ChatGPT perde espaço para rival Claude na tela dos executivos


Profissionais identificam na IA da Anthropic funções que vão além do chatbot: plataforma é capaz de executar tarefas complexas nos negócios

Por Bruno Romani – O Globo – 05/04/2026 

Depois de algum tempo experimentando as possibilidades de ferramentas como ChatGPT, Gemini e Copilot, altos executivos e empresários brasileiros têm um novo amor na era da inteligência artificial(IA): o Claude. Nos últimos meses, muitas conversas entre esses profissionais na cúpula das empresas têm sido sobre descobertas de novas funções da ferramenta da Anthropic que permitem o uso da tecnologia na execução de tarefas complexas, como monitoramento de negócios e programação, o que está gerando uma espécie de novo encantamento tecnológico entre executivos.

— Eu estou “viciada” em Claude. Acordo e vou dormir falando com ele — diz Manoella Neves, de 30 anos, cofundadora da startup Kobi.

Ela não está sozinha. No Vale do Silício, nos Estados Unidos, o fenômeno ganhou até nome: “Claude-pilled”. Ele descreve o momento em que profissionais percebem que a ferramenta digital não serve apenas para “conversar”, como a maioria das pessoas faz ao usar chatbots de IA, mas “pensa” e executa tarefas.

Para muitos desses profissionais, o Claude está funcionando como porta de entrada para o conceito de agentes de IA, programas com capacidade de realizar tarefas de maneira autônoma, com pouca ou nenhuma supervisão, permitindo automações que antes não eram possíveis. Esse é considerado o próximo estágio na era da IA. É o que tem conquistado Manoella:

— Na Kobi, eu cuido de negócios e da captação de investimentos. Então, sou responsável por toda a parte de receita da empresa. São duas cadeiras gigantescas das quais tenho de dar conta, e o Claude me ajuda a potencializar.

As principais formas como ela utiliza a ferramenta incluem priorização de leads (potenciais clientes), análise de dados e gargalos, gestão de vendas e automação de processos. Para isso, a executiva criou funções específicas dentro do Claude, fornecendo informações detalhadas sobre o perfil de cliente ideal e sobre o modelo de negócios da companhia, além de dar ao sistema acesso a dados da startup. Segundo Manoella, a ferramenta ocupa posições reais na empresa, que precisaria ter uma equipe humana quatro vezes maior para realizar o mesmo nível de entrega. Atualmente, a Kobi tem cinco funcionários.

Foco corporativo

Mesmo que a descoberta do Claude tenha esse tipo de impacto, o fenômeno é novo e acompanha a própria evolução do carro-chefe da Anthropic, que sempre teve o público corporativo como principal alvo. A ferramenta foi lançada em 2023 no formato de chatbot, como era o ChatGPT. Em fevereiro de 2025, ganhou uma versão voltada para programadores, o Claude Code. Ainda que use os mesmos grandes modelos de linguagem (LLMs) acessíveis pela versão chat, o Code foi treinado especificamente para entender lógica de programação complexa.

No entanto, alguns profissionais perceberam que o sistema funcionava para tarefas mais amplas, como organizar arquivos, compilar pesquisas e redigir documentos. Ou seja, descobriram que o Code poderia se tornar um assistente digital, realizando diferentes funções dentro de empresas. Mas havia um detalhe: o Code opera com uma interface de linha de comando que lembra o antigo MS-DOS, o que exige que o usuário saiba digitar comandos técnicos em vez de apenas clicar em botões. Ou seja, ele era pouco amigável.

Assim, a equipe da Anthropic usou o Code para construir o Claude Cowork, com o objetivo de tornar o “cérebro” da ferramenta mais acessível para uma base mais ampla de clientes. Ele foi lançado em janeiro deste ano, em caráter de teste, e está disponível como aplicativo para macOS (sistema operacional dos computadores Mac, da Apple) e Windows, em planos que variam de US$ 17 a US$ 200 (R$ 88 a R$ 1.030 mensais).

