Por Felipe Matos – Estadão – 26/12/2025
Entreguei recentemente um dos projetos mais transformadores da minha carreira – e, curiosamente, ele começou de forma bastante convencional: um pedido do Sebrae, em parceria com a consultoria ABGI, para produzir um relatório sobre políticas públicas de ecossistemas de inovação ao redor do mundo. O escopo parecia típico de consultoria: mapear falhas de mercado, analisar experiências internacionais, propor recomendações estruturadas para o Brasil. Só que, no meio do caminho, algo mudou de escala – e de natureza – a ponto de transformar o que seria um simples relatório em uma plataforma tecnológica interativa viva e, junto com ela, a minha própria visão sobre o futuro do trabalho intelectual.
Em vez de me apoiar apenas em pesquisa manual – ou mesmo auxiliada por assistentes, como o ChatGPT -, decidi experimentar algo que vinha testando em projetos menores: orquestrar agentes autônomos de inteligência artificial para fazer, em paralelo, aquilo que nenhum consultor conseguiria fazer sozinho em tempo hábil. Um único agente automatizado rodou algumas horas e voltou com uma base de 16,4 mil buscas em dez idiomas, algo humanamente inalcançável nesse prazo. A partir daí, eu sabia que a única forma de trabalhar com um volume tão grande de resultados, era usando ainda mais IA.
Então criei uma espécie de “equipe invisível”: um agente traduzia, outro classificava, outro sintetizava, outro cruzava dados, todos operando em ciclos de calibração em que eu deixava de ser executor e passava a ser uma espécie de maestro do sistema.
O resultado dessa orquestração não coube em um PDF de 200 páginas. Em vez de um documento estático, nasceu a Lupa IA, uma plataforma web interativa onde qualquer pessoa pode explorar políticas públicas em diferentes países, filtrar por temas, visualizar relações semânticas em grafos e até conversar, em linguagem natural, com uma agente treinada sobre a própria base de dados. O que antes se encerraria em um relatório que envelhece no dia seguinte à entrega virou um produto vivo, atualizável, que continua gerando valor muito depois do fim formal do projeto.
Quando coloquei os números na mesa, percebi que não estava apenas “ganhando eficiência”, mas rompendo uma barreira: as 16.400 buscas e mais de 220 mil análises realizadas equivaleriam, no modelo tradicional, a algo como 12 anos de trabalho de um consultor dedicado, comprimidos em pouco mais de dois meses. Em vez de uma equipe de cinco a oito consultores, mais desenvolvedores, havia um único consultor humano coordenando uma constelação de agentes de IA, por uma fração do custo usual do mercado. Foi ali que caiu a ficha: com IA, pela primeira vez, consegui entregar melhor, mais rápido e mais barato, tudo ao mesmo tempo – algo que sempre me disseram ser impossível sem sacrificar pelo menos uma dessas variáveis.
Essa experiência me deixou com uma sensação ambígua: encantamento com o que se torna possível e certo incômodo com o abismo de competências que começa a se abrir não só nas atividades de consultoria, mas em todas as profissões baseadas em conhecimento. Trinta anos depois de aprender a programar em um monitor de fósforo verde, voltei a “programar sem programar”, usando linguagem natural para construir sistemas complexos.
Percebi que o diferencial já não está em saber o que fazer, mas em saber como fazer e traduzir isso em arquiteturas híbridas entre humano e máquina. O futuro da consultoria – e, em grande medida, do trabalho qualificado – não será reservado a quem ignora a IA, mas a quem consegue transformá-la em extensão do próprio pensamento, multiplicando em 1, 20 vezes ou 70x o alcance do que antes cabia em um único cérebro e em uma única agenda.
Impactado por essa experiência, entendi que está se criando um abismo de conhecimento e habilidades entre os que sabem e os que não sabem operar dentro dessa nova dinâmica.
Esse domínio será cada vez mais fundamental para qualquer negócio ou profissional que quer seguir competitivo. A IA não vão substituir os humanos, mas outros humanos com habilidades para amplificar seu trabalho com IA, vão. O que você faria se seu concorrente passasse a oferecer soluções 20 vezes melhores por um décimo do preço? É sobre isso. E, pensando nisso, eu decidi orientar o trabalho de educação da minha empresa, a 10K Digital, para educar pessoas e organizações sobre esse novo mundo e criar um hub de conhecimento sobre esta temática.
IA não é sobre o futuro. É sobre ser mais produtivo e competitivo agora, de preferência antes que os demais, para aproveitar o momento. Não falo de apenas saber usar ferramentas de IA, mas dominá-las de forma avançada. É a diferença entre saber fazer tabelas e operações simples no Excel e conseguir criar planilhas complexas, conectadas com bancos de dados vivos, com fórmulas complexas e macros avançadas.
Assim como dominar o Excel na década de 1990 ou PowerPoint em 2000 era um diferencial, o conhecimento profundo de IA será a ferramenta mais importante desta década, com a diferença de que o tamanho dos benefícios e ganhos em produtividade é muito maior, assim como a velocidade dos desenvolvimentos na área.
Eu vi o futuro do trabalho com IA, com ganhos de produtividade de até 72X – Estadão
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