Combinação entre inteligência artificial e robótica vai revolucionar setores de manufatura e logística, que movimentam US$ 50 trilhões, diz Jensen Huang, da Nvidia
Por Daniela Braun — Valor – 08/01/2025
A aplicação da inteligência artificial em robôs e carros autônomos, ou “IA física”, é a próxima fronteira da IA generativa e terá grande impacto na indústria de manufatura e em logística, setores que movimentam US$ 50 trilhões. Essa é a aposta da fabricante de processadores Nvidia, disse o fundador e executivo-chefe (CEO) da companhia, Jensen Huang, na palestra de abertura oficial da feira de tecnologia CES 2025, ocorrida na noite de segunda-feira, 6, em Las Vegas.
“Estamos ensinando a IA a entender o mundo real”, disse Jensen diante de um estádio com capacidade para 12 mil pessoas, praticamente lotado. Vestido com uma jaqueta preta brilhante, o executivo destacou o Nvidia Cosmos, que denominou como “um modelo global de treinamento de modelos de IA para o mundo físico”, o que inclui robôs humanoides e veículos autônomos.
“A IA física revolucionará indústrias de manufatura e logística de US$ 50 trilhões”, citou o executivo. “Tudo o que se move – de carros e caminhões a fábricas e armazéns – será robótico e incorporado pela IA”.
Huang anunciou a montadora japonesa Toyota como a mais nova parceira da Nvidia na adoção de ferramentas de treinamento de veículos autônomos, que usam dados sintéticos [simulações de realidade geradas por algoritmos] e recursos gráficos para aprimorar a autonomia dos veículos.
É a primeira apresentação do fundador da Nvidia na CES em oito anos. Em 2017, quando a companhia ainda era mais conhecida pelos produtos destinados a fãs de jogos on-line, Huang também usava uma jaqueta de couro, que se tornaria sua marca registrada. Fundada em 1993, a empresa tornou-se famosa, inicialmente, por suas GPUs – semiprocessadores que melhoram imagens e sons, essenciais aos jogos eletrônicos. No evento deste ano, Huang anunciou uma versão turbinada das placas de vídeo GeForce, com uma versão das GPUs Blackwell.
Para ver a apresentação de Huang era preciso esperar duas horas na fila, passar por um esquema de segurança e se misturar a uma multidão digna de um show de rock, todos indicativos da importância assumida pela Nvidia com os chips para IA.]
Cercado de robôs humanoides projetados por parceiros, Huang mostrou que a convivência entre humanos e máquinas descrita pelo escritor e bioquímico russo-americano Isaac Asimov em suas obras de literatura está mais próxima da realidade do que se pensa.
O CEO da Nvidia disse que “a era da robótica está logo ali virando a esquina”, mas ressaltou que há desafios, como treinar os robôs. Ele também anunciou um conjunto de processos para o treinamento de robôs com dados sintéticos, batizado de “Nvidia Isaac Groot”.
O treinamento de movimentos humanos feito por máquinas compreende a criação, pela IA, de 20 milhões de horas de vídeos mostrando diferentes movimentos humanos, como gestos e tarefas com as mãos. É um treinamento feito por máquinas para máquinas. Segundo Huang, trata-se de “uma nova forma de gerar sinteticamente bilhões de movimentos para que os robôs consigam aprender a realizar tarefas”.
Outra novidade anunciada pelo executivo foi um conjunto de modelos amplos de linguagem (LLMs, na sigla em inglês) pré-configurados para facilitar a criação dos chamados “agentes de IA”. Os LLMs estão na base da criação dos chatbots.
Os modelos “Nvidia Llama Nemotron” se baseia no modelo de linguagem de código aberto Llama, da Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp. Entre os exemplos de agentes de IA pré-configurados estão sistemas de verificação de segurança de software, de monitoramento de tráfego e suporte à área de Recursos Humanos. “Esta será a próxima aplicação gigante a IA”, destacou Huang.
A multiplicação de dados sintéticos e a criação dos “agentes de IA” para tarefas operacionais são vistas como formas de retorno sobre os pesados investimentos na infraestrutura computacional requeridos pela IA.
“Precisamos buscar uma forma de compensar os investimentos massivos [em inteligência artificial] na nuvem”, destacou Huang na apresentação. “No futuro, a IA estará pensando, processando [informações] e refletindo sozinha. Por isso precisamos que a nova geração de tokens avance e que o custo caia”, afirmou o executivo.
‘IA física’ é próxima fronteira, diz CEO da Nvidia | Empresas | Valor Econômico
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