Lucro da Embraer cresce quase 700% em 2024 e empresa está usando IA para enfrentar gargalos na cadeia de suprimentos


Fabricante brasileira de aviões atingiu maior carteira de pedidos de sua história, que chegou a R$ 152,9 bilhões

Por João Sorima Neto — O Globo – 27/02/2025

C-390 Millennium da Embraer: empresa quer fabricar até dez unidades do avião multimissão por ano até 2030C-390 Millennium da Embraer: empresa quer fabricar até dez unidades do avião multimissão por ano até 2030 — Foto: Divulgação

No ano passado, as ações da fabricante de aviões brasileira Embraer subiram mais de 160% refletindo os números positivos e históricos que a empresa obteve no período. A empresa encerrou 2024 com lucro líquido de R$ 2,6 bilhões, quase 700% de crescimento em relação aos R$ 333 milhões registrados no ano anterior. As ações da Embraer sobem mais de 11% na B3.

A companhia também informou que sua carteira de pedidos atingiu US$ 26,3 bilhões (R$ 152,9 bilhões) o maior valor desde que a empresa foi criada em 1969.

—Este foi um ano histórico para a Embraer. Atingimos os objetivos (guidance) originais e os revisados. Tivemos receita recorde de US$ 6,4 bilhões (R$ 35,4 bilhões, alta de 21% em relação a 2023), o maior patamar de todos os tempos, e chegamos à maior carteira de pedidos da história da companhia — disse Francisco Gomes Neto, CEO da empresa, durante apresentação de resultados da empresa nesta quinta-feira.

IA contra gargalos

Ele afirmou que ainda há gargalos na cadeia de suprimentos e este tem sido o principal desafio enfrentado pela Embraer nos últimos anos — até parafusos tem sido difícil encontrar, disse o CEO. Para enfrentar esses problemas, disse Gomes Neto, a companhia refinou processos internos e preparou um plano de produção.

O CEO da empresa afirmou que a Embraer poderia entregar até mais aeronaves do que entregou no ano passado, mas que a companhia preferiu ser mais conservadora para evitar problemas e ter as peças que necessita.

— A empresa está usando Inteligência Artificial para monitorar os riscos da cadeia de suprimentos, e novos processos para ajudar os fornecedores com esses problemas — afirmou Gomes Neto, garantindo que será possível fazer as entregas previstas para este ano.

A Embraer prevê que entre 77 e 85 aviões comerciais sejam entregues este ano, e entre 145 e 155 unidades da aviação executiva. A empresa projeta um novo recorde em receita em 2025, que deve variar entre US$ 7 bilhões e US$ 7,5 bilhões.

Os analistas do Itaú BBA, em relatório a clientes, afirmaram que as estimativas da empresa para 2025 são conservadoras, mesmo depois de um resultado forte no quarto trimestre, o que pode trazer volatilidade aos papeis. Mas mantiveram a recomendação de ‘performance acima do mercado’ para as ações da empresa. Os analistas do Santander também avaliaram os resultados da empresa como ‘fortes’, especialmente no quarto trimestre, com a encomenda de jatos executivos feita pela Flexjet, totalizando US$ 7 bilhões.

Em 2024, a empresa entregou 206 aeronaves, sendo 73 jatos comerciais, 130 jatos executivos (75 leves e 55 médios) e três KC-390 Millennium multimissão da área de Defesa & Segurança. O total de entregas é 14% acima das 181 aeronaves entregues no ano anterior. Goms Neto disse que até 2030 a expectativa é que a Embraer possa entregar dez KC-390 por ano.

A demanda elevada pelos jatos da Embraer, especialmente os de corredor único com até 150 assentos, tem mantido as ações da empresa próximas de máximas históricas, segundo analistas que acompanham a empresa.

Recentemente, a Embraer recebeu um pedido firme de 15 aeronaves E190-E2 da japonesa ANA e assinou um contrato recorde de US$7 bilhões com a Flexjet para entregar até 212 jatos executivos.

Já em relação ao KC-390, há várias vendas em andamento e no ano passado o avião atraiu clientes como Holanda, Áustria, Suécia e Eslováquia.

Dividendos e Trump

O CEO da Embraer disse os Estados Unidos representam 60% das vendas de jatos executivos da empresa e que o mercado americano deve continuar crescendo. Gomes Neto afirmou que, por enquanto, não espera que o presidente americanos Donald Trump coloque tarifas sobre produtos da Embraer, mas afirma que não pode prever decisões que o governo americano venha tomar.

— Os Estados Unidos são nosso mercado principal de jatos executivos e deve continuar sendo. Temos fábrica nos Estados Unidos, com 500 funcionários. Há 45 anos atuamos por lá. Nossas aeronaves têm grande conteúdo americano e devido a essa colaboração de longo prazo todos ganham — disse o CEO da empresa, que disse que até mesmo o KC-390 pode ser montados na unidade americana da empresa.

O CEO da empresa afirmou que com dívida líquida próxima de zero, a Embraer tem condições de voltar a pagar dividendos, o que depende de aprovação do Conselho de Administração da empresa. A última vez que a Embraer pagou dividendos foi em 2018.

Pausa e mais R$ 400 milhões

O conselho de administração da Embraer aprovou uma nova pausa de quatro anos do desenvolvimento do E175-E2, jato menor, que vinha sendo desenvolvido pela empresa. Segundo a fabricante brasileira, o adiamento se dá em razão das discussões entre as principais companhias aéreas dos EUA e os sindicatos de pilotos sobre o limite de peso máximo de decolagem para aeronaves com até 76 assentos. Na prática, disse o CEO, o mercado americano está fechado a este produto, mas que a aeronave já até voou no Brasil e está praticamente pronta.

O CEO da Embraer disse que a empresa está investindo em pesquisas para desenvolvimento de aeronaves elétricas e movidas a hidrogênio, mas que esses projetos são para dez ou quinze anos, já que especialmente no caso do hidrogênio, é necessária a construção de infraestrutura aeroportuária.

Gomes Neto afirmou que até a certificação e industrialização do primeiro Evtol, o carro voador que está sendo desenvolvido pela Eve, subsidiária da Embraer, são necessários investimentos de mais de R$ 400 milhões. O primeiro voo do protótipo está marcado para este ano e a expectativa é que a primeira entrega aconteça em 2027.

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