Conexões em corrente contínua de alta tensão estão unindo continentes, acelerando a transição energética e definindo a infraestrutura elétrica do século XXI

Carlos Henrique Brasil – Exame – 19 de dezembro de 2025
A eletricidade está atravessando os oceanos. À medida que cresce a demanda por energia limpa e as fronteiras da geração renovável se expandem, uma nova rede global começa a se formar sob o mar: os cabos submarinos de transmissão em corrente contínua de alta tensão (HVDC)
Esses sistemas, capazes de transmitir até 10 GW por mais de 3.000 km, com perdas inferiores a 3% por mil quilômetros, estão transformando a engenharia elétrica em uma disciplina de alcance planetário. De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), a expansão das interconexões é uma das rotas mais eficazes para acelerar a transição energética – permitindo que regiões com abundância de sol, vento ou hidreletricidade abasteçam grandes centros urbanos e industriais.
Projetos recentes ilustram essa escala. O North Sea Link, de 720 km, conecta o Reino Unido à Noruega e já permite o intercâmbio de energia eólica e hidrelétrica. O NeuConnect, em construção, ligará o Reino Unido à Alemanha por 725 km, com capacidade de 1,4 GW. No Oriente Médio, o GCC Interconnection Project une Arábia Saudita, Emirados, Kuwait, Catar, Bahrein e Omã em uma malha HVDC que avança para se tornar o primeiro “supergrid” regional.
Esses corredores formam o que especialistas chamam de espinha dorsal da transição energética. A ENTSO-E, rede europeia de operadores de transmissão, estima que cada euro investido em interconectores pode gerar até €2,3 em benefícios econômicos e de segurança, ao reduzir volatilidade e ampliar o aproveitamento das fontes renováveis.
O crescimento industrial acompanha essa expansão. O mercado global de cabos HVDC deve superar US$ 25 bilhões até 2035, impulsionado pelo avanço das energias renováveis e pelo aumento da demanda de data centers e computação de alto desempenho, segundo relatórios da Precedence Research e da Mordor Intelligence.
Mas a nova infraestrutura submersa traz desafios. Após o ataque aos gasodutos Nord Stream em 2022, a União Europeia e a OTAN passaram a classificar cabos submarinos como ativos críticos. A Comissão Europeia criou centros de vigilância em Londres e Lisboa, com sensores ópticos e drones subaquáticos, para proteger rotas de transmissão e comunicação.
A questão da capacidade industrial também preocupa, já que os prazos de entrega de grandes transformadores e conversores HVDC dobraram desde 2021 e a fabricação de cabos de alta tensão cresce mais lentamente que a demanda, segundo a IEA. A transição elétrica depende tanto de inovação tecnológica quanto de coordenação industrial.
Empresas como a Meta e a Google investem em cabos híbridos – que combinam fibra óptica e transmissão elétrica – para alimentar data centers e reforçar a resiliência digital. Na prática, eletricidade e informação passam a compartilhar a mesma rota, tornando o fundo do mar o novo ponto de encontro entre energia, conectividade e segurança.
Esses cabos representam mais do que infraestrutura aprimorada, são condutores silenciosos significativos para o futuro do setor elétrico global.
Cabos submarinos e a nova era da transmissão elétrica global | Exame
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