O que realmente importa? Cultura


Muita gente acha que “cultura” é ter um escritório bonitinho, pregar no quadro os valores da empresa.

Por Tallis Gomes, CEO da Singu e co-fundador do Gestão 4.0 Publicado em Exame: 25/09/2020 

Você já deve ter ouvido sobre a importância da cultura na empresa. Para resumir, esse é o alinhamento de todos em torno de ideais, valores e questões que formam o ambiente da sua companhia. Sem uma cultura estabelecida e efetiva, seu negócio é uma criatura de várias cabeças, cada uma apontando uma direção. 

Não dá para um negócio viver sem cultura. Não dá para um negócio viver com culturas paralelas, que se desenvolvem cada uma de um jeito. Elas competem entre si, geram atritos, conflitos, atrapalham o andamento de tudo. Um negócio precisa de uma cultura única, iniciada e implementada o mais cedo possível. 

E é a tarefa da liderança passar essa cultura para as pessoas da companhia, garantir que todos estejam no mesmo barco. É a responsabilidade, o preço da liderança, e você tem que dar exemplo, garantir que isso seja aplicado para todos. É o exemplo que leva a cultura para os funcionários, não o papo.  

Muita gente acha que “cultura” é ter um escritório bonitinho, pregar no quadro os valores da empresa. Isso é um veículo para espalhar a cultura, mas que de nada adianta se você não estiver remando na direção junto com o pessoal. Você mede a aderência de uma empresa à cultura a medida que qualquer pessoa sabe os objetivos e valores e os reproduz. Se só os gestores sabem, alguma ineficiência está acontecendo em algum ponto. 

Cultura de startup é ir lá e fazer!

E em que momento começa a cultura da empresa? No dia que você a abre. Muitas vezes a cultura predata o CNPJ. No começo, se você é um empreendedor sozinho, você é responsável por tudo e acaba que a cultura é o que tem que ser feito. E aí não tem jeito, você tem que fazer o que dá com o que você tem. É ver o que dá para ser feito e dar um jeito!

Tudo começa a mudar quando você começa a agregar as primeiras pessoas na empresa. Isso é um momento muito importante para a formação da cultura da sua empresa. Eu foco muito em atrair gente boa e convencer essas pessoas a investir o ativo mais valioso que eles possuem na vida, que é o tempo delas. E, quando você traz pessoas boas, elas contribuem imensamente para fazer o seu negócio melhor – muito também no nível cultural. 

É bom trabalhar com complementaridade, ter diversidade. Pessoas de backgrounds diferentes, de gêneros diferentes, de raças diferentes – há inúmeras pesquisas que mostram que diversidade de pensamento gera excelentes resultados. Suas opiniões são baseadas no que você viveu, nas histórias que você viveu. O Google é um exemplo prático disso, ele valoriza muito essa diversidade. A cultura nasce desse caldeirão, mas a liderança precisa sempre estar levando o processo na mão.

Plantar e colher

Ao passo que a cultura nasce e é implementada, é importante replicar em qualquer ambiente novo que você criar – escritórios novos, filiais e ao se expandir para outros países. Lembrando: você não pode deixar que surjam culturas paralelas. Na Easy Táxi garantimos ter uma cultura única: expandimos para trinta e cinco países diferentes e, em cada um deles, tínhamos que garantir que nosso pensamento estava lá. 

Há aspectos que não devem ser incentivados, enquanto outros precisam, por todos os meios, ser incentivados. Você tem que plantar bons hábitos e eliminar as ervas daninhas, que são perigosas para sua empresa. 

E como você pode incentivar bons hábitos? Você precisa dar um reward para seus funcionários de alguma forma, quando eles estiverem agindo de acordo com a sua cultura. Reconheça o bom comportamento, seja em um happy hour da empresa, seja em um e-mail global para todos os outros funcionários. 

Seres humanos possuem ego, todo mundo quer sentir que está no caminho correto e que é bem avaliado pela liderança. Isso vai garantir aderência à cultura e a replicação dela por todos os níveis hierárquicos. Mas cuidado para não transformar isso em uma cultura de bajulação. 

Sem culpa: a gestão libertária

Você precisa entender também que startup é um projeto, é um processo novo de puro descobrimento. E muitas vezes isso leva a crises, erros. Costumo dizer que é mais importante saber o que dá errado do o que dá certo. Falir não é um fracasso em si, já que resiliência é a principal característica do perfeito empreendedor. Seu grande sucesso pode estar na sala ao lado do seu maior fracasso. 

Então, a pior coisa que você pode fazer é criar uma cultura de culpa. Esse tipo de coisa lima a habilidade da empresa de inovar, acaba com a possibilidade dela crescer e cria uma burocracia bem danosa para todos. Eu gosto de uma coisa que eu chamo de Gestão Libertária, que é a cultura que eu implementei na Singu, no Gestão 4.0 e na Easy Táxi. 

O que significa ter uma gestão libertária? Basicamente, esse modelo tem o foco em tirar o poder do centro (gestores) e distribuir nas mãos dos colaboradores. Explorando a capacidade técnica, analítica e criativa do time. Se você tem gente boa dentro da empresa, esse tipo de gestão vai te trazer muitos benefícios. 

Nesse caso, o papel do CEO é garantir a contratação de talentos e os assets para que eles exerçam suas funções sem maiores dificuldades. Profissionais AAAs, os de maior qualidade do mercado, odeiam micromanagement e naturalmente se apaixonam por esse framework. Um ponto essencial aqui é entender que existe uma linha tênue entre o CEO liberal e o CEO ausente. Estar presente, trabalhando, liderando, é essencial para garantir que a cultura fique alinhada com o seu propósito e a empresa possa, unida, alcançar todos os objetivos que ela setar para ela mesma. 

https://exame.com/blog/tallis-gomes/o-que-realmente-importa-cultura/

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