The Economist: Dietas e canetas emagrecedoras deixam empresas de alimentos em situação delicada


Companhias de alimentos embalados perdem valor no S&P 500; estudo aponta que remédios para emagrecer podem reduzir em bilhões as vendas de snacks na próxima década

Por The Economist – 29/03/2026

Há quase um século, a improvável combinação de uma empresa de margarina e uma fabricante de sabão criou a Unilever, um dos maiores conglomerados do mundo. Agora, ela está sendo desmembrada. Em 20 de março, a empresa britânica anunciou que está estudando a venda de seu portfólio restante de produtos alimentícios, que inclui a maionese Hellmann’s, as sopas Knorr e o Marmite, para a McCormick, uma fabricante americana de especiarias, após ter se desfeito de sua divisão de sorvetes no ano passado. Isso deixaria a empresa focada em produtos de higiene pessoal e limpeza doméstica.

Os últimos anos têm sido difíceis para os fabricantes de salgadinhos, pastas e outros produtos alimentícios industrializados. O valor das empresas de alimentos embalados no índice S&P 500 caiu um terço em relação ao pico em meados de 2023, mesmo com o índice como um todo tendo subido três quintos. O setor teve um desempenho superior durante o aumento da inflação pós-pandemia, período em que conseguiu repassar os custos crescentes aos consumidores – e até superá-los. Entre 2021 e 2024, as grandes marcas de alimentos aumentaram seus preços nos Estados Unidos em um total de 11 pontos porcentuais acima da inflação, segundo analistas do banco de investimentos TD Cowen.

Isso, no entanto, os deixou vulneráveis ​​à concorrência. Os consumidores passaram a optar por marcas próprias mais baratas de varejistas como Costco e Aldi, bem como de novas empresas. A Goodles, uma marca de macarrão com queijo lançada em 2020 e endossada pela atriz Gal Gadot, já conquistou 6% do mercado americano. Isso tem sido uma má notícia, em particular, para a Kraft Heinz, que no ano passado anunciou que se dividiria. Seu novo CEO, que assumiu o cargo em janeiro, suspendeu a separação para primeiro consolidar a empresa.

Isso não será fácil. A guerra com o Irã e a consequente alta nos preços da energia aumentaram a possibilidade de uma nova onda de inflação. Já existem preocupações de que a indústria enfrentará um aumento no custo das embalagens plásticas. Aumentar os preços para os consumidores, cuja paciência já foi testada, pode se mostrar difícil.

A pressão sobre a indústria também está aumentando devido ao crescente interesse dos consumidores por uma alimentação saudável. As buscas no Google relacionadas a alimentos ultraprocessados ​​aumentaram 30 vezes em todo o mundo desde o início de 2022, impulsionadas por ativistas como Robert F. Kennedy Jr., secretário de saúde dos Estados Unidos.

Em janeiro, cinco Estados americanos proibiram os beneficiários de vales-alimentação federais de usá-los para comprar doces e outros itens de valor nutricional duvidoso. Vários outros devem seguir o mesmo caminho. E o governo americano não é o único a travar uma guerra contra as grandes empresas alimentícias. Em janeiro, os órgãos reguladores britânicos anunciaram a proibição da publicidade de alimentos não saudáveis ​​online e antes das 21h na televisão.

Há também o impacto de medicamentos para emagrecer, como Wegovy e Zepbound, que estão se espalhando rapidamente pelos Estados Unidos e outros países, e não apenas entre os obesos. Uma pesquisa publicada no ano passado pela EY, uma empresa de serviços profissionais, examinou a mudança nos padrões de gastos de consumidores que já utilizam esses medicamentos e concluiu que eles podem eliminar um total de US$ 12 bilhões em vendas de salgadinhos nos Estados Unidos na próxima década, cerca de 3% do total. E, embora a maioria dos usuários atualmente viva em países desenvolvidos, versões genéricas estão começando a ser lançadas na Índia e em outros mercados do Sul Global, que os executivos das empresas já consideravam uma fonte de crescimento futuro.

As grandes empresas alimentícias estão cientes das dificuldades que têm pela frente. Muitas das maiores empresas do setor desenvolveram novas linhas de produtos voltadas para consumidores preocupados com a saúde. E quase todas nomearam um novo diretor executivo desde o início de 2025.

Isso inclui a Nestlé, a maior delas, que no mês passado anunciou que também venderia sua divisão de sorvetes. Entre outras coisas, a empresa suíça está apostando em refeições congeladas saudáveis. Em 23 de março, a Danone, gigante francesa do setor lácteo que se beneficiou da crescente popularidade do iogurte, anunciou a aquisição da Huel, fabricante britânica de bebidas proteicas para substituição de refeições. Para a Unilever, no entanto, a hora da refeição está chegando ao fim.

The Economist: Dietas e canetas emagrecedoras deixam empresas de alimentos em situação delicada – Estadão

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