Personalidade

Para a IA atuar em diferentes ocupações, os executivos têm à disposição um recurso chamado skill, que permite configurar o Claude para atuar em papéis específicos. É o que faz Marco Andolfato, cofundador da TBO, ecossistema de soluções voltado ao mercado imobiliário:

— Com skills, você pode pedir para o Claude atuar como um engenheiro de software. Quando você adiciona isso, ele identifica algumas palavras-chaves e se comporta da maneira que você determinou.

Andolfato, de 32 anos, tem mais de dez agentes rodando em paralelo, que executam tarefas de automação, curadoria de notícias do mercado imobiliário, disparo de e-mails e análise de performance de clientes. Assim, ele diz que consegue reduzir custos e manter enxuta a operação da companhia, que conta com 15 pessoas atualmente:

— O Claude é uma ferramenta absurda. Com ele você não precisa entender sobre códigos. Você precisa ter o repertório necessário para conversar com ele — diz o empresário. — Eu era heavy user (usuário intensivo) do ChatGPT, mas cancelei as assinaturas de todas as outras IAs depois do Claude.

O avanço no mercado corporativo é um dos grandes trunfos da Anthropic contra sua maior rival, a OpenAI, criadora do ChatGPT, para a qual esse sucesso todo é um pesadelo. A empresa de Sam Altman, que levantou US$ 122 bilhões em uma rodada de investimentos na semana passada e atingiu o valor de mercado de US$ 852 bilhões (cerca de R$ 4,4 trilhões), tem quase o mesmo nível de receita da Anthropic, com avaliação estimada em US$ 380 bilhões (R$ 2 trilhões). A OpenAI tem receita anualizada de US$ 25 bilhões, e a dona do Claude, de US$ 20 bilhões.

Com 300 mil clientes corporativos, a Anthropic se tornou um espelho para a reorganização da OpenAI. Segundo o Wall Street Journal, a dona do ChatGPT comunicou a seus funcionários que é hora de focar no mundo corporativo e em ferramentas de programação, o que significa abandonar outros projetos. Uma prova disso foi o cancelamento da Sora, a IA de geração de vídeos da OpenAI que impressionava tanto pela qualidade quanto pelo custo de operação: US$ 1 milhão por dia. A Anthropic, por exemplo, nunca teve uma IA de vídeos, devido ao alto custo.

Produtividade turbinada

Mesmo quem trabalha perto das grandes empresas envolvidas na revolução da IA se surpreende com a capacidade do Claude. É o caso de Sérgio Vital, 39, diretor de produtos de IA na Dell nos EUA:

— No começo do ano, sentei com minha esposa para fazer revisão de despesas. Mandamos uma fatura do cartão de crédito para o Claude, que fez um ótimo dashboard. Funcionou e eu mandei todas as faturas do ano e pedi para que a IA agisse feito um conselheiro financeiro. Eu me empolguei. O ChatGPT nunca me daria isso.

Da vida pessoal para a vida profissional, ele conta que a adoção do Claude foi um pulo. Ele passou a fazer automações, mapeando processos internos, como a extração automática de dados de arquivos PDF diretamente para planilhas de Excel. Também passou a usar o assistente para programar testes de projetos em apenas uma noite.

— O Claude aumentou a minha produtividade dez vezes, em alguns casos 100 vezes. Quando eu comecei a comparar o ChatGPT com o Claude, vi que as respostas eram completamente diferentes — diz Vital, que tem analisado vulnerabilidades em sistemas de IA, focando em riscos de segurança como a “injeção de prompt”, risco de manipulação da ferramenta por comandos de usuários externos.

A empolgação inicial de executivos brasileiros é uma pista do potencial da ferramenta, que por enquanto ainda tem baixa adoção no país. Um ranking com 116 países divulgado pela Anthropic em março aponta o Brasil na posição 61, abaixo de Colômbia e Jamaica, num grupo com adoção “intermediária baixa”, levando em conta o tamanho da população. No entanto, a atual corrida tecnológica não para de surpreender e nada impede que novas coqueluches no mundo da IA surjam.

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