Pós-pandemia: o novo perfil do profissional do futuro


*Por Fernanda Mayol e Monique Araujo –   Estadão/McKinsey 07 de março de 2022 

A pandemia de covid-19 mudou definitivamente as definições de trabalho e de profissional. Passados dois anos intensos, as organizações se debruçam sobre os modelos de trabalho em voga antes e durante este período para entender o que funciona e o que precisa mudar. O novo modelo, que está nascendo agora, tem a missão de maximizar o que cada profissional tem de melhor.

Três grandes tendências já se configuravam no mercado e foram aceleradas nos últimos dois anos:

  • Digitalização acelerada – com o isolamento social, recorremos mais aos canais digitais, como ao pedir delivery de comida e fazer compras em e-commerce; 
  • Automatização – o isolamento mostrou que a adoção da tecnologia é agora a regra para quase qualquer negócio, com poucas exceções;
  • Mudanças nas expectativas da sociedade – o papel dos negócios e da sociedade está mudando à medida que a nova geração chega ao mercado.

Em resposta a essas tendências, o perfil de profissional desejado pelo mercado de trabalho inclui agora, e mais do que nunca, uma grande capacidade de adaptação – afinal, os novos profissionais precisarão enfrentar uma série de mudanças, desde aquelas no local de trabalho até novas maneiras de trabalhar e novas competências necessárias para realizar esse trabalho. 

Mudanças no local de trabalho

Um dos grandes aprendizados da pandemia é que o trabalho remoto funciona: é possível manter uma alta produtividade e conquistar resultados desejados, mesmo não estando todos no mesmo local fisicamente. E o remoto pode ser até mais vantajoso – nossa pesquisa percebeu uma melhoria de eficiência operacional com 20 a 50% de aumento de produtividade. O trabalho remoto também proporciona maior acesso a talentos: empresas das indústrias mais competitivas podem conquistar ótimos profissionais mesmo não estando nas regiões mais atrativas.   

Existem também as melhorias de custo, com uma economia média de 10 a 40% nas despesas imobiliárias com escritórios após a adoção de um modelo híbrido. Muitas viagens de trabalho foram substituídas por uma simples reunião no Zoom – o que representou um alívio de tempo, custo e pegada de carbono. 

Isso tudo se reflete em um engajamento maior dos colaboradores: empresas que oferecem a possibilidade de trabalho remoto apresentaram uma taxa de turnover 25% menor. Afinal, para os profissionais, o modelo remoto ou híbrido permite muito mais flexibilidade para equilibrar as jornadas profissional e pessoal, exige menos tempo de deslocamento e implica em menos custos de transporte ou de alimentação. 

Uma pesquisa global da McKinsey mostrou que 72% dos executivos passou a adotar o trabalho remoto de forma permanente; no Brasil, grandes organizações já adotaram escritórios menores com novo layout, para incentivas as colaborações entre equipes; há empresas com cargos que são, por padrão, em esquema de home office; outras estão adaptando seu kit de benefícios para facilitar a vida de quem trabalha de casa. 

Entretanto, como nada é perfeito, o trabalho remoto também traz algumas dificuldades – à distância é mais difícil manter a cultura de uma empresa viva e mais difícil construir e cultivar relações interpessoais com os colegas, sobretudo para colaboradores que começam um novo trabalho já dentro desse modelo remoto. Manter o limite entre vida pessoal e profissional também se torna um desafio, o que pode impactar a saúde mental. Organizações e funcionários estão em busca do equilíbrio perfeito com o melhor dos dois mundos. 

As definições dependerão de quatro fatores: as aspirações da empresa com o trabalho remoto; a natureza da função ou atividade; as condições de trabalho fora do escritório; e a vontade do colaborador. Ao que tudo indica, a maioria dos profissionais gostaria de manter ao menos dois dias de trabalho remoto por semana. 

Para aproveitar ao máximo as vantagens do trabalho remoto e contornar seus desafios, algumas diretrizes básicas podem ser de grande ajuda: 

  • Aprender a direcionar, nos dias da semana, quais as atividades funcionam melhor em qual modelo de trabalho. Quais atividades são mais produtivas em um ambiente calmo ou isolado? Quais são as que demandam interação e discussão?
  • Reforçar habilidades de autogestão e proatividade, importante em todos os níveis da organização, e ainda mais para líderes. 
  • Descobrir e dominar ferramentas que facilitem o trabalho remoto. 
  • Adaptar o local de trabalho para favorecer o trabalho remoto.
  • Conectar-se mais com o time, organizando reuniões recorrentes para checar o pulso.

Mudança no jeito de trabalhar

Duas grandes tendências estão mudando nosso jeito de trabalhar: a automação crescente de uma série de funções do nosso cotidiano e a adoção de uma estrutura de trabalho ágil.

Mesmo antes da pandemia, já era previsto um grande impacto da automação – um estudo do McKinsey Global Institute de 2017 indicava que cerca de 50% das atividades de trabalho atuais são tecnicamente automatizáveis por meio de tecnologias das quais já dispomos. De cada dez ocupações, seis têm mais de 30% de atividades tecnicamente automatizáveis. Alguns exemplos dessa automação são os softwares de gestão contábil, machine learning para apoiar o recrutamento de funcionários e previsão de risco via inteligência artificial no setor financeiro.

Evidentemente, esse percentual de automação varia bastante conforme a ocupação: para gerentes financeiros, por exemplo, a automação gira em torno de 25%; para administradores de educação de pré-escola, 9%. De todo modo, é uma mudança gigantesca e que foi bastante acelerada pela pandemia. Por um lado, temos um enorme potencial de ser mais eficientes; por outro, precisaremos de uma grande capacidade de adaptação, seja qual for nosso setor ou ocupação, tanto para operar em ambiente digital quanto para agregar valor humano, para além do que as máquinas podem fazer. É assim que permaneceremos relevantes no trabalho.  

A adoção da metodologia ágil de trabalho também foi acelerada pela pandemia. Essa é uma tendência crescente no mundo corporativo: ela reorganiza a estrutura hierárquica de uma empresa e cria equipes pequenas, multifuncionais, que seguem metas de forma autônoma, monitorando continuamente seu desempenho, sempre apoiadas por uma liderança que atua como um habilitador. Ela é muito mais adequada aos tempos atuais, pois além de valorizar os diferentes talentos e potenciais de cada indivíduo, entrega mais valor e permite reagir mais rápido a disrupções.

Um estudo da McKinsey observou que, durante a pandemia, operadores de telecomunicações na Ásia e Europa mais acostumados à metodologia ágil reagiram duas vezes mais rápido do que a média nacional para seus respectivos países. Além da rapidez, o estudo indicou que organizações ágeis também têm maior satisfação do cliente, maior envolvimento dos funcionários e melhor desempenho operacional. 

Mudanças nas competências necessárias 

Como consequência direta da automação e da metodologia ágil, os profissionais do futuro terão que dedicar mais tempo a seus conhecimentos de informática, ao desenho de tecnologia, engenharia e manutenção, empatia, capacidade de liderança e gestão de pessoas. Precisaremos menos de habilidades físicas, manuais e cognitivas básicas e mais de habilidades tecnológicas e emocionais – programas de requalificação serão essenciais nessa jornada de adaptação e grandes empresas já investiam pesado nisso mesmo antes da pandemia. Não por acaso, a habilidade considerada mais imprescindível de ser abordada nos processos de qualificação, segundo uma pesquisa da McKinsey, é o pensamento crítico e a capacidade de tomar decisões – as máquinas não decidem, elas executam; pensar criticamente é exclusivo do humano e precisa ser menos escasso. Logo atrás, liderança e advanced analytics seguem de perto no ranking. 

Se os programas de upskilling e reskilling são importantes, mais importante ainda é o profissional ser o protagonista de sua jornada de aprendizado e não esperar, buscando processos constantes de requalificação. Possuir as habilidades certas é um dos grandes desafios desta era. Para lidar com as incertezas, a comunicação rápida e eficiente é nossa melhor ferramenta, aliada à iniciativa de buscar soluções de digitalização e automação para facilitar nosso cotidiano. Nesse processo, é essencial construir relações de confiança baseadas na colaboração – ouvir é primeiro passo para se resolver qualquer problema. Temos que nos acostumar a testar e aprender mais, assumindo riscos e estando abertos ao erro. Isso tudo terá influência direta na nossa empregabilidade, na nossa renda e na satisfação que sentimos com nosso trabalho.

* Fernanda Mayol Sócia da McKinsey e líder do escritório do Rio de Janeiro, Monique Araujo é sócia associada da McKinsey.

https://economia.estadao.com.br/blogs/mckinsey-insights/pos-pandemia-o-novo-perfil-do-profissional-do-futuro/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/KDxyGtiRel41XOZDxvZZkI (12) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Um comentário em “Pós-pandemia: o novo perfil do profissional do futuro

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: