Laboratório da Alphabet, do Google, e prefeitura do Rio firmam parceria para testar IA em gestão urbana


Projetos vão usar tecnologia para revisar a rede elétrica, ampliar conectividade, acelerar o licenciamento urbano e rastrear resíduos. Objetivo é impulsionar projeto da cidade como polo de inovação

Por Carolina Nalin — O Globo – 03/11/2025 

Projeto da Rio AI City, na região do Parque Olímpico, no Rio, e que pretende ser o maior “hub” de data centers da América Latina. A iniciativa tem previsão de aporte inicial de R$ 5 bilhõesProjeto da Rio AI City, na região do Parque Olímpico, no Rio, e que pretende ser o maior “hub” de data centers da América Latina. A iniciativa  tem previsão de aporte inicial de R$ 5 bilhões — Foto: Divulgação 

No rol de esforços para tornar a cidade do Rio o maior polo de inteligência artificial (IA) da América Latina, a prefeitura anunciou nesta segunda-feira uma parceria com a Moonshot Factory, braço de inovação da Alphabet, dona do Google. A colaboração prevê quatro iniciativas – duas delas já mais maduras – que aplicarão IA nos setores de energia elétrica, telecomunicações, planejamento urbano e gestão de resíduos.

A parceria foi celebrada nesta segunda-feira em evento ligado à Cúpula Mundial de Prefeitos no Porto Maravalley, hub de tecnologia e inovação da cidade, no bairro do Santo Cristo. O acordo envolve troca de tecnologia e conhecimento. Os termos do contrato e os valores envolvidos não foram divulgados.

‘Google Maps’ da rede elétrica

Entre os quatro projetos que chegam ao Rio, o que despertou o interesse inicial da prefeitura e deu origem à parceria é o Tapestry, uma espécie de “Google Maps” da rede elétrica urbana, como explicou Astro Teller, CEO da Moonshot Factory, em entrevista ao GLOBO. A plataforma usa IA e visão computacional para mapear toda a rede, identificando, por exemplo, postes e equipamentos que precisam de manutenção ou atualização.

No Rio, a ideia é que a plataforma ajude a preparar a cidade para o aumento da demanda de energia previsto pelo projeto “Rio AI City”, ao lado do Parque Olímpico, onde os data centers que serão construídos devem usar a infraestrutura de cabos de alta velocidade remanescente dos Jogos de 2016. A previsão é que, quando totalmente pronto, o Rio AI City consuma tanta eletricidade quanto toda a cidade hoje.

Ter um mapa detalhado da rede parece algo básico, mas não é trivial, explica Teller. A rede elétrica é uma das mais antigas e caras em operação no mundo, e veio sendo construída ao longo dos últimos cem anos. O Tapestry oferece, portanto, uma visibilidade maior da rede. Uma espécie de “Google Maps da rede elétrica”, diz o executivo.

— Vamos fazer isso no Rio para apoiar a visão do prefeito de uma “cidade de IA” do futuro, porque se a rede elétrica não estiver pronta, data centers não podem chegar para dar suporte a essa visão. (…) O primeiro passo será trabalhar com muitos parceiros locais e montar um plano — diz Teller, que calcula “alguns trimestres” até que o projeto apresente efeitos práticos.

Outro projeto, também mais maduro dentro das inovações do laboratório da Alphabet, é o Taara, uma caixa que usa feixes de luz invisíveis ao olho humano para transmitir internet em alta velocidade. Quase como o canal de transmissão de fibra óptica, só que sem fio. Pela luz, as informações são transmitidas a uma velocidade de até 20 gigabits por segundo, a distâncias de até 20 quilômetros.

Mais internet em escolas públicas e hospitais

No Rio, a tecnologia será usada para implantar 22 links que vão conectar escolas, hospitais e postos de saúde municipais. Será a primeira cidade a receber a internet por feixe de luz da Taara em formato de rede em malha (mesh network), que permite redirecionar o tráfego se um dos enlaces cair, deixando a rede mais estável e resiliente.

A prefeitura também planeja usar um caminhão equipado com uma dessas unidades. Assim, em caso de emergência ou desastre natural, é possível levar o dispositivo para qualquer ponto da cidade. Basta apontar a unidade para uma rede para ter internet banda larga em segundos.

— Como é algo rápido de instalar, o tempo não é o problema — afirma Teller — Acho que ainda haverá algum planejamento sobre quais hospitais e escolas a cidade vai priorizar. A Taara vai trabalhar nisso. (…) Eu diria que vai levar pelo menos dois ou três trimestres, até o próximo ano, para isso ser implementado, mas acho que veremos os resultados já no ano que vem — avalia.

Licenciamento urbano mais rápido e lixo ‘inteligente’

O terceiro projeto chama-se “Anori”, um software criado para simplificar e acelerar processos de construção e licenciamento urbano. A plataforma reúne incorporadoras, arquitetos e prefeitura em um mesmo sistema para reduzir o tempo e o custo do planejamento de empreendimentos residenciais e comerciais.

No Rio, a ferramenta será usada para acelerar o processo de licenciamento urbano. A meta é reduzir o tempo de análise de um projeto e aprovação de meses para minutos, além de usar os dados da Anori para prever cenários de crescimento urbano e atrair novos investimentos para a cidade.

É a primeira vez que o Moonshot Factory fecha uma parceria envolvendo vários projetos de uma só vez com uma cidade no mundo. O Rio será, inclusive, a primeira cidade fora dos Estados Unidos a receber o projeto “Materra”, voltado à redução do desperdício e à economia circular.

Com um equipamento menor que uma geladeira, o Materra usa IA para identificar, a nível molecular, os materiais que compõem o lixo e assim direcioná-los para o tipo correto de reciclagem. No Rio, o projeto será implementado em parceria com a Comlurb, com o objetivo de elevar a taxa de reciclagem da cidade de 1,4% para 35% até 2030 e 80% até 2050.

Funciona assim: o dispositivo analisa os resíduos em uma esteira de triagem e identifica, em segundos, os diferentes tipos de materiais. A partir daí, os materiais podem ser separados de forma robótica e transformados novamente em matéria-prima por processos químicos, térmicos, mecânicos ou biológicos. Em outras palavras, um saquinho feito de petróleo pode ser convertido de volta em petróleo.

— Se a matéria-prima usada pra produzi-lo puder ser reconstruída, o que hoje é lixo e ocupa espaço passa a gerar receita pra cidade. Acho que há uma visão de que isso se torne uma parte importante de como o Rio vai funcionar, e de como o Rio se tornará não só uma cidade de IA, mas uma cidade de IA sustentável — diz Teller.

Laboratório da Alphabet, do Google, e prefeitura do Rio firmam parceria para testar IA em gestão urbana

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