- Projeto usa estruturas com remos para gerar energia elétrica com movimento do mar
- Instalação teria capacidade para abastecer 60 mil residências
Romain Fonsegrives – Folha – 6.set.2025
San Pedro (EUA) | AFP
Remos azuis flutuantes dançam sobre as ondas que banham um cais no porto de Los Angeles, nos EUA, convertendo silenciosamente a energia do mar em eletricidade utilizável.
Esta inovadora instalação poderia ser uma das chaves para acelerar a transição para o abandono dos combustíveis fósseis, necessária segundo os cientistas para que o mundo evite os piores efeitos das mudanças climáticas.
“O projeto é muito simples e fácil”, afirmou Inna Braverman, cofundadora da startup israelense Eco Wave Power.
Com uma aparência semelhante às teclas de um piano, os flutuadores sobem e descem com cada onda. Estão conectados a pistões hidráulicos que impulsionam um fluido biodegradável através de tubulações até um contêiner cheio de acumuladores, que se assemelham a grandes tanques de mergulho vermelhos.
Ao liberar a pressão, gira uma turbina que gera corrente elétrica.
Se este projeto piloto convencer as autoridades californianas, Braverman espera cobrir a totalidade dos 13 quilômetros do quebra-mar que protege o porto com centenas de flutuadores que, em conjunto, produziriam eletricidade suficiente para abastecer 60 mil residências da região.
Os defensores desta tecnologia afirmam que a energia undimotriz, isto é, a obtida do movimento das ondas do mar, é infinitamente renovável e sempre confiável.
Diferentemente da energia solar, que não produz nada à noite, ou da energia eólica, que depende do clima, o mar está sempre em movimento. E há muito mar.
TECNOLOGIA ROBUSTA
As ondas da costa oeste dos Estados Unidos poderiam, em teoria, abastecer 130 milhões de residências, ou fornecer cerca de um terço da eletricidade que é consumida anualmente no país, segundo o Departamento de Energia dos EUA.
No entanto, a energia undimotriz continua sendo a parente pobre de outras energias renováveis mais conhecidas e não foi comercializada com sucesso em grande escala.
A história do setor está cheia de naufrágios empresariais e projetos afundados pela brutalidade do alto mar.
Desenvolver dispositivos suficientemente robustos para suportar a fúria das ondas, ao mesmo tempo em que transmitem eletricidade através de cabos submarinos até a costa, tem se mostrado uma tarefa impossível até agora.
“99% dos competidores optou por instalá-los no meio do oceano, onde é extremamente caro e se estragam constantemente, o que impede que as iniciativas prosperem”, afirmou Braverman.
Com seu dispositivo retrátil montado no cais, esta empreendedora acredita ter encontrado a solução. “Quando as ondas são altas demais para o sistema, os flutuadores simplesmente sobem até que a tempestade passe, evitando assim danos”, comentou.
O design parece atraente a Krish Thiagarajan Sharman, professor de engenharia mecânica na Universidade de Massachusetts Amherst, cujo laboratório está testando diversos equipamentos de energia undimotriz.
“O calcanhar de Aquiles da energia undimotriz está nos custos de manutenção e inspeção”, avaliou Sharman. “Por isso faz muito sentido ter um dispositivo perto da costa, onde se possa caminhar sobre um quebra-mar e inspecioná-lo”, acrescentou o especialista, que não está associado ao empreendimento de Braverman.
DEMANDA DE ENERGIA POR IA
A cofundadora da startup responsável pelo projeto já identificou dezenas de locais nos Estados Unidos que seriam aptos para projetos similares.
Seu empreendimento é anterior ao governo do presidente republicano Donald Trump, mas mesmo antes que o clima político em Washington se voltasse contra as energias renováveis, a Eco Wave Power já tinha o olhar voltado para além dos Estados Unidos.
Em Israel, até 100 residências no porto de Jaffa receberam energia das ondas desde dezembro. Para 2026, espera-se que 1.000 residências no Porto, em Portugal, tenham conexão à internet. E também há instalações previstas em Taiwan e Índia.
Braverman sonha com projetos de 20 megawatts (MW), uma capacidade para oferecer eletricidade a preços competitivos com a energia eólica. E, segundo afirmou, as instalações não prejudicarão a fauna local.
“O impacto ambiental é zero. Nos conectamos a estruturas artificiais existentes, que já alteram o meio ambiente”, comentou.
Promessas como esta repercutem na Califórnia, onde a Comissão de Energia destacou em um relatório recente o potencial da energia undimotriz para ajudar o estado a alcançar a neutralidade de carbono até 2045.
“A quantidade de energia que consumimos não para de aumentar com a era da inteligência artificial (IA) e os data centers”, afirmou Jenny Krusoe, fundadora da AltaSea, uma organização que ajudou a financiar o projeto.
“Portanto, quanto mais rápido pudermos estender esta tecnologia à costa, melhor para a Califórnia”, disse.
Energia das ondas se transforma em eletricidade nos EUA – 06/09/2025 – Mercado – Folha
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