Oportunidades de investimento para data centers no Brasil

Além de contar com um extenso sistema interligado de linhas de transmissão de alta tensão, o país tem uma oferta expressiva de energia elétrica, verde e com custo competitivo

Por Nivalde de Castro, Cristina da Silva Rosa e Piero Sclaverano – Valor – 03/09/2025 

No processo de digitalização das atividades produtivas e de consumo, a inteligência artificial (IA) apresenta perspectivas infinitas de desenvolvimento, em processo análogo ao que ocorreu a partir dos anos 1970 com a difusão dos computadores. Essa nova ferramenta digital abre um novo horizonte do que Schumpeter (1883-1950) denominou por processo de “destruição criativa”. E a base e plataforma produtiva da IA são os data centers, grandes unidades de processamento de dados que exigem infra estruturas de comunicação e energia elétrica muito densas, por se tratar de uma atividade classificada como eletrointensivas, em função do alto grau de consumo de eletricidade sem interrupção nas 24 horas dos 365 dias do ano.

Como os data centers operam conectados à rede mundial da internet, essas unidades produtivas só podem ser construídas em sítios com rede elétrica de elevado nível de segurança, alta qualidade do suprimento, custos competitivos e cada vez mais com energia de fontes renováveis, a fim de cumprir as metas de descarbonização.

Considerando o potencial de crescimento em escala global dos data centers e de suas exigências técnicas de conectividade e oferta de energia elétrica, o Brasil se posiciona como um importante player global para atração de investimentos nesse novo segmento produtivo, em razão de ter:

i.Um sistema interligado com cerca de 170 mil quilômetros de linhas de transmissão em alta tensão; e

ii.Uma oferta de energia elétrica em quantidade expressiva, qualidade verde e custos competitivos.

Com base nestes fundamentos, as instâncias do governo federal têm realizados estudos e promovido ações na direção de transformar esse potencial em realidade efetiva. E o momento é pertinente pelo excesso de oferta de energia elétrica bem superior à demanda, por conta da maior capacidade instalada de plantas de geração eólica e solar, que tem obrigado o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a promover cortes de energia (curtailment) com cenário de agravamento.

Na direção de atrair investimentos em data centers, foi assinada a medida provisória nº 1.307/2025, pelo presidente da República durante sua visita ao Ceará, em 18 de julho deste ano. Em síntese esta MP propõe ampliar o regime especial de incentivos fiscais e tributários aplicável a projetos de data centers construídos em Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs), cujos serviços sejam comercializados ou destinados exclusivamente ao exterior. Trata-se, por um lado, de proposta para favorecer as ZPEs, localizadas, em boa parte, no Nordeste, antecipando o acesso a benefícios fiscais e tributários que previstos na proposta da Política Nacional de Data Centers (Redata), que ainda aguarda assinatura presidencial. A diferença central, a ser destacada, é que a Redata terá abrangência nacional, enquanto a MP 1.307 permitirá aplicação imediata para novos projetos localizados exclusivamente em ZPEs após ser aprovada no Congresso, sempre com o risco de ser contaminada por jabutis.

Um porém, negativo e questionável, proposto na MP 1.307 é a exigência de que o suprimento de energia elétrica para os data centers seja somente por novas plantas de energia renovável, construídas após a promulgação da lei vinculada a esta MP. Esse modelo de negócio proposto cria um complicador ao desenvolvimento dos data centers, por impor investimentos nos data center e nas plantas geradoras de energia.

Atualmente, segundo dados coletados pelo Ministério de Minas e Energia (MME) entre os projetos de data centers cinco são previstos em ZPEs, dentre os quais quatro, localizados nas ZPEs de Aracaju, Imbituba, Maringá e Porto do Açu. Estes projetos apresentam baixo grau de maturidade operacional e ainda não possuem portaria de conexão à rede básica. O único data center mais avançado localiza-se na ZPE do Porto de Pecém, no Ceará, tendo portaria de conexão emitida. Trata-se do Data Center da Casa dos Ventos, em uma possível parceria com o grupo chinês ByteDance (TikTok).

Considerando o cenário dos projetos com potencial de desenvolvimento e a sobreoferta de energia elétrica, a exigência de adicionalidade de capacidade instalada de geração de energia elétrica, como propugnado pela MP, apresenta fragilidades técnicas e econômicas. No Nordeste, usinas eólicas e solares, caracterizadas por sua intermitência, já enfrentam altos níveis de cortes na geração ordenados pelo ONS para garantir o equilíbrio dinâmico entre oferta e demanda e, assim, preservar a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN). Desta forma, a indução, implícita na MP, para novos investimentos em capacidade elétrica renovável intermitente para alimentar os data centers teria pouco impacto sobre os cortes de energia. Em suma, este dispositivo cria obstáculo que deve ser repensado e certamente alterado.

Até 6 de agosto de 2025, a MP nº 1.307/2025 havia recebido 157 emendas, de 45 parlamentares, muitas das quais propõem flexibilizar a adicionalidade de capacidade instalada, permitindo o uso de energia renovável já existente. Outras emendas sugerem incluir fontes não renováveis, mas estratégicas para a segurança de fornecimento, como usinas nucleares e termelétricas a gás natural, e algumas mencionam, explicitamente, o potencial dos Small Modular Reactors (SMRs) para suprimento a ZPEs, tecnologia ainda muito longe de ter viabilidade econômica. Há, ainda, propostas para simplificar o acesso à rede elétrica de alta tensão, incentivar o armazenamento de energia e criar mecanismos de transparência e avaliação dos incentivos.

Em síntese, o critério de adicionalidade da MP nº 1.307/2025 precisa ser revisto por ser mais oneroso do que eficaz. Em vez de promover eficiência e segurança energética, esse critério pode ampliar desequilíbrios em regiões com sobreoferta intermitente, restringir opções confiáveis de suprimento para data centers e criar custos sistêmicos que reduzem a competitividade. Por fim, os data centers, conforme se procurou demonstrar, têm um grande e consistente potencial de investimentos no Brasil. Entretanto, transformar esse potencial em renda, emprego e impacto positivo requer atenção e subordinação às características técnicas, econômicas e ao cenário de excesso de oferta do Setor Elétrico Brasileiro.

Nivalde de Castro é professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (GESEL-UFRJ).

Piero Carlo Sclaverano Dos Reis é pesquisador associado do GESEL-UFRJ e doutorando em Planejamento Energético pelo Programa de Planejamento Energético (PPE) da UFRJ-COPPE.

Cristina da Silva Rosa é pesquisadora associada do GESEL-UFRJ.

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

Algumas lições do ‘milagre polonês’ para o Brasil

O modelo de tributação do tipo IVA ajudou a Polônia a não se desindustrializar

Bráulio Borges – Folha – 11.set.2025 

Doutorando em economia da FGV EESP, mestre em economia na FEA-USP, é diretor da LCA Consultores e pesquisador-associado do FGV Ibre

Um país tem chamado a atenção quando se discute desenvolvimento econômico: a Polônia.

De acordo com dados do Banco Mundial, em 1990 o país do leste europeu apresentava um PIB per capita semelhante ao brasileiro, de cerca de US$ 12 mil (a preços de 2021 e já ajustado pela paridade do poder de compra). Em relação à média dos países da OCDE, esses níveis de renda per capita brasileiro e polonês correspondiam a 38%.

Em 2024, o PIB per capita polonês chegou a US$ 45 mil, correspondendo a 84% daquele observado na média da OCDE. O Brasil chegou a US$ 20 mil (37% da OCDE). Hoje o PIB per capita da Polônia é semelhante ao japonês!

O que gerou esse “milagre polonês” e quais lições disso para o Brasil? Bem, em primeiro lugar, é importante notar que no começo dos anos 1990, a carga tributária polonesa era superior a 30% do PIB, tendo alcançado cerca de 35% nos anos mais recentes.

Ou seja, como costumo dizer: tão ou mais importante do que o tamanho da carga tributária agregada (e do Estado) é a forma como os tributos são arrecadados (quais são as bases, se esses tributos são mais ou menos distorcivos/cumulativos etc.) e no que e como esses recursos são gastos pelo governo.

Outro elemento importante é que, a partir de 2004, a Polônia passou a fazer parte da União Europeia (embora não tenha ingressado na moeda comum, o euro). A integração da economia polonesa a um dos maiores mercados consumidores do mundo ajudou a impulsionar seu PIB, seja via comércio exterior, seja pela atração de capitais.

Comparando o Brasil com a Polônia sob a ótica da contabilidade do crescimento, constata-se que: i) a produtividade total dos fatores polonesa avançou mais de 40% desde 1990, ao passo que a brasileira encolheu cerca de 20% (dados da Penn Word Table); ii) em 1990, o Brasil possuía cerca de 30% a mais de capital físico (máquinas, equipamentos, infraestrutura) per capita do que a Polônia; em 2020, o Brasil possuía quase 40% a menos (dados do CWON do Banco Mundial); iii) em 1990, o estoque de capital humano brasileiro (medida que considera tanto a quantidade como a qualidade dos trabalhadores) equivalia a cerca de 60% do polonês; em 2020, o Brasil havia convergido um tanto, alcançando pouco mais de 75% da Polônia (CWON).

Portanto, boa parte dessa divergência entre Brasil e Polônia esteve associada à acumulação de capital físico e à produtividade sistêmica.

São muitos os possíveis candidatos para explicar isso, como a taxa de poupança maior na Polônia do que o Brasil (18,5% ante 15,7%, na média 1995-2024). Isso, em conjunto com uma política fiscal adequada —a dívida pública bruta deles está relativamente estável, em torno de 55% a 60% do PIB, há mais de 15 anos—, permitiu taxas de juros mais baixas, impulsionando a acumulação de capital físico. Isso reforça a importância de o Brasil corrigir o principal fator por detrás dessa menor poupança: o déficit público elevado (que levou a dívida a se aproximar dos 80% hoje).

Outro elemento é que a Polônia adotou o modelo de tributação do tipo IVA —Imposto sobre Valor Adicionado— em 1993. Esse sistema ajudou a Polônia a não se desindustrializar: o percentual da indústria manufatureira no PIB tem se mantido relativamente estável, em torno de 17%.

No Brasil, esse percentual encolheu de 15% para cerca de 12% nas últimas três décadas. Neste caso, uma das soluções para conter e mesmo reverter a desindustrialização brasileira já está “contratada”: teremos um sistema tributário semelhante ao polonês no início  da próxima década, reflexo da reforma aprovada no final de 2023.

Algumas lições do ‘milagre polonês’ para o Brasil – 11/09/2025 – Bráulio Borges – Folha

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

Do chip ao data center: o salto quântico dos investidores em tecnologia

Em meio a rodadas recordes de investimento, a PsiQuantum levanta US$ 1 bilhão com vistas a criar um computador quântico de utilidade prática

ADAM BLUESTEIN – Fast Company Brasil – 11-09-2025 

Desde o início deste mês, a indústria de computação quântica vem registrando algumas das maiores rodadas de captação de recursos de sua história. Mesmo que a maioria das pessoas ainda tenha dificuldade em explicar o que faz um computador quântico – ou por que alguém precisaria de um –, os investidores parecem ter decidido que querem participar dessa corrida.

A PsiQuantum, startup escolhida para construir computadores quânticos em Chicago e Brisbane (na Austrália), levantou US$ 1 bilhão, alcançando uma avaliação de mercado de US$ 7 bilhões. O aporte é um dos maiores investimentos privados individuais já realizados em tecnologia quântica.

Segundo Pete Shadbolt, cofundador e diretor científico da empresa, os novos recursos vão ajudar a companhia a concretizar o plano de construir um computador quântico em escala utilitária baseado em fotônica.

Segundo ele, a empresa está passando do trabalho em “escala de centímetros”, voltado ao design de chips e dispositivos, para a “escala de quilômetros”, dedicada a desenvolver gabinetes de resfriamento e toda a infraestrutura necessária para instalações de computação do tamanho de data centers.

Veja também

Os recursos vão permitir ainda ampliar a fabricação de peças e materiais sob medida, essenciais para sistemas intermediários. “Temos um plano bastante agressivo para chegar a grandes sistemas, mas não estamos tentando fazer tudo de uma vez”, disse Shadbolt.

APOSTAS BILIONÁRIAS EM COMPUTAÇÃO QUÂNTICA

O fluxo de capital que vem fluindo para a computação quântica – em um nível semelhante aos investimentos em inteligência artificial – pode ser visto como um sinal de amadurecimento da tecnologia ou como reflexo do FOMO (sigla em inglês para a expressão “medo de ficar de fora”) dos investidores de IA. Ou os dois.

“A inteligência artificial é construída sobre a computação clássica, que sustentou os últimos 50 anos de tecnologia”, afirmou Tony Kim, chefe do grupo de tecnologia de ações fundamentais da BlackRock, no anúncio do investimento.

“Agora estamos no início de uma plataforma adjacente, enraizada na mecânica quântica, que vai permitir simular o mundo físico com muita precisão. A tecnologia vai integrar computação quântica e IA, abrindo caminho para a superinteligência das máquinas.”

Além do apoio da NVentures (braço de capital de risco da Nvidia), a PsiQuantum colabora com a gigante dos chips em diversas frentes, incluindo algoritmos quânticos, softwares, integração de processadores quânticos com GPUs em sistemas híbridos e o desenvolvimento de sua plataforma de silício fotônico.

PARCERIA ESTRATÉGICA

“Nenhum computador quântico será útil isoladamente. Eles vão gerar dados para a IA e também precisarão de insumos vindos de clusters de GPU” explicou Shadbolt. Segundo ele, esse é um espaço natural para a Nvidia entrar.

“No ecossistema japonês de computação quântica existe um grande cluster de GPUs Nvidia conectado a vários computadores quânticos. É uma tendência em crescimento no mundo inteiro”, completou.

A COMPUTAÇÃO QUÂNTICA VEM REGISTRANDO AS MAIORES RODADAS DE CAPTAÇÃO DE RECURSOS DE SUA HISTÓRIA.

A expertise da PsiQuantum em fotônica – a transmissão de informações pela luz – a torna um parceiro estratégico atraente. Isso porque fabricantes de supercomputadores de IA estão cada vez mais interessados em integrar fotônica para lidar com as enormes demandas de transmissão de dados e de energia que crescem junto com esses sistemas.

Recentemente, a TSMC apresentou em Taiwan, no Silicon Photonics Global Summit, seu novo processo COUPE (Compact Universal Photonic Engine, ou motor fotônico universal compacto), que permite fabricar chips em camadas densas fundindo circuitos fotônicos e eletrônicos.

Para Shadbolt, a competição no setor é paradoxal. “É ao mesmo tempo frustrante e muito empolgante. É frustrante que todos usemos tecnologias diferentes e isso seja tão debatido. Por outro lado, acho que é sintoma de uma jornada que está apenas começando, e prefiro estar no início de uma jornada do que no seu fim.’


SOBRE O AUTOR

Adam Bluestein escreve sobre pessoas e empresas na vanguarda da inovação em negócios e tecnologia, ciências da vida e medicina, alimentos e cultura.

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

Inteligência artificial deve tornar o smartphone obsoleto. O que virá depois?

Aplicativos e suas interfaces perderão relevância. Óculos e pulseiras inteligentes terão a capacidade de ‘perceber’ seu entorno. Será a era do ‘computador ambiente’

Por O Globo/The New York Times — 10/09/2025 

Para os consumidores, esta terça-feira terá um ar familiar: a Apple deve revelar o seu iPhone 17 com melhorias modestas, incluindo um modelo ligeiramente mais fino. Quando foi lançado no longínquo ano de 2007, o iPhone original entrou para a História ao mudar a maneira como nós lidamos com os celulares — e a tecnologia em geral.

O dispositivo móvel, com tela de toque, entrou no cotidiano de todos. E revolucionou a indústria de tecnologia. Agora, com o advento da inteligência artificial, muitos dos principais executivos de big techs acreditam que uma nova mudança radical está em curso — e que ela pode, um dia, tornar o smartphone, como o conhecemos, ultrapassado.

Assistentes modernos de inteligência artificial, muito mais capazes e flexíveis do que os desajeitados assistentes de voz como a Siri, estão prestes a se tornar o sistema operacional central de todos os nossos dispositivos de computação pessoal, superando em importância o software dos smartphones, segundo especialistas.

No futuro, óculos ou pulseira ‘conscientes’ do ambiente ao redor

Aplicativos e suas interfaces sofisticadas perderão relevância quando assistentes de IA passarem a usar os dispositivos em nosso lugar, executando automaticamente tarefas como marcar encontros com amigos, gerar listas de compras e fazer anotações em reuniões. Isso nos pouparia da necessidade de deslizar por menus de software e digitar em teclados.

