Um guia para entender o que as empresas de IA estão tentando construir e quais os resultados

  • Amazon, Microsoft, Google, Meta e OpenAI planejam gastar pelo menos US$ 325 bilhões até o fim do ano
  • Indústria de tecnologia tem se esforçado para explicar por que está investindo tanto dinheiro no ramo

Cade Metz e Karen Weise – Folha/The New York Times – 19.set.2025

Sam Altman, diretor-executivo da OpenAI, não tem inibição alguma de revelar quanto sua empresa planeja gastar em esforços para construir inteligência artificial.

“Pode-se esperar que a OpenAI gaste trilhões de dólares em coisas como a construção de centros de dados em um futuro próximo”, afirmou Altman recentemente, referindo-se às imensas instalações de computação que alimentam as tecnologias de IA da empresa.

“Vários economistas provavelmente vão esfregar as mãos e dizer: ‘Isso é loucura. É imprudência.’ Ou algo do tipo. E vamos responder: ‘Querem saber de uma coisa? Nos deixem fazer nosso trabalho.'”

Mas o que é exatamente esse trabalho? À medida que gasta cada vez mais, transformando terras agrícolas em centros de dados e pesquisadores de IA em alguns dos trabalhadores mais bem pagos do país, a indústria de tecnologia também tem se esforçado para dar explicações sobre o que está construindo e por que está investindo tanto dinheiro nesse empreendimento.

Será que está construindo um sistema de IA tão inteligente quanto o ser humano? Uma máquina divina que vai mudar o mundo se não destruir a humanidade primeiro? Está trabalhando em versões mais sofisticadas de softwares que são comercializados há décadas? Todo esse dinheiro está sendo aplicado em um plano ousado para criar falsos amigos on-line e anúncios mais eficientes? Ou o setor está apenas com medo de perder a corrida, já que muitos outros estão fazendo o mesmo?

Aqui está um resumo das visões, das mais plausíveis às puramente fantásticas, e por que essas ideias têm sido tão perseguidas.

PROMESSA: UM MECANISMO DE BUSCA MELHOR

Os chatbots funcionam de maneira muito semelhante a um mecanismo de busca, com a diferença de que geram respostas em linguagem simples, e não uma lista de links azuis. Essa pode ser uma maneira mais rápida, fácil e intuitiva de responder a perguntas, embora os chatbots errem com frequência e até inventem coisas.

Por que isso está sendo construído?

O mecanismo de busca do Google é o negócio mais lucrativo da indústria de tecnologia. Se pudessem oferecer uma maneira melhor de pesquisar informações, as empresas poderiam conquistar um mercado de bilhões de pessoas.

Isso se aproxima da realidade?

Centenas de milhões de indivíduos já estão usando chatbots para coletar informações. Mensalmente, mais de 700 milhões usam apenas o ChatGPT.

Mas lucrar com essa tecnologia é um desafio. Operar um chatbot é significativamente mais caro do que manter um site comum. Além disso, a tecnologia não se adapta necessariamente ao método consagrado de gerar receita em um mecanismo de busca: a publicidade digital.

A OpenAI vende uma versão do ChatGPT a US$ 20 (R$ 100) por mês e, de acordo com a companhia, isso cobre o custo da entrega. Mas esses assinantes representam menos de 6% das pessoas que agora usam o ChatGPT.

A versão gratuita ainda está no vermelho, porque a OpenAI não começou a experimentar a publicação de anúncios. O Google, por outro lado, gera US$ 54 bilhões (R$ 288 bilhões) em receita publicitária a cada trimestre com seu mecanismo de busca, que é usado por cerca de dois bilhões de pessoas diariamente.

(O “The New York Times” processou a OpenAI e a Microsoft, alegando violação de direitos autorais de conteúdo noticioso relacionado a sistemas de IA. As empresas negaram essas afirmações.)

PROMESSA: FERRAMENTAS QUE TORNAM OS FUNCIONÁRIOS DE ESCRITÓRIO MAIS PRODUTIVOS (E TALVEZ VENHAM A SUBSTITUÍ-LOS)

A tecnologia que impulsiona o ChatGPT não se limita a responder perguntas; é uma ferramenta que ajuda as pessoas a executar seu trabalho. A IA pode gerar programas de computador, resumir documentos e reuniões, redigir emails e até mesmo usar outros aplicativos de software, como planilhas e calendários on-line.

Por que isso está sendo construído?

Os executivos de tecnologia acreditam que a IA pode transformar o mundo dos negócios à medida que se expande para escritórios de advocacia, hospitais, redações e muito mais. Corporações como a Microsoft e a OpenAI já estão gerando uma vasta receita com a venda de sistemas de IA que podem gerar programas de computador.

A Amazon, o Google, a Meta, a Microsoft e a OpenAI planejam gastar este ano mais de US$ 325 bilhões (R$ 1,7 trilhão) combinados em centros de dados gigantescos, o que representa US$ 100 bilhões (R$ 530 bilhões) a mais do que o orçamento anual da Bélgica. Com o tempo, cerca de 10% da infraestrutura será usada para construir tecnologias de IA, enquanto 80 a 90 por cento serão usados para fornecer essas tecnologias aos clientes, de acordo com o diretor-executivo da Amazon, Andy Jassy.

Isso se aproxima da realidade?

Muitas empresas já estão testando a IA, mas ela ainda não foi maciçamente implantada na economia dos EUA. A menos que companhias como a Amazon, o Google e a OpenAI continuem a melhorar essas tecnologias, a adesão pode ser mais lenta do que o esperado.

Cerca de oito em cada dez corporações começaram a usar IA generativa, mas muitas declararam que “ela não tem impacto significativo nos resultados financeiros”, segundo uma pesquisa da McKinsey & Co.

“O castelo de cartas vai começar a desmoronar. A quantidade de dinheiro que está sendo gasta não é proporcional ao montante que está entrando”, observou Sasha Luccioni, pesquisadora da startup de inteligência artificial Hugging Face.

PROMESSA: UM ASSISTENTE DE IA PARA TUDO

As empresas de tecnologia também estão incorporando tecnologia semelhante a chatbots em uma grande variedade de produtos e serviços de consumo. Segundo elas, a IA vai funcionar como um assistente digital que aparece sempre que necessário.

A Meta está adicionando a tecnologia aos seus óculos inteligentes, permitindo que as pessoas identifiquem pontos de referência enquanto caminham pela rua e traduzam placas de rua quando visitam um país estrangeiro. A Amazon vê a IA como uma forma de melhorar tudo, desde seus sites de compras até sua assistente de voz Alexa.

Por que isso está sendo construído?

Se você começar a usar um assistente digital, a companhia por trás do bot terá mais maneiras de chamar sua atenção e, por fim, de lhe vender coisas.

Portanto, essas empresas estão adicionando tecnologia de IA ao maior número possível de dispositivos e serviços online, visando controlar a maneira como você usa a internet.

“Tudo vai ser transformado com a IA. Esse não é um projeto científico”, disse Rohit Prasad, vice-presidente sênior da Amazon.

Isso se aproxima da realidade?

Os óculos com IA da Meta ainda são um produto de nicho usado por alguns milhões de pessoas. A Alexa da Amazon é muito mais popular, mas seu público ainda é pequeno em comparação com todos os computadores e telefones do mundo.

Por si só, a Alexa tem sido um prejuízo financeiro desde que foi lançada, há mais de uma década. É usada principalmente para aprimorar outros produtos e serviços.

Quando a Amazon reiniciou a Alexa com uma nova tecnologia de IA, ofereceu a atualização gratuitamente para qualquer pessoa que pagasse pelo seu programa de assinatura Prime. A IA pode torná-la mais popular, mas é improvável que se transforme em uma fonte de renda em breve.

PROMESSA: AMIGOS DE IA


A Meta e várias startups, incluindo a Character.AI e a xAI de Elon Musk, estão começando a oferecer bots de IA que proporcionam um novo tipo de companhia. Pode-se interagir com esses bots nas redes sociais da mesma maneira que se interage com os amigos.

“As pessoas em geral querem mais conectividade do que já têm”, declarou o diretor-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, em entrevista recente a um podcast.

Por que isso está sendo construído?

Zuckerberg e Musk administram redes sociais e podem cobrar por seus amigos virtuais. O segundo está oferecendo seus bots mediante um serviço de assinatura que custa US$ 300 (R$ 1.600) por mês.

A Meta também pode cobrar uma taxa de assinatura por amigos virtuais, assim como a OpenAI faz com o ChatGPT, embora a primeira tenha preferido, há muito tempo, aumentar a receita publicitária retendo as pessoas em redes como o Facebook e o Instagram e em aplicativos como o WhatsApp. (A Meta também está aplicando a IA nessa área. Descobriu recentemente que as pessoas são quase 7% mais propensas a clicar em anúncios criados com novas técnicas de IA.)

Isso se aproxima da realidade?

Embora algumas pessoas já tratem os chatbots como amigos, as corporações de IA estão começando a receber críticas pesadas. Essas tecnologias podem afastar as pessoas das relações humanas e levá-las a comportamentos delirantes e alarmantes.

