Energia das ondas se transforma em eletricidade no porto de Los Angeles

  • Projeto usa estruturas com remos para gerar energia elétrica com movimento do mar
  • Instalação teria capacidade para abastecer 60 mil residências

Romain Fonsegrives – Folha – 6.set.2025 

San Pedro (EUA) | AFP

Remos azuis flutuantes dançam sobre as ondas que banham um cais no porto de Los Angeles, nos EUA, convertendo silenciosamente a energia do mar em eletricidade utilizável.

Esta inovadora instalação poderia ser uma das chaves para acelerar a transição para o abandono dos combustíveis fósseis, necessária segundo os cientistas para que o mundo evite os piores efeitos das mudanças climáticas.

“O projeto é muito simples e fácil”, afirmou Inna Braverman, cofundadora da startup israelense Eco Wave Power.

Com uma aparência semelhante às teclas de um piano, os flutuadores sobem e descem com cada onda. Estão conectados a pistões hidráulicos que impulsionam um fluido biodegradável através de tubulações até um contêiner cheio de acumuladores, que se assemelham a grandes tanques de mergulho vermelhos.

Ao liberar a pressão, gira uma turbina que gera corrente elétrica.

Se este projeto piloto convencer as autoridades californianas, Braverman espera cobrir a totalidade dos 13 quilômetros do quebra-mar que protege o porto com centenas de flutuadores que, em conjunto, produziriam eletricidade suficiente para abastecer 60 mil residências da região.

Os defensores desta tecnologia afirmam que a energia undimotriz, isto é, a obtida do movimento das ondas do mar, é infinitamente renovável e sempre confiável.

Diferentemente da energia solar, que não produz nada à noite, ou da energia eólica, que depende do clima, o mar está sempre em movimento. E há muito mar.

TECNOLOGIA ROBUSTA

As ondas da costa oeste dos Estados Unidos poderiam, em teoria, abastecer 130 milhões de residências, ou fornecer cerca de um terço da eletricidade que é consumida anualmente no país, segundo o Departamento de Energia dos EUA.

No entanto, a energia undimotriz continua sendo a parente pobre de outras energias renováveis mais conhecidas e não foi comercializada com sucesso em grande escala.

A história do setor está cheia de naufrágios empresariais e projetos afundados pela brutalidade do alto mar.

Desenvolver dispositivos suficientemente robustos para suportar a fúria das ondas, ao mesmo tempo em que transmitem eletricidade através de cabos submarinos até a costa, tem se mostrado uma tarefa impossível até agora.

“99% dos competidores optou por instalá-los no meio do oceano, onde é extremamente caro e se estragam constantemente, o que impede que as iniciativas prosperem”, afirmou Braverman.

Com seu dispositivo retrátil montado no cais, esta empreendedora acredita ter encontrado a solução. “Quando as ondas são altas demais para o sistema, os flutuadores simplesmente sobem até que a tempestade passe, evitando assim danos”, comentou.

O design parece atraente a Krish Thiagarajan Sharman, professor de engenharia mecânica na Universidade de Massachusetts Amherst, cujo laboratório está testando diversos equipamentos de energia undimotriz.

“O calcanhar de Aquiles da energia undimotriz está nos custos de manutenção e inspeção”, avaliou Sharman. “Por isso faz muito sentido ter um dispositivo perto da costa, onde se possa caminhar sobre um quebra-mar e inspecioná-lo”, acrescentou o especialista, que não está associado ao empreendimento de Braverman.

DEMANDA DE ENERGIA POR IA

A cofundadora da startup responsável pelo projeto já identificou dezenas de locais nos Estados Unidos que seriam aptos para projetos similares.

Seu empreendimento é anterior ao governo do presidente republicano Donald Trump, mas mesmo antes que o clima político em Washington se voltasse contra as energias renováveis, a Eco Wave Power já tinha o olhar voltado para além dos Estados Unidos.

Em Israel, até 100 residências no porto de Jaffa receberam energia das ondas desde dezembro. Para 2026, espera-se que 1.000 residências no Porto, em Portugal, tenham conexão à internet. E também há instalações previstas em Taiwan e Índia.

Braverman sonha com projetos de 20 megawatts (MW), uma capacidade para oferecer eletricidade a preços competitivos com a energia eólica. E, segundo afirmou, as instalações não prejudicarão a fauna local.

“O impacto ambiental é zero. Nos conectamos a estruturas artificiais existentes, que já alteram o meio ambiente”, comentou.

Promessas como esta repercutem na Califórnia, onde a Comissão de Energia destacou em um relatório recente o potencial da energia undimotriz para ajudar o estado a alcançar a neutralidade de carbono até 2045.

“A quantidade de energia que consumimos não para de aumentar com a era da inteligência artificial (IA) e os data centers”, afirmou Jenny Krusoe, fundadora da AltaSea, uma organização que ajudou a financiar o projeto.

“Portanto, quanto mais rápido pudermos estender esta tecnologia à costa, melhor para a Califórnia”, disse.

Energia das ondas se transforma em eletricidade nos EUA – 06/09/2025 – Mercado – Folha

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Letramento em IA: o novo desafio da educação brasileira

Enquanto países como Japão, China e Estônia já formam estudantes para pensar com IA, o Brasil tenta reagir a um fenômeno que já ocupa as salas de aula, mas ainda está em discussão no MEC

CAMILA DE LIRA –  Fast Company Brasil – 11-10-2025 

A inteligência artificial entrou nas escolas brasileiras sem pedir licença e segue sem direção no currículo pedagógico nacional. 

Sete em cada dez estudantes do ensino médio já recorrem a ferramentas generativas para fazer trabalhos e pesquisas, segundo o Comitê Gestor da Internet (CGI-Br).

Mais da metade dos professores também usa as ferramentas para preparar aulas ou corrigir provas, de acordo com a Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (na sigla em inglês, Talis), pesquisa coordenada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Enquanto isso, o Ministério da Educação (MEC) ainda está em conversas iniciais para criar um referencial nacional sobre uso ético da IA na educação. 

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A ausência de políticas públicas e de formação docente faz com que o uso da tecnologia cresça sem critérios éticos ou propósito pedagógico. 

Esse é o cenário ideal para o uso “pasteurizado” da tecnologia, avalia o educador, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e head do Proz Educação (empresa focada em ensino técnico e profissionalizante), Luciano Meira.

“Todo mundo faz redação com IA, o professor corrige com IA também. As IAs ficam conversando, ninguém desenvolve pensamento crítico, nem capacidade de aprendizagem”, afirma.

REMODELAR A ESCOLA É REVISAR O PRÓPRIO PROPÓSITO DO ENSINO.

Nos últimos 12 meses, Japão, China e Estônia aprovaram políticas nacionais que tratam o uso da inteligência artificial como parte do processo de aprendizagem, e não apenas como ferramenta auxiliar. 

