Como carbonaras e tiramisùs engoliram a Itália: conheça os efeitos da ‘turistificação’ da comida

Embora a gastronomia seja essencial para a identidade e a economia do país, italianos temem que o excesso transforme os centros das cidades em algo caricatural

Por Emma Bubola – Estadão/(The New York Times) e Motoko Rich (The New York Times) 18/10/2025 

Parecia não haver fim para a expansão das iguarias italianas. Bolas de arroz arancine fritas, cannoli e Aperol spritz fluorescentes se espalhavam pelas toalhas de mesa quadriculadas em vermelho e verde dos 31 restaurantes lotados em uma única rua de Palermo, alimentando uma multidão poliglota e extasiada. “Este trecho aqui é magnífico: tem restaurante após restaurante”, disse Mark Smith, de 55 anos, turista australiano enquanto saboreava um Aperol spritz na Via Maqueda.

Para o prefeito de Palermo, isso foi spritz demais. Ele proibiu a abertura de novas cantinas na Via Maqueda e nas ruas adjacentes neste ano, admitindo que mesmo o santo Graal italiano da culinária havia atingido seu ponto de saturação. “Muito açúcar estraga o café”, afirmou o prefeito, Roberto Lagalla, mastigando ocasionalmente um charuto apagado durante uma entrevista num palazzo no centro histórico da capital da Sicília. O centro de Palermo “não deve se transformar numa vila gastronômica”, declarou ele.

Embora os italianos sejam fãs fervorosos de sua culinária nacional, muitos agora temem que ela esteja inundando os centros das cidades, sufocando o comércio local e a vida cotidiana em favor do turismo. Em Bolonha, Florença, Roma e Turim, as ruas foram transformadas no que os críticos veem como infinitos restaurantes ao ar livre servindo carbonara em frigideiras instagramáveis, enquanto mulheres esticam tagliatelle atrás de vitrines, em simulações num estilo de “zoológico de nonas”.

A massificação da imagem

As preocupações dos italianos não são simplesmente um desdém pelos turistas ou uma disputa estética, e sim uma questão que as autoridades têm levado a sério. As autoridades de Florença também proibiram a abertura de restaurantes em mais de 50 ruas. Embora a comida seja central para a identidade e a economia da Itália, alguns governantes e moradores temem que o excesso possa minar a própria autenticidade que ela celebra, transformando partes da Itália em uma versão caricatural e anacrônica de si mesma. “É um parque de diversões, não uma cidade”, disse Karen Basile, assistente social e moradora de Palermo, sobre a Via Maqueda.

Na última década, o aumento do turismo transformou os centros históricos das cidades italianas. Algumas se tornaram mais animadas e multiculturais. Outras começaram a se esvaziar por dentro. O centro de Roma perdeu mais de um quarto de seus residentes nos últimos 15 anos, e a população local caiu nas áreas centrais de Veneza e de Florença em taxas muito mais rápidas do que em outros bairros. As cidades italianas dependem cada vez mais do turismo, que representa 13% da economia do país, e as viagens enogastronômicas quase triplicaram na última década, de acordo com a agência nacional de turismo.

A mudança é visível nas placas de bed & breakfasts que lotam as entradas de edifícios de apartamentos residenciais e em frotas de minivans, carrinhos de golfe de dez lugares e malas extragrandes batendo nos paralelepípedos em vielas estreitas. E uma das manifestações urbanas mais invasivas da era do turismo é uma explosão de lojas de limoncello, tiras de tiramisù e onipresentes travessas de spaghetti que sobrecarregaram as ruas centrais. Na última década, centenas de novos restaurantes foram abertos nos destinos urbanos maiores e mais visitados, bem como em lugares que antes eram menos populares.

A participação dos italianos

O turismo por si só não é responsável pelo fechamento de lojas tradicionais ou mercadinhos. Os italianos frequentemente compram em supermercados, shopping centers ou online. No entanto, para muitos vendedores de alimentos, oferecer uma culinária italiana estereotipada para multidões de alto consumo, fáceis de agradar e que desembarcam de navios de cruzeiro se provou ser mais lucrativo do que sobreviver com uma banca de frutas ou peixes que atende a uma clientela local em declínio.

“É como se em uma rua aparecessem consumidores que fossem cegos, sem papilas gustativas e com um estômago de ferro”, disse Maurizio Carta, arquiteto de Palermo encarregado do planejamento urbano. “Os empresários se aproveitaram.”

Em Palermo, onde o turismo é responsável por quase 10% da economia, o número de restaurantes no centro da cidade dobrou nos últimos dez anos, de acordo com a Fipe, a federação italiana de empresas de alimentação e turismo. Depois que a Unesco reconheceu como Patrimônio da Humanidade a arquitetura normanda e árabe da cidade, em 2015, o número de visitantes passou a aumentar. No ano passado, passaram de 1 milhão, um salto de 50% em relação a cinco anos antes.

Em um dia do mês passado, alguns visitantes se maravilhavam com a opulenta catedral e a casa de ópera da cidade ou com as magnólias em seu jardim botânico. Para outros, a visita se concentrava mais nas arancine. “A ideia é aproveitar a comida e a bebida e estar com os amigos”, disse Jack McAuley, de 71 anos, controlador de tráfego aéreo aposentado da Força Aérea da Flórida, num mercado de alimentos no centro de Palermo, entre degustações de croquetes. “Eu não me importei muito com a história.”

Especialistas dizem que um frenesi alimentar global contribuiu para o que chamam de foodfication, ou gentrificação por meio da comida. O governo italiano abraçou a obsessão culinária, apresentando recentemente uma candidatura de patrimônio da Unesco para sua culinária variada e saborosa. “Às vezes, o Coliseu é uma desculpa para um americano entre um cacio e pepe e uma amatriciana”, disse Roberto Calugi, diretor-geral da Fipe, referindo-se a alguns dos pratos de massa mais populares da Itália.

Em vez de culpar os turistas, os anti-pasta italianos dizem que o governo fez muito pouco para desenvolver outras indústrias. De acordo com um ranking recente da European House-Ambrosetti, uma consultoria italiana, o país europeu está atrasado em inovação, pontuando abaixo de todas as principais economias europeias. “Por que não tentamos conseguir um novo Galileu em vez de apenas um monte de excelentes chefs?”, perguntou Salvatore Settis, ex-diretor da Scuola Normale Superiore, universidade em Pisa.

Os dois lados da moeda

Ao mesmo tempo, o turismo oferece uma tábua de salvação essencial para o emprego de muitos. Em uma conferência da indústria em Roma em setembro, a primeira-ministra, Giorgia Meloni, chamou o turismo de um “extraordinário gerador de riqueza e bem-estar”. Autoridades em Palermo disseram que as reformas destinadas a atrair turistas aprimoraram uma área que estava dilapidada e perigosa até o início dos anos 2000, ainda ostentando as cicatrizes dos bombardeios da Segunda Guerra Mundial e de uma história de assassinatos da Máfia.

As melhorias turísticas estão “tornando o centro da cidade melhor do que era antes”, disse Alessandro Anello, à frente do Turismo de Palermo. Valeria Vitrano, guia turística em Palermo, reclamou que seu vendedor de vegetais preferido recentemente converteu sua banca em um restaurante e que o aumento dos aluguéis expulsou seus amigos do centro da cidade. Ainda assim, ela reconheceu que o turismo lhe oferecia um emprego. “Eu estou nisso”, disse ela. “Essa é a luta.”

Recentemente, visitantes passeavam pelas poucas bancas de vegetais e peixes que restavam no Mercato del Capo de Palermo. O mercado, que costumava vender abobrinhas, pêssegos, peixes e carne bovina para moradores locais, agora oferece principalmente macarrão em espiral no palito, biscoitos de marzipan em forma de cannoli e comida de rua frita para turistas.

