Um possível resultado é que a tecnologia dará continuidade ao processo de achatamento das organizações, permitindo que elas terceirizem cada vez mais mão de obra
Por Diane Coyle – Valor – 19/02/2026
Muitas pessoas temem que a Inteligência Artificial (IA) possa provocar um “apocalipse dos empregos”. A reunião deste ano em Davos disparou os alarmes a respeito das implicações da tecnologia para o emprego, ao mesmo tempo em que os recentes anúncios de cortes de postos de trabalho em setores de colarinho branco foram vistos por muitos como os primeiros sinais da tempestade por vir.
Por outro lado, os impactos gerais da IA nas empresas não receberam nem de perto a mesma atenção. Embora, de acordo com maioria das pesquisas confiáveis, a maioria das firmas até agora não tenha aderido à IA, é provável que a continuidade na adoção venha acompanhada de uma grande reorganização nas empresas. Isso porque a IA é uma tecnologia da informação que afeta os processos de tomada de decisão.
As ondas anteriores de tecnologias digitais vistas a partir dos anos 1990 transformaram as empresas de várias formas. Avanços computacionais e nas comunicações deram sustentação à internet, que depois de tornou móvel com a chegada dos smartphones e das tecnologias de rede sem fio. Isso permitiu a mudança de uma produção de integração vertical para cadeias de suprimento distribuídas internacionalmente e a mudança de um sistema de hierarquias nas empresas para um “sem camadas” hierárquicas.
Sem dúvida, mudanças nas regulamentações e nas políticas de governo ajudaram na ascensão da produção globalizada e no impressionante crescimento do comércio de componentes entre países. No entanto, essas mudanças não teriam sido possíveis sem as inovações tecnológicas.
Outra consequência da digitalização tem sido a ascensão dos modelos de negócios baseados em plataformas, que usam ferramentas algorítmicas para intermediações entre fornecedores e clientes, formando amplas redes logísticas em infraestrutura digital. Plataformas guiadas por dados e algoritmos já operam em muitos setores e, em muitos casos, passaram a dominar seus mercados, tendo transformado tanto os padrões de emprego quanto os de consumo.
A questão agora é como a IA vai rearranjar as empresas ainda mais. Em 2025, na Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), Vivek Mohindra, vice-presidente sênior e assessor especial do vice-presidente do conselho de administração e diretor operacional da Dell Technologies, argumentou que as “capacidades organizacionais” são a fonte das vantagens competitivas contínuas de uma empresa (sendo o principal ativo intangível da Dell a sua cadeia de suprimentos). No entanto, a IA, acrescentou Mohindra, vem mudando as capacidades que importam mais e tornando-as difíceis de mensurar.
Alguns setores parecem ser particularmente vulneráveis às rupturas provocadas pela IA. Vários comentaristas já notaram o potencial da tecnologia para automatizar empregos de nível básico em setores como os de contabilidade, advocacia e finanças. De forma similar, empresas de tecnologia vêm usando cada vez mais seus próprios modelos de IA para reduzir o tempo e o custo do desenvolvimento de softwares e sinalizando que no futuro menos programadores de computador serão necessários.
No entanto, se a mão de obra nos níveis básicos das empresas for enxugada, como as empresas garantirão que os futuros funcionários adquiram a experiência necessária? Por exemplo, há evidências emergentes de que usar IA para escrever os códigos de programação compromete a obtenção de habilidades pelos trabalhadores humanos.
Se a mão de obra nos níveis básicos das empresas for enxugada, como elas garantirão que os futuros funcionários adquiram experiência necessária? Há evidência de que usar IA para escrever os códigos de programação prejudica a obtenção de habilidades pelos trabalhadores
A IA generativa também vai reconfigurar as estruturas das empresas. Um possível resultado é que a tecnologia dará continuidade ao processo de achatamento das organizações, permitindo que elas terceirizem cada vez mais mão de obra. Sam Altman, da OpenAI, chegou a prever a possibilidade de um “unicórnio” (startups avaliadas em US$ 1 bilhão) formada por só uma pessoa. Agentes de IA poderiam atenuar as fricções inerentes às negociações entre diferentes entidades e monitorar cadeias de suprimentos complexas.
No entanto, alguns economistas preveem que a IA generativa voltará a trazer uma maior centralização das decisões das organizações, pois ela terá a capacidade de capturar o conhecimento “tácito” incorporado na percepção e na prática humana – conhecimento do qual todas as empresas dependem.
Considere um pequeno exemplo: o engenheiro de manutenção que trabalhava no metrô de Londres e percebeu que as rodas dos vagões da linha Victoria precisam de um pouco mais de graxa em razão de seus trilhos atipicamente curvos. Quando esse funcionário se aposentou, esse know-how desapareceu, e os trens da linha Victoria começaram a quebrar com mais frequência à medida que suas rodas sucumbiam ao desgaste.
Conhecimentos tácitos como o do engenheiro de manutenção raramente são escritos ou ensinados formalmente. Ainda assim, se eles estiverem refletidos nas ações repetidas dos trabalhadores humanos, novas aplicações de IA podem ser capazes de capturar esse know-how e codificá-lo.
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