Sim, a política na empresa ainda é uma coisa relevante quando você está trabalhando remotamente.


A política na empresa está bem viva, mesmo quando o cafezinho ou a sala de reuniões são virtuais. Veja porque a ciência diz que nunca vamos fugir deles.
Por Tomas Chamorro-Premuzico(Fast Company) (Tradução Evandro Milet)
O bom senso e a experiência ditam que sempre haverá política de empresa em ação, mas o que acontece quando removemos o escritório?
Essa questão é mais pertinente do que nunca porque, pela primeira vez na história, uma grande parte da força de trabalho industrializada foi desligada de seu habitat físico. A tecnologia pode apagar, ou pelo menos descontaminar, as forças invisíveis que governam a dinâmica de poder de uma organização? As estratégias maquiavélicas tóxicas ainda têm lugar em um mundo exclusivamente digital? As habilidades políticas ainda são um forte lubrificante de carreira na era aparentemente estéril das reuniões do Zoom? E se tudo isso acabar, estaremos realmente melhor?
Há uma longa tradição na psicologia organizacional de estudar a política do escritório. Isso é definido amplamente como qualquer tentativa de operar fora dos processos organizacionais formais para atingir objetivos pessoais, muitas vezes às custas da organização. Embora as políticas de escritório tenham má reputação, geralmente são vistas como inevitáveis. Alguns acadêmicos dizem que pode haver um lado bom na política. Ao ajudar os colegas de trabalho a negociar entre diferentes alternativas, um funcionário pode chegar a um consenso que equilibre seus próprios interesses e os da organização. A política também é um ingrediente essencial de confiança e reciprocidade, por isso fortalece as relações interpessoais no trabalho, seja para fins positivos ou negativos.
Bem ou mal, os pesquisadores sempre estudaram a política no contexto de interações físicas ou de sinais entre colegas de trabalho. Desde rumores, fofocas e acordos tácitos em torno do mítico bebedouro do escritório, ao agora muito distante networking após o expediente em um bar, a política organizacional sempre presumiu o contato offline entre as pessoas, em parte porque essas interações eram mais difíceis de rastrear e registrar. 
Muitos dos principais ingredientes que alimentam a política do escritório (química, carisma, adequação à cultura, atratividade e habilidades sociais) têm maior probabilidade de se manifestar no mundo real do que online. 
Mover o escritório para online e tornar cada interação entre os funcionários (e seus chefes) padronizada e digitalizada por tecnologia faz a diferença. Por exemplo, as pessoas passam um dia durante uma reunião tradicional presencial interagindo individualmente, durante os intervalos, no bar e em um jantar pós-reunião. O tempo todo, eles são capazes de monitorar as expressões uns dos outros ao vivo. 
Em uma videoconferência, apesar de todos os recursos avançados e dispositivos para replicar o mundo real, encontramos pessoas distraídas e fazendo várias tarefas ao mesmo tempo enquanto tentam acompanhar uma apresentação linear e ainda fazer seus comentários para todos. Claro, as pessoas ainda podem enviar mensagens individuais e há um motivo para isso acontecer fora dos canais da empresa no WhatsApp ou mensagem de texto. 
Mas isso requer muito esforço e concentração, e ainda não há química ou comunicação offline para ler a sala e usar as habilidades políticas adequadas.
Pesquisas mostram que, quando o escritório muda do mundo físico para o virtual, a política diminui. Há menos tentação de trocar idéias e seduzir, jogar charme e negociar, persuadir e influenciar. As habilidades típicas que permitem que pessoas manipuladoras e influentes consigam isso – principalmente introvertidos carismáticos com uma disposição narcisista e moralmente fraca – são menos eficazes no mundo digital. 
No entanto, pesquisas anteriores podem ter subestimado o impacto da política no escritório virtual, porque ainda havia um mundo presencial para política e animais políticos podem ter focado seus esforços de movimentação e negociação no mundo analógico, em vez de no mundo digital. 
Há cinco razões para esperar que a política do escritório continue a existir, mesmo se acabarmos com o escritório.
1 – HUMANOS SÃO POLÍTICOS POR NATUREZA
Sempre encontraremos uma maneira de usar nossas habilidades sociais e vieses pessoais para promover nossos próprios interesses. Grupos e organizações são essenciais para nos ajudar a atingir certos objetivos pessoais, como ser pagos para trabalhar, mas também restringem nossos próprios interesses exigindo sacrifícios. 
O trabalho em equipe é sempre sobre deixar de lado suas próprias agendas individuais para que você possa colocar os interesses coletivos em primeiro lugar. É inerentemente humano otimizar nosso interesse próprio no processo.
2 – AMBIENTES ONLINE REPLICAM SEUS EQUIVALENTES OFFLINE
A internet pode ter começado como um universo alternativo ao mundo real, mas quase sempre acabou replicando, se não ampliando esse mundo real. As pessoas compram, namoram e trabalham online como faziam offline. Você pode ver os interesses políticos em e-mails da mesma forma que na comunicação analógica ou falada. Então, embora seja tentador ver novos aplicativos e ambientes virtuais como sem precedentes e estranhos, eles são simplesmente complementos tecnologicamente habilitados para o que sempre tivemos, desejamos e precisávamos. O Facebook não criou a motivação para espionar você
O Facebook não criou o impulso de espionar seus amigos do ensino médio, assim como o Tinder não inventou conexões impulsivas e superficiais, o Twitter não criou nosso apetite por notícias falsas ou viés de confirmação, e o Instagram não é o culpado por nossos impulsos narcisistas de se envolver em compartilhamento excessivo.
3 – A PERSONALIDADE SE TRANSFERE INTACTA DO OFFLINE PARA O MUNDO ONLINE
Uma consequência natural disso é que nossas personalidades não mudam muito do mundo analógico para o digital. Na verdade, somos bastante consistentes e desejosos de expressar nossa identidade e preferências com o mesmo entusiasmo em ambientes virtuais. (Isso explica por que nossos dados pessoais são tão valiosos para os profissionais de marketing.) A pessoa que aparentamos ser online é a mesma que comprará produtos relevantes ou consumirá mídia relevante – online ou offline. Isso significa que os indivíduos políticos encontrarão uma maneira de serem políticos mesmo se você tirar o escritório e eles nunca mais se encontrarem fisicamente com um colega de trabalho ou chefe. Você só se livrará de sua política se se livrar completamente deles.
4 – NÃO PERMITIREMOS QUE A TECNOLOGIA NOS CONTROLE
Antes da pandemia, os funcionários já estavam produzindo grandes quantidades de dados que podiam ser analisados pela IA para inferir seus estados emocionais, produtividade, engajamento e personalidade. Embora esse uso de tecnologia possa parecer “assustador”, na verdade poderia ser implantado para fins éticos e pró-sociais. Por exemplo, um chefe desprezível pode perseguir um funcionário offline, mas seus comentários e ações seriam detectados e registrados em um ambiente online. Comentários sexistas ou racistas podem passar despercebidos offline, mas não online. Mesmo metadados (mapeamento dos padrões e redes de comunicação) podem ser usados para medir se uma cultura é mais ou menos inclusiva e se as forças políticas estão em jogo. Imagine dois chefes planejando algo e e-mails sendo trocados com muita frequência até altas horas, por exemplo. Esta é a razão pela qual talvez nunca vejamos a IA alavancada da maneira que poderia. Não é porque os funcionários não podem confiar nela, mas porque podemos acabar expondo chefes antiéticos.
5 – AQUELES QUE TÊM PODER PRECISAM DE POLÍTICA PARA MANTÊ-LO
Alguns líderes lideram porque devem. Eles têm talento para a liderança e são um recurso valioso para a organização, combinando competência com uma admirável ética de trabalho e integridade. Mas também existem aqueles que lideram apesar de terem talento limitado para liderança. Eles são os que precisam da política para manter o poder e proteger seus próprios interesses acima dos da organização. Organizações caracterizadas por culturas poluídas e podres permitem que líderes egoístas e maquiavélicos prosperem.Não é a tecnologia, mas a cultura de uma organização, que determinará o grau de política que os funcionários terão de suportar, mesmo quando estão trabalhando em casa.
SOBRE O AUTOR
Dr. Tomas Chamorro-Premuzic é uma autoridade internacional em avaliação de liderança, people analytics e gestão de talentos

https://www.fastcompany.com/90512705/yes-office-politics-are-still-a-thing-when-youre-working-remotely-heres-why

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