Ainda faltam anos para que esse mercado se torne viável, e é apenas um dos muitos cenários que as empresas estão explorando.

Alguns observadores comparam o que os executivos de tecnologia estão fazendo com o movimento de peças em um tabuleiro de jogo: tentar vencer os rivais na próxima grande jogada tecnológica.

“Tanto poder nas mãos de tão pouca gente. E esse pessoal está jogando uma partida de xadrez que tem implicações para todos nós”, comentou David Cahn, sócio da empresa de capital de risco Sequoia, do Vale do Silício.

PROMESSA: AVANÇOS CIENTÍFICOS


Dario Amodei, diretor-executivo da Anthropic, uma das principais rivais da OpenAI, acredita que em apenas alguns anos —talvez já no ano que vem— a inteligência artificial será algo como ter um “país inteiro de gênios dentro de um centro de dados” que podem trabalhar juntos para resolver os maiores problemas científicos que nossa sociedade enfrenta.

Por que isso está sendo construído?

Tecnólogos como Amodei presumem que esse tipo de tecnologia vai mudar a vida como a conhecemos. No ano passado, ele mencionou em um ensaio de 14 mil palavras que a IA poderá finalmente curar o câncer, acabar com a pobreza e até mesmo trazer a paz mundial. E previu que, em uma década, dobrará a expectativa de vida média das pessoas para 150 anos.

Isso se aproxima da realidade?

Não está claro como essas tecnologias serão construídas —ou até mesmo se são possíveis.

Mas James Manyika, vice-presidente sênior de pesquisa, laboratórios, tecnologia e sociedade do Google, disse que, à medida que a empresa persegue objetivos mais ambiciosos, criará tecnologias que podem ser usadas de imediato. Como exemplo, ele cita o AlphaFold, sistema desenvolvido pelo Google que pode ajudar a acelerar a descoberta de medicamentos de maneiras pequenas, mas importantes, e que recentemente venceu o Prêmio Nobel de Química.

Uma companhia derivada do Google chamada Isomorphic Labs tem como objetivo obter lucro ajudando as corporações farmacêuticas a usar esse tipo de tecnologia.

PROMESSA: IA TÃO INTELIGENTE QUANTO UM SER HUMANO, OU ATÉ MAIS

Executivos como Zuckerberg e Demis Hassabis, chefe do laboratório de pesquisa DeepMind do Google, afirmam que a empresa deles está buscando a inteligência artificial geral, ou IAG, abreviação para uma máquina que pode igualar os poderes do cérebro humano, ou uma tecnologia ainda mais poderosa chamada superinteligência.

Por que isso está sendo construído?

Muitos tecnólogos estão determinados a alcançar o maior objetivo que podem imaginar: a superinteligência. Perseguem esse sonho desde a década de 1950.

Isso se aproxima da realidade?

Termos como IAG e superinteligência são difíceis de determinar. Os cientistas nem mesmo conseguem chegar a um acordo sobre como definir a inteligência humana.

Mas uma máquina que realmente iguale os poderes do cérebro humano ainda está a muitos anos de distância, talvez décadas ou mais.

Ninguém ainda explicou com clareza como as corporações vão ganhar dinheiro com esse tipo de tecnologia. Ao gastar centenas de bilhões em novos centros de dados, as empresas de tecnologia estão dando um salto no escuro, munidas apenas de fé.

Esse salto é alimentado pela mesma mistura que muitas vezes impulsiona os magnatas do Vale do Silício: ganância, ego e medo de ser destituído por uma descoberta inesperada. “Se eu tivesse de dar uma resposta em uma palavra, seria Fomo” [sigla em inglês para a expressão Fear Of Missing Out, cuja tradução livre é “medo de ficar de fora”], declarou Oren Etzioni, diretor-executivo fundador do Instituto Allen de Inteligência Artificial.

O medo de ficar de fora não sai barato. Altman comentou que, como ele e seus rivais perseguem esses objetivos ambiciosos, alguns investidores talvez estejam gastando demais. Os pesquisadores podem desenvolver maneiras de construir IA usando muito menos hardware. As pessoas podem não querer as tecnologias de IA que essas companhias estão desenvolvendo. O aprimoramento rápido das tecnologias de IA nos últimos anos pode desacelerar ou até mesmo chegar a um impasse. Toda a economia pode mudar por motivos não relacionados.

“Alguns de nossos concorrentes vão fracassar e outros vão se sair muito bem. É assim que o capitalismo funciona. Minha suspeita é de que alguém vai perder uma quantia fenomenal de dinheiro”, afirmou Altman.

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

‘Não estou aqui para substituir humanos’, afirma ministra da Albânia gerada por inteligência artificial

  • Diella foi nomeada na semana passada pelo primeiro-ministro e diz querer ajudar pessoas
  • Bot será responsável por garantir que contratos públicos sejam “100% livres de corrupção”

Folha/AFP – 18.set.2025

A ministra albanesa gerada por inteligência artificial, uma estreia mundial, discursou nesta quinta-feira (18) perante o Parlamento do país dos Bálcãs e garantiu que seu objetivo não é “substituir os humanos, mas ajudá-los”.

A nova ministra, batizada com o nome de Diella, foi nomeada na semana passada pelo primeiro-ministro da Albânia, o socialista Edi Rama.

Diella será responsável por todas as decisões sobre licitações de contratos públicos para garantir que sejam “100% livres de corrupção” e que todos os fundos públicos submetidos a esse procedimento sejam “perfeitamente transparentes”, indicou então Rama.

A luta contra a corrupção, especialmente na administração pública, é um critério-chave para a candidatura da Albânia à União Europeia. O primeiro-ministro albanês quer que a nação balcânica de 2,8 milhões de habitantes se torne membro do bloco europeu até 2030.

Diella falou por videoconferência aos deputados albaneses, reunidos para deliberar sobre o programa do governo de Rama. Não foram dados detalhes sobre como foi gerado seu discurso.

“Alguns me chamaram de inconstitucional porque não sou um ser humano”, disse Diella, cujo nome em albanês significa sol.

“Permitam-me lembrar: o verdadeiro perigo para as Constituições nunca foram as máquinas, mas as decisões desumanas daqueles que estão no poder”, apontou a ministra, vestida com o traje tradicional albanês.

Sua nomeação foi duramente criticada pela oposição. “O objetivo não é outro senão chamar a atenção”, criticou nesta quinta-feira o ex-primeiro-ministro e líder da oposição, Sali Berisha, ele mesmo acusado de corrupção.

“É impossível conter a corrupção com Diella”, acrescentou. “Quem vai controlar a Diella? Diella é inconstitucional”, disse, acrescentando que seu partido recorrerá ao Tribunal Constitucional.

Edi Rama, que conseguiu um quarto mandato nas eleições de maio, teve que interromper seu discurso várias vezes devido às vaias da oposição. No entanto, seu programa de governo foi aprovado.

Albânia: ministra de IA não quer substituir humanos – 18/09/2025 – Tec – Folha

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

Quanta água o ChatGPT ‘bebe’ para responder sua pergunta? Data centers se multiplicam no Brasil e cientistas tentam estimar impacto

Camilla Veras Mota – BBC News Brasil – 8 agosto 2025

As fotos que você posta nas redes, o filme que vê no streaming, a aposta nos sites de bets, tudo isso é processado em um data center, um centro de armazenamento de dados que funciona como uma espécie de “cérebro” da internet.

E que é também um ávido consumidor de energia.

“Eles funcionam como um computador gigante de alta performance”, ilustra Juliano Covas, gerente comercial e de engenharia para o segmento de data centers da América Latina da Corning Optical Communications.

Com corredores cheios de armários de ferros com pilhas de servidores, os data centers demandam muita eletricidade, usada tanto pelas máquinas em si quanto pelo sistema de refrigeração que funciona sem parar para impedir que elas superaqueçam.

Com o aumento da conectividade, essas estruturas se multiplicaram no Brasil nos últimos anos.

Hoje há 162 data centers espalhados pelo país, conforme estimativas da Associação Brasileira de Data Centers (não há dados públicos oficiais), com capacidade instalada em torno de 750MW e 800MW.

Algo dessa magnitude, para efeito de comparação, é semelhante ao consumo de energia de uma cidade de cerca de dois milhões de habitantes, conforme estimativas feitas por técnicos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) a pedido da reportagem.

Com a popularização do uso da inteligência artificial, contudo, a expansão prevista para a próxima década deve multiplicar esse número em mais de 20 vezes.

Nessa escala, o segmento de data centers pode se tornar estratégico — foi inclusive mencionado nesta semana pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como setor que pode ser explorado em conjunto com os Estados Unidos em meio à negociação do tarifaço americano.

Haddad justificou dizendo que o Brasil possui grande oferta de energia pra manter esses centros de processamento de dados funcionando.

De acordo com os números do Ministério de Minas e Energia, a demanda por energia por data centers no Brasil deve chegar a 17.716 MW em 2038, estimativa feita com base nos pedidos de acesso à rede de energia do país enviados pelas empresas à pasta.

Um desses pedidos, que recebeu recentemente o aval do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), é um megaempreendimento de 300 MW, com investimento previsto de R$ 50 bilhões, que deve ser erguido na região do porto do Pecém, no Ceará, para abrigar um data center que estaria gerando interesse em grandes empresas de tecnologia como a chinesa ByteDance, dona do TikTok, conforme noticiou a agência Reuters.

À reportagem, o TikTok afirmou que não se manifestaria sobre o assunto.

A Casa dos Ventos, responsável pelo projeto, disse que o início da construção está previsto para o segundo semestre de 2025 e que a expectativa é que o complexo entre em operação em 2027.

‘Data centers são caixas pretas’

Usando a mesma analogia do consumo de eletricidade por habitante (que não é uma comparação perfeita, mas serve para dar dimensão da magnitude), a demanda por energia projetada para os data centers em 2038 equivaleria à de uma cidade de 43 milhões de habitantes, quase quatro vezes a população da cidade de São Paulo (11,5 milhões, conforme o Censo 2022).

Mas o que isso significa — qual vai ser o impacto desse crescimento?

Via de regra, qualquer aumento na produção de energia elétrica, ainda que renovável, gera algum tipo de impacto ambiental, que pode inclusive afetar negativamente as populações que vivem próximo às usinas (leia mais abaixo).

No caso dos data centers, os especialistas ouvidos pela BBC News Brasil apontaram que hoje é difícil fazer essa estimativa com precisão, especialmente com a disseminação da inteligência artificial.

Data centers que têm a capacidade de treinar, implementar e disponibilizar aplicações e serviços de IA são equipados com circuitos eletrônicos com chips de alto desempenho (como o H100 da Nvidia) que consomem muito mais energia do que os tradicionais.

O quanto mais, contudo, hoje ainda é difícil dizer. Cientistas que têm se dedicado a tentar estimar o consumo de energia — e o impacto ambiental como um todo — afirmam que a quantidade de informações compartilhadas pelas empresas de tecnologia e operadores de data centers não é suficiente para fazer um cálculo acurado.

Não se sabe, por exemplo, em que capacidade os data centers operam — se consomem algo perto de toda a energia que a infraestrutura dispõe ou muito menos que isso.

Outro dado considerado importante que não é compartilhado pelas empresas é qual percentual dos servidores é usado para treinar os modelos e para a operação de fato dos chatbots, a chamada “inferência”, processo usado para gerar o texto de resposta.

Ou ainda quais data centers são usados para esse tipo de serviço.

“Os data centers são caixas pretas”, diz Alex de Vries, fundador do Digiconomist, projeto que há uma década estuda as consequências não-intencionais das tendências digitais.

“Nós estamos conversando por Zoom agora e eu não faço ideia em que parte do mundo estão os servidores que estão processando a chamada”, ilustra o economista, que mora nos arredores de Amsterdam e pesquisa o consumo de energia e o impacto ambiental da IA como parte do doutorado na Vrije Universiteit Amsterdam.

De Vries tenta calcular o uso de eletricidade a partir dos chips da maior fornecedora hoje para a indústria de IA, a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), levando em consideração o volume de chips vendidos pela empresa e fazendo suposições sobre a capacidade utilizada dos data centers onde eles operam, a eficiência do sistema de refrigeração e os demais parâmetros para os quais não há informações divulgadas.

“É um desvio enorme para se chegar a algo que deveria ser muito simples de obter”, ele comenta.

“As empresas sabem exatamente quanto de energia seus sistemas de IA estão usando, eles apenas optam por não publicar essa informação”, completa.

Com o cálculo, ele chega em uma estimativa do consumo global de energia pela inteligência artificial, que no ano passado se comparava a toda a eletricidade usada na Holanda.

“Em 2025 esse número deve dobrar, a inteligência artificial vai consumir duas vezes mais energia do que um país como a Holanda”, afirma De Vries.

O economista tem advogado por mais transparência por parte das empresas de tecnologia, argumentando que hoje é difícil confrontar os custos e benefícios da inteligência artificial.

“Enquanto isso, a demanda por energia está crescendo tão rápido. Nunca vimos nada parecido antes”, ressalta De Vries.

Uma pergunta pro ChatGPT consome uma garrafa d’água?

Fabro Steibel, que é diretor-executivo do Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS), pontua que o uso de data centers no Brasil é muito diferente do que se observa em países como os EUA, por exemplo, onde algumas dessas instalações são usadas para treinar modelos de linguagem grandes (LLM, na sigla em inglês) como o ChatGPT, Claude e Gemini.

“A gente não é ‘big techs‘”, ele pondera, emendando que a comparação que ficou famosa no último ano, de que uma pergunta ao ChatGPT consumiria algo semelhante a uma garrafa d’água, não é generalizável para o setor como um todo.

“Isso não foi inventado, mas é um caso bem específico, em um determinado contexto”, completa.

Essa ideia nasce, segundo ele, a partir de uma reportagem do Washington Post de setembro de 2024 que repercutia um estudo de pesquisadores da Universidade da California, Riverside com uma estimativa do gasto de água para que o chatbot escreva um email de 100 palavras (519 ml).

O próprio texto destaca que o consumo de água varia a depender do sistema de refrigeração usado pelo data center e lista diferentes estimativas a depender do Estado americano em que estivesse localizado, indo de 235 ml no Texas a 1.468 ml em Washington.

O consumo de água nos data centers se dá basicamente de duas formas: indireta, quando a energia usada na instalação vem de hidrelétricas, e direta, quando o recurso é usado no sistema de refrigeração do prédio.

Há dois modelos bastante diferentes de refrigeração, entretanto. Um deles usa uma torre de resfriamento em que a água que passa pelo circuito evapora, criando a necessidade de adição de água pura constantemente ao sistema.

Nos Estados Unidos, que concentra cerca de três mil data centers, o uso desse sistema tem causado impacto em pequenas cidades pelo país e gerado atritos entre as populações locais e grandes empresas de tecnologia.

O segundo é um sistema de refrigeração de ciclo fechado, em que o uso de água é significativamente menor.

Esse, segundo a assessoria da Casa dos Ventos, será o modelo utilizado no grande data center previsto para ser construído no Ceará.

À reportagem, a empresa afirmou ainda que o data center terá acesso exclusivo “a 300MW de energia fornecida por parques eólicos e solares”.

O lado B das energias renováveis

Mesmo as energias renováveis, contudo, têm algum tipo de impacto, ainda que em termos de emissões de gases de efeito estufa elas sejam muito menos danosas do que os combustíveis fósseis.

Há casos em que o barulho das turbinas eólicas, por exemplo, chega a causar depressão, insônia e surdez em quem mora nas proximidades.

Ou conflitos territoriais entre as empresas e comunidades locais, que são tema de pesquisa da professora da Universidade Federal do Ceará (UFC) Adryane Gorayeb, que é também membro do Observatório da Energia Eólica.

Em uma das comunidades estudadas por ela, localizada no litoral do Ceará, o empreendimento aterrou uma das lagoas entre dunas que era usada para pesca durante o inverno, comprometendo a subsistência da população local, e bloqueou a única via que os moradores usavam para sair e entrar no vilarejo, forçando-os a escalar dunas mais altas para se deslocarem.

“Muitas das comunidades tradicionais do litoral impactadas pela construção de usinas vivem uma rotina de ameaças aos seus direitos mais básicos, desde acesso à água, alimentos e à terra”, comenta.

O Observatório da Energia Eólica recentemente expandiu seu escopo para pesquisar também os impactos da energia solar, que vão desde consumo de água para lavar os painéis até uso de agrotóxicos na manutenção da vegetação que cresce abaixo das placas solares.

Soluções locais

Fabro Steibel, da ITS, argumenta que o Brasil está produzindo “soluções locais” na construção de uma infraestrutura local voltada para a inteligência artificial com potencial de produzir impacto ambiental significativamente menor do que o observado em países como os EUA.

“A necessidade faz a solução. Se eles [big techs] têm todo o equipamento à disposição, não têm incentivo nenhum de revolucionar. A gente não tem esse recurso”, destaca.

E cita como exemplo a previsão, na recém-aprovada lei de fomento à IA aprovada em Goiás, do uso de biometano para produção de energia para data centers. O ITS coordenou a consulta pública realizada durante a elaboração da proposta.

“O data center movido a biometano existe? Não, ele é outra frequência, outra coisa. Mas pode existir. E o biometano tá ali, é o que sobra da soja e do milho.”

Goiás espera se tornar o primeiro Estado do país a usar os chips mais avançados da Nvidia, o Blackwell B200, que foram encomendados pelo Centro de Excelência em IA da Universidade Federal de Goiás (UFG). O objetivo é integrá-los em oito supercomputadores que serão usados em cerca de 70 projetos de pesquisa.

A reportagem tentou contato com o Centro de Excelência em IA da universidade pedindo detalhes sobre a estimativa de consumo de energia da nova estrutura, mas não teve retorno.

ChatGPT: quanta água ‘bebe’ sua pergunta ao bot? Cientistas tentam estimar impacto ambiental da IA – BBC News Brasil

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

Como o etanol de milho conquistou 20% do mercado, e por que ele atrai a Petrobras

A produção cresce mais de 30% ao ano. Duas companhias, Inpasa e FS, concentram 80% desse mercado, e podem virar sócias da estatal.

Por Alexandre Versignassi – InvestNews – 15 set. 2025

Pergunta do Show do Milhão: a empresa que mais produz etanol no Brasil usa qual matéria prima? 

A) Cana-de-açúcar

B) Milho

Você está certo disso? Vamos à resposta: alternativa B. Porque a maior produtora de etanol em 2024 não foi a Raízen, que cultiva 13 mil km² de cana (o equivalente a metade do Estado do Sergipe). Foi a Inpasa, que faz etanol de milho: 3,7 bilhões de litros – à frente dos 3,1 bilhões da Raízen.

É isso. Enquanto a produção de etanol de cana está praticamente travada no mesmo patamar há 10 anos, a de etanol de milho cresce, desde 2020, a uma taxa média assombrosa: 33% ao ano.

Ou seja, quase todo o crescimento do mais brasileiro dos biocombustíveis vem hoje do etanol de milho, que até outro dia era sinônimo de álcool produzido nos EUA. 

Agora a história é outra. Essa variante já responde por 20% do etanol brasileiro – 7,5 bilhões de litros, de um total de 37 bilhões. E deve passar de 30% nos próximos 10 anos, pelas projeções da EPE

Vamos olhar essa indústria um pouco mais de perto. A Inpasa tem um bom tempo de rodagem. Começou com o etanol de milho em 2007, mas no Paraguai. O nome da empresa, inclusive, é um acrônimo para Industria Paraguaya de Alcoholes S.A. Só que o dono é brasileiro: José Odvar Lopes, o “Seu Zé”. 

Em 2019, a Inpasa virou uma indústria brasileira também: inaugurou sua primeira usina em Sinop (MT), grande produtora de milho. E no ano passado Seu Zé destronou Binho – como os amigos chamam Rubens Ometto, o controlador da Raízen.

A Inpasa teve uma receita líquida de R$ 13,6 bilhões em 2024; 23% maior na comparação anual. Ela não divulga o lucro. A Moody’s, porém, estima que a margem líquida ali seja de 18%. Isso sugere um lucro de R$ 2,4 bilhões no ano passado.   

E ela tem aproveitado o dinheiro para expandir em outra área: a da distribuição de combustíveis. De acordo com o Brazil Journal, José Odvar Lopes chegou a comprar R$ 30 milhões por dia em ações da Vibra e já detém, por meio de um fundo da família, 3% da dona dos postos BR; uma fração avaliada em R$ 800 milhões.  

A Inpasa não foi a primeira do país, de qualquer forma, a dedicar-se ao etanol de milho. O pioneirismo aí cabe à Usimat. Em 2012, ela montou uma “usina flex” na cidade de Campos de Júlio (MT), capaz de processar cana e milho – alternando as safras de um e de outro.

Já a primeira companhia 100% dedicada aos sabugos veio um pouco mais tarde, em 2017. Trata-se da FS, controlada pela americana Summit – o nome completo dela também é em outra língua: Fueling Sustainability (basicamente, “abastecendo a sustentabilidade”).

Ela estreou com uma usina em Lucas do Rio Verde (MT), tirando 280 milhões de litros. Em 2020, bateu a marca de 1 bilhão. Hoje, são 2,4 bilhões. Isso faz da FS a terceira maior produtora de etanol do país (seja de cana, seja de milho), atrás apenas da Inpasa e da Raízen. No ano passado, ela viu seu faturamento saltar 32%, a R$ 10,7 bilhões. De lucro, R$ 937 milhões. 

A FS tem três usinas; a Inpasa Brasil cinco. Todas ficam no Centro-Oeste, próximas dos fornecedores de matéria prima. Para dar uma ideia melhor da dimensão desse par: elas produzem 80% do etanol de milho no Brasil.

Não à toa, elas entraram na mira da Petrobras.

Petrobras: back to the game

A estatal anunciou no final do ano passado que pretende voltar ao mercado de produção de etanol, que ela tinha abandonado na década passada. Ela tinha joint ventures com sucro-alcooleiras, incluindo a São Martinho, onde também contava com uma participação acionária relevante, de 6,5%. Mas saiu em 2018, para se concentrar em óleo e gás.

Agora ela quer voltar ao jogo. Magda Chambriard, a presidente, disse no início do ano que não via sentido em deixar de lado o combustível que concorre com a gasolina. A ideia é voltar ao sistema de joint ventures, com participação minoritária em empresas de etanol. Mas quais empresas? 

A Petrobras ainda não abriu, mas a Bloomberg noticiou na última quarta-feira (10), citando fontes próximas do caso, que as negociações estão avançadas justamente com a Inpasa e a FS, as gigantes do etanol de milho.

E por que milho? O Brasil, afinal, é o país da cana desde o século 16. Somos o segundo maior produtor de etanol (atrás dos EUA) e o primeiro, de longe, de açúcar.

Num país tão canavieiro, então, como é que o etanol de milho cresceu tanto em meia dúzia de anos? E o que teria encantado a Petrobras nessa seara? É o que vamos ver agora. 

Até 40% mais barato

Como você leu aqui no intertítulo: é bem mais barato produzir etanol de milho. Primeiro, porque a oferta nacional aumentou.

A área de terras para o cultivo de milho cresceu 15% desde o fim da década passada. Nesse mesmo intervalo, a produção subiu 25%. Um aumento razoável na produtividade. Ao mesmo tempo, os preços internacionais do milho passam por uma baixa. Nos últimos três anos, a queda é de 35%.

As usinas compram milho dos produtores. Com mais matéria prima no mercado, a preços menores, o custo delas tem caído. Na safra 2024/2025, a produção de etanol de milho custou R$ 1,88 por litro, de acordo com um relatório do BTG, contra R$ 2,36 do etanol de cana. Uma economia de 20%.

E o resto? Aí que vem o pulo do gato. A fabricação do etanol de milho gera um subproduto valioso, o DDG – sigla em inglês para “grãos secos de destilaria”, que é vendido como ração. 

Vale ver como a mágica acontece. Produzir etanol é igual a produzir uísque, pelo menos nos primeiros passos. Você mói os grãos de milho e mistura com água. Então coloca um levedura ali – um fungo, que “come” o açúcar do milho. Feita a “digestão”, o fungo libera gás e álcool.

O que fica é uma espécie de cerveja – um líquido gasoso com baixo teor de álcool. Mas não é cerveja que você quer. O próximo passo é ferver essa mistura. O etanol evapora primeiro, então o vapor que sai é rico em álcool. Ele vai por tubos até uma serpentina fria, onde vira líquido de novo. A alquimia está feita: o milho virou álcool. 

O que sobra é um líquido cheio de milho moído sem o açúcar, sem o amido. Você seca essa sopa, e o que tem na mão é um farelo rico em proteína (com pelo menos 30%, contra 8% do milho original). Por isso o DDG é valioso como ração animal. Tanto que um dos clientes da FS é a BRF, que usa o grão seco de destilaria para alimentar as aves e suínos da unidade que tem em Lucas do Rio Verde.   

Na transformação da cana em álcool você não tem um subproduto assim. Como a planta é puro amido, o que sobra ali não serve como ração. Na transformação de milho, fica o DDG – e mais outro subproduto, o óleo de milho, que serve para fazer biodiesel.

E o fato é que a venda do DDG e do óleo de milho fazem com que o custo de produção do etanol de milho fique até 40% menor na comparação com o etanol de cana.   

A simbiose com a soja

Outra vantagem do etanol de milho é a simbiose com a maior cultura do país: a de soja.   

No Centro-Oeste, você planta soja na primavera (setembro/outubro) e colhe no verão (janeiro/fevereiro). São pouco mais de 100 dias. Mas não adianta plantar de novo em março. Essa safra pegaria o inverno, com menos horas de luz solar, e a planta não se desenvolveria a contento.

A saída é ou deixar a terra em repouso ou plantar alguma outra cultura, amiga do outono/inverno. É justamente o caso do milho, que não se incomoda com a luminosidade menor dessa época. Se houver demanda para milho, então, vale a pena aproveitar a janela da soja e produzir, como dizem no agro, o “milho-safrinha”.  

O etanol de milho, com seu crescimento veloz, garante essa demanda. E temos aí um círculo virtuoso: com mais usinas, há mais incentivo para que o oceano de áreas de plantação de soja no país produza milho no inverno. São 24 usinas no país hoje. Elas já consomem 15% da produção brasileira de milho – sendo que um terço volta para a cadeia de produção de alimentos, na forma de DDG.   