Na China, o plano lançado em agosto de 2025 tornou a disciplina de IA obrigatória no currículo básico, conectando o ensino da tecnologia à resolução de problemas e à consciência social.

Na Estônia, país que lidera o ranking do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) na Europa – com 510 pontos em matemática, 511 em leitura e 526 em ciências –, o programa AI Leap 2025 vai treinar três mil professores e oferecer experiências práticas com IA generativa a 20 mil alunos.

Não se trata de usar o ChatGPT ou a Anthropic, ou o mais novo aplicativo de correção de redações, mas sim de promover um conhecimento que será cada vez mais necessário nos próximos anos: o letramento em IA.

A-B-C-IA: LETRAMENTO EM INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

O termo letramento em inteligência artificial ainda é novo no Brasil, mas já aparece como prioridade em relatórios internacionais.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) define o conceito como o desenvolvimento de competências humanas, éticas, técnicas e criativas – uma combinação que permite compreender como a IA pensa, quais limites carrega e de que forma suas decisões moldam o mundo.

Não se trata de ensinar a usar ferramentas, mas de preparar cidadãos capazes de pensar criticamente sobre elas. Segundo a pesquisa TIC Educação 2024, do Comitê Gestor da Internet (CGI.br), apenas 19% dos alunos brasileiros afirmam ter conversado com professores sobre o uso de aplicações de IA em atividades escolares e só 33% receberam orientações sobre como identificar erros ou vieses em conteúdos gerados pelas ferramentas.

Para o pesquisador, educador e escritor Rafael Irio, o letramento em IA é justamente esse processo anterior ao uso da tecnologia. “É como dar uma Ferrari a um jovem de 17 anos sem carteira de motorista. O letramento é dar a carteira de motorista para o jovem usar essa ferramenta poderosa. É a oportunidade de entender impactos e limites antes de `dirigir`.”

Ele reforça que alfabetizar em IA é ensinar o porquê e como usar, não apenas qual usar. “O letramento não é incentivo, é proteção”, afirma. “Significa reconhecer quando a IA substitui o pensamento e quando amplia.”

Essa visão ecoa na Carta de Recomendação para o Uso de IA na Educação, publicada este ano pelo Educa+IA, da Universidade de São Paulo. Criado em 2023, o grupo propõe diretrizes para o uso ético da tecnologia nas escolas, com foco em formação crítica, transparência de dados e supervisão humana.

I-ALFABETIZAÇÃO PARA PROFESSORES

Se o letramento em IA é uma nova forma de alfabetização, ele precisa começar pelos professores – os mais de 2,3 milhões de educadores brasileiros que estão na linha de frente da aprendizagem. São eles que ajudam a traduzir o mundo para os alunos e agora precisam aprender a dialogar com tecnologias que também ensinam.

“Não é que os professores resistam à tecnologia – eles não sabem o que fazer. Quando a formação é adequada, eles se encantam, porque veem sentido e resultados”, afirma Luciano Meira.

NÃO SE TRATA DE ENSINAR A USAR FERRAMENTAS DE IA, MAS DE PREPARAR CIDADÃOS CAPAZES DE PENSAR CRITICAMENTE SOBRE ELAS.

A i-alfabetização dos docentes faz parte do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, lançado em 2021, que até agora não saiu do papel. Há esforços pontuais, como o iAgora, da Universidade de Brasília (UnB), que oferece cursos introdutórios sobre IA para professores.

Mas o cenário nacional ainda é dominado por microcursos das próprias big techs, como Google, Microsoft e OpenAI. São formações que ensinam a usar os aplicativos das próprias empresas, sem discutir os impactos cognitivos, sociais ou éticos.

“Precisamos de um MEC muito atuante, muito forte. Precisa muito mais do que palestras”, diz Meira. Para ele, a IA promete remodelar a escola como a conhecemos. Isso exige repensar o papel do professor como mediador de pensamento, não apenas como executor de tarefas.

UMA NOVA ESCOLA, PARA NOVAS COMPETÊNCIAS

Muito da inteligência artificial ainda é território desconhecido. Os países que já incluíram o ensino da tecnologia no currículo mostram que a discussão não é (e nunca foi) sobre máquinas, mas sobre aprofundar as competências humanas. O desafio não está em dominar códigos, e sim em reaprender a pensar, argumentar e criar em diálogo com sistemas inteligentes.

No Japão, as diretrizes publicadas em dezembro de 2024 orientam escolas a aplicar IA de forma centrada no humano, incentivando o pensamento crítico e a ética digital. Elas já são a segunda versão do documento. Em 2023, o governo japonês havia publicado diretiva proibindo alunos de usarem sistemas de IA generativa.

Agora, os professores são orientados a discutir como a IA gera textos, imagens e vídeos, a identificar erros, vieses e informações falsas, e a avaliar quando o uso é apropriado ou não.

As ferramentas generativas, como o ChatGPT, podem ser utilizadas em atividades supervisionadas: por exemplo, comparar uma redação produzida por IA com outra escrita por um colega, para analisar argumentação e estilo. A proposta japonesa é formar alunos que saibam ler criticamente o que a tecnologia produz.

No currículo chinês, aprovado em agosto deste ano, a ideia é que as crianças produzam novos sistemas de IA. Assim como no Japão, o ensino é faseado, exigindo diferentes competências em cada idade.

É PRECISO REPENSAR O PAPEL DO PROFESSOR COMO MEDIADOR DE PENSAMENTO, NÃO APENAS COMO EXECUTOR DE TAREFAS.

As crianças mais novas aprendem lógica e reconhecimento de padrões; os alunos do ensino fundamental exploram raciocínio algorítmico; e os adolescentes avançam para temas como machine learning, privacidade e impacto social da automação.

O objetivo não é colocar crianças para conversar com chatbots – o que apresenta riscos para os pequenos –, mas formar uma compreensão progressiva sobre como a tecnologia pensa e como afeta a sociedade. 

Na Estônia, o contato com a IA começa mais tarde. Segundo o pesquisador e advogado Ronaldo Lemos, as ferramentas de IA só são introduzidas a partir dos 14 anos. Antes disso, o foco está no desenvolvimento humano e emocional. A IA entra em cena quando os estudantes já têm repertório para discutir ética, autoria e intencionalidade.

ENSINAR A PENSAR

Essas iniciativas mostram que a IA não substitui a escola, ela redesenha o que significa aprender. Como defende Luciano Meira, incorporar a IA ao ensino exige ensinar pensamento crítico, colaboração e argumentação, competências raras na formação pedagógica brasileira.

“A gente precisa ensinar pensamento crítico, mas ninguém ensina a argumentar. Não existe uma disciplina sobre processos argumentativos em nenhum curso de pedagogia que eu conheço”, afirma.

Remodelar a escola, nesse contexto, não é trocar livros por tablets ou substituir tarefas por prompts. É revisar o próprio propósito do ensino, transformando a aula em um espaço de investigação, diálogo e criação compartilhada.


SOBRE A AUTORA

Camila de Lira é jornalista formada pela ECA-USP, early adopter de tecnologias (e curiosa nata) e especializada em storytelling para negócios.

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IA escancara a criatividade automatizada e adaptada às demandas do mercado

Por Paulo Silvestre – Estadão – 09/10/2025 

Tilly Norwood, “atriz” criada totalmente por inteligência artificial – Foto: reprodução

Como costumo dizer, uma das coisas mais interessantes de pesquisar a inteligência artificial é que ela me leva a analisar as sutilezas e complexidades do ser humano. E à medida que novas aplicações dessa tecnologia são lançadas, surgem questionamentos sobre, por exemplo, até onde ela pode substituir nossas habilidades com vantagens, e quando isso pode se tornar um risco.

Por exemplo, no dia 27 de setembro, o estúdio inglês Particle6 anunciou Tilly Norwood, uma “atriz” totalmente digital, durante o Festival de Cinema de Zurique. A novidade esquentou o debate sobre a troca de profissionais humanos por robôs e até onde essa tecnologia pode ser efetivamente criativa.

O sindicato dos atores de Hollywood condenou a iniciativa, afirmando que “a criatividade é e deve permanecer centrada no humano”. A crítica é ética, porque o modelo que gerou Tilly foi treinado com performances de atores reais, sem consentimento ou remuneração, e existencial, porque ela representa a substituição simbólica e econômica de artistas por simulacros digitais, capazes de encenar emoções sem jamais tê-las vivido.

A criadora de Tilly, a produtora holandesa Eline Van der Velden, explicou que a personagem foi concebida para provocar reflexão. Ainda assim, a reação de Hollywood mostra o incômodo com a fronteira da própria noção de criatividade, que a tecnologia parece disposta a atravessar.

O historiador americano Samuel Franklin, pesquisador da Universidade de Tecnologia de Delft (Holanda) e autor de “The Cult of Creativity” (2023, ainda não lançado em português), observa que, a partir do século XX, a criatividade foi sendo moldada como valor dentro das corporações modernas. De dom raro, tornou-se um ativo estratégico, mensurável e explorável.

Surgiu o mito do “gênio empreendedor”, aquele indivíduo que, com intuição e ousadia, muda o mundo de dentro de uma startup. O Vale do Silício tornou-se o altar desse culto, onde o sucesso econômico se confunde com inovação criativa e onde algoritmos se tornam instrumentos da imaginação.

Paradoxalmente, ao transformar a criatividade em mantra corporativo e cultural, ela perde substância. O discurso de “pensar fora da caixa” serve para manter as pessoas dentro dela, produtivas e previsíveis. Criatividade virou produto, e assim passou a ser otimizada e, agora com a IA, automatizada.

A própria educação reflete esse esvaziamento quando propõe formar pessoas criativas sem ensinar fundamentos, estimular reflexão estética, pensamento crítico ou cultura. O resultado disso são bons executores de ideias alheias.

É aí que o debate em torno da IA esquenta. Franklin propõe que não se deve questionar se a IA é criativa, mas se ela pode ser sábia e honesta. Uma máquina pode simular originalidade, mas não discernimento. A sabedoria envolve julgamento, empatia e consciência, qualidades intrinsecamente humanas.

Tilly Norwood não ameaça, portanto, apenas atores, mas o próprio sentido de criação. Ela põe à prova nossa tolerância com o simulacro e representa o ápice do culto à eficiência estética, sem imperfeições tipicamente nossas.

A forte oposição à “atriz” denuncia como o fascínio tecnológico pode ignorar direitos de artistas reais, reproduzindo um modelo excludente e explorador. No limite, o culto ao progresso ameaça a experiência humana que o torna possível.

Esse caso vai muito além de uma curiosidade tecnológica, escancarando as contradições do culto à criatividade. Ela representa o estágio final da criatividade automatizada, sem autoria, sem subjetividade, mas perfeitamente adaptada às demandas de entretenimento, eficiência e lucro. É a vitória do conceito de criatividade como produto replicável, não como experiência singular

Opinião por Paulo Silvestre

É doutorando em inteligência artificial e mestre em reputação digital pela PUC-SP. Articulista do Estadão, atua como consultor e palestrante de IA, experiência do cliente e transformação digital. É professor da Universidade Mackenzie e da PUC–SP. Foi executivo do Estadão, Samsung, AOL, Saraiva e Editora Abril, e é LinkedIn Top Voice desde 2016.

IA escancara a criatividade automatizada e adaptada às demandas do mercado – Estadão

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O plano da China para dominar o mundo e se tornar uma superpotência industrial

Donald Trump não está conseguindo impedir a ascensão da China; participação do país nos contêineres de exportação globais é superior a 36%, embora a nação represente cerca de um quinto do PIB mundial

Por Estadão/The Economist – 27/09/2025

O poder industrial da China é difícil de capturar em números. O país responde por mais de 30% da produção global, ou mais do que os Estados Unidos, Alemanha, Japão e Coreia do Sul juntos. Esse número subestima o crescente medo que os produtos fabricados na China inspiram em concorrentes e governos estrangeiros.

Os produtos chineses são baratos e estão ficando mais baratos, porque as empresas locais são eficientes e estão presas em uma guerra de preços doméstica épica. Após quase três anos de quedas contínuas nos preços de fábrica, muitas empresas estão perdendo dinheiro e desesperadas para vender em mercados estrangeiros, onde as margens são maiores. O crescimento das exportações chinesas é impressionante quando medido em valor. É positivamente fantástico quando medido em volume.

Pouco antes da pandemia de covid-19, um terço de todos os contêineres que transportavam exportações ao redor do mundo continham coisas montadas, cultivadas ou processadas na China. Hoje, a participação do país nos contêineres de exportação globais é superior a 36%, embora a nação represente cerca de um quinto do PIB mundial. Um chefe de negócios estrangeiros na China prevê um acerto de contas: “Chegará um momento em que a China e o mundo simplesmente não poderão absorver mais produtos chineses, e acho que esse ponto está se aproximando.”

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Enquanto isso, mercados valiosos na China estão sendo isolados. Novas regras limitam as importações de chips de computador, dispositivos médicos e muito mais, já que o Partido Comunista prioriza a segurança econômica e nacional acima do crescimento de curto prazo. Embora as exportações para os Estados Unidos tenham despencado, afetadas pelas tarifas em constante mudança do presidente Donald Trump, o superávit comercial geral da China está a caminho de ultrapassar US$ 1 trilhão este ano, com embarques recordes para a África, Ásia, Europa e América Latina.

De Brasília a Berlim e Bangkok, políticos ouvem apelos para proteger as indústrias estabelecidas da concorrência chinesa. No entanto, muitos desses mesmos políticos querem que investidores chineses os ajudem a construir as indústrias do futuro, abrindo fábricas para produzir baterias, por exemplo. Isso limita seu desejo de confrontar a China.

A China sabe que tem muitas fábricas deficitárias. O líder supremo, Xi Jinping, preocupa-se em voz alta com a concorrência “desordenada”, já que os fabricantes cortam preços para sobreviver. Os governos locais foram instruídos a parar de sustentar empresas condenadas. As autoridades lançaram esquemas para promover a demanda interna, e o consumo aumentou.

A produção industrial aumentou em um ritmo mais rápido do que a demanda interna. Como resultado, a sobra de produção precisou ser escoada para fora do país, ou seja, as exportações cresceram para “absorver” esse excedente. Mais importante ainda, Xi continua a elogiar a manufatura como fonte de poder econômico e geopolítico. Nas palavras de um economista chinês, os líderes de seu país e a maioria dos cidadãos acreditam que “a participação da China no total mundial da manufatura é adequada” e pode, de fato, crescer.

A portas fechadas, chefes do partido e tecnocratas trabalham arduamente no próximo plano quinquenal da China, abrangendo o período de 2026 a 2030. As previsões sugerem que o plano incluirá esforços redobrados para se tornar uma “potência científica e tecnológica” e um foco na inovação “disruptiva” feita na China para combater “a contenção e a repressão do Ocidente liderado pelos EUA “.

As autoridades não cedem quando líderes europeus e outros líderes estrangeiros viajam a Pequim para pedir que suas empresas sejam tratadas de forma mais justa ou que a China reequilibre sua economia. Em vez disso, diz um diplomata ocidental, os anfitriões chineses combinam palavras de simpatia sobre as intimidações de Trump com ameaças de represálias, caso os governos estrangeiros restrinjam o fluxo de produtos chineses.

Quando solicitados a parar de fornecer peças de drones usados pela Rússia para matar ucranianos, eles negam. Os líderes da China parecem “extraordinariamente encorajados”, relata o diplomata. Eles acreditam que estão vencendo batalhas importantes contra Trump, se não toda a guerra comercial.

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Até agosto, Sarah Beran era uma diplomata americana sênior, especializada em China. Ela teme que tanto os Estados Unidos quanto a China estejam “excessivamente confiantes” em relação à guerra comercial. A China tem motivos para estar satisfeita. Em contraste com o passado, incluindo durante o primeiro mandato de Trump, o segundo governo americano não está exigindo mudanças estruturais no modelo econômico chinês.

“Não há um esforço conjunto para lidar com o excesso de capacidade ou nivelar o campo de atuação para as empresas americanas”, diz ela. Desta vez, os negociadores americanos estão mais focados em “coisas importantes para o presidente”. Isso inclui a venda de soja e aviões da Boeing e a criação de uma versão exclusiva para os Estados Unidos do TikTok, um aplicativo de mídia social chinês, talvez licenciando sua tecnologia subjacente para investidores americanos.

Beran, agora na consultoria Macro Advisory Partners, acredita que a China ficou surpresa quando sua medida para restringir as exportações de minerais raros e ímãs permanentes se mostrou “extremamente bem-sucedida”, causando pânico entre os fabricantes em todo o mundo. Por outro lado, a China deveria se preocupar com o fato de que suas ações levarão os países a buscar fontes diversificadas de insumos vitais, sugere ela.

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A China está confiante em sua influência sobre os Estados Unidos. Essa arrogância é difícil de aceitar para os parceiros comerciais. Mas sua intransigência tem raízes ainda mais profundas. Os governantes chineses gostam de seu plano para dominar os setores estratégicos da manufatura global e não desejam mudar.

Os chineses reformistas compartilham dos temores dos estrangeiros de que essa iniciativa industrial seja insustentável. Mas os líderes do partido veem a adoção por Trump de políticas industriais ao estilo chinês, incluindo exigências do governo por participações em empresas líderes, como um endosso à sua própria abordagem.

Da mesma forma, eles se sentem justificados em sua obsessão pela autossuficiência. Sua desconfiança em relação aos Estados Unidos é agora quase total, após as tentativas de Trump de sufocar o acesso da China às tecnologias americanas, intercaladas com campanhas para vender mais dessas tecnologias à China.

Os Estados Unidos “cometeram um grande erro”, diz o economista chinês. Isso “acordou a China”, mas não impediu o país de desenvolver indústrias líderes mundiais. Trump chegou ao poder prometendo um boom industrial para a eternidade. Seria estranho se ele tivesse sucesso, mas na China…

The Economist: O plano da China para dominar o mundo e se tornar uma superpotência industrial – Estadão

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A maioria dos ‘superidosos’ compartilha uma única qualidade, aponta estudo

Após 25 anos de pesquisa sobre esse grupo notável, uma característica se destaca

Dana G. Smith – Estadão/The New York Times – 18/08/2025

Ralph Rehbock, de 91 anos e sobrevivente do Holocausto, tem uma agenda cheia. Na primeira sexta-feira de cada mês, ele se reúne com um grupo de homens mais velhos em uma sinagoga nos arredores de Chicago para o encontro do MEL: Men Enjoying Leisure (“Homens que aproveitam o lazer”, em tradução livre). Todas as sextas à tarde, ele se apresenta com os Meltones, o grupo de canto do clube, interpretando clássicos das décadas de 1930 e 1940. E, ao longo dos anos, Ralph já compartilhou sua história de fuga da Alemanha nazista com milhares de estudantes, por meio de seu trabalho no Illinois Holocaust Museum & Education Center.

Leigh Steinman, de 82 anos, passa grande parte do tempo desenvolvendo projetos de arte com as crianças que moram no seu bairro em Chicago e assistindo aos jogos do Cubs no Wrigley Field, a apenas um quarteirão de sua casa. Steinman trabalhou no estádio como segurança por 17 anos antes de se aposentar no início da pandemia (sua carreira anterior foi como redator publicitário). Mas ainda vai ao local três ou quatro vezes por semana no verão para encontrar ex-colegas e outros torcedores.

Ralph e Steinman são considerados “superidosos” — pessoas com 80 anos ou mais que têm a mesma capacidade de memória que alguém 20 a 30 anos mais jovem. Cientistas da Universidade Northwestern estudam esse grupo notável desde 2000, na esperança de descobrir como eles evitaram o declínio cognitivo típico do envelhecimento, bem como distúrbios de memória mais graves, como a doença de Alzheimer. Um novo artigo de revisão publicado recentemente resume um quarto de século dessas descobertas.

Os superidosos são um grupo diverso; não compartilham uma dieta mágica, um regime de exercícios ou um medicamento específico. Mas o que todos têm em comum é “a importância que dão aos relacionamentos sociais”, define Sandra Weintraub, professora de psiquiatria e ciências do comportamento na Faculdade de Medicina Feinberg, da Universidade Northwestern, que participa da pesquisa desde o início. “E, em termos de personalidade, tendem a ser mais extrovertidos.”

Isso não surpreende Ben Rein, neurocientista e autor do próximo livro Why Brains Need Friends: The Neuroscience of Social Connection (“Por que o cérebro precisa de amigos: a neurociência da conexão social”, em tradução livre).

“Pessoas que socializam mais são mais resistentes ao declínio cognitivo com o envelhecimento”, comenta Rein. E, segundo ele, elas “tendem a ter cérebros geralmente maiores”.

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Os pesquisadores acreditam que isso pode acontecer porque socializar ajuda a proteger contra a perda de volume cerebral que ocorre com a idade e o isolamento. A solidão, bastante comum em idosos, pode aumentar os níveis do hormônio do estresse, o cortisol, e, se ele permanecer elevado por longos períodos, pode causar inflamação crônica. Isso, por sua vez, é capaz de danificar células cerebrais e até aumentar o risco de demência.

Ao serem mais sociáveis na velhice, os superidosos podem evitar parte dessa atrofia. Uma análise incluída no novo artigo reforça essa ideia: o volume cerebral dos superidosos tende a se assemelhar mais ao de pessoas com 50 ou 60 anos do que ao de seus pares octogenários e nonagenários.

Outra diferença notável é que o cérebro dos superidosos tende a ter mais de um tipo especial de célula, chamado neurônio de von Economo, que parece ser importante para comportamentos sociais e é encontrado apenas em mamíferos altamente sociáveis — como primatas, elefantes, baleias e humanos.

Todos esses neurônios de von Economo “provavelmente ajudam a construir e manter conexões e redes sociais fortes e poderosas”, afirma Bill Seeley, professor de neurologia e patologia na Universidade da Califórnia, em San Francisco. E isso pode ter “um efeito de longo alcance no bem-estar e na saúde geral” dessas pessoas.

Mas, segundo Seeley, isso provavelmente é apenas uma parte de “um conjunto inteiro de vantagens neurobiológicas que as mantém em tão boa forma nessa fase da vida”.

Por exemplo, quase todos os octogenários apresentam sinais da doença de Alzheimer no cérebro (tenham ou não a condição), mas alguns superidosos apresentam poucos ou nenhum. Além disso, no cérebro dos superidosos, o funcionamento de um neuroquímico importante para a atenção e a memória é melhor preservado.

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Sofiya Milman, professora de medicina e genética na Faculdade de Medicina Albert Einstein, em Nova York, estuda centenários saudáveis. Ela afirma que eles também tendem a ser extrovertidos e “ter uma visão positiva da vida”.

No entanto, há um dilema do tipo “ovo e galinha”. Uma pessoa com melhor funcionamento cognitivo pode ter mais disposição para sair e socializar do que alguém que sente sua memória enfraquecendo. “Se é a socialização que leva à manutenção de uma cognição melhor ou se é a cognição melhor que leva a mais socialização, acho que isso ainda está em aberto para debate”, reconhece Sofiya.

Infelizmente, forçar-se a ser mais sociável provavelmente não será suficiente para transformá-lo em um superidoso. Sandra diz que a habilidade quase sobrenatural dos superidosos provavelmente se deve à genética e à biologia, assim como aos comportamentos deles.

Mas, para Steinman, a importância de ver seus vizinhos e amigos no estádio é evidente. “Acho que a sociabilidade do Wrigley Field e do lugar onde moro, meu quarteirão, é o que me manteve firme todo esse tempo”, comenta

A maioria dos ‘superidosos’ compartilha uma única qualidade, aponta estudo – Estadão

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Talento é dinheiro, e o Brasil não investe

No século XXI, capital humano de alto talento é o ativo mais escasso e valioso

Por João Batista Oliveira – Valor – 01/10/2025 

Artigo no “New York Times” de 25 de setembro alertou que a decisão do governo Trump de taxar o visto de estrangeiros altamente qualificados pode levar empresas americanas a deixar o país. Recado dado: talento é dinheiro. Num mundo em que a vantagem competitiva depende de ciência e tecnologia, cada jovem de alto desempenho é um ativo raro — capaz de criar novas indústrias, sustentar clusters de inovação e multiplicar o PIB de uma nação. Em média, cada portador do visto H1-B gera US$ 800 mil em redução do déficit americano, segundo cálculos do Manhattan Institute.

Ajay Agarwal e colegas identificaram as estratégias mais refinadas para identificar talento de altíssimo nível. Eles acompanharam 37 mil participantes das Olimpíadas Internacionais de Matemática e Ciências desde 1959, as mais prestigiosas do mundo e mostraram que medalhistas de ouro da Olimpíada Internacional de Matemática — uma fração ínfima dos estudantes do planeta — respondem por cerca de 5% de todos os grandes prêmios científicos do mundo, como Nobel e Medalha Fields. Ou seja: há ouro de diferentes quilates e instrumentos eficazes para garimpar esse “ouro”.

Competições de física, química ou programação funcionam como verdadeiros radares, identificando jovens que depois lideram centros de pesquisa, fundam startups ou comandam empresas de tecnologia. Coreia do Sul, Israel e Cingapura transformaram essas competições em estratégia nacional: do pódio escolar saem programas especiais de treinamento, bolsas dirigidas e parcerias com universidades. O elo é claro — do pódio para os polos de inovação. Identificar talentos desde cedo é garantir participação de um país nos futuros centros de produção de riqueza global.

Talentos não surgem do nada. Campeões olímpicos não se formam nas Olimpíadas; apenas se revelam. Até chegar lá foram anos de investimento. Não é por acaso que certos países produzem mais desses jovens e outros conseguem atraí-los em maior intensidade.

O Brasil está fora desse jogo. Apenas 1% dos nossos estudantes superam 600 pontos em matemática no Pisa, contra 6% a 12% em países desenvolvidos. Não temos celeiros para produzi-los. E por isso também não temos “fuga de cérebros” poissequer os cultivamos. Perdemos, silenciosamente, a chance de transformar potenciais extraordinários em criatividade e valor econômico.

A Olimpíada Brasileira de Matemática (OBMEP) é uma exceção notável. Criada em 2005, mobiliza anualmente mais de 18 milhões de alunos da rede pública. Pesquisas mostram que até uma menção honrosa aumenta a confiança dos participantes e de seus colegas. Mas falta a etapa anterior — a identificação precoce — e a seguinte — transformar entusiasmo em mecanismos de formação de elite. Sem continuidade, desperdiçamos o que deveria ser tratado como investimento estratégico.

O contraste internacional é evidente. Nos EUA, por exemplo, há processos para identificar alunos a partir dos 3 ou 4 anos de idade. Universidades disputam medalhistas como se fossem atletas. Empresas acompanham de perto essa cadeia e absorvem os melhores para pesquisa aplicada. Diversas províncias do Canadá fazem identificação universal no início da escolaridade, seguida de apoio sistemático a alunos de alto talento. Israel, China, Rússia e outros países adotam estratégias similares para identificar e promover indivíduos excepcionais, dentro do sistema escolar ou em escolas especializadas. Há um mercado internacional de procura dos que se destacam.

Identificar talentos desde cedo é garantir participação de um país nos futuros centros de produção de riqueza

Além de falta de cultura e de oportunidades para identificar talentos, corremos outros riscos. Um deles é o imediatismo — alunos talentosos são descobertos em olimpíadas — mas se contentam com ganhar uma bolsa de estudo numa escola privada apenas melhorzinha. Uma vez formados, esses poucos jovens de altíssimo talento desviam para carreiras mais rentáveis que a pesquisa científica. Em vez de ampliar a fronteira do conhecimento, muitos são atraídos para o mercado financeiro, empresas de tecnologia ou consultorias. É uma escolha racional individualmente, mas representa perda coletiva: cérebros escassos e preciosos se dedicam a aplicações de curto prazo. Para um país que já forma poucos, trata-se de desperdício inaceitável.

À falta de políticas públicas, sobrevivem iniciativas pontuais. Escolas como Farias Brito e Ari de Sá, no Ceará, ou o Instituto Lumen, em São José dos Campos, criaram ambientes seletivos de alto desempenho, à semelhança de escolas americanas que concentram finalistas da Olimpíada Internacional de Matemática. Funcionam como “viveiros de campeões”, criando pares de referência e acelerando a aprendizagem. Iniciativas como o as do Ismart, Instituto Ponte, Instituto Apontar procuram abrir brechas para identificar e tentar ajudar alunos carentes de alto talento. Mas não há política pública. Até hoje apenas um município brasileiro adotou diagnóstico universal de crianças como passo inicial para estabelecer uma política consistente para identificar e promover indivíduos de alto talento.

O caminho é conhecido: identificar cedo, oferecer apoio, criar oportunidades em ambientes desafiadores junto a outros colegas talentosos. Cada município pode adotar estratégias próprias, mas os passos essenciais são os mesmos: combinar testes padronizados com olimpíadas e avaliações nacionais, investir em tutoria, escolas de referência e parcerias com universidades. Não é elitismo, é reconhecer que alguns aprendem mais rápido e precisam de desafios à altura. Mantê-los em escolas ruins é decretar uma pena de morte intelectual.

A mensagem é simples. No século XXI, capital humano de alto talento é o ativo mais escasso e valioso. Países que entenderam isso criaram políticas de identificação precoce, escolas e programas seletivos e pontes diretas para universidades e empresas. O Brasil, se quiser romper a mediocridade, precisa fazer o mesmo. Caso contrário, seguirá à margem da economia do conhecimento — e pagará caro pelo talento não revelado, na inovação que não acontece, nas empresas que não surgem e na riqueza que não deixou de ser criada.

João Batista Araujo e Oliveira é presidente do Instituto IDados

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Ele ajudou a gerar 20.000 empregos no Nordeste. Agora, colhe os frutos dessa iniciativa

Pierre Lucena comanda um dos maiores polos de inovação do Brasil: o Porto Digital, em Recife; vinte anos depois, vive o melhor momento do ecossistema de inovação nordestino

Pierre Lucena, CEO do Porto Digital: “Ninguém quer roer o osso do começo” (Porto Digital/Divulgação)

Laura Pancini – Exame – 28 de agosto de 2025

“O sertão é o mundo”, diziaGuimarães Rosa. Embora a região ocupe um lugar central na história e na literatura nordestina, a realidade é muito mais complexa. O que antes era visto como sinônimo de secas e paisagens áridas, agora se transforma em um caldeirão fervente de inovação. Principalmente as capitais são palco de uma revolução tecnológica que passa a ganhar destaque dentro e fora do Brasil.

Um dos maiores exemplos é o Porto Digital (PE), hoje casa de quase 500 empresas. O hub de inovação já gerou mais de 20 mil empregos e aproximados R$ 6 bilhões em faturamento. Para chegar a esse ponto,foram necessários milhões de reais, parcerias com o governo e muita, mas muita carne de sol.

“Fomentar um ecossistema exige mais do que infraestrutura; é preciso que todos se movam em direção a uma cultura empreendedora”, diz o CEO Pierre Lucena.

O hub é um dos responsáveis pelo Rec‘n’Play, evento que convida toda a juventude pernambucana para conhecer (e viver) tecnologia nas ruas do Porto Digital. São dias de palestras, workshops, experiências interativas com tecnologias e uma feira de startups.

Recentemente, o Porto Digital anunciou o início das obras de um núcleo de empreendedorismo feito em parceria com o Governo do Estado de Pernambuco e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O projeto, intitulado de NERD (Núcleo de Empreendedorismo e Residência Digital) receberá um investimento de R$ 18 milhões e vai transformar um imóvel histórico da região em um espaço para fomentar inovação, conectar empresas e reter talentos.

Além de já estar presente na cidade de Aveiro, em Portugal, o Porto Digital também será responsável por gerir o novo hub de inteligência artificial de Goiás. Com investimento total de R$ 2 milhões, o programa vai selecionar as dez melhores startups de IA da região, e as inscrições estão abertas até 21 de setembro.

 Região da inovação

O fato é que o empreendedorismo nordestino explodiu — um crescimento de 3.497% no número de startups, tudo em menos de dez anos. Pela primeira vez na história, o Nordeste ultrapassou o Sul em número de startups em 2024, ficando atrás apenas do Sudeste.

O que vem por aí é um cenário em que o Nordeste não apenas faz história, mas também se torna protagonista do futuro das tecnologias emergentes no Brasil. Veja algumas reflexões de Lucena sobre o ecossistema da região:

EXAME: Um aprendizado?

Pierre Lucena: A inovação precisa de mais do que boas ideias: ela precisa de apoio constante que transforme a possibilidade de empreender em algo acessível a todos. Precisamos expandir isso para toda a população com a ajuda de políticas públicas,

e o Porto tem sido um campo de teste para isso.

Um desafio?

O “osso” do começo ninguém quer. Investir nas primeiras etapas de uma startup é assumir um risco enorme. A falta de tração e os protótipos iniciais fazem com que muitos investidores se afastem, mas é justamente nesse momento que a inovação está sendo moldada.

Um orgulho?

Durante muito tempo, o imaginário coletivo [do Nordeste] estava ligado a carreiras tradicionais. O que fizemos no Porto Digital foi abrir espaço para um novo imaginário, em que empreender se tornou viável.

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Funcionário do mês: mais robôs operam na China do que em todos os outros países juntos, aponta relatório

Fábricas chinesas instalaram quase 300 mil novos robôs no último ano, superando Estados Unidos, Japão e Europa somados

Por O Globo/The New York Times – 27/09/2025 

A China está fabricando e instalando robôs de fábrica em um ritmo muito maior do que qualquer outro país, com os Estados Unidos ocupando um distante terceiro lugar, fortalecendo ainda mais seu papel dominante na manufatura mundial.

Mais de dois milhões de robôs operavam em fábricas chinesas no ano passado, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (25) pela Federação Internacional de Robótica, organização sem fins lucrativos que representa fabricantes de robôs industriais. As fábricas chinesas instalaram quase 300 mil novos robôs, mais do que o resto do mundo somado; nos Estados Unidos, o número foi de 34 mil.

Robôs e produtividade em alta

Apesar de utilizar mais robôs, as fábricas chinesas também melhoraram sua produção. O governo vem utilizando capital público e diretrizes políticas para estimular empresas a se tornarem líderes em robótica e outras tecnologias avançadas, como semicondutores e inteligência artificial.

No cenário global, robôs e IA desempenham papel cada vez mais proeminente e disruptivo na indústria. Eles variam de máquinas que soldam peças de automóveis a garras que movimentam caixas em linhas de produção. À medida que a tecnologia aumenta a eficiência, algumas fábricas operam com menos trabalhadores e alteram funções de outros funcionários.

Na última década, a China iniciou uma campanha ampla para ampliar o uso de robôs, produzir equipamentos de ponta e integrar a indústria com avanços em inteligência artificial. Empresas chinesas se beneficiaram de um impulso nacional que acompanha o crescimento dos setores de veículos elétricos e inteligência artificial, afirmou Lian Jye Su, analista-chefe da Omdia, empresa de pesquisa em tecnologia.

“Isso não é coincidência”, disse Su. “Foram necessários anos de investimento por parte das empresas chinesas.”

O esforço de Pequim para automatizar fábricas tem sido central para consolidar sua posição como potência manufatureira. Desde 2017, as instalações superam 150 mil robôs por ano. Ao mesmo tempo, a produção industrial disparou: no início deste ano, as fábricas chinesas produziam quase um terço de todos os produtos manufaturados no mundo, mais do que Estados Unidos, Alemanha, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido juntos.

Gráfico das intalações — Foto: Federação Internacional de RobóticaGráfico das instalações — Foto: Federação Internacional de Robótica

Estratégia governamental e expansão nacional

No ano passado, as instalações de robôs caíram nos quatro países que mais utilizam robôs industriais: Japão, Estados Unidos, Coreia do Sul e Alemanha. O Japão, por exemplo, instalou 44 mil unidades.

Desde 2015, a China tornou prioridade máxima tornar-se competitiva globalmente em robótica, parte da campanha Made in China 2025, voltada a reduzir importações de produtos manufaturados avançados. As indústrias tiveram acesso a empréstimos de bancos estatais a juros baixos, apoio na aquisição de concorrentes estrangeiros, injeções diretas de recursos governamentais e outros incentivos. Em 2021, o governo lançou uma estratégia detalhada para expandir o uso de robôs.

“Você pode ver como essa estratégia funcionou; sem um plano, um país está sempre em desvantagem”, disse Susanne Bieller, secretária-geral da Federação Internacional de Robótica.

No ano passado, a participação chinesa na fabricação mundial de robôs chegou a um terço da oferta global, ante um quarto em 2023. O Japão, líder anterior, caiu para 29% do mercado global, contra 38% no ano anterior.

Até então, a China instalava mais robôs importados do que nacionais. Mas no último ano, quase três quintos das máquinas instaladas também foram fabricadas localmente. No total, o país tem cinco vezes mais robôs em operação do que os Estados Unidos.

Embora os dados da federação não incluam robôs humanoides, ainda em grande parte experimentais, o apoio governamental gerou um boom de startups e empresas que produzem componentes especializados, como articulações motorizadas. A Unitree Robotics, sediada em Hangzhou, anunciou que pretende abrir capital até o fim do ano. Seus robôs humanoides mais básicos custam cerca de US$ 6 mil na China, uma fração do valor cobrado por empresas americanas, como a Boston Dynamics.

Ainda assim, as companhias chinesas enfrentam dificuldades na produção de componentes-chave, como sensores e semicondutores, apontou Su. “Um robô humanoide de ponta seria quase totalmente fabricado fora da China, com talvez um ou dois componentes chineses, mas o sistema seria muito internacional.”

Por outro lado, a China mantém múltiplas vantagens na robótica industrial. O país conta com eletricistas e programadores especializados capazes de instalar robôs, embora enfrente escassez de profissionais qualificados, com salários que podem chegar a US$ 60 mil anuais. Além disso, a indústria de IA do país é fortemente direcionada à análise e melhoria do desempenho das máquinas de fábrica

“Empresas chinesas usam a IA para monitorar e avaliar quais máquinas estão com desempenho ótimo e quais estão abaixo do esperado”, disse Cameron Johnson, consultor de cadeia de suprimentos em Xangai. “Fora da China, a IA ainda não é vista dessa forma na manufatura.”

Funcionário do mês: mais robôs operam na China do que em todos os outros países juntos, aponta relatório

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Investimentos em data centers podem chegar a US$ 11,4 bilhões em 2026

Estimativa é da Brasscom, do setor de tecnologia, e reflete impacto de incentivos tributários. Países vivem disputa para receber projetos

Por Bernardo Lima — O Globo – 05/10/2025 

Com incentivos fiscais previstos para o ano que vem, o setor de data centers deve alcançar US$ 11,4 bilhões (R$ 60,8 bilhões) em investimentos no Brasil em 2026, segundo estimativas da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom). Executivos relatam grande aumento na procura de empresas estrangeiras por negócios no Brasil após a publicação da política nacional para o setor.

A medida provisória (MP) que prevê os benefícios fiscais foi publicada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em setembro, após meses de expectativa de empresários pelo lançamento.

Boom na infraestrutura

Batizado de Redata, o plano nacional para o setor vai antecipar efeitos da Reforma Tributária, que entra em vigor em 2027. Desse modo, 2026 é o único ano de vigência desses benefícios, e é por isso que há a expectativa de que haja um “boom” nos investimentos no ano que vem.

As empresas não pagarão tributos sobre a compra de equipamentos. Em contrapartida, terão que investir na indústria nacional e fazer uso sustentável de energia e água.

Segundo estimativas da Brasscom, que representa mais de 80 empresas do setor de tecnologia, do total de investimentos previstos para o ano que vem, US$ 8,6 bilhões (R$ 45,8 bilhões) devem ser destinados a equipamentos e US$ 2,9 bilhões (R$ 15,5 bilhões), para infraestrutura.

