Como o trabalho remoto ajudou startups de fora do Vale do Silício a crescer


Algumas empresas que contrataram funcionários em home office durante a pandemia dizem que voltar ao escritório não é uma opção

Sarah Kessler, The New York Times/Estadão 04 de maio de 2022 

Mais de dois anos depois de a pandemia mandar os trabalhadores empacotar suas coisas e trabalhar de casa, muitas empresas agora estão fazendo tudo o que podem para atrair os funcionários de volta aos escritórios – pelo menos alguns dias por semana. No entanto, algumas empresas que contrataram trabalhadores remotos durante a pandemia dizem que voltar ao local de trabalho anterior não é uma opção. O trabalho remoto, que se tornou mais comum devido à pandemia, mudou como as empresas funcionam, sobretudo quando se trata de contratação. As empresas de tecnologia fora do Vale do Silício, nos Estados Unidos, conseguiram crescer porque seu acesso a talentos aumentou.

É o caso de Craig Fuller, fundador de uma empresa de análise de dados de logística em Chattanooga, no Tennessee (EUA), que está acostumado a contratar engenheiros de software e especialistas em dados que moram fora da cidade. No passado, isso significava ter argumentos para convencê-los a se mudar para a cidade de médio porte do sul dos Estados Unidos. Ele destacava o baixo custo de vida e a convivência em comunidade ao ar livre. “Procurávamos pessoas com família”, disse ele.

Mas, durante os últimos dois anos, esse tipo de conversa não foi necessário. A empresa de Fuller, a FreightWaves, dobrou o tamanho de sua equipe ao implementar o trabalho remoto. E entre os 120 novos contratados, cerca de 60% vivem fora de Chattanooga. “De repente, as regras e as restrições para contratação não se tornaram mais um problema para nós”, disse Fuller. 

Craig FullerCraig Fuller, fundador da FreightWaves, nos Estados Unidos: escritório virtual fez a empresa crescer e contratar mais talentos.  Foto: Audra Melton/The New York Times

Esse também é o caso da Olive, empresa de automação no setor de saúde em Columbus, Ohio, que, durante a pandemia, foi de aproximadamente 200 para 1.350 funcionários. Os profissionais da empresa agora estão distribuídos em 47 estados do país. “Não conseguiríamos ter crescido como crescemos sem aproveitar o acesso aos mais diversificados talentos em todo o país”, disse Brian Rutkowski, responsável pelas contratações de profissionais da empresa.

Para algumas startups fora do Vale do Silício e outras em grandes centros tecnológicos metropolitanos, o trabalho remoto tem sido crucial para possibilitar o crescimento rápido. As empresas podem recrutar talentos de qualquer lugar sem precisar pedir aos candidatos para se mudar.

Isso faz com que muitas desejem continuar com o trabalho remoto depois da pandemia. A Revolution, empresa de investimentos com sede em Washington que foca em startups de fora do Vale do Silício, fez um levantamento informal com as 200 instituições em seu portfólio a respeito das políticas de trabalho remoto este ano. Cerca de 20% delas disseram que ofereciam opções de trabalho remoto antes da pandemia, e 70% disseram que permitiriam o trabalho remoto daqui para frente.

O trabalho remoto pode ser bom para ecossistemas de tecnologia fora do Vale do Silício, disse Steve Case, CEO da Revolution e cofundador da AOL. Quando ele criou a empresa em 2005, disse, “mesmo se um empreendedor estivesse ali, a questão era: será que eles poderiam construir uma equipe para estruturar a empresa e, de modo especial, construir uma equipe para fazer a empresa crescer?” Agora, segundo Case, “eles podem ficar onde estão”.

Vantagem competitiva das empresas

Mas, mesmo que o trabalho remoto tenha ampliado o leque de opções de profissionais para startups fora do Vale do Silício, isso não necessariamente facilitou a contratação deles. Isso porque essa possibilidade funciona para os dois lados: assim como uma startup em Chattanooga pode contratar um engenheiro de software em São Francisco, startups abastadas e gigantes da tecnologia em São Francisco podem contratar engenheiros de software que moram em Chattanooga.

Fuller disse que o trabalho remoto acabou com a “vantagem competitiva” em relação a sua empresa. “De repente, agora estamos competindo com empresas do Vale do Silício e de Nova York por funcionários equivalentes ou que já trabalham conosco; então elas estão começando a ficar de olho em nossas equipes”, disse ele. Para a Olive, competir em escala nacional significou que a empresa precisou ajustar sua tabela salarial, disse Rutkowski.

“Tivemos que ser criativos com as remunerações neste modelo”, afirmou. Os funcionários da Olive que moram em lugares com custo de vida maior ganham mais, e a empresa aplicou ajustes adicionais de inflação sobre suas faixas salariais.

freightwavesEscritório da FreightWaves, de Craig Fuller: agora vazio, com funcionários trabalhando de casa de outras cidades.  Foto: Audra Melton/The New York Times

A contratação de trabalhadores remotos durante os lockdowns causados pela pandemia também tornou mais difícil para as empresas exigir o retorno aos escritórios. Aquelas que impõem expediente em horário comercial teriam que voltar a ter acesso a um número mais limitado de talentos locais – mas que agora é mais competitivo do que antes da pandemia.

“Não acho que você possa reverter a situação”, disse Scott Siegert, diretor de operações da Buildertrend, empresa em Omaha, Nebraska, que fabrica software para empreiteiras de imóveis residenciais e adquiriu três pequenas empresas durante a pandemia, nenhuma delas na região. “Não acho que isso seja o que os trabalhadores esperam e nem acredito que seja o melhor para a empresa.”

Fuller disse que não ficou decepcionado pelo retorno total dos funcionários da FreightWaves ao escritório parecer improvável.  Seus negócios melhoraram quando a empresa mudou para o ambiente de trabalho virtual, afirmou, e ele não tem tido dificuldades para preencher vagas, mesmo que isso signifique pagar salários mais altos e contratar um recrutador pela primeira vez.

“Cada métrica com a qual você se importaria aumentou de verdade”, disse ele. “As vendas aumentaram. O ritmo aumentou.” A maioria de seus funcionários continua trabalhando de casa, mesmo aqueles vivendo em Chattanooga.

Robert Hatta, sócio da firma de capital de risco Drive Capital, que fica em Columbus, Ohio, e investe em empresas fora da costa, disse que antes da pandemia, quase 20% das cerca de 70 empresas do portfólio da empresa permitiam o trabalho remoto. Agora, aproximadamente 90% adicionaram alguma forma de trabalho remoto aos seus planos permanentes.

Mas ele não está convencido de que o trabalho remoto continuará sendo o padrão.

“Acho que a maioria das pessoas concordaria, considerando todas as características iguais, que uma equipe alocada no mesmo lugar é melhor que uma distribuída [por vários lugares], mesmo no setor de tecnologia, e isso continua sendo uma espécie de crença padrão no mundo das startups”, disse ele.

Hatta disse que era cedo demais para dizer qual modelo se tornaria o novo normal. “Neste momento, temos mais de 60 empresas, cada uma executando 60 versões diferentes de um experimento sobre o que funcionará do ponto de vista dos trabalhadores”, disse ele.

Case disse acreditar que, mais cedo ou mais tarde, os trabalhadores de fora do Vale do Silício que foram contratados para trabalhar remotamente durante a pandemia, provavelmente seriam recrutados por empresas locais. “Eles perceberão suas oportunidades nessas cidades e talvez até identifiquem chances para criar suas próprias empresas – e nessas cidades”, disse ele.

/ Tradução de Romina Cácia

https://economia.estadao.com.br/noticias/sua-carreira,trabalho-remoto-startups-fora-vale-silicio-home-office,70004055799

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