Se quisermos saber como será o fim do dinheiro, basta olhar para um país que está vivendo isso: a China


História de Viny Mathias • 22 h • 4 minutos de leitura

Se você for a uma loja na China, provavelmente descobrirá que não pode pagar com dinheiro. Os logos azul e verde do Alipay (Ant Group) e do WeChat Pay (Tencent) dominam tudo, relegando as moedas e notas tradicionais a um papel secundário por anos. Enquanto no Ocidente debatemos o que fazer com o dinheiro e a Europa pondera o que acontecerá com o euro digital, na China isso já é bem claro.

Supermercados, cafés, táxis ou transporte público são alguns dos muitos tipos de estabelecimentos onde os chineses já pagam com Alipay ou WeChat Pay. Onde quer que o pagamento seja necessário, os símbolos azul e verde desses aplicativos dominam tudo e, de fato, muitos estabelecimentos nem sequer têm caixa registradora. De acordo com o jornal Le Monde, muitos táxis e estabelecimentos locais se recusam a aceitar pagamentos em dinheiro e, se o fazem, nem dão troco aos clientes.

Apenas os idosos pagam em dinheiro. Ma Dian, um vendedor de frutas e verduras em Hubei, contou ao Le Monde como vivenciou o desaparecimento dos pagamentos em dinheiro. “Só aceito dinheiro para ajudar os idosos. Abaixo dos 80 anos, praticamente todos já fizeram a troca. Acima dos 80, é muito mais difícil se adaptar”. Os idosos são os mais afetados e precisam pedir ajuda aos familiares devido à dificuldade que enfrentam para fazer pagamentos móveis com Alipay ou WeChat Pay.

Os códigos QR que vemos com frequência em bares e restaurantes por aqui para olhar o cardápio (vida longa ao cardápio físico, aliás) estão por toda parte na China. Lá, os estabelecimentos têm códigos estáticos ou dinâmicos que os clientes escaneiam. Se for um código estático, o cliente geralmente precisa inserir o valor a ser pago. Com códigos dinâmicos, o valor é exibido automaticamente. A etapa final é a autenticação com uma senha, reconhecimento facial ou impressão digital. Embora o Alipay e o WeChat Pay inicialmente usassem códigos diferentes em alguns casos, códigos QR unificados agora são usados ​​para ambos os aplicativos — cabe ao cliente escolher qual usar em seu celular.

Bancos estão perdendo a relevância

A presença absoluta desses dois sistemas de pagamento digital fez com que os bancos chineses (de propriedade do governo) também desempenhassem um papel secundário para muitos clientes. É necessária uma conta bancária para vinculá-los a esses aplicativos, mas seus aplicativos e serviços móveis são completamente ofuscados pelo Alipay e pelo WeChat Pay, com os quais os usuários fazem praticamente tudo na área de pagamentos e transações financeiras. Como John Engen observou no American Banker, os bancos são frequentemente reduzidos a “atores passivos”.

Embora tanto a Alibaba (da qual a Ant Group é filiada) quanto a Tencent tenham conseguido controlar essas transações, o governo chinês já demonstrou que elas continuam sendo entidades passíveis de punições severas. Isso aconteceu em 2020, quando a Ant Group estava prestes a abrir o capital. O fundador do grupo, Jack Ma, criticou seu governo na época, o que levou ao cancelamento do IPO e ao banimento de um dos principais empreendedores da China por anos.

A China quer sua moeda digital

O banco central chinês busca a criação de uma moeda digital há anos. Seu renminbi (yuan) digital está alcançando mais do que apenas uma alternativa ao dólar: está criando um sistema paralelo. O objetivo é ter uma alternativa à popularidade das criptomoedas, mas controlada pelas autoridades chinesas. Embora o lançamento dessa moeda digital esteja em andamento há anos, sua proeminência é muito limitada e, por enquanto, tanto o Alipay quanto o WeChat Pay continuam a dominar.

Ambas as plataformas, que antes dificultavam a vida dos turistas, adaptaram-se gradualmente às suas necessidades. Há cerca de dois anos, tanto o Alipay quanto o WeChat Pay permitem que visitantes estrangeiros criem uma conta nesses aplicativos e a vinculem a um cartão de crédito. No ano passado, os limites de transação também foram aumentados, passando de US$ 1.000 para US$ 5.000 no Alipay, por exemplo.

O WeChat Pay ainda oferece acesso a uma espécie de carteira que você pode preencher para não precisar vincular seu cartão de crédito ao aplicativo, permitindo que você faça pequenos pagamentos. O acesso à Internet é necessário para esses pagamentos, e comprar um SIM ou eSIM local para obter um número chinês (para validações de SMS, por exemplo) é especialmente recomendado para facilitar esses tipos de transações.

Se quisermos saber como será o fim do dinheiro, basta olhar para um país que está vivendo isso: a China 

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