A futurista e best-seller Michelle Schneider trouxe ao São Paulo Innovation Week seus estudos e aprendizados a respeito dos impactos que a IA terá sobre o mercado de trabalho, destacando a importância de inteligência emocional e saúde mental no processo
Por Igor Ribeiro – Estadão – 14/05/2026
Em painel disputado no palco Nexus, do São Paulo Innovation Week, Michelle Schneider compartilhou parte do processo que a levou a escrever O Profissional do Futuro, que nasceu como um Ted Talk e se tornou um best seller. Nele, a executiva formada em publicidade e com passagem por grandes empresas de tecnologia como Google e LinkedIn, fala de suas percepções sobre o universo do trabalho, tanto do ponto de vista do desenvolvimento pessoal, como das demandas corporativas, com destaque à acelerada evolução tecnológica.
A futurista e professora da Singularity University começa falando com a foto de sua mesa de cabeceira que, em 2023, era repleta de remédios para os mais diversos tipos de males, físicos e mentais. No ápice daqueles problemas, pediu demissão de um cargo de liderança no TikTok para mergulhar em temas de inovação e autoconsciência, viajando para países como Nepal, China e Israel.
Em seguida, Schneider fez um breve retrospecto das diferentes revoluções tecnológicas e como elas estão cada vez mais rápidas. “Outra diferença do passado para o que vivemos hoje é que, antes, tínhamos de modo geral uma só tecnologia revolucionando o mundo de cada vez: a máquina a vapor, o computador, a internet. Hoje, falam que é inteligência artificial, mas tem outras tecnologias acontecendo ao mesmo tempo com muito potencial revolucionário: biotecnologia, edição genética, edição da natureza, que são muito impactantes no mundo da saúde e energia.”

Michelle Schneider falando sobre o futuro do trabalho no SPIW Foto: Igor Ribeiro/ Estadão
Ela citou a Colossal Biosciences, que já conseguiu trazer “de volta da extinção” diferentes espécies de animais. Citou ainda a robótica e o humanoide Neo, que já se pode comprar pela internet com entrega na casa da pessoa ainda este por cerca de US$ 25 mil. “Ainda é uma coisa muito truncada, mas pensem que essa é a primeira versão do primeiro robô humanoide e que daqui a uns 20 anos teremos de 1 a 10 bilhões do tipo, em operação. Citou ainda a computação quântica que promete resolver problemas antes impensáveis.
É o chamado “super ciclo tecnológico”, com alto impacto no mercado de trabalho. Só dentro de IA, ela mencionou uma porção de novidades que já influenciam o dia a dia profissional, como IA generativa e os agentes autônomos.
“Quem estuda o futuro sabe que isso é só o começo. O próximo passo é a tão falada inteligência artificial geral, o momento em que uma IA vai se tornar capaz de realizar qualquer tarefa intelectual tão bem ou melhor que nós humanos.”
Há muitas apostas colocando o surgimento da IA geral até o fim dessa década, incluindo a previsão de experts como Sam Altman (OpenAI) e Elon Musk (Tesla), entre outros. Alguns mais conservadores jogam mais para frente. “Mas independente de um cenário ou de outro, a maior parte de nós estará aqui para viver este momento”, falou Schneider.
Depois, seguiu a futurista, é a vez da IA que faz tudo ainda melhor: a singularidade. Quando a inteligência artificial começa a se auto aprimorar sem nenhuma intervenção humana e ultrapassando toda a inteligência humana combinada
Ela lembrou do fundador da Singularity University, Raymond Kurzweil, que fez uma série de previsões em 1999 e 86% delas se cumpriram. Uma delas colocou a IA geral até 2029 e a singularidade até 2045. Mas, numa entrevista dele durante o SXSW, ele não conseguiu prever o que isso provocaria em termos práticos, admitindo que tem um fator de imprevisibilidade na singularidade, conquistas impensáveis até mesmo segundo a imaginação humana.
Na segunda parte de sua palestra, Schneider tentou analisar os possíveis impactos dessas tecnologias no mercado de trabalho, desde a possível extinção de empregos de repetição (caixa de supermercado, operador de telemarketing, motorista), passando pelas funções de gestão e pensamento crítico.
“Os segmentos mais imunes seriam as áreas de criatividade, as únicas que a IA nunca iria substituir, se dizia, por que tem uma série de características intuitivas, humanas”, disse. “Mas essa pirâmide se inverteu. Criatividade tem sido uma das de maior impacto.”
Ela pontuou ser importante separar emprego de tarefa. Emprego é a junção de várias tarefas e a IA remove tarefas. O emprego, se é complexo em termos de tarefas, não deixa de existir. Com poucas tarefas, tende a parar de existir.
De modo geral, ela disse que é muito difícil prever o impacto da singularidade no mercado de trabalho. Ela analisou diversos estudos, e a maioria não faz estimativas para além de 2030.
Isso leva à terceira parte de sua palestra: “Como me preparo para um futuro do trabalho que ninguém sabe ao certo como vai ser?”
Para isso, ela formatou quatro pilares essenciais para que as pessoas se atentem: mente inovadora; letramento tecnológico; inteligência emocional; e saúde mental.
Em mente inovadora, ela ressaltou a importância do aprendizado contínuo e da criatividade, lembrando que o tempo de validade de habilidade técnicas dura cada vez menos. Também levantou a questão da longevidade, e que começaremos a pensar em carreiras para as pessoas de 60 anos e mais. “Deixa de ser ‘eu sou o que eu sei’ e passa a ser ‘eu sou e eu me adapto’”, falou.
Em letramento tecnológico, destacou a importância de liderança, influência social e curiosidade genuína. Exemplificou, como ponto de vista problemático, muitas empresas estarem contratando licenças de IA e poucos empregados estarem usando. E colocou um questionamento para a plateia: “Qual ferramenta de IA existe hoje para tornar seu trabalho mais criativo, mais produtivo e mais estratégico?”
No tópico três, falou de motivação, autoconhecimento, empatia e escuta ativa. A tal inteligência emocional. Ela relembrou de diversas constatações do próprio Daniel Goleman, criador do termo e também palestrante no SPIW. E provocou: “Se a IA vai ter um QI infinitamente maior que o nosso, a gente tem que focar em como ser mais humano, e não mais inteligente.”
Por fim, falou da saúde mental: resiliência, flexibilidade, agilidade. Retomou a própria trajetória e resgatou como foi importante reconsiderar as prioridades quando sua saúde se deteriorou.
‘Em vez de me formar para ser um profissional do futuro, temos de pensar no ser humano do futuro’,argumenta Michelle Schneider durante painel no SPIW
“O Brasil é o país com o maior índice de pessoas com problemas de saúde mental no mundo, com mais de 10 milhões de pessoas afetadas. É o segundo maior com casos de burnout, só atrás de Japão, e mais de meio milhão de brasileiros foram afastados pela Previdência Social por questões mentais”, citou. “Então é preciso escutar o corpo. Quando ele fala, é preciso respeitar.”
Por fim, destacou que numa evolução constante da inteligência artificial, as pessoas têm que desenvolver mais a consciência humana, “a sensibilidade, o amor, as emoções”.
“Quando penso nesse profissional do futuro, é alguém que vai equilibrar muito bem esses quatro pilares: curioso, quer aprender, vai mergulhar na tecnologia, mas digo que a base está aqui, nos dois últimos. É alguém que vai se conhecer saber cuidar de si e do outro”, disse.
“Em vez de me formar para ser um profissional do futuro, temos de pensar no ser humano do futuro”, falou. E, finalmente, mostrou como diminuiu a quantidade de medicações em sua mesa de cabeceira.
“Hoje me sinto mais presente, mais viva e com mais recursos para reconhecer os sinais do meu corpo quando eu abuso dele. Semanas como esta, minha coluna diz ‘opa, tô por aqui’. E às vezes vamos precisar atravessar por semanas assim, mas é preciso, depois, recalibrar para enfrentar os próximos desafios.”
O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, até sexta, 15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.
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