Por cortes na pesquisa, universidades brasileiras caem em ranking internacional de qualidade; veja as melhores


País enxugou financiamento entre 2014 e 2022; nesta semana, governo sancionou recomposição de fundo para investimento em ciência e tecnologia

Por Bruno Alfano — O Globo – 15/05/2023 

Faculdade de Medicina da USP USP Imagens/Divulgação

Vinte e nove universidades brasileiras caíram de posições na edição de 2023 do World University Rankings (CWUR). De acordo com a publicação, o principal fator para o declínio geral das instituições brasileiras é o desempenho em pesquisa, em meio à intensa competição global de instituições bem financiadas.

— Embora o Brasil esteja bem representado no ranking deste ano, as principais instituições do país estão sob pressão crescente de universidades bem financiadas de todo o mundo. O financiamento para promover ainda mais o desenvolvimento e a reputação do sistema de ensino superior do Brasil é vital se o país aspirar a ser mais competitivo no cenário global — afirmou Nadim Mahassen, presidente do Center for World University Rankings.

As 10 melhores do mundo

  • Harvard (EUA)
  • MIT (EUA)
  • Stanford (EUA)
  • Cambridge (Reino Unido)
  • Oxford (Reino Unido)
  • Princeton (EUA)
  • Chicago (EUA)
  • Columbia (EUA)
  • Pensilvânia (EUA)
  • Yale (EUA)

Um estudo de 2022 do Observatório do Conhecimento em parceria com a Frente Parlamentar Mista da Educação apontou que os seguidos cortes do governo brasileiro do orçamento na Ciência e Tecnologia entre 2014 e 2022 tiraram da área quase R$ 100 bilhões neste período.

Nesta semana, o presidente Lula sancionou R$ 4,18 bilhões ao orçamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), principal fundo de financiamento de pesquisas acadêmicas do país. A medida recuperou integralmente os recursos do FNDCT, que passa a dispor de R$ 9,96 bilhões para investimentos. No mês passado, o orçamento das universidades federais também foi recuperado para 2023.

O Brasil tem 54 universidades entre as duas mil primeiras. Dessas, 23 melhoraram em relação ao ano passado, duas mantiveram suas posições e 29 caíram no ranking.

As 10 melhores da América Latina e do Carine

  • USP (posição geral: 109ª)
  • Universidade Nacional Autônoma do México (276ª)
  • Unicamp (344ª)
  • UFRJ (376ª)
  • Universidade de Buenos Aires (382ª)
  • Pontifícia Universidade Católica do Chile (390º)
  • Unesp (424º)
  • Universidade do Chile (438º)
  • UFRGS (467º)
  • UFMG (503º)

A Universidade de São Paulo, a melhor qualificada do Brasil e da América Latina, caiu seis posições e alcançou o 109º lugar. Ela perdeu pontos em qualidade do ensino, empregabilidade e qualidade do corpo docente, mas melhorou no indicador de desempenho em pesquisa.

Já a Universidade de Campinas (Unicamp) subiu duas posições e atingiu o 344ª lugar, enquanto a Federal do Rio de Janeiro caiu 15 posições, para a 376ª – à frente da Universidade Estadual Paulista, na 424ª posição, e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na 467ª posição.

— Esforços devem ser feitos para garantir que o Brasil atraia acadêmicos e estudantes de ponta, que o aumento do número de matrículas nas universidades seja acompanhado de aumentos na capacidade de ensino e que os gastos com educação superior como porcentagem do PIB nacional cresçam constantemente nos anos seguintes — defendeu Mahassen.

A CWUR classifica as universidades de todo o mundo de acordo com quatro fatores: qualidade da educação (25%), empregabilidade (25%), qualidade do corpo docente (10%) e desempenho em pesquisa (40%). Neste ano, 20.531 universidades foram classificadas, e as primeiras colocadas integraram a lista Global 2000, que inclui instituições de 95 países.

Pelo décimo segundo ano consecutivo, Harvard é a melhor universidade do mundo. Ela é seguida por duas outras instituições privadas dos EUA, MIT e Stanford, enquanto as britânicas Cambridge e Oxford – classificadas em quarto e quinto lugar, respectivamente – são as principais instituições públicas de ensino superior do mundo. O restante do top ten global é completado por universidades privadas dos EUA: Princeton, Chicago, Columbia, Pensilvânia e Yale.

— Embora os resultados do estudo deste ano reafirmam que os Estados Unidos têm o melhor sistema de ensino superior do mundo, 80% das universidades americanas caíram na classificação devido à intensificação da competição global de instituições bem financiadas, particularmente da China. O declínio geral das universidades americanas é acompanhado pelo desempenho das instituições francesas, alemãs e japonesas. Já o declínio das universidades britânicas e russas foi menos severo. Com as instituições chinesas desafiando as ocidentais, as universidades americanas e europeias não podem se dar ao luxo de descansar sobre os louros — afirmou Mahassen.

https://oglobo.globo.com/brasil/educacao/noticia/2023/05/por-cortes-na-pesquisa-universidades-brasileiras-caem-em-ranking-internacional-de-qualidade-veja-as-melhores.ghtml

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