Uma turista parou para perguntar a um vendedor de frutas se ele lhe daria uma castanha grande e redonda de sua banca enquanto ela empunhava um selfie stick. Paolo di Carlo, de 67 anos, a terceira geração de uma família vendedora de frutas, contou que em alguns dias mal conseguia faturar € 100,. “Perdemos todos os nossos clientes”, disse Di Carlo. “Agora é tudo fast food aqui.”

Autoridades em Palermo disseram que a administração local continuaria a promover o turismo, enquanto também buscava atrair conferências corporativas e fornecer internet de alta velocidade para nômades digitais. Limitar novas licenças de restaurantes, disse Carta, também evitaria que outras ruas se tornassem monoculturas de Aperol spritz. A bebida, aliás, não se originou na Sicília, mas no norte da Itália.

Os visitantes numa noite recente de semana não se importavam. “Normalmente eu bebo cerveja”, disse Gasper Bervar, de 20 anos, um estudante universitário da Eslovênia sentado na Via Maqueda com sua namorada. “Mas já que estou na Sicília, devo tomar um Aperol spritz.”

Como carbonaras e tiramisùs engoliram a Itália: conheça os efeitos da ‘turistificação’ da comida – Estadão

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Serão os leitores as novas tartarugas?

Numerosos estudos mostram que a leitura está em queda livre mesmo em países ricos, como nos EUA e no Reino Unido

Por Isabel Clemente – Valor – 17/10/2025 

Carioca, é formada em Jornalismo pela PUC-Rio e mestre em Escrita Criativa pela Royal Holloway, University of London

Estamos mesmo caminhando para uma sociedade de iletrados, incapazes de ler e interpretar um texto mais longo, de pensar com os próprios neurônios ou de focar numa tarefa intelectual que demande um pouco mais de tempo e massa cinzenta?

Num artigo intitulado “O surgimento da sociedade pós-letrada”, James Marriott, colunista do “Times” inglês, traça um cenário bem pessimista. Ao analisar historicamente o interesse pela leitura, desde a invenção da imprensa em meados do século 18, quando os livros deixaram de ser um privilégio das elites, ao atual descaso generalizado, Marriott adota um tom alarmista. Ele nos lembra que aquela revolução foi “uma democratização sem precedentes da informação; a maior transferência de conhecimento para as mãos de homens e mulheres comuns da história”. Marriott argumenta que a realidade impressa é “ordeira, lógica e racional” porque os livros “classificam o conhecimento” e que, agora, trezentos anos depois, na era digital, “os livros estão morrendo.” Com vários outros exemplos sobre uma geração com vocabulário limitado e perdas cognitivas, o que se vê, diz, é “uma tragédia intelectual”.

E a tragédia afeta a indústria. O mercado editorial passa por adaptações – algumas considero graves, como a substituição do trabalho humano pelo você sabe o quê, quando capas, revisão, textos são terceirizados para a inteligência desumana, sem personalidade. Por mais avançados que os programas estejam, eu detecto na hora a diferença para pior. Mas muita gente não reclama, argumenta um amigo do mercado. É uma escolha de Sofia. Diante de vendas em queda – para não falar de dumping, aquela prática desleal que parece não chatear mais ninguém, quando um livro é vendido abaixo do custo da editora ou de livrarias de rua –, em quem apostar? No conteúdo excelente ou no autor com milhares de seguidores, ainda que escreva bobagem?

Eu, às vezes, recebo pedidos de ajuda de pessoas que não fazem a mínima ideia sobre como publicar seus livros. Sonham em vê-los por aí editados. Mas é cada vez mais difícil para uma pequena editora bancar um livro. Geralmente, os autores precisam investir.

Ao mesmo tempo, acompanho com algum entusiasmo as iniciativas que botam as pessoas para ler. Sabe aqueles vídeos que mostram dezenas de pessoas reunidas num parque em Londres para ler juntas? Sonho. Queria repetir isso por aqui. Infelizmente, quando vemos estatísticas de bestseller, não temos como saber quantas pessoas leram o livro que compraram, o que nem sempre é por falta de mérito do livro. Eu mesma tenho livros esperando por mim nas prateleiras. Uma hora, leio. Outras tantas pessoas compram por comprar. Livros comprados e não lidos reforçam o ocaso do artigo de James Marriott? Ou são um mal menor?

Marriott chama tudo isso de contrarrevolução. “Numerosos estudos mostram que a leitura está em queda livre. Mesmo os críticos mais pessimistas do século 20 da era das telas teriam dificuldade em prever a magnitude da crise atual.” Ele cita pesquisas mostrando que as pessoas estão desistindo de ler por prazer nos Estados Unidos, no Reino Unido, onde o índice de literacia sempre foi mais alto do que o brasileiro. Exames internacionais mostram perdas cognitivas em jovens que passam cada vez mais horas diante das telas.

Bem, eu li esse artigo na tela do meu celular. Leio livros digitais e todos os jornais que assino no computador. Faltam pesquisas qualitativas sobre o que fazemos com nosso tempo de tela?

Já triste e desencantada da vida, terminei de ler o artigo de Marriott, pensando o que dizer para o amigo que me enviou o texto perguntando minha opinião. O amigo é um homem da ciência, pHD, radicado há anos no Canadá. Pensando nele e nas pessoas que continuam produzindo conhecimento enquanto o deserto da leitura se espalha, concluo que não somos um bando de iletrados, afinal. E que, se é verdade que, para cada ação, há uma reação de igual força no sentido contrário, é questão de tempo vermos uma nova revolução. Mais auspiciosa, claro. Está aí a comida de verdade brigando contra a ultraprocessada e outros exemplos.

Há pouco mais de 40 anos, as tartarugas estavam na lista dos animais que corriam risco de desaparecer. Foi preciso um trabalho árduo de dezenas de ativistas para reverter a situação. Não foi da noite para o dia, nem de uma hora para outra, mas isso me traz alguma esperança. Precisamos urgentemente de um trabalho consistente e uma campanha em defesa das pessoas leitoras, para que elas não entrem em extinção. E aí, não me leve a mal, eu acho que ler bobagem também faz parte dessa ação.

Isabel Clemente é formada em Jornalismo pela PUC-Rio e é mestre em Escrita Criativa pela Royal Holloway, University of London. E-mail: isabelclemente.writer@gmail.com

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Poder do Campo: Agro já responde por 29% da energia ofertada no Brasil; veja gráficos

História de Igor Savenhago – msn – 15/10/2025 

A participação do agronegócio na matriz energética brasileira já representa quase um terço de toda a energia ofertada no País. Segundo estudo do Observatório de Bioeconomia da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado em maio com base no Balanço Energético Nacional (BEN), recursos oriundos de atividades agropecuárias foram responsáveis por 29,1% da energia usada no Brasil em 2023. Entre as principais fontes estão a biomassa da cana-de-açúcar, o etanol e o biodiesel.

Quando considerada apenas a parcela renovável da matriz — energia gerada a partir de recursos naturais que se regeneram continuamente —, o percentual de participação do agro sobe para 60%. Os outros 40% são preenchidos pelas fontes de energia hidrelétrica (24,02%), eólica (5,24%), solar (3,46%%), lenha de vegetação natural (6,98%) e biogás proveniente de resíduos não agrícolas como o lixo doméstico (0,22%).

Esse protagonismo do agro tem sido impulsionado por iniciativas que ampliam e diversificam as fontes de geração. Em Fortaleza, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Universidade Federal do Ceará (UFC) criaram um sistema para transformar em biogás frutas e verduras que seriam descartadas.

Em Santiago (RS), está sendo construída a primeira usina de etanol de trigo do País, com capacidade para processar cem toneladas do cereal por dia e produzir até 12 milhões de litros de etanol hidratado por ano.

Paralelamente, uma empresa brasileira, com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), da Universidade Estadual de Maringá (PR) e investimentos de um ministério da Alemanha, planeja inaugurar, em 2026, uma planta-piloto para gerar 100 mil litros por ano de combustível sustentável de aviação (SAF), a partir de resíduos orgânicos — principalmente do setor sucroenergético. A meta é atingir, nos próximos anos, volume entre 40 milhões e 80 milhões de litros anuais.

