universiteit Amsterdam.

De Vries tenta calcular o uso de eletricidade a partir dos chips da maior fornecedora hoje para a indústria de IA, a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), levando em consideração o volume de chips vendidos pela empresa e fazendo suposições sobre a capacidade utilizada dos data centers onde eles operam, a eficiência do sistema de refrigeração e os demais parâmetros para os quais não há informações divulgadas.

“É um desvio enorme para se chegar a algo que deveria ser muito simples de obter”, ele comenta.

“As empresas sabem exatamente quanto de energia seus sistemas de IA estão usando, eles apenas optam por não publicar essa informação”, completa.

Com o cálculo, ele chega em uma estimativa do consumo global de energia pela inteligência artificial, que no ano passado se comparava a toda a eletricidade usada na Holanda.

“Em 2025 esse número deve dobrar, a inteligência artificial vai consumir duas vezes mais energia do que um país como a Holanda”, afirma De Vries.

O economista tem advogado por mais transparência por parte das empresas de tecnologia, argumentando que hoje é difícil confrontar os custos e benefícios da inteligência artificial.

“Enquanto isso, a demanda por energia está crescendo tão rápido. Nunca vimos nada parecido antes”, ressalta De Vries.

UMA PERGUNTA PRO CHATGPT CONSOME UMA GARRAFA D’ÁGUA?

Fabro Steibel, que é diretor-executivo do Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS), pontua que o uso de data centers no Brasil é muito diferente do que se observa em países como os EUA, por exemplo, onde algumas dessas instalações são usadas para treinar modelos de linguagem grandes (LLM, na sigla em inglês) como o ChatGPT, Claude e Gemini.

“A gente não é ‘big techs‘”, ele pondera, emendando que a comparação que ficou famosa no último ano, de que uma pergunta ao ChatGPT consumiria algo semelhante a uma garrafa d’água, não é generalizável para o setor como um todo.

“Isso não foi inventado, mas é um caso bem específico, em um determinado contexto”, completa.

Essa ideia nasce, segundo ele, a partir de uma reportagem do Washington Post de setembro de 2024 que repercutia um estudo de pesquisadores da Universidade da California, Riverside com uma estimativa do gasto de água para que o chatbot escreva um email de 100 palavras (519 ml).

O próprio texto destaca que o consumo de água varia a depender do sistema de refrigeração usado pelo data center e lista diferentes estimativas a depender do Estado americano em que estivesse localizado, indo de 235 ml no Texas a 1.468 ml em Washington.

O consumo de água nos data centers se dá basicamente de duas formas: indireta, quando a energia usada na instalação vem de hidrelétricas, e direta, quando o recurso é usado no sistema de refrigeração do prédio.

Há dois modelos bastante diferentes de refrigeração, entretanto. Um deles usa uma torre de resfriamento em que a água que passa pelo circuito evapora, criando a necessidade de adição de água pura constantemente ao sistema.

Nos Estados Unidos, que concentra cerca de três mil data centers, o uso desse sistema tem causado impacto em pequenas cidades pelo país e gerado atritos entre as populações locais e grandes empresas de tecnologia.

O segundo é um sistema de refrigeração de ciclo fechado, em que o uso de água é significativamente menor.

Esse, segundo a assessoria da Casa dos Ventos, será o modelo utilizado no grande data center previsto para ser construído no Ceará.

À reportagem, a empresa afirmou ainda que o data center terá acesso exclusivo “a 300MW de energia fornecida por parques eólicos e solares”.

O LADO B DAS ENERGIAS RENOVÁVEIS

Mesmo as energias renováveis, contudo, têm algum tipo de impacto, ainda que em termos de emissões de gases de efeito estufa elas sejam muito menos danosas do que os combustíveis fósseis.

Há casos em que o barulho das turbinas eólicas, por exemplo, chega a causar depressão, insônia e surdez em quem mora nas proximidades.

Ou conflitos territoriais entre as empresas e comunidades locais, que são tema de pesquisa da professora da Universidade Federal do Ceará (UFC) Adryane Gorayeb, que é também membro do Observatório da Energia Eólica.

Em uma das comunidades estudadas por ela, localizada no litoral do Ceará, o empreendimento aterrou uma das lagoas entre dunas que era usada para pesca durante o inverno, comprometendo a subsistência da população local, e bloqueou a única via que os moradores usavam para sair e entrar no vilarejo, forçando-os a escalar dunas mais altas para se deslocarem.

“Muitas das comunidades tradicionais do litoral impactadas pela construção de usinas vivem uma rotina de ameaças aos seus direitos mais básicos, desde acesso à água, alimentos e à terra”, comenta.

O Observatório da Energia Eólica recentemente expandiu seu escopo para pesquisar também os impactos da energia solar, que vão desde consumo de água para lavar os painéis até uso de agrotóxicos na manutenção da vegetação que cresce abaixo das placas solares.

SOLUÇÕES LOCAIS

Fabro Steibel, da ITS, argumenta que o Brasil está produzindo “soluções locais” na construção de uma infraestrutura local voltada para a inteligência artificial com potencial de produzir impacto ambiental significativamente menor do que o observado em países como os EUA.

“A necessidade faz a solução. Se eles [big techs] têm todo o equipamento à disposição, não têm incentivo nenhum de revolucionar. A gente não tem esse recurso”, destaca.

E cita como exemplo a previsão, na recém-aprovada lei de fomento à IA aprovada em Goiás, do uso de biometano para produção de energia para data centers. O ITS coordenou a consulta pública realizada durante a elaboração da proposta.

“O data center movido a biometano existe? Não, ele é outra frequência, outra coisa. Mas pode existir. E o biometano tá ali, é o que sobra da soja e do milho.”

Goiás espera se tornar o primeiro Estado do país a usar os chips mais avançados da Nvidia, o Blackwell B200, que foram encomendados pelo Centro de Excelência em IA da Universidade Federal de Goiás (UFG). O objetivo é integrá-los em oito supercomputadores que serão usados em cerca de 70 projetos de pesquisa.

A reportagem tentou contato com o Centro de Excelência em IA da universidade pedindo detalhes sobre a estimativa de consumo de energia da nova estrutura, mas não teve retorno.

Quanta água o ChatGPT ‘bebe’ para responder sua pergunta? – 10/08/2025 – Mercado – Folha

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Brasil entra no top 4 global em energias renováveis, aponta novo relatório

O país ocupa 4ª posição no mundo em fontes limpas e apresenta uma das eletricidades mais baratas; confira com qual energia

GUYNEVER MAROPO – Fast Company Brasil – 25-07-2025 

O mercado global de energias renováveis manteve a liderança sobre os combustíveis fósseis em 2024, mesmo diante de um cenário geopolítico adverso, marcado por guerras e recuos políticos em países como os Estados Unidos.

De acordo com relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), divulgado na última terça-feira (22), o uso de fontes limpas gerou uma economia global de US$ 467 bilhões (R$ 2,6 trilhões), além de R$ 317 bilhões provenientes de novos projetos executados apenas no último ano.

O Brasil consolidou sua posição como uma das principais potências em energias renováveis, ocupando a quarta colocação no ranking mundial, atrás apenas de China, Estados Unidos e União Europeia. O desempenho brasileiro se destaca não só pelo volume de investimentos e recursos naturais, mas principalmente pela competitividade econômica das fontes utilizadas.

Em 2024, a energia eólica onshore brasileira alcançou o custo de US$ 30 por megawatt-hora (MWh), patamar semelhante ao da China. A energia solar fotovoltaica, por sua vez, registrou custo de US$ 48/MWh. Segundo o relatório, 91% dos projetos renováveis comissionados no mundo apresentaram melhor custo-benefício em comparação com alternativas fósseis.

A IRENA também destacou que a energia solar ficou, em média, 41% mais barata que a fonte fóssil de menor custo, enquanto os projetos eólicos onshore foram 53% menos onerosos. A tendência confirma a vantagem econômica das fontes limpas, impulsionadas por anos de inovação tecnológica, políticas públicas eficientes e crescimento dos mercados.

Diversificação da matriz energética brasileira

A matriz elétrica do Brasil ainda é majoritariamente composta por hidrelétricas, que representam mais de 50% da eletricidade gerada. No entanto, o crescimento das fontes solar e eólica indica um movimento robusto de diversificação.

O relatório aponta que o avanço das renováveis no país está relacionado a leilões públicos com contratos de longo prazo, que oferecem estabilidade aos investidores e reduzem riscos financeiros. Apesar disso, ainda existem desafios, como o desenvolvimento de sistemas de armazenamento e a modernização da rede elétrica nacional.

A IRENA também alerta para a necessidade de marcos regulatórios claros, que garantam previsibilidade e atratividade ao investimento internacional. Em escala global, questões como mudanças geopolíticas, tarifas comerciais e escassez de matérias-primas ainda representam riscos que podem afetar temporariamente os custos das renováveis.

Inovação acelera a transição energética

O relatório destaca avanços tecnológicos que tornam as energias renováveis ainda mais competitivas. Um exemplo é o custo dos sistemas de armazenamento com baterias de lítio, que caiu 93% desde 2010. A expectativa é que um próximo leilão no Brasil impulsione o uso da tecnologia em escala comercial.

Outras inovações incluem sistemas híbridos que integram solar, eólica e armazenamento, além de ferramentas digitais como Inteligência Artificial, utilizadas para otimizar a operação e integração de fontes renováveis variáveis.

O estudo reforça que as energias renováveis seguem como peça central para um sistema energético acessível, limpo e sustentável, colocando o Brasil em posição estratégica para liderar a transição global.


SOBRE A AUTORA

Jornalista, pós-graduando em Marketing Digital, com experiência em jornalismo digital e impresso, além de produção e captação de conte… saiba mais

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Não precisa ser humano para produzir sequências de palavras

Eis a maior contribuição dos modelos como o ChatGPT para a humanidade

Suzana Herculano-Houzel – Folha – 7.ago.2025 Bióloga e neurocientista da Universidade Vanderbilt (EUA)

Meu marido, que apagou sua existência da internet quando deixou a vida das turnês de shows de rock por uma nova carreira na indústria da saúde, foi perguntar ao Google se os algoritmos encontrariam seu nome como “marido da Suzana Herculano-Houzel”. A resposta do AI Overview do Google nos rendeu uma boa gargalhada: “Suzana Herculano-Houzel é casada com o neurocientista Jon Kaas. Ambos trabalham na Universidade Vanderbilt e colaboram fazendo pesquisa juntos”.

As duas últimas partes procedem, e são a razão de o meu nome ocorrer inúmeras vezes junto ao de meu amigo, colega e vizinho de corredor Jon Kaas, arquiteto-mor da minha transferência para os EUA nove anos atrás. Mas meu marido ele não é e nunca foi.

A imagem mostra uma tela de pesquisa do Google com informações sobre Suzana Herculano-Houzel. O texto menciona que ela é casada com o neurocientista Jon Kaas e que ambos trabalham na Universidade Vanderbilt, onde colaboraram em pesquisas. Há também uma imagem dela ao lado do texto.

Resposta, incorreta, do AI Overview do Google – Reprodução

Por isso não compartilho do otimismo do meu outro amigo, Bernardo Monteiro, conselheiro regular desta coluna que outro dia me mandou, empolgado, uma matéria anunciando que cientistas da universidade Stanford haviam criado uma equipe de “cientistas virtuais” para resolver problemas reais no laboratório.

Ó céus. Nós cientistas já temos que dar duro para conferir e reconferir o trabalho dos nossos estudantes e até mesmo colaboradores (sempre tem erros e discordâncias, por várias causas), e agora eu tenho colegas escolhendo relegar busca e análise de dados e elaboração de relatórios a algoritmos cuspidores de sequências de palavras que comprovadamente geram fantasia?

A ironia é que justamente essa capacidade de um algoritmo produzir algo que funciona como linguagem bem o suficiente para ser usado como redator de relatórios e “artigos científicos” e até consultório sentimental é para mim a maior e mais importante contribuição para a humanidade dos algoritmos como o ChatGPT. Digo isso porque uma teoria persistente na estória da evolução humana é que a linguagem foi adquirida exclusivamente por nossa espécie graças a algum “estalo” evolutivo que teria tornado somente o cérebro humano capaz de formar sequências de sons com significados.

O proponente mais renomado desta teoria é o linguista Noam Chomsky, quem para minha honra e surpresa me chamou para conversar uns oito anos atrás, quando visitei a Universidade do Arizona. Eu ingenuamente pensei que ele estaria interessado em ouvir diretamente de mim sobre minhas descobertas de que o cérebro humano era apenas mais um cérebro primata, mas não: ele apenas me explicou que eu estava errada.

E aí veio o ChatGPT, garoto-propaganda dos grandes modelos de linguagem, e mostrou que força bruta aplicada ao mapeamento probabilístico de associações entre sequências de eventos em enormes bases de dados basta para produzir algo que funciona como linguagem. Quanto mais capacidade de memória, mais tempo para treino e mais energia –as exatas três coisas que o córtex humano tem a mais comparado a outros–, melhor o desempenho. Neste aspecto, o ChatGPT demonstra que não é preciso um “estalo” para explicar a capacidade do cérebro humano de produzir sequências de palavras.

Já o significado das sequências produzidas por cérebro humano ou algoritmo são outros quinhentos, porque ter significado quer dizer representar alguma coisa: experiências, conhecimentos, expectativas, intenções e valores. Algoritmo não tem nada disso, não sabe nada, apenas reproduz associações. Nisso eu concordo com Chomsky: se não há significado, não é linguagem. E se quem produz sequências de palavras não conhece seu significado, o resultado pode até ser útil, se não apenas divertido –mas não pode ser levado a sério como substituto de significados gerados por humanos.

Não precisa ser humano para produzir sequências de palavras – 07/08/2025 – Suzana Herculano-Houzel – Folha

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China é saída para café brasileiro após tarifaço dos EUA?

China é saída para café brasileiro após tarifaço dos EUA?

A China, maior parceira comercial do Brasil, está comprando muito mais café do que dez anos atrás, mas não tem o mesmo peso que os Estados Unidos para os exportadores.

Atingido pelo sobretaxa de 50% nas vendas para os EUA, o setor cafeeiro vê o país asiático como um cliente importante e promissor.

Mas a prioridade, diante do tarifaço, ainda é negociar algum alívio com os norte-americanos.

O consumo do café disparou no país do chá na última década, e o Brasil conseguiu ampliar suas vendas para a China. Elas atingiram o auge em 2023, mas caíram no ano seguinte (veja abaixo).

“O mercado da China não é como o de outros, que já estão consolidados. Ele ainda está se estruturando. Então é normal que [a China] não compre os cafés com a mesma regularidade dos mercados tradicionais”, diz Marcos Matos, do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Os EUA são os maiores compradores do café brasileiro, que detém um terço de todo o mercado norte-americano. Em 2024, o Brasil exportou 8 milhões de sacas de 60 kg de café moído para os EUA.

Já a China, apesar da expansão em relação a 10 anos atrás, comprou menos de 1 milhão de sacas no mesmo período e ficou apenas na 14ª posição entre os maiores importadores do café brasileiro.

Por isso, o Cecafé afirma que a prioridade ainda é chegar a um acordo com os EUA. “Essa é a principal discussão que a gente tem agora: encontrar uma tarifa mais baixa e conviver o menor tempo possível com os 50% de taxa, ou entrar na lista de exceções”, afirma Matos.

“A gente sempre diz que, assim como o Brasil é insubstituível para os Estados Unidos, os Estados Unidos são insubstituíveis para o Brasil”, resume.

China é 6º maior consumidor mundial de café

A China começou a “descobrir” o café nos últimos anos, e a bebida virou moda entre os jovens do país, como o g1 mostrou em 2024.

Em 2009, os chineses consumiam cerca de 300 mil sacas do grão por ano. Hoje, esse número chega a 5,8 milhões, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

O país só fica atrás de União Europeia, EUA, Brasil, Filipinas e Japão na demanda pela bebida.

A disparada se refletiu nas importações e o Brasil aproveitou: de 2022 para 2023, o número de sacas comercializadas com a China triplicou e chegou a 1,5 milhão.

No entanto, o consumo da bebida desacelerou em 2023, e se mantém estável desde então.

E os exportadores brasileiros, que esperavam um desempenho ainda melhor em 2024, viram as vendas recuarem para 988 mil sacas naquele ano.

De 2023 para 2024, a China passou da 6ª para a 14ª posição entre os países que mais compram café do Brasil.

Segundo Matos, do Cecafé, os exportadores esperam que as vendas para aquele país sejam um pouco mais altas neste ano do que em 2024, mas que ainda fiquem longe do recorde de 2023.

Até o fim de julho, o Brasil exportou 570 mil sacas de café para os chineses.

Aceno da China anima exportadores

Apesar das expectativas moderadas dos exportadores, os chineses dão sinais de que podem comprar mais café do Brasil nos próximos anos.

O Cecafé afirma que uma autoridade das aduanas da China visitou o Brasil no primeiro semestre e anunciou medidas para facilitar o comércio entre os dois países, incluindo o setor cafeeiro.

Entre as ações estão a redução da burocracia e a aceleração de processos.

Até agora, a embaixada confirmou que 183 empresas brasileiras foram cadastradas para atuar na exportação. Segundo Marcos Matos, a aprovação não se refere necessariamente às empresas que exportam o café, mas sim àquelas que armazenam o produto no Brasil.

“Em 2022, a administração das aduanas da China editou um decreto que determinava o cadastro desses armazéns, que recebem o café, estocam, estufam contêineres. E nós fizemos um trabalho com o Ministério da Agricultura para coordenar isso”, diz ele.

“É uma sinalização para fortalecer as relações, e a gente pode obter volumes maiores de vendas para a China. É ótimo que isso aconteça agora.”

China é saída para café brasileiro após tarifaço dos EUA?

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Vício da China em manufatura ameaça retomada do crescimento econômico

Projetos de novos parques industriais colocam em xeque modelo chinês de crescimento e podem provocar nova onda deflacionária

Por Joe Leahy e Wenjie Ding, William Langley e Haohsiang Ko — Valor/Financial Times – 05/08/2025 

O novo parque industrial nos arredores de Tangshan, uma cidade industrial e siderúrgica perto de Pequim, tem grandes ambições de atrair as empresas de alta tecnologia mais avançadas do país.

Mas o complexo, em grande parte vazio e cercado por campos verdes de milho, atraiu apenas algumas produtoras de autopeças, um fabricante de estojos de munição e uma empresa de equipamentos para cobrança eletrônica de pedágio. A recepção, revestida de mármore, estava às escuras quando o Financial Times chegou, sugerindo que visitantes são raros.

Isso, porém, não desanima as autoridades locais. Ao acender as luzes do saguão e revelar uma maquete arquitetônica detalhada do parque industrial, um representante do governo local que se identifica apenas como Zhao diz que o objetivo é atrair indústrias que representem o que o presidente da China, Xi Jinping, chama de “novas forças produtivas de qualidade”, como fabricantes de veículos elétricos e baterias. Tangshan, acrescenta, “está buscando uma transição da manufatura tradicional para indústrias de alta tecnologia”.

Complexos semelhantes se multiplicam em centenas de cidades de menor porte em toda a China. Autoridades locais, desesperadas para cumprir metas de crescimento do PIB após um forte declínio do setor imobiliário, impulsionam investimentos em setores favorecidos como veículos elétricos, inteligência artificial, robótica, baterias e painéis solares.

O país está ficando tão saturado com esses projetos que o normalmente imperturbável Xi demonstrou recentemente um raro tom de exasperação com o que Pequim chama de concorrência excessiva de preços.

“Inteligência artificial, poder computacional e veículos de novas energias. Será que todas as províncias do país precisam desenvolver indústrias nessas áreas?”, questionou Xi durante a Conferência Central de Trabalho Urbano, uma reunião de alto nível do Partido Comunista sobre desenvolvimento urbano, segundo a mídia estatal.

Economistas alertam há tempos que o modelo chinês, centrado em investimentos financiados por dívidas pelo Estado, corre o risco de alocar recursos de forma ineficaz e sufocar o consumo, afetando o crescimento de longo prazo.

A China, porém, após o estouro da bolha imobiliária em 2021, passou a depender ainda mais de investimentos, manufatura e exportações para sustentar seu crescimento, já que as famílias – cuja riqueza está em grande parte atrelada ao mercado imobiliário – reduziram seus gastos.

A dependência excessiva da China em investimentos na manufatura tornou-se ainda mais urgente à medida que sua capacidade excedente e a demanda doméstica fraca empurram o país para um dos períodos mais longos de pressão deflacionária desde os anos 90. A queda nos preços prejudica a lucratividade das empresas e os balanços dos bancos, além de desestimular novos investimentos.

O excesso de capacidade também se tornou um desafio global para os parceiros comerciais, que temem outro “choque da China” semelhante ao aumento das exportações chinesas no final dos anos 1990 e início dos anos 2000.

Os EUA e a UE, além de grandes países em desenvolvimento como Brasil e Índia, estão rapidamente erguendo barreiras comerciais para proteger suas indústrias avançadas de uma enxurrada de produtos chineses de baixo custo.

Depois de anteriormente negar a existência de capacidade excedente – Xi, durante uma viagem à França no ano passado, afirmou que isso não existia -, a revista Qiushi, do Partido Comunista, não apenas usou o termo no mês passado, como também apresentou uma análise minuciosa de suas causas. Uma série de medidas para tentar sustentar os preços foi implementada em seguida.

Mas, com os investimentos em manufatura ainda crescendo em ritmo acelerado – alta de 7,5% neste ano, após um aumento de 9,5% em 2024 -, não há fim à vista. Yan Se, professor assistente do departamento de economia aplicada da Escola de Administração Guanghua da Universidade de Pequim, afirmou em um seminário recente que a participação da China no valor agregado da manufatura global pode subir para 40% nos próximos cinco anos, ante cerca de 27% atualmente.

“Acho encorajador ver Pequim reconhecer essa [involução] como uma questão importante, algo que não é apenas um problema para os parceiros comerciais da China, mas também representa desafios para sua própria economia”, diz Frederic Neumann, economista-chefe para a Ásia do HSBC.

“A questão é: o quanto realmente pode ser feito no curto prazo?”, acrescenta. “Porque, para aliviar as consequências da involução, é necessária uma maior disciplina nos investimentos e, ao mesmo tempo, mais demanda doméstica.”

“É preciso aumentar a demanda e reduzir a oferta. E isso é mais fácil falar do que fazer”, completou.

A poucos metros do complexo de Zhao, outro novo parque industrial, que se autodenomina um “centro de tecnologia de manufatura avançada” com investimento de 1 bilhão de yuans, também está praticamente vazio.

Também planejado para abrigar indústrias das “novas forças produtivas de qualidade”, o parque vendeu cerca de 75% de suas propriedades para empresas que fabricam equipamentos agrícolas, de combate a incêndios e outros, segundo um gerente.

Investimentos mal alocados e capacidade duplicada estão prejudicando a eficiência”

— Yuhan Zhang

A maioria ainda não se instalou. Muitas das fábricas parecem ser usadas temporariamente para armazenar materiais de construção. Mato brota nos pequenos canteiros em frente às recepções.

“Pode ser porque a situação econômica nos últimos dois anos não tem sido muito boa e a demanda não foi tão alta quanto se esperava quando o terreno foi adquirido”, afirma uma vendedora do complexo. “Então agora [os compradores] querem alugar novamente.”

As fábricas vazias apontam para outro problema: o investimento improdutivo. Mesmo sem maquinário instalado, os edifícios ainda podem ser contabilizados como investimento em ativos fixos na manufatura, dizem economistas.

Tangshan é uma das 40 cidades chinesas analisadas em novo relatório de Yuhan Zhang, economista-chefe para a China do centro de estudos Conference Board, que constatou que muitas metrópoles de menor porte dependem fortemente desses investimentos para gerar crescimento econômico.

Essas cidades apresentaram uma média de 58% na relação investimento/PIB no ano passado, em comparação com a já elevada média nacional da China, de 40%. Nos países membros da OCDE, esse índice gira em torno de 22%.

“Mesmo com capacidade excedente considerável, os governos locais estão ampliando investimentos industriais e em infraestrutura para compensar a fraqueza do setor imobiliário”, diz Zhang.

O estudo também revelou que, em cidades de menor porte, alta intensidade de investimento normalmente coincide com baixa produtividade do trabalho e menor produtividade total dos fatores – uma medida da produção gerada por cada unidade de capital e trabalho. Para os formuladores de políticas em Pequim, a ideia original das novas forças produtivas de qualidade era não apenas elevar a indústria chinesa na cadeia de valor, mas também melhorar a produtividade total.

“Investimentos mal alocados e capacidade duplicada estão prejudicando a eficiência”, escreveu Zhang no relatório, destacando que “os ganhos de longo prazo com as ‘novas forças produtivas de qualidade’ exigem desenvolvimento de capital humano, inovação e uma alocação de recursos mais orientada pelo mercado”.

Cidades de ponta como Pequim, Xangai, Guangzhou e Shenzhen, além de algumas metrópoles de segundo nível, “já fizeram a transição para economias centradas em indústrias intensivas em conhecimento, serviços avançados e comércio global”, afirmou Zhang.

“Gastos elevados com ativos fixos parecem reduzir a eficiência em vez de aumentá-la, mesmo quando os governos locais despejam dinheiro nas ‘novas forças produtivas de qualidade’”, concluiu Zhang.

Nas linhas de produção das fábricas chinesas, a vida é uma batalha diária por sobrevivência diante de margens de lucro extremamente baixas ou até negativas, com a demanda em retração e as exportações enfrentando incertezas tarifárias.

Zhao Fen é proprietária de quatro fábricas de brinquedos que produzem mercadorias com base em propriedade intelectual específica, seja própria ou licenciada de outras marcas.

Fumando cigarro atrás de cigarro em seu escritório em Dongguan, província industrial de Guangdong, no sul da China, cercada por brinquedos do Ursinho Pooh e bonecos de anime, ela diz que a maior mudança em seu negócio na última década foi o aumento de juan – competição excessiva -, que reduziu os preços de venda de seus produtos pela metade nesse período.

Mesmo nesses setores mais tradicionais, a competição tem sido parcialmente impulsionada pelas ideias por trás das novas forças produtivas de qualidade, que incluem a modernização das indústrias antigas com equipamentos novos, segundo acadêmicos.

Pequim tem operado programas de subsídio para que os fabricantes adquiram novas máquinas, acelerando a produção num momento de menor demanda do consumidor.

“No passado, coisas boas precisavam de pessoas para produzi-las, mas agora são feitas por máquinas, e a capacidade de produção como um todo também aumentou, então o preço unitário também caiu”, afirma ela.

A indústria está tão saturada de produtores que o lucro se tornou escasso. “Ganhar dinheiro é só a cereja do bolo”, reflete Zhao, acrescentando que suas fábricas às vezes aceitam pedidos não lucrativos apenas para manter a equipe empregada.

Ela também reclama do roubo de propriedade intelectual, ecoando queixas antigas de fabricantes ocidentais. “O mercado é bom demais em copiar não é que o controle e a prevenção da cópia de produtos com propriedade intelectual não sejam rígidos na China mas há muitas pessoas que se aproveitam das brechas.”

“É por isso que todo o setor foi espremido a ponto de ninguém mais ter lucro. Acho muito difícil que o país consiga controlar isso. Não há como controlar.”

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Quem é o jovem de 24 anos que fez a Meta gastar US$ 250 milhões para contratar

Movimento de Mark Zuckerberg para cima de Matt Deitke lembra a transação de atletas famosos

Por João Pedro Adania – Estadão – 04/08/2025 

Daqui a pouco os filmes de comédia adolescente terão de inverter os papeis: o nerd de óculos grossos, antes sacaneado pelo capitão do time de basquete, vai assumir o protagonismo e conquistar todas as gatinhas. Por quê? Os prodígios da inteligência artificial (IA).

Matt Deitke é a nova estrela do Vale do Silício e mais um dos responsáveis pela guinada pop dos nerds. Ele acaba de ser contratado pela Meta em uma transação de US$ 250 milhões, uma mudança que lembra a de atletas profissionais — Neymar custou US$ 257 milhões ao PSG quando saiu do Barcelona, até hoje a transação mais cara do futebol.

Matt Deitke com seu novo uniforme da Meta

Matt Deitke com seu novo uniforme da Meta Foto: Reprodução/X

O cientista de 24 anos ganhou suas primeiras manchetes quando rejeitou uma oferta de US$ 125 milhões para se juntar ao principal núcleo de IA da Meta. Só uma reunião olho a olho com Mark Zuckerberg – e o dobro do valor oferecido a princípio – fez ele mudar de ideia. Mas quem é esse jovem que fez a gigante pagar U$ 250 milhões na missão de construir uma “superinteligência”?

Em 2019 Deitke se inscreveu no LinkedIn como pesquisador e engenheiro de IA no Allen Institute for AI (AI2), em Seattle, onde ficou até outubro de 2024 — o laboratório foi criado pelo cofundador da Microsoft Paul Allen, morto em 2018. Nesse mesmo período, ele se formou em Ciência da Computação na Universidade de Washington.

Seu trabalho na IA2 o colocou na linha de frente da inovação em IA. Foi ali que Deitke liderou o desenvolvimento do Molmo, um chatbot multimodal capaz de entender e raciocinar textos, imagens e áudios. Isso não lembra algo que foi lançado em novembro de 2022? Sim, o ChatGPT, lançado pouco tempo depois.

A novidade era que o Molmo, ao contrário dos chatbots que dependem exclusivamente de modelos de linguagem, ‘pensava’ com base no espaço e ambiente.

Essa abordagem fazia todo sentido. No seu currículo, Deitke reserva um bom espaço para mostrar seus projetos de modelagem 3D e geração de realidade aumentada.

O feito não passou despercebido e lhe rendeu o prêmio de Outstanding Paper Award na NeurIPS 2022, uma das conferências de IA mais prestigiadas do mundo. E claro, os olheiros do Vale do Silício o acompanhavam de perto.

Citado pela OpenAI como um sistema de referência para testes de alinhamento intermodal, o Molmo teve um reconhecimento raro entre os concorrentes do setor.

A fama estava consolidada: Deitke passou de um engenheiro de destaque para um líder no pensamento em IA.

Depois de cinco anos no Allen Institute foi AI, Deitke resolveu abrir sua própria startup,a Vercept. De novembro de 2024 até julho de 2025, Deitke levou a empresa que criou a projetar o Vy, um aplicativo nativo para computadores Apple com recursos avançados de interação e agentes de raciocínio. Ou seja, a nova fronteira tecnológica.

O início da startup foi nada modesto. Ainda com dez funcionários a startup atraiu grandes investidores. Na primeira rodada, US$ 16,5 milhões em financiamento, inclusive do ex-CEO do Google, Eric Schimidt.

Nas palavras da Vercept, a criação funciona como qualquer outro aplicativo dentro do software do próprio Mac e não depende de internet ou servidores externos para funcionar. “Você diz o que quer, com suas próprias palavras, e ele faz acontecer”.

Algumas semelhanças contribuíram para o “match” entre Deitke e Zuckerberg. Por exemplo, o jovem pesquisador seguiu os passos dos pioneiros de Palo Alto e largou um futuro acadêmico promissor. Bill Gates, Steve Jobs e o próprio Zuckerberg saíram da faculdade antes de conclui-la. Deitke foi mais conservador e só abandonou Universidade de Washington no doutorado.

Tudo isso resultou na conversa olho no olho com Zuckerberg. Com a oferta de US$ 250 milhões em quatro anos (com até US$ 100 milhões pagos no primeiro ano) na mesa, a mente mais cobiçada do Vale do Silício conversou com amigos, que o aconselharam a não deixar a oportunidade passar. O contrato foi assinado logo depois.

Na ocasião, o engenheiro confessou ter recusado a primeira investida de Zuckerberg porque temia entrar cedo demais em uma empresa do tamanho da Meta e perder sua liberdade de experimentar, valor que Deitke considera negociável.

Meta tira brasileiro do Google em onda de contratações milionárias para turbinar IA

Outras empresas também correm nessa na busca de novos talentos do Vale do Silício. Nas últimas semanas, a contratação de “agentes livres” da IA virou um espetáculo nas redes sociais e debate estilo “mesa redonda”.

E não é para menos: em 2012, três estudantes da Universidade de Toronto publicaram um artigo sobre um sistema de IA que reconhecia objetos como flores e carros. Depois eles foram arrematados pelo Google por US$ 44 milhões. Um desses estudantes era Ilya Sutskever, cofundador e mente tecnológica nos primeiros anos de OpenAI

Peter Lee, chefe de pesquisa da Microsoft, em 2014 comparou o mercado de tecnologia ao da NFL (Liga de Futebol Americano), onde os novatos já ganhavam cerca de US$ 1 milhão por ano.

O custo de um especialista de ponta em deep learning era comparável ao de um “quarterback promissor”, disse Lee à Bloomberg Bussiness Week na época.

Na quarta-feira, 30, Zuckerberg disse que o investimento em talentos da IA continua “porque acreditamos que a superinteligência vai melhorar todos os aspectos do que fazemos”.

Quem é o jovem de 24 anos que fez a Meta gastar US$ 250 milhões para contratar – Estadão

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Podemos ficar presos nos sonhos de uma inteligência alienígena, diz Yuval Harari

Best-seller israelense vem ao país para lançamento do SP2B, evento de inovação que quer ser o SXSW brasileiro

Maurício Meireles – Folha – 3.ago.2025 

As histórias que compartilhamos e que são frutos da imaginação coletiva nos ajudaram a prosperar como espécie. É o que tem defendido o historiador israelense Yuval Noah Harari, que se tornou um dos maiores best-sellers mundiais desde a publicação de “Sapiens – Uma Breve História da Humanidade” (Companhia das Letras).

O problema, diz ele, é que agora não dá mais para saber se a história que ouvimos não está saindo da boca de um robô. Se em filmes como “Matrix” as máquinas controlavam os humanos conectando seus cérebros a uma rede, a inteligência artificial pode usar a mesma arma de profetas e poetas: a linguagem.

“Filósofos como Platão alertaram que poderíamos ficar presos em ilusões humanas. Agora enfrentamos perigo maior: ficarmos presos nos sonhos de uma inteligência alienígena”, diz o historiador em entrevista à Folha.

Harari vem ao Brasil para o lançamento, no dia 17 de agosto, do SP2B, festival de inovação, criatividade e desenvolvimento urbano que vai ocupar o parque Ibirapuera no ano que vem, com mais de 20 espaços.

O novo evento quer ser a versão brasileira do South by Southwest (SXSW), influente festival de inovação dos EUA, voltado para tecnologia, mídia e cultura. E foi desenvolvido quando o festival americano decidiu pausar sua expansão global, pondo fim a negociações em curso para trazer o SXSW ao Brasil.

Os organizadores do SP2B são os mesmos do Rio2C, evento da indústria criativa no Rio de Janeiro que tangencia temas semelhantes. Mas, segundo Rafael Lazarini, CEO da Da20, empresa responsável, enquanto o festival carioca é “80% voltado à indústria criativa e 20% à inovação e tecnologia”, o parente paulistano aposta no caminho inverso.

O evento de lançamento terá a presença de Hugh Forest, que liderou por décadas o SXSW, e um show de Gilberto Gil em homenagem a São Paulo.

Harari, por sua vez, vai ser o responsável pela palestra de abertura. Nesta entrevista à Folha, ele discute os impactos da inteligência artificial para as narrativas humanas, debate os efeitos dela para a paz mundial e analisa a aliança entre bilionários da tecnologia e o governo Donald Trump.

Parece haver um discurso apocalíptico forte envolvendo a IA. Afinal, essa tecnologia pode nos destruir?
Algo estranho nessa indústria é que muitas pessoas que correm para construir uma IA avançada vivem alertando sobre seus perigos.

Quando converso com fundadores dos principais laboratórios de IA, eles contam uma história semelhante: adorariam reduzir o ritmo e investir mais em segurança, mas não confiam que os concorrentes nos EUA ou na China farão o mesmo. Por isso, dizem não ter opção a não ser acelerar ainda mais.

Na IA, é impossível prever todas as possíveis catástrofes. A inteligência artificial não é só uma ferramenta; é um agente. IAs podem tomar decisões, ter ideias totalmente novas e criar IAs superiores. Não sabemos como a IA evoluirá —e isso a torna tão perigosa.

Não entendo a lógica desses pesquisadores que correm para criar IAs mais poderosas. Quando dizem que não confiam nos concorrentes humanos, pergunto: “Vocês acham que poderão confiar numa IA superinteligente?”. Eles respondem que sim! Isso parece insano.

Com humanos, ao menos temos experiência e conhecimento de psicologia. Nunca lidamos com IA superinteligente. Não há como prever o que acontecerá quando milhões de agentes superinteligentes começarem a interagir conosco —e entre si.

A IA tem imenso potencial positivo —e negativo. Pode nos salvar ou nos destruir. O desfecho depende de os seres humanos confiarem mais uns nos outros do que confiam na IA. Se a humanidade cooperar para desenvolver IA com segurança, será a melhor invenção da história. Mas, se for criada por uma corrida armamentista entre pessoas que se odeiam e temem, é provável que nos destrua.

Em filmes como Matrix, as IAs controlam humanos conectando fisicamente seus cérebros a uma rede. Mas não há motivo para as IAs recorrerem a isso.

Yuval Noah Harari

Historiador

O sr. já escreveu sobre o poder das narrativas em moldar sociedades humanas. A IA pode mudar nossa relação com essas histórias e nossas crenças coletivas?
Antes da IA, todas as histórias que moldavam as sociedades vinham da imaginação humana. Por mais estranha —fosse um mito religioso ou uma teoria conspiratória—, sabíamos que um humano a inventara. Hoje, pela primeira vez, perdemos essa certeza. Não só não sabemos se a história que ouvimos foi criada por uma IA como tampouco sabemos se quem a conta não é um robô.

Em filmes como “Matrix”, as IAs controlam humanos conectando fisicamente seus cérebros a uma rede. Mas não há motivo para as IAs recorrerem a isso. Se quiserem manipular pessoas, basta a linguagem —a mesma arma que profetas e poetas usam há milênios.

A cultura é um casulo de histórias. Vivemos dentro dele. Tudo, dos hábitos sexuais às convicções religiosas, é moldado por narrativas. Por milênios, filósofos como Platão e Buda alertaram que poderíamos ficar presos em ilusões humanas. Agora enfrentamos perigo maior: ficarmos presos nos sonhos de uma inteligência alienígena —sonhos potencialmente mais persuasivos e enganosos do que qualquer história já criada por humanos.

Que efeitos a aliança entre lideranças do Vale do Silício e o governo Donald Trump vai trazer para o desenvolvimento dessa tecnologia?
Creio que muitos desses executivos se aproximaram de Trump porque viram uma chance de avançar suas agendas. No Departamento de Eficiência Governamental de Elon Musk, por exemplo, fica claro que o objetivo principal não era cortar gastos públicos, mas transferir poder de burocratas humanos para burocratas de IA.

A ideia era demitir humanos e substituí-los por IAs —algo muito lucrativo para quem desenvolve sistemas poderosos, como Musk. Mas isso não tornaria o governo mais transparente ou responsável; na verdade, o deixaria ainda mais obscuro.

Se a aliança entre Trump e parte do Vale do Silício se mantiver, veremos sistemas de IA se espalharem pelo governo, deslocando pessoas de posições de autoridade. E, como o governo Trump se opõe à regulação, a IA acabará tomando mais decisões em todos os setores da economia.

Alguns podem aplaudir a transferência de poder dos burocratas humanos para algoritmos. Burocratas têm má reputação. Mas é importante lembrar que nenhuma sociedade em grande escala funciona sem eles. E, se você acha ruim lidar com burocratas humanos, espere até encarar um algoritmo sem rosto decidindo se você consegue um emprego, um empréstimo —ou se vai para a prisão.

A IA se dissemina num momento em que a ordem mundial que garantiu a paz por décadas parece se desfazer. Que tipos de conflitos podemos esperar?
Infelizmente, a revolução da IA ocorre justamente quando a ordem liberal global colapsa. Isso dificulta criarmos regras comuns para o desenvolvimento da IA e aumenta o risco de ela acirrar conflitos violentos.

A ordem liberal global tinha falhas, mas tornou a humanidade mais próspera e segura do que nunca. Seu tabu mais importante era: países fortes não podem simplesmente invadir e conquistar países mais fracos pela força das armas. Com essa ordem sendo desmantelada, o tabu sumiu. Vemos isso na invasão russa da Ucrânia, cujo objetivo é pura e simplesmente conquistar o país —algo que não víamos desde 1945. Os EUA falam em anexar Groenlândia, Panamá e até o Canadá; a China quer Taiwan; Israel quer anexar Gaza; a Venezuela deseja a Guiana; a Etiópia mira partes da Eritreia. Quando se destrói a ordem, sobra o caos.

Isso aparece nos Orçamentos: os gastos militares disparam, tirando dinheiro de saúde e educação. Muitos Exércitos investem esses recursos em capacidades de IA.

Imagine uma guerra futura, digamos, entre Otan e Rússia. Um lado entrega à IA a autoridade de selecionar e matar alvos; o outro mantém humanos decidindo tudo. Quando o humano ordenar que seu drone atire, ele já terá sido abatido por um drone totalmente autônomo. A pressão para dar mais autoridade à IA será irresistível. Isso tornará navios, aviões e tanques atuais obsoletos.

Os políticos que destroem a ordem liberal global não parecem perceber essas consequências. Acham que ficarão mais poderosos. Talvez a curto prazo. A longo, só vão transferir poder de humanos para robôs.

Sim, precisamos de inteligência para alcançar metas, mas o que define a vida é a consciência; sentimentos são a base da ética. Devemos ter muito cuidado para não acabar com um universo cheio de inteligência e vazio de sentimento.

Yuval Noah Harari

Historiador

O que muda no cenário global a depender de quem vença a corrida pela IA, China ou Estados Unidos?
Há poucos bons desenlaces para uma corrida armamentista de IA. Como mencionei, isso dificulta a cooperação para garantir um desenvolvimento seguro e incentiva nações a investir nas formas mais perigosas de IA militarizada.

Na Guerra Fria, EUA e URSS eram contidos pela destruição mútua garantida: sabiam que, se atacassem com armas nucleares, também seriam destruídos. Hoje não existe freio semelhante. A imprevisibilidade da evolução da IA torna tudo ainda mais arriscado. O que acontecerá se a China achar que os EUA estão perto de desenvolver uma IA tão poderosa que poderia desativar seus mísseis nucleares? A teoria dos jogos diz que o momento mais perigoso numa corrida armamentista é quando um lado sente que sua vantagem está desaparecendo. Podemos estar chegando exatamente a esse ponto.

Quais habilidades ou valores devemos ensinar às crianças para prepará-las para um mundo dominado pela inteligência artificial?
As pessoas precisarão, acima de tudo, da capacidade de continuar aprendendo, mudando e se reinventando repetidamente. Cultivar essa capacidade exigirá uma reformulação completa dos nossos sistemas educacionais. Nas provas finais, os alunos não deveriam ser avaliados por repetir algo que memorizaram, mas sim por lidar com algo novo que nunca encontraram antes. Uma educação útil para a era da IA deve ajudar a pessoa a se sentir confortável diante do desconhecido. As pessoas que prosperarão nas próximas décadas serão aquelas capazes de enfrentar o caos e a incerteza sem perder o equilíbrio mental.

O desenvolvimento da superinteligência —a chamada IA geral— até o momento parece apenas uma abstração. Acredita que a humanidade chegará a essa tecnologia?
Há grande confusão entre inteligência e consciência. Inteligência é a capacidade de atingir objetivos e resolver problemas —por exemplo, vencer no xadrez. Consciência é a capacidade de sentir dor, prazer, amor e ódio. Nos animais orgânicos, inteligência depende da consciência: usamos sentimentos para resolver problemas. Nas IAs não orgânicas, é diferente: elas já superam humanos em algumas áreas —como xadrez—, mas sem consciência. Elas não sentem nada. Quando uma IA vence, não sente alegria; quando perde, não fica triste. Não há indícios de que computadores caminhem para desenvolver consciência.

Pode haver vários caminhos até a superinteligência, e só alguns exigem consciência. Assim como aviões voam mais rápido que pássaros sem desenvolver penas, computadores podem resolver problemas melhor do que humanos sem desenvolver sentimentos. Claro que, graças à alta inteligência, IAs poderão imitar emoções e nos convencer de que são conscientes. Vai ser cada vez mais difícil saber se uma IA é consciente.

Consciência é muito mais importante do que inteligência. Sim, precisamos de inteligência para alcançar metas, mas o que define a vida é a consciência; sentimentos são a base da ética. Uma ação má é algo que faz alguém sofrer; uma ação boa reduz o sofrimento. Devemos ter muito cuidado para não acabar com um universo cheio de inteligência e vazio de sentimento.


RAIO-X | Yuval Noah Harari, 48

Nascido em Israel, é professor na Universidade Hebraica em Jerusalém e pesquisador na Universidade de Cambridge. Formado em história militar e medieval na Universidade Hebraica, tem doutorado pela Universidade de Oxford. Autor dos best-sellers mundiais “Sapiens – Uma Breve História da Humanidade”, “Homo Deus – Uma Breve História do Amanhã” e “21 Lições para o Século 21”, traduzidos para 65 idiomas.

Harari: Podemos ficar presos no sonho de uma IA – 03/08/2025 – Mercado – Folha

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O seu celular te escuta e propõe anúncios? Acredite, foi você quem autorizou

Pesquisa feita pela NordVPN comprova que os celulares realmente podem ouvir conversas de seus portadores e promover anúncios a partir disso

Por Mariana Letizio* – Época Negócios – 03/08/2025 

O seu smartphonerecomendou anúncios sobre um produto que você mencionou em uma conversa com amigos? Assim como se comenta bastante na internet, ser “ouvido” pelo celular é mais uma prova de que “nenhuma experiência é individual”. Isso acontece com muitos — e com certa frequência. Segundo um levantamento da Sherlock Communications, 69% dos brasileiros relatam essa mesma sensação, baseada nos conteúdos que aparecem em seus celulares logo após determinadas conversas.

De acordo com um estudo da NordVPN, empresa especializada em segurança e privacidade online, isso não é coincidência, mas uma estratégia de marketing. Os pesquisadores apontam que, embora os celulares realmente escutem o que se diz ao redor, a prática não é ilegal, isso porque o próprio usuário permitiu o acesso, muitas vezes sem nem perceber.

“Uma das principais conclusões do nosso experimento é a facilidade com que as pessoas autorizam os aplicativos a acessar funções sensíveis — muitas vezes sem se dar conta. Muitos aceitam os termos de uso sem ler, e é justamente aí que a permissão para usar o microfone costuma estar escondida”, explicou Marijus Briedis, CTO da NordVPN.

E o número de usuários que habilitam o microfone sem perceber é alto. Segundo o Teste Nacional de Privacidade da NordVPN de 2024, 37% dos brasileiros não leem os termos de serviço ao instalar um app. “Isso mostra como é importante estar mais atento às permissões que você concede — e à quantidade de dados pessoais que pode estar compartilhando sem saber”, complementa Briedis.

Privacidade e segurança do usuário

Segundo o CTO, a privacidade digital depende diretamente do que o usuário consente, seja de forma explícita ou implícita, nos termos e condições. Em outras palavras: tudo depende se ele autorizou ou não o uso do microfone. “Se o acesso for concedido, os aplicativos podem, legalmente, escutar e coletar dados que serão utilizados para segmentar anúncios”, explica.

A empresa também chama atenção para o pouco conhecimento que os usuários têm sobre a quantidade de dados que estão expondo. Essa desinformação gera uma falsa sensação de segurança. “A maioria das pessoas não percebe que até seus hábitos de fala podem influenciar na personalização de anúncios. Nosso experimento deixa claro o quanto os usuários desconhecem a extensão das permissões que concedem. 

Embora o estudo não traga uma mensuração formal, os resultados mostram uma lacuna significativa entre o que os usuários acham que aceitaram e o que, de fato, permitiram”.

Além disso, os pesquisadores destacam o nível de sofisticação desses aplicativos. Um exemplo foi o de um integrante da equipe que, ao mencionar destinos turísticos aleatórios, passou a receber, dias depois, anúncios do Booking.com sobre hotéis em AlUla, diretamente no Facebook. O teste mostrou 100% de compatibilidade entre a fala e o conteúdo promovido.

“Sem mudar configurações ou fazer buscas, apenas falar sobre certos temas perto do celular foi suficiente para ativar anúncios extremamente específicos. Isso reforça a preocupação com o grau de acesso que os aplicativos podem ter às conversas em segundo plano”, afirma Briedis.

Benefícios e conversões para as Big Techs

Apesar de preocupante, essa prática oferece às Big Techs uma vantagem significativa: a possibilidade de veicular anúncios altamente personalizados.

Elas conseguem não só acompanhar o comportamento online, como também criar estratégias de divulgação a partir das conversas do dia a dia. “Esse nível de segmentação aumenta a relevância dos anúncios, melhora o engajamento e, possivelmente, amplia a receita”, destaca o CTO.

Quatro passos para descobrir se o celular está ouvindo

Para quem quer saber se os aplicativos em seu smartphone estão com o microfone ativado, há quatro passos simples que podem ajudar a identificar isso:

  • Escolha um tema único: fale sobre algo que nunca pesquisou ou comentou perto do celular;
  • Converse sobre o tema: durante alguns dias, mencione o assunto com palavras-chave próximas ao celular;
  • Use o celular normalmente: não pesquise nem interaja com conteúdos sobre o tema testado. Apenas fale;
  • Observe os anúncios: preste atenção nos anúncios nos próximos dias. Se o tema surgir, seu celular pode estar ouvindo.

Dicas de privacidade

Algumas medidas também podem ajudar a bloquear o uso do microfone, segundo Marijus Briedis. São elas:

  • Baixe apenas de lojas oficiais: apps fora da Google Play ou App Store podem conter malwares;
  • Revise permissões regularmente: desconfie de apps que pedem acesso ao microfone, câmera ou localização sem motivo claro;
  • Gerencie os dados de assistentes de voz: apague o histórico de voz da Alexa ou do Google com frequência;
  • Use um bom app de VPN, que criptografe seus dados e proteja conexões públicas;
  • Atualize sempre: versões antigas do sistema têm brechas que facilitam ataques;
  • Ative ferramentas nativas de segurança: como autenticação em dois fatores e backups criptografados.

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Por que a IA aumenta o domínio das big techs e enfraquece quem produz conteúdo

Gigantes como Google, Meta e Microsoft veem lucro disparar com a IA, enquanto editores de notícia colapsam — os luditas talvez estivessem certos

Por Guilherme Ravache, Valor – 01/08/2025 

Os resultados mais recentes de Google, Meta e Microsoft mostram uma realidade incômoda: a inteligência artificial, longe de ameaçar o monopólio das big techs, está fortalecendo ainda mais o domínio das gigantes de tecnologia. Enquanto isso, o jornalismo — cuja produção alimenta muitas dessas ferramentas de IA — sangra silenciosamente.

As big techs estão gastando mais do que nunca em inteligência artificial, mas os retornos também estão aumentando nas áreas-chave dessas empresas, para alívio e alegria dos investidores.

A Alphabet (Google), a Microsoft, a Amazon e a Meta Platforms devem gastar quase US$ 400 bilhões apenas neste este ano em despesas de capital, principalmente para construir sua infraestrutura de inteligência artificial.

Segundo o Morgan Stanley, US$ 2,9 trilhões devem ser gastos entre 2025 e 2028 em chips, servidores e infraestrutura de data centers. Esses investimentos devem contribuir com até 0,5% do crescimento do PIB dos EUA neste e no próximo ano, afirma o banco.

Investimentos dessa magnitude em uma tecnologia que promete ser revolucionária, mas ainda com retorno financeiro difícil de calcular, deveriam ser uma preocupação para os investidores das gigantes de tecnologia. Porém, com o lucro crescendo nos negócios tradicionais dessas empresas, a aposta é que elas levam vantagem justamente por poderem gastar mais do que suas jovens concorrentes.

Recentemente aprovada, a Lei One Big Beautiful Bill deve impulsionar ainda mais os gastos. A nova legislacnao capitaneada por Trump oferece estímulos fiscais para empresas que antecipam investimentos, liberando fluxo de caixa para ampliar ainda mais os gastos na área.

Google evidencia desequilíbrio de poder econômico

Veja o exemplo do Google. A aposta de muitos era de que com o crescimento da IA, o domínio da empresa em resultados de buscas seria reduzido, mas o que aconteceu indica o oposto.

O CEO, Sundar Pichai, afirmou semana passada, após o anúncio de resultados do segundo trimestre da empresa, que os resultados de busca com resumos de IA agora têm mais de 2 bilhões de usuários mensais, um aumento em relação aos 1,5 bilhão registrados na última atualização trimestral.

“Vemos a IA impulsionando uma expansão na forma como as pessoas buscam e acessam informações”, disse Pichai em uma conversa com analistas, acrescentando que os recursos de IA “levam os usuários a buscar mais, à medida que descobrem que a Busca pode atender a mais necessidades”.

As impressões de busca — o número de links exibidos nas pesquisas, mesmo que não sejam clicados — aumentaram 49% no ano seguinte ao lançamento dos resumos de IA, conforme um relatório de maio da empresa de SEO BrightEdge.

De acordo com o Google, a receita com buscas cresceu 12% no segundo trimestre em relação ao ano anterior, atingindo US$ 54,2 bilhões, um recorde.

Em outras palavras, a busca do Google nunca esteve tão saudável — o que representa um desastre silencioso para quem produz o conteúdo consumido sem clique. Pesquisas apontam que com os resumos de IA, os cliques em links chegam a cair até 79%.

Menos funcionários e jornalismo; mais milionários

Na Meta, os números também animaram o mercado. As ações da empresa dispararam com a notícia de que a dona do Facebook, Instagram e WhatsApp viu seus lucros dispararem no segundo trimestre. A receita no período foi de US$ 47,5 bilhões, bem acima da expectativa de US$ 44,8 bilhões. É um crescimento de 22% em relação ao ano anterior. As ações subiram 12% no pregão seguinte ao anúncio.

A Meta atribuiu os bons resultados à inteligência artificial. “O forte desempenho neste trimestre se deve em grande parte à IA, que está trazendo mais eficiência e ganhos para o nosso sistema de anúncios”, disse Mark Zuckerberg, CEO da Meta, durante a divulgação dos resultados.

Na primeira metade de 2025, a Meta já investiu US$ 31 bilhões em despesas de capital (capex). A empresa projeta gastar entre US$ 66 bilhões e US$ 72 bilhões com data centers.

E os investimentos vão continuar crescendo. “Esperamos aumentar significativamente nossos investimentos em 2026”, disse a diretora financeira, Susan Li, durante a teleconferência de resultados.

Os resultados ajudam a explicar por que a Meta tem contratado uma elite de desenvolvedores de IA a peso de ouro. A estimativa é de que a empresa gaste nos próximos cinco anos mais de US$ 1 bilhão apenas com os salários de 12 engenheiros recentemente contratados para criar a superinteligência sonhada por Zuckerberg.

Anos atrás a Meta declarou guerra ao jornalismo e reduziu o alcance de links de notícias e exterminou a monetização de notícias em suas plataformas.

Microsoft: US$ 4 trilhões e crescendo

O valor de mercado da Microsoft ultrapassou os US$ 4 trilhões na quinta-feira, após a divulgação de resultados trimestrais espetaculares. A companhia gerou US$ 76,4 bilhões em receita no trimestre encerrado em junho, que corresponde aos últimos três meses do seu ano fiscal, elevando o total anual para US$ 282 bilhões. O mercado projeta que esse número chegue a US$ 320 bilhões nos próximos 12 meses, valor próximo ao PIB do Chile.

A receita anual combinada das seis maiores empresas de tecnologia deve alcançar US$ 2 trilhões este ano, o equivalente ao PIB da Rússia, a 11ª maior economia do mundo.

Mas se nações como o Chile precisam investir em escolas, saúde, educação e até em Forças Armadas, na Microsoft, como nas demais Big Techs, o investimento é focado em IA. A dona do Office anunciou planos de aumentar seus investimentos de capital para cerca de US$ 120 bilhões no atual ano fiscal, sendo a maior parte destinada à construção de data centers para inteligência artificial.

A Microsoft já possui um backlog de US$ 368 bilhões em contratos assinados apenas em sua divisão de nuvem. “Ainda estamos vendo a demanda aumentar”, disse a diretora financeira Amy Hood aos investidores durante uma teleconferência na quarta-feira.“Por isso, não estou tão preocupada em prever o momento exato em que o crescimento da receita e o crescimento do capex irão se cruzar”.

Na Microsoft, assim como no Google e na Meta, os altos lucros não vêm diretamente da IA, mas do crescimento de tecnologias em que elas já eram dominantes, mas que estão sendo aceleradas pelo maior uso de IA, como suas divisões de nuvem ou publicidade, com mais conteúdo sendo automatizado.

Demissões em big techs e no ecossistema que depende delas

Se por um lado investidores celebram os lucros e crescentes investimentos em chips e data centers, por outro, as gigantes de tecnologia têm acelerado cortes de pessoas em suas estruturas. Mostrar maior receita por funcionário está se tornando uma obsessão dos CEOs para conquistar o mercado.

Se os negócios das gigantes de tecnologia não tem sofrido com a IA, o mesmo não se pode dizer de quem depende dessas empresas, como os sites de notícias.

À medida que a IA entrega resultados cada vez melhores para as big techs, maior o incentivo para que se acelere a destruição de valor dos criadores de conteúdo e donos de direitos autorais.

A disposição das empresas de tecnologia em dividir os lucros da IA com os criadores e donos de conteúdos usados para treinar os grandes modelos de linguagem ou produzir respostas para os chats de inteligência artificial é inversamente proporcional ao dinheiro que entra no caixa delas.

Sites de notícias são canário da mina

A crise dos sites de notícias dá uma noção do atual desequilíbrio de forças. Nos próximos meses, uma onda de demissões deve acelerar nos veículos jornalísticos. No Brasil, e em diversos países, demissões e cortes de custos já estão em curso. Com o crescimento do efeito Google Zero, fechar as contas está cada vez mais difícil.

É válido dizer que os problemas de sustentabilidade do jornalismo já existem há décadas, mas a IA acelerou o problema de maneira assombrosa. Tão rápido que boa parte de quem está vivo provavelmente não terá tempo de se adaptar.

Se antes as empresas de mídia eram os sapos na panela esquentando, agora se assemelham mais aos dinossauros observando à chegada do meteoro. E, desta vez, o meteoro foi treinado com dados extraídos dos próprios dinossauros.

O efeito Google Zero é como tem sido descrito o desaparecimento do tráfego que chegava aos sites de notícias por meio das plataformas do Google. As visitas de leitores começaram a cair com os resumos de IA aparecendo cada vez mais nos resultados de buscas. Agora, esses resumos também começam a aparecer no Google Discover, o feed do Google com sugestões de conteúdos para os usuários de Android e Chrome e um dos últimos refúgios de audiência para quem publicava notícias.

“Parece brincadeira, mas o jornal em papel, atualmente, está se provando um negócio mais rentável e sustentável do que o digital”, diz um editor ao lamentar a queda de tráfego de mais de 70% que sofreu nos últimos quatro meses.

“Sem audiência, não há receita suficiente de publicidade digital”, continua o jornalista. “Não há perspectiva de retorno da audiência e nem da receita perdida, seremos obrigados a reduzir a equipe”.

Destruição criativa ou apenas destruição?

Os defensores da IA veem o movimento como mais um exemplo da destruição criativa. Então, a falência de grande parte dos publishers seria apenas um processo de inovações que vão substituir práticas, produtos e empresas antigas, gerando crescimento econômico ao mesmo tempo que causam a obsolescência de modelos anteriores.

Embora a inteligência artificial esteja transformando o jornalismo, o conceito clássico de destruição criativa não se aplica plenamente a esse processo. A IA está, de fato, substituindo tarefas jornalísticas — como redação básica, clipping e edição —, mas não está criando empregos, modelos de receita ou formatos inovadores no mesmo ritmo.

Diferente de outras revoluções tecnológicas, como a internet, que estimularam o surgimento de novos veículos e funções, a IA tem concentrado valor em grandes plataformas tecnológicas, sem reinvestimento proporcional no ecossistema jornalístico.

Além disso, o jornalismo não é apenas uma indústria — é um pilar da democracia, com uma função pública essencial: fiscalizar o poder e informar a sociedade. A erosão do jornalismo pelas ferramentas de IA ocorre em um cenário de assimetria de poder, onde veículos tradicionais não conseguem competir com empresas que detêm escala, dados e recursos incomparáveis.

O que vemos hoje é uma destruição sem criação estrutural equivalente, com impactos não apenas econômicos, mas também cívicos.

A destruição criativa, para fazer sentido, precisa criar algo além de riqueza para poucos. No caso da IA, o que se vê — até agora — é uma redistribuição brutal de poder, sem qualquer compensação social proporcional.

Luditas não eram contra a tecnologia

Na New Yorker, Ted Ching descreveu o momento que vivemos com a IA de maneira bastante instigante em um artigo intitulado Will A.I. Become the New McKinsey? (A inteligência artificial vai se tornar a nova McKinsey?):

“Pessoas que criticam novas tecnologias às vezes são chamadas de ‘luditas’, mas vale esclarecer o que os Luditas realmente queriam. O principal motivo do protesto era o fato de que seus salários estavam caindo, enquanto os lucros dos donos das fábricas aumentavam, assim como os preços dos alimentos. Eles também protestavam contra condições de trabalho inseguras, o uso de trabalho infantil e a venda de produtos de má qualidade que prejudicavam toda a indústria têxtil.

Os Luditas não destruíam máquinas indiscriminadamente; se o dono pagava bem aos trabalhadores, suas máquinas eram poupadas. Eles não eram contra a tecnologia — o que buscavam era justiça econômica. A destruição das máquinas era uma forma de chamar a atenção dos industriais. O fato de o termo “ludita” hoje ser usado como insulto — para sugerir ignorância ou irracionalidade — é resultado de uma campanha difamatória conduzida pelas forças do capital.

Sempre que alguém acusa outra pessoa de ser um “ludita”, vale a pena perguntar: essa pessoa é realmente contra a tecnologia? Ou ela está defendendo justiça econômica? E quem faz a acusação está de fato interessado em melhorar a vida das pessoas — ou apenas em aumentar a acumulação privada de capital?”

Talvez seja hora de recuperar o verdadeiro significado da palavra “ludita”. Quem realmente teme o progresso: quem questiona seus efeitos, ou quem teme repartir seus lucros?

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