OpenAI está desenvolvendo um smartphone em parceria com Qualcomm, MediaTek e Luxshare, com produção em massa prevista para o início de 2027; dispositivo é projetado como uma plataforma onde agentes de IA substituem os aplicativos
Por Camila Farani – Estadão – 13/05/2026
Investidora, presidente da G2 Capital e CEO da FEN educação para negócios. Nova coluna toda quarta-feira
Quando a Blackberry dominava o mercado corporativo de smartphones, os executivos americanos que a usavam não conseguiam imaginar abrir mão do teclado físico. Era confortável, eficiente, familiar. Eu amava.
Então o iPhone chegou com uma tela de vidro que não tinha nada físico para apertar e mudou a pergunta: não é sobre o teclado, é sobre o que você faz com o aparelho. A Blackberry não entendeu a mudança a tempo. Sam Altman, CEO da OpenAI, está fazendo agora a mesma pergunta que Jobs fez em 2007: para que serve um smartphone de verdade? E a resposta que ele está construindo em hardware vai incomodar não só a Apple. Vai incomodar qualquer empresa que hoje existe como um ícone na tela do celular do seu cliente.
A OpenAI está desenvolvendo um smartphone em parceria com Qualcomm, MediaTek e Luxshare, com produção em massa prevista para o início de 2027. O dispositivo é projetado não como um celular com IA integrada, mas como uma plataforma onde agentes de IA substituem os aplicativos.
O analista Ming-Chi Kuo, da TF International Securities, o homem com o maior histórico de acertos em lançamentos de hardware da Apple, revelou que o aparelho pode chegar a 300 milhões ou 400 milhões de unidades enviadas por ano se for bem-sucedido. Para ter parâmetro: a Apple vendeu 232 milhões de iPhones em 2023, segundo a Bloomberg. Isso não é uma aposta tímida. É uma declaração de guerra ao modelo de negócios digital que sustenta boa parte da economia conectada do planeta.
Os empreendedores no Brasil errarem a leitura desse tipo de movimento. O erro clássico é perguntar “isso vai me afetar?” quando a pergunta certa é “em quanto tempo isso chega e eu estou preparado?” Acompanho a transformação digital brasileira há mais de uma década e o padrão se repete: o aviso vem anos antes, a adaptação acontece tarde, o custo é alto. Não precisa ser assim desta vez. O aviso está sendo dado agora, em público, com data prevista de produção.
O modelo atual de negócios digitais funciona assim: a empresa investe em aquisição de clientes para trazer o consumidor até o seu app ou a sua loja virtual. Quando o cliente chega, a empresa tem controle da experiência, do dado e da jornada de compra.
Smartphone que Sam Altman está construindo não é um gadget. É a hipótese de que o próximo sistema operacional do consumo global não vai ser da Apple nem do Google Foto: Godofredo A. Vásquez/AP
A Cacau Show, por exemplo, construiu uma das maiores redes de varejo de chocolate do mundo apostando em uma experiência de loja física e digital integrada, com o app como canal de relacionamento direto com o cliente. Esse controle é o ativo mais valioso de qualquer empresa de consumo hoje. O smartphone da OpenAI propõe eliminar essa camada.
No modelo de agentes, o consumidor não abre mais o app da Cacau Show. Ele diz para o agente “quero chocolates para presente até R$ 200 com entrega amanhã” e o agente resolve, sem passar pelo app de ninguém. A empresa pode ser escolhida. Mas pelo agente, não pelo cliente.
A questão que isso levanta não é tecnológica. É estratégica. Jim Collins, em Empresas Feitas para Vencer, identificou que as companhias que sobrevivem a mudanças de paradigma não são as que preveem o futuro com precisão, mas as que constroem capacidade de adaptação antes que a pressão as force. O problema é que a maioria das empresas só investe em adaptação quando a pressão já é insuportável.
A adoção em escala do smartphone da OpenAI vai levar anos. Projetos anteriores de hardware com foco em IA, como o Humane Pin e o Rabbit R1, falharam em ganhar tração. A transição não é automática só porque a tecnologia existe. Mas a janela para se preparar é exatamente esse intervalo entre o anúncio e a escala.
O que muda concretamente para as empresas brasileiras é o conceito de presença digital. Hoje, presença digital significa ter app, site, perfil em redes sociais e posição em marketplace. Numa economia de agentes, presença digital vai significar ser encontrado, avaliado e escolhido por uma inteligência artificial que opera em nome do consumidor.
Isso exige dado estruturado, reputação verificável, preço competitivo em tempo real e capacidade de integração com sistemas externos. A maioria das pequenas e médias empresas brasileiras não tem nenhum dos quatro. Segundo a FGV, mais de 60% das PMEs brasileiras ainda não têm presença digital estruturada. O problema que era urgente ficou crítico.
Quando eu invisto em uma startup, uma das primeiras perguntas que faço é sobre o modelo de distribuição. De onde vêm os clientes, quanto custa cada um e como isso muda quando a plataforma de distribuição muda as regras. É a pergunta mais subestimada em qualquer pitch que já recebi. A OpenAI não está mudando só a tecnologia. Está mudando a plataforma de distribuição.
E quem controla a plataforma de distribuição decide quem é encontrado e quem não é. Já aconteceu com o Google em 2000, com o Facebook em 2010, com os marketplaces em 2015. Cada mudança de plataforma criou novos vencedores e eliminou negócios que não entenderam a tempo que o campo havia mudado.
O smartphone que Sam Altman está construindo não é um gadget. É a hipótese de que o próximo sistema operacional do consumo global não vai ser da Apple nem do Google. Vai ser da IA. E se essa hipótese estiver certa, a pergunta que todo empresário brasileiro deveria estar respondendo esta semana não é sobre taxa de juros, câmbio ou eleição. É sobre uma coisa só: o meu negócio está preparado para ser escolhido por uma máquina? Porque é para ela que o seu cliente vai delegar a decisão. E ela não tem paciência para quem não estiver pronto.
Sam Altman quer mudar o sistema operacional do mundo. E o seu negócio está dentro dele – Estadão
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