Como dar um “match” com o futuro do trabalho? Ex-diretor do Tinder ensina


O executivo dá palestras e escreve livros sobre transformação digital. Em entrevista, ele ensina sobre as competências essenciais para o futuro

Por Luísa Granato Revista Exame

Publicado em: 09/09/2020

“As organizações e os líderes são emocionalmente viciados em ter controle do futuro. Mas muitos já entenderam que nada será como antes”, fala o executivo Andrea Iorio em entrevista para a Exame.

O autor, palestrante e investidor italiano foi diretor do Tinder na América Latina por 5 anos e diretor da área digital da L’Oréal no Brasil. Dessa experiência, ele acumulou grande conhecimento sobre as competências mais valiosas para o futuro do trabalho, considerando a transformação digital dentro das empresas.

“Quando comecei a dar palestras, o que mais me pediam era: ‘por favor, fale da transformação digital, mas faça a conexão com as pessoas’. No final, existem as ferramentas digitais, mas as empresas precisam antes de uma transformação cultural”.

Para seus conhecimentos alcançarem um público maior, Iorio lançou seu livro “6 Competências para Surfar na Transformação Digital” em 2019. Agora, ele lançou digitalmente seu novo livro “O Futuro não é mais como Antigamente: os novos traços do líder em um mundo imprevisível e digital”.

“A pandemia deixa a liderança diante de um grande desafio. Os líderes estão em evidência agora. Quando as equipes ficam com medo, todos olham para a liderança”, fala Iorio.

Confira a entrevista completa sobre o futuro do trabalho após a pandemia:

O que acha crucial que todo profissional entenda sobre transformação digital?

Andrea Iorio: Acho que, na parte do desenvolvimento das pessoas, podemos resgatar a teoria de Mindset da Carol Dweck (autora do bestseller Mindset: A nova psicologia do sucesso). Ela define a diferença entre o mindset fixo e de crescimento. No momento que vivemos, precisamos ter a mentalidade de que tudo o que funcionou até agora não necessariamente funciona mais. Tudo está mudando. É o mindset de crescimento.

E se você não mudar também, vai ficar para trás. Muitas organizações têm mentalidade fixa: já sou líder e já inovei na área. Isso não garante o sucesso daqui pra frente. E a organização reflete a mentalidade da liderança. Essa atitude de sucessos passados não vai funcionar. Estamos em meio a uma disrupção gigante.

E esse é o momento para mudar? 

Iorio: É muito propício para a mudança. E existem dois motivos. Primeiro, vejo um fundo de verdade em um meme que circulou no começo da pandemia que falava que o maior vetor de transformação nas empresas era a covid-19 e não o diretor. 

Tem uma verdade aí, apesar de doída. No momento de crise, o risco de buscar oportunidades é mais baixo. Nós perdemos menos se falharmos. Em situações de conforto, temos mais medo de errar. A dificuldade baixou o custo da oportunidade para se transformar. E aí tomamos iniciativas. 

O segundo motivo é que nos momentos de caos, como agora, perdemos as referências do passado e não conseguimos enxergar muito o futuro. Ao longo da história, foram esses os momentos de transformação. Você tira a dependência da trajetória anterior e toma mais decisões no presente, sem se agarrar ao que aconteceu no passado.

A peste marcou o fim da idade média, pois quebrou todos os padrões da aristocracia feudal. Depois, veio a renascença. De alguma forma, isso ocorreu ao longo das revoluções industriais. Esse momento é propícia para transformações.

Quais são essas competências de que você fala em seu livro? Que experiências de carreira teve que evidenciam as novas competências?

Iorio: São muitas experiências, mas eu começo o livro falando da flexibilidade cognitiva. Essa é a capacidade de reagir com rapidez a mudanças no ambiente. É a sua adaptabilidade. A minha vida profissional tem sido muito variada. Meu primeiro emprego foi de salva vidas na Itália. Me formei em Economia e Relações Internacionais, e depois vim para o Brasil. Com a adaptabilidade, a cada transição você a aprende a como recomeçar.

Outra competência é a execução inovadora, ou atitude “maker”. É entender que a inovação não está na ideia, mas em sua execução. Na carreira, tive sempre que quebrar minha execução em micro tarefas diárias. Eu crio metas e sei todo dia o que preciso fazer para alcançá-las.

Um outro é o pensamento crítico, ter sempre uma mente de principiante e trazer uma perspectiva diferente para seu negócio. Isso me ajudou muito. Quando estava investindo em um app brasileiro de edição de vídeos, junto com os fundadores, pensamos em uma forma totalmente diferente de organizar a edição do que era feita no computador. Apenas precisamos mudar a perspectiva e o app ganhou como melhor da Apple Store em 2019.

E o que vai ser importante para os líderes aprenderem?

Iorio: Acho que são três grandes tarefas que o líder precisa aprimorar na pandemia para navegar o mundo daqui pra frente. Primeiro, a tomada de decisão terá que ser feita com informações incompletas e com grande rapidez. No mundo da big data, se você se apega a ter informações completas, acaba sendo lento demais. Hoje, o líder precisa resgatar a habilidade de tomar decisões instintivas, pois é isso que nos diferencia de uma máquina.

Segundo, temos que aprimorar a capacidade de execução nas empresas. Ou seja, estruturar organizações mais ágeis. Temos líderes muito apegados a estratégia e visão de longo prazo. Vai ser importante dar atenção para o desenvolvimento mais curto, pronto para o mercado, e estar atento ao feedback de clientes. Tudo em tempo real. 

Por último, é preciso que a liderança seja mais humana que no passado. Por causa da hierarquia, a liderança se afasta do cliente e dos funcionários. Ser mais vulnerável e ter maior reciprocidade com a equipe ajuda no desenvolvimento de atitudes mais humanas.  

Esse é o tema do último livro que acabei de lançar, “O futuro não é mais como antigamente”. Ele passa uma mensagem sobre os novos desafios das lideranças. 

E você também se destaca com a produção de conteúdo no LinkedIn. É importante cultivar nossa rede de contatos? Você tem dicas?

Iorio: É fundamental ter uma boa presença com sua rede de contatos nessa época. Hoje, minha transição para a criação de conteúdo tem funcionado bem. Tenho 55 mil seguidores no LinkedIn e isso começou por um acaso. Fiz uma postagem como diretor de Tinder perguntando por indicações de agência e viralizou. Todo mundo mandava propostas pra mim.

Acho que a rede tem mais potencial do que para arrumar um emprego. E acho que é importante para quem quer fortalecer sua marca profissional. E a minha dica é para manter uma frequência de postagens, e não precisa ser nada muito longo. Também é importante se autêntico. Sempre fui o Andrea na plataforma, nunca fui a pessoa que outros esperavam que representasse de uma empresa X ou Y. É importante realmente ser você mesmo.

https://exame.com/carreira/como-dar-um-match-com-o-futuro-do-trabalho-ex-diretor-do-tinder-ensina/

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