China escolhe o Brasil para extrair e a Ásia para produzir


  • Brasília comemorou levantamento que apontou país como maior receptor de aportes da China em 2025
  • Capital que decide o desenho industrial de uma década, entretanto, não está vindo para cá

Igor Patrick – Folha – 14.ago.2026

Jornalista, mestre em Estudos da China pela Academia Yenching (Universidade de Pequim) e em Assuntos Globais pela Universidade Tsinghua

Brasília comemorou em maio o levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China que apontou o país como o maior receptor mundial de investimento chinês em 2025, com US$ 6,1 bilhões. O número é verdadeiro, mas conta apenas uma parte da história. É que o capital que decide o desenho industrial de uma década não está vindo para cá, como mostra o destino do dinheiro no primeiro semestre de 2026.

A Administração Geral das Alfândegas da China divulgou nesta semana comércio de ¥ 4,34 trilhões (cerca de R$ 3,36 trilhões) com a Asean no primeiro semestre, alta de 18,2%. O que importa está na composição, já que as vendas de bens intermediários, peças e insumos de produção cresceram 24,5% e responderam por dois terços do total. Este é o retrato de uma cadeia produtiva costurada entre vizinhos.

Operários trabalham na linha de montagem de carros elétricos em fábrica da Geely em Shenyang, na China – 10.ago.26/AFP

Enquanto isso, sob a Nova Rota da Seda, os países latino-americanos receberam US$ 584 milhões em construção e US$ 219 milhões em investimento, num total mundial de US$ 126,4 bilhões apurado pela Universidade de Fudan. A construção chinesa no Sudeste Asiático cresceu 81,3%, e a Malásia é o destino preferido de 56% das empresas da China ouvidas pelo banco UOB.

A razão do desvio é simples. Os países que tomaram fatias chinesas no mercado americano são os que já estavam integrados às cadeias do país asiático e, para deslocar a China nas exportações, é preciso antes absorver seus fornecedores.

O Brasil comercializa com a China entre indústrias, não dentro delas, vendendo minério e comprando manufaturado, o que nunca gerou a densidade de fornecedores que atrai fábrica de componentes. Os US$ 6,1 bilhões confirmam isso quando abertos por setor, com eletricidade em US$ 1,79 bilhão, mineração em US$ 1,76 bilhão e automotivo em US$ 965 milhões.

O contra-argumento óbvio, o de que a América Latina fica longe demais, morre no México. A Universidade Nacional Autônoma do México calcula média de US$ 387 milhões por transação chinesa no Brasil e US$ 127 milhões em solo mexicano. Aqui entram poucos negócios grandes em energia, e lá muitos pequenos de manufatura, porque o México virou parte da cadeia, e o Brasil só vende para ela.

A GWM anunciou em junho que vai investir R$ 4,6 bilhões numa segunda fábrica no Brasil, com início previsto para 2029. Parece contrariar o argumento até que se veja a motivação. O imposto de importação de 35% sobre eletrificados voltou a valer em julho, e a planta capixaba nasce para vender onde a marca já vende, com exportação para o Chile e a Argentina no horizonte.

China, terra do meio

Célio Hiratuka, da Unicamp, mostrou que a penetração de importados chineses desadensou cadeias brasileiras por duas décadas, e registrou em 2024 que os investimentos chineses na manufatura local apenas começavam. A fábrica capixaba chega a um parque que a concorrência chinesa ajudou a esvaziar.

Existe uma vantagem brasileira aqui e ela não está sendo usada. Washington aplica penalidade de 40% sobre carga triangulada e inspecionou fábricas vietnamitas de capital chinês em julho. A proximidade que leva a fábrica ao Sudeste Asiático é a mesma que leva o fiscal americano até ela.

O 15º Plano Quinquenal chinês prioriza cadeias globais de valor de alta tecnologia até 2030. O Brasil entrou nesta década como fornecedor de insumo e mercado de montagem protegido por tarifa, posição que rende volume sem render barganha. Quando a conversa com Pequim deixar de ser sobre acesso e passar a ser sobre valor agregado, será preciso definir o que de fato temos para colocar à mesa.

China escolhe Brasil para extrair e Ásia para produzir – 14/08/2026 – Igor Patrick – Folha 

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal Tribuna online, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV Tribuna, bem como outras publicações e notícias, sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/CNud8bQUUYM4n8ryXA3ZaW

Por mudanças profissionais com a instituição onde publicava outros artigos meus e informações sobre inovações, tive que criar um novo grupo no WhatsApp https://chat.whatsapp.com/CNud8bQUUYM4n8ryXA3ZaW e parar de publicar em  https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B . Quem tiver interesse pode sair do anterior e entrar nesse novo. Desculpem os transtornos. 

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e SLM veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

Se tiver interesse em gêmeos digitais para a indústria procure a Neo Vision – Captura Digital da Realidade

Para IoT chame a 2solve 

Deixe um comentário