- Empresas citam ganhos de produtividade com IA em anúncios de redução de pessoal
- Gigante do ecommerce se junta a Salesforce, Microsoft, UPS e Accenture na tendência
Taylor Telford,Danielle Abril,Federica Cocco – Folha/The Washington Post – 29.out.2025
A Amazon anunciou o corte de cerca de 14 mil cargos de sua força de trabalho nos escritórios, tornando-se a mais recente empresa a defender estruturas mais enxutas e hierarquias menores, apostando nas inovações impulsionadas pela inteligência artificial.
As demissões, há muito tempo sinalizadas, vão “remover camadas, aumentar o senso de responsabilidade e gerar ganhos de eficiência”, com o objetivo declarado de administrar a empresa “como a maior startup do mundo”, segundo uma postagem no blog da Amazon nesta terça-feira (28) assinada por Beth Galetti, vice-presidente sênior de experiência e tecnologia de pessoas.
A Amazon empregava 1,56 milhão de pessoas, incluindo trabalhadores de escritório e de centros de distribuição, no fim do ano passado. O fundador da Amazon, Jeff Bezos, é dono do Washington Post.
A empresa se junta a outras grandes corporações —como Salesforce, Microsoft e UPS— que vêm promovendo cortes amplos em suas equipes, muitas vezes apesar de apresentarem bom desempenho financeiro, enquanto profetizam sobre o potencial da IA de permitir inovação e aumento de lucros.
A onda de cortes coincide com a paralisação do governo americano, o que tem levado à escassez de dados justamente quando economistas e formuladores de políticas observam atentamente sinais de desaceleração nas contratações, aumento do desemprego e inflação persistente.
O número total de demissões fica bem abaixo do surto histórico de 2023. Até outubro, as empresas haviam cortado cerca de 98 mil empregos em aproximadamente 115 rodadas públicas de demissões.
Contudo, essas reduções vêm atingindo mais trabalhadores de uma só vez: uma média de mais de 850 funcionários por corte —o nível mais alto em pelo menos cinco anos— impulsionado, em parte, por reduções expressivas em grandes fabricantes de hardware como a Intel.
O anúncio da Amazon ocorre poucos dias antes da divulgação dos resultados financeiros da empresa, mas o CEO Andy Jassy já havia alertado os funcionários, em junho, que os cortes estavam a caminho, atribuindo as reduções às eficiências criadas pelo uso de IA.
Ele disse depois que planejava reduzir a burocracia, eliminando alguns níveis de gestão e “processos desnecessários” que estavam retardando a companhia.
Outros executivos repetiram os argumentos de Jassy ao anunciar suas próprias demissões, prevendo grandes ganhos com o uso de IA para tornar suas operações mais eficientes.
O Walmart, por exemplo, afirmou que planeja manter seu quadro de pouco mais de 2 milhões de trabalhadores nos próximos anos, enquanto transforma sua força de trabalho para a era da inteligência artificial.
Ao divulgar lucros recordes nesta terça-feira, a UPS reconheceu ter cortado cerca de 34 mil cargos operacionais neste ano, além de 14 mil posições gerenciais. A CEO Carol Tomé disse a investidores e analistas que a empresa está “preparada para operar o pico mais eficiente da nossa história”.
“Continuamos encontrando oportunidades para reduzir custos”, afirmou Tomé.
Essas tendências na gestão da força de trabalho apontam para um futuro desafiador para os trabalhadores considerados redundantes ou ultrapassados, disse John Challenger, diretor-executivo da consultoria Challenger, Gray & Christmas.
O número de desempregados de longo prazo vem subindo ao longo do ano, “o que geralmente indica que algumas pessoas estão ficando para trás”.
A Accenture citou diretamente a inteligência artificial ao demitir 11 mil funcionários em setembro, com a CEO Julie Sweet afirmando a investidores, em uma teleconferência de resultados, que os demitidos não poderiam ser requalificados para uma força de trabalho orientada por IA. Ao contrário de muitas outras, porém, a Accenture ainda planeja aumentar seu quadro no próximo ano, disse Sweet.
Em um memorando divulgado no início deste mês, o Goldman Sachs alertou que os funcionários devem esperar mais cortes, apesar dos lucros crescentes, enquanto o banco reduz custos e integra a IA em suas operações.
“Está cada vez mais claro que nossas metas de eficiência operacional precisam refletir os ganhos que virão dessas tecnologias transformadoras”, dizia o memorando, segundo reportagem da Bloomberg News.
O grupo de aviação alemão Lufthansa afirmou em setembro que cortará 4.000 cargos até 2030, enquanto revisa “quais atividades deixarão de ser necessárias no futuro”, observando que “mudanças profundas provocadas pela digitalização e pelo uso crescente da inteligência artificial levarão a uma maior eficiência em muitos setores e processos.”
A Salesforce também cortou cerca de 4.000 cargos em setembro, com o CEO Marc Benioff dizendo em entrevista ao podcast The Logan Bartlett Show que “precisa de menos cabeças”. Durante o verão, Benioff havia dito que a IA já realizava 50% do trabalho na empresa.
“Se as pessoas estão se tornando mais produtivas, você não precisa contratar mais gente”, disse o CEO da Airbnb, Brian Chesky, ao Wall Street Journal em uma matéria publicada nesta semana. Ele afirmou que a empresa planeja pouca contratação no futuro próximo, com a expectativa de que a IA permita que os funcionários atuais “realizem muito mais trabalho”.
Os principais concorrentes da Amazon na corrida pela liderança em IA e data centers também estão enxugando suas equipes.
Na semana passada, a Meta anunciou o corte de cerca de 600 pessoas de sua unidade de IA para competir melhor na corrida global de inteligência artificial.
A unidade, liderada pelo diretor de IA Alexandr Wang —que antes comandava a startup Scale AI —faz parte do laboratório de “superinteligência” da empresa, cujo objetivo é desenvolver sistemas mais inteligentes que os humanos.
A Meta investiu US$ 14,3 bilhões na Scale AI antes de contratar Wang, e desde então teria oferecido pacotes milionários para atrair talentos de IA de concorrentes.
O Google também teria feito cortes em várias de suas unidades neste ano como parte de reorganizações internas. Da mesma forma, a Microsoft demitiu milhares de funcionários enquanto continua investindo em suas ambições em IA.
Após as demissões, o CEO Satya Nadella disse em um memorando aos funcionários que a Microsoft está investindo mais “do que nunca”, que “o número total de empregados permanece relativamente inalterado” e, “ao mesmo tempo, passamos por demissões.”
Demissões da Amazon revelam uma nova era de cortes – 29/10/2025 – Mercado – Folha
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