Com Agro 5.0, automação chega ao campo para aumentar produtividade



FÁBIO CARDO Fast Company Brasil 16-06-2022 

Algumas indústrias do agronegócio comentam sobre o Agro 5.0, onde ocorre a automação da produção e há mais agilidade na tomada de decisões a partir de dados que são gerados no campo.

A automação no campo é ainda um desafio para o setor. Existem múltiplas fontes de dados (que não necessariamente “conversam” entre si) que podem ser trabalhadas em conjunto. Transformar essa massa de dados em informações para o fácil entendimento humano e adoção é uma das chaves para o sucesso.

A Telefônica Vivo parte de uma estratégia bem definida quanto à atuação no mercado agro e como suporte às agtechs e foodtechs. Diego Aguiar, diretor de operações da Vivo Empresas/ Telefónica Tech e à frente da estratégia do agronegócio, entende que a empresa deve se posicionar com ofertas que ajudem e facilitem a vida de quem trabalha no campo.

“Nosso objetivo é oferecer um ecossistema de soluções que sejam úteis e de fácil utilização. A cobertura de rede é muito importante, mas o diferencial está no uso e aplicação, que devem ser descomplicados e levar melhor produtividade e sustentabilidade a quem trabalha no campo”, defende.

As tecnologias atuais já permitem boa rastreabilidade e controle de ameaças ambientais – da aplicação de defensivos ao controle de plantio, do desmatamento, queimadas, e adequação de criação de bovinos em áreas permitidas.

Esses critérios, essenciais na análise de sustentabilidade, hoje são premissas para a obtenção de melhor condição de crédito, seguro e valor na venda dos produtos.

REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA

Em se tratando de tecnologia no campo, um dos aspectos mais divulgados pelas agtechs é a cobertura das áreas geográficas onde atuam, com múltiplos fins e propósitos. Os números podem estar superestimados, ou deve ocorrer duplicidade de uso e contratações por parte dos usuários. O que não é nada mau sob o ponto de vista de eficácia na cobertura e apuração dos dados relacionados à área, mas pode gerar excesso de informações que serão mal aproveitadas.

A conjunção de satélites e redes de dados, ligados a sensores, câmeras e outros artefatos de captação de informações, pode rastrear todos os cantos do país. Captam informações que podem ser trabalhadas por centrais de processamento de dados de dezenas de agtechs, usando inteligência artificial, big data, cruzando dados com fontes diversas.

Agrotools oferece mapaeamento de culturas com uso intensivo de tecnologia

Essa é uma tendência irreversível em se tratando de buscar meios de produzir mais, sem ampliar a área de produção, e garantir a sustentabilidade.

Impulsionada por essa visão, a brasileira Agrotools – uma das líderes em tecnologia e inteligência para o agronegócio – mantém seu crescimento com a oferta de soluções que mapeiam o agronegócio com o uso massivo de IA, blockchain, gamificação, democratização e uso de mais constelações de satélites.

Após receber aporte de R$ 100 milhões recentemente e contando com um time de investidores renomados, a empresa reforçará a governança e expandirá os negócios para toda a América Latina e outras regiões, com a experiência de atuação no mercado ESG e tech no agronegócio.

Segundo Sérgio Rocha, fundador e CEO, a aceleração virá do apoio à transformação digital do setor de forma integrada, para que o produtor e as corporações sejam mutuamente bem-sucedidos.

“A empresa está promovendo a disrupção do setor com a digitalização cada vez maior da inteligência, análises e insights sobre o agro e territórios rurais. Viabilizamos, com tecnologia e informação, desde projetos relacionados a ESG até vantagens competitivas na cadeia de suprimentos por meio de análises complexas e IA”, explica Rocha.

O McDonald’s, por exemplo, consegue rastrear a origem das carnes que usa em seus lanches para que não venham de áreas de desmatamento ou comprometidas por questões ambientais e sociais.

No caso da Bayer, a Agrotools participou do projeto Pro Carbono. Graças a ele, é possível mapear as propriedades rurais e dimensionar o estoque de carbono das plantações, orientando sobre as melhores práticas de cultivo quanto a sustentabilidade e produtividade.

A empresa usa a tecnologia GeoID, metodologia própria desenvolvida e patenteada. Segundo o executivo, o sistema de geoprocessamento de imagens da empresa é referência de mercado. Com ele, são monitorados 65% do rebanho bovino de corte brasileiro e mais de R $100 bilhões em operações do setor, incluindo os principais grupos varejistas e indústrias de alimentos, bancos e instituições financeiras.


SOBRE O AUTOR

Fábio Cardo é economista de formação, atua em comunicação empresarial e empreendedorismo e é co-publisher do canal FoodTech da Fast CompanyBrasil

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