Mais empresas exigem o expediente 100% presencial no país


Levantamento mostra a evolução na adoção dos modelos de trabalho pelas companhias brasileiras desde dezembro até setembro deste ano. Saiba mais.

Por Adriana Fonseca, Para o Valor — 30/10/2023

Cada vez mais empresas estão exigindo que funcionários trabalhem de forma totalmente presencial. É o que aponta levantamento feito pela consultoria de recrutamento executivo Robert Half a pedido do Valor.

Ao mesmo tempo, o modelo híbrido, que permite alguns dias de trabalho no escritório e outros em casa, está perdendo espaço. Em dezembro do ano passado, 28% das organizações estavam funcionando no formato totalmente presencial e 67%, no modelo híbrido. No levantamento mais recente do Índice de Confiança Robert Half (ICRH), de setembro deste ano, 35% estão atuando no modelo totalmente presencial e 57%, no híbrido.

PUBLICIDADE

Para Fernando Mantovani, diretor geral da Robert Half para a América do Sul, é difícil dizer se isso é, de fato, uma tendência. “É algo difícil de prever, mas, na minha visão, o mercado de trabalho ainda parece caminhar para um modelo de trabalho híbrido nos segmentos e áreas onde essa modalidade é viável”, afirma. “É importante, portanto, ir encontrando gradativamente, e de forma muito aberta, esse equilíbrio entre os anseios dos colaboradores e as estratégias de negócios.”

A edição mais recente do ICRH mostra que o formato que mescla entre dias remotos e presenciais ainda é o preferido da maior parte dos entrevistados. Entre eles, 72% o consideram como o modelo ideal de trabalho, enquanto 15% indicam o home office e somente 9% o modelo totalmente presencial. Os outros 4% não souberam responder.

Mantovani entende que o mercado continuará a se transformar de maneira cada vez mais veloz, e diz que as empresas que abraçarem as mudanças e olharem para o futuro do trabalho definitivamente terão mais facilidade em atrair, reter e prosperar com equipes talentosas.

O especialista comenta, ainda, que já se vê, na rotina de trabalho dos headhunters, profissionais dizerem não a vagas que exigem a presença no escritório todos os dias. “Sentimos isso na prática”, afirma. “A escolha do modelo de trabalho tornou-se um fator decisivo, capaz de impulsionar pedidos de demissão e mudanças de emprego em prol de bem-estar, qualidade de vida e saúde mental.”

Segundo Mantovani, em muitos casos, o regime de trabalho vem antes da remuneração nas prioridades dos profissionais. “Aqui, acredito ser importante destacar que, ao contrário do que se imagina, os colaboradores também valorizam o contato e a interação, pois demandam, em sua maioria, o modelo híbrido, não o 100% remoto.”

O especialista diz também que adiciona complexidade a essa situação o baixo nível de desemprego entre os profissionais qualificados, que são aqueles com 25 anos ou mais e ensino superior completo. Para essa categoria, ele continua, a taxa de desocupação gira em torno de 3,5%, “algo muito próximo do que podemos chamar de pleno emprego, o que garante maior poder de negociação a esses profissionais”.

Mesmo os executivos que estão liderando a iniciativa de retorno aos escritórios, impulsionados pela percepção de enfraquecimento da cultura organizacional, queda na produtividade e dificuldades com a gestão remota, valorizam a flexibilidade, aponta o ICRH. Nesse sentido, algumas ações estão em curso, como horários flexíveis de entrada e saída, prática adotada nas empresas de 50% das pessoas entrevistadas.

Para os recrutadores entrevistados, as cinco vantagens mais evidentes na promoção da flexibilidade no modelo presencial são: aumento da satisfação dos empregados (56%), melhoria no equilíbrio entre trabalho e vida pessoal (50%), retenção de talentos-chave (38%), maior atração de candidatos qualificados (37%) e fortalecimento da cultura organizacional baseada em confiança e autonomia (32%). Já na opinião dos profissionais, a flexibilidade no trabalho presencial influencia no bem-estar, na produtividade e no equilíbrio entre vida e trabalho. “Os melhores talentos buscam empresas que compreendem o papel da flexibilidade”, diz Mantovani. “Olhar estrategicamente para isso é uma das chaves para o recrutamento de alto nível.”

A pesquisa ICRH ouviu 387 respondentes para cada uma das três categorias (empregados, desempregados e recrutadores), distribuídos proporcionalmente pelo Brasil de acordo com os dados do mercado de trabalho da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad).

https://valor.globo.com/carreira/noticia/2023/10/30/mais-organizacoes-exigem-o-expediente-100-presencial.ghtml?ref=SaibaMaisMidArticle_Valor_Economico

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/JaVtzzDfTqBFO2KO7EjX4b (01)  para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Deixe um comentário