Ciência, tecnologia e o futuro do Brasil


Futuro do Brasil depende do investimento na formação de profissionais de áreas estratégicas

Por Ludhmila Hajjar – O Globo – 18/07/2025 

Num mundo cada vez mais movido por dados, algoritmos e inovação, o Brasil permanece na contramão da História. Enquanto as principais potências investem em formação científica e tecnológica, seguimos estagnados, com baixíssimos índices de estudantes e profissionais nas áreas de STEM, sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. O futuro do Brasil depende de uma virada concreta nessa realidade. E o momento é agora.

A crise climática, as pandemias, a transição energética, a inteligência artificial e a biomedicina personalizada são apenas alguns dos desafios e oportunidades do século XXI. Todos eles exigem formação técnica qualificada, pensamento crítico e soluções com base em evidência e engenharia.

Os números falam por si. Na China, cerca de 50% dos formandos universitários estão em cursos de STEM. Trata-se de uma verdadeira política de Estado: a cada ano, o país forma mais de 1,3 milhão de engenheiros, muitos deles com domínio técnico de ponta, voltados para inovação. Nos Estados Unidos, o índice gira em torno de 33%, com incentivos bilionários em inteligência artificial, cibersegurança, física avançada, engenharia biomédica e computação quântica. Já a Índia forma cerca de 30% dos seus graduandos nas áreas de STEM, com especial destaque para engenharia da computação e tecnologia da informação.

E o Brasil? Apenas 13% dos formandos estão nas áreas de STEM, segundo dados do Censo da Educação Superior. Ainda pior: esse número não cresce de forma sustentada nos últimos dez anos, e a evasão nos cursos de ciências exatas e engenharia segue altíssima. O resultado é um apagão de talentos que compromete a competitividade do país, a sustentabilidade do sistema de saúde e até mesmo a segurança alimentar e energética. Não é surpresa, portanto, que ocupemos as últimas posições no ranking de inovação do Fórum Econômico Mundial. O investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) no Brasil corresponde a menos de 1,2% do PIB, enquanto países como a Coreia do Sul investem mais de 4,5%.

É urgente estabelecer uma estratégia nacional para STEM, com políticas integradas desde a educação básica até o ensino superior e a pesquisa aplicada. Precisamos:

  • Garantir alfabetização científica e digital universal;
  • Fortalecer as universidades públicas e institutos federais como centros de em STEM;
  • Criar programas de bolsas e mentorias específicas para mulheres, negros e indígenas nessas áreas, reduzindo desigualdades;
  • Estimular parcerias com o setor produtivo, gerando inovação de impacto;
  • Valorizar professores de ciências e matemática com formação continuada, salários dignos e reconhecimento social;
  • Estabelecer metas claras: por exemplo, chegar a 25% de graduandos em STEM até 2030 e dobrar o investimento em P&D.

Investir em STEM não é um luxo, é uma necessidade. Não haverá soberania nacional sem tecnologia própria, sem inovação médica, sem segurança de dados, sem inteligência energética. E isso só se constrói com gente bem formada, bem equipada, bem paga e valorizada. Em 2024, o Brasil ultrapassou os 1,3 milhão de óbitos acumulados por doenças cardiovasculares e câncer na última década. Quantas dessas mortes poderiam ter sido evitadas com diagnóstico precoce apoiado por IA, engenharia de dispositivos médicos acessíveis, análise de dados populacionais? A resposta está na ciência.

A tragédia de Brumadinho, as queimadas na Amazônia, o colapso de barragens, os apagões em grandes cidades: todos são retratos de um país que negligencia sua infraestrutura científica e tecnológica. Enquanto formos dependentes da importação de chips, de insumos farmacêuticos e até de reagentes básicos, seremos uma nação vulnerável, periférica e eternamente desigual.

Ciência, tecnologia e o futuro do Brasil

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