Desde o início da década de 1970, período que antecedeu o lançamento do Proálcool, a trajetória da bioenergia gerada pelo agro tem sido de ascensão contínua: passou de 6,5 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (TEP) – unidade usada para comparar diferentes fontes de energia com base no poder calorífico do petróleo — para mais de 91 milhões em 2023. De acordo com Luciano Rodrigues, um dos autores da pesquisa, isso contribui para que o Brasil tenha uma das matrizes energéticas mais renováveis do mundo.

Conforme o estudo, a lenha e o carvão vegetal respondiam, no início dos anos 1970, por 40% da energia proveniente da agropecuária. Esse perfil começou a mudar justamente com o Proálcool, que promoveu um avanço expressivo da cana-de-açúcar.

Entre 1988 e 2003, porém, o mercado canavieiro foi impactado por uma crise no setor de etanol, enquanto a oferta de lixívia (resíduo da indústria de papel e celulose) passou de 1,2 milhão para 3,7 milhões de TEP.

A partir de 2003, a energia canavieira voltou a crescer, graças aos veículos flex e à bioeletricidade gerada com o bagaço — atualmente, a biomassa da cana já corresponde a 48% da energia fornecida por petróleo e derivados no Brasil. Lixívia, lenha e carvão vegetal também cresceram.

“Os números surpreenderam. Eu tinha ideia da importância da bioenergia do agro, mas não com esses resultados. Se tirarmos essa bioenergia da matriz energética, o percentual de energias renováveis no Brasil cai para 20%, próximo da média mundial”, afirma Rodrigues. Para o pesquisador, as condições da agropecuária nacional, como disponibilidade de área, clima favorável, solo fértil e tecnologia adaptada à agricultura tropical, serão determinantes para que esse desempenho seja ainda maior nos próximos anos. “O mundo está procurando soluções para reduzir poluentes. Nós não vamos ter a bala de prata, mas podemos oferecer diversas opções.”

Projeções

Outro estudo, feito pela Imma, organização especializada no desenvolvimento de metodologias para análise de cenários futuros, a pedido da consultoria Treesales e apresentado na Fenasucro & Agrocana, maior feira mundial de bioenergia, realizada em Sertãozinho (SP), em agosto, apontou que os potenciais do segmento estão amparados em três eixos. O primeiro é o da biotecnologia, com avanços previstos para o etanol de milho, o etanol de segunda geração da cana — que pode adicionar 40 bilhões de litros à produção brasileira sem necessidade de expandir área —, o SAF, com o Brasil sendo capaz de assumir 25% do mercado mundial até 2030, além do hidrogênio verde.

O segundo eixo é a digitalização das operações, que permitiria reduzir os custos de produção em 30% e aumentar a produtividade em 20%, também até 2030. O terceiro é a capacidade demonstrada pelo setor para se tornar carbono negativo no mesmo período, sequestrando 50 milhões de toneladas de CO2 anuais por meio de práticas regenerativas. “Com isso, há 65% de chances de que, até lá, o Brasil esteja posicionado como líder global em bioeconomia, com uma produção bastante diversificada”, afirma Luciano Fernandes, CEO da Treesales. Como principais desafios, ele cita a defesa de políticas públicas e de uma legislação capazes de estimular a bioenergia.

Investimentos

A Geo bio gas&carbon vai investir R$ 20 milhões na construção de uma planta-piloto para produção de SAF a partir de resíduos do setor sucroenergético e outros materiais orgânicos. Prevista para operar como anexo de uma das unidades da empresa, a planta deverá entregar combustível de aviação com pelo menos 50% menos emissões de gases do efeito estufa. O projeto se alinha ao PL do Combustível do Futuro, que prevê redução obrigatória nas emissões do setor aéreo a partir de 2027.

Outros empreendimentos também apontam para a diversificação das fontes. A primeira usina de etanol de trigo, em implantação em Santiago (RS), pela CB Bioenergia, conta com investimentos de R$ 100 milhões. A produção inicial, de 12 milhões de litros por ano, deverá se expandir para 45 a 50 milhões de litros até 2027, exigindo novos aportes de R$ 500 milhões. A empresa informou que está em fase final de comissionamento para logo começar as operações.

O que já está em operação é o sistema desenvolvido pela Embrapa e pela Universidade Federal do Ceará, que transforma frutas e verduras impróprias para consumo em biogás. Testado por cinco anos em parceria com a Ceasa de Fortaleza, que descarta de 17 a 25 toneladas de alimentos por dia, o modelo usa reatores anaeróbicos e gera de 40 a 60 litros de biogás por quilo de matéria-prima, segundo o pesquisador Renato Leitão.

Ainda em fase experimental, pode ser expandido para as 57 Centrais de Abastecimento do País e packing houses, ajudando a combater o desperdício, que chega a 42% da produção brasileira, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO

Poder do Campo: Agro já responde por 29% da energia ofertada no Brasil; veja gráficos

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Um novo polo de tecnologia desponta na América do Sul, impulsionado por energia limpa e uma aposta ambiciosa em inovação

Isabelle Miranda – Money Times – 14 out 2025

O Paraguai quer se reinventar como potência tecnológica, atraindo big techs e startups com energia 100% limpa, impostos baixos e um novo ecossistema de inovação

O Paraguai pode parecer um protagonista improvável na corrida global por tecnologia, mas o país vizinho começa a chamar atenção de investidores e gigantes do setor. O motivo? Um recurso que o mundo inteiro deseja — e que o Brasil ainda não consegue oferecer na mesma escala: energia limpa, barata e abundante.

No comando dessa transformação está Gabriela Cibils, engenheira paraguaia formada em computação e neurociência pela Universidade da Califórnia, em Berkeley. Após quase uma década no Vale do Silício, atuando em startups americanas, ela decidiu voltar ao país natal para ajudar a erguer um ecossistema de inovação do zero.

Hoje, Cibils é sócia da Cibersons, empresa de tecnologia e investimentos com sede em Assunção, e uma das vozes mais influentes do movimento que quer transformar o Paraguai em um hub tecnológico regional. “Depois de ver de perto o impacto da tecnologia no Vale do Silício, senti que era minha responsabilidade trazer essa mentalidade para casa”, afirmou.

Energia limpa e barata: o trunfo paraguaio

Enquanto muitos países sonham em desenvolver um setor de tecnologia competitivo, o Paraguai tem uma vantagem rara: quase 100% da sua energia vem de fontes hidrelétricas.

O coração dessa força está em Itaipu, uma das maiores usinas hidrelétricas do planeta, localizada na fronteira com o Brasil. O complexo gera cerca de 90% da eletricidade consumida no Paraguai e 10% da brasileira — o que torna o país um dos maiores exportadores de energia renovável do mundo.

Esse excedente energético reduz drasticamente os custos locais de eletricidade, os mais baixos da América do Sul — um atrativo poderoso para empresas que operam data centers e estruturas de inteligência artificial, setores de alto consumo energético.

“Para quem quer instalar um data center de IA, a energia hidrelétrica do Paraguai é um diferencial competitivo — ela é renovável, estável e constante, ao contrário da solar ou eólica”, explica o desenvolvedor de software Sebastián Ortiz-Chamorro, à BBC.

Governo quer atrair gigantes da tecnologia

O presidente Santiago Peña tem buscado aproximação com grandes empresas de tecnologia nos Estados Unidos, incluindo o Google e outras big techs, para discutir possíveis investimentos.

Segundo o ministro da Tecnologia e Comunicação, Gustavo Villate, o país reúne condições estratégicas: população jovem (idade média de 27 anos), energia limpa, impostos baixos e estabilidade econômica.

O governo está desenvolvendo um Parque Digital próximo ao aeroporto de Assunção, com investimento inicial estimado em US$ 20 milhões. O espaço abrigará empresas privadas, uma universidade de tecnologia em parceria com Taiwan e infraestrutura voltada a startups.

