Companhias se adequam ao trabalho híbrido


Com atuação remota e presencial empresas reduzem espaços e redesenham os processos de colaboração e funções

Por Emma Jacobs — Financial Times/Valor Econômico 26/04/2021 

Depois de mais de um ano de trabalho remoto, a esperança de muitas empresas é que esse trabalho híbrido (misto em casa e no escritório) permita aos funcionários fazer em casa a parte de seu trabalho que exige concentração individual, reduzindo deslocamentos e equilibrando melhor a vida profissional e pessoal. Os escritórios, por sua vez, se tornariam um local para inovação, colaboração, treinamento, socialização e networking.

Com essa ideia, o HSBC anunciou que reformará seus escritórios executivos, abrindo lugar para estações de trabalho compartilhadas. “Não estarei no escritório nos cinco dias da semana”, disse Noel Quinn, executivo-chefe do banco. “É a nova realidade da vida.” Sarah Willett, diretora de recursos humanos do The Very Group, que opera as varejistas on-line Very.co.uk e Littlewoods.com, disse que os funcionários gostariam de manter elementos do trabalho remoto quando o Reino Unido reabrir. “Passaremos a um modelo híbrido. Queremos que nossos colegas sejam produtivos em casa e colaborativos no escritório”, diz.

Pesquisas recentes da Microsoft com 30 mil funcionários pelo mundo revelaram que “70% dos funcionários querem que as opções flexíveis de trabalho remoto continuem [e] 66% dos tomadores de decisões estão considerando redesenhar os espaços físicos”. Recentemente, o CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, apresentou planos de trabalho híbrido para alguns funcionários. “Como resultado, em média, para cada 100 funcionários poderemos precisar de lugares para apenas 60. Isso reduzirá significativamente nossa necessidade de imóveis.” Lloyds Banking Group e HSBC afirmaram que os escritórios encolherão 20% e 40%, respectivamente.

Os riscos do trabalho híbrido incluem a possibilidade de que equipes e processos se desintegrem, à medida em que os trabalhadores definam seus próprios horários, ou a de que surjam panelinhas de pessoas trabalhando no escritório, que excluiriam os que estão em casa de decisões e conversas informais. “Muitas pessoas presumem que por sabermos trabalhar juntos [no escritório], saberemos como trabalhar separados”, diz Kristi Woolsey, diretora-associada da firma de consultoria Boston Consulting Group. “Mas o híbrido é uma terceira via. É incrivelmente difícil de fazer. Este é o problema que todos terão que solucionar pós-covid. Será duro e será diferente.”

Empresas informando os funcionários de que podem trabalhar em qualquer lugar e de qualquer jeito não ganharão em nada, diz Danny Harmer, diretora de recursos humanos da Aviva, empresa britânica de seguros. “As pessoas precisam fazer seu trabalho no lugar que produz o melhor resultado para a organização, para o cliente e para o funcionário”, diz. Se  as empresas não derem orientações claras, ela teme que isso acabe levando ao presenteísmo no escritório [quando o trabalhador está presente, mas isso mais atrapalha do que ajuda a produtividade].

Muitos empregadores provavelmente aplicarão padrões variáveis de trabalho de acordo com as funções. A Aviva, por exemplo, estuda criar cinco perfis de trabalho para definir o tempo a ser passado em casa e no escritório. Se o escritório se tornar um local para colaboração entre os funcionários, e não de trabalho solitário, então, a sincronização dos cronogramas dentro das equipes será prioridade. O trabalho híbrido envolverá muita experimentação. Anne-Laure Fayard, professora-associada no departamento de gestão de tecnologia e inovação, na Tandon School of Engineering, da Universidade de Nova York, diz que será preciso paciência para criar novos hábitos. “De início, haverá certa necessidade de arquitetar e recriar a casualidade [das conversas presenciais informais e seus benefícios ao trabalho colaborativo]. Levará tempo e desenvolvimento.”

Sonja Gittens Ottley, chefe de diversidade e inclusão na Asana, uma plataforma de softwares de colaboração em projetos, diz que as empresas precisam monitorar o impacto do trabalho híbrido. “Pesquisas regulares com funcionários e estudos da carga de trabalho serão chave para compreender se a priorização da flexibilidade do trabalhador está chegando à custa da clareza, produtividade e felicidade do funcionário”, explica. O trabalho híbrido exige mudanças no espaço de escritório. “Precisamos projetar espaços mais abertos ou semifechados para colaborar e [usar] mais espaços privados para trabalhos mais privados – o exato oposto ao que se pensava antes.”, diz Janet Pogue McLaurin, líder de espaço de trabalho global na Gensler, uma empresa de design.

No Lloyds, além de aumentar os espaços de colaboração e de criar aplicativos para reservá-los, o banco tentará usar o espaço sobressalente nas agências para que os funcionários possam ter salas de reunião locais, zonas de colaboração e mesas de trabalho de uso compartilhado, inclusive quando viajam a seus principais centros. A WeTransfer, empresa de softwares na nuvem que vende ferramentas colaborativas, removeu metade das mesas em seus escritórios e construiu salas de reunião, salas para oficinas de trabalho e estúdios de gravação.

Sonya Simmons, chefe de design de espaço de trabalho no Spotify, diz que os espaços de escritório estão sendo reformulados para criar mais “áreas de colaboração e áreas de foco – incluindo salas de silêncios – nas quais possam ser feitas tarefas que exigem alta concentração, livre de barulhos e distrações, [além de] instalar mais cabines de telefone, criadas para que uma ou duas pessoas entrem [e] saiam para uma rápida ligação ou conversa privada.”

Mas o trabalho híbrido exigirá que os gestores sejam claros sobre os objetivos das equipes, que alinhem os horários e que assegurem inclusão nas reuniões. Em comentário em blog, a Dropbox, plataforma de armazenamento na nuvem e de colaboração, informou que pediu aos gestores para avaliar regularmente se eles distribuíram as tarefas de forma justa.

Muito disso exigirá treinamento: a Aviva, por exemplo, diz que dará apoio e orientação para a realização de reuniões virtuais ou híbridas, assim como para definir os horários das equipes. Os gestores têm um papel a desempenhar. “O que mais fará a diferença é dar o exemplo”, diz Fayard, da Tandon. As pessoas precisam sentir que é aceitável trabalhar em casa e que “se forem ao escritório é para se reunir com colegas e não para serem vistos pela gerência”.

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