Investimentos em data centers podem chegar a US$ 11,4 bilhões em 2026


Estimativa é da Brasscom, do setor de tecnologia, e reflete impacto de incentivos tributários. Países vivem disputa para receber projetos

Por Bernardo Lima — O Globo – 05/10/2025 

Com incentivos fiscais previstos para o ano que vem, o setor de data centers deve alcançar US$ 11,4 bilhões (R$ 60,8 bilhões) em investimentos no Brasil em 2026, segundo estimativas da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom). Executivos relatam grande aumento na procura de empresas estrangeiras por negócios no Brasil após a publicação da política nacional para o setor.

A medida provisória (MP) que prevê os benefícios fiscais foi publicada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em setembro, após meses de expectativa de empresários pelo lançamento.

Boom na infraestrutura

Batizado de Redata, o plano nacional para o setor vai antecipar efeitos da Reforma Tributária, que entra em vigor em 2027. Desse modo, 2026 é o único ano de vigência desses benefícios, e é por isso que há a expectativa de que haja um “boom” nos investimentos no ano que vem.

As empresas não pagarão tributos sobre a compra de equipamentos. Em contrapartida, terão que investir na indústria nacional e fazer uso sustentável de energia e água.

Segundo estimativas da Brasscom, que representa mais de 80 empresas do setor de tecnologia, do total de investimentos previstos para o ano que vem, US$ 8,6 bilhões (R$ 45,8 bilhões) devem ser destinados a equipamentos e US$ 2,9 bilhões (R$ 15,5 bilhões), para infraestrutura.

No pano de fundo desses incentivos está uma verdadeira “corrida” entre países pela atração dos investimentos dessa indústria que movimenta bilhões de dólares anualmente. A abertura a investimentos nesse setor foi colocada, inclusive, como uma das cartas nas mangas do governo brasileiro a serem usadas na mesa de discussão com o governo americano em torno das tarifas de importação.

O presidente da Brasscom, Affonso Nina, destaca que a situação pode ser uma oportunidade para atrair ainda mais investimentos para o setor no Brasil.

— O Brasil pode se posicionar como parceiro comercial para processar aqui serviços, processar dados dos Estados Unidos no Brasil. Nós já levamos essa proposta para que isso fosse colocado na mesa de negociação, e levamos isso para o vice-presidente (Geraldo) Alckmin, e ele entendeu que era uma boa ideia — conta o presidente da Brasscom.

A expectativa do setor é que grandes empresas estrangeiras sejam atraídas. A gigante chinesa Alibaba anunciou na semana passada , por exemplo, planos de expandir sua base global de data centers com a instalação de centrais de processamento de dados no Brasil.

O presidente da Equinix — maior provedora de data centers do mundo — na América Latina, Eduardo Carvalho, diz que o Redata tem potencial de colocar o Brasil entre os três principais destinos para data centers no mundo nos próximos anos. Ele destaca a matriz de energia limpa do país como uma das vantagens comparativas:

— O Brasil vai assumir um protagonismo mundial. Por exemplo, em comparação com o México, que poderia estar junto conosco nessa frente de atração de mercado de data center, mas não tem o insumo principal para eles, que é a energia elétrica. Aqui tem em abundância.

Disputa entre países

Entre os concorrentes locais, apenas o Chile já instituiu uma política nacional de incentivo ao setor. A Colômbia criou uma zona franca em Bogotá, com redução tributária para empresas do setor. O México estabeleceu em 2023 incentivos fiscais para empresas que transferissem suas operações para o país.

Outro concorrente direto do Brasil nessa disputa por mercado é a Índia, que conta com um preço de energia e mão de obra baratos ao seu favor. No entanto, o carvão é a principal fonte energética do país, indo na contramão da tendência verde do setor, que dá preferência para geração de energia limpa.

Por outro lado, especialistas apontam que a escassez de mão de obra especializada deve ser um desafio para o setor no Brasil . O presidente da Amazon Web Services (AWS) no país, Cléber Morais, aponta que esse percalço deve ser superado com investimento das próprias empresas. Desde 2017, a AWS capacitou mais de 900 mil profissionais no Brasil.

— O grande desafio nosso vai ser como treinar, capacitar e ter mão de obra. Energia abundante já temos, agora precisamos dos profissionais. O brasileiro tem uma capacidade de inovação enorme — aponta Morais.

Segundo a Associação Brasileira de Data Centers (ABDC), o Brasil possui atualmente 162 centrais de processamento de dados. A maioria está instalada no Sudeste (110 unidades), seguido pelo Sul (27 unidades), Nordeste (15 unidades), Centro-Oeste (8 unidades) e Norte (2 unidades).

Diante dessas vantagens, associadas agora aos benefícios tributários, o diretor executivo de Receita (CRO, na sigla em inglês) e gerente de Estratégia da Ascenty, Marcos Siqueira, diz que a procura por investimentos estrangeiros aumentou consideravelmente nas últimas semanas.

— A gente trabalha com a possibilidade de investimentos em bilhões de dólares agora com esse maior apetite de clientes internacionais para ter data centers no Brasil. Estamos conversando com clientes americanos, asiáticos, com projetos que demandam 100 megawatts de energia — conta Siqueira.

A Elea Data Center também projeta um crescimento em seus investimentos nos próximos anos. O presidente da companhia, Alessandro Lombardi, destaca o cenário positivo para a empresa, que acabou de assinar um contrato de R$ 2,3 bilhões com a Petrobras para implantar um data center de inteligência artificial (IA) em São Paulo.

— O meu telefone, depois que o presidente Lula assinou (a Medida Provisória), não para de tocar, com os investidores querendo investir aqui — afirma Lombardi.

Entre os benefícios previstos estão a isenção do IPI, PIS/Pasep, Cofins na aquisição de equipamentos de TIC (tecnologias da informação e comunicação) para data centers. Caso esses equipamentos não sejam produzidos no Brasil, também haverá desoneração do imposto de importação.

Renúncia de R$ 7,5 bi

O advogado tributarista e sócio do escritório Mattos Filhos Leonardo Homsy destaca a importância da desoneração do imposto de importação para o setor, frente a uma carga tributária alta cobrada sobre equipamentos.

— É um alívio relevante, porque costuma ser uma alíquota alta e vai durar pelo prazo de cinco anos. Hoje, você tem alíquotas variadas na importação, depende do equipamento, mas no caso dos data centers pode chegar ali a 60% ou até em alguns casos a 70%. Com a desoneração, já calculamos que a economia pode chegar a quase 40% em alguns casos — explica o advogado.

Além do prazo de validade, os benefícios do Redata exigirão uma renúncia fiscal de R$ 7,5 bilhões nos próximos três anos, segundo o governo. Quem aderir terá que direcionar 2% de seus investimentos para pesquisa e ao menos 10% dos serviços providos terão que ser destinados ao mercado interno.

Investimentos em data centers podem chegar a US$ 11,4 bilhões em 2026

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