País pode escapar das pressões geopolíticas para se tornar fornecedor-chave de alimentos e energia, acredita o ex-presidente do Banco dos Brics
Por Guilherme Guerra — Valor – 27/11/2024
Crises globais sucessivas, simultâneas e sem fim inspiraram pensadores a cunhar o termo “permacrise”, que chegou a ser a palavra do ano em 2022 segundo o dicionário americano Collins. Entram nesse contexto a pandemia de covid-19, a guerra na Ucrânia, depois o conflito entre Israel e Hamas, as eleições de líderes que querem reverter a ordem global das últimas décadas e, ainda, a desaceleração econômica geral — um cenário no qual o Brasil pode ficar espremido em meio aos desarranjos entre as grandes potências.
No entanto, para o economista e sociólogo brasileiro Marcos Troyjo, que foi presidente do Banco dos Brics entre 2020 e 2023, esse ambiente tumultuado pode abrir uma séria de avenidas para o Brasil nos próximos 25 anos, algo que ele chama de “polioportunidade” — isso, é claro, “se soubermos ler os sinais de maneira razoavelmente inteligente”, disse ele na conferência da HSM+, em São Paulo, na manhã desta quarta-feira.
O Brasil pode surfar em quatro grandes dinâmicas mundiais que já se consolidam, diz Troyjo. A primeira delas é o crescimento populacional em um punhado de países, a despeito do declínio geral das taxas de natalidade dos outros 90% do mundo. O crescimento deve ser puxado por Índia, Paquistão, Indonésia, Estados Unidos (com a balança de migração), Nigéria e países da África Subsaariana, como Etiópia, Congo, Tanzânia. Isso deve adicionar outras 2 bilhões de pessoas ao mundo até 2050. “Isso nos leva a questionar de onde vão vir a água, a comida, a energia e os insumos para a economia verde desses países”, afirma.
Além disso, as economias do que Troyjo chama de E7 (de países emergentes, como China, Índia, Brasil, Indonésia, México, Turquia e Arábia Saudita), e não do tradicional G7, devem se tornar cada vez mais importantes para a formação de demanda global, puxando todo o bolo de crescimento.
Por fim, a discussão do ESG deve começar a se virar para o “S” da sigla, saindo do foco ambiental (o “E”) e de governança (o “G”) para tornar-se cada vez mais social, com treinamento de talentos e aumento de produtividade populacional, questão-chave para o crescimento do Brasil nas próximas décadas. Isso vem na esteira da quarta grande tendência apontada por Troyjo, a inteligência artificial, que exige um aumento exponencial da demanda energética de fontes renováveis. Nessa área, o Brasil é tido como de grande vocação, graças ao mercado em ascensão de data centers, os armazéns de dados utilizados pelas empresas de tecnologia para treinar os modelos de IA e replicá-los pelo mundo.
“A polioportunidade para o Brasil e para as empresas está na utilização desses extraordinários excedentes que a nossa economia vai gerar a partir das suas vantagens comparativas tradicionais, como no universo de alimentos, de energia e de economia verde, para direcionar os recursos para a capacitação inédita da população”, conclui Troyjo.
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