— O sistema operacional com o qual você está acostumado a trabalhar no celular e os aplicativos que você abre, a forma como você realmente faz as coisas, vai começar a desaparecer em segundo plano, e seu assistente é que passará a fazer as coisas por você — explica Alex Katouzian, executivo responsável por produtos móveis na Qualcomm, que fabrica chips para iPhones e aparelhos Android.

E em um futuro próximo (não amanhã), o hardware do smartphone poderá até ser sucedido — embora não substituído — por um novo e fundamental dispositivo de computação pessoal. Um par de óculos com IA ou uma pulseira, por exemplo, seriam conscientes do ambiente ao redor, e o assistente passaria a coexistir conosco para oferecer ajuda ao longo do dia, preveem alguns executivos do setor.

Toda grande empresa de tecnologia está pensando nessa pergunta bilionária: o que vem depois do smartphone? Eis algumas previsões de atuais e ex-funcionários de gigantes como Apple, Google, Samsung Electronics, Amazon e Meta.

O que vem depois do smartphone?

“Óculos que entendem nosso contexto porque conseguem ver o que vemos, ouvir o que ouvimos e interagir conosco ao longo do dia se tornarão nossos principais dispositivos de computação” — Mark Zuckerberg, em carta publicada no site da Meta.

Há décadas, tecnólogos sonham que um par de óculos com telas digitais embutidas nas lentes possa oferecer às pessoas informações em tempo real sobre as pessoas e lugares que enxergam. Um assistente de IA teria papel central nesse dispositivo, permitindo ao usuário pedir ajuda apenas falando, como se fosse com um amigo.

A Meta deu um passo agressivo em direção a esse sonho no ano passado. Uma atualização de software dos óculos inteligentes Ray-Ban Meta — que incluem câmera, alto-falantes e microfone — trouxe o assistente Meta AI para o acessório, permitindo que usuários fizessem perguntas sobre o que estavam vendo, de animais em zoológicos a pontos turísticos históricos.

Também no ano passado, a empresa revelou o Orion, protótipo de óculos com telas embutidas na armação — para que o usuário pudesse, por exemplo, consultar informações como anotações digitais enquanto conversa em uma reunião. Neste ano, o Google apresentou um protótipo parecido, equipado com seu assistente Gemini.

A expectativa é que a Meta traga mais informações sobre o Orion em sua conferência de desenvolvedores este mês. Mas, na prática, óculos inteligentes sem telas — como o Ray-Ban Meta, que já ultrapassou dois milhões de unidades vendidas — provavelmente se popularizarão nos próximos dois anos, enquanto os modelos com displays digitais ainda estão em um futuro distante, avalia Carolina Milanesi, analista de tecnologia de consumo da Creative Strategies.

A duração da bateria é curta em dispositivos tão finos e pequenos — e quanto maior a bateria, maiores e mais feios ficam os óculos, disse ela. Também pode levar anos para que as empresas de tecnologia aprendam a projetar óculos que se ajustem a todos os tipos de rosto e ainda gerem lucro.

Computador ambiente

“Se você não precisa tirar algo do bolso, isso é muito poderoso.” — Panos Panay, chefe de dispositivos da Amazon.

Por mais dependentes que nos tornamos dos smartphones, eles podem ser uma distração, porque estamos constantemente sendo bombardeados por notificações de diferentes aplicativos. Panos Panay, chefe de dispositivos da Amazon, previu que assistentes de IA aumentariam a importância dos computadores ambientes, que incluem alto-falantes e telas equipados com microfone espalhados pela casa e gadgets usados no corpo — uma categoria de produtos que a Amazon vem desenvolvendo há mais de uma década com a linha Echo.

Como a tecnologia de IA torna possível ter conversas fluidas com novos assistentes, como o Alexa+, que a Amazon começou a lançar este ano, ela permitirá que as pessoas realizem certas tarefas com mais facilidade do que usando o telefone.

Um exemplo dado por Panay em uma entrevista: perguntar a um assistente de IA a resposta para uma pergunta durante um jantar, permitindo que todos permaneçam focados na conversa sem olhar para uma tela.

Ele acrescentou, no entanto, que o smartphone veio para ficar, assim como o laptop continua conosco muito tempo depois de os smartphones se tornarem populares.

Smartwatch ‘reimaginado’

“Uma coisa de Inspector Gadget, onde você levanta a tampa. Então você pode usar a câmera para chamadas de vídeo no pulso” — Carl Pei, CEO da empresa de smartphones Nothing, descrevendo uma futura câmera de smartwatch.

Ainda na primavera, Pei acreditava que o dispositivo do futuro seria o smartphone. Mas, com o avanço da IA, ele mudou de ideia. Agora, ele acredita que é necessário ter um dispositivo de IA coletando informações sobre o ambiente das pessoas enquanto seus smartphones estão no bolso — o que ele chama de “o smartwatch reimaginado”.

Por quê? O smartwatch, popularizado pelo Apple Watch, é familiar. Mais de 100 milhões são vendidos a cada ano. Ele é discreto. Fica no pulso, não no rosto. E está sempre presente.

A IA tornaria o sistema operacional de cada relógio único. Para entusiastas de fitness, ele rastrearia automaticamente suas atividades. Para empreendedores focados no trabalho, como Pei, ele automatizaria agendas e outras tarefas.

— Hoje, a computação é muito manual — disse Pei, acrescentando que tomar um café com um amigo poderia envolver o uso de três aplicativos diferentes para mensagens, calendário e avaliações do Yelp. Mas ele disse que os agentes de IA em um relógio fariam isso automaticamente no futuro.

Gravador

“É um dispositivo que amplia nossas capacidades e liberta nossa mente das limitações biológicas” — Dan Siroker, CEO da Limitless AI, uma startup de IA ”vestível” que levantou mais de 33 milhões de dólares de investidores, incluindo Sam Altman, da OpenAI.

A memória humana é extremamente falível — estudos mostram que 90% das nossas lembranças são esquecidas após uma semana. (Ou talvez fosse 80%.) E se as pessoas pudessem ter memória perfeita?

Startups como a Limitless AI, que fabrica um pingente de IA que se prende à roupa para gravar conversas e criar transcrições automáticas, acreditam que gravadores vestíveis combinados com um coach de IA darão às pessoas poder cerebral extra para serem mais eficazes no trabalho e em casa.

Esse assistente de IA, sempre ouvindo suas conversas, poderia lembrá-lo de que você esqueceu de entregar algo que prometeu a um colega outro dia, por exemplo.

Ele pode até ajudá-lo a se tornar um pai melhor. Siroker compartilhou este exemplo: recentemente, durante uma viagem a um parque temático, seus filhos pediram mais créditos para jogar em um fliperama, e ele cedeu. Seu assistente de IA, que estava ouvindo, enviou uma mensagem explicando o que ele poderia ter dito para manter a firmeza.

Questões de privacidade podem retardar a adoção de dispositivos de IA que nos acompanham em todos os lugares, disse Dave Evans, designer de hardware que trabalhou na Apple e na Samsung. Computadores sempre ouvindo, segundo ele, se encaixam melhor em um escritório, onde os trabalhadores já abriram mão da privacidade em computadores monitorados por empregadores. Ele imaginou uma série de alto-falantes ou telas espalhadas por um prédio de escritórios que realizariam tarefas rapidamente para os trabalhadores.

— A verdade é que a maioria das pessoas não tem muito a fazer além de se alimentar, se vestir e assistir a um jogo. Você realmente precisa do seu telefone ou de outra coisa para fazer todas essas coisas malucas? — disse Evans.

Todos esses fabricantes de dispositivos ”vestíveis” estão construindo um futuro semelhante ao que Bob Ryskamp, designer de software, imaginou quando trabalhou no headset Google Glass há uma década. Na época, ele imaginava que as pessoas colocariam todos os dias alguns dispositivos de moda, como um colar, um smartwatch e óculos, que ele dizia estarem conectados por “uma sinfonia de IA”.

“Você os usa porque, cada um desses itens, você gosta de como eles parecem, e eles também são inteligentes”, disse Ryskamp.

O Google Glass, é claro, foi um fracasso notório em grande parte porque era feio, o que não é mais o caso dos computadores vestíveis de IA de hoje.

Inteligência artificial deve tornar o smartphone obsoleto. O que virá depois?

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

10 leituras que podem ajudar a desenvolver o pensamento crítico

Essa obras ensinam a questionar melhor e tomar decisões mais conscientes

GABRIEL NASSIF – Fast Company Brasil – 09-09-2025 

Dominar o pensamento crítico é uma habilidade cada vez mais valorizada nos estudos, no trabalho e na vida pessoal, porque amplia a criatividade, fortalece a tomada de decisões e ajuda a combater a desinformação. Essa habilidade significa analisar informações, questionar suposições e argumentar com lógica.

