Empresa desenvolve maior data center do País e quer que fábricas substituam caldeiras a óleo ou a gás por modelos elétricos
Por Luciana Dyniewicz – Estadão – 18/03/2026
Se a autoprodução – modelo em que a usina é construída para fornecer energia para determinada empresa – impulsionou a Casa dos Ventos a fechar novos contratos nos últimos anos, a empresa tem agora nos data centers e na eletrificação de indústrias sua estratégia para continuar avançando. A meta da companhia é chegar a uma capacidade instalada de 11 GW até 2030 – hoje são 3,3 GW (cerca de 1,5% da capacidade instalada do País) e, até 2027, entrarão em operação mais 3,1 GW. Alcançar os 11 GW significaria um crescimento de 230% na comparação com a base atual.
O modelo de negócio da Casa dos Ventos sempre foi o de estimular a demanda por energia para construir novos parques eólicos e solares. A empresa aposta, agora, que existirá uma demanda por energia elétrica no País equivalente a 6 GW se indústrias substituírem suas caldeiras a óleo e a gás por modelos elétricos abastecidos por usinas eólicas ou solares — uma medida que pode fazer com que as fábricas diminuam suas emissões de gases poluentes.
A companhia ainda projeta mais 2 GW de capacidade instalada para atender data centers – nesse caso, os 2 GW não seriam o total da demanda do País, mas os projetos que a empresa já está desenvolvendo. Também vê as possibilidades de fornecer energia para fabricação de hidrogênio verde (600 MV) e de fechar novos contratos para autoprodução de empresas (300 MW por ano).
No caso da eletrificação de fábricas, o produto que seria oferecido pela Casa dos Ventos ainda não está completamente desenvolvido, segundo o CEO da empresa, Lucas Araripe. “Poderíamos fazer o investimento, que inclui caldeira e linhas de transmissão, se as empresas quisessem. Mas elas também poderiam fazer essa parte. Estamos conversando com as empresas.”
O executivo afirma que comparar custos de instalação e operação de um projeto elétrico com o de uma caldeira tradicional é difícil porque depende de fatores como a existência ou não de uma subestação de energia próxima à fábrica e a necessidade de linhas de transmissão mais ou menos longas. Ele, porém, garante que o projeto elétrico pode ser competitivo quando comparado aos que usam óleo ou gás.
Quando se trata de caldeiras abastecidas por biomassas, a vantagem é menor, admite Araripe. Mas o executivo destaca que, nos próximos 20 anos, a disponibilidade de matéria-prima (como cavaco de madeira e bagaço de cana) para abastecer essas caldeiras pode se tornar mais difícil — o que favorece a eletrificação.
A eletrificação de indústrias também é vista como uma das principais vertentes de crescimento para empresas de energia renovável pela presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Elbia Gannoum. “A energia a vapor está em grande parte da indústria e tem um custo grande para as empresas. As usinas eólicas são uma alternativa competitiva para isso.”
Outra aposta da Casa dos Ventos, a geração de energia para o uso por data centers foi o que permitiu que o setor eólico começasse a se recuperar de uma crise que vinha desde, ao menos, 2022, de acordo com Gannoum. “Em 2025, vimos uma retomada de contratos de fornecimento de energia vinda de data centers”, diz a executiva.
A Casa dos Ventos tem hoje o maior data center em desenvolvimento do País. O projeto, cuja primeira parte é construída pela Omnia (do grupo Pátria Investimentos) para a Bytedance (dona do TikTok), demandará R$ 200 bilhões em investimentos e será instalado em Pecém, no Ceará.
Por ora, no entanto, apenas a primeira fase do projeto está contratada. Para ela, está prevista uma capacidade instalada de 300 MW. A segunda fase deverá ser de mais 600 MW e a terceira e a quarta fase, de 300 MW cada uma. Para a segunda, as negociações comerciais estão mais adiantadas e questões de infraestrutura, como área para construção e conexão com rede de energia, já estão resolvidas. Para as últimas duas, a Casa dos Ventos ainda está em conversa com possíveis parceiros.
CEO da Casa dos Ventos, Lucas Araripe, tem conversado com empresas para que elas substituam caldeiras a óleo ou a gás por modelos eletrificados Foto: Tiago Queiroz/Estadão
“Falta a questão comercial. Estamos mostrando para companhias como Microsoft e Google a competitividade do projeto e estamos vendo se vamos fazer direto com empresas de tecnologia ou se nos juntaremos a uma empresa de infraestrutura, como está acontecendo na primeira fase”, diz Araripe.
A empresa tem também dois projetos de fornecimento de energia para data centers no interior de São Paulo (um em Jundiaí e outro em Salto), que estão nessa mesma fase de desenvolvimento. Diferentemente dos projetos do Ceará — em que dados do exterior serão processados em um serviço que será exportado —, esses data centers deveriam ser construídos para atender à demanda doméstica.
De acordo com Alison Takano, líder de data centers para a América Latina na consultoria imobiliária CBRE, no entanto, o mercado de data center no Brasil tem “andado de lado” e a demanda das grandes big techs por esses espaços não cresceu em 2025. O projeto do TikTok no Ceará foi a única grande exceção a esse cenário de estagnação, diz ele.
O projeto do Ceará enfrenta também outros desafios. A Associação Nacional de Ação Indigenista (Anaí) tem se manifestado contra o empreendimento, alegando impactos graves para terras indígenas, especialmente para o povo Anacé, e dizendo que o data center começou a ser realizado sem consulta prévia, conforme prevê a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
A ONG Instituto Terramar também é contrária à construção do data center e questiona a falta de um estudo de impacto ambiental para o projeto como um todo, uma vez que suas aprovações têm sido dadas de forma fracionada. O instituto argumenta ainda que o alto consumo de água ameaça o aquífero Dunas, que abastece comunidades locais, além de o projeto interferir no modo de vida do povo indígena Anacé. A Casa dos Ventos, porém, afirma que cumpre todos os ritos regulatórios, incluindo estudos de impacto exigidos pela legislação.
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