Pesquisa feita com 81 organizações apontou que mais da metade recebeu, nos últimos dois anos, pedidos de demissão de profissionais que decidem trabalhar para o exterior em modelo remoto
Por Fernanda Gonçalves, Para o Valor 28/06/2023
Uma nova pesquisa descobriu que, nos últimos dois anos, 54% das empresas brasileiras perderam funcionários para companhias que atuam fora do país. No modelo em questão, o profissional continua vivendo no Brasil, mas trabalha em formato remoto para empresas estrangeiras.
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O estudo, obtido com exclusividade pelo Valor, foi realizado pela Think Work, plataforma de conhecimento sobre gestão de pessoas, em parceria com a Atlas, HR tech focada em contratações internacionais. Ao todo, foram ouvidas 81 organizações.
Dentro do grupo de empresas que relataram receber pedidos de demissão de funcionários que resolvem atuar para companhias de fora do Brasil, 41% afirmam que isso acontece com alguma frequência e 7% consideram a situação bastante comum.
Diante desse cenário, mais de 60% dos respondentes preveem problemas relacionados à falta de trabalhadores no próximo ano. Tatiana Sendin, CEO da Think Work, observa que o maior desafio está na área de tecnologia, já que empresas de diversos setores estão em busca de profissionais que as auxiliem na digitalização de processos e na inovação. “A contratação de brasileiros por organizações no exterior adiciona mais um desafio na tarefa do RH de atrair e manter os funcionários”, lembra.
O levantamento também descobriu que uma das soluções encontradas pelas empresas é, justamente, buscar ou contratar pessoas residentes em outros países. Assim, cerca de 27% das companhias têm feito esse movimento e outras 23% dizem estar considerando essa possibilidade. Ao mesmo tempo, para quase 10% dos respondentes da pesquisa, a expectativa é que, em dois anos, mais de 20% da força de trabalho seja encontrada no exterior.
“Isso vai exigir mudanças na maneira como as organizações atraem e contratam os funcionários, além de uma transformação cultural”, analisa Sendin. “Tanto o RH como os líderes devem estar abertos para a possibilidade de talentos globais, localizados não só em outras cidades, mas em outros países”.
Ela acredita que, para as empresas, essa é uma boa maneira de adicionar talentos diversos aos seus quadros. “Além dos conhecimentos técnicos, os funcionários estrangeiros trazem uma visão cultural e experiência de vida diferentes, o que pode contribuir com a estratégia de diversidade e com a transformação da cultura organizacional”, pontua.
Já para o profissional, Sendin explica que a principal vantagem reside em poder permanecer em seu país de origem, próximo aos familiares e, ao mesmo tempo, ter a oportunidade de conhecer outras culturas e ampliar sua empregabilidade ao se expor a ofertas de trabalho além do mercado local.
Além disso, ela destaca que o trabalhador muitas vezes tem a possibilidade de adaptar sua rotina de acordo com o horário de funcionamento da empresa. “Por exemplo, uma mãe ou um pai que vive na Europa e trabalha para uma empresa brasileira, com uma diferença de fuso horário de quatro ou cinco horas, pode dedicar as manhãs para cuidar dos filhos e começar a trabalhar depois do almoço, iniciando a jornada ainda pela manhã no Brasil”, detalha.
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