No mercado de trabalho essa competência é ainda mais importante. O pensamento crítico permite analisar cenários complexos, resolver problemas de forma lógica e tomar decisões mais fundamentadas.

Na era da sobrecarga de dados e informações, distinguir fontes confiáveis de manipulações intencionais também se torna crucial. Pensando nisso, alguns autores publicaram livros que podem auxiliar o desenvolvimento de uma mente mais atenta e alerta; confira os títulos:

Leia mais: “Pensar” virou uma atividade impossível no trabalho. Veja como recuperá-la

10 livros para mudar o ponto de vista e turbinar o pensamento crítico

1. O livro ilustrado de maus argumentos

A obra de Ali Almossawi apresenta 19 falácias lógicas com ilustrações simples e explicativas. O objetivo do livro é fazer o leitor reconhecer erros de raciocínio no dia a dia e desenvolver clareza ao argumentar.

2. ¿Cómo pensar como Sherlock Holmes?

Inspirado no famoso detetive, o livro da escritora espanhola, Maria Konnikova,  ensina hábitos mentais que fortalecem observação, lógica e foco. A obra mostra como evitar conclusões apressadas e adotar um raciocínio mais atento.

3. Os Seis Chapéus Do Pensamento

O autor, Edward de Bono, propõe um método que organiza o pensamento em seis perspectivas, representadas por chapéus coloridos. A técnica é útil em discussões em grupo e no planejamento individual.

4. Mindset de Explorador: por que Algumas Pessoas Veem as Coisas Claramente e Outras Não

A obra de Julia Galef defende a importância de enxergar a realidade como ela é, sem distorções. Em contraposição ao pensamento defensivo, a autora estimula abertura, curiosidade e disposição para rever ideias.

5. Rápido e devagar: Duas formas de pensar

O livro de Daniel Kahneman explora os dois modos de funcionamento da mente: o rápido e intuitivo e o lento e reflexivo. O objetivo da obra é compreender falhas de julgamento e melhorar a tomada de decisões.

6. Pense de novo: O poder de saber o que você não sabe

O autor Adam Grant incentiva a reavaliar crenças e a aceitar mudanças de opinião diante de novas evidências. A obra é um convite para praticar a humildade intelectual.

7. Factfulness: O hábito libertador de só ter opiniões baseadas em fatos —

Baseado em pesquisas e dados, o livro mostra como percepções negativas muitas vezes distorcem a visão do mundo. A obra da autora Hans Rosling ensina a interpretar informações de forma mais equilibrada e realista.

8. Calling Bullshit: The Art of Skepticism in a Data-Driven World

A obra colaborativa entre Carl Bergstrom e Jevin West oferece ferramentas para detectar manipulações e dados distorcidos, especialmente em um cenário dominado por estatísticas e informações enganosas.

9. Como mentir com estatística

Considerado um clássico no gênero, a obra revela truques usados para manipular números e induzir conclusões erradas. Nesse livro, o autor Darrell Huff ensina a interpretar estatísticas com mais senso crítico.

10. O mundo assombrado pelos demônios

Um dos principais defensores do ceticismo científico, Carl Sagan apresenta argumentos em defesa da ciência e da razão. O livro incentiva o questionamento constante e combate a crenças infundadas.

Essas dez obras oferecem caminhos práticos para exercitar a lógica, o ceticismo e a autocrítica, incentivando um pensamento mais livre e criativo.

Desenvolver o pensamento crítico fortalece decisões mais conscientes, além de melhorar a comunicação e ajudar a enfrentar a desinformação.

Leia também: Design para o desenvolvimento de habilidades essenciais humanas


SOBRE O AUTOR

Jornalista, com experiência em produção de matérias e conteúdos multiplataforma. Atuou em veículos independentes e comunitários

10 leituras que podem ajudar a desenvolver o pensamento crítico | Fast Company Brasil

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

FT: Robôs nacionais impulsionam o surto de exportações da China

Economistas dizem que automação mais barata pode explicar por que o país mantém a manufatura de baixo custo mesmo com o aumento dos salários

Por Ryan McMorrow, Haohsiang Ko e William Langley – Valor/Financial Times – 07/09/2025

Os fabricantes de robôs nacionais da China estão liderando uma onda de automação de baixo custo que está ajudando fábricas locais a produzirem mais bens a preços menores, permitindo ao país aumentar sua participação nas exportações globais, mesmo em produtos intensivos em mão de obra.

O plano “Made in China 2025” do presidente chinês, Xi Jinping, e outras iniciativas governamentais impulsionaram o desenvolvimento de fabricantes de robôs locais, além de injetar investimentos e crédito na indústria.

As fábricas chinesas estão instalando cerca de 280 mil robôs industriais por ano, metade do total global, elevando a proporção de robôs por trabalhador do país a um patamar acima do da Alemanha e próximo ao da líder Coreia do Sul, segundo a Federação Internacional de Robótica.

Dados do grupo de pesquisa chinês MIR Databank mostram que cerca da metade desses robôs são fabricados por empresas nacionais, como a Chengdu CRP Robot Technology, que conquistou clientes locais oferecendo preços mais baixos do que concorrentes globais.

“Nem todo mundo precisa de um Audi A8. Para muitos cenários, nossa funcionalidade e estabilidade são suficientes”, disse Li Liangjun, diretor da CRP. Seus robôs de soldagem são vendidos por cerca de 60% do preço dos concorrentes japoneses Yaskawa e Fanuc, além dos da ABB e Kuka.

Economistas acreditam que a automação agressiva pode ajudar a explicar por que a China contrariou o trajeto típico de desenvolvimento, que normalmente envolve a perda da manufatura de baixo custo à medida que os salários aumentam.

Dados comerciais compilados pelo Growth Lab da Universidade Harvard mostram que a China aumentou sua participação nas exportações globais em uma série de indústrias intensivas em trabalho entre 2019 e 2023.

A participação global da China na exportação de pequenos produtos manufaturados, como vassouras, esfregões e canetas, aumentou 9 pontos percentuais, atingindo 52,3% no período de quatro anos. As exportações de móveis ganharam cerca de 1,5 ponto percentual em participação de mercado, enquanto a fatia da China nas exportações globais de brinquedos subiu de 54,3% para 56,9%.

Esse fenômeno ocorre mesmo em um momento de aumento dos custos trabalhistas no país. O trabalhador médio de uma fábrica em Dongguan ganha cerca de US$ 729 por mês, enquanto um equivalente na Índia pode ganhar US$ 194, de acordo com estatísticas governamentais de ambos os países.

“É bastante impressionante”, disse Leah Fahy, economista da China na Capital Economics. “Historicamente, à medida que os países se desenvolvem, os custos trabalhistas aumentam e eles deixam de produzir esses bens.”

A tendência pode ser observada em uma fábrica em Sichuan, uma província do sudoeste, onde robôs de soldagem da Chengdu CRP estão unindo peças de aço para formar o chassi de um triciclo elétrico.

“Com cada robô, nossos custos com mão de obra caem pela metade e nossa eficiência aumenta”, disse Song Ling, vice-gerente da Shuangsheng New Energy Vehicle, a pequena empresa proprietária da fábrica. “Não há outra escolha senão automatizar.”

Nos últimos três anos, a Shuangsheng automatizou cerca de metade de sua linha de produção, optando por comprar dezenas de máquinas fabricadas localmente após testá-las contra modelos de grupos japoneses. A fábrica agora exporta volumes crescentes de triciclos e tuk-tuks de carga, vendidos a aproximadamente US$ 841, para o sudeste asiático, África e também para os EUA.

Li, da CRP, disse que fábricas locais estão comprando seus robôs chineses mais acessíveis para fabricar diversos produtos de baixo valor agregado, incluindo triciclos, móveis, equipamentos de ginástica e bicicletas.

“No passado, a China dependia de sua grande população de 1,3 bilhão de pessoas e da mão de obra barata para conquistar seu status como potência manufatureira”, acrescentou Li. “Agora, a China está mantendo sua vantagem trabalhista com trabalho robótico em vez de trabalho humano.”

Na Shuangsheng, dezenas de robôs CRP começaram a substituir soldadores que podiam exigir salários mensais de até US$ 2,1 mil. O governo espera que muitos trabalhadores operacionais possam se qualificar e migrar para uma crescente força de trabalho “colarinho roxo” de técnicos em robótica.

