Crescimento de indústria de semicondutores, qualificação de talentos e fortalecimento de ecossistemas de negócio estão entre fatores cruciais para incorporar soluções de inovação em setores-chave da economia
Por UBS – Valor – 01/12/2025
Mais do que dados e programadores, o poder computacional vem se revelando como o principal catalisador da indústria de inteligência artificial. Autor do best-seller “A Guerra dos Chips: a Batalha pela Tecnologia que Move o Mundo”, o estrategista geopolítico norte-americano Dr. Chris Miller apresentou os desafios e oportunidades que vêm se abrindo a partir das disputas globais no mercado de semicondutores, em palestra no UBS WM LatAm Summit. O principal eixo dessa discussão, em sua opinião, são os gargalos gerados pela concentração de poder entre grandes fabricantes e a interdependência de cadeias globais de produção e distribuição.
Com a presença de processadores de alta performance em praticamente todos os setores e dispositivos — dos smartphones aos sistemas de defesa nacionais —, o cenário atual deverá continuar a abrir pontos de vulnerabilidade em núcleos estruturais da economia. “Nenhum país é autossuficiente na produção desses chips. Ao mesmo tempo que os Estados Unidos dominam o design das peças, a fabricação está concentrada em Taiwan e na Coreia do Sul”, afirmou Miller. “O principal obstáculo para a evolução da inteligência artificial é a expansão dessa cadeia de negócios, o que inclui questões geopolíticas, investimentos em infraestrutura e acesso a recursos naturais”, acrescentou.
No longo prazo, o cenário apresentado por Miller tende a se tornar ainda mais relevante com a integração de ferramentas de IA a outras tecnologias exponenciais, como computação quântica, robótica e projetos aeroespaciais. Para Guy Perelmuter, fundador da Grids Capital e “futurista” da tecnologia, trata-se de um movimento que favorece startups de inovação de ponta e teses de investimentos orientadas por retornos de longa duração. O verdadeiro motor das grandes revoluções econômicas é a redução dos custos de tecnologias-chave. Essa força deflacionária tende a abrir mercados que antes eram exclusivos de governos e grandes corporações, multiplicando o desenvolvimento de aplicações e as oportunidades”, afirmou. “O impacto da IA será sentido não apenas em nossas telas, mas nos carros autônomos, nas fábricas, nos exércitos e nos hospitais”, explicou.
A partir desse contexto, Perelmuter ressaltou a necessidade da qualificação da mão de obra em setores diretamente ligados a iniciativas de pesquisa e desenvolvimento — uma demanda que tem fortalecido o talento humano como um dos ativos centrais para o futuro da economia digital. “Por mais contraintuitivo que pareça, o maior obstáculo para o crescimento das deep techs não é o acesso a capital, mas a disponibilidade de pessoas capacitadas para explorar todo o potencial apresentado pela tecnologia. A escassez de profissionais de alto nível deverá gerar um valor imenso para as empresas que conseguirem atrair esses talentos e aplicar sua expertise na criação de inovações de alto impacto”, complementou.
Biotecnologia
Em meio a esse panorama de possibilidades, as soluções de biotecnologia continuam a despontar como uma das mais promissoras para abrir novas avenidas de geração de valor para empresas, investidores e consumidores. As oportunidades em jogo vão do aumento da longevidade à revelação de mais frentes de combate de doenças, como câncer e Alzheimer. Durante sua participação no UBS WM LatAm Summit, Boris Nikolic, fundador da Biomatics Capital Partners, destacou o papel da IA generativa na aceleração desse ciclo de inovação na área de saúde: “A velocidade das mudanças está cada vez mais intensa. Da produção de remédios ao desenvolvimento de pesquisa clínica, a capacidade de conhecimento e de processamento de dados está levando a uma revolução sem precedentes na indústria”, afirmou.
Para consolidar esse potencial, Nikolic defendeu o comprometimento com a formação de ecossistemas pautados pelo alinhamento de interesses de diversos stakeholders, conectando iniciativas de startups, corporações, governos e universidades. “Ao mesmo tempo que apresenta altos potenciais de retorno, o mercado de biotecnologia é marcado por riscos elevados e desafios operacionais. Por essa razão, é fundamental criar um ambiente de colaboração que abra alternativas para lidar com as complexidades que envolvem a geração de novos negócios no segmento”, concluiu.
O papel da filantropia como ferramenta estratégica de investimento e impacto positivo foi apresentado por Tom Hall, head de impacto social & filantropia no UBS e CEO da UBS Optimus Foundation. Diante dos inúmeros desafios sociais e ambientais apresentados pelos dias atuais, Hall enfatizou a importância do capital filantrópico para cobrir as lacunas de financiamento relacionadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) — um montante, segundo ele, estimado em aproximadamente US$ 30 trilhões. “Existe um número crescente de investidores com um desejo genuíno de melhorar o mundo. Esse interesse não precisa ser desconectado das expectativas de retorno financeiro”, afirmou.
Em resposta a esse desafio, Hall sugeriu a adoção de formatos de blended finance que aproximem as iniciativas de filantropia das estratégias de empresas e gestoras de investimentos. Na prática, a abordagem prevê substituir doações sem expectativa de retorno financeiro por instrumentos estruturados como ativos, capazes de oferecer índices de retorno mais consistentes. “O tamanho dos problemas que temos em áreas como educação, saúde e meio ambiente é proporcional às suas possibilidades de escala. Isso gera uma grande oportunidade para revelar um unicórnio filantrópico nos próximos anos”, disse.
Novos negócios
Com base na mentalidade apresentada por Hall, as novas conexões entre negócios, sustentabilidade e comportamento vêm ganhando força em diversos segmentos da economia. No mercado de moda, por exemplo, a tendência pode ser observada na popularização de estilos mais autênticos e nas escolhas orientadas por princípios de ética e inclusão social. “A maneira como nos vestimos é a forma que escolhemos para nos comunicar com o mundo. A percepção dessa realidade tem levado grandes marcas a buscar conexões mais genuínas com suas bases de consumidores”, afirmou Gloria Kalil, em bate-papo conduzido juntamente com a jornalista Joyce Pascowitch.
Uma das principais referências em tendências de moda e comportamento do país, Gloria ressaltou a necessidade de estabelecer relacionamentos profissionais e pessoais pautados pela consistência de valores — seja nas grandes decisões de negócios ou nas escolhas triviais do dia a dia. “É preciso resgatar a pequena ética do cotidiano para que todas as nossas interações se tornem mais responsáveis, agradáveis e produtivas. Não se trata apenas de valorizar etiquetas e formalidades, mas de procurar maneiras concretas de estimular o respeito ao próximo”, disse.
Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/
Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV(em renegociação), sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B
Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e SLM veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas
Se tiver interesse em gêmeos digitais para a indústria procure a Neo Vision – Captura Digital da Realidade
Se o interesse for em IoT, o caso é com a 2Solve