No pano de fundo desses incentivos está uma verdadeira “corrida” entre países pela atração dos investimentos dessa indústria que movimenta bilhões de dólares anualmente. A abertura a investimentos nesse setor foi colocada, inclusive, como uma das cartas nas mangas do governo brasileiro a serem usadas na mesa de discussão com o governo americano em torno das tarifas de importação.

O presidente da Brasscom, Affonso Nina, destaca que a situação pode ser uma oportunidade para atrair ainda mais investimentos para o setor no Brasil.

— O Brasil pode se posicionar como parceiro comercial para processar aqui serviços, processar dados dos Estados Unidos no Brasil. Nós já levamos essa proposta para que isso fosse colocado na mesa de negociação, e levamos isso para o vice-presidente (Geraldo) Alckmin, e ele entendeu que era uma boa ideia — conta o presidente da Brasscom.

A expectativa do setor é que grandes empresas estrangeiras sejam atraídas. A gigante chinesa Alibaba anunciou na semana passada , por exemplo, planos de expandir sua base global de data centers com a instalação de centrais de processamento de dados no Brasil.

O presidente da Equinix — maior provedora de data centers do mundo — na América Latina, Eduardo Carvalho, diz que o Redata tem potencial de colocar o Brasil entre os três principais destinos para data centers no mundo nos próximos anos. Ele destaca a matriz de energia limpa do país como uma das vantagens comparativas:

— O Brasil vai assumir um protagonismo mundial. Por exemplo, em comparação com o México, que poderia estar junto conosco nessa frente de atração de mercado de data center, mas não tem o insumo principal para eles, que é a energia elétrica. Aqui tem em abundância.

Disputa entre países

Entre os concorrentes locais, apenas o Chile já instituiu uma política nacional de incentivo ao setor. A Colômbia criou uma zona franca em Bogotá, com redução tributária para empresas do setor. O México estabeleceu em 2023 incentivos fiscais para empresas que transferissem suas operações para o país.

Outro concorrente direto do Brasil nessa disputa por mercado é a Índia, que conta com um preço de energia e mão de obra baratos ao seu favor. No entanto, o carvão é a principal fonte energética do país, indo na contramão da tendência verde do setor, que dá preferência para geração de energia limpa.

Por outro lado, especialistas apontam que a escassez de mão de obra especializada deve ser um desafio para o setor no Brasil . O presidente da Amazon Web Services (AWS) no país, Cléber Morais, aponta que esse percalço deve ser superado com investimento das próprias empresas. Desde 2017, a AWS capacitou mais de 900 mil profissionais no Brasil.

— O grande desafio nosso vai ser como treinar, capacitar e ter mão de obra. Energia abundante já temos, agora precisamos dos profissionais. O brasileiro tem uma capacidade de inovação enorme — aponta Morais.

Segundo a Associação Brasileira de Data Centers (ABDC), o Brasil possui atualmente 162 centrais de processamento de dados. A maioria está instalada no Sudeste (110 unidades), seguido pelo Sul (27 unidades), Nordeste (15 unidades), Centro-Oeste (8 unidades) e Norte (2 unidades).

Diante dessas vantagens, associadas agora aos benefícios tributários, o diretor executivo de Receita (CRO, na sigla em inglês) e gerente de Estratégia da Ascenty, Marcos Siqueira, diz que a procura por investimentos estrangeiros aumentou consideravelmente nas últimas semanas.

— A gente trabalha com a possibilidade de investimentos em bilhões de dólares agora com esse maior apetite de clientes internacionais para ter data centers no Brasil. Estamos conversando com clientes americanos, asiáticos, com projetos que demandam 100 megawatts de energia — conta Siqueira.

A Elea Data Center também projeta um crescimento em seus investimentos nos próximos anos. O presidente da companhia, Alessandro Lombardi, destaca o cenário positivo para a empresa, que acabou de assinar um contrato de R$ 2,3 bilhões com a Petrobras para implantar um data center de inteligência artificial (IA) em São Paulo.

— O meu telefone, depois que o presidente Lula assinou (a Medida Provisória), não para de tocar, com os investidores querendo investir aqui — afirma Lombardi.

Entre os benefícios previstos estão a isenção do IPI, PIS/Pasep, Cofins na aquisição de equipamentos de TIC (tecnologias da informação e comunicação) para data centers. Caso esses equipamentos não sejam produzidos no Brasil, também haverá desoneração do imposto de importação.

Renúncia de R$ 7,5 bi

O advogado tributarista e sócio do escritório Mattos Filhos Leonardo Homsy destaca a importância da desoneração do imposto de importação para o setor, frente a uma carga tributária alta cobrada sobre equipamentos.

— É um alívio relevante, porque costuma ser uma alíquota alta e vai durar pelo prazo de cinco anos. Hoje, você tem alíquotas variadas na importação, depende do equipamento, mas no caso dos data centers pode chegar ali a 60% ou até em alguns casos a 70%. Com a desoneração, já calculamos que a economia pode chegar a quase 40% em alguns casos — explica o advogado.

Além do prazo de validade, os benefícios do Redata exigirão uma renúncia fiscal de R$ 7,5 bilhões nos próximos três anos, segundo o governo. Quem aderir terá que direcionar 2% de seus investimentos para pesquisa e ao menos 10% dos serviços providos terão que ser destinados ao mercado interno.

Investimentos em data centers podem chegar a US$ 11,4 bilhões em 2026

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Etanol, carne e suco de laranja: Brasil domina exportações globais em nove produtos-chave

Com 74% do mercado mundial de suco de laranja, país lidera vendas externas também em soja, café e carnes, aponta levantamento da Harven Agribusiness School

Redação Exame – 30 de setembro de 2025 

O Brasil ocupa atualmente a liderança nas exportações globais de nove produtos-chave do agronegócio, segundo levantamento da Harven Agribusiness School, feito com base em dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês), Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Os maiores destaques, segundo a instituição, são o suco de laranja, com 74% de participação nas exportações globais, a soja (59%) e o açúcar (56%).

O país também lidera a comercialização internacional de carne de frango, carne bovina, fumo, celulose e algodão.

Para o especialista Marcos Fava Neves, fundador da Harven, isso define o Brasil como “uma potência mundial do agronegócio”.

“Nós temos hoje 36% do mercado de exportação de frango, por exemplo. E além de liderar diversos mercados internacionais, já é o segundo maior exportador de etanol e de carne suína do globo. Até o final dessa década, o Brasil tem condições de ter 40% do mercado mundial de carne de frango, 30% do mercado mundial de carne bovina e 20% de carne suína, se consolidando como principal fornecedor de alimentos do mundo”, afirmou.

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