Mas o emprego geral em indústrias intensivas em trabalho está em declínio. De 2011 a 2023, o número de trabalhadores em grandes empresas de 12 setores intensivos em mão de obra caiu cerca de 26,5%, segundo dados do governo chinês.

Jiang Xiangqian, vice-presidente da fabricante de robôs Topstar, afirmou que, no fim das contas, os robôs substituirão todos os trabalhadores de fábrica. “Não precisaremos de uma única pessoa em toda a cadeia”, disse ele.

No polo têxtil de Keqiao, no sul do país, Jay Ye, dono da Shaoxing Longkai Textile, comprou várias máquinas de impressão e bordado de grande porte para substituir trabalhadores e aumentar a produtividade.

Ye disse que as máquinas produzidas localmente ajudaram a dobrar a produção de sua fábrica, ao mesmo tempo em que aumentaram as margens de lucro. “Na Índia eles ainda estão bordando à mão”, disse Ye. “Nós estamos usando máquinas.”

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

O código contra-ataca: IA é a 1ª revolução digital a afetar os próprios profissionais de tecnologia

Funções que eram a porta de entrada para o setor agora são feitas por inteligência artificial. Programadores, engenheiros e cientistas de dados devem ser os mais atingidos

Por Carolina Nalin — O Globo – 07/09/2025 

O rápido avanço da inteligência artificial (IA) generativa está redesenhando o mercado de trabalho em muitos setores, mas, pela primeira vez, essa revolução digital afeta os próprios profissionais de tecnologia. Ferramentas de IA capazes de escrever códigos, corrigir erros e sugerir melhorias já assumem tarefas que, nos últimos anos, foram a porta de entrada para os iniciantes na tecnologia da informação (TI). Para especialistas, trata-se de um paradoxo: o atual salto tecnológico coloca sob risco quem o provocou.

Programadores, engenheiros e cientistas de dados tendem a ser os primeiros substituídos por máquinas. Nos EUA e na Europa, big techs já cortam vagas para compensar os altos investimentos em IA. No Brasil, o cenário é outro: tecnologia ainda é o setor que mais abre oportunidades. A Brasscom, associação das empresas de TI no país, projeta a criação de 88 mil empregos formais até o fim deste ano. A demanda seguirá em alta.

Oito em cada dez empresas do setor pretendem contratar nos próximos dois anos, e quase metade vai focar em estagiários e iniciantes, segundo pesquisa da Brasscom com a Fundação Telefônica Vivo. Isso porque ainda há no Brasil um descasamento de 30% entre novas vagas e recém-formados na área. No entanto, habilidades decisivas há pouco tempo agora dão lugar à exigência de outras competências desses profissionais sob a influência da IA.

Não basta ter domínio das linguagens de programação, é preciso saber trabalhar com sistemas de IA. O programador clássico, que na última década escrevia seus códigos de forma “braçal”, agora dá lugar a quem sabe orquestrar algoritmos e consegue pensar além deles. O perfil demandado mudou. Criatividade, por exemplo, será mais importante nos próximos cinco anos que a simples análise de dados.

— Funções repetitivas como suporte técnico básico e analista de testes manuais de software já são impactadas pela IA e perderam relevância. Até porque essas novas tecnologias substituem o trabalho mais operacional dos desenvolvedores — afirma Elisa Jardim, gerente da consultoria de recrutamento Robert Half, citando habilidades em machine learning (aprendizado de máquina), cloud (computação em nuvem) e cibersegurança como mais procuradas pelas empresas. — Quem se atualiza e busca entender novas tecnologias tem boas chances de se recolocar. Mas não basta ser só um conhecedor de IA. Os profissionais precisam de pensamento crítico e conhecimento de diversas áreas. Entender aspectos sociais e éticos também é essencial.

‘Bengala’

Se a régua já subiu na hora de contratar profissionais de TI, a adaptação para os que estão em início de carreira tem sido um processo cheio de incertezas. A IA já é aliada indispensável para acelerar tarefas, mas saber equilibrar seu uso no dia a dia ainda é um desafio.

Formado em Física pela Unicamp em 2019, o cientista de dados Giulliano Pastor trabalhou nos últimos anos em duas instituições financeiras. Viu de perto a popularização de sistemas como ChatGPT e Cursor, trocando com colegas impressões sobre até que ponto cada um se apoiava neles. Com o tempo, ele se acostumou a delegar tarefas mais complexas à IA, o que lhe abria tempo para outras funções, como a de planejamento.

— Antes tínhamos que escrever linha por linha (do código). Agora não. Você diz para a IA: “Preciso que o código faça isso e aquilo”, e ela faz o bloco de código pra você. Isso é muito prático, então ficou fácil depender disso — conta.

Mas essa dependência cobrou dele um preço. Desligado há pouco mais de um mês, participou de um processo seletivo em que o uso de IA no teste era proibido. Travou em tarefas que considera simples.

— Foi um pouco chocante. Eu me deparei com questões que eram fáceis, mas, por eu depender da IA durante algum tempo para executar as tarefas, fiquei travado por ter que escrevê-las do zero. É como se eu precisasse daquela “bengala” — diz Pastor, que ouviu algo parecido de colegas. — Muitos se sentem com “síndrome do impostor” ao delegar tudo para a IA e não se sentem mais programadores.

Mercado de trabalho de tecnologia — Foto: Editoria de ArteMercado de trabalho de tecnologia — Foto: Editoria de Arte

Agora, Pastor decidiu refazer o caminho. Voltou às videoaulas de Python para resgatar fundamentos e às competições de programação em sites para testar habilidades.

Giovanni Bassi, um programador com 30 anos de experiência, diz que a IA avançou a tal ponto que pode assumir algumas tarefas simples antes destinadas a profissionais juniores, trazendo o risco de corte de vagas na base. Mas, para ele, não deveria ser assim:

— Sem abertura para iniciantes, como teremos os profissionais seniores no futuro?

No Pitang Labs, laboratório de inovação tecnológica no Recife, o gerente de inovação Carlos Victor Gomes já não imagina sua equipe trabalhando sem IA. Com cerca de 400 colaboradores, a empresa está institucionalizando o uso de assistentes virtuais de código. E já colhe frutos: a produtividade cresceu 35%, e a geração de testes automatizados, 50%.

— Sinto que não tem mais volta. A IA acelera o trabalho e diminui a carga cognitiva. A gente está voando — ele diz.

Análise e ação

Segundo Gomes, a rotina do programador vem mudando. Antes, era necessário lembrar de todas as configurações para escrever um código numa espécie de bloco de notas. Depois, chegaram os IDEs (interfaces que passaram a completar funções e facilitar a navegação pelo código). Com a IA, os IDEs ganharam “esteroides”, ele define. Além de sugerir trechos, as ferramentas apontam erros, sugerem correções, indicam arquivos relevantes e até montam planos de ação.

Migrações complexas ficaram mais ágeis, a exemplo de um sistema de 20 anos feito em Delphi (ferramenta criada nos anos 1990 para desenvolvimento rápido de aplicações comerciais) que foi levado para a web em apenas seis meses. A IA também permite que provas de conceito sejam desenvolvidas em tempo recorde para clientes, diz Gomes:

— Sem apoio da IA, as pessoas vão ficar tão obsoletas que talvez programar sem ela não sirva mais. Ou só faça sentido em casos muito específicos ou extremamente complexos.

Ele conta que entrevistas de emprego no Pitang Labs já incluem perguntas sobre uso de IA. E acredita que algumas profissões cederão espaço no futuro para outras. A tendência, para Gomes, é saírem de cena postos de analistas de negócios e de requisitos. Ao mesmo tempo, engenheiros de prompt (que formulam os pedidos certos aos sistemas de IA) e de plataformas (que conectam fluxos e sistemas) devem ganhar destaque.

Universidades correm para contemplar novas exigências do mercado

Ainda é cedo para medir o impacto da IA no setor de tecnologia, mas a pressão também chega às universidades.

Para Jo Boaler, professora de Stanford (EUA) e idealizadora da abordagem “Mentalidades Matemáticas”, é preciso modernizar a disciplina e remover conteúdos sem utilidade. Ela diz que o ganho da IA seria devolver a professores e alunos tempo para fazer o que a máquina não faz: pensamento crítico, flexível e criativo.

— Alunos que aprendem a fazer perguntas críticas, a pensar com flexibilidade e a interpretar respostas da IA terão espaço no mercado — afirma.

