Mineração de terras raras: Brasil corre risco de vender o futuro antes da hora


Nós estamos prestes a repetir a história: exportar riqueza e importar dependência; nosso governo não está considerando todos os aspectos

Por Fabio Gallo – Estadão – 15/08/2025 

Muito se tem discutido sobre como o Brasil deve negociar com os EUA em relação ao tarifaço. Como em qualquer negociação, são vários aspectos a serem considerados, sendo o pilar de base a soberania nacional. Embora um acordo equilibrado e sólido deva considerar também fatores políticos, econômicos, jurídicos e geoestratégicos.

Soberania significa garantir que nenhum acordo viole sua Constituição, leis internas ou comprometa o controle sobre recursos estratégicos. Outros aspectos importantes são a autonomia tecnológica, industrial e militar. A dependência excessiva de um parceiro comercial deve ser evitada. Da mesma forma, qualquer acordo deve buscar equilíbrio econômico e alinhamento geopolítico, sem deixar de ser integrado aos padrões ambientais, sociais e de governança.

No entanto, aparentemente o nosso governo não está considerando todos esses aspectos. Vemos isso quando o ministro da Fazenda abre a possibilidade de colocar logo de início os minerais críticos na mesa de negociação. Assim, corre-se sério risco de trocar um trunfo estratégico por concessões imediatistas e de baixo retorno. 

E temos de observar uma assimetria clara inicial nessa questão. EUA, UE e Japão já têm planos estratégicos completos para minerais críticos, com metas de substituição da China, linhas de financiamento, reservas estratégicas e coordenação industrial. 

O Brasil não tem um plano nacional integrado de minerais estratégicos, critérios claros de contrapartidas, avaliação do momento de mercado e do poder de barganha. Nossa posição é frágil e nossa produção comercial, mínima; só temos uma mina relevante (Serra Verde) em produção. Não temos plantas de separação química ou de fabricação de ímãs no – o que nos coloca como “fornecedor de concentrado” e não de produtos com valor agregado. Assim, corremos o risco de vender barato.

Nossa posição é frágil e nossa produção comercial, mínima; só temos uma mina relevante (Serra Verde) em produção. Não temos plantas de separação química ou de fabricação de ímãs – o que nos coloca como “fornecedor de concentrado” e não de produtos com valor agregado. Assim, corremos o risco de vender barato. 

Segundo o Serviço Geológico dos EUA, as reservas conhecidas de elementos de terras raras da China são de aproximadamente 44 milhões de toneladas; o Vietnã tem 22 toneladas; o Brasil, algo como 21 milhões de toneladas, sendo que os EUA têm 1,9 milhão de toneladas. A China domina cerca de 70% da mineração e mais de 90% do refino/processamento global de terras raras e está usando isso como ferramenta de coerção econômica para fins estratégicos.

Recente artigo da The Economist argumenta que essa “arma” tende a sair pela culatra, pois força o Ocidente a diversificar mineração, refino e ímãs, movimento que já está em curso. Isso abre janela estratégica para o Brasil, desde que geremos valor além do minério bruto. Estamos prestes a repetir a história: exportar riqueza e importar dependência – com frete grátis.

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