Nova onda da robótica chega ao varejo e acena com mais eficiência


“Os robôs serão usados para dar informações, conduzir o cliente para diversas áreas da loja, prestar serviços, gerenciar estoque em tempo real e até fazer vendas”, afirma Vinicius Ribeiro, especialista em inteligência artificial (IA) na Pluginbot

Katia Simões – Valor – 28/11/2025

Braço robótico do Bob’s, desenvolvido no Brasil, prepara milk-shakes — Foto: Divulgação/Bob’s

“Nos próximos cinco anos, robôs humanoides atuarão não só na gestão de estoques, 24 horas por dia, mas também no atendimento a clientes em lojas físicas”, diz a futurista americana Amy Webb, CEO do Future Today Strategy Group (FTSG). E não é necessário cruzar fronteiras para constatar que a previsão começa a se tornar realidade. Os robôs de serviço — que não atuam dentro do ambiente industrial — podem ser vistos na hotelaria, nos hospitais, em eventos e até transitando por alguns shoppings centers.

Quem circula na hora do almoço pela praça de alimentação do Shopping Iguatemi Alphaville, em Barueri (SP), tem grandes chances de cruzar com o ADA. O robô retira os pedidos de comida nos restaurantes e leva a um hub central, onde os entregadores do iFood recebem os pacotes. Em média, transporta 35 pedidos por dia e percorre 10 quilômetros entre idas e vindas. Hoje são quatro robôs em atuação nos shoppings Iguatemi Alphaville e Galleria, em Campinas, informa Mariana Werneck, diretora sênior de logística no iFood. “O uso de robôs reduz o tempo que o entregador gastaria para entrar no shopping, localizar o restaurante e retirar o pedido, além de diminuir o tempo de entrega para os clientes”, afirma ela. “A ideia é chegar a mil robôs até 2030.”

O ADA é um dos robôs desenvolvidos pela startup Synkar, de Ribeirão Preto, que até o fim do ano contará com 35 robôs a trabalho de marketplaces, hotéis e condomínios, aptos a realizar tarefas em ambientes internos e externos. “O desafio é escalar a produção. Hoje, levamos três meses para fabricar dez unidades”, revela o CEO da Synkar, Lucas Assis. “O objetivo é reduzir esse tempo para 20 dias, a fim de encerrar o primeiro semestre de 2026 com cem unidades em operação.” O tíquete médio mensal pelo uso do robô é de R$ 9 mil. O aluguel começa com R$ 4,5 mil e varia de acordo com o volume de aplicações e quantidade de robôs.

Robô ADA, do iFood, retira pedidos em restaurantes e os leva até os entregadores — Foto: Divulgação/iFood

Na visão de Vinicius Ribeiro, especialista em inteligência artificial (IA) na Pluginbot, plataforma de gestão de robôs que integra artefatos de diversas tecnologias, o varejo é a próxima onda da indústria da robótica: “Os robôs serão usados para dar informações, conduzir o cliente para diversas áreas da loja, prestar serviços, gerenciar estoque em tempo real e até fazer vendas”. Criada em 2017, a plataforma conta com mais de cem robôs em operação nas áreas da saúde, energia, bancos, aeroportos e, mais recentemente, no varejo. “Nos últimos 18 meses, colocamos três equipamentos para testes em lojas de departamentos e de moda, com resultados bastante positivos”, diz Ribeiro. “A partir de R$ 80 mil, é possível desenvolver um robô de atendimento.”

No Brasil, o último levantamento sobre o número de robôs em atuação é de 2019 e registrou 15,6 mil unidades — considerando braços robóticos, cabots (robôs colaborativos), miniaturizados, humanoides de serviços e autônomos móveis. A estimativa é que hoje somem 25 mil. Trata-se de um mercado bilionário que não cresce numa velocidade ainda maior principalmente por conta do preço alto. “O maior obstáculo ainda é o custo, mas não é o único”, afirma Anderson Harayashiki, professor do curso de engenharia de controle e automação do Instituto Mauá. “No Brasil, a barreira cultural é realidade. O consumidor gosta de interagir com gente. Sem contar que ainda não temos um ecossistema bem preparado para lidar com a tecnologia.”

Rodrigo Catani, sócio-diretor da Gouvêa Consulting, por sua vez, observa que a chegada dos robôs ao varejo se dá pela melhoria da eficiência operacional, redução de custos, aumento da produtividade e melhor experiência do cliente. “Os robôs estão presentes nas áreas de preparação de alimentos, controle de estoques e logística, e agora começam a interagir diretamente com os clientes”, revela. “O varejo tem uma curva de aprendizagem grande pela frente, pensando na experiência do cliente e na análise se a tecnologia faz ou não sentido para o tipo de negócio.”

É com o propósito de melhorar a experiência do consumidor na ponta que a Heineken colocou para rodar várias iniciativas envolvendo robôs. A primeira delas foi em 2021, com o B.O.T (Beer Outdoor Transporter), robô capaz de conduzir de maneira autônoma um cooler com até 12 latas de cerveja. Em 2024 foi a vez do HEI, robô-garçom criado para interagir com os clientes e promover experiência de atendimento. Durante quatro semanas o HEI atuou em vários bares dentro da campanha “Sabor Heineken. Só Heineken”, agilizando pedidos, respondendo curiosidades sobre a marca e destacando os diferenciais das cervejas, conta Jussara Calife, diretora de trade marketing on+off da Heineken. Foram mais de quatro mil interações e 70% de conversão das mesas que inicialmente tinham pedido marcas concorrentes. O objetivo é usar a tecnologia combinada com experiência para aproximar pessoas, não para substituí-las.

HEI, o robô-garçom da Heineken, foi bem-sucedido em 70% das abordagens a clientes — Foto: Divulgação/Heineken

O setor de food service é um dos mais avançados no uso de robôs, seja para o preparo de alimentos, seja no salão. Por aqui, na primeira loja do Bob’s totalmente repaginada, em Ipanema, no Rio de Janeiro, um robô prepara na frente do cliente o tradicional milk-shake crocante da casa. “Estamos experimentando a tecnologia, que foi desenvolvida por uma empresa nacional”, afirma Ricardo Bomeny, presidente da BFFC. Embora o braço robótico tenha sido feito sob medida, a BFFC não é dona do equipamento — paga cerca de R$ 10 mil mensais pela locação. Segundo Bomeny, a intenção no primeiro momento é instalar o robô em apenas mais duas ou três lojas da rede, que deve fechar o ano com 1.130 unidades.

Dados da pesquisa Trends Ecossistema agosto/setembro 2025, apresentada pela Galunion, revelam que 2% das redes de franquia de food service — que correspondem a 16% das 3,3 mil marcas franqueadoras — já adotam robôs de salão e 38% têm interesse em adotá-los. “Quando se trata de foco do investimento nos próximos dois anos, a parte de robótica e equipamentos culinários high tech ainda é acanhada: 6% das redes têm intenção, 4% dos fornecedores e 2% entre os independentes”, afirma Simone Galante, fundadora e CEO da Galunion.

Na avaliação de Bruno Gorodicht, coordenador da Comissão de Food Service da Associação Brasileira de Franchising, o robô vem para padronizar serviços, desde linha de produção e atendimento até entregas. “Não vejo o robô-garçom funcionando no Brasil como acontece no Japão”, afirma. “Mas, se olharmos para dentro da cozinha, há oportunidade de melhorar a operação.”

O segmento de farmácias também está de olho na tecnologia. Em junho entrou em operação o primeiro robô de autoatendimento no Brasil. Instalado numa das unidades da rede Drogamais, na cidade de Bandeirantes (PR), o robô seleciona e dispensa medicamentos em dez segundos. “O BD Rowa apresenta uma série de funcionalidades, o que torna a operação mais ágil, sendo possível diminuir em até 33% o tempo gasto na busca de produto, além de garantir 100% de acurácia na informação dos SKUs [códigos para identificar itens] disponíveis no estoque”, afirma Juliano Paggiaro, presidente da BD Brasil. Instalado na frente da drogaria, o robô faz a leitura da receita, separa e dispensa o medicamento, permitindo que a farmácia opere 24 horas, sete dias na semana. O investimento gira em torno de R$ 1,5 milhão para um modelo simples. O tempo de separação de pedidos on-line chegou a cair até 75%.

Nova onda da robótica chega ao varejo e acena com mais eficiência | Revista Inovação | Valor Econômico

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