No Porto Digital, no Recife, um dos principais polos de tecnologia do país, metade das 475 empresas lá instaladas usa IA no dia a dia, conta Pierre Lucena, presidente do hub. Para ele, o desafio não é saber se os profissionais vão adotar a IA, mas fazer a universidade acompanhar o ritmo de mudanças cada vez mais rápidas:

— As universidades estão estacionadas, e não só no Brasil.

Universidades parceiras do Porto Digital discutem formas de aprimorar a aprendizagem com auxílio da IA, conta Lucena. A expectativa é, a partir do ano que vem, ter ferramentas de IA em atividades práticas durante a residência no hub:

— A IA precisa fazer parte do dia a dia. Agora, mais que nunca, a educação vai ser fundamental. Se formava para processos repetitivos, agora precisa preparar para níveis de abstração muito mais complexos.

O Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) lançou, no ano passado, seu primeiro curso de graduação que coloca a matemática em sintonia com a transformação tecnológica. O bacharelado Matemática da Tecnologia e Inovação combina teoria, ciências da computação e de dados e física. Mas 20% da carga horária é ocupada por humanidades e línguas, num esforço para estimular criatividade e visão mais ampla desse novo mundo. Para Marcelo Viana, diretor-geral do Impa, a dimensão humana é indispensável à formação, já que decisões críticas sobre a vida das pessoas têm sido tomadas pelos algoritmos das plataformas:

— Quem terá mais chances de prosperar no mercado futuro é quem tiver múltiplos talentos e capacidade de ser criativo e se adaptar a um cenário em mutação acelerada.

O código contra-ataca: IA é a 1ª revolução digital a afetar os próprios profissionais de tecnologia

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

Robôs humanoides estão procurando trabalho. Quem vai contratá-los?

Equipamentos com aparência humana já estão prontos para operar no mundo real

Por Gerrit De Vynck e Lisa Bonos – Estadão/The Washington Post -06/09/2025

Em um condomínio de escritórios em frente a um depósito da Amazon, os robôs estão trabalhando.

Um trio de máquinas de quase dois metros de altura, com pernas semelhantes às de avestruzes e dois braços articulados, trabalha em turnos, saindo de uma plataforma de recarga para mover caixas entre duas esteiras transportadoras até a hora de recarregar novamente.

Robôs na fábrica da Tesla, em 2022 Foto: Tesla/Divulgação

Essa visão do futuro do trabalho é um ponto de testes no final de uma linha de montagem para a construção de robôs humanoides projetados para ocupar vagas em depósitos e fábricas de automóveis. Engenheiros humanos nas proximidades observam se há erros enquanto as máquinas são testadas.

A Agility Robotics, uma empresa de 10 anos criada a partir do laboratório de robótica da Oregon State University, afirma que sua fábrica foi projetada para fabricar 10 mil robôs por ano. Alguns dos robôs que ela construiu já estão trabalhando em armazéns de comércio eletrônico e fábricas de peças automotivas.

Os robôs humanoides são ícones antigos do futuro, ao lado das viagens espaciais e dos carros voadores. Alguns líderes tecnológicos e investidores acreditam que agora é hora de começar a transformar em realidade os robôs, que têm estrutura corporal básica próxima a de humanos.

Eles argumentam que robôs com pernas, braços e dedos podem tomar nossos lugares, transformando rapidamente a economia ao trabalhar em residências e outros espaços projetados em torno da forma humana.

Agility Robotics fabrica robôs próprios ‘para trabalhar’ Foto: Divulgação/Agility Robotics

“Se pudéssemos construir esses robôs incríveis, poderíamos implantá-los exatamente no mundo que construímos para nós mesmos”, disse Jensen Huang, CEO da empresa de chips de inteligência artificial (IA), Nvidia, e figura central no boom atual da IA, para uma arena lotada durante sua palestra na feira de tecnologia CES, em Las Vegas, em janeiro.

Huang estava acompanhado por 14 robôs humanoides de diferentes empresas. Ele comparou o potencial deles ao chatbot da OpenAI, que impulsionou a revolução da IA em curso após seu lançamento em novembro de 2022. “O momento ChatGPT para a robótica geral está chegando”, disse Huang.

Oficinas acadêmicas e corporativas vêm construindo robôs humanoides há décadas, mas eles têm sido, em grande parte, curiosidades, e não trabalhadores produtivos. Colocar máquinas sobre duas pernas, em vez de rodas ou uma base fixa, introduz uma série de problemas de engenharia e segurança, limitando o quanto elas podem levantar e aumentando o risco de cair sobre pessoas próximas.

Agora, os avanços na robótica que tornam os projetos humanoides mais capazes e acessíveis estão se combinando com o aumento dos investimentos em inteligência artificial para criar um novo impulso para tornar essas máquinas úteis.

Anos de progresso constante tornaram os robôs com pernas melhores em equilibrar-se e caminhar em terrenos difíceis. Baterias aprimoradas permitem que eles operem por mais tempo sem precisar de cabos de alimentação industriais. Os desenvolvedores de IA estão adaptando as inovações por trás de serviços como o ChatGPT para ajudar os humanoides a agir de forma mais independente.

“Você tem todas as inovações necessárias para resolver esse problema, que é construir robôs que interajam com o mundo real como os humanos”, disse Sankaet Pathak, fundador da Foundation, empresa com sede em São Francisco.

O progresso desencadeou uma onda de investimentos e transformou esses robôs em um símbolo da ideia de que a IA em breve reorganizará o mundo na escala prometida pelos líderes tecnológicos.

Elon Musk, cuja montadora de carros elétricos, Tesla, está construindo seu próprio equipamento chamado Optimus, disse que os robôs serão “o maior produto da história” e que “todos os humanos vão querer um e alguns vão querer dois”. Analistas do Morgan Stanley previram que os Estados Unidos terão 78 milhões de robôs humanoides trabalhando até 2050.

Os investidores colocaram mais de US$ 5 bilhões em startups de robótica humanoide desde o início de 2024, de acordo com a empresa de dados financeiros Pitchbook, e as maiores empresas de tecnologia também estão apostando nesse mercado.

A Amazon, que gastou bilhões transformando a logística do comércio eletrônico com robôs industriais convencionais, contribuiu com uma rodada de investimentos de US$ 150 milhões na Agility, em 2022 e testou os robôs da empresa em seus armazéns.

A Meta está trabalhando na integração de sua própria tecnologia de IA com robôs, e os pesquisadores do Google estão colaborando com a Apptronik, uma startup sediada em Austin.

“Estamos falando do maior mercado que qualquer um de nós verá. Para as grandes empresas de tecnologia, ficar de fora não é uma escolha”, disse o CEO da Apptronik, Jeff Cardenas, em uma entrevista.

Uma série de empresas de robôs humanoides surgiu na China, líder mundial em manufatura complexa, onde o governo está subsidiando o setor. Seis dos 14 robôs que dividiram o palco com Huang, da Nvidia, foram fabricados por empresas chinesas; cinco eram americanos. A chinesa Unitree vende um humanoide de 35 kg e 1,30 m de altura por US$ 16 mil.

Os modelos de linguagem de IA podem decompor uma instrução como “fazer uma omelete” em tarefas para um robô seguir. Mas ainda não está claro como dar às máquinas de forma confiável a inteligência física ou a intuição necessárias para coisas como pegar um ovo e quebrá-lo cuidadosamente em uma tigela sem uma programação específica.

Esses desafios podem ser ignorados pela forma como uma aparência humana torna os robôs mais divertidos.

Em uma recente noite de sexta-feira, jovens na casa dos 20 anos lotaram uma antiga doca de carga no porão de um espaço de coworking de IA na Market Street, em São Francisco, para assistir a um clube de luta de robôs.

Dois humanoides fabricados na China pela Unitree e pela Booster Robots enfrentaram-se usando luvas de boxe e capacetes acolchoados. Quando um robô derrubou o outro, a multidão de espectadores se pressionou contra a grade que cercava o ringue e gritou de alegria. Alguns jogaram notas falsas na arena.

A cena parecia tirada de um romance de ficção científica cyberpunk, mas também mostrava as limitações da tecnologia atual. Os lutadores usavam seu próprio software para se manterem em pé e equilibrados, mas seus chutes e socos eram direcionados por operadores humanos com controles remotos.

Primeiras contratações

Os executivos da Agility reconhecem os desafios de aperfeiçoar a forma humanoide, mas afirmam que seus robôs estão começando a se tornar capazes o suficiente para encontrar empregos em um setor importante dos Estados Unidos.

A revolução do comércio eletrônico gerou armazéns espalhados por todo o país, onde os produtos devem ser organizados e os pedidos dos clientes montados e enviados, mas alguns trabalhadores humanos afirmam que o trabalho repetitivo é mal remunerado e os deixa propensos a lesões.

A Agility aluga seus robôs para donos de armazéns que, segundo ela, têm enfrentado dificuldades para manter seus postos de trabalho ocupados por humanos, incluindo a empresa de logística GXO, que os utiliza em um armazém da Spanx Shapewear, em Flowery Branch, Geórgia, a nordeste de Atlanta. Os robôs pegam cestas de roupas de robôs com rodas e as levam até esteiras transportadoras que as levam para outras partes das instalações.

O diretor comercial da Agility, Daniel Diez, disse que instalações como essa representam um primeiro passo para os robôs humanoides em empregos remunerados. “Esse trabalho é remunerado, e estamos de olho em implantações em grande escala apenas fazendo isso, e é nisso que estamos focados”, disse ele.

A empresa alemã de peças automotivas, Schaeffler, usa robôs da Agility para carregar e descarregar equipamentos em uma fábrica em Cheraw, Carolina do Sul. As fábricas de peças automotivas se tornaram um campo de testes preferido para robôs humanoides, com a Boston Dynamics, empresa famosa por seus vídeos de robôs dando saltos mortais para trás, realizando testes com sua proprietária majoritária, a Hyundai. A Fundação afirmou que também trabalha com montadoras, mas se recusou a identificá-las.

Apesar desses projetos-piloto, alguns veteranos do setor afirmam que ainda não está claro se as máquinas bípedes podem funcionar de maneira confiável e segura no mundo real.

“A destreza desses robôs não é fantástica. Existem limitações de hardware e software. Definitivamente, há preocupações com a segurança”, disse Scott LaValley, fundador da Cartwheel Robotics, que trabalhou com robôs para a Boston Dynamics e para a Disney, incluindo um robô Baby Groot inspirado no personagem de “Star Wars”.

Os equipamentos industriais e os robôs geralmente têm um botão de parada de emergência, mas a maioria dos robôs humanoides precisa, assim como os seres humanos, gastar energia constantemente para se manter em equilíbrio sobre duas pernas. Se a energia for cortada, um robô bípede geralmente cai no chão, podendo causar danos a objetos ou pessoas próximas.

LaValley, cuja empresa está projetando um robô do tamanho de uma criança destinado a interagir socialmente com as pessoas, diz que os humanoides terão sucesso primeiro não como trabalhadores físicos — o caso de uso que mais empolga a indústria —, mas como companheiros.

Aaron Prather, diretor de programas de robótica e sistemas autônomos da ASTM International, uma organização que define padrões de segurança, disse que o fato de os robôs humanoides parecerem mais identificáveis pode agravar os riscos de uma implantação prematura.

“Quando vemos esses robôs, pensamos que eles são mais capazes, então baixamos a guarda, achando que eles são seguros, parecem conosco, vão agir como nós, e isso é uma faca de dois gumes”, disse ele. “Tenho muito medo de que alguém faça algo estúpido e alguém se machuque.”

Muitos especialistas argumentam que o projeto do corpo humanoide simplesmente não faz sentido em muitos locais de trabalho. O formato pode funcionar para certos usos, como cuidar de crianças ou idosos, para fornecer aos cuidadores artificiais uma forma familiar, disse Leo Ma, CEO da RoboForce.

O robô Titan, de sua empresa, tem dois braços e uma base com quatro rodas, proporcionando estabilidade e possibilitando levantar mais peso do que um robô bípede. Os designs humanoides fazem sentido “se for tão importante justificar a troca e o sacrifício de outras coisas”, disse Ma. “Fora isso, existe uma grande invenção chamada rodas.”

Ajuda doméstica

Em junho, na sede da startup 1X, em Palo Alto, Califórnia, um dos robôs humanoides da empresa regou as plantas do escritório.

Os robôs Neo são revestidos com um tecido cinza macio que lembra um macacão, e seus membros leves são projetados para reduzir os danos potenciais ao robô ou às pessoas ao seu redor em caso de queda.

A 1X está testando o Neo, batizado em homenagem ao personagem de Keanu Reeves em “Matrix”, em algumas casas, incluindo a do CEO Bernt Børnich. Ele prevê um futuro em que robôs humanoides prestam cuidados a idosos e fazem companhia a todos.

“Não acho que seja outra pessoa, nem um animal de estimação — é outra coisa”, disse Børnich. Ele fica constantemente surpreso com a rapidez com que os visitantes de sua casa no Vale do Silício se acostumam com o robô que circula pelo local, servindo bebidas e realizando tarefas domésticas.

Nos primeiros 30 minutos, as pessoas ficam um pouco cautelosas com o robô, achando-o “muito legal”, mas também “um pouco assustador”, disse Børnich. Meia hora depois, “estamos apenas sentados, tomando uma xícara de chá e conversando — e todos já se esqueceram do robô”, disse ele.

O problema é que o Neo depende da teleoperação por funcionários da 1X usando controladores manuais e óculos de realidade virtual para muitas tarefas complexas, embora possa operar de forma autônoma para outras. A Tesla pareceu usar uma abordagem semelhante quando seu robô Optimus serviu bebidas no Warner Bros. Studios em Burbank, Califórnia, no ano passado, quando a empresa revelou seu projeto de robotáxi. A empresa não respondeu a um pedido de comentário.

Børnich disse que coletar dados sobre como os humanos controlam o robô para realizar diferentes tarefas em casa ajudará sua empresa a desenvolver um software de IA que pode tornar o Neo verdadeiramente autônomo. Ele compara seus primeiros testadores com proprietários de veículos Tesla, cujos dados alimentam o desenvolvimento da direção automatizada da empresa.

Nem todos esses dados serão perfeitos, pois controlar um robô humanoide é complexo. Neo derramou muito líquido no chão enquanto regava as plantas. Neo pode realizar algumas tarefas simples de forma autônoma, como abrir a porta para receber um convidado, disse 1X — mas, por enquanto, operações mais complexas, como abrir a geladeira para pegar uma bebida e entregá-la a uma pessoa, exigem algum controle humano.

“É muito fácil olhar para um robô e personificá-lo para que ele tenha as mesmas capacidades que uma pessoa”, disse Matt Wicks, vice-presidente e gerente geral de automação robótica da Zebra Technologies, que fabrica robôs móveis com rodas usados em instalações de armazenamento. “Mas a verdade é que ainda não chegamos lá.”

Robôs humanoides estão procurando trabalho. Quem vai contratá-los? – Estadão

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

Bionegócios ficam mais perto da floresta

Operações começam a crescer longe das capitais amazônicas e ganham força no interior ao concorrer com atividades que desmatam

Por Sérgio Adeodato — Valor – 05/09/2025

A Amazônia assiste a um crescente movimento de novos biohubs, parques tecnológicos, incubadoras de startups e bioindústrias comunitárias que impulsionam a bioeconomia longe das capitais. No cenário já sob impactos das mudanças climáticas, a interiorização dos ambientes de inovação faz surgir uma geração de talentos mais próximos da floresta, no desafio de remodelar o padrão de desenvolvimento. A expansão do chamado “ecossistema” de bionegócios, marcada pelo descolamento dos grandes centros da região, é refletida nas demandas – cada vez mais numerosas – mapeadas pelos principais programas de mentorias, apoio técnico e acesso a capital que visam levar boas ideias ao mercado.

“Isso resulta de uma linhagem de empreendedores mais capilarizada, que também inclui uma forte presença de mulheres na liderança – e essa diversidade de perfis e culturas é crucial, pois amplia perspectivas e proporciona soluções mais adaptáveis às complexas realidades locais”, aponta Janice Maciel, coordenadora executiva da plataforma Jornada Amazônia, da Fundação Certi. Em três anos, a iniciativa capacitou 3 mil talentos, com criação de 140 novos negócios na bioeconomia amazônica.

Em 2024, a demanda do interior da Amazônia na plataforma aumentou 30%, originada em 113 municípios. Na modalidade de programa que fornece capacitação, suporte e recursos financeiros não reembolsáveis, quase metaade (46%) da procura veio de fora das capitais, em 2025. Em três anos, mais de mil demandas no Jornada Amazônia chegaram do interior, com curva ascendente na corrida por inclusão socioeconômica sem depender de atividades que desmatam.

“O desafio reside em assegurar apoio contínuo e de longo prazo, e recursos adequados para que esses talentos superem as diversas fases de maturidade de seus negócios, garantindo o impacto positivo”, ressalva Maciel.

