Marketplace: a terceirização do comércio


por Evandro Milet

O setor de marketplaces movimentou R$ 100 bilhões em 2019 no Brasil e chegará a R$ 162 bilhões, ou mais, em 2022. O modelo de negócio funciona como um shopping center virtual, abrigando lojistas independentes, que ganham exposição e facilidades diversas de acesso ao mercado, em troca de um percentual em torno de 12% das vendas. Algumas plataformas trabalham apenas nesse modelo, enquanto outras agregam o modelo marketplace ao ecommerce normal onde negociam com seus próprios fornecedores. No ecommerce brasileiro o Mercado Livre tinha pouco mais de um terço do varejo online em 2019, seguido por B2W (com 20%), Magalu (cerca de 13%) e Via Varejo (8%), mais recentemente a gigante Amazon que operava levemente ampliou suas atividades no Brasil, incluindo o marketplace.

A B2W, dona de Americanas.com e Submarino, criou o sistema mais completo do mercado de comércio eletrônico entre as empresas de capital nacional (Magazine Luiza e Via Varejo são bem menores). São 55 mil lojistas e 30 milhões de itens à venda na sua plataforma que oferece cardápio completo para um lojista: crédito, logística de armazenagem, embalagem e entrega, SAC, gestão integrada de vendas nessa e outras plataformas, ERP e backoffice e publicidade na rede, caracterizando o que poderia ser chamado de ecommerce-as-a-service. 

As plataformas aceitam vendedores até sem o CNPJ, apenas com CPF, e as internacionais como Amazon e a gigante chinesa Alibaba propiciam espaço para vender em vários países, ampliando exponencialmente a oportunidade de exportação para empresas brasileiras. 

No varejo brasileiro são 5 milhões de empresas com CNPJ e apenas 50.000 vendem online. Com a crise da pandemia, que atingiu duramente o comércio, o Magazine Luiza tirou rapidamente da gaveta o projeto “Parceiro Magalu”, com regras simples de adesão e taxas baixas. Em uma semana, 160 mil trabalhadores autônomos e 15 mil empresas entraram na plataforma vendendo seus produtos. O espaço para pessoas físicas já abrigava 200.000 vendedores. A meta é atingir milhões de pessoas que são autônomas e não podem sair de casa.

Já a Via Varejo, dona das Casas Bahia, Extra.com e Ponto Frio, colocou cerca de 20.000 vendedores, impedidos de ir às lojas, a vender no WhatsApp. A última tendência está na aposta em revendedores pessoas físicas, uma espécie de modernização do vendedor da Avon, que ganha comissão a produto vendido a um amigo, utilizando as populares lives para vender de tudo.

Nesse ambiente de desemprego e isolamento social é um alento e oportunidade para muita gente.

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