Na disputa com o robô, quem se garante? Veja as profissões mais ‘imunes’ à inteligência artificial


Estudo da Firjan comparou empregabilidade nos últimos cinco anos e apontou profissões que serão menos afetadas pela expansão da IA

Por Paulo Renato Nepomuceno — O Globo – 16/07/2024 

Engenheiros — de computação, de produção e até de minas — além de profissionais relacionados à tecnologia da informação serão os menos impactados pelo avanço da inteligência artificial (IA) no Brasil.

É o que constatou um estudo feito pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais, a Rais, de 2022, último ano disponível.

Segundo a Firjan, ocupações que já se destacam em aspectos como criatividade, alfabetização tecnológica e curiosidade tendem a ser mais resilientes e adaptáveis às mudanças tecnológicas. Já aqueles empregos com tarefas rotineiras e repetitivas são mais vulneráveis à substituição pela tecnologia, diz o relatório.

Confira o ranking das 10 profissões mais bem avaliadas

Ranking das profissões mais ‘imunes’ ao avanço da IA — Foto: Editoria de Arte

Em cinco anos, as dez primeiras ocupações do ranking cresceram quase 77% no número de empregos: eram, em 2017, 180,2 mil vagas, saltando para 318,9 mil em 2022. A expansão equivale a cinco vezes a média de crescimento do mercado de trabalho formal no mesmo período, que foi de 14%.

Segundo o balanço, a posição final das profissões foi definida por quatro critérios principais:

  • crescimento do número de emprego: ajudando a identificar setores dinâmicos
  • remuneração: que pode definir qualidade de vida, satisfação e motivação no trabalho
  • estabilidade no emprego: analisando número de CLTs demitidos no período
  • importância das competências do futuro no exercício da profissão: que mede o quão suscetível é a substituição da profissão pela tecnologia.

Diploma é necessidade?

O estudo destaca que, apesar da lista ter predominância de profissões de Ensino Superior, duas ocupações contam com grande parte dos trabalhadores com diploma só de Ensino Médio.

Cerca de 57% dos técnicos em programação não possuem diploma de graduação em faculdade. Mesmo assim, o número de vagas cresceu mais de 93% nos últimos cinco anos. Já 84,5% dos operadores de equipamentos pilotados remotamente também não tinham formação superior, o que não impediu o avanço de 130% no número de vagas.

— Mesmo num cenário onde a gente percebe muita gente que não tem procurado ensino superior, ele ainda é fator determinante para ter uma carreira de alta remuneração. Isso continua sendo um caminho relevante, mas não é o único — frisa Jonathas Goulart, gerente de Estudos Econômicos da Firjan.

A aeronave remotamente pilotada, diz, começou a ser usada no setor audiovisual, mas hoje já é adotada para revisões na fachada de edifícios e no estudo de plantio, análise e controle de pragas.

— Nesse cenário de automação e mecanização, o drone tem sido utilizado para tudo — afirma Goulart.

Riscos

Para Goulart, alguns empregos não deixam de correr risco por conta do avanço da inteligência artificial. Segundo ele, existe uma ameaça aos empregos com processos repetitivos e que podem ser automatizados. São alguns deles trabalhadores e produtores agrícolas, lavadores e passadores de roupas, além daqueles que confeccionam modelos.

Apesar do risco que essas profissões correm, o trabalho pode, segundo ele, sofrer uma transformação, com as pessoas deixando de realizar trabalhos braçais para o controle de máquinas que realizam tais tarefas:

— Já temos percebido bastante a automação no mercado agrícola. Só que o processo de mecanização vai mudar a maneira como as pessoas trabalham no campo: terá sempre um ser humano usando a tecnologia para aumentar a produtividade no trabalho — diz.

Para o gerente de estudos econômicos da Firjan, a predominância de engenharias no ranking reflete a necessidade de experiência técnica, cada vez mais necessária no setor de tecnologia.

— O que a gente percebe é que as profissões são extremamente técnicas, e as engenharias exigem isso. É um cenário de mudança tecnológica com necessidade de automação, com indústria avançando nesse sentido — afirma.

Para Bruno Imaizumi, economista da LCA Consultores, o movimento é seguido do boom on-line originado ainda na pandemia, em 2020. Com mais pessoas em casa, houve a necessidade de uma maior ampliação da capacidade de lidar com a tecnologia:

— São profissões que já estavam em alta antes. No pós-pandemia e com a explosão de IA, isso acabou contribuindo para um movimento que já vinha acontecendo — destaca.

Para Imaizumi, outras profissões tendem a também se beneficiar com o frenesi da inteligência artificial, como as que precisam de análise de dados e intangíveis:

— Veremos economistas se beneficiarem, com modelagem de previsões. O setor de saúde e diagnóstico também deve ser revolucionado com IA, e até mesmo bancos. As empresas vão demandar cada vez mais pessoas que saibam demandar e trabalhar com esses tipos de informação — diz o economista, elencando o conhecimento em tratamento dos dados fornecidos por robôs como fatores para serem contratados ou até mesmo se manterem estáveis em futuras posições.

A tendência é que esses cargos sigam crescendo, pagando mais e gerando mais estabilidade, pois a corrida tecnológica ainda não se esgotou, exigindo cada vez mais níveis altos de especialização, segundo especialistas:

— Para ser engenheiro de computação e automação, vai haver demanda por muitos anos. São profissões que demandam anos de estudo, não é fácil atingir o nível de especialização. Então elas terão bastante tempo de relevância no mercado de trabalho brasileiro — afirma Goulart.

https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2024/07/16/na-disputa-com-o-robo-quem-se-garante-veja-as-profissoes-mais-imunes-a-inteligencia-artificial.ghtml

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