Nada disso significa que o etanol de cana vá acabar. A demanda é intensa. Não é só o álcool combustível, você sabe. A gasolina comum já levava 27% de etanol, por determinação legal. A partir de agosto, passou para 30%. E é possível que, no futuro, pule para 35%. E 80% da produção de etanol segue dependendo dos canaviais. 

Mas o crescimento tende a vir do etanol de milho mesmo, por conta do preço de produção mais baixo. E também porque as sucroalcooleiras não têm esse nome à toa, claro. Elas também usam a cana para produzir açúcar – commodity da qual o Brasil representa metade das exportações globais.

Na década passada, entre as safras de 2011 e 2019, a proporção média das usinas de cana ficou em 44,4% açúcar X 55,6% etanol – com base nos dados da Unica, uma entidade representativa do setor. Entre as de 2020 e de 2025, a proporção açucareira aumentou: 48,8% X 51,2%. Ou seja: a “concorrência interna” com o açúcar tem ficado mais acirrada. 

Como a Petrobras não trabalha com açúcar, é natural o interesse dela pelo etanol de milho – algo que praticamente não existia no Brasil quando a estatal saiu do setor de álcool.

Agora não apenas existe. Já é uma peça fundamental no portfólio brasileiro energia limpa. 

Alexandre Versignassi

Editor-executivo do InvestNews. Autor do livro “Crash – Uma Breve História da Economia”, finalista do Prêmio Jabuti. Foi diretor de redação das revistas Superinteressante e Você S/A

Como o etanol de milho conquistou 20% do mercado, e por que ele atrai a Petrobras | InvestNews

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

Redesenho da soberania tecnológica da indústria automotiva

Por Antônio Jorge Martins e Otaviano Canuto – Valor – 03/09/2025

O setor automotivo voltou ao centro das atenções econômicas e geopolíticas em 2025. Medidas como a taxação de 25% sobre a importação de veículos e autopeças anunciada pelo governo dos Estados Unidos revelam a dimensão estratégica dessa indústria, não apenas como motor econômico, mas como vetor de competitividade e soberania tecnológica, além de influência geoeconômica sobre o futuro da eletromobilidade em função do acesso a terras raras.

O movimento protecionista não deve ser interpretado apenas como ação de política comercial do governo americano, com base nas importações do setor automotivo em 2024 terem alcançado US$ 420 bilhões, representando 35% do déficit comercial dos Estados Unidos.

A reconfiguração do mercado global de veículos, marcada por avanços tecnológicos acelerados, motorização elétrica dos veículos e ascensão de novos e inúmeros players, em especial, dos fabricantes chineses, tiveram um peso bem mais preponderante.

Depois do tombo causado pela pandemia — quando as vendas de carros de passeio despencaram para 54,7 milhões de unidades em 2020 — o mercado mundial recuperou terreno, alcançando 67,5 milhões de unidades vendidas em 2024, ligeiramente superior ao volume de 2019 — 64,8 milhões — segundo dados da Organização Internacional de Fabricantes de Veículos Motorizados (OICA).

A novidade, no entanto, está no perfil dos novos protagonistas. Montadoras chinesas vêm conquistando espaço global com modelos de veículos altamente tecnológicos, preços agressivos e forte movimento de internacionalização em todos os continentes, pressionando os fabricantes tradicionais do setor a reverem estruturas organizacionais, níveis de competitividade, motorização e tecnologia embarcada.

De acordo com a agência Reuters, os fabricantes chineses praticam preços nas exportações de veículos elétricos até 150% superiores aos do mercado de origem, avançando sobre Europa, América Latina, Oriente Médio e outros países da Ásia em busca de escala e margem de lucro, tornando a internacionalização de suas operações uma necessidade estratégica na busca de retorno financeiro aos seus investidores privados.

Deve-se destacar que os preços de venda praticados na China são extremamente aviltados pela presença de um sem número de ofertantes chineses, fomentados pelo governo através da criação de mais de 200 startups, algumas delas já desaparecidas.

Um dos componentes que mais influenciam o preço final de um veículo elétrico é a bateria, que emerge como componente estratégico para o futuro da indústria automotiva, representando até 40% do seu custo total — dependendo do modelo, autonomia e tempo de recarga — estando no epicentro da competitividade global e impactando a viabilidade econômico-financeira das montadoras. Seu domínio tecnológico pertence na fase atual a um grupo chinês.

Nesse contexto, o acesso a matérias-primas estratégicas, como o lítio, o cobalto e as terras raras, tornou-se crucial. Estes elementos são fundamentais para a fabricação de baterias e motores elétricos de alto desempenho, sendo utilizados em componentes como ímãs permanentes. 

A China detém posição dominante na cadeia de fornecimento e refino de terras raras — controlando cerca de 70% da produção mundial, 87% do processamento e 91% do refinamento, segundo artigo de Dampsey, Hodgson e Smyth no “Financial Times” de 24 de abril. Deve-se destacar que o interesse dos Estados Unidos sobre a Groenlândia e Ucrânia se fundamenta nas terras raras.

Os veículos elétricos, que incluem as motorizações híbridas, são considerados imperativos estratégicos para a sobrevivência e o crescimento sustentável das empresas. A busca por descarbonização, eficiência energética e novas experiências de mobilidade como carros autônomos tem levado a uma transformação radical das linhas de produção através do uso intensivo de robotização e inteligência artificial.

O principal insumo que sintetiza esse novo cenário da indústria automotiva são os semicondutores. A escassez desses componentes durante a pandemia expôs a fragilidade da cadeia global e catalisou uma corrida pela soberania tecnológica. A resposta veio com alianças estratégicas, novos projetos fabris e políticas públicas de incentivo ao desenvolvimento local, com destaque primordial para a China, Taiwan e Estados Unidos.

Os EUA seguem liderando o desenvolvimento de chips de alta performance. A China, embora ainda dependente, acelerou a criação de startups no setor com forte apoio do Estado. Algumas montadoras, por sua vez, passaram a integrar verticalmente tal desenvolvimento objetivando a redução de custos e a busca de diferenciais perante a concorrência.

Dessa forma, parcerias tecnológicas tornam-se relevantes na medida em que, de softwares embarcados à infraestrutura energética, os veículos modernos exigem uma orquestração complexa de competências, sendo que para isso, alianças tornam-se indispensáveis.

O ambiente competitivo impõe reestruturações, fusões, aquisições, reorganizações logísticas e reinvenção dos modelos operacionais. A resposta dos fabricantes tradicionais à pressão tecnológica e de custos da China será decisiva para a composição de um novo mapa global da indústria automotiva.

O sucesso das empresas estará atrelado à capacidade de liderar com visão competitiva, inovar com criação de valor, operar com escala elevada e estabelecer parcerias estratégicas, propiciando de forma conjunta a necessária evolução tecnológica contínua.

O setor automotivo global vive um momento decisivo através de um novo ambiente onde apenas os fabricantes capazes de transformar inovação em valor sustentável terão lugar de destaque. Neste “Novo Setor Automotivo”, competitividade não é mais um diferencial — é uma condição de sobrevivência, que será conquistada com estratégia, velocidade, capital humano e soberania tecnológica com a geração de resultados financeiros.

Antônio Jorge Martins atua como coordenador acadêmico da FGV, com formação em engenharia, pós graduação em finanças e mestrado em sustentabilidade empresarial, com vivência em Diretoria Financeira de Empresas de Capital Aberto, Conselhos de Administração e Consultorias Empresariais.

Otaviano Canuto foi vice-presidente e diretor executivo no Banco Mundial, diretor executivo no FMI e vice-presidente no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Também foi secretário de assuntos internacionais no Ministério da Fazenda e professor da USP e da Unicamp. Atualmente é membro sênior do Policy Center for the New South, membro sênior não-residente da Brookings Institution e professor na Elliott School of International Affairs da George Washington University.

Redesenho da soberania tecnológica da indústria automotiva | Opinião | Valor Econômico

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

Airbags e IA: engenheiros de Dubai criam avião que pode se salvar sozinho; entenda

Inspirado pela tragédia da Air India, eles propõem sistema de segurança revolucionário para proteger vidas em quedas iminentes

Por O Globo — Dubai – 13/09/2025 A imagem gerada por IA mostra como o conceito poderia ser na realidadeA imagem gerada por IA mostra como o conceito poderia ser na realidade — Foto: Divulgação

Em 12 de junho de 2025, o voo AI171 da Air India decolou de Ahmedabad com destino a Londres e caiu 32 segundos após a partida, matando 241 pessoas a bordo e 19 no solo. A causa: ambos os motores perderam potência repentinamente devido ao corte de combustível, deixando pilotos e passageiros sem opções.

Esse desastre inspirou dois jovens engenheiros do Instituto de Tecnologia e Ciência Birla, em Dubai, a criarem uma solução radical para salvar vidas em situações extremas. Eshel Wasim e Dharsan Srinivasan desenvolveram o Projeto Rebirth, um sistema de sobrevivência para aviões que utiliza inteligência artificial e tecnologias inovadoras para transformar acidentes fatais em pousos possíveis.

O conceito é ousado: se uma queda for inevitável, sensores e IA monitoram continuamente parâmetros como altitude, velocidade, status dos motores, direção e resposta do piloto. Segundo o New York Post, se uma colisão for iminente abaixo de 3.000 pés, o sistema é ativado automaticamente, embora o piloto ainda possa desativá-lo manualmente.

Os airbags (na foto) são ativados rapidamente, envolvendo o nariz, a cauda e a barriga em menos de dois segundos — Foto: DivulgaçãoOs airbags (na foto) são ativados rapidamente, envolvendo o nariz, a cauda e a barriga em menos de dois segundos — Foto: Divulgação

O Rebirth combina airbags externos que envolvem o nariz, a barriga e a cauda da aeronave, formando uma cápsula protetora capaz de absorver impactos, com fluidos inteligentes que se tornam mais viscosos sob pressão para dissipar energia e motores capazes de gerar empuxo reverso, reduzindo a velocidade de descida.

O Projeto Rebirth ainda está no campo das ideias, mas já chamou atenção internacional. A dupla inscreveu o conceito no Prêmio James Dyson 2025, uma competição de design que oferece £ 30 mil (cerca de R$ 219 mil) ao vencedor global para desenvolver sua ideia. “Minha mãe não conseguia dormir depois do acidente de Ahmedabad. Ela não parava de pensar no medo que os passageiros e pilotos deviam sentir, sabendo que não havia saída. Esse desamparo nos assombrava”, contou Eshel Wasim ao The Sun.

Embora ainda precise de testes e aprovação regulatória, o projeto representa uma visão ousada do futuro da aviação: um sistema que não espera pelo pior, mas age para evitá-lo.

Airbags e IA: engenheiros de Dubai criam avião que pode se salvar sozinho; entenda

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

Oportunidades de investimento para data centers no Brasil

Além de contar com um extenso sistema interligado de linhas de transmissão de alta tensão, o país tem uma oferta expressiva de energia elétrica, verde e com custo competitivo

Por Nivalde de Castro, Cristina da Silva Rosa e Piero Sclaverano – Valor – 03/09/2025 

No processo de digitalização das atividades produtivas e de consumo, a inteligência artificial (IA) apresenta perspectivas infinitas de desenvolvimento, em processo análogo ao que ocorreu a partir dos anos 1970 com a difusão dos computadores. Essa nova ferramenta digital abre um novo horizonte do que Schumpeter (1883-1950) denominou por processo de “destruição criativa”. E a base e plataforma produtiva da IA são os data centers, grandes unidades de processamento de dados que exigem infra estruturas de comunicação e energia elétrica muito densas, por se tratar de uma atividade classificada como eletrointensivas, em função do alto grau de consumo de eletricidade sem interrupção nas 24 horas dos 365 dias do ano.

Como os data centers operam conectados à rede mundial da internet, essas unidades produtivas só podem ser construídas em sítios com rede elétrica de elevado nível de segurança, alta qualidade do suprimento, custos competitivos e cada vez mais com energia de fontes renováveis, a fim de cumprir as metas de descarbonização.

Considerando o potencial de crescimento em escala global dos data centers e de suas exigências técnicas de conectividade e oferta de energia elétrica, o Brasil se posiciona como um importante player global para atração de investimentos nesse novo segmento produtivo, em razão de ter:

i.Um sistema interligado com cerca de 170 mil quilômetros de linhas de transmissão em alta tensão; e

ii.Uma oferta de energia elétrica em quantidade expressiva, qualidade verde e custos competitivos.

Com base nestes fundamentos, as instâncias do governo federal têm realizados estudos e promovido ações na direção de transformar esse potencial em realidade efetiva. E o momento é pertinente pelo excesso de oferta de energia elétrica bem superior à demanda, por conta da maior capacidade instalada de plantas de geração eólica e solar, que tem obrigado o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a promover cortes de energia (curtailment) com cenário de agravamento.

Na direção de atrair investimentos em data centers, foi assinada a medida provisória nº 1.307/2025, pelo presidente da República durante sua visita ao Ceará, em 18 de julho deste ano. Em síntese esta MP propõe ampliar o regime especial de incentivos fiscais e tributários aplicável a projetos de data centers construídos em Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs), cujos serviços sejam comercializados ou destinados exclusivamente ao exterior. Trata-se, por um lado, de proposta para favorecer as ZPEs, localizadas, em boa parte, no Nordeste, antecipando o acesso a benefícios fiscais e tributários que previstos na proposta da Política Nacional de Data Centers (Redata), que ainda aguarda assinatura presidencial. A diferença central, a ser destacada, é que a Redata terá abrangência nacional, enquanto a MP 1.307 permitirá aplicação imediata para novos projetos localizados exclusivamente em ZPEs após ser aprovada no Congresso, sempre com o risco de ser contaminada por jabutis.

Um porém, negativo e questionável, proposto na MP 1.307 é a exigência de que o suprimento de energia elétrica para os data centers seja somente por novas plantas de energia renovável, construídas após a promulgação da lei vinculada a esta MP. Esse modelo de negócio proposto cria um complicador ao desenvolvimento dos data centers, por impor investimentos nos data center e nas plantas geradoras de energia.

Atualmente, segundo dados coletados pelo Ministério de Minas e Energia (MME) entre os projetos de data centers cinco são previstos em ZPEs, dentre os quais quatro, localizados nas ZPEs de Aracaju, Imbituba, Maringá e Porto do Açu. Estes projetos apresentam baixo grau de maturidade operacional e ainda não possuem portaria de conexão à rede básica. O único data center mais avançado localiza-se na ZPE do Porto de Pecém, no Ceará, tendo portaria de conexão emitida. Trata-se do Data Center da Casa dos Ventos, em uma possível parceria com o grupo chinês ByteDance (TikTok).

Considerando o cenário dos projetos com potencial de desenvolvimento e a sobreoferta de energia elétrica, a exigência de adicionalidade de capacidade instalada de geração de energia elétrica, como propugnado pela MP, apresenta fragilidades técnicas e econômicas. No Nordeste, usinas eólicas e solares, caracterizadas por sua intermitência, já enfrentam altos níveis de cortes na geração ordenados pelo ONS para garantir o equilíbrio dinâmico entre oferta e demanda e, assim, preservar a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN). Desta forma, a indução, implícita na MP, para novos investimentos em capacidade elétrica renovável intermitente para alimentar os data centers teria pouco impacto sobre os cortes de energia. Em suma, este dispositivo cria obstáculo que deve ser repensado e certamente alterado.

Até 6 de agosto de 2025, a MP nº 1.307/2025 havia recebido 157 emendas, de 45 parlamentares, muitas das quais propõem flexibilizar a adicionalidade de capacidade instalada, permitindo o uso de energia renovável já existente. Outras emendas sugerem incluir fontes não renováveis, mas estratégicas para a segurança de fornecimento, como usinas nucleares e termelétricas a gás natural, e algumas mencionam, explicitamente, o potencial dos Small Modular Reactors (SMRs) para suprimento a ZPEs, tecnologia ainda muito longe de ter viabilidade econômica. Há, ainda, propostas para simplificar o acesso à rede elétrica de alta tensão, incentivar o armazenamento de energia e criar mecanismos de transparência e avaliação dos incentivos.

Em síntese, o critério de adicionalidade da MP nº 1.307/2025 precisa ser revisto por ser mais oneroso do que eficaz. Em vez de promover eficiência e segurança energética, esse critério pode ampliar desequilíbrios em regiões com sobreoferta intermitente, restringir opções confiáveis de suprimento para data centers e criar custos sistêmicos que reduzem a competitividade. Por fim, os data centers, conforme se procurou demonstrar, têm um grande e consistente potencial de investimentos no Brasil. Entretanto, transformar esse potencial em renda, emprego e impacto positivo requer atenção e subordinação às características técnicas, econômicas e ao cenário de excesso de oferta do Setor Elétrico Brasileiro.

Nivalde de Castro é professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (GESEL-UFRJ).

Piero Carlo Sclaverano Dos Reis é pesquisador associado do GESEL-UFRJ e doutorando em Planejamento Energético pelo Programa de Planejamento Energético (PPE) da UFRJ-COPPE.

Cristina da Silva Rosa é pesquisadora associada do GESEL-UFRJ.

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

Algumas lições do ‘milagre polonês’ para o Brasil

O modelo de tributação do tipo IVA ajudou a Polônia a não se desindustrializar

Bráulio Borges – Folha – 11.set.2025 

Doutorando em economia da FGV EESP, mestre em economia na FEA-USP, é diretor da LCA Consultores e pesquisador-associado do FGV Ibre

Um país tem chamado a atenção quando se discute desenvolvimento econômico: a Polônia.

De acordo com dados do Banco Mundial, em 1990 o país do leste europeu apresentava um PIB per capita semelhante ao brasileiro, de cerca de US$ 12 mil (a preços de 2021 e já ajustado pela paridade do poder de compra). Em relação à média dos países da OCDE, esses níveis de renda per capita brasileiro e polonês correspondiam a 38%.

Em 2024, o PIB per capita polonês chegou a US$ 45 mil, correspondendo a 84% daquele observado na média da OCDE. O Brasil chegou a US$ 20 mil (37% da OCDE). Hoje o PIB per capita da Polônia é semelhante ao japonês!

O que gerou esse “milagre polonês” e quais lições disso para o Brasil? Bem, em primeiro lugar, é importante notar que no começo dos anos 1990, a carga tributária polonesa era superior a 30% do PIB, tendo alcançado cerca de 35% nos anos mais recentes.

Ou seja, como costumo dizer: tão ou mais importante do que o tamanho da carga tributária agregada (e do Estado) é a forma como os tributos são arrecadados (quais são as bases, se esses tributos são mais ou menos distorcivos/cumulativos etc.) e no que e como esses recursos são gastos pelo governo.

Outro elemento importante é que, a partir de 2004, a Polônia passou a fazer parte da União Europeia (embora não tenha ingressado na moeda comum, o euro). A integração da economia polonesa a um dos maiores mercados consumidores do mundo ajudou a impulsionar seu PIB, seja via comércio exterior, seja pela atração de capitais.

Comparando o Brasil com a Polônia sob a ótica da contabilidade do crescimento, constata-se que: i) a produtividade total dos fatores polonesa avançou mais de 40% desde 1990, ao passo que a brasileira encolheu cerca de 20% (dados da Penn Word Table); ii) em 1990, o Brasil possuía cerca de 30% a mais de capital físico (máquinas, equipamentos, infraestrutura) per capita do que a Polônia; em 2020, o Brasil possuía quase 40% a menos (dados do CWON do Banco Mundial); iii) em 1990, o estoque de capital humano brasileiro (medida que considera tanto a quantidade como a qualidade dos trabalhadores) equivalia a cerca de 60% do polonês; em 2020, o Brasil havia convergido um tanto, alcançando pouco mais de 75% da Polônia (CWON).

Portanto, boa parte dessa divergência entre Brasil e Polônia esteve associada à acumulação de capital físico e à produtividade sistêmica.

São muitos os possíveis candidatos para explicar isso, como a taxa de poupança maior na Polônia do que o Brasil (18,5% ante 15,7%, na média 1995-2024). Isso, em conjunto com uma política fiscal adequada —a dívida pública bruta deles está relativamente estável, em torno de 55% a 60% do PIB, há mais de 15 anos—, permitiu taxas de juros mais baixas, impulsionando a acumulação de capital físico. Isso reforça a importância de o Brasil corrigir o principal fator por detrás dessa menor poupança: o déficit público elevado (que levou a dívida a se aproximar dos 80% hoje).

Outro elemento é que a Polônia adotou o modelo de tributação do tipo IVA —Imposto sobre Valor Adicionado— em 1993. Esse sistema ajudou a Polônia a não se desindustrializar: o percentual da indústria manufatureira no PIB tem se mantido relativamente estável, em torno de 17%.

No Brasil, esse percentual encolheu de 15% para cerca de 12% nas últimas três décadas. Neste caso, uma das soluções para conter e mesmo reverter a desindustrialização brasileira já está “contratada”: teremos um sistema tributário semelhante ao polonês no início  da próxima década, reflexo da reforma aprovada no final de 2023.

Algumas lições do ‘milagre polonês’ para o Brasil – 11/09/2025 – Bráulio Borges – Folha

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

Do chip ao data center: o salto quântico dos investidores em tecnologia

Em meio a rodadas recordes de investimento, a PsiQuantum levanta US$ 1 bilhão com vistas a criar um computador quântico de utilidade prática

ADAM BLUESTEIN – Fast Company Brasil – 11-09-2025 

Desde o início deste mês, a indústria de computação quântica vem registrando algumas das maiores rodadas de captação de recursos de sua história. Mesmo que a maioria das pessoas ainda tenha dificuldade em explicar o que faz um computador quântico – ou por que alguém precisaria de um –, os investidores parecem ter decidido que querem participar dessa corrida.

A PsiQuantum, startup escolhida para construir computadores quânticos em Chicago e Brisbane (na Austrália), levantou US$ 1 bilhão, alcançando uma avaliação de mercado de US$ 7 bilhões. O aporte é um dos maiores investimentos privados individuais já realizados em tecnologia quântica.

Segundo Pete Shadbolt, cofundador e diretor científico da empresa, os novos recursos vão ajudar a companhia a concretizar o plano de construir um computador quântico em escala utilitária baseado em fotônica.

Segundo ele, a empresa está passando do trabalho em “escala de centímetros”, voltado ao design de chips e dispositivos, para a “escala de quilômetros”, dedicada a desenvolver gabinetes de resfriamento e toda a infraestrutura necessária para instalações de computação do tamanho de data centers.

Veja também

Os recursos vão permitir ainda ampliar a fabricação de peças e materiais sob medida, essenciais para sistemas intermediários. “Temos um plano bastante agressivo para chegar a grandes sistemas, mas não estamos tentando fazer tudo de uma vez”, disse Shadbolt.

APOSTAS BILIONÁRIAS EM COMPUTAÇÃO QUÂNTICA

O fluxo de capital que vem fluindo para a computação quântica – em um nível semelhante aos investimentos em inteligência artificial – pode ser visto como um sinal de amadurecimento da tecnologia ou como reflexo do FOMO (sigla em inglês para a expressão “medo de ficar de fora”) dos investidores de IA. Ou os dois.

“A inteligência artificial é construída sobre a computação clássica, que sustentou os últimos 50 anos de tecnologia”, afirmou Tony Kim, chefe do grupo de tecnologia de ações fundamentais da BlackRock, no anúncio do investimento.

“Agora estamos no início de uma plataforma adjacente, enraizada na mecânica quântica, que vai permitir simular o mundo físico com muita precisão. A tecnologia vai integrar computação quântica e IA, abrindo caminho para a superinteligência das máquinas.”

Além do apoio da NVentures (braço de capital de risco da Nvidia), a PsiQuantum colabora com a gigante dos chips em diversas frentes, incluindo algoritmos quânticos, softwares, integração de processadores quânticos com GPUs em sistemas híbridos e o desenvolvimento de sua plataforma de silício fotônico.

PARCERIA ESTRATÉGICA

“Nenhum computador quântico será útil isoladamente. Eles vão gerar dados para a IA e também precisarão de insumos vindos de clusters de GPU” explicou Shadbolt. Segundo ele, esse é um espaço natural para a Nvidia entrar.

“No ecossistema japonês de computação quântica existe um grande cluster de GPUs Nvidia conectado a vários computadores quânticos. É uma tendência em crescimento no mundo inteiro”, completou.

A COMPUTAÇÃO QUÂNTICA VEM REGISTRANDO AS MAIORES RODADAS DE CAPTAÇÃO DE RECURSOS DE SUA HISTÓRIA.

A expertise da PsiQuantum em fotônica – a transmissão de informações pela luz – a torna um parceiro estratégico atraente. Isso porque fabricantes de supercomputadores de IA estão cada vez mais interessados em integrar fotônica para lidar com as enormes demandas de transmissão de dados e de energia que crescem junto com esses sistemas.

Recentemente, a TSMC apresentou em Taiwan, no Silicon Photonics Global Summit, seu novo processo COUPE (Compact Universal Photonic Engine, ou motor fotônico universal compacto), que permite fabricar chips em camadas densas fundindo circuitos fotônicos e eletrônicos.

Para Shadbolt, a competição no setor é paradoxal. “É ao mesmo tempo frustrante e muito empolgante. É frustrante que todos usemos tecnologias diferentes e isso seja tão debatido. Por outro lado, acho que é sintoma de uma jornada que está apenas começando, e prefiro estar no início de uma jornada do que no seu fim.’


SOBRE O AUTOR

Adam Bluestein escreve sobre pessoas e empresas na vanguarda da inovação em negócios e tecnologia, ciências da vida e medicina, alimentos e cultura.

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

Inteligência artificial deve tornar o smartphone obsoleto. O que virá depois?

Aplicativos e suas interfaces perderão relevância. Óculos e pulseiras inteligentes terão a capacidade de ‘perceber’ seu entorno. Será a era do ‘computador ambiente’

Por O Globo/The New York Times — 10/09/2025 

Para os consumidores, esta terça-feira terá um ar familiar: a Apple deve revelar o seu iPhone 17 com melhorias modestas, incluindo um modelo ligeiramente mais fino. Quando foi lançado no longínquo ano de 2007, o iPhone original entrou para a História ao mudar a maneira como nós lidamos com os celulares — e a tecnologia em geral.

O dispositivo móvel, com tela de toque, entrou no cotidiano de todos. E revolucionou a indústria de tecnologia. Agora, com o advento da inteligência artificial, muitos dos principais executivos de big techs acreditam que uma nova mudança radical está em curso — e que ela pode, um dia, tornar o smartphone, como o conhecemos, ultrapassado.

Assistentes modernos de inteligência artificial, muito mais capazes e flexíveis do que os desajeitados assistentes de voz como a Siri, estão prestes a se tornar o sistema operacional central de todos os nossos dispositivos de computação pessoal, superando em importância o software dos smartphones, segundo especialistas.

No futuro, óculos ou pulseira ‘conscientes’ do ambiente ao redor

Aplicativos e suas interfaces sofisticadas perderão relevância quando assistentes de IA passarem a usar os dispositivos em nosso lugar, executando automaticamente tarefas como marcar encontros com amigos, gerar listas de compras e fazer anotações em reuniões. Isso nos pouparia da necessidade de deslizar por menus de software e digitar em teclados.

— O sistema operacional com o qual você está acostumado a trabalhar no celular e os aplicativos que você abre, a forma como você realmente faz as coisas, vai começar a desaparecer em segundo plano, e seu assistente é que passará a fazer as coisas por você — explica Alex Katouzian, executivo responsável por produtos móveis na Qualcomm, que fabrica chips para iPhones e aparelhos Android.

E em um futuro próximo (não amanhã), o hardware do smartphone poderá até ser sucedido — embora não substituído — por um novo e fundamental dispositivo de computação pessoal. Um par de óculos com IA ou uma pulseira, por exemplo, seriam conscientes do ambiente ao redor, e o assistente passaria a coexistir conosco para oferecer ajuda ao longo do dia, preveem alguns executivos do setor.

Toda grande empresa de tecnologia está pensando nessa pergunta bilionária: o que vem depois do smartphone? Eis algumas previsões de atuais e ex-funcionários de gigantes como Apple, Google, Samsung Electronics, Amazon e Meta.

O que vem depois do smartphone?

“Óculos que entendem nosso contexto porque conseguem ver o que vemos, ouvir o que ouvimos e interagir conosco ao longo do dia se tornarão nossos principais dispositivos de computação” — Mark Zuckerberg, em carta publicada no site da Meta.

Há décadas, tecnólogos sonham que um par de óculos com telas digitais embutidas nas lentes possa oferecer às pessoas informações em tempo real sobre as pessoas e lugares que enxergam. Um assistente de IA teria papel central nesse dispositivo, permitindo ao usuário pedir ajuda apenas falando, como se fosse com um amigo.

A Meta deu um passo agressivo em direção a esse sonho no ano passado. Uma atualização de software dos óculos inteligentes Ray-Ban Meta — que incluem câmera, alto-falantes e microfone — trouxe o assistente Meta AI para o acessório, permitindo que usuários fizessem perguntas sobre o que estavam vendo, de animais em zoológicos a pontos turísticos históricos.

Também no ano passado, a empresa revelou o Orion, protótipo de óculos com telas embutidas na armação — para que o usuário pudesse, por exemplo, consultar informações como anotações digitais enquanto conversa em uma reunião. Neste ano, o Google apresentou um protótipo parecido, equipado com seu assistente Gemini.

A expectativa é que a Meta traga mais informações sobre o Orion em sua conferência de desenvolvedores este mês. Mas, na prática, óculos inteligentes sem telas — como o Ray-Ban Meta, que já ultrapassou dois milhões de unidades vendidas — provavelmente se popularizarão nos próximos dois anos, enquanto os modelos com displays digitais ainda estão em um futuro distante, avalia Carolina Milanesi, analista de tecnologia de consumo da Creative Strategies.

A duração da bateria é curta em dispositivos tão finos e pequenos — e quanto maior a bateria, maiores e mais feios ficam os óculos, disse ela. Também pode levar anos para que as empresas de tecnologia aprendam a projetar óculos que se ajustem a todos os tipos de rosto e ainda gerem lucro.

Computador ambiente

“Se você não precisa tirar algo do bolso, isso é muito poderoso.” — Panos Panay, chefe de dispositivos da Amazon.

Por mais dependentes que nos tornamos dos smartphones, eles podem ser uma distração, porque estamos constantemente sendo bombardeados por notificações de diferentes aplicativos. Panos Panay, chefe de dispositivos da Amazon, previu que assistentes de IA aumentariam a importância dos computadores ambientes, que incluem alto-falantes e telas equipados com microfone espalhados pela casa e gadgets usados no corpo — uma categoria de produtos que a Amazon vem desenvolvendo há mais de uma década com a linha Echo.

Como a tecnologia de IA torna possível ter conversas fluidas com novos assistentes, como o Alexa+, que a Amazon começou a lançar este ano, ela permitirá que as pessoas realizem certas tarefas com mais facilidade do que usando o telefone.

Um exemplo dado por Panay em uma entrevista: perguntar a um assistente de IA a resposta para uma pergunta durante um jantar, permitindo que todos permaneçam focados na conversa sem olhar para uma tela.

Ele acrescentou, no entanto, que o smartphone veio para ficar, assim como o laptop continua conosco muito tempo depois de os smartphones se tornarem populares.

Smartwatch ‘reimaginado’

“Uma coisa de Inspector Gadget, onde você levanta a tampa. Então você pode usar a câmera para chamadas de vídeo no pulso” — Carl Pei, CEO da empresa de smartphones Nothing, descrevendo uma futura câmera de smartwatch.

Ainda na primavera, Pei acreditava que o dispositivo do futuro seria o smartphone. Mas, com o avanço da IA, ele mudou de ideia. Agora, ele acredita que é necessário ter um dispositivo de IA coletando informações sobre o ambiente das pessoas enquanto seus smartphones estão no bolso — o que ele chama de “o smartwatch reimaginado”.

Por quê? O smartwatch, popularizado pelo Apple Watch, é familiar. Mais de 100 milhões são vendidos a cada ano. Ele é discreto. Fica no pulso, não no rosto. E está sempre presente.

A IA tornaria o sistema operacional de cada relógio único. Para entusiastas de fitness, ele rastrearia automaticamente suas atividades. Para empreendedores focados no trabalho, como Pei, ele automatizaria agendas e outras tarefas.

— Hoje, a computação é muito manual — disse Pei, acrescentando que tomar um café com um amigo poderia envolver o uso de três aplicativos diferentes para mensagens, calendário e avaliações do Yelp. Mas ele disse que os agentes de IA em um relógio fariam isso automaticamente no futuro.

Gravador

“É um dispositivo que amplia nossas capacidades e liberta nossa mente das limitações biológicas” — Dan Siroker, CEO da Limitless AI, uma startup de IA ”vestível” que levantou mais de 33 milhões de dólares de investidores, incluindo Sam Altman, da OpenAI.

A memória humana é extremamente falível — estudos mostram que 90% das nossas lembranças são esquecidas após uma semana. (Ou talvez fosse 80%.) E se as pessoas pudessem ter memória perfeita?

Startups como a Limitless AI, que fabrica um pingente de IA que se prende à roupa para gravar conversas e criar transcrições automáticas, acreditam que gravadores vestíveis combinados com um coach de IA darão às pessoas poder cerebral extra para serem mais eficazes no trabalho e em casa.

Esse assistente de IA, sempre ouvindo suas conversas, poderia lembrá-lo de que você esqueceu de entregar algo que prometeu a um colega outro dia, por exemplo.

Ele pode até ajudá-lo a se tornar um pai melhor. Siroker compartilhou este exemplo: recentemente, durante uma viagem a um parque temático, seus filhos pediram mais créditos para jogar em um fliperama, e ele cedeu. Seu assistente de IA, que estava ouvindo, enviou uma mensagem explicando o que ele poderia ter dito para manter a firmeza.

Questões de privacidade podem retardar a adoção de dispositivos de IA que nos acompanham em todos os lugares, disse Dave Evans, designer de hardware que trabalhou na Apple e na Samsung. Computadores sempre ouvindo, segundo ele, se encaixam melhor em um escritório, onde os trabalhadores já abriram mão da privacidade em computadores monitorados por empregadores. Ele imaginou uma série de alto-falantes ou telas espalhadas por um prédio de escritórios que realizariam tarefas rapidamente para os trabalhadores.

— A verdade é que a maioria das pessoas não tem muito a fazer além de se alimentar, se vestir e assistir a um jogo. Você realmente precisa do seu telefone ou de outra coisa para fazer todas essas coisas malucas? — disse Evans.

Todos esses fabricantes de dispositivos ”vestíveis” estão construindo um futuro semelhante ao que Bob Ryskamp, designer de software, imaginou quando trabalhou no headset Google Glass há uma década. Na época, ele imaginava que as pessoas colocariam todos os dias alguns dispositivos de moda, como um colar, um smartwatch e óculos, que ele dizia estarem conectados por “uma sinfonia de IA”.

“Você os usa porque, cada um desses itens, você gosta de como eles parecem, e eles também são inteligentes”, disse Ryskamp.

O Google Glass, é claro, foi um fracasso notório em grande parte porque era feio, o que não é mais o caso dos computadores vestíveis de IA de hoje.

Inteligência artificial deve tornar o smartphone obsoleto. O que virá depois?

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e engenharia de contexto veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas