Economia de milhões: produtividade está impulsionando a adoção de inteligência artificial no Brasil


Executivos de empresas como a Amazon Web Services explicam no ‘Estadão Summit Tecnologia e Inovação’ como a IA tem trazido ganhos tanto para o fornecedor quanto para o cliente

Por Henrique Sampaio – Estadão – 14/05/2025 

O uso da inteligência artificial generativa já fez a Amazon Web Services (AWS, plataforma de serviços em nuvem oferecida pela Amazon) poupar R$ 260 milhões e 4,5 mil anos em tempo de desenvolvimento, segundo Luis Liguori, diretor de arquitetura de soluções da empresa. A afirmação foi feita durante o Summit Tecnologia e Inovação, evento realizado pelo Estadão nesta quarta-feira, 14, que reuniu lideranças do setor de tecnologia.

A eficiência foi destacada pelos participantes do painel “Os negócios impulsionados pela IA como um dos fatores de maior impacto na adoção da tecnologia no Brasil”. Segundo Liguori, o impacto afeta não apenas a própria AWS, mas também os clientes que passaram a adotar IA generativa. Aplicações que tomavam 40 horas de um cliente hoje tomam 10 minutos.

“O cliente vai a uma reunião hoje onde eu não preciso mais levar um report, eu levo só os dados, eu pergunto para a IA, e ela me responde”, conta.

O setor bancário é outro que vem acompanhando de perto os avanços da IA. Segundo Ivo Mósca, Diretor executivo de inovações, produtos e serviços da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em 2024, 82% dos bancos estavam testando soluções baseadas em IA generativa, um aumento de 23% em relação a 2024. O setor é um dos pioneiros no uso de IA, que desde 2014 trabalha com chatbots, automações e outras soluções, de acordo com o executivo.

“Essas instituições que utilizam a IA generativa dentro de seus processos, a gente já detecta 11% de ganho operacional”, relatou Mósca. “E não é onde ela foi aplicada, é em todo o processo. Aproximadamente 40% dessas instituições já têm ganhos superiores a 20% de seus processos.”

A evolução na modelagem de crédito e ofertas trouxe ganhos expressivos. Antes, um modelista levava cerca de 15 dias para testar e aprovar um modelo; hoje, isso ocorre em apenas “2 minutos”. O novo processo não só identifica “as melhores variáveis” e testa diversas ferramentas, mas também indica “quanto tempo você tem que reviver esse modelo”, tornando a análise mais ágil e precisa. Com isso, os benefícios se estendem aos clientes dos bancos, que, com a IA generativa, poderão contar com um gerente 24 horas por dia, segundo Mósca.

“Os bancos estão investindo de maneira massiva. Hoje a gente vê, em termos de tecnologia e inovação, um investimento anual de aproximadamente R$ 50 bilhões no Brasil”, afirmou Mósca.

Revoluções silenciosas

Roberto Frossard, superintendente de tecnologias emergentes do Itaú Unibanco, destacou a importância do diálogo com a academia, ressaltando que o Intituto de Ciência e Tecnologia do Itaú (ICT) tem mais de 80 pesquisadores e parceria com diversas universidades, incluindo MIT e Stanford, nos EUA.

“Desde o momento do ChatGPT até hoje, a gente passou por pelo menos umas três ou quatro revoluções silenciosas”, disse Frossard. Para ele, os agentes de IA (sistemas autônomos capazes de resolver problemas e executar tarefas a partir da análise de dados) são uma outra revolução, tal como a capacidade de “raciocinar” dos modelos mais recentes.

Anderson Soares, coordenador científico do Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (UFG), destacou que, no ramo da saúde, a IA deverá direcionar o setor para práticas mais preventivas do que reativas.

“Uma lei fundamental é que o preventivo é sempre melhor. E uma das coisas que os dados entregam, e a IA ajuda, é exatamente em análises preditivas”, disse Soares. “É um cenário em que você pode entregar mais valor para qualquer tipo de negócio. Qualquer coisa que te dê um retrato do futuro é sempre um ótimo negócio, e na saúde mais ainda.”

De acordo com ele, no Brasil ainda “faltam peças” para esse tipo de aplicação, como dados de predisposição genética, mas elas estão começando a surgir.

A adoção de IA nos negócios, contudo, precisa ser cautelosa e seguir alguns passos. Para Liguori, não adianta adotar um sistema inteligente sem uma boa fundação de dados. “O dado tem de ser de qualidade, senão vai fazer o seu problema tripilcar”, alertou, destacando a importância da governança de dados.

Com a mudança de paradigma, as empresas passarão a buscar outras qualidades nos profissionais. Segundo Mósca, há uma transição na priorização de “hard skills” para “soft skills” no profissional do futuro. Habilidades essencialmente humanas, como flexibilidade, resiliência e inteligência emocional serão essenciais em um mundo onde a inteligência artificial vem se mostrando muito mais rápida e eficiente que o próprio homem.

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