Automação dita mudanças em bens duráveis


Tendências também incluem aluguel de produtos, pagamento por uso, personalização e serviço de assinatura, segundo levantamento da NielsenIQ Bases

Por João Luiz Rosa — Valor – 16/02/2022

Uma impressora que encomenda tinta quando o suprimento está para acabar, uma escova de dentes que coleta dados do dono e exibe um tutor on-line, uma lavadora que ajusta o volume d’água à sujeira da louça. Embora ainda não sejam comuns nas prateleiras, esses itens representam tendências de consumo que cresceram rapidamente na pandemia e devem se firmar no futuro, como mostra uma pesquisa feita pela NielsenIQ Bases com 3,1 mil consumidores de quatro países: Brasil, Alemanha, Estados Unidos e Índia.

Intitulado “Novos modelos de negócios em bens duráveis – os consumidores estão prontos?”, o levantamento identificou cinco grandes tendências: automação de produto, modelo de aluguel, pagamento por uso, personalização e serviço de assinatura.

Os brasileiros confirmaram a fama de “early adopters” e se mostraram os mais abertos às novidades: 93% das pessoas consultadas no país se mostraram propensas a experimentar algum desses modelos, bem acima da média internacional, de 75%. Mas isso não significa que o Brasil será o pioneiro nesses movimentos.

“Uma coisa é estar disposto a testar novos modelos e outra é enxergar seus benefícios e pagar por eles”, diz Teo Senna, líder para bens duráveis da NielsenIQ Bases na América Latina. Preço é um fator que os brasileiros levam muito em conta na hora de consumir, afirma o especialista. Por isso, as marcas precisam demonstrar com clareza as vantagens de um modelo comercial diferente para que sua aceitação não seja colocada em dúvida.

Novos modelos comerciais buscam criar mais pontos de contato com o cliente, mostra pesquisa da NielsenIQ Bases — Foto: Fernando Lemos/Agência O Globo

É uma característica comum aos indianos, o que divide o universo da pesquisa em dois grupos distintos. Nos mercados mais maduros dos EUA e da Alemanha, a automação de produto aparece disparada na preferência do público, com o interesse de 40% dos americanos e 48% dos alemães. No Brasil e na Índia, embora a automação também seja o item que mais desperte atenção, os totais são menos representativos: 26% e 24% (ver infográfico).

Entre os brasileiros, em particular, as tendências aparecem bem embaralhadas: três delas empatam em segundo lugar, com 19% da preferência, e a última – o serviço de assinatura – não está muito distante, com 16%.

No campo dos bens duráveis, diz Senna, um exemplo de automação é uma lavadora de louça da Whirlpool que seleciona a temperatura e a duração do programa depois de avaliar o nível de sujeira das peças. Outro é o Next, termostato do Google que se ajusta sozinho à temperatura local. Com mais tempo em casa por causa da covid, o consumidor está à procura de conveniência, afirma o especialista.

Pagar pelo que se usa é outra tendência, diz Senna. Testado com sucesso no mercado de jogos eletrônicos, no qual já responde por 88% da receita global, o formato é caracterizado pelos micropagamentos. Por exemplo, de roupas e armas digitais que os jogadores compram para disputar partidas em comunidades virtuais. A cada item é desembolsada uma pequena quantia.

Na indústria automobilística, as montadoras têm seguido esse caminho com a oferta  de aplicativos pelos quais o usuário pode acessar serviços, como abrir remotamente a porta do veículo, pagando uma taxa mensal. O carro permanece como o produto central, mas ao seu redor estão sendo acrescentadas outras fontes de receita.

Os serviços de assinatura, que passaram a ser feitos diretamente por meio dos dispositivos, apresentam uma oportunidade semelhante. A HP lançou uma impressora que verifica o nível de tinta e encomenda cartuchos novos, cita Sena. Outros exemplos incluem geladeiras que fazem pedidos ao supermercado e escovas de dente que providenciam refis.

As vendas de bens duráveis tiveram um “boom” por causa da covid, o que ajudou muitos segmentos. No Brasil, 85% das pessoas ouvidas pela NielsenIQ Bases disseram ter comprado mais aparelhos eletrônicos desde o início da pandemia; 42% das compras foram antecipadas em razão do isolamento social.

Agora, no entanto, a piora das condições econômicas e a pressão inflacionária em muitos mercados estão levando o consumidor a rever suas despesas, o que abre espaço para modelos capazes de aliviar os gastos domésticos.

Alugar em vez de comprar tem se tornado uma alternativa para o consumidor. No segmento de automóveis, por exemplo, o formato é cada vez mais disputado por empresas de locação e pelas próprias montadoras, que passaram a oferecer a modalidade.

Em outras áreas, os fabricantes experimentam maneiras de oferecer o serviço de acordo com a cultura local. Na Suécia, a Electrolux testa um aspirador-robô cujo aluguel é pago de acordo com a metragem percorrida pelo dispositivo na hora da faxina, conta Senna. Na China, onde a tradição é que os mais jovens cuidem dos idosos da família, o mesmo aspirador está sendo usado para limpar, a distância, a casa de pais e avós.

No Brasil, diz o executivo, a casa digital também está avançando, mas a expectativa é que equipamentos cuja praticidade seja mais evidente, como lavadoras de roupa programáveis, sejam adotados mais rapidamente que lâmpadas inteligentes ou dispositivos ativados por assistentes pessoais.

Há uma boa chance para aparelhos personalizados no país, em particular no segmento de beleza e cuidados pessoais – o Brasil é o quarto maior mercado do mundo nessa área. Com a digitalização crescente, as marcas estão investindo em dispositivos que colhem dados do usuário para oferecer uma experiência melhor. A Oral-B recentemente anunciou uma escova de dentes que avalia os hábitos de escovação e oferece um treinador virtual em tempo real.

Os brasileiros têm especial interesse na conexão social, mostra a pesquisa da Nielsen: eles querem eletrônicos personalizados capazes de conectá-los a outros consumidores ou profissionais, como numa rede social, para receber conselhos e trocar experiências.

Para as marcas, diz Senna, independentemente da velocidade de aceitação, os novos modelos comerciais são uma oportunidade de criar pontos de contato ao longo de toda a vida útil do produto e não apenas quando o consumidor quer comprar um aparelho novo. “É preciso, primeiro, entender a necessidade do consumidor e, depois, comunicar os benefícios do modelo”, afirma o executivo. O prêmio, para quem for bem-sucedido, é ter um cliente mais satisfeito – e mais fiel.

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2022/02/16/automacao-dita-mudancas-em-bens-duraveis.ghtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/KVhRLPQJGZsJozQCM3WWXH (11) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: