Pensando Home Office


por Evandro Milet

Em média, 70% dos funcionários de todos os os setores estão trabalhando em casa. Na indústria são mais de 50%, nos serviços 76%, no terceiro setor mais de 85% e no comércio 23% segundo uma pesquisa da Fundação Dom Cabral. E mais de 70% das empresas de todos os setores da economia brasileira esperam que as novas práticas de home office adotadas durante a pandemia permaneçam, integral ou parcialmente, após a crise do coronavírus.

Os profissionais também estão gostando, muitos sentem que a produtividade é igual, porém as preocupações são naturais: falta de interagir com colegas, distanciamento dos chefes ou como será a avaliação. Há compensações como ganho de tempo sem deslocamentos menos despesas com roupas. Assim, mais de 54% dos colaboradores afirmaram que irão pedir à gestão pela continuidade do trabalho remoto no pós pandemia. 

Alguns outros problemas são naturais, a importância da disciplina e do foco, a organização de horários, a convivência com crianças e a mistura de atividades, principalmente para as mulheres, normalmente mais cobradas pelas atividades domésticas, na atual sociedade.

Essas conclusões provocam impactos de outra natureza. Os escritórios passam a ocupar uma importância maior nos projetos arquitetônicos residenciais, tomando o lugar da antiga novidade das varandas gourmet e ocupando muitas vezes o espaço das antigas dependências de empregadas. Aumenta a importância da infraestrutura tecnológica, sejam redes estáveis e backups seguros, seja a preocupação com ciberataques, além do problema de confidencialidade e sigilo em discussões ao vivo de assuntos sensíveis, com toda a família junto. Algumas empresas se propõem a equipar o home office dos seus colaboradores, com TI, telefones e mobiliário.

Alguns colaboradores gostarão de morar perto do trabalho para reduzir o uso de transporte público e outros se permitirão residir fora dos grandes centros se a interação presencial for mais espaçada.

Por seu lado os escritórios devem voltar ao passado: saem os grandes espaços abertos com mesas compartilhadas, voltam salas com divisórias. Elas facilitam o distanciamento social e reuniões por videoconferências, que crescem conectando mais frequentemente o escritório com os colaboradores em home-office. 

Durante muito tempo as exigências de higienização de ambientes, uso de álcool gel e máscaras, e o distanciamento entre pessoas vão exigir uma reorganização de espaços, bem como cuidados extra com ar condicionado, utilização de elevadores sem botão, móveis fáceis de limpar, portas sem maçanetas e limpeza permanente de corrimões, teclados, monitores, mouses, mesas e tudo mais que possa ser tocado.

As empresas começam a considerar o uso de espaços menores, o que impacta o mercado de construção civil para imóveis comerciais.

O RH e a liderança precisarão analisar e criar novas rotinas para conseguir produtividade, engajamento e motivação na gestão remota, para inserção de novos colaboradores na rotina da empresa e para o treinamento que muda todo o seu formato.

Essas novas atividades terão que conviver com as anteriores pois, apenas uma parte dos colaboradores estará em home office. Esse número dependerá do setor, da empresa, e do tipo de atividade do colaborador. Enfim, um grande desafio para gestores.

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