“O que queremos é um ecossistema integrado entre governo, empresas e universidades”, disse Villate disse à BBC. “Esse é o ponto-chave para atrair investidores estrangeiros.”

A formação de mão de obra é outro pilar da estratégia. De acordo com Vanessa Cañete, presidente da Câmara Paraguaia da Indústria de Software, o país vem ampliando programas de capacitação para engenheiros, programadores e desenvolvedores.

Cañete também é fundadora da ONG Girls Code, que oferece oficinas de programação e robótica para meninas e jovens mulheres. Desde 2017, mais de 1.000 alunas já participaram dos cursos.

Apesar do entusiasmo, os desafios persistem. Cibils reconhece que o país ainda enfrenta burocracia e lentidão contratual, fatores que podem afastar investidores acostumados a ambientes mais ágeis.

Mesmo assim, ela se mantém otimista: “Se colocarmos a inovação no centro e aproveitarmos os benefícios que já temos, o Paraguai pode se tornar uma superpotência tecnológica.”

Por Isabelle Miranda

Repórter

Jornalista com especialização em Gestão de Mídias Digitais. Atua como repórter nos portais de notícias Money Times e Seu Dinheiro.

isabelle.miranda@seudinheiro.com

Um novo polo de tecnologia desponta na América do Sul, impulsionado por energia limpa e uma aposta ambiciosa em inovação – Money Times

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5 lições inspiradoras das campeãs da inovação de 2025

Agora é momento certo para sua organização adaptar essas lições e dar mais passos em direção à transformação do negócio

Por Luiz Serafim – Época Negócios – 14/10/2025 

Escritor e músico, com experiência de 30 anos como líder de marketing, inovação e diretor de Comunicação da 3M

Prêmios de inovação trazem uma contribuição mais preciosa do que simplesmente anunciar um ranking de empresas inovadoras. Funcionam como um registro histórico do tempo presente, uma espécie de checkup da vitalidade empresarial, reunindo sinais de como a inovação está sendo desenvolvida, aplicada e percebida.

O Prêmio Valor Inovação Brasil é o mais prestigiado reconhecimento de inovação empresarial do Brasil, e sua 11ª edição aconteceu no último mês de agosto. Tive o privilégio de ser um dos 3 especialistas convidados a colaborar com as avaliações de 2025.

Convido os leitores a descobrirem como a inovação está sendo cultivada e priorizada pelo empresariado. Boa parte dos projetos atuais giram em torno de aplicações de IA para produtividade. Sinal dos tempos em que vivemos. Quase lembrei do álbum de 1994 do cantor Falcão chamado “O dinheiro não é tudo, mas é 100%”. Adaptando o mote para as atuais cozinhas da inovação, ficaria “A IA não é tudo, mas é quase 100%”.

Felizmente, ainda há espaço para inovações em produtos e serviços, modelos de negócio, desenhos organizacionais, captura de valor e experiência do cliente, sem ter a IA como única protagonista. Para a felicidade geral da nação e do planeta, a inovação não está sendo avaliada só em função de eficiência e digitalização, mas também pela adoção de práticas sustentáveis. Uma notícia reconfortante!

A premiação foi abrangente ao avaliar 264 organizações que atuam em 25 segmentos de mercado. Não dá para resumir num único artigo todas as boas práticas compartilhadas, mas selecionei as principais inspirações das 10 empresas mais inovadoras de 2025.

Ecossistemas de inovação

As campeãs brasileiras cultivam fortes relações com ecossistemas de inovação. A iniciativa Natura Campus, da líder do ranking, começou em 2009 e realizou 45 parcerias junto à comunidade científica em 2024. O Natura Startups, mais recente, reuniu 69 empresas com foco em biotecnologia e bioeconomia e realizou 73 projetos de inovação. Esse projeto foi responsável por grande parte dos 267 produtos lançados em 2024. Enquanto isso, o fundo Natura Ventures impulsionou a plataforma de serviços de beleza e bem-estar Bluma.

A Wayra, fundo de corporate venture capital da Vivo, foca nas startups brasileiras desde 2012. Seu investimento na Beegol gerou a implantação de um novo sistema de monitoramento nos modems instalados nas casas de mais de 7 milhões de clientes Vivo Fibra. Já a Vivo Ventures é o braço que investe em empresas maduras como a Klubi (consórcio), a Agrolend (fintech) e a Conexa (telemedicina).

O Einstein Hospital Israelista participa da rede Emprapii, nutre parceria com o Ministério da Saúde, tem um laboratório de design, um centro de inovação e tecnologia (CITS), o fundo de investimento Arava e a aceleradora Eretz.bio, que aposta atualmente em 42 startups.

O Grupo Boticário tem parcerias com USP, MIT, Einstein, Senai, CESAR, Embrapii e diversas startups, contando com programas de aceleração e aportes do fundo GBV. Na CNH Industrial, parcerias com PUC-PR, Unicamp, Agricef e startups como SaveFarm e Bem Agro impulsionam o desenvolvimento de tecnologias para o campo e construção civil.

Uso de tecnologias emergentes

Tecnologia sempre é um dos maiores vetores de transformação, e as organizações mais inovadoras priorizam essa dimensão em suas estratégias. Vice-líder do ranking 2025, o Einstein vem investindo em IA, genômica, telemedicina e plataformas digitais para transformar a experiência do paciente e ampliar o acesso à saúde. Desde 2016, tem uma área de Big Data e Analytics; seus esforços em IA disponibilizam 120 algoritmos para melhorar a gestão hospitalar.

Os drones e plataformas digitais da Eletrobrás auxiliam na manutenção de linhas de transmissão e na previsão de eventos climáticos extremos. Na Embraer, a plataforma SmartPlanning, baseada em IA, otimiza a gestão de materiais e estoques, enquanto o projeto eVTOL — veículo elétrico de decolagem vertical — tocado pela spin-off Eve Air pensa a mobilidade aérea urbana com tecnologias de ponta.

A Vivo explora digital twins, IA para otimização de rede e monitoramento proativo de modems; a WEG integra sensores e IA para manutenção preditiva de máquinas; a CNH investe em conectividade rural com a Starlink, e em plataformas digitais como o FieldOps, que integram IA para gestão de frotas; a Energisa usa algoritmos para prever padrões irregulares de consumo e o momento de fazer a manutenção e substituição de equipamentos.

Recursos para inovação

A consolidação de equipes, recursos financeiros, processos e laboratórios de inovação permite transformar oportunidades em soluções tangíveis. A Embraer investe 5% do seu faturamento em P&D, tem mais de 800 patentes registradas e trouxe como destaque para essa edição seu “laboratório voador” — a Plataforma Demonstradora de Novas Tecnologias (PDNT) —, um exemplo de como testar tecnologias emergentes, como propulsão híbrida, materiais avançados e pilotagem autônoma com agilidade e segurança.

O Boticário, além de contar com 400 profissionais em P&D, fez saltar de 200 para 3 mil o número de funcionários na área de TI, evidenciando um redesenho organizacional ambicioso para transformar a organização em uma beauty tech.

A Weg investe cerca de 2,8% da receita operacional líquida em P&D; a Eletrobrás centralizou a operação de monitoramento de ativos e dados climáticos em um único centro, reunindo meteorologistas, cientistas de dados e profissionais de operação para otimizar a gestão de suas hidrelétricas e linhas de transmissão, enquanto a Petrobras tem mil pesquisadores atuando em 116 laboratórios no seu centro de pesquisas (Cenpes).

Inovação sustentável

As líderes do ranking nacional entendem que inovação e sustentabilidade caminham juntas. Na Natura, a criação da plataforma Amazônia 5.0 — integrando tecnologias ômicas, machine learning e bioinformática — levou à descoberta de 46 bioingredientes com origem na sociobiodiversidade regional, colaborando para preservar mais de 2 milhões de hectares.

A Petrobras aloca o montante de US$ 1 bilhão para projetos de “baixo carbono”, englobando pesquisas de fontes de energia renovável como biodiesel, biometano, etanol, eólica, solar e hidrogênio, além de captura e armazenamento de carbono.

A CNH aplica tecnologia em seus equipamentos pulverizadores, reduzindo em mais de 80% o uso de herbicidas, além de trabalhar no desenvolvimento de máquinas movidas a etanol. A WEG desenvolve motores industriais mais eficientes, focando em eficiência energética e redução de emissões. Já a Energisa estuda as possibilidades de serviço alinhadadas ao avanço de fontes variáveis de energia.

E o Grupo Boticário traz um sopro novo e necessário, aplicando inovação e tecnologia voltadas à diversidade e inclusão: a empresa criou o primeiro “batom inteligente” que, junto com os pincéis acessíveis da marca Make B, refletem a responsabilidade social no negócio.

Inovação guiada por propósito e cultura

Empresas maduras em inovação apostam na evolução constante de sua cultura, derrubando barreiras, investindo em aprendizagem, colaboração e mentalidade de crescimento. Como o Boticário, a Embraer envolve mais de 20 mil funcionários nos processos de inovação por meio do programa “Embaixadores da Inovação”.

Já a Vivo aposta no programa Shapers, que atua como catalisador de novos negócios e soluções digitais, mostrando que propósito e cultura caminham lado a lado na construção de ambientes propícios à inovação.

Na WEG, a empresa estimula todos os colaboradores a contribuírem com ideias, conectando ganhos de lucros à participação nos resultados. A companhia criou também um programa para formar profissionais capacitados a desenvolver soluções com IA, além de investir em programas de intercâmbio com fábricas de outros países.

Resultados e impacto

Em um ambiente de negócios com atenção geral redobrada para a geração de resultados pela inovação, as campeãs de 2025 têm uma visão pragmática que prioriza programas estratégicos, mensuráveis, capazes de contribuir para seu presente e futuro.

No Boticário, 27% das vendas totais de 2024 vieram de produtos lançados nos últimos 12 meses, com a média de 5 mil novos itens introduzidos anualmente. A WEG obteve 55% de seu faturamento com produtos lançados nos últimos cinco anos, e alcança reduções significativas de custo com projetos da industria 4.0.

A Vivo transformou novos negócios digitais em 11% da receita, com projetos que vão de serviços B2B a soluções para o consumidor final, gerando R$ 130 milhões via startups conectadas. Estes resultados comprovam que a inovação, quando alinhada a propósito, estrutura, tecnologia e parcerias, cria impacto real.

Como sempre defendo como professor, palestrante e consultor, Inovação é fruto de um sistema influenciado por múltiplos ingredientes. Nesse artigo, compartilhei algumas das inspirações das Top 10 empresas mais inovadoras do Prêmio Valor Inovação Brasil 2025: estratégia; recursos alinhados; conexão com ecossistemas; desenvolvimento de tecnologias; cultura em constante evolução; visão sustentável e foco em resultados.

Agora é momento certo para sua organização adaptar essas lições e dar mais passos em direção à transformação do negócio. Mãos à obra!

5 lições inspiradoras das campeãs da inovação de 2025 | O Poder da Inovação | Época NEGÓCIOS

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O colapso da economia do conteúdo na internet

  • Mudança de buscadores para ‘respondedores’ transforma economia da internet e valoriza conteúdos de nicho
  • Equipes em Hollywood caem enquanto geradores de vídeo como Sora 2 produzem conteúdo profissional

Ronaldo Lemos – Folha – 12.out.2025 

O jornal WSJ relatou há pouco a crise de Hollywood, umas das indústrias até então mais pujantes do planeta. A ocupação dos estúdios de gravação ficava estável em 95% nas últimas décadas. Nos últimos meses caiu para 62%. O mesmo vale para a procura por figurinistas, animadores, cenaristas, câmeras etc.

Profissionais de Los Angeles que trabalhavam sem parar agora esperam meses por outra oportunidade. Vários já consideram empregos em supermercados ou como motoristas.

As razões são várias. Uma é que Hollywood passou a priorizar poucas produções caras (blockbusters) em detrimento de um fluxo constante. Outra é a concorrência com o Netflix, que internacionalizou sua produção.

Mas o fator determinante que pode transformar Los Angeles em “Los Fantasmas” é a inteligência artificial. Geradores de vídeo como o Veo3 ou o Sora 2 conseguem produzir hoje conteúdo de qualidade profissional sem estúdios ou câmeras. O Sora 2 da OpenAI foi baixado por 1 milhão de pessoas em 5 dias (mesmo sendo acessível só por convite), superando a curva de adoção do ChatGPT.

Cada pessoa que baixa o aplicativo é um concorrente potencial dos estúdios. Vimos isso no Brasil com a Marisa Maiô. A apresentadora de TV criada com IA por Raony Phillips virou garota propaganda do Magalu, Tim, OLX e outras marcas. Raony cria os vídeos da apresentadora trabalhando sozinho em Maricá no Rio com o Veo3.

Mas o colapso é maior. O cataclisma está acontecendo mesmo na internet. Até agora, o motor econômico para criadores era ser indexado pelo Google. O buscador listava links, que por sua vez geravam tráfego para os criadores, que se remuneravam com os acessos.

Esse modelo caiu com a IA. Cada vez mais pessoas fazem buscas usando inteligência artificial. Buscas que retornam respostas prontas, que praticamente não geram tráfego nem cliques. Estamos mudando de um modelo de buscadores para um de “respondedores”.

Isso já acontece no próprio Google. Antes de apresentar a lista de links, o Google agora apresenta no topo uma resposta gerada por IA. Essa resposta geralmente é satisfatória para o usuário, que não clica em mais nada.

A repercussão é gigantesca e gera perdedores e vencedores. Os perdedores são aqueles que produzem conteúdo geral. Os vencedores, aqueles que criam conteúdos específicos, de nicho e granulares. Isso é visível comparando os valores recebidos pelo Reddit e pelo New York Times ao licenciar seu conteúdo para empresas de IA. Para cada dólar pago por um token (quantidade de informação) do New York Times, o Reddit recebeu 7 vezes mais.

A razão é que o Reddit tem conteúdos muito específicos, obscuros e nichados. As empresas de IA estão sedentas por especificidade. Nessa perspectiva, escrever críticas dos restaurantes de Araguari torna-se mais valioso do que avaliar os restaurantes mais badalados de São Paulo.

E claro, há também pactos fáusticos. Aparecer listado no Google significa aceitar que o conteúdo aberto na rede seja usado para treinar IA. Quem quiser impedir isso, bloqueando os robôs de IA, sai também da indexação nas buscas.

Essas transformações estão só no começo. Haverá próximos capítulos.

Já era – empresas de tecnologia criando principalmente software

Já é – empresas de tecnologia construindo infraestrutura física

Já vem – empresas de tecnologia virando empresas de energia

O colapso da economia do conteúdo na internet – 12/10/2025 – Ronaldo Lemos – Folha

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Energia das ondas se transforma em eletricidade no porto de Los Angeles

  • Projeto usa estruturas com remos para gerar energia elétrica com movimento do mar
  • Instalação teria capacidade para abastecer 60 mil residências

Romain Fonsegrives – Folha – 6.set.2025 

San Pedro (EUA) | AFP

Remos azuis flutuantes dançam sobre as ondas que banham um cais no porto de Los Angeles, nos EUA, convertendo silenciosamente a energia do mar em eletricidade utilizável.

Esta inovadora instalação poderia ser uma das chaves para acelerar a transição para o abandono dos combustíveis fósseis, necessária segundo os cientistas para que o mundo evite os piores efeitos das mudanças climáticas.

“O projeto é muito simples e fácil”, afirmou Inna Braverman, cofundadora da startup israelense Eco Wave Power.

Com uma aparência semelhante às teclas de um piano, os flutuadores sobem e descem com cada onda. Estão conectados a pistões hidráulicos que impulsionam um fluido biodegradável através de tubulações até um contêiner cheio de acumuladores, que se assemelham a grandes tanques de mergulho vermelhos.

Ao liberar a pressão, gira uma turbina que gera corrente elétrica.

Se este projeto piloto convencer as autoridades californianas, Braverman espera cobrir a totalidade dos 13 quilômetros do quebra-mar que protege o porto com centenas de flutuadores que, em conjunto, produziriam eletricidade suficiente para abastecer 60 mil residências da região.

Os defensores desta tecnologia afirmam que a energia undimotriz, isto é, a obtida do movimento das ondas do mar, é infinitamente renovável e sempre confiável.

Diferentemente da energia solar, que não produz nada à noite, ou da energia eólica, que depende do clima, o mar está sempre em movimento. E há muito mar.

TECNOLOGIA ROBUSTA

As ondas da costa oeste dos Estados Unidos poderiam, em teoria, abastecer 130 milhões de residências, ou fornecer cerca de um terço da eletricidade que é consumida anualmente no país, segundo o Departamento de Energia dos EUA.

No entanto, a energia undimotriz continua sendo a parente pobre de outras energias renováveis mais conhecidas e não foi comercializada com sucesso em grande escala.

A história do setor está cheia de naufrágios empresariais e projetos afundados pela brutalidade do alto mar.

Desenvolver dispositivos suficientemente robustos para suportar a fúria das ondas, ao mesmo tempo em que transmitem eletricidade através de cabos submarinos até a costa, tem se mostrado uma tarefa impossível até agora.

“99% dos competidores optou por instalá-los no meio do oceano, onde é extremamente caro e se estragam constantemente, o que impede que as iniciativas prosperem”, afirmou Braverman.

Com seu dispositivo retrátil montado no cais, esta empreendedora acredita ter encontrado a solução. “Quando as ondas são altas demais para o sistema, os flutuadores simplesmente sobem até que a tempestade passe, evitando assim danos”, comentou.

O design parece atraente a Krish Thiagarajan Sharman, professor de engenharia mecânica na Universidade de Massachusetts Amherst, cujo laboratório está testando diversos equipamentos de energia undimotriz.

“O calcanhar de Aquiles da energia undimotriz está nos custos de manutenção e inspeção”, avaliou Sharman. “Por isso faz muito sentido ter um dispositivo perto da costa, onde se possa caminhar sobre um quebra-mar e inspecioná-lo”, acrescentou o especialista, que não está associado ao empreendimento de Braverman.

DEMANDA DE ENERGIA POR IA

A cofundadora da startup responsável pelo projeto já identificou dezenas de locais nos Estados Unidos que seriam aptos para projetos similares.

Seu empreendimento é anterior ao governo do presidente republicano Donald Trump, mas mesmo antes que o clima político em Washington se voltasse contra as energias renováveis, a Eco Wave Power já tinha o olhar voltado para além dos Estados Unidos.

Em Israel, até 100 residências no porto de Jaffa receberam energia das ondas desde dezembro. Para 2026, espera-se que 1.000 residências no Porto, em Portugal, tenham conexão à internet. E também há instalações previstas em Taiwan e Índia.

Braverman sonha com projetos de 20 megawatts (MW), uma capacidade para oferecer eletricidade a preços competitivos com a energia eólica. E, segundo afirmou, as instalações não prejudicarão a fauna local.

“O impacto ambiental é zero. Nos conectamos a estruturas artificiais existentes, que já alteram o meio ambiente”, comentou.

Promessas como esta repercutem na Califórnia, onde a Comissão de Energia destacou em um relatório recente o potencial da energia undimotriz para ajudar o estado a alcançar a neutralidade de carbono até 2045.

“A quantidade de energia que consumimos não para de aumentar com a era da inteligência artificial (IA) e os data centers”, afirmou Jenny Krusoe, fundadora da AltaSea, uma organização que ajudou a financiar o projeto.

“Portanto, quanto mais rápido pudermos estender esta tecnologia à costa, melhor para a Califórnia”, disse.

Energia das ondas se transforma em eletricidade nos EUA – 06/09/2025 – Mercado – Folha

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Letramento em IA: o novo desafio da educação brasileira

Enquanto países como Japão, China e Estônia já formam estudantes para pensar com IA, o Brasil tenta reagir a um fenômeno que já ocupa as salas de aula, mas ainda está em discussão no MEC

CAMILA DE LIRA –  Fast Company Brasil – 11-10-2025 

A inteligência artificial entrou nas escolas brasileiras sem pedir licença e segue sem direção no currículo pedagógico nacional. 

Sete em cada dez estudantes do ensino médio já recorrem a ferramentas generativas para fazer trabalhos e pesquisas, segundo o Comitê Gestor da Internet (CGI-Br).

Mais da metade dos professores também usa as ferramentas para preparar aulas ou corrigir provas, de acordo com a Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (na sigla em inglês, Talis), pesquisa coordenada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Enquanto isso, o Ministério da Educação (MEC) ainda está em conversas iniciais para criar um referencial nacional sobre uso ético da IA na educação. 

Veja também

A ausência de políticas públicas e de formação docente faz com que o uso da tecnologia cresça sem critérios éticos ou propósito pedagógico. 

Esse é o cenário ideal para o uso “pasteurizado” da tecnologia, avalia o educador, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e head do Proz Educação (empresa focada em ensino técnico e profissionalizante), Luciano Meira.

“Todo mundo faz redação com IA, o professor corrige com IA também. As IAs ficam conversando, ninguém desenvolve pensamento crítico, nem capacidade de aprendizagem”, afirma.

REMODELAR A ESCOLA É REVISAR O PRÓPRIO PROPÓSITO DO ENSINO.

Nos últimos 12 meses, Japão, China e Estônia aprovaram políticas nacionais que tratam o uso da inteligência artificial como parte do processo de aprendizagem, e não apenas como ferramenta auxiliar. 

Na China, o plano lançado em agosto de 2025 tornou a disciplina de IA obrigatória no currículo básico, conectando o ensino da tecnologia à resolução de problemas e à consciência social.

Na Estônia, país que lidera o ranking do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) na Europa – com 510 pontos em matemática, 511 em leitura e 526 em ciências –, o programa AI Leap 2025 vai treinar três mil professores e oferecer experiências práticas com IA generativa a 20 mil alunos.

Não se trata de usar o ChatGPT ou a Anthropic, ou o mais novo aplicativo de correção de redações, mas sim de promover um conhecimento que será cada vez mais necessário nos próximos anos: o letramento em IA.

A-B-C-IA: LETRAMENTO EM INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

O termo letramento em inteligência artificial ainda é novo no Brasil, mas já aparece como prioridade em relatórios internacionais.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) define o conceito como o desenvolvimento de competências humanas, éticas, técnicas e criativas – uma combinação que permite compreender como a IA pensa, quais limites carrega e de que forma suas decisões moldam o mundo.

Não se trata de ensinar a usar ferramentas, mas de preparar cidadãos capazes de pensar criticamente sobre elas. Segundo a pesquisa TIC Educação 2024, do Comitê Gestor da Internet (CGI.br), apenas 19% dos alunos brasileiros afirmam ter conversado com professores sobre o uso de aplicações de IA em atividades escolares e só 33% receberam orientações sobre como identificar erros ou vieses em conteúdos gerados pelas ferramentas.

Para o pesquisador, educador e escritor Rafael Irio, o letramento em IA é justamente esse processo anterior ao uso da tecnologia. “É como dar uma Ferrari a um jovem de 17 anos sem carteira de motorista. O letramento é dar a carteira de motorista para o jovem usar essa ferramenta poderosa. É a oportunidade de entender impactos e limites antes de `dirigir`.”

Ele reforça que alfabetizar em IA é ensinar o porquê e como usar, não apenas qual usar. “O letramento não é incentivo, é proteção”, afirma. “Significa reconhecer quando a IA substitui o pensamento e quando amplia.”

Essa visão ecoa na Carta de Recomendação para o Uso de IA na Educação, publicada este ano pelo Educa+IA, da Universidade de São Paulo. Criado em 2023, o grupo propõe diretrizes para o uso ético da tecnologia nas escolas, com foco em formação crítica, transparência de dados e supervisão humana.

I-ALFABETIZAÇÃO PARA PROFESSORES

Se o letramento em IA é uma nova forma de alfabetização, ele precisa começar pelos professores – os mais de 2,3 milhões de educadores brasileiros que estão na linha de frente da aprendizagem. São eles que ajudam a traduzir o mundo para os alunos e agora precisam aprender a dialogar com tecnologias que também ensinam.

“Não é que os professores resistam à tecnologia – eles não sabem o que fazer. Quando a formação é adequada, eles se encantam, porque veem sentido e resultados”, afirma Luciano Meira.

NÃO SE TRATA DE ENSINAR A USAR FERRAMENTAS DE IA, MAS DE PREPARAR CIDADÃOS CAPAZES DE PENSAR CRITICAMENTE SOBRE ELAS.

A i-alfabetização dos docentes faz parte do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, lançado em 2021, que até agora não saiu do papel. Há esforços pontuais, como o iAgora, da Universidade de Brasília (UnB), que oferece cursos introdutórios sobre IA para professores.

Mas o cenário nacional ainda é dominado por microcursos das próprias big techs, como Google, Microsoft e OpenAI. São formações que ensinam a usar os aplicativos das próprias empresas, sem discutir os impactos cognitivos, sociais ou éticos.

“Precisamos de um MEC muito atuante, muito forte. Precisa muito mais do que palestras”, diz Meira. Para ele, a IA promete remodelar a escola como a conhecemos. Isso exige repensar o papel do professor como mediador de pensamento, não apenas como executor de tarefas.

UMA NOVA ESCOLA, PARA NOVAS COMPETÊNCIAS

Muito da inteligência artificial ainda é território desconhecido. Os países que já incluíram o ensino da tecnologia no currículo mostram que a discussão não é (e nunca foi) sobre máquinas, mas sobre aprofundar as competências humanas. O desafio não está em dominar códigos, e sim em reaprender a pensar, argumentar e criar em diálogo com sistemas inteligentes.

No Japão, as diretrizes publicadas em dezembro de 2024 orientam escolas a aplicar IA de forma centrada no humano, incentivando o pensamento crítico e a ética digital. Elas já são a segunda versão do documento. Em 2023, o governo japonês havia publicado diretiva proibindo alunos de usarem sistemas de IA generativa.

Agora, os professores são orientados a discutir como a IA gera textos, imagens e vídeos, a identificar erros, vieses e informações falsas, e a avaliar quando o uso é apropriado ou não.

As ferramentas generativas, como o ChatGPT, podem ser utilizadas em atividades supervisionadas: por exemplo, comparar uma redação produzida por IA com outra escrita por um colega, para analisar argumentação e estilo. A proposta japonesa é formar alunos que saibam ler criticamente o que a tecnologia produz.

No currículo chinês, aprovado em agosto deste ano, a ideia é que as crianças produzam novos sistemas de IA. Assim como no Japão, o ensino é faseado, exigindo diferentes competências em cada idade.

É PRECISO REPENSAR O PAPEL DO PROFESSOR COMO MEDIADOR DE PENSAMENTO, NÃO APENAS COMO EXECUTOR DE TAREFAS.

As crianças mais novas aprendem lógica e reconhecimento de padrões; os alunos do ensino fundamental exploram raciocínio algorítmico; e os adolescentes avançam para temas como machine learning, privacidade e impacto social da automação.

O objetivo não é colocar crianças para conversar com chatbots – o que apresenta riscos para os pequenos –, mas formar uma compreensão progressiva sobre como a tecnologia pensa e como afeta a sociedade. 

Na Estônia, o contato com a IA começa mais tarde. Segundo o pesquisador e advogado Ronaldo Lemos, as ferramentas de IA só são introduzidas a partir dos 14 anos. Antes disso, o foco está no desenvolvimento humano e emocional. A IA entra em cena quando os estudantes já têm repertório para discutir ética, autoria e intencionalidade.

ENSINAR A PENSAR

Essas iniciativas mostram que a IA não substitui a escola, ela redesenha o que significa aprender. Como defende Luciano Meira, incorporar a IA ao ensino exige ensinar pensamento crítico, colaboração e argumentação, competências raras na formação pedagógica brasileira.

“A gente precisa ensinar pensamento crítico, mas ninguém ensina a argumentar. Não existe uma disciplina sobre processos argumentativos em nenhum curso de pedagogia que eu conheço”, afirma.

Remodelar a escola, nesse contexto, não é trocar livros por tablets ou substituir tarefas por prompts. É revisar o próprio propósito do ensino, transformando a aula em um espaço de investigação, diálogo e criação compartilhada.


SOBRE A AUTORA

Camila de Lira é jornalista formada pela ECA-USP, early adopter de tecnologias (e curiosa nata) e especializada em storytelling para negócios.

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IA escancara a criatividade automatizada e adaptada às demandas do mercado

Por Paulo Silvestre – Estadão – 09/10/2025 

Tilly Norwood, “atriz” criada totalmente por inteligência artificial – Foto: reprodução

Como costumo dizer, uma das coisas mais interessantes de pesquisar a inteligência artificial é que ela me leva a analisar as sutilezas e complexidades do ser humano. E à medida que novas aplicações dessa tecnologia são lançadas, surgem questionamentos sobre, por exemplo, até onde ela pode substituir nossas habilidades com vantagens, e quando isso pode se tornar um risco.

Por exemplo, no dia 27 de setembro, o estúdio inglês Particle6 anunciou Tilly Norwood, uma “atriz” totalmente digital, durante o Festival de Cinema de Zurique. A novidade esquentou o debate sobre a troca de profissionais humanos por robôs e até onde essa tecnologia pode ser efetivamente criativa.

O sindicato dos atores de Hollywood condenou a iniciativa, afirmando que “a criatividade é e deve permanecer centrada no humano”. A crítica é ética, porque o modelo que gerou Tilly foi treinado com performances de atores reais, sem consentimento ou remuneração, e existencial, porque ela representa a substituição simbólica e econômica de artistas por simulacros digitais, capazes de encenar emoções sem jamais tê-las vivido.

A criadora de Tilly, a produtora holandesa Eline Van der Velden, explicou que a personagem foi concebida para provocar reflexão. Ainda assim, a reação de Hollywood mostra o incômodo com a fronteira da própria noção de criatividade, que a tecnologia parece disposta a atravessar.

O historiador americano Samuel Franklin, pesquisador da Universidade de Tecnologia de Delft (Holanda) e autor de “The Cult of Creativity” (2023, ainda não lançado em português), observa que, a partir do século XX, a criatividade foi sendo moldada como valor dentro das corporações modernas. De dom raro, tornou-se um ativo estratégico, mensurável e explorável.

Surgiu o mito do “gênio empreendedor”, aquele indivíduo que, com intuição e ousadia, muda o mundo de dentro de uma startup. O Vale do Silício tornou-se o altar desse culto, onde o sucesso econômico se confunde com inovação criativa e onde algoritmos se tornam instrumentos da imaginação.

Paradoxalmente, ao transformar a criatividade em mantra corporativo e cultural, ela perde substância. O discurso de “pensar fora da caixa” serve para manter as pessoas dentro dela, produtivas e previsíveis. Criatividade virou produto, e assim passou a ser otimizada e, agora com a IA, automatizada.

A própria educação reflete esse esvaziamento quando propõe formar pessoas criativas sem ensinar fundamentos, estimular reflexão estética, pensamento crítico ou cultura. O resultado disso são bons executores de ideias alheias.

É aí que o debate em torno da IA esquenta. Franklin propõe que não se deve questionar se a IA é criativa, mas se ela pode ser sábia e honesta. Uma máquina pode simular originalidade, mas não discernimento. A sabedoria envolve julgamento, empatia e consciência, qualidades intrinsecamente humanas.

Tilly Norwood não ameaça, portanto, apenas atores, mas o próprio sentido de criação. Ela põe à prova nossa tolerância com o simulacro e representa o ápice do culto à eficiência estética, sem imperfeições tipicamente nossas.

A forte oposição à “atriz” denuncia como o fascínio tecnológico pode ignorar direitos de artistas reais, reproduzindo um modelo excludente e explorador. No limite, o culto ao progresso ameaça a experiência humana que o torna possível.

Esse caso vai muito além de uma curiosidade tecnológica, escancarando as contradições do culto à criatividade. Ela representa o estágio final da criatividade automatizada, sem autoria, sem subjetividade, mas perfeitamente adaptada às demandas de entretenimento, eficiência e lucro. É a vitória do conceito de criatividade como produto replicável, não como experiência singular

Opinião por Paulo Silvestre

É doutorando em inteligência artificial e mestre em reputação digital pela PUC-SP. Articulista do Estadão, atua como consultor e palestrante de IA, experiência do cliente e transformação digital. É professor da Universidade Mackenzie e da PUC–SP. Foi executivo do Estadão, Samsung, AOL, Saraiva e Editora Abril, e é LinkedIn Top Voice desde 2016.

IA escancara a criatividade automatizada e adaptada às demandas do mercado – Estadão

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O plano da China para dominar o mundo e se tornar uma superpotência industrial

Donald Trump não está conseguindo impedir a ascensão da China; participação do país nos contêineres de exportação globais é superior a 36%, embora a nação represente cerca de um quinto do PIB mundial

Por Estadão/The Economist – 27/09/2025

O poder industrial da China é difícil de capturar em números. O país responde por mais de 30% da produção global, ou mais do que os Estados Unidos, Alemanha, Japão e Coreia do Sul juntos. Esse número subestima o crescente medo que os produtos fabricados na China inspiram em concorrentes e governos estrangeiros.

Os produtos chineses são baratos e estão ficando mais baratos, porque as empresas locais são eficientes e estão presas em uma guerra de preços doméstica épica. Após quase três anos de quedas contínuas nos preços de fábrica, muitas empresas estão perdendo dinheiro e desesperadas para vender em mercados estrangeiros, onde as margens são maiores. O crescimento das exportações chinesas é impressionante quando medido em valor. É positivamente fantástico quando medido em volume.

Pouco antes da pandemia de covid-19, um terço de todos os contêineres que transportavam exportações ao redor do mundo continham coisas montadas, cultivadas ou processadas na China. Hoje, a participação do país nos contêineres de exportação globais é superior a 36%, embora a nação represente cerca de um quinto do PIB mundial. Um chefe de negócios estrangeiros na China prevê um acerto de contas: “Chegará um momento em que a China e o mundo simplesmente não poderão absorver mais produtos chineses, e acho que esse ponto está se aproximando.”

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Enquanto isso, mercados valiosos na China estão sendo isolados. Novas regras limitam as importações de chips de computador, dispositivos médicos e muito mais, já que o Partido Comunista prioriza a segurança econômica e nacional acima do crescimento de curto prazo. Embora as exportações para os Estados Unidos tenham despencado, afetadas pelas tarifas em constante mudança do presidente Donald Trump, o superávit comercial geral da China está a caminho de ultrapassar US$ 1 trilhão este ano, com embarques recordes para a África, Ásia, Europa e América Latina.

De Brasília a Berlim e Bangkok, políticos ouvem apelos para proteger as indústrias estabelecidas da concorrência chinesa. No entanto, muitos desses mesmos políticos querem que investidores chineses os ajudem a construir as indústrias do futuro, abrindo fábricas para produzir baterias, por exemplo. Isso limita seu desejo de confrontar a China.

A China sabe que tem muitas fábricas deficitárias. O líder supremo, Xi Jinping, preocupa-se em voz alta com a concorrência “desordenada”, já que os fabricantes cortam preços para sobreviver. Os governos locais foram instruídos a parar de sustentar empresas condenadas. As autoridades lançaram esquemas para promover a demanda interna, e o consumo aumentou.

A produção industrial aumentou em um ritmo mais rápido do que a demanda interna. Como resultado, a sobra de produção precisou ser escoada para fora do país, ou seja, as exportações cresceram para “absorver” esse excedente. Mais importante ainda, Xi continua a elogiar a manufatura como fonte de poder econômico e geopolítico. Nas palavras de um economista chinês, os líderes de seu país e a maioria dos cidadãos acreditam que “a participação da China no total mundial da manufatura é adequada” e pode, de fato, crescer.

A portas fechadas, chefes do partido e tecnocratas trabalham arduamente no próximo plano quinquenal da China, abrangendo o período de 2026 a 2030. As previsões sugerem que o plano incluirá esforços redobrados para se tornar uma “potência científica e tecnológica” e um foco na inovação “disruptiva” feita na China para combater “a contenção e a repressão do Ocidente liderado pelos EUA “.

As autoridades não cedem quando líderes europeus e outros líderes estrangeiros viajam a Pequim para pedir que suas empresas sejam tratadas de forma mais justa ou que a China reequilibre sua economia. Em vez disso, diz um diplomata ocidental, os anfitriões chineses combinam palavras de simpatia sobre as intimidações de Trump com ameaças de represálias, caso os governos estrangeiros restrinjam o fluxo de produtos chineses.

Quando solicitados a parar de fornecer peças de drones usados pela Rússia para matar ucranianos, eles negam. Os líderes da China parecem “extraordinariamente encorajados”, relata o diplomata. Eles acreditam que estão vencendo batalhas importantes contra Trump, se não toda a guerra comercial.

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Até agosto, Sarah Beran era uma diplomata americana sênior, especializada em China. Ela teme que tanto os Estados Unidos quanto a China estejam “excessivamente confiantes” em relação à guerra comercial. A China tem motivos para estar satisfeita. Em contraste com o passado, incluindo durante o primeiro mandato de Trump, o segundo governo americano não está exigindo mudanças estruturais no modelo econômico chinês.

“Não há um esforço conjunto para lidar com o excesso de capacidade ou nivelar o campo de atuação para as empresas americanas”, diz ela. Desta vez, os negociadores americanos estão mais focados em “coisas importantes para o presidente”. Isso inclui a venda de soja e aviões da Boeing e a criação de uma versão exclusiva para os Estados Unidos do TikTok, um aplicativo de mídia social chinês, talvez licenciando sua tecnologia subjacente para investidores americanos.

Beran, agora na consultoria Macro Advisory Partners, acredita que a China ficou surpresa quando sua medida para restringir as exportações de minerais raros e ímãs permanentes se mostrou “extremamente bem-sucedida”, causando pânico entre os fabricantes em todo o mundo. Por outro lado, a China deveria se preocupar com o fato de que suas ações levarão os países a buscar fontes diversificadas de insumos vitais, sugere ela.

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A China está confiante em sua influência sobre os Estados Unidos. Essa arrogância é difícil de aceitar para os parceiros comerciais. Mas sua intransigência tem raízes ainda mais profundas. Os governantes chineses gostam de seu plano para dominar os setores estratégicos da manufatura global e não desejam mudar.

Os chineses reformistas compartilham dos temores dos estrangeiros de que essa iniciativa industrial seja insustentável. Mas os líderes do partido veem a adoção por Trump de políticas industriais ao estilo chinês, incluindo exigências do governo por participações em empresas líderes, como um endosso à sua própria abordagem.

Da mesma forma, eles se sentem justificados em sua obsessão pela autossuficiência. Sua desconfiança em relação aos Estados Unidos é agora quase total, após as tentativas de Trump de sufocar o acesso da China às tecnologias americanas, intercaladas com campanhas para vender mais dessas tecnologias à China.

Os Estados Unidos “cometeram um grande erro”, diz o economista chinês. Isso “acordou a China”, mas não impediu o país de desenvolver indústrias líderes mundiais. Trump chegou ao poder prometendo um boom industrial para a eternidade. Seria estranho se ele tivesse sucesso, mas na China…

The Economist: O plano da China para dominar o mundo e se tornar uma superpotência industrial – Estadão

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