4 qualidades fundamentais para quem atua no papel de um CEO


Além dessas características, colunistas também destacam que o bom executivo deve apreciar a solitude, entendida como um estado individual positivo e criativo de reflexão sobre sua vida interior e seus compromissos com o mundo que o envolve

Por Guilherme Laager e Jose Luiz Alqueres

Há alguns anos a E.I.U., Economist Intelligence Unit, órgão de estudos e pesquisas da conhecida revista internacional de negócios “The Economist”, realizou uma pesquisa sobre os modos de aferir a qualidade da performance de grandes empresas e seus diretores. No tocante ao CEO, ou presidente, o critério recomendado surpreendeu a todos, pois ele constava apenas de verificar se aquele executivo, ao final do ano, havia cumprido o programado, independente do resultado para a empresa ter sido bom ou não.

O que o estudo enfatizava é que os executivos e, por conseguinte, as empresas que comandam, muito dificilmente cumprem o que planejam no início de um exercício. Por diferentes razões, perdem algo da objetividade e capacidade de executar o proposto ao longo do caminho – e isso é muito nocivo para as equipes que trabalham a ele subordinadas e, por extensão, para a empresa.

A pequena lembrança acima ressalta a maior qualidade que o executivo líder de uma organização, seja ela uma empresa ou um órgão público, deva a ela imprimir: a capacidade de conduzir ao longo do tempo os esforços de equipes compostas por pessoas diferenciadas em prol de objetivos pré-definidos, evidentemente ajustados às circunstâncias, mas implementados no tempo proposto. Sem isso, até a aferição de resultados fica comprometida.

Vale citar o exemplo do grande maestro Herbert Von Karajan, que tocava apenas piano, mas dominava todos os outros instrumentos pelos sons – em uma busca constante pela execução impecável de movimentos ousados de sua orquestra e na definição de suas sequências de execução.

O grande desafio de um executivo-líder é conciliar a entrega de resultados para os stakeholders e, ao mesmo tempo, garantir o máximo comprometimento de seus liderados nesse mesmo esforço. Para ele é imprescindível saber estar presente no dia a dia da organização, onde cabe conciliar uma visão prospectiva simultaneamente à compreensão das múltiplas tarefas que a empresa efetua.

O mundo é cheio de incertezas. Isso obriga ao executivo a frequentes intervalos para ouvir sua equipe, compreender seus desafios e, com eles, desenvolver as melhores soluções, ou seja, eliminando as pendências da agenda negativa de forma a concentrar a atenção da equipe no cumprimento da execução planejada.

Importante ressaltar: mais do que uma trilha de carreira, o que leva um executivo a galgar esta posição cobiçada por muitos são as circunstâncias e desafios que ele experimentou, sem muitas vezes saber onde ia chegar, mas confiando em sua experiência, maturidade e, não poucas vezes, em sua intuição.

Não faltam matérias sobre este tema, mas acredito que, apesar dos tempos serem outros, a melhor inspiração está em saber combinar qualidades que se vê nas biografias de diferentes líderes: os “soft”, como Gandhi; os “bélicos”, como Júlio César; os “arrojados”, como Churchill; “meritocráticas” como Napoleão e os “sábios”, como Jesus. Uma vez processadas internamente essas várias qualidades, este líder saberá dar um direcionamento claro e transparente para que todos andem na mesma direção.

Nesse afã, vale destacar algumas qualidades que o líder da organização deve cultivar.

  1. A primeira é a combinação da qualidade de coragem com a de perseverança. Coragem para enfrentar desafios por maiores que eles possam parecer, caso se interponham entre a meta que lhe compete alcançar e os meios que lhe são disponíveis. A perseverança implica em não desistir e não abandonar esforços a meio caminho, e sim retomar tantas vezes quanto necessário, o curso da sua navegação para alcançar o porto desejado.
  1. A segunda qualidade é o domínio do tempo. Saber organizar as tarefas e a elas imprimir uma velocidade – sem confundir com pressa – compatível com as suas complexidades relativas, de tal maneira que se elimine imperfeições, retrabalhos e outros problemas decorrentes, seja de uma pressa excessiva em executá-lo ou a perda do próprio senso de oportunidade, em termos de sua conclusão.
  1. A terceira qualidade repousa na criação de um ambiente disciplinado, onde respeite-se a autoridade, o que inclui o respeito ao próprio sequenciamento dos processos com a aplicação correta das tecnologias, verificação da qualidade do que está se efetuando e adequada conexão com etapas precedentes e subsequentes de cada tarefa dentro da cadeia de produção que lhe compete efetuar. Em qualquer atividade se estará sempre realizando um elo de uma longa cadeia entre uma matéria prima original e um produto final acabado – e isso requer a extrema capacidade de coordenação e zelo pela qualidade de cada componente desta cadeia.
  1. A quarta qualidade é fazer de um processo de trabalho uma grande escola de aprendizados, onde haja estímulos para se reconhecer e desenvolver os talentos humanos envolvidos, pois as máquinas sozinhas não são suficientes para garantir uma grande produtividade, caso não estejam sendo comandadas por intelectos competentes e comprometidos, dispostos a um contínuo aperfeiçoamento pessoal.

Um ponto final a destacar no bom executivo é a sua apreciação da solitude, entendida como um estado individual positivo e criativo de reflexão sobre sua vida interior e seus compromissos com o mundo que o envolve. Nesta solitude podemos minimizar pressões, evitar subjetividades e, principalmente, deiixar nosso coração nos aconselhar para que a intuição, o saber sentir o que funciona e o que não, possa complementar o que a lógica e a razão nos sugere.

Nesse estado de espírito, carregado de energia, o líder contagia todos os que o cerca na direção de um propósito único da empresa, valorizando a realização integral de seus companheiros de trabalho nos planos pessoal, familiar e profissional.

Guilherme Laager é membro de conselhos de administração e consultor de empresas

Jose Luiz Alqueres é membro de conselhos de administração e consultor de empresas

https://valor.globo.com/carreira/artigo/4-qualidades-fundamentais-para-quem-atua-no-papel-de-um-ceo.ghtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/JaVtzzDfTqBFO2KO7EjX4b (01)  para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Deixe um comentário