Excluídas as capitais, Santarém (PA) lidera o ranking dos municípios amazônicos que demandam apoio a startups – todos com índices sociais e de vulnerabilidade climática abaixo da média nacional. Lá foram mapeadas 137 iniciativas em busca de aprimorar inovações, como a startup Ekilibre, que nasceu em Alter do Chão, a 36 km da sede do município, e hoje prospera no mundo dos cosméticos orgânicos e veganos – como o protetor solar com princípios ativos da Amazônia. “Empreendedores da região não precisam buscar uma causa; já fazemos parte dela”, ressalta Bruno Canavarro, CEO da empresa, na expectativa de aumentar em 40% o faturamento com a construção de uma segunda fábrica.

Em dois anos, Inova Amazônia impulsionou mais de mil startups

A nova unidade será instalada em Manaus, com investimento de indústrias da Zona Franca – exemplo no qual o sucesso no interior leva ao movimento no sentido inverso, para atingir voos mais altos nas capitais.Em nota, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) afirma que tem apostado em soluções baseadas em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) para superar dificuldades históricas relacionadas à Amazônia, sobretudo quanto à insuficiência de infraestrutura logística e produtiva que muitas vezes impede agregar valor de forma substancial aos bioativos da região. A estratégia compõe o Plano de Integração Regional e Interiorização do Desenvolvimento, com resultados na desconcentração dos investimentos para outros municípios. Os recursos de PD&I obrigatórios pela Lei de Informática atingiram R$ 1,5 bilhão em 2024 e, hoje, 73 dos 169 institutos tecnológicos credenciados pela Suframa estão fora da capital, com o desafio de olhar também para a bioeconomia.

“É preciso aproximação com atores locais para soluções focadas nas dores reais do campo”, aponta Carlos Koury, diretor de inovação em bioeconomia do Idesam. Em Lábrea (AM), município sob pressão do desmatamento, a ONG capacitou uma cooperativa local de indígenas e ribeirinhos, a Aspacs, para processar resíduos da castanha-do-brasil fornecidos à produção de bioplástico em Manaus. Em conexão com demandas do interior, a capital amazonense acolhe novos hubs e parques tecnológicos, a exemplo do Bioamazônia Tech Park, prevendo estruturas de beneficiamento de insumos da floresta compartilhadas por startups.

“A Amazônia descobriu na inovação transformada em negócios um novo caminho para o desenvolvimento econômico e social, mas é necessário ir além do fornecimento de insumos básicos”, afirma Thiago Gatto, analista de mercados do Sebrae, que na iniciativa Inova Amazônia impulsionou mais de mil startups de bioeconomia, em dois anos. Cerca de 2 mil se inscreveram no programa, com participação crescente das localizadas no interior.

“Há uma demanda reprimida a ser atendida, em cenário de oportunidades e maior motivação para empreender”, analisa Gatto. Um dos fatores está em mudanças na academia, que “deixa de olhar apenas a geração de papers científicos e passa a desenvolver produtos inovadores para transferir ao mercado”. Em Belterra (PA), às margens do Tapajós, a recente criação do Oka Hub pelo Sebrae é termômetro dessa efervescência, com dez empreendedores incubados para acelerar negócios, em especial novos fármacos e alimentos, a partir de insumos amazônicos.

Já em Macapá (AP), as atenções se voltam ao projeto do Foz do Rio Amazonas Tech Park, o primeiro parque tecnológico do Estado, que nasce da revitalização do antigo Hotel Macapá – prédio histórico desativado por mais de dez anos que agora se transforma em polo de ciência e empreendedorismo. Localizado na orla da capital, o empreendimento mobiliza aportes de R$ 27 milhões, desviando os holofotes do eixo Belém-Manaus. Do total, R$ 8,2 milhões foram captados junto à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), destinados à infraestrutura e serviços do parque, a ser ocupado por dezenas de startups, empresas e instituições tecnológicas.

Da biotecnologia aos sistemas alimentares, economia digital e turismo ecológico, os setores prioritários se alinham às vocações do Estado, com alta cobertura de florestas nativas bem conservadas. Na visão de Edivan Andrade, secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação do Amapá, a iniciativa “será um instrumento consistente de suporte ao setor produtivo para promover o desenvolvimento regional com base na inovação”.

“O convívio com a escassez, devido ao isolamento geográfico, favorece maior resiliência na hora de fazer negócio”, enfatiza Frank Portela, CEO da AmazonCure, startup que recebeu investimento de R$ 3 milhões para se instalar no novo parque, com meta de triplicar a atual receita após o início da produção de fitoterápicos de ponta – um deles à base de jambu, voltado à saúde sexual.

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

A Internet do Corpo

A próxima fronteira da conectividade encontra-se dentro de cada um de nós

Por Guy Perelmuter – Estadão – 04/09/2025 

Já falamos aqui da Internet das Coisas (ou IoT, do inglês Internet of Things): qualquer equipamento (ou componente de equipamento) passou a ser considerado como um elemento com potencial para ser adicionado à Internet. Desde aparelhos de uso doméstico e pessoal (carros, motos, geladeiras, câmeras, máquinas de lavar, ar condicionados, luminárias, cafeteiras) até máquinas pesadas (motores de aviões, locomotivas, sondas de perfuração) passando por dispositivos integrados a seres vivos (pessoas, animais selvagens, gado, plantações e florestas). De acordo com a empresa de pesquisa de mercado alemã IoT Analytics, em 2023 mais de 16,5 bilhões de dispositivos estavam conectados à Internet — e a expectativa é que esse número chegue próximo aos 30 bilhões em 2030.

Uma evolução do conceito de IoT é a IoB — Internet of the Body (literalmente, a Internet do Corpo). Como o próprio nome diz, trata-se da conexão do corpo humano à rede através de dispositivos usados para coletar e transmitir informações. Esses dispositivos podem ser externos (ou de primeira geração, como smartwatches ou fitness trackers), internos (ou de segunda geração, como implantes de cóclea ou marca-passos, que discutimos na última coluna), ou incorporados à nossa biologia (de terceira geração, como as interfaces cérebro-computador).

O uso destes dispositivos geralmente está associado a aplicações ligadas à saúde: monitoramento de sinais vitais (como frequência cardíaca e respiratória, pressão sanguínea, temperatura do corpo, quantidade de glicose no sangue), desfibriladores que atuam assim que alguma anomalia no ritmo cardíaco seja detectada, pílulas inteligentes que possuem sensores para coletar informações a respeito do interior do corpo humano (em particular, do aparelho digestivo) ou ainda sobre a aderência de um determinado medicamento aos órgãos e tecidos.

Mas a IoB possui outras possibilidades que começam a ser exploradas por várias áreas de negócios. Por exemplo, em 2015 e 2017, as empresas Epicenter (na Suécia) e Three Square Market (nos Estados Unidos) respectivamente implantaram em alguns de seus funcionários microchips RFID (radio frequency identification, ou identificação por radiofrequência). Esses dispositivos — do tamanho de um grão de arroz — incluem uma antena para receber e transmitir dados, e quando implantados (entre o dedo polegar e o indicador) permitiram a realização de funções como destrancar portas, fazer o login em computadores ou realizar compras — simplesmente com um movimento da mão.

Para atletas de alto desempenho, sensores integrados aos uniformes podem monitorar o nível exato de desgaste, enquanto para policiais, bombeiros ou soldados, biossensores podem realizar o monitoramento de informações como stress e nível de hidratação. Já empresas responsáveis pela segurança de instalações de acesso restrito podem utilizar uma senha associada ao perfil dos batimentos cardíacos das pessoas autorizadas, uma vez que o eletrocardiograma de cada um de nós é tão único como nossas impressões digitais.

A adoção de novas tecnologias cria riscos, problemas e desafios inéditos — e a IoB não é exceção: conforme dispositivos conectados ao nosso corpo coletam, processam e transmitem dados em tempo real, questões como proteção de dados, interoperabilidade entre sistemas, protocolos para o caso de falhas e padrões de cibersegurança tornam-se particularmente críticas para a difusão segura deste novo aspecto de nosso mundo hiper-conectado. Este será o tema da nossa próxima coluna — até lá.

Opinião por Guy Perelmuter

Fundador da Grids Capital e autor do livro “Futuro Presente – O mundo movido à tecnologia”, vencedor do Prêmio Jabuti 2020 na categoria Ciências. É engenheiro de computação e mestre em inteligência artificial

A Internet do